viernes, 4 de mayo de 2012

Dilma: ameaça uma e faz outra, na Charge do Dias

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Mestre Roque Sponholz ganhou unanimidade no Botequim do Terguino. Hoje as coisas não andaram bem por lá, o Carlos Pi não deu umas porradas no aspone do deputado desmatador, que passava na frente todo rico, provocando, por pouco.

Todos lamentaram profundamente a partida do artista caipira, brasileiro de verdade. Tintim.




Os empinantes, sem o voto do Contralouco, que saiu procurar o aspone pelas redondezas, escolheram a obra do Erasmo.




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Leilinha Ferro nestas alturas estava de saída. Deixou rabisco dizendo ser duas obras, porém uma esqueceu de anotar o autor, embolou papéis, é muito menina. Esqueceu uma, tudo bem, outro dia. Esta é do Cazo, Leilinha é fã.





A manhã de amanhã será linda.

Y así pasan los dias.

João da Noite está saindo quando é chamado pelos boêmios. "Tu que não leu direito, a Leila escolheu duas, mas uma é pelo Hyde", diz Tigran Gdanski, rosado de vinho.

"Ele pediu para postar o título, 'Vai a merda, Dilma'. Ora onde já se viu, anunciar baixa de juro de banco num dia, para no outro dia fuder a poupança, ficou cheirando mal, o plano não estava bem contado. Não podiam esperar duas semanas?" Tigran se exaltou. Dia ruim.

Bem, se Leilinha quis, aqui vai a escolha do Hyde. É do Amarildo, da Gazeta Online.

Esta palafita se une ao Hyde, não ao vai à merda, coisa muito feia, mas no protesto: podiam esperar uma semana ao menos entre uma coisa que não fez, pediu ao Febrabo apenas, e outra que impôs. Ora vai à... 


Tinoco e Tonico

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O que pouca gente sabe, a começar pelos babacas da Grobo, é que a dupla Tonico e Tinoco foi quem mais gravou no Brasil, e vendeu todos. Milhões de discos, número incalculável.
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Quíntuplo do Coberto Ralos, aquele..., bem, deixa pra lá. Com todo o respeito ás professoras carentes, nananina. Nem perto, sugiro às moças e moços que leiam mais.

 
Tonico e Tinoco são os campeões absolutos na venda de discos.
500 milhões, 290, 350? Não se sabe exatamente.

Nelson Gonçalves, o fantástico boêmio de amor, foi quem chegou mais próximo da dupla.





Salito.







jueves, 3 de mayo de 2012

Confabulação das florestas, fanatismo e veto

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Outro dia o deputado gaúcho Alceu Moreira (PMDB-RS), defensor do Código Florestal tal como ele e seus companheiros o conceberam, disparou ao microfone da Câmara Federal: "E vem para cá agora um almofadinha de apartamento dizer como é que se faz para proteger o meio ambiente", para em seguida salvar o povo brasileiro dos malvados: “ambientaloides fantasiados de verde, que, sem nunca terem visto um pé de milho em pé, querem julgar o bem e o mal para o povo brasileiro". Frases de efeito, certamente, mas somente para certo público. Muito bem, a democracia admite que cada um se expresse de acordo com sua instrução, conhecimento e urbanidade. Cada um joga para a platéia, como se diz, com os argumentos que tem.

Nunca pensamos o meio-ambiente nem a agricultura. Nesta, o máximo que já fizemos foi pegar no enxadão para abrir córregos em lavoura de arroz, além da plantação manual de milho, com aquele velho instrumento de crava e tira. Admiramos os que assistem os peões lá de dentro da camionete, devem saber muito. O diabo, nesse imbróglio, o que nos põe a pensar, é que jamais vimos qualquer associação científica, de qualquer ramo da ciência, defender o texto do Código Florestal. Ao contrário: é uma chuva de notas de protestos, desde o Relatório Rebelo, vindas das comunidades especializadas, mais as de estudiosos em nome próprio.

Hoje (no JB Online), o médico Paulo Rosenbaum escreve sobre o Código.

Confabulação das florestas, fanatismo e veto

Nos últimos tempos, a melhor notícia produzida por aqui foi sem dúvida a significativa queda da mortalidade infantil. Os índices caíram de forma expressiva – 47% nos últimos 10 anos. Muito desse resultado veio de mais investimento na atenção básica, na segurança alimentar e nos agentes de saúde. Mesmo assim, trouxe alívio discreto: ainda estamos bem atrás de vários países latino-americanos, e há uma estrada até alcançarmos índices de Primeiro Mundo.

Para compensar, teremos que encarar nas próximas semanas uma das piores notícias ambientais, tema intimamente ligado à saúde das pessoas – justamente no contexto que antecede a Rio+20. Inaceitável que assunto tão vital como nossa legislação florestal – um patrimônio natural, irrepetível e de escandalosa biodiversidade – ficasse nas mãos de um punhado de ineptos. Considerando o continente brasileiro, fica óbvio que qualquer estudo mereceria aprofundamento, pesquisa por região, planejamento e prazos maiores.

Há um viés ideológico oculto, que merece explicitação. Na visão imediatista e pragmática dos responsáveis pela revisão, recursos extraídos do meio ambiente não passam de apêndice utilitarista, o que, convenhamos, é ignorância inadmissível para quem pretende legislar. Como se não bastasse, atribuiu-se novo significado à palavra “sustentabilidade”: aquilo que oferece mais lucro em menor prazo, com aparência de baixo impacto ambiental.

Fica claro, portanto, que nem este Congresso nem o Estado – isso envolve também o nível estadual e municipal – estão à altura da tarefa estratégica de pensar o Brasil para as próximas gerações. Cito os principais tópicos do espírito “flexibilizador” que norteou a reforma do Código Florestal para que o leitor julgue se há exagero:

- permissão para o cultivo em áreas de preservação de preservação permanente (APP)

- diminuição da conservação da flora em margens de rios

- isenção de multa e penalidade aos agricultores que desmataram

- liberação do cultivo no topo de morros

Com o foco centrado nas pastagens e culturas extensas dos ”desenvolvimentistas” poucas vezes um conflito de interesses ficou tão escancarado. Compreende-se a gritaria e os pedidos de veto, mas ou estão todos cegos ou há um surto generalizado de ingenuidade. A manipulação é clara, e a mídia mordeu a isca ao reproduzir manchetes: “Congressistas derrotam o Planalto!” Não se trata de omissão deles, é opção política mesmo. Tudo é processado como se a administração federal estivesse alheia ao trâmite dos projetos de lei que os parlamentares mutilaram a gosto, até conseguirem a desfiguração do texto original. Ora, o governo tomou parte nisso e, agora, com canetada, quer sagrar-se herói.

O problema vai muito além da provável anistia aos profissionais da serra elétrica ou da metrificação para preservar margens dos rios e nascentes. O x da questão é que, se juntarmos alienação da sociedade, gula do agronegócio, impossibilidade de vigilância e nossa diversidade geográfica, cairemos numa equação temerária. O desmatamento quintuplicou desde a saída de Marina Silva. Estudos sérios preveem a desertificação de áreas do Centro-Oeste e Amazônia em prazos inferiores a cinquenta anos enquanto o cerrado agoniza. Suspeita-se que o custo das generosas concessões do novo código signifique a extrema-unção para a Mata Atlântica.

Mas quem dá a mínima para visão prospectiva? No jargão dos que querem “tocar para a frente” qualquer oposição é ecofanatismo! Se considerar ecossistemas como sistemas vivos e pressentir quão vitais são à nossa espécie, então, sim, vamos assumir de vez: fanatismo, por que não? Não senhores, ninguém quer atraso! A pergunta não é “quem se opõe a um país desenvolvido?” mas “qual preço a sociedade pagará por progresso?”

Os ecossistemas em si constroem um código muito mais abrangente. Recentemente, descobriu-se que plantas possuem sistema de alerta sofisticado, acionado quando agredidas ou ameaçadas. Sob ataque, certas espécies vegetais podem amargar o gosto de suas folhas para se tornar menos apetitosas aos herbívoros. Provavelmente, macro e microbiomas possuem sistemas similares de adaptação, comunicação e reação.

Na confortável sensação da falsa democracia que vivemos, onde os mecanismos da vontade popular estão esmagados pela cosmiatria dos pleitos pouco representativos e o grande negócio comanda as decisões políticas, só nos resta rezar. Que as árvores e os biomas tomem a iniciativa para resistir aos crimes que estamos prestes a concluir.

Façamos um minuto de silêncio, quem sabe alguém escute a confabulação das florestas.













A Poupança Nacional na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo, chimarrão circulando, os boêmios discutem a Poupança. Não gostaram nadinha dessa história de mexer na remuneração.

Mr. Hyde é um dos mais excitados, pois possui todas as suas economias numa conta de poupança da CEF: "Puta que pariu, os bancos mal começaram a reduzir as taxas para empréstimo a pessoas físicas, e já falam em mexer na poupança". Tigran Gdanski acrescenta: "É, falam em alterar critérios, mas até as pedras sabem que isso quer dizer diminuir o rendimento, que já é miserável".

Lúcio Peregrino faz umas contas no guardanapo de papel e liquida o assunto: "É, os bancos baixam o juro do cheque especial para 8,8% ao mês, e para compensar vão diminuir a poupança para 0,4%, quer dizer, um otário deixa a grana lá e no mesmo instante o banco empresta a outro otário só por 22 vezes mais".

É a vez de Mr. Hyde pegar a caneta e fazer umas contas: "Com os 10 mil reais que tenho, o otário aqui vai ganhar 40 reais no mês. O otário do cheque especial vai pagar 880 reais pra ficar devendo os meus 10".

Gustavo Moscão, até então quieto, dá um pulo na cadeira: "Droga, Hyde, esse do cheque especial sou eu, tou empenhado no Itaú. Seria melhor se você me emprestasse direto, por uns 2% ao mês, nós dois sairiamos ganhando".

Peregrino, de novo: "Aí não pode, dá cadeia pro Hyde, é agiotagem".

Pois é, deve ser. Escolheram a obra do Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).




A turma do Botequim do Terguino anda doida para dar uns petelecos num aspone de deputado desmatador que mora por perto, o viado se orgulha de não fazer nada a não ser mamar. Calma, gente. Ficaram com o J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA).




Leilinha Ferro gostou do que disse João da Noite, sobre ter inveja dos argentinos e bolivianos, quem sabe o Brasil também recupera alguns de seus bens em mãos de picaretas espanhóis. Fechou com o Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).


O Código Florestal e os fiscais da lei

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Ontem, em Uberaba, MG, alguns desmatadores se reuniram para festejar o código florestal que aprovaram. No mesmo instante, mentes arejadas emitiam Nota ao país.


A Associação Nacional dos Procuradores da República externa sua profunda preocupação com o projeto de lei recém-aprovado no Congresso Nacional e que pretende substituir o Código Florestal. Se é certo que a legislação hoje em vigor necessita de aprimoramento, também é evidente que o projeto agora encaminhado à Presidência da República, ao invés de resolver os conflitos que envolvem a proteção do meio ambiente e a produção agropecuária, acabará por agravá-los.

Os percalços e contramarchas de sua tramitação inviabilizaram o adequado enfrentamento das complexas questões que o novo código deveria solver, prestigiando - com quase inteira abstração da imprescindível nota de sustentabilidade - a matriz de crescimento, com desatenção a um acervo mínimo de tutela para atender às graves demandas ambientais.

Dessa forma, a ANPR espera que a presidente da República, Dilma Rousseff, honre seu compromisso de campanha de não admitir retrocesso na questão ambiental, devolvendo, assim, ao parlamento a oportunidade de conceber uma lei mais de acordo com os anseios da população e com os rumos do país.

A imensa dificuldade de aplicar uma lei que trata de maneira desigual situações idênticas, aliada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil - especialmente a Convenção da Biodiversidade, que assegura um progressiva melhoria das condições ambientais, conhecido como princípio do não-retrocesso -, aponta para o fracasso antecipado da nova legislação.

Enfim, o processo legislativo que culminou no atual texto aprovado fez tábula rasa das melhores contribuições científicas das diversas instâncias da sociedade civil e mesmo governamentais - inclusive do próprio Ministério Público Federal -, para atender, desproporcionalmente, a demandas políticas setoriais.

VETO INTEGRAL AO PROJETO: é o que esperam os procuradores da República.

Alexandre Camanho de Assis
Procurador Regional da República
Presidente da ANPR






miércoles, 2 de mayo de 2012

Juros assassinos na Charge do Dias

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Os boêmios do Beco do Oitavo não hesitaram: em peso com a charge do Casso, do Diário do Pará (Belém, PA).




A turma do Botequim do Terguino não ficou atrás. Com o Aroeira, de O Sul (Porto Alegre, RS).



Leilinha Ferro, filha do Terguino e coordenadora desta coluna, que todo mês vê seu pai suar sangue para pagar os juros extorsivos dos agiotas oficializados, também não quis nem saber. Nesta semana o Terguino vai procurar o gerentalha (o corno já comentado aqui) do banco, para renegociar o contrato, vamos ver o que vai conseguir. Ela foi de Sinfrônio, do Diário do Nordeste (Fortaleza, CE).




Enfim, os bancos. Viva a Dilma!

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A presidente Dilma ontem, quando os trabalhadores comemoravam o seu dia, enfim, mirou forte nos lucros dos bancos. Já vão alguns dias que o governo começou a mexer nesse vespeiro, e vimos instituições que apresentam lucro, limpinho, de um bilhão de reais por mês, tentando se esquivar, sob os mais esdrúxulos e mentirosos argumentos. O negócio é simples: os lucros são absurdos, compatíveis ao desserviço que os bancos prestam ao Brasil. Vamos ver no que vai dar.

Não por acaso o tema foi incluído na sua fala de 1º de maio. Banqueiro jamais foi trabalhador, e sim o chupa-sangue dos trabalhadores. No Brasil chega a ser criminosa a atuação dessas aves de mau agouro.

Neste blog quase todos os dias se martela nesse assunto, daí a razão de aplaudirmos efusivamente a Presidente da República. Começa a Presidente a mostrar mesmo a que veio. Abaixo, o emocionante trecho da sua fala. 

Nos últimos anos, o nosso sistema bancário é um dos mais sólidos do mundo, está entre os que mais lucraram. Isso tem lhes dado força e estabilidade. O que é bom para a economia. Isso também permite que eles deem crédito melhor e mais barato aos brasileiros. É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão alto. O Brasil de hoje não justifica isso.

Os bancos não podem continuar cobrando os mesmo juros para empresas e para o consumidor enquanto a Taxa Básica Selic cai, a economia se mantém estável, e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos. O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de credito não diminuem.

A CEF e o BB escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado provando que é possível baixar os juros cobrados dos seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado.

É da saudável concorrência de mercado, provando que é possível baixar os juros cobrados aos seus cliente em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado. É importante que os bancos privados acompanhem essa iniciativa para que Brasil tenha uma economia mais saudável e mais moderna.

É bom também que você consumidor faça prevalecer seus direitos, escolhendo as empresas que lhe ofereçam melhores condições.

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martes, 1 de mayo de 2012

Dia do Trabalhador, pela C. do Dias

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Hoje tivemos assembleia conjunta, Beco e Botequim se uniram para um churrasco de confraternização. Alguns boêmios oraram, breves palavras, claro, discurseira ninguém merece.

Desencarnaram muitos banqueiros, empreiteiros, uma tropa de eiros, em poucos minutos de oração. Conclusão: trabalhar pra que, se o negócio é roubar ou se encostar nas tetas do governo, isto é, do povo?

Hummm... é bom os politicalhos e as otoridades tomarem providências logo, isto é perigoso, Se os boêmios andam assim, é impensável a reação quando isso chegar na massa que assiste ao faustão, ninguém quer o circo incendiado, com os felinos lá dentro.

Ao que interessa: as três obras escolhidas.

Sinfrônio, do Diário do Nordeste (Fortaleza, CE).





Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).





E Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ).


Suave é a noite

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Foi um bom domingo. Agora segunda, já terça, no apartamento silencioso e vazio, com um vento gelado entrando pela janela. 

Eu sentado no sofazinho na sala do covil, à minha frente um copo cheio de vinho. Ao lado, no chão, o último vidro vazio, cruzes, matei dois litros e meio. Yo de amarelo e preto, visto uma camisa falsa do Peñarol de Montevideo, comprada no camelódromo de Porto Alegre, ah, carbonero. Sinto frio mas ela me aquece, nada neste mundo me faria levantar, o frio não é na pele. O quarto está uma bagunça mesmo, não vou lá.  

Acho que tenho outra garrafa atrás da geladeira.

Sem música no toca-discos, é tarde, os vizinhos do pombal dormem. O outono se insinua forte. Sai seu cara de inverno, me deixa em paz pelo amor de Deus.

Então bate esta nostalgia que finjo não saber do quê, mas sei muito bem. Já corri ao banheiro lavar o rosto cinco vezes, mas as lágrimas voltam. Até as lágrimas são cíclicas. Nunca somem de vez, apenas esperam, sabem que vão voltar. Quando voltam é em turbilhão, saem aos uivos do cárcere onde estavam retidas, nervosas, malvadas porque tentei esquecê-las. Vingativas. Oceano de amargura, sinto que elas também não gostam, mas não sei, não nos entendemos, não consigo.

Vento que assovia nesta madrugada, ouço a melodia.

Eu errei?

Lembro muito bem daquela longínqua noite no apartamento de aluguel da Rua da Varzinha, quando tudo começou a se acabar. Uma moça sem mancada, apenas muito silenciosa, teimosa por não saber. Detesto silêncio, eu precisava falar, lamber e curar as feridas. Como pude? Quanto despreparo.

Era uma noite como esta.

Agora sou estranhamente silencioso, um sepulcro, mais um empurraozinho e alma penada. Não, eu... não era pra ser assim...

Salvo quando bebo demais, ah, aí falo, ilusões, canto, festejo, pego na loteria, tenho amigos e amores, mas tudo só para dentro, até digo baixinho, em noites especiais, com voz de verdade mesmo, duas ou três palavras para a parede, sussurradas. No outro dia me arrependo.

Odeio essa muda, confissão nem para paredes. São como seres humanos. Como eu, gente que pensa só em si, a condição humana de novo... Mas pera aí, eu não, eu só não me matei porque seria covardia sem levar junto um banqueiro... Elas se calam, como quem diz pensa de novo, tua vida, por um... Elas são más.

No silêncio, a minha voz do cérebro diz calma, tudo passa.

As lágrimas teimam, ardem, revolteiam, me cegam, gritam aos derramos, alucinadas, Não passa.

Passa sim, grito cego em silêncio no apartamento.

Medo de acordar os vizinhos, se a agulha não tivesse quebrado, perigava eu tocar lágrimas negras.

Lágrimas irresponsáveis, jamais se dão por vencidas.

Têm a quem puxar.

Cadê o abridor? Aqui. Vou dormir atrás da geladeira.

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Para derrubar os boêmios

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