sábado, 8 de enero de 2011

Falha de S. Paulo

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VERGONHA NACIONAL!

"8 janeiro 2011
100 dias de censura da Folha!

Flagra da festa na Barão de Limeira vazou para o FalhaLeaks!
Hoje, sábado, 8 de janeiro, a censura da Folha e o processo contra os criadores da Falha de S.Paulo completam 100 dias (acompanhe sempre nosso contador a la Estadão aí no alto).

São mais de 3 meses impedidos de fazer piada direito por conta de uma liminar e nos defendendo de uma ação que nos cobra dinheiro a título de indenização por “danos morais” (ah, a moral da Folha…). Mas deixa estar, pelo menos vazou (FalhaLeaks!) esse curioso flagrante da festa comemorativa dos 100 dias de censura promovida por Otavinho Vader na Estrela da Morte sede da Folha: ...".

Pescado do site (clique, leia, passe adiante) DESCULPE A NOSSA FALHA, que conta tudinho sobre a estúpida censura ao blog satírico Falha de S. Paulo, promovida pelo homenageado, o jornal (tu)barão Folha de S. Paulo.
Tão asquerosa e antidemocratica a atitude do jornal tubarão, que já mereceu severas críticas de Julian Assange, do Wikileaks, que a classificou como "grande escândalo".

Patrunfos.

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Refresco com Zeca Pagodinho

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O Zeca envia e-mail (ou foi do aspone, Zeca?) para reclamar, de brincadeira, que ainda não lembramos dele aqui no blog. Está certo, mermão. Mas o amigo poderia aparecer mais seguido, louras supergeladas temos à beça. Vem tranquilo, na retaguarda Juanito e Kafil coordenam o resto do pessoal.

Quando pintares serás apresentado a uma composição do João da Noite, a marchinha "A cuia do Gilmar Dantas não tem dono" (título provisório). Começa assim: "Bestial, vou te enrabar neste Carnaval, para deixares de ser algoz...".
Não dá para dizer mais, ainda não possui registro, e periga algum animado bloco de foliões de Brasília assumir na boa o direito autoral da letra. Mas é sem cuspe, isto é, sem refresco.
A melodia, do mesmo João, é divina.
Apostamos que vais querer gravar a tempo de explodir nas paradas já em fevereiro, inaugurando nova etapa em tua espetacular carreira. Outra vida, maravilhosa, somando-se às que já tens.

Isto posto, vamos com um samba de 1947,  autobiográfico, do lendário  Alcides Malandro Histórico (Alcides Dias Lopes, da Velha Guarda da Portela. Rio de Janeiro, 17/12/1909 - 09/11/1987), talvez com alguns versos incorporados por Candeia (Antônio Candeia Filho. Rio de Janeiro, 17/08/1935 - 16/11/1978), o primeiro a gravar, em 1978, pouco antes de ele mesmo morrer, o desabafo do velho malandro.
Houve época em que éramos mais ingênuos, chegamos a pensar que alguém tinha composto o samba em nossa homenagem, coincidências, seu Alcides.

Na voz dele mesmo: Zeca Pagodinho (Jessé Gomes da Silva Filho, Rio de Janeiro, 04/02/1959), acompanhado da Velha Guarda.



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Dueto dos Gatos

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Como Refresco-homenagem, a peça de Gioachino Antonio Rossini (Pésaro, 29/02/1792 -  Paris, 13/11/1868), célebre compositor erudito italiano.

Antes da oferenda, penduramos um enorme galho de arruda na orelha.

Vai como singelo reconhecimento aos nossos políticos sujos. Principalmente ao PMDB, mas é para todos os impotentes, predadores que carregam a sede do velho substrato material. Exceções não contam, até aparecer algum pobretão.

Por uma questão de justiça, aproveitamos a boa ocasião para homenagearmos também os banqueiros do Brasil.

Silvio Berlusconi, o lixão do mundo

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No Brasil, sabemos que certos elementos se apossaram, com a mão do gato, através da política ralé ou de negociatas encobertas por políticos lesa-pátria, de grandes redes de comunicações, rádios e tevês, principalmente. E todos também sabemos o uso que fazem desses instrumentos.

Nenhuma novidade. Basta ligar a televisão, o livro do povo. Aquilo emburrece qualquer um.

Mas muita gente se engana ao imaginar que isso é privilégio brasileiro, a suposta herança maldita dos portugueses, e que no Velho Mundo as coisas são diferentes. Em alguns raros países, onde a educação para todos atingiu níveis de excelência, são diferentes, sim, exceções que confirmam a regra.

De resto, o mundo todinho é igual. Nas atuais ditaduras, as do capital, são sempre os mesmos a levar a plebe como gado. Promovem o desconhecimento dos fatos e roubam o seu país, suas crianças, como roubariam qualquer outro, afinal, fronteiras são imaginárias mesmo, apenas para comover o povinho numa partida de copa do mundo, felicidade e ignorância caminham juntas espontaneamente.

Como se uma criança doente ou com fome não chorasse de modo idêntico aqui ou na Cochinchina. A eles importa é dinheiro, poder. Cremos que devido à impotência física e mental, como já falamos neste blog. Pouco nos importaria essa satisfação indireta de suas impotências, coitados, não fosse o terrível dano que suas taras promovem, as dores, fomes e mortes que causam.

A Itália tem os seus sarneys, seus marinhos, seus jaders, sua globo, uma lista imensa. Tem os seus bandidos. Como os daqui, donos de tudo, a começar pela imprensa. Quando algo não corre como esperavam, desviam o assunto, encontram um Cesare Battisti qualquer para servir de bode expiatório. No Brasil os barões da imprensa são profissionais nessa técnica, não por acaso os nossos fascistas deram de atacar Battisti, mirando no governo Lula.

Sobre um repugnante e bruto  italiano, eis o que escreveu o brilhante Mauro Santayana, com o comedimento que lhe é peculiar, no dia 15 de dezembro de 2010:

Um palhaço endinheirado

"Os jovens voltaram ontem às ruas de Roma, cidade emblemática do Ocidente, protestando contra a decisão da Câmara dos Deputados, que manteve Berlusconi na chefia do governo. Houve vitrines de bancos arrebentadas a paralelepípedos. coquetéis molotov lançados contra a polícia, veículos oficiais e automóveis de luxo incendiados, centenas de prisioneiros, dezenas de feridos, As manifestações também ocorreram em outras cidades, entre elas, Milão e Bolonha.

As manifestações de ontem vieram depois dos graves incidentes em Londres, e há rumores de que se preparam novos protestos em Paris e em Berlim. Os jovens parecem retornar àqueles meses do vendaval de 1968, em que estavam dispostos a reconstruir o mundo, submerso na injustiça. O mundo, hoje, está bem mais injusto. De repente — é a sensação do observador — os jovens se dão conta de que lhes estão confiscando o futuro. Na Inglaterra, destruída nos últimos trinta anos pelo neoliberalismo de Mrs. Thatcher e seus seguidores, os empréstimos concedidos aos estudantes de classe média para custear os cursos superiores são um contrato Faustiano: muitos dos rapazes e moças se formarão já devendo de 70 a 100 mil libras ao governo, com esse aumento das taxas universitárias. Seus projetos de vida — entre eles os de casamento e formação de uma família — devem ser postergados.

No caso da Itália, grande parte da juventude — infelizmente, nem toda ela — também se considera ofendida e humilhada por um homem tão rico quanto insolente, que se esquiva da senilidade pagando a jovens prostitutas para que componham os seus serralhos eventuais, montados em luxuosíssimas mansões, e governa como quer. À custa dos favores públicos e de sua própria e inexaurível bolsa, ele tem comprado grande parte do Parlamento, para obter as leis mais esdrúxulas que o vêm mantendo no poder. Também agora foi assim, ao cooptar três parlamentares da oposição a fim de, com seus votos, impedir que a moção de desconfiança contra ele fosse vitoriosa. Além de outras diferenças entre ele e Mussolini, o fascista Benito era um intelectual, enquanto Silvio não passa de um palhaço endinheirado."

Y así pasan los dias.

Salito.


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(A foto adaptada do Führer italiano foi incluída por nosotros)







viernes, 7 de enero de 2011

Refresco

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Lembrando RIACHÃO (Clementino Rodrigues - Salvador, BA, 14/11/1921), uma das mais expressivas figuras da MPB. Obra riquíssima, crônicas do cotidiano.
Sempre esquecido, com as exceções que confirmam a regra, como em 1972, quando Caetano e Gil, voltando do exílio, gravaram seu samba "Cada macaco no seu galho" e sacudiram o Brasil.
 
Entre muitas histórias, destacamos uma: nos anos de chumbo da Ditadura Militar que a Globo tanto exaltou e apoiou, Riachão tem um samba proibido pela Censura. A música se chamava ‘Barriga Vazia’ e a letra falava da fome: "Eu, de fome, vou morrer primeiro / você, de barriga, também vai morrer um dia".
A notícia da censura corre a cidade e em 1976, num show no Instituto Cultural Brasil Alemanha, a platéia universitária exige que Riachão a cante. O público pede com tanto entusiasmo que os músicos começam a executá-la e ele se vê obrigado a cantar o samba, fato que repercutiu na imprensa como uma "provocação" do sambista aos militares. Vejam nos vídeos abaixo a cara de agitador que Riachão possui... só rindo. 

Aqui em milagrosa aparição na "Grobo", pela madrugada, cantando com Beth dois sambas de sua autoria.
 

 

Cesare Battisti e Pontius Pilatus

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, negou ontem à tardinha a imediata libertação de Cesare Battisti.

Em seu despacho dá a entender que Lula o manteve no Brasil ao arrepio das condições impostas por aquela infalível Corte. Insultou meio mundo no despacho que cometeu.

Até as pedras da Cidade Estrutural sabem que esta discussão de há muito deixou de ser técnica. O que as pedras não sabem é em que se transformou. O que pretende o tribunal político, formado por técnicos indicados por políticos, acima de qualquer suspeita?

O nobre ministro, nobre para as suas negas, pensamos mas não devemos dizer - insistimos, para que não paire dúvida: acima de qualquer suspeita (era só o que faltava, um reles cidadão jogar sombras sobre os meritíssimos que estão lá por indicação e luta política, jamais por competência, não senhor) -  é o mesmo que, na madrugada de 24 de setembro de 2010, não sabia o que fazer quando a votação sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa deu empate, 5 a 5, embora a ele coubesse o voto de Minerva. Qualquer filósofo de buteco, caso de João da Noite, notou a obviedade de que bastaria seguir o entendimento do TSE (que validou). Bem lembramos que vimos pela tevê o ministro Joaquim quase ter uma síncope ao se dar conta de que ninguém queria ouvi-lo nem entende-lo.

Como interessado-mor no resultado, o honesto Joaquim Roriz, o que não vem ao caso. Águas passadas.

Agora, amarelou de novo.

Decidiu reabrir o processo! No confuso arrazoado esse objetivo não ficou claro, mas foi o que fez.

O advogado de Cesare emitiu nota, com poucas palavras, retiradas as inúteis: "A manifestação do Ministro Peluso viola a decisão do próprio Supremo Tribunal Federal, o princípio da separação de poderes e o Estado democrático de direito".

E segue: "O Presidente do STF votou vencido no tocante à competência do Presidente da República na matéria. (...) ... não pode, legitimamente, transformar sua posição pessoal em posição do Tribunal. Como qualquer observador poderá constatar da leitura dos votos, quatro Ministros do STF (Ministros Marco Aurélio, Carlos Ayres, Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia) entenderam que o Presidente da República poderia decidir livremente. O quinto, Ministro Eros Grau, entendeu que, se o Presidente decidisse com base no art. 3, I, f, do Tratado, tal decisão não seria passível de revisão pelo Supremo. O Presidente da República fez exatamente o que lhe autorizou o Supremo Tribunal Federal, fundando-se em tal dispositivo e nas razões adiantadas pelo Ministro Grau".

E arremata: "A manifestação do Presidente do Supremo constitui uma espécie de golpe de Estado, disfunção da qual o país acreditava já ter se libertado. Não está em jogo o acerto ou desacerto político da decisão do Presidente da República, mas sua competência para praticá-la. Trata-se de ato de soberania, praticado pela autoridade constitucionalmente competente, que está sendo descumprido e, pior que tudo, diante de manifestações em tom impróprio e ofensivo da República italiana. De mais a mais, as declarações das autoridades italianas após a decisão do Presidente Lula, as passeatas e as sugestões publicadas na imprensa de que Cesare Battisti deveria ser seqüestrado no Brasil e levado à força para a Itália, apenas confirmam o acerto da decisão presidencial. Em uma democracia, deve-se respeitar as decisões judiciais e presidenciais, mesmo quando não se concorde com elas”.

Assim, depois de 4 anos confinado em odiosa prisão preventiva, o homem seguirá encarcerado, agora sem base legal alguma, aguardando os Excelentíssimos tetéias retornarem da praia, lá por fevereiro ou março.

Como o processo volta às mãos do verdugo (o ministro Joaquim acha que é pior que isso), que defendeu a extradição com o mesmo ímpeto febril com que soltou o Daniel Dantas, fica a questão: ele ousará reabrir a pendenga? A que pretexto?

João da Noite comenta que esses caras podem ser estudiosos, mas falta-lhes a rua, o escuro, a fome, não têm mundo, de repente é caso de pouca mulher, todas as fontes do direito natural, do velho bom-senso, para ao fim perguntar:

"Será que se fosse um banqueiro, acusado de surrupiar ao povo umas 7.500.000 (sete milhões e meio) de cestas básicas, seria libertado para em seguida fugir para a Itália?"

Sabemos que foi o que aconteceu com Salvatore Cacciola em julho de 2000. Sabemos também da dificuldade dos julgadores em condenar políticos e ricaços em geral.

Respondo: Não sei, João, não sei.


Fotos, pela ordem: Cesare Battisti (a quem o Brasil concedeu refúgio), e os simpáticos ministros Cezar Peluso e Gilmar Mendes (este último, a quem o processo agora retorna).
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Site do Comitê de Solidariedade, com muitas informações: http://www.cesarelivre.org/

"É interessante e oportuno assinalar que as reações violentas e grosseiras de membros do governo italiano, agredindo a dignidade do povo brasileiro e fugindo ao mínimo respeito que deve existir nas relações entre os Estados civilizados, comprovam o absoluto acerto da decisão de Lula." (Dalmo de Abreu Dallari)





jueves, 6 de enero de 2011

Vozes e vozes

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O grande autodidata, jornalista e pensador brasileiro Mauro Santayana (Minas Gerais, 1932), na foto, ontem trouxe algumas considerações sobre o caso Cesare Battisti, vale a pena ler a íntegra da matéria, no Jornal do Brasil.

Alguns excertos:

"O melhor que devemos fazer, diante de novas manifestações contra a decisão soberana do Brasil em negar a extradição de Battisti, é atender à recomendação dos velhos sábios: deixar que os protestos entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Quando a Itália concedeu boa acolhida a Salvatore Cacciola, o Brasil se manteve em silêncio, tendo em vista a sua condição de cidadão italiano. Esperou-se a boa oportunidade, e ela surgiu quando Cacciola foi passear sua impunidade no Principado de Mônaco.
(...)
Nos anos 70... o hoje ministro La Russa - o mais irado inimigo do Brasil no caso Battisti - já era notório militante da extrema-direita.
(...)
Enquanto alguns manifestantes protestavam ontem, diante da nossa embaixada, na Piazza Navona, a poucos metros, na via lateral, o Corso del Rinascimento, outros pediam a libertação...".

Como se vê, há Vozes e vozes tratando do assunto. Há Biografias e biografias. O melhor mesmo é sermos caravana: passarmos alheios aos latidos.


"Criar não é ato de prestidigitação. Uma frase não sai da cabeça como o coelho da cartola do ilusionista. Criar é cavar na colina da memória, abrir galerias, tatear rochas, apalpar os veios." (Mauro Santayana).


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O fascismo

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martes, 4 de enero de 2011

Cesare Battisti





Até o mais duro de nós, humanistas, sabíamos que o Brasil não iria entregar Cesare Battisti à sanha da direita italiana. O senhor, amigo Lula, não iria sujar seu nome e o nome do Brasil.

Fez o certo, Luiz, mas demorou, deveria ter mandado longe há mais tempo o insulto dos spaghettis quando ousaram se meter abertamente  na nossa precavida política de paz.

Resta novamente o STF, e sabemos nas mãos de quem o processo vai cair... Oremos.

Há gente que nem leu o maldafado processo e já soltou o verbo, em discurso premeditado, doidos para entregar Cesare ao "querido" Berlusconi.

A Dorucha e aquele Boris Casoy, este famoso pela sua (sempre negada) atuação no famigerado Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante a ditadura militar, estão berrando alucinados. Aliás, este senhor Boris é o mesmo que em 31/12/2009, sem saber que o áudio do Jornal da Band estava ligado, no ar comentou com desprezo: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala de trabalho…", referindo-se à dupla de garis que no bloco anterior desejava Feliz Ano Novo aos telespectadores.

Enfim, é o berro de quem perdeu a eleição e precisa descontar em algo.
A essa tapeação, preferimos a sabedoria calma do grande jurista e catedrático Dalmo de Abreu Dallari, um homem sempre ao lado das causas justas.

Pefelê bate forte, mas comunista, de comunidade, talvez bata Fortíssimo.

EM CASA, CESARE! FELIZ 2011.


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