.
Carlos Lúcio Gontijo (27/4/1952), poeta, escritor e jornalista, grande vulto das letras das Minas Gerais e do Brasil.
Não
importa se nos Estados Unidos, no Brasil ou nas cidades do Rio de Janeiro e
Belo Horizonte, pois o quadro político é o mesmo: candidatos ruins e, portanto,
incapazes de dar real opção para o eleitor, uma vez que a decantação dos nomes
termina passando pelo filtro esburacado do radicalismo, no qual vive o mundo
nos dias de hoje, onde é flagrante o empobrecimento intelectual generalizado.
Assistimos ao avanço de programas televisivos especializados em propagar
(repetida e diariamente) a subcultura, por intermédio da exaltação à
superficialidade e do noticiário policial, que termina por colocar a violência
como algo natural e inerente ao ser humano.
Esse
panorama, conjugado com educação voltada para a formação de especialistas,
levando alunos de curso médio e estudantes de ensino universitário a se
diplomar sem jamais ter lido um livro de literatura, um romance ou uma obra de
poesia, o que resulta na formação de profissionais completamente desprovidos de
sensibilidade no tocante ao trato com o ser humano, com a pessoa, com o
semelhante, com o cidadão.
Devemos evitar a todo custo cair no conto da criminalização da política ou no
discurso de que todo político é vagabundo, pois é dessa maneira que se abre a
porta aos oportunistas, aos grupos fundamentalistas e reacionários, os quais se
aproveitam do esvaziamento da ação política para assumir o poder e cometer as
maiores barbaridades em nome da moral, dos bons costumes e até de Deus, que
desde o surgimento da ideia de algo mais alto a nos guiar habita o fio da
navalha (e da língua) de muito sanguinário e pregador da sagrada palavra.
Há uma intensificação avassaladora da disseminação do medo, como se a meta
fosse manter a população acuada e desesperançada, a ponto de imaginar que o mal
venceu e não há mais por que lutar.
É
tempo de o bem dizer a que veio e passarmos a enaltecer aqueles que o praticam,
uma vez que os semeadores do mal ganham manchetes em letras garrafais nos meios
de comunicação, a ponto de possibilitar a malfeitor notório a conquista de
admiradores e seguidores fanáticos, com direito a se inscrever em partido
político, ser candidato, votado, eleito e tomar assento no centro do poder, legitimado
e ungido pelas urnas democráticas.

A
nosso ver carecemos urgentemente de uma reforma humana capaz de cessar a
cultura hedonista que nos rege e nos brutaliza, conduzindo-nos ao açougue dos
balcões e vitrines iluminadas, às quais sob a sanha de consumir (para existir)
entregamos a nossa alma e perdemos o dom da convivência em sociedade, que
muitos idealizam melhor e mais promissora se estiver nas mãos de um capataz
abençoado pelo divino poder dos reis e que, dispondo de chicote e pelourinho em
praça pública, como se fosse senhor da vida e da morte, adote toque de recolher
e ponha todos para dormir o sono letárgico da escravidão consentida.
.