jueves, 18 de abril de 2013

Os funerais de uma desalmada

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Por Mauro Santayana, no JB.



“Ela foi uma mulher perversa”, disse o eminente parlamentar George Galloway, o mais corajoso homem de esquerda da Grã-Bretanha da atualidade, ao protestar contra a falácia da tentativa de glorificação de Margaret Thatcher pelo governo conservador.

“Nós estamos gastando 10 milhões de libras na canonização dessa mulher malvada, dessa mulher que arrasou a indústria britânica, da Escócia, no Norte, ao País de Gales, no Sul. A comparação com Churchill é rematado absurdo. Ele salvou a real existência de nosso país, enquanto Thatcher fez tudo o que pôde para acabar com um terço de nossa produção manufatureira e reduzir-nos ao que somos hoje”.

Os protestos populares da noite do último sábado contra mais cortes no Orçamento social britânico (que se iniciaram nos anos 80, com Margaret Thatcher) foram marcados pelas manifestações de júbilo pela morte da Dama de Ferro, que já se encontrava exilada de sua mente, acometida da doença de Alzheimer. Enquanto mantinha plena consciência de seus atos, planejou seus funerais com toda a pompa desejada: honras militares e cerimônia religiosa na Catedral de São Paulo — homenagens que não se prestaram à Rainha Mãe, quando de sua morte, em 2002.

Os cartazes exibidos pelos trabalhadores nas ruas de Londres foram impiedosos na expressão de sua revolta contra a única mulher, até agora, a chefiar o Poder Executivo de um país anglo-saxão.

No mesmo tom de Galloway manifestou-se Lord Prescott, que foi vice-primeiro ministro de Tony Blair: “Ela só defendeu os multimilionários, os banqueiros, os privilegiados. Nunca mostrou a menor compaixão pelos doentes, necessitados e desesperados”. Prescott foi o primeiro a denunciar a pompa fúnebre, e sugeriu que apenas os multimilionários beneficiados por Thatcher contribuíssem para o enterro.

O consulado tirânico de Thatcher, com suas consequências abomináveis para os povos do mundo, deixa lições que não podem ser esquecidas. A primeira delas é a de que as massas, sem uma vanguarda política e, assim, sem consciência social, são facilmente manobradas pelos líderes carismáticos da direita — ou de uma falsa esquerda.

Ela, como Hitler, nunca enganou. Desde os seus primeiros passos na política, mostrou logo a que vinha. Como funcionária do primeiro escalão do Ministério da Educação, no governo Heath, mandou cortar a ração diária de leite fornecida às crianças das escolas públicas, como medida de economia, com o argumento de que os pais podiam dar-lhes o leite em casa. Diante dos protestos — os trabalhistas vaiavam-na aos gritos de “Thatcher ladra de leite!” — ela decidiu que as cantinas escolares distribuiriam um terço de copo de leite a cada criança, a fim de “evitar sua desnutrição”.

O corolário de sua estranha teoria política se resume em poucas palavras: não há sociedade; há indivíduos. Cabe a cada indivíduo buscar o seu bem-estar, sem nada pedir ao Estado. Em suma: se o Estado não protege os fracos, ele só existe para garantir os fortes. Abole-se, desta forma, o princípio imemorial da solidariedade tribal, assumida pelo Estado, que garantiu a sobrevivência da espécie.

A segunda lição é a de que a mobilização política é sempre mais poderosa do que os atos de violência, quando há ainda espaço para essa conduta.

Em 1983, quando terminaria o seu mandato, com a renovação da Câmara dos Comuns, um fato inesperado serviu para que, ganhando o pleito para os conservadores, permanecesse no poder: a insensatez de Galtieri em invadir as Malvinas, sem dispor de poder militar para isso, nem do necessário suporte diplomático. E o atentado do IRA, no ano seguinte, que visava matá-la, em um hotel de Brighton, e que fez cinco vítimas, consolidou seu poder.

O atentado pode ser explicado pela brutalidade da repressão contra os militantes irlandeses, prisioneiros em Ulster. O líder Bobby Sands e vários outros iniciaram uma greve de fome que terminou com a sua morte e a de nove de seus companheiros.

A contrarrevolução mundial de madame Thatcher contra os direitos do homem continua, na brutal insolência do neoliberalismo, sob o comando do Clube de Bilderberg e dos grandes bancos mundiais.

Em todos os países do mundo, principalmente na Europa, os pobres estão morrendo, por falta de empregos, de hospitais, de teto, de vontade de viver. Há endemia de suicídios, principalmente nos países meridionais. Thatcher morreu, mas Ângela Merkel está aí, para defender as suas idéias.

Um cartaz impiedoso, exibido sábado à noite em Londres, expressa o sentimento dos ofendidos e humilhados pelas“reformas” de Thatcher: “The bitch is dead” — A cadela morreu. Seus filhotes, no entanto, se multiplicam no mundo.

Se a Humanidade quiser sobreviver com a dignidade construída pela razão, e não se entregar a uma tirania universal, terá que reagir com a mobilização política dos cidadãos organizada em torno de iniciativas concretas que restabeleçam os direitos previstos nas leis que pretendiam assegurar, em todo o mundo, o Estado de bem-estar social, antes que seja muito tarde. 

martes, 16 de abril de 2013

Sociedade, que sociedade?

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Uma breve narrativa do profícuo trabalho da chamada "sociedade", esta palavra que significa, no Brasil, como na maior parte do mundo, uns 20% da população, se tanto. Esta sociedade em que um dos seus mais abonados representantes passou rapidamente os olhos na matéria da notável jornalista e logo se voltou aos cálculos: quanto vou receber por fora na construção de circos. Só a reforma do Maracanã, hummm... esta parte vai para uma ilha no Pacífico.



A CAIXA-PRETA DAS PRISÕES

Por Suzana Singer, na Folha de S. Paulo, 14/4/2013.




Era um sábado, dia de eleição. Estava de plantão no jornal, mas sem estresse. Editora de "Cotidiano", eu acompanhava de longe a movimentação em política, que cobria a escolha do novo prefeito de São Paulo (vai dar Maluf e Suplicy no segundo turno?). Eram tempos agitados: em Brasília, Itamar Franco assumia a Presidência depois do impeachment de Collor.

O jornal daquele dia, 3 de outubro de 1992, trazia um título pequeno na "Primeira Página" informando que, na véspera, "pelo menos" oito tinham morrido em uma rebelião na Casa de Detenção. A estimativa vinha dos hospitais, já que não havia dados oficiais. A única fotografia era a de um policial ferido.

No fim da tarde, quando as urnas estavam praticamente fechadas, o saldo verdadeiro daquilo que ficou conhecido como o "massacre do Carandiru" apareceu: 111 mortos.

De repente, a notícia do dia estava na minha editoria, a eleição municipal e a troca de governo perdiam importância diante do tamanho da matança. Com pouco tempo para a apuração, o que foi possível publicar no domingo foi um relato da ação da Polícia Militar, a carta de um preso que negava que eles tivessem arma de fogo e um destaque para o fato de o Estado ter omitido o número de vítimas para não prejudicar o candidato do PMDB.

Mesmo sob uma saraivada de críticas, o governo estadual continuou retendo as informações, o que dava força aos boatos. Três dias depois da invasão, a manchete da Folha dizia que o saldo de vítimas poderia ser ainda maior. Os presos falavam em 280 corpos. Resposta do secretário da Segurança: "O aumento no número de mortos é plausível".

Foi uma cobertura difícil, mas que, aos poucos, desconstruiu a versão oficial, de que os policiais tinham revidado os tiros dos detentos. Fotografias obtidas por Marcelo Godoy, na época repórter da "Folha da Tarde", mostravam corpos nus amontoados, indício de que os presos tinham sido mortos depois de rendidos. Nas imagens feitas por um policial, aparecem também sobreviventes sendo obrigados a carregar corpos de companheiros --com medo da Aids, a polícia não tocava nos mortos.

A fotógrafa Marlene Bergamo, que estava no "Notícias Populares", fingiu ser parente de preso e entrou com uma câmera escondida no IML, registrando a fileira interminável de caixões. Aos poucos, foram surgindo relatos de presos contando histórias de fuzilamentos a sangue-frio e de ataques de cães a feridos.

A imprensa e os intelectuais criticavam duramente a ação, enquanto a população se dividia. Mais da metade (53%) condenava o massacre, mas 29% apoiavam a polícia, o que era muito diante da tragédia recente. Segundo o Datafolha, esse percentual subiu hoje para 36%.

Como resposta ao massacre, o governo estadual criou uma secretaria especial para assuntos penitenciários e parecia que a vida atrás das grades entraria de vez na pauta da imprensa.

Vinte anos depois, os presídios, dominados agora pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), viraram uma caixa-preta. O acesso é dificílimo. Antes da ação no Carandiru, era possível obter rapidamente, com o diretor da unidade prisional, autorização para conversar com um criminoso. Hoje, é preciso passar por um juiz, pelo diretor da cadeia e a resposta é quase sempre "não". A justificativa é resguardar a segurança do próprio jornalista.

A imprensa, por sua vez, se acomodou e se desinteressou. Hoje não se sabe o que acontece nas prisões de São Paulo, onde vivem mais de 200 mil pessoas.

Como o crime organizado se impõe e como espalha sua influência para fora dos muros? Qual o poder real do Estado nas cadeias? O que os presos aprendem ali? Não há respostas no noticiário, que se atém às rebeliões (mais raras nos últimos anos), às discussões sobre como coibir o uso de celulares e às denúncias de más condições, que partem quase sempre de advogados, ONGs ou do Ministério Público.

A conclusão da "Veja" em 1992 é, infelizmente, muito atual. "Cadeia é assim mesmo: só desperta a sensibilidade dos cidadãos honestos quando a animalidade que nela existe ganha uma dimensão formidável."


miércoles, 10 de abril de 2013

Tribunal pra quê, Lalau?, n'A Charge do Dias

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Além de estarem com o napoleão de hospício Marco Feliciano atravessado na garganta, hoje os boêmios emputeceram com o governo, a partir de uma historieta contada por Carlinhos Adeva, envolvendo altos escalões - altos na hierarquia que lhes foi dada de mão beijada, não necessariamente elevados em competência e honestidade. Em resumo: o governo poderá assumir os prejuízos das empresas do Eike Batista, o maravilha da nação. Uma pilhéria de muito mau gosto.

Carlos encerrou assim:

- A desculpa é de que é para não afugentar investidores externos, como se os estrangeiros fossem otários, acostumados que são em carrear lucros e mais lucros para fora, muitas vezes subsidiados pelo BNDES. Em outras palavras: querem indicar aos estranjas um "venham que em caso de preju a gente abraça".

Aristarco ponderou:

- Talvez não passe de intriga da oposição, mas verdade é que também já vi umas conversinhas estranhas pelos jornais, envolvendo aspones diretos da Dilma e até o Itamaraty.

- Se eu pego uns caras desses.... - disse o Contralouco.

- Por mim que esse Eike se exploda. Por acaso não é ele o reizinho do capitalismo selvagem, que vive esfregando a sua riqueza bem havida no nariz dos brasileiros? Se quebrar foda-se, outro entra no seu lugar - falou Jezebel do Cpers.

- Bem havida? Vá saber... - duvidou Tigran Gdanski. - Tem aquelas estórias de como a fortuna foi construída pelo pai do cara.

E seguiram lá, em altas discussões no botequim, para salvar o Brasil. Não ao Eike, que pobre nunca ficará, sugeriu Jussara, pois deve ter alguns bilhões bem guardados em alguma ilha. De se ressaltar que na verdade alguns dos boêmios são de fato muito competentes, nada de consultor de porra nenhuma que chega a ministro porque... por que mesmo? Não são ministros porque não lambem o saco de ninguém.

O bar inundou-se de contentamento com a possibilidade de desentocarem, da gaveta onde dorme, a CPI das telefônicas. Como seria bom que o povo soubesse como as coisas funcionam nesses antros.

No mais, puxados por Wilson Schu, elevaram um brinde ao Joaquim Barbosa. E mandaram tomar na bunda dois senadores do PT, junto a eminências pardas do juridiquês brasileiro. Estádios superfaturados e tribunais monstros é com eles mesmos, enquanto o povo morre na porta de hospitais. 

- Se ninguém vai preso, salvo o povinho, para que gastar mais um bilhão em novos tribunais? - perguntou o Contralouco.

- Para discutirem quem tem mais direitos de assaltar o povo, para insurgirem-se contra tributos, essas coisas -, respondeu Wilson.

Carlinhos Adeva, novamente com a palavra, congratulou-se com o ministério público:

- Quando querem aparecer vão atrás de uns pés-de-chinelos. Quero ver é quando terão coragem de encarar os grandes ladrões, que estão na Av. Paulista e no Congresso Nacional.

Dizemos Congresso para que o nobre leitor compreenda, pois os boêmios o chamam de Conúbio Nacional. Dez a zero para o Carlinhos.

Bem, já ficamos nosotros metendo o bedelho nos papos alheios. O que nos cabe é publicar a escolha das charges do dia.

Às obras. Ficaram com os seguintes artistas:

Genildo. Esta bem ilustra o que disse Carlinhos por último.




  Atorres, do Diário do Pará, sobre aquele bosta.




Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR). Idem.




Frank, de A Notícia (Joinville, SC). Sobre os juridi... alguma coisa.




Miss Leilinha também escolheu as suas obras. Hoje a guria estava espiritada. Começou com Newton Silva (Fortaleza, CE), dizendo aos boêmios que de vereador para cima é tudo assim.




E fechou com os filhos da puta que superfaturam obras desnecessárias. Ops, entramos no clima. Com o Dum, do Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG).




 A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há alguns meses se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro. 

lunes, 8 de abril de 2013

Feliciano, um pobre homem?, n'A Charge do Dias

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- Amigos - disse o Contralouco -, temos sido injustos com o pastor, é no que dá a gente sair julgando as pessoas sem antes pensar que podem estar doentes. O pobre homem é  doido varrido, agora culpa a Deus por planejar o assassinato do John Lennon, por algo que o artista disse.

- E a um anjo por matar os rapazes do Mamonas, pois diziam muitos palavrões - acrescentou Jezebel. - Esperemos que a família o interne urgentemente, pobrezinho.

- Sei não, acho que se faz de louco, o negócio dele é grana - observou Gustavo Moscão.

Os boêmios mandam recado, pedindo que reproduzamos no blog alguns vídeos com o napoleão de hospício. Não faremos isso, o blog é familiar, precisamos manter um mínimo de pudor, imaginem no que se transformaria se fôssemos filmar e divulgar o que se passa no interior  de hospitais psiquiátricos. Porém, a quem interessar, tais vídeos estão pipocando na rede.

A turma segue incomodada é com a história do sujeito presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O Brasil virou piada no mundo inteiro, a Comissão está simplesmente inviabilizada, logo num momento da vida nacional onde começamos a buscar verdades, atuais e do passado.

Luciano Peregrino, aparentando ter-se recuperado plenamente da recaída depressiva, notibuc à frente, registrou a lembrança pelos 70 anos da Insurreição do Gueto de Varsóvia, quando 13 mil judeus foram mortos pelos nazistas. Hoje, em sessão no Senado Federal, um sobrevivente da perseguição nazista disse:

- Se tantas foram as vítimas martirizadas, tantos foram sacrificados, tenhamos esperança de que tal genocídio sirva como redenção de toda a humanidade de qualquer nova tentativa de cultivar a maldita intolerância.

Complementou Luciano: - O Senador Flexa Ribeiro não deixou por menos, afirmou que: "Lembrar a tragédia do Holocausto deve servir para alertar contra os perigos que a discriminação, o preconceito e o ódio representam para a sociedade".

Aristarco de Serraria tomou a palavra: - É exatamente disso que estamos falando, amigos, ao repudiarmos esse pastor: de intolerância.

Na escolha das obras do dia, se vieram novamente:

Rico, do Vale Paraibano (São José dos Campos, SP).

   

Aroeira.



Pater, de A Tribuna (Vitória, ES).



Leilinha Ferro abraçou a obra do Brum, do Tribuna do Norte (Natal, RN).


Tarso Genro vai à luta

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Num momento em que, salvo a massa de vítimas inconscientes, ninguém suporta mais a ditadura das redes de comunicação, o Governador do Rio Grande do Sul, um dos grandes nomes da "esquerda possível" sul-americana, em entrevista a Carta Maior, presta valiosos esclarecimentos ao povo gaúcho e à nação.



Porto Alegre - O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), defende que é hora de intensificar, por meio da luta política e do debate junto à opinião pública, a agenda da chamada regulamentação da mídia. Para Tarso, esse é uma questão chave para o avanço da democracia no Brasil e uma promessa ainda não cumprida da Constituição de 88. Em entrevista à Carta Maior, o governador gaúcho critica a ausência de diversidade de opinião no atual sistema midiático brasileiro e o processo de ideologização das notícias. Ele cita como exemplo o comportamento editorial do jornal Zero Hora, no Rio Grande do Sul: 

“As matérias de Zero Hora criticam as decisões que estamos tomando, baseadas no nosso programa de Governo, a partir da ótica do Governo Britto e Yeda, sem dizer que estão defendendo um programa de governo oposto ao nosso, já que foram e são grandes entusiastas das privatizações e das demissões de servidores públicos de forma irresponsável, as chamadas “demissões voluntárias”. 

O debate sobre o tema da regulamentação da mídia e do setor da comunicação como um todo enfrenta pesada resistência e oposição no Brasil. Na sua opinião, qual o lugar que essa agenda ocupa – se é que ocupa – hoje no debate político nacional?

Tarso Genro: A questão da chamada “regulamentação da mídia” - que na verdade não trata nem do direito de propriedade das empresas de comunicação e muito menos da interferência do Estado nas redações ou editorias - é uma questão-chave do avanço democrático do país, das promessas do iluminismo democrático inscritas na Constituição de 88 e mesmo da continuidade da presença dos pobres, índios, negros, excluídos em geral, discriminados de gênero e condição sexual, trabalhadores assalariados e setores médios que adotam ideologias libertárias, na cena pública de natureza política.

Mas essa promessa permanece não cumprida. O que é preciso fazer, na sua avaliação, para que ela se torne realidade?

Tarso Genro: É preciso “forçar a barra”, através da luta política, para que ela reflita no Congresso a exigência de uma sistema legal, regulatório e indutivo, para a formação de empresas de comunicação, cooperativadas ou não, estatais e privadas, que possam sobreviver e ter qualidade, independentemente do financiamento dos grandes grupos de poder financeiro e econômico, que tentam controlar a formação da opinião de forma totalitária.

Como fazem isso? Ideologizando as notícias e selecionando os fatos que informam o público consumidor de notícias, a partir da sua visão de Estado, da sua visão de desenvolvimento, da sua visão das funções públicas do Estado, gerando uma espécie de “naturalização” do neoliberalismo e mascarando as premissas dos seus argumentos. 

Cito alguns exemplos: reforma do Estado significa reduzir o serviço público e demonizar empresas estatais, como estão fazendo atualmente com a Petrobras; redução dos gastos públicos significa diminuir as despesas de proteção social; o “custo Brasil”, para eles, é originário, não da supremacia da política rentista, característica do projeto neoliberal, mas principalmente das despesas com direitos trabalhistas e impostos; parcerias público-privadas são vistas apenas como “oportunidades de negócios”, para empresas privadas e não como uma relação contratual, que combine o interesse público com o interesse privado; a corrupção é sempre culpa do Estado e dos seus servidores, omitindo que ela tem outro polo, o polo mais ativo, o privado, que disputa obras e serviços, corrompe funcionários e manipula licitações, nas suas concorrências predatórias.

Essa relação entre a política e a mídia costuma ser carregada de tensões e conflitos. Como político e gestor público, como procura lidar com esse tipo de situação?

Tarso Genro: Tive algumas experiências diretas interessantes com este tipo de manipulação: quando iniciei a implementação das cotas para negros e afrodescendentes no país, através do Prouni - ali eu era ministro da Educação - a grande mídia atacava a proposta, apoiada por acadêmicos de direita e da chamada extrema-esquerda, porque as cotas iriam baixar a qualidade da Universidade, já que os negros e afrodescendentes eram originários da escola pública e não tinham uma formação compatível para cursar as Universidades da elite, que são as universidades privadas. Puro preconceito, como se vê, tornado notícia isenta. Hipnose fascista, como argumentava Thomas Mann, na época do nazismo. 

Outra experiência bem significativa foi quando, como Ministro da Justiça, deferi –baseado em jurisprudência do Supremo, nas leis e na Constituição, o refúgio para Cesare Battisti. Battisti não era, para a grande mídia, um cidadão italiano buscando refúgio, mas um “terrorista. O pedido de refúgio era divulgado, então, como pedido do “terrorista Césare Battisti”, para induzir o consumidor da notícia a ser contra o refúgio, pois ninguém de sã consciência quer abrigar terroristas em seu território. A grande mídia repassava sem nenhum pudor, para os leitores e espectadores, portanto, a tese do corrupto Berlusconi e dos fascistas italianos, de que Battisti era um simples bandido. Pura manipulação da informação para obter resultados favoráveis às suas opiniões e posições políticas pré-concebidas. Quase conseguiram.

Os exemplos aqui no Rio Grande do Sul também são fartos. Atualmente temos “fronts” onde esta disputa se desdobra. Temos o direito de dizer que é um jornalismo comprometido com uma visão do passado, este, da Zero Hora, que desqualifica constantemente o nosso governo, com distorções em notícias, cujos fatos são selecionados para dar uma impressão de neutralidade.

Com qual visão de passado, exatamente?

Tarso Genro: Ora, a situação financeira estrutural do Estado é ruim há muito tempo e nós nos elegemos com o compromisso de investir, melhorar o salário do servidores - que estavam arrochados duramente- e recuperar as funções pública do Estado. As matérias de Zero Hora criticam as decisões que estamos tomando, baseadas no nosso programa de Governo, a partir da ótica do Governo Britto e Yeda, sem dizer que estão defendendo um programa de governo oposto ao nosso, já que foram e são grandes entusiastas das privatizações e das demissões de servidores públicos de forma irresponsável, as chamadas “demissões voluntárias”. 

O governo Britto fracionou e vendeu a CEEE por preços irrisórios, deixando as dívidas trabalhistas e das aposentadorias dos servidores com o Estado. Negociou as dívidas com a União, comprometendo-se a pagar juros exorbitantes e promoveu, assim, um estoque de dívida impagável. A governadora Yeda vendeu ações do Banrisul para pagar despesas correntes, não para - por exemplo - pagar contrapartidas para drenar mais recursos para investimentos, e fez o chamado (falso) “déficit zero”, arrochando salários e promovendo uma redução brutal nas políticas sociais e nos investimentos públicos, além de não captar recursos da União Federal, já que seu governo estava permanentemente atravessado por disputas internas. Ou seja, este jornal - e alguns editoriais de rádio e TV da mesma cadeia - estão já fazendo campanha eleitoral, para tentar restaurar, no Estado, as políticas destes dois governos, pois à medida que escondem as responsabilidades pela situação do Estado e exigem de nós, soluções imediatas, que sabem ser impossíveis e que não foram propostas no nosso Programa de Governo, estão saudosos destas políticas de privatização do Estado, que não deram em nada em lugar nenhum, a não ser atraso e crises sociais.

Um exemplo que chega ser hilário desta paixão saudosista é a forma com que eles tratam a questão dos pedágios no Estado e a parceria público-privada, para a construção da RS 10. Quanto ao primeiro assunto (pedágios), jamais avaliam os superlucros e os preços cobrados pelos pedágios, nem avaliam os investimentos feitos pelas concessionárias, para medi-los com estes preços e lucros. Quanto ao segundo assunto (parceria para a construção da RS 10) nos pressionam (ou pensam que nos pressionam), através de editoriais e notícias mal disfarçadas - mas são recados neoliberais - que devemos ser rápidos, acolhendo a proposta que vinha sendo negociada pela Governadora Yeda, sem pensar um minuto nos custos para o Estado e, inclusive, nas garantias que o Estado deve oferecer, nas suas precárias condições financeiras, herdadas dos governos Britto e Yeda, cujas promessas eles tinham grande simpatia. 

Este tipo de crítica dirigida diretamente a uma empresa de comunicação costuma ser associado a um tipo de censura ou ameaça à liberdade de expressão. Como vê esse tipo de objeção?

Tarso Genro: Tem o direito de fazer tudo isso, é óbvio, mas se tivéssemos fortes órgãos de imprensa, TVs e rádios, que fizessem circular de forma equivalente as informações do governo e a opinião dos usuários, obviamente toda a sociedade ficaria bem mais esclarecida e livre, para formar a sua opinião. Para informar, como se sabe, os governos que não adotam o receituário neoliberal, precisam pagar e pagar bem, com as suas peças publicitárias, pois as matérias em regra não são nem isentas nem equilibradas e passam, naturalmente, a ideologia dominante na empresa jornalística, às vezes até editando o trabalho feito pelo repórter, ou encaminhando para ele as “conclusões” isentas que a matéria deve conter.

Considerando a natureza conflitiva dessa relação, é possível, na sua opinião, manter essa postura crítica e, ao mesmo tempo, não fechar os canais de diálogo?

Tarso Genro: Temos diálogo com eles e vamos continuar tendo, até porque não confundimos a nossa função pública com as disputas político-partidárias, que estão na base destes conflitos. Frequentemente temos que usar, porém, os meios alternativos à grande mídia, as redes, os “blogs”, as rádios independentes para divulgar as nossas posições, principalmente em épocas pré-eleitorais, quando a isenção se torna ainda menor e eles passam a preparar os seus candidatos para as próximas eleições. É o que está ocorrendo agora de forma acentuada, em temas de alta relevância para o Estado, como as finanças públicas, as parcerias e as políticas sociais do nosso governo. 




sábado, 6 de abril de 2013

Filme de terror, n'A Charge do Dias

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Hoje vão as charges escolhidas ontem pelos boêmios. A coordenadora da coluna, miss Leilinha Ferro, mostrou-se desconfortável ("Estou por aqui com esse sujeito"), mas nada pode fazer, a eleição é democrática. Por seu turno, os boêmios prometem não sossegar enquanto o "aiatogélico" (sacada do Nani) não for posto para fora da Comissão.

Claro, diante de assunto tão asqueroso, os boêmios não se furtaram de breves comentários.

Tiago Recchia, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR). Vai para a parede do botequim. O Prefeito João da Noite decretou: "Nota mil!".



Boopo, de A Tribuna de Amparo (Amparo, SP). "O moço de Amparo é muito perspicaz, tem mundo...", disse a doutora Jezebel do Cpers. Ora, dona, é artista, pombas.



Vasqs. "Fudeu com o elemento", disse o Contralouco. Estão rindo até agora.


Ykenga. Por alguma razão, charge onde tem bar no meio a turma gosta. "Parede nela", falou Chupim da Tristeza, que é azul de negritude.



Miss Leila ficou com o Adnael. "A varinha dele parece um bodoque", comentou Nicolau Gaiola. Clóvis Baixo sorriu e disse: "Vai cutucando, vai...".


viernes, 5 de abril de 2013

Luz, com Gabriel da Muda e Moacyr, para iluminar o Brasil

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Como toda a Europa, África e América Central, América do Sul (exceto Brazil da globo, artificial, e isto não é reclamação, estamos acomodados num espaço bom demais), sabem, como sabem minhas negras, e as companheiras de vida dos amigos, hermanitos, desta palafita, este blog é fissurado nos grandes sambistas cariocas, gema pura. 

Boêmios de amor, sérios e risonhos, quem seriam hoje?

Ele, Moacyr Luz, que hoje fecha 55 aninhos. Moacyr, que ao cantar não se sabe se está cantando ou rezando.

Como vídeos são raros, ao ponto de a gente ficar impedido de fazer propaganda do artista, vai um do ano passado, que ainda não tiraram da rede. 

Com Gabriel da Muda, aqui acho que no show de lançamento de CD de Gabriel Cavalcante (da Muda), em 11 de agosto de 2010, no Rival, se bem me lembro, Perdi essa, mesmo estando em Santa Cruz de dia e de noite em Itaguaí. Um dia Mr. Febraban me paga.

Saúde, Moacyr. Saúde, Gabriel. Consultem o figueiredo e bebam bastante, amanhã não se sabe.

Viva!


Agora preciso ir

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Ufa, enfim cheguei ao destino. Abro o computador e acolho de Leilinha a curta narrativa, dela, pessoal, de ontem no bar, e a fita, bem como as charges escolhidas pelos boêmios do Botequim do Terguino.

Melhor não dizer nada. Salvo que Luciano Peregrino resolveu dar a volta por cima, isso de se matar não é bom, menos ainda por ingratidão de alguém. 

Ele disse isso cantando, numa boa, e o pessoal respirou feliz, aliviado, já na primeira frase, e pelo seu sorriso. Começou assim:

"Chorei, não procurei esconder, todos viram... fingiram, pena de mim não precisava..."

Quando chegou no ali onde eu chorei qualquer um chorava,  dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava, o Botequim inteiro o abraçava, aquele monte de homens e mulheres no meio do bar.

É o "velho" peregrinante de volta. E foi tanta felicidade que ele esqueceu das Notícias do Notibuc, o notibuc ficou num canto, perdido, o Portuga depois o guardou debaixo do caixa.

Nicolau Gaiola era o mais satisfeito, ele que odeia notícias dos criminosos da nação, os coisos.

Leilinha Ferro voltou da facul e o viu, outra cena de amor.

O Contralouco e o Gustavo seguem na sina de fazer espera para pastores, mas estes são gatos escaldados. Sem ofensa aos gatos, o gatil ali é outro, desalojante, ou aiatogélicos, na sacada do seu Nani. Não passa um no Beco do Oitavo, uma tristeza para ambos. O Gustavo, o ex-boxedor da turma, só quer dar um soquinho num. Agora que nunca mais passam na rua, o Contralouco pensa em duelo, carrega dois punhais: "Vou dar um pro bandidão, se defenda". Sonha com um imaginário pastor que persiga minorias, só louco.

- E depois eu é que sou tantã - diz João da Noite entrando no bar.

O bar se iluminou.

João sorrindo, mas todos conhecem aquele sorriso:

- Já cansei de dizer, Contra, Mosca... homem não briga de mão, punhal até passa, mas pra quê? Feito vagabundos brigando na rua, se agredindo, se cortando?

Jucão e Silvana Maresia pularam em João, em abraços. Logo todos. O Contralouco o abraçou apertado, e ainda com a mão apertada na do João, disse:

- Pera aí, Prefeito João, eu não falei em brigar, eu falei em atolar o punhal na goela, se o cara se viesse.

João, encaminhando-se para o seu lugar da mesa do Centro, com todos caminhando juntos, respondeu:

- Homem, vocês sabem bem, se tiver que brigar, longe de nós uma desgraça assim, mas se tiver mesmo, briga de tiro, a ferro, a matar ou morrer, isso de briga de mão não serve, periga perder para um anão bom de jiu-jitsu ou para um merda de UFC que nunca leu um livro, mas tiro só em último caso, se levantarem a voz ou jogarem pedra na casa da gente, então parem com isso, parecem meninos.

O prefeito disse isso com carinho, difícil explicar, com amor e autoridade, o pessoal o conhece e o ouve. Ele com aquele punhal branco nas costas da cintura, que vai de lado até embaixo do joelho.

Luciano ri sozinho, em seguida pede ao Portuga uma dyablita para o Prefeito de Porto Alegre, Juán de la Noche. Futuro prefeito, o Partido dos Boêmios ainda está em Constituição. 

O Contralouco sorve um copo de cerveja, pernas cruzadas, pés noutra cadeira, feliz. 

Jussara do Moscão olha para o Mosca com ar de eu te disse, chega de socos. Esquece esses pilantras evangélicos ladrões, nem todos são ruins.

Gustavo Moscão toma um golão da sua caipirinha, olha para o seu amor com ar de sim, ai Jussara, e pensa que ela tem razão, de cada cem tem um que pode prestar, se tanto, pobre Ju, não sabe, não quero deixá-la triste, e decide comprar uma arma, já que de mão não vale, falou certo, o João, tem cada moleque avião aí, se me pegam mal, mas só se largarem na frente e eu estiver bêbedo demais nesta vida... Uma arma, tá certo o João. Será que um silenciador está muito caro?

João afagado por Jezebel do Cpers, não quer vir no colo, Joãozinho?, vem, amado... Ele ri. Ela também.

Ninguém ousa perguntar pela mulher de pra lá do Espinilho.

João chegou sem camisa, sinal de que o seu coração está lá, no fundo da mata onde a deusa mora. Choveu muito aqui, sem raios, mas João teme raios por lá, pois aí ela sai, é irmã dos raios, atração, com seu punhal branco, doce rainha da selva correndo nua por entre as árvores até matar alguém, em substituição aos que a machucaram numa terrível noite de raios e chuva. João pensa em voltar amanhã.

Logo entoam a música que Luciano usou para dar o seu recado:

"Chorei, não procurei esconder, todos viram..."

E assim seguiram.

O final da carta eletrônica da Leilinha:

"Tio salito, tanta charge linda e inteligente, e os doidos escolheram de novo só aquelas falando do diabo dos direitos humanos, um moleque sujo, tio, compreendo, mas não suporto mais. Hoje foi bom aqui, a volta do tio Luciano, a surpresa do seu João da Noite que tanto amamos (o pai ligou para o Carlinhos, Chupim, Wilson, todo mundo, D. Zilá, seu Açafrão, Tigran, Clóvis, todos estão vindo), se tu puder não misture o animal com um dia tão bom. Choveu tanto, tanto, em Porto Alegre, tanto, que lavou tudo, o trânsito está horrível, parou a cidade, mas valeu a pena, agora preciso ir. Aos poucos tudo ficará bem, o tio Luciano realmente melhorou, agora é ele".



jueves, 4 de abril de 2013

A extrema-direita do século 21 no Brasil

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No aeroporto, aguardando o embarque, quase caí de costas. Aí está o PSDB e seus companheiros de hoje, nesta salada de acordos entre inimigos viscerais que tomou o Brasil. Mário Covas e outros que lutaram pela redemocratização devem estremecer no túmulo. 

No Brasil não tivemos julgamentos dos crimes da ditadura. Na Argentina os há, e a matéria da jornalista Marta Platía, de ontem no Página/12, dá uma boa idéia de como foram as coisas, AQUI.

O texto que segue, autoexplicativo, é do Ricardo Kotscho.

Causou alguma estranheza, e logo foi esquecida, a nomeação do advogado Ricardo Salles, em março, como novo secretário particular do governador Geraldo Alckmin.

Fundador de um movimento que tem o sugestivo nome de "Endireita Brasil", Salles é um dos expoentes dos "neocons" brasileiros, que vêm-se multiplicando e já criaram várias entidades _ entre elas, o Instituto Millenium, reduto dos grandes orgãos de imprensa contrariados com a presença do PT há 12 anos no poder central.

A presença de Ricardo Salles no governo estadual só seria descoberta esta semana quando acompanhou Alckmin justamente na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS, em São Paulo, o que pareceu uma provocação, já que estavam presentes integrantes da Comissão da Verdade e vítimas da repressão.

Salles, que já foi candidato a deputado pelo PFL e pelo DEM, duas vezes derrotado, é radicalmente contrário a esta comissão, criada pelo governo de Dilma Rousseff para apurar os crimes da ditadura militar. E já chegou a afirmar num evento no Clube Militar, no ano passado: "Não vamos ver generais e coronéis, acima de 80 anos, presos por causa dos crimes de 64. Se é que esse crimes ocorreram...".

Tucanos que combateram o regime militar ficaram constrangidos com a presença do secretário particular no evento, para quem "felizmente, já tivemos uma ditadura de direita no Brasil".

"Discordo quando se tenta negar a existência de violações aos direitos humanos", declarou o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, segundo reportagem de Julia Duailibi e Bruno Lupion, publicada nesta quinta-feira no "Estadão".

Para Alberto Goldman, ex-comunista nos tempos da clandestinidade e ex-governador de São Paulo, "no mínimo, ele (Ricardo Salles) desconhece a história brasileira".

O primeiro a protestar contra a presença de Salles, que é responsável pela agenda do governador paulista, foi o escritor Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado Rubens Paiva, assassinado sob tortura pelo governo militar em 1971.

Marcelo exigiu uma retratação pública de Geraldo Alckmin pelas declarações feitas por Ricardo Salles, que é o responsável por sua agenda, mas o governo paulista já informou que não vai comentar as declarações do funcionário.

"Sou testemunha viva. Eu e minhas irmãs. Vimos nossa casa no Rio de Janeiro ser invadida por policiais militares com metralhadoras em 20 de janeiro de 1971. Vimos meu pai, minha mãe e irmã Eliana serem levados. Meu pai entrou no quartel do Exército e não saiu vivo de lá", escreveu Marcelo Paiva em seu blog no "Estadão".

O advogado Belisário dos Santos Júnior, que foi da Comissão de Justiça e Paz, nos tempos de D. Paulo Arns, e secretário da Justiça, no governo Mário Covas, vê nas manifestações de Ricardo Salles o objetivo de negar os crimes da ditadura, enquanto o da Comissão da Verdade é justamente apurar estes fatos.

"Respeito a opinião dele, mas sei aonde isso leva e tenho medo de aonde isso leva. As pessoas que negavam a tortura passam a admití-la e a justificá-la. Mas a tortura é injustificável".

Já em plena campanha para mais uma reeleição ao governo do Estado, Alckmin começa a enfrentar problemas dentro do seu próprio partido por conta de uma nomeação bastante polemica, digamos, que até hoje não justificou, mas pode dar uma pista do seu real pensamento político.




Cochichando

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Uma verdadeira seleção brasileira de música instrumental.

Constelação. 

Miremos o ambiente: aos pés da escadaria, noite entrando, chopinho à frente... E eles lá, "Cochichando" Pixinguinha (choro que tem letra de João de Barro e Alberto Ribeiro). 

Entre os astros, Zé da Velha (José Alberto Rodrigues Matos, 4/4/1942, Aracaju, SE), que hoje cumpre mais um aninho de vida. Esse moço que se vê abaixo, na "capa" do vídeo, com trombone de vara.