sábado, 28 de diciembre de 2013

Perfídia

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Ao chegar me pegaste esperançoso, otimista. O País iria finalmente tirar o pé do barro. Claro, começamos com leis novas, ou "arrastão fiscal", como sempre. Acabamos prendendo alguns meliantes, que andaram copiando o que outros fazem há muitas décadas, estes que continuam soltos. Muito pouco. Seguem "imexíveis", como falou um imbecil há muito tempo.

Pelo menos agora todo mundo sabe que não se chega a ministro se não for bandoleiro, representando alguma gang, seja de evangélicos ou de larápios apenas. Ficou no ar a promessa de que não demora alguns facínoras de São Paulo pegarão cadeia, estes por desvios de grana forte mesmo, perto da qual o mensalão é trocado. Falo isto desde o tempo da privataria, pois examinei os cálculos de preço mínimo realizados por empresas "especializadas" norte-americanas, trazendo a valor presente os lucros futuros das nossas boas estatais: só não morri de rir porque a vontade de chorar era maior. Claro que o FHC não sabia disso, pois presidentes sabem pouco, precisam delegar, o que o sociólogo iria entender de cálculos econômicos, complicados? Eu entendo. A porca imprensa da classe dominante, essa que tenta manter tudo como está, a miséria grassando, também nada entende de porra nenhuma, mas tem lá seus interesses muito bem localizados.

Segue tudo igual: o desconto na fonte assaltando a classe média, o médico sem recibo, os impostos indiretos comendo o consumo do pobre e por aí vai. Nem o "vou invadir a sua praia", nem o "vou arrancar o tênis do seu filho" comovem a malta distraída no ambiente luxuoso. A ingênua vontade de erradicar a miséria e a ignorância não voou de Miami ou Washington nas asas destas nossas companhias de aviação asquerosas, algumas donas de monopólios de transportes terrestres à custa de sonegação de impostos.

Quanta tolice: cortar gastos públicos, tirar a indústria da ociosidade, prender os sonegadores "extorquidos" no brutal lucro, negociar com quem sonega para pagar a folha. Besteira. Nada a não ser o imediatismo, planos sangrentos em cima da perna, grandes obras para enriquecer os mesmos. A bela Copa do Mundo do superfaturamento, enquanto crianças morrem pelas ruas. Desce do morro uma enxurrada de cola de sapateiro empurrando pedras de crack, levando casas pelas escarpas pela falta de trabalho de prefeitos sujos. Sim, senhor, que decepção.

Dos protestos que tiveram seu ápice em junho, o que restou, após as globos e vejas da vida nos chamarem de bandidos? Nada. Sonhei iniciar a mudança, e mandaste em troca, não esqueci, o desgosto, a vergonha pela covardia daquela mesma classe média burra, já que com os desvalidos que elegem os bandidos não se pode contar. Creia, o trauma que você causou, nem as pernas da Miss Brasil compensam.

E o idiota do Lula, que deu a bunda para carniceiros como o Maluf, que não fecha aquela matraca. E a pobre Dilma, que não consegue livrar-se dele e das centenas de criminosos que ele lhe legou.

E o pior, seu irresponsável: olho para os lados e não vejo para onde correr. Golpearam a Marina no fígado, poderia ser uma alternativa ao menos para reduzir o poder dos nazistas.

Agora, pleno dezembro, esmeram-se no golpe final. Declaram que metade da receita está comprometida por dinheiro dos antipatriotas lá fora, como desde sempre. O País pode parar, caos, pânico nas ruas. Arma-se a lona, ilumina-se o picadeiro, palhaços de prontidão, casa lotada e o apresentador exclama: "Distiiinto público, uma emergência: ou soltamos o leão ou o circo pega fogo".

Atônito, sem tempo para pensar, o distinto público concorda: solte-se o leão.

Os Mesmos sorriem cúmplices, são os donos do circo e sabem que o leão gosta de pobres e remediados, é ortodoxo. E lá vem Copa do roubo, imposto até sobre o namoro. Tributos e falsas ameaças de penalidades que prometem matar o dono mas miram no burro que o sustenta, só para aleijar, matar não dá que este evacua ouro.

Falam em fiscalização, as licitações das grandes obras e da Copa da putaria foram e serão honestas. Diz um gaiato: "Mas, seu moço, para fiscalizar somente as mesmas grandes empresas só de cinquenta em cinquenta anos", outro revida: "Mas não precisa, basta pegar as quinhentas maiores, para começar". Este último recebe um fuzil diante dos olhos: "Sai, seu estraga-prazeres!". 

Outro corajoso: "Se mexerem outra vez na Poupança, para pagar menos ainda que 0,5% ao mês, enquanto banco cobra 10% para emprestar a grana daqueles dos 0,5%, eu compro uma arma". Arma não pode, já desarmamos o povo para termos o campo livre, olha a prisão preventiva, seu baderneiro, para você tem!

É, a dor vai ensinando a gente a amar e um dia querer bem. Ao simples aceno da chegada do seu sucessor feito um bobo eu vibro de emoção, será melhor, fé. A Dilma já deve ter aprendido, haverá exceção à regra do Aparício Torelli, a "De onde não se espera é dali que não sai nada mesmo", o povo a ajudará, este sim, de quem nada se pode esperar pela lavagem cerebral dos donos de tudo das tevês e rádios. De repente sai.

Pensei em enviar esta cartinha ao Congresso Nacional, Mudei de idéia, naquele antro choro de empreiteira vale mais. Com os olhos postos no horizonte, eu, o povo consciente brasileiro, mando para você, seu velho mentiroso, em ti derramo a minha secular revolta. Perdoa, pelo bem que te quis, a dor que só a ti magoa quando digo que nenhuma saudade sentirei. O seu pôr-do-sol está pintado de sangue.

Até nunca mais, 2013.
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