martes, 1 de marzo de 2011

Próxima parada, Sultanato do Oman

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Por Pepe Escobar, no Asia Times Online
Tradução: Coletivo Vila Vudu
Pinçado do site Outras Palavras
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Imaginem um paraíso feudal, ou neomedieval, ex-lar do legendário Sindbar, o Marinheiro, onde reina, absoluto, um septuagenário solteiro, magro, que toca alaúde e escolheu viver em paz em seu palácio, o sultão Qabus bin Sa’id, paradigma da discrição. Em poucas linhas, eis Omã.

No Omã pratica-se o Islã ibadi – nem sunita nem xiita –, também encontrado em seletas latitudes no norte e leste da África. Nada poderia ser mais diferente do wahhabismo, ou do fanatismo jihadista à moda da al-Qaeda. Em termos de Omã, o Islã ibadi implica procurar o justo equilíbrio, numa mistura de costumes tribais e aparato de Estado (Qabus orgulha-se muito do sistema de consultas aos anciãos das tribos).

Washington e Londres são absolutamente apaixonados por Qabus. Formado na Academia Militar de Sandhurst na Grã-Bretanha, o homem é amante de Mozart e Chopin, com faro estratégico que tem sido comparado ao do pai fundador de Cingapura, Lee Kwan Yew. (Quando estive em Omã, me senti, mesmo, como se estivesse numa Cingapura árabe. Tudo em Omã é limpo demais, disneylandiamente perfeito demais, uma espécie de Stepford Wives à moda de Cingapura).

O amor dos EUA é facilitado pelo fato de o sultão ter dado enorme mão a Bush pai durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, contra o Iraque de Saddam Hussein. Estendeu o favor a Bush filho e permitiu que 20 mil soldados dos EUA parassem em Omã antes de invadir o Afeganistão e o Iraque. Coroando tudo, o largo e profundo, além de imensamente estratégico, Estreito de Hormuz – essencial para a navegação dos superpetroleiros no Golfo Pérsico – está em território de Omã.

Lamento estragar o namoro, mas…

O sultão Qabus, no poder desde 1970, talvez ainda não seja objeto da ira do povo, em seu paraíso no Golfo de Omã. Mas a vez dele – e das elites de Omã – não tarda, nas voltas que dá o relógio da Grande Revolta árabe de 2011, que não pára.

Na lista dos países à espera de levar sapatadas na revista The Economist, Omã ocupa nada menos que o 6º lugar, logo abaixo do já-deposto Hosni Mubarak do Egito e muitos furos à frente de Zine el-Abidine Ben Ali, já-deposto na Tunísia e do Califa-por-um-fio do Bahrain. Metade da população de menos de três milhões de habitantes tem menos de 21 anos. O desemprego é altíssimo – sobretudo entre os portadores de inúteis diplomas. De um total de mais de 40 mil egressos de cursos secundários, por ano, só alguns pouquíssimos encontram emprego.

Não há receita mais segura para tumultos. Blogueiros e tuiteiros de Omã destacam que tem havido manifestações em Sur e nos portos crucialmente estratégicos de Salalah (no sul, perto do Iêmen) e de Sohar (onde a polícia usou munição viva e matou um menino de 15 anos; a polícia de Omã – como a Mukhabarat egípcia – é treinada na Jordânia). Não menos de 3 mil manifestantes foram atacados com gás lacrimogêneo. A estrada entre Sohar e al-Ayn – que atravessa a fronteira para os Emirados Árabes Unidos (UAE) – foi fechada.

Os manifestantes, basicamente, reclamam dos salários miseráveis, em luta perdida contra a inflação que não arrefece; e de praticamente todos os empregos irem para estrangeiros (empregados das empresas estrangeiras) ou para os nativos que vivam na capital, Muscat.

São manifestações pacíficas. Os manifestantes dizem que não sossegarão enquanto os salários não melhorarem. Preventivamente, o sultão aumentou o salário mínimo nacional, de US$ 316 mensais, para $ 520. Os manifestantes exigem “não menos de $1.300″. E mais: melhores aposentadorias; educação gratuita para todos; e (por que não?) a renúncia do governo. Durante o fim de semana, o sultão mudou o gabinete e anunciou 50 mil novos empregos, e benefícios aos desempregados. Os manifestantes responderam: “Só palavras”.

Também é crucial que nada disso esteja sendo noticiado adequadamente no Golfo. A rede Al-Jazeera está estranhamente calada. A rede Al-Arabiyya – porta-voz da Casa de Saud – também está muito quieta. Para não falar da imprensa em Omã. A Al-Jazeera foi pesadamente criticada em várias frentes durante semanas pela fraquíssima cobertura dos eventos no Bahrain – se comparada à blitzkrieg de 24 horas/dia, sete dias/semana de cobertura do Egito ou da Líbia. Tudo isso despertou suspeitas de que, para o emir do Qatar, há “luta pela democracia” (no norte da África) e “luta pela democracia” (no Golfo), assuntos diferentes.

Estreitos e apertos

Sohar – ex-lar de Sindbad, o Marinheiro – a 80 quilômetros da fronteira com os Emirados Árabes Unidos, e a 200 quilômetros da capital Muscat, merece exame detalhado. É a usina de energia industrial de Omã. Lá está um dos maiores projetos de desenvolvimentos de portos do mundo, além de uma refinaria, um complexo petroquímico, um indústria de alumínio e uma fábrica de aço. Os trabalhadores do petróleo em Sohar começam a se unir aos manifestantes. Não é impossível, para eles, bloquear o bombeamento de petróleo para exportação, como meio para pressionar o sultão. Omã bombeia 860 mil barris de petróleo/dia e exporta cerca de 750 mil barris.

A economia global sabe que o Golfo Pérsico é sua principal fonte de petróleo. A noção paranóica de que o Estreito de Hormuz poderia ser fechado pelo Irã no caso de guerra contra EUA/Israel sempre foi quimera fabricada pelos neoconservadores. A realidade mostra agora outro cenário: a democracia real está chegando às portas de Omã, esse “farol da estabilidade”.

Do ponto de vista da economia global, a luta pela democracia pode converter-se em cenário de pesadelo. Se a Líbia e Omã saírem completamente do mercado, desaparecerão da economia global 2,5 milhões de barris de petróleo/dia, 3% do que o mundo consome. Não há qualquer evidência de que a Arábia Saudita possa compensar a falta, explorando máquinas e infraestrutura até o limite. Tradução: o barril de petróleo pode ultrapassar os $150 em questão de dias. E, isso, sem ninguém nem supor que possa haver protestos em março, na Arábia Saudita.

Omã não é exatamente um acidente da história, como os reinos do Golfo – que não passavam de “o fio de pérolas” na rota naval do império britânico ao longo do Oceano Índico. Não surpreende que Lord Curzon, o imperialista-em-chefe, os chamasse de “pequeninas chefaturas árabes” (o que, parece, pouco mudou sob o governo imperial dos EUA). No que tenha a ver com Washington, Omã continua a ser o proverbial “aliado estável dos EUA” – atachado à sua marinha altamente treinada nos EUA e, o que é decisivo, posta bem ali, na boca do inexcedivelmente estratégico Estreito de Hormuz.

Omã não é exatamente uma hacienda familiar recentemente estabelecida no deserto – como a Casa de Saud. A dinastia reinante – al-Bu Sa’id – tem mais tempo de poder, que os EUA de existência.

Mas, apimentemos um pouco toda essa “estabilidade”. Omã é berço de um dos mais sofisticados movimentos de oposição de todo o mundo árabe – hoje incorporado em grande medida pela Frente Popular de Libertação de Omã. Alguns dos líderes acabaram cooptados pelo sultão, mas o ímpeto progressista, modernizante, não se perdeu completamente.

Ao mesmo passo em que os EUA fazem das tripas coração para que se acredite que Omã respeita os direitos humanos, os direitos políticos, esses, não há quem salve: continuam praticamente no zero. Nada de imprensa livre, nada de livre manifestação do pensamento, nada de liberdade para reunir-se, nada de liberdade de credo. Omã talvez não seja a ultra-repressiva Arábia Saudita, o selvagem Iêmen – mas tampouco é alguma Escandinávia (o pessoal dos think-tanks de Washington só faz comparar o sultão aos primeiros-ministros escandinavos).

A Grande Revolta Árabe de 2011 está, citando Bob Dylan, “dirigindo a 90 milhas por hora, por um beco sem saída” no Bahrain; deve fazer um pit-stop na Arábia Saudita; e já chegou a Omã. O septuagenário sultão tem diabetes, não tem herdeiro para o trono, e está oficialmente intrigado com tantos jovens desempregados e trabalhadores irados, bem ali à sua porta. Atenção: cuidado com o imperialismo humanitário, pronto para meter a cabeçorra na Líbia. Mas que ninguém tire os olhos do estreito de Hormuz; mas na costa de Omã, não na costa iraniana.

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The Stepford Wives (1975, refilmado em 2004) é filme de ficção científica/horror (dir. Bryan Forbes), baseado em romance de Ira Levin. No Brasil, “As esposas de Stepford” (em http://www.imdb.pt/title/tt0073747/).

Orig. “Dire Straits”. Não há como traduzir. A expressão significa “dificuldades graves”, mas, também, é o nome de uma banda de rock do final dos anos 80, período e rock nos quais Pepe Escobar é especialista; e “estreito”, nesse contexto, só o de Hormuz. Tradução tentativa temerária [NTs].

domingo, 27 de febrero de 2011

Rosas vermelhas para uma dama azul

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Red roses for a blue lady (1948, Sid Tepper e Roy Bennett)

Por falar em dama azul, vai novamente um buquê de rosas amadurecidas, rubras de ardor por muito tempo retido, com amor, para Dolores Sierra Frida Von Allerborn, queridas mulheres que nos meus devaneios, sonhos confusos, acabam se tornando uma só pessoa, enigmática em sua simplicidade, que me trouxe de volta à vida, que afastou La Mentira do meu caminho, que acolheu minha raiva de desencanto, minhas lágrimas de anjo perdido, meu corpo queimado de febres em camas sem nome, minha saga de alamedas escuras e ruas tortuosas, da longa noite de olhos vermelhos. Será que ainda estou sonhando? Ou andei bebendo?




O cantor do vídeo é ele mesmo, o malandrão “do bem” Dean Martin (Dino Paul Crocetti -  Steubenville, Ohio, 7 de junho de 1917 – Beverly Hills, Califórnia, 25 de dezembro de 1995), que na década de 60 iluminou o mundo artístico junto a Frank Sinatra, Sammy Davis Jr., Peter Lawford e Joey Bishop, e no cinema, quem não viu?, com Jerry Lewis. Possui três estrelas em Calçadas da Fama, duas (6519 e 6651) na Hollywood Boulevard pelo seu trabalho no cinema e na televisão, e a terceira, que aqui reverenciamos, na 1817 Vine Street, pelas suas gravações.


Mais uma com ele: Everybody loves somebody (1947, Irving Taylor e Ken Lane). Esta tem história. Depois de ser gravada por muitos artistas, inclusive Frank Sinatra, sem ser notada, em 1964 encontrou Dean Martin irritado com o que chamava “invasão britânica”, o rock dos Beatles. E prometeu: eu vou bater esses caras. Muita gente riu, ora, um “italiano” de 47 anos poderia no máximo agradar a uma parte da turma mais velha. Pois ele pegou a música que tinha Lane ao piano e colocou com orquestra e coro, e no dia 15 de agosto de 1964... bateu os Beatles, disparando ao topo das paradas de sucesso, número 1 por oito semanas na Bilboard Hot 100. E a música é agora um clássico popular que todos conhecemos, pela teimosia (e bom gosto) do “italiano”.





Em 20/dez/2012 recupero-me de uma injustiça que cometi: embora constem nos vídeos expostos, é justo citar as pessoas de amor que as postaram.
A primeira, Red roses for a blue lady, foi postada por Jackwyne (clique no nome e cai no seu espaço no youtube).
A segunda canção, Everybody loves somebody,  o foi por Ivan Vasconcelos (clique, idem).   








Zé Keti

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Bem, é domingo e o carnaval se aproxima. Depois da espinha de um conto que poderá vir a ser interessante, deixemos para lá as violências cometidas pelos múmios.

Zé Keti era José Flores de Jesus, (Rio de Janeiro, 06 de outubro de 1921 - 14 de novembro de 1999). Único neste mundo, sua vida e seus quase 130 sambas que o digam.

Morreria de novo se soubesse que em carnavais de salão hoje em dia tocam música meleca, pois é insulto chamar aquilo de sertaneja. Parece que o vejo saindo fora, exclamando: "Diz que fui por aí"! Vocês entendem, aquela gosma que resulta da mistura de country, rancheira, samba, rock, sertanejo e viadagem, com as sintomáticas vozes de corno uivando para ferir nossos ouvidos de modo irremediável.

(Alô, Schumacher, se eu não estiver por aqui na terça gorda, não esqueça de repetir esta marcha-rancho no blog, na voz da Dalva de Oliveira).

Não vamos contar a ele. "Acender as velas"!

Saudades, Zé!


Red roses for a blue lady

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Até por aqui de Londres, Big Ben, pubinhos, eca... a origem da águia cega do terrorismo imperialista, enfim caio no Brasil.


Caio numa Londres pequena, uns 650.000 habitantes. LONDRINA, nosso Paraná.


Depois de telefonemas trocados rapidamente, ao sair do bosque que há bem no centro da cidade, bosque mesmo, mato fechado, um terço do Campo da Redenção, porém preservado, enfim vejo ao longe o caminhar de Carlito Dulcemano Yanés na esquina da rua São Paulo com Pará, dando as costas à lancheria linda onde as mulheres o veem com interesse. Ele veio.


Eu desço a rua sem olhar. Ele segue pela outra calçada, 30 metros atrás. Dou voltas e voltas e enfim acho um bar mais ou menos confiável, entro e peço dois chopes. A Magnum aquece o lado esquerdo do paletó, e o meu coração, mas ainda assim não estou no meu dinheiro. Sem chapéu fico enervado.


Carlito vai e volta do fim da outra quadra, mas então entra como se fosse mais um otário no bar, para caçar mulheres solitárias, senta-se na mesa ao lado, bem do meu lado. Digo: acho que esquentou...


Olha o chope, empunha e bebe tudo de uma só vez. Levanta a mão e pede outros.
Mais umas miradas pelo recinto, pela rua, e digo senta aqui. Na minha frente.


Silêncio. Toma os dois, eu espero ele falar. Eu bebo rasgão em absinto, com tranquilidade de acácias.


Tartamudeia: mejor seria un nombre...


Puta que pariu, portunhol cubano-oriental.  Que nombre, Carlos?


Pués si... el blôco de carnaval, "Epancándo la periquita" seria mejor, nosotros solamente...


Entendi. Leu no blog sobre o bloco que pensou falido e tratou de batizar outro, para 2.012: Espancando a periquita. Boa idéia.


Nâo vou perguntar sobre Betsabé, anda em ruas trocadas com sombras, me disseram. Um dia volta, mas hoje o assunto é sério, tesão de apavorados não combina com homens. Nem com mulheres.


Cuando?


Carlito responde: no carnaval.


Sabemos que carnaval é marcado pelos bandidos que assessoram banqueiros, carros fortes, dozes, uns mortos de fome, mas armados até os dentes, os escravos, tremendo de medo mas submissos para defender a propriedade dos ladrões. Deus lhe pague.


Não perguntei a Carlito Dulcemano a razão de se expor, pois durante a farsa para eleger presidente do Brasil fui eu quem gritou Escravos de banqueiros! Vamos pegá-los!


Carlito resolveu que iria morrer no carnaval. Assaltar dez pontos do Itaú enquanto Momo e os múmios engordam mais, os últimos ajoelhados diante do seu deus, o Juro assassino. Ah, o Momo. Saudades de Zé Keti.


Talvez uma semana antes, ou depois. De qualquer maneira um dia iria assaltar mesmo, a tentação sempre foi muito grande, mas a notícia da exorbitância dos lucros de 2010, o horror dos horrores, e ve-los festejando... foi demais.


Se é assim, vamos morrer todos, Carlito, eu disse. Proponho deixar para o equinócio de outono. Em duas horas examinei os papéis todos, naquele canto de bar. As vias de acesso em celeste, as rotas de fuga em verde, as delegacias a serem rendidas em preto, a troca de carros, o campo de aviação. Ao terminar falei: vai precisar de muita sorte.


Ele insistiu para que lhe desse autorização para fazer uma visitinha ao dono. Tem dono, sim, tudo tem dono, isso de acionistas é papo para comprar presidentes deslumbrados, covardes que envileceram e de tão idiotas ainda se acham o cara. Faz-me rir. Convidando Mr. Gerdau para Ministro, Mad Madam Mim? O que é isso, perdeu a  vergonha? Ou era uma artimanha para mexer no ovo da serpente? Acha que eles são tolos? Você é muito ingênua, doçura, e eles vão seguir tomando tudo.


Neguei o pedido, de nada adiantaria. Isso é pior que o maldito tráfico de drogas, a linha sucessória está pronta. E em cima sempre teremos Mr. F. Febraban e seus lacaios dentro do governo, se gritar não fica um, e muitos fora.


Enfim, Carlos chegou ao ponto: explicou o motivo da sua premeditada ausência na Rua do Perdão no sábado, o bloco na rua não o terá de copo na mão, estará longe, em festejos outros. De tão acabrunhado, tentou remediar com um nome para o bloco do ano que vem. Talvez dessa vez a moçada tope, Espancando a Periquita não é tão mau, embora eu prefira a sugestão do meu carioca Ricardo Ramos (alô, altos de Santa Teresa, aquele abraço!), que, com sua agudíssima presença de espírito homenageia os Filhos de Ghandi: Filhos da Glande.


Ah, o carnaval. Ao lambusar os ferros, olear, ao catapultar o ódio que me manteve vivo, ao decidir ir para o inferno levando alguns, por um instante lembro de uma dama azul.


E volto a ser o menino que acreditava em bondade e sinceridade, braços abertos pela vida, como a lenda de Jesus, deixo de um lado os ferros. E ofereço a uma namorada que nunca tive, dizendo que me perdoe, tente, pois há muito, muito, muito, eu sei que o bordel em que morei de favor, que me ensinou tanto, também me fez muito mal.




sábado, 26 de febrero de 2011

Refresco com Eydie y Los Panchos

Aí está, para quem, como eu, não estava lá para ver (em 1950 papai ainda recém namorava mamãe).

Uma singela amostrinha de Eydie Gormé y Los Panchos. Já falamos dela e deles por aqui (vá se saber em que mês e sob que título). E a guitarra de Alfredo Gil... 

sábado, 19 de febrero de 2011

Mi pobre madre querida

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Rosa Clotilde Melo Luciano, ou Rosita Melo, es una pianista, compositora y concertista argentino-uruguaya que nació en Montevideo en 1897 y vivió en Buenos Aires desde los 3 años de edad hasta su muerte en 1981.

Es la autora del famoso valsesito criollo "Desde el alma" (1911, cuando tenia 14 años) por el cual sería reconocida como la primera mujer compositora rioplatense de renombre mundial.

Salito, em pessoa e em mau estado nesta manhã de domingo (acho que aquele uísque estava envenenado), oferece para o amor dos amores: Juliana Missaggia, a moça mais linda, mais querida, mais... tudo, do Rio Grande do Sul. Com respeito. E amor, se é que esta palavra não gasta, se é mesmo indestrutível o amor.

Gracias pela vals, Juliana.

Alma si tanto te han herido
¿por qué te niegas al olvido?
¿por qué prefieres llorar lo que has perdido
buscar lo que has querido
llamar lo que murió?

viernes, 18 de febrero de 2011

Polonaise

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Direto da Cracóvia, recebemos e-mail de Tigran Gdanski, o grande Sidnei Ordakowski (não errei a grafia? Esse dabliú por vezes me parece que é ve), dizendo da sua preocupação com o  Rei de Porto Alegre. Vai que se afogue naquele mar... da ponte em Veneza,

Como todos sabem, o cheiro dos fluidos da cidade, como o próprio Rei escreveu naquele cruel, intrigante e amoroso poema publicado AQUI.

Um parêntese: alguns queridos amigos, e uma querida amiga em especial, nos disseram que convém mais a Alex Moraes o título de Príncipe, que rei é muita responsabilidade para o seu oceano de juventude. Está certo, sabemos que ele ainda é Príncipe, um lindo, jovial e inteligente Príncipe, mas nos confortamos em chama-lo de Rei. Majestade se carrega desde o nascer, independentemente do ninho, como prova o rapaz daquela lenda de manjedoura e reis magos, aquela longínqua estrela... 

Voltando... Ao ler o recado de Tigran, lembramos de uns poloneses loucos de atar.

Mozart, o Mozart que amamos, remexe-se no primeiro túmulo naquele dia chuvoso? Não, deve é morrer de rir, ridente que era.

Riam, ridentes. Tem Tom Brasileiro no fim, em show lejos, num teatro europeu lotado, uns cinco São Pedro (lá é teatro, aqui é hospício de colafinagem de mau gosto).


Pois é, seu Nei Lopes

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O samba dito pelo autor é outra conversa.

Moço, mais uma aqui na mesa 8, por favor, já que a 1 está ocupada por mulheres que nunca vi (tomara que a morena coxuda me olhe). Leve essa dúzia de vazias, que agora seu Massareti empunhou o violão. Vai, Massa!

Para blancos y negros. Que não se percam sem ser por amor. Taí, a mesma... mas não, foi o jeito de deixar rolar o que vem depois.

Olha, senhora liberdade,  dentro dos meu olhos...  meus cabelos... vê...

Pois é, Nei Lopes. Mal se retribui como? Com indiferença? Com ódio? Com vingança?

Sei que não, seu Nei. Retribui-se com canções, com o derramamento público de sangue, amor puro, como o senhor fez e faz, como Paulinho da Viola aprendeu o que já sabia desde menino. Lidar, compreender, deixa pra lá a burrice, o chafariz dos infelizes, espertos pelo desespero, e na noite que entra... o riso das desgraçadas. O aprendizado. Olhemos para o outro lado, a limpidez dos sorrisos do Asilo Padre Cacique pela manhã. Não briguem, gurias, sou o filho de todas vocês, que nunca as esquece, minhas mães, hoje aqui retorno mais feliz. Trouxe batom para todas, calma, vão ficar ainda mais lindas.

Aqui no covil-palafita a gente tenta.

Sangue vertendo de incompreensão é ignorância. Samba é amor, na única vidinha que temos, dias contados, mas a vendemos caro, a morte há de chorar quando vier nos buscar toda sem jeito, já arrependida por ter que fazer o que é preciso, e virá nua, corpo de mulher no cio, morenaça, aí nem precisa me dizer que eu vou, de sangue doce.

Ah, esta vida que vai e vem. Agora vai.

Saravá, seu Nei!




Nei Lopes, brasileiro

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Falar em Nei... senti que meu coração não ia aguentar.

Aí está, o começo do amor, a resistência de amor. Vai para a negra Zilda e todos os meus irmãos que nunca me criticaram por ser caucasiano. Viram o Salito, com carinho.

Alô, Gamaliel, na praia do Quintão, saravá. Alô negra Zilda, em Tramandaí, saravá.
Alô, Jurema, no fundo do Récife, saravá. Alô Anahí, do Chuí, saravá. Alô Betsabé.

Nei Lopes! Na origem de Cubanacam.

miércoles, 16 de febrero de 2011

Refresco com Nei Lopes

Nei  Braz Lopes (Rio de Janeiro, 9/5/1942) é do Irajá, mas já botou fogo em todo o Rio, no Brasil e no mundo.

Cantor, compositor (uma penca de clássicos e dezenas de jóias, sambas que todos conhecem por outras vozes) e escritor de muitos livros (pesquisador de negritude e de música), é um dos caras mais premiados do Brasil. Infelizmente, como se sabe, há obstáculos na cultura dos barões que não permitem que o povo todo perceba a sua grandeza.

Falar desse cara requer tempo. O Cravo Albin já começou, AQUI.

No vídeo cantando um samba de sua autoria, do ano de 2000, com Dudu.


No tempo que Dondon jogava no Andaraí
Nossa vida era mais simples de viver
Não tinha tanto miserê, nem tinha tanto tititi
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogava no Andaraí

Propaganda era reclame e ambulância era dona assistência
Mancada era um baita vexame e pornografia era só saliência
Sutiã chamava-se porta-seios, revista pequena gibi, iiii...
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogava no Andaraí

Rock se chamava fox, e tiéti era moça fanática
O que hoje se diz que é xerox, chamava-se então de cópia fotostática
Motorista era sempre chofer, cachaça era Parati, iiii...
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogava no Andaraí

22 era demente, minha casa era meu bangalô
PATAMO era socorro urgente, todo cana dura era investigador
Malandro esticava o cabelo, mulher fazia misampli, xiii...
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogava no Andaraí

Hortifruti era quitanda, jeans era só calça Lee, diz aí:
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogavano Andaraí

Loteria era contravenção, muleque pequeno guri, segue por ai.
No tempo que Dondon jogava no Andaraí
No tempo que Dondon jogava no Andaraí...