sábado, 4 de agosto de 2012

Perfídia (10) - Nelson Gonçalves e Montserrat

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Mais uma versão da música mais tocada no mundo em todos os tempos. Aqui com um brasileiro, o maravilhoso boêmio, e uma gran cantante espanhola.

Vai para Dolores e seu séquito, que visitarão a palafita a meia-noite. Ela trará uma versão antiga do Alcorão, espanhol arcaico, joia rara, pelos antigos daquelas plagas. E vinhos de Alicante e Granada.


Toffoli, o homem do José Dirceu, na Charge do Dias

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O matutino sábado do Botequim do Terguino, aquele, ali no Beco do Oitavo, ao pé da escadaria da Formosa que desce pelo Beco da Fonte, no Centro de Porto Alegre (os indicativos são para os russos, norte-americanos e dinamarqueses que nos lêem, este blog é mais visto por eles, a fila segue, pela ordem, com Portugal, Inglaterra, Holanda e Índia, do Brasil quase nada, 15º na relação. Meu Uruguay, então, em 13º, mas não cremos em ingratidão nem nada, nós é que falamos coisas sem sentido), foi muuuito tumultuado.

Passaram em frente ao buteco um gerentalha do HSBC, outro do Bradesco, um da Caixa Econômica Federal, um chefão do Itaú (este um musculosão que vive malhando, enquando Lúcio Peregrino come a mulher dele no 461 da Marechal), além do aspone do deputado ruralista do camionetão de caubói e músicas de cabaré de centésima catega.

Dizemos gerentes porque, como assinala Aristarco de Serraria, "antigamente era um só, mas hoje em dia mudou, foram demitindo todo mundo, substituindo por máquinas, ficaram com meia-dúzia, e todos são gerentes nessas casas de agiotagem: é gerente de pessoas físicas, de pessoas jurídicas, de financiamentos, de seguros, de remessas indevidas, do cafezinho, da limpeza, de tudo. Os caras ganham mal pacas, mas ostentam o título de nobreza".

O desentendimento ocorreu entre Gustavo Moscão, o nosso armário que era boxeador, e o Contralouco, o nome já diz e já foi muito falado aqui.

O pessoal demorou a notar, afinal eles estavam só conversando lá na calçada. Silvana do Jucão foi quem percebeu os primeiros empurrões, um de lá, outro daqui, mão no peito. Ninguém levantou o braço, ora, amigos, mas a mão no peito era um prenúncio de desgraça.

Silvana apontou para a turma, alarmada, nunca tinha visto algo assim no ambiente de amor, e o gigante alemão, Mr. Hyde, o médico da turma, saiu a mil lá para fora, com o seu vozeirão: "O que vocês pensam que estão fazendo, seus moleques!", parando com o corpanzil entre os dois.

Aí o Moscão disse não é nada, me desculpe, viu Contra, não quis te agredir. O Contralouco disse Nada, eu que fui bobo, pode voltar para dentro, doutor, tá tudo bem.

O Portuga trouxe uns merengues de copo pequeno, cada um pegou um, sentaram numa mesa da calçada e explicaram a razão do desentendimento a Mr. Hyde.

Hyde logo voltou para dentro, meio sorrisinho nos lábios: "Tavam brigando pra ver quem dava nos gerentalhas. Resolvi a 'questã' na democracia do par ou ímpar. O Contralouco ganhou".

E o Contralouco ficou esperando os caras passarem de volta, teriam de passar por ali, agora valentes porque antes não deu nada.

O do Itaú foi o primeiro a apontar, nas mãos uma sacola da Mercearia Zaffurtari. E por essas e outras do destino, logo vieram os outros, cinco caras, o idiota do Itaú a cinquenta metros e os outros logo atrás. 


O Contralouco estava em pé encostado no poste do Beco do Oitavo, fumando, casaco nas costas, parecia a lendária foto da capa do disco do Nelson Gonçalves, só que sem violão, numa hora dessas pudera, Hyde deu graças a Deus quando o Contra topou ir de mãos limpas, desarmado de ferros.

Gustavo Moscão, que tudo via da mesa da calçada, sussurrou, suplicativo: "Tá bom, tu ganhou, Contrinha, mas vai, deixa eu dar uma mãozinha...".

E mais não podemos dizer, neste blog que prima pela delicadeza. Declinamos somente que Mr. Hyde depois tornou a censurá-los: "Isso foi covardia, só o Contralouco já era muito para os cinco coitados, o que dizer de dois...". Eles ouviram a repreensão com os olhos grudados no chão do bar, consciência pesada. Quando o Contralouco encarou o ruralista, o Gustavo já tinha voado para os outros, aí ninguém mais poderia segurar, o Gustavo de tão nervoso largou primeiro, para os detrás... opa, era para não falar.


Clóvis Baixo: "Gente, vamos cantar aquela do Vai Passar. Pense, Mr. Hyde, pelo lado positivo, os putos puderam usufruir seus caros planos de saúde, a estas horas estão sendo costurados a preço de ouro".

Nesse momento Mateus do Bandolim arranca lindos acordes do início do samba

Então, como hoje estamos sem assunto, neste luminoso sábado em que acabamos de receber telefonema de Dolores Sierra "y vamonos a salir", vamos direto às obras eleitas pelos boêmios. Como sempre, muita discórdia, todas são boas, mas acaba saindo uma, não raro por um votinho de diferença.

Os boêmios do extinto Beco do Oitavo ficaram com o extremo-direitista (no dizer deles, seu Roque, eu fora) Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, Paraná). Foi por um. A palafita, em unaminimade (hoje estamos com 15 pessoas aqui dentro, os guardas não votaram), que nos perdoem os boêmios dos votos vencidos, fecha com o Sponholz, como aliás a maioria dos boêmios. Tem gente que não fica nem vermelha.

Moscão pega a charge e exclama: "Mas é um... mesmo!". (Isso não pode, seu Moscão, mesmo tendo razão)

Aristarco de Serraria adverte: "Não, não é, eu é que sou um bundão, mas cuidado que ele te processa".

Carlinhos Adeva: "Vai ter que processar o país inteiro, e perde todas".

Aristarco: "Basta desse negócio, pessoal! Por hoje chega de encrenca, não vamos mudar o mundo, não adianta".



Os malucos do antigo Botequim, ainda com o Contralouco jururu pelo cara que pegou de canhota e está mal na UTI, abraçaram a obra do Amâncio, do Jornal de Hoje (Natal, Rio Grande do Norte).




Leilinha Ferro, tadinha, que teve que ir embora - Terguino mandou, na hora em que fedeu lá na frente, voltou e soberana escolheu a obra do Bruno, do Vale Paraibano (São José dos Campos, São Paulo). Bah! Eta menina inteligente!









Roberto Gurgel e Chico Buarque

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Um dos grandes poetas musicais da minha geração veio de ser lembrado pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, que após pedir a prisão do José Dirceu e de outros meliantes, imediata ao veredito, encerrou sua arenga com um excerto do famoso samba Vai Passar, do Chico: Dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações.

Da minha geração, bem entendido, quer dizer que quando Chico gravou A Banda andávamos de calças curtas, molequinhos, eu e os pobres de paris lá da Vila Nova. Talvez por isso não tenhamos morrido na guerra, mas tentaram nos matar em seguida, na moral e cívica de ursos sanguinolentos e cegos. Muitos morremos aí, com a cuca arrebentada.

Foi sensível o Procurador Roberto Gurgel. Aliás, sensível e arguto, com a sorte, de que faz bom uso, que a natureza lhe premiou: tudo o que os réus gostariam é que fosse um gilmar mendes da vida, cheio de arroubos de filhinho-de-papai ou de chicoteador de senzala, odiento, dado a enfrentamentos de galos brancos de briga... com os escravos desarmados.

Nada, a calma do homem, o Sr. Roberto, lendo a acusação, fazendo aquilo por que o pagam, sabendo que o cargo que ostenta é muito sério, firme que a Pátria é maior, mão no coração diante Dela, desarma os incendiários irresponsáveis.

O samba foi composto para a ditadura, no terrível inverno de vinte anos dos podres milicos, inverno que se instalou na alma da nossa sociedade de crianças sem escola nem filosofia. Sem bóia e sem saúde, sem nada. O Povo da Escuridão, que aplaude Lula como aplaudia Médici.

Ah, o Chico. Que hoje apóia o valente humanista Marcelo Freixo, jurado de morte, no Rio de Janeiro (Tarso Genro vai com os bandidos do Lula, foi ao Rio gravar declaração de apoio aos referidos).

O Chico, que também se decepcionou tanto...

Aqui lamentamos e lamentaremos eternamente que os ladrões do governo Fernando Henrique não estejam na cadeia, pois roubaram muito mais. Venderam o Brasil. Eram e são pessoas experientes nesse ramo.

Enfim, se o "companheiro de armas" que mal as pegou, se as pegou, o consultor de vendas de segredos nacionais, o amigo de ricaços bandidos, o bebedor de vinhos de cinco mil, o trouxa que anseia por poder ditatorial, for trancafiado, será um começo.

Só discordamos do Procurador-Geral quando se refere à prisão, pura e simples. Os verdadeiros criminosos jamais irão para a cadeia, você sabe, mesmo em tribunais temos cúmplices de bandidos, uns, pelas suas crenças no pior que Aristóteles nos legou, outros por sórdidos de alma, covardes. Mesmo que os réus fossem encarcerados, defendemos que para o José Dirceu não. Não é justo, Roberto Gurgel. Escrevemos isto sem paixão.

Para ele a prisão tem de ser em manicômio, os sofrimentos do período ditatorial - sejam estes por qualquer coisa que não pelo narciso contrariado, afetaram-lhe o cérebro de modo irremediável, afinando-lhe as mãos para fazer fortuna, o que muito nos condói, não precisava ter sido assim. Perdeu a noção do que combatia.

Uma cela em manicômio é o melhor que podemos fazer em respeito ao ser humano, o menino que desejava igualdade, que ele foi um dia, antes de cortar o rosto, trocando-o por cera, tornando-se um bicho falante, lá atrás a maldade e a perspicácia dos doidos. Convincente para os fanáticos que também levam algum sem trabalhar.

Pedimos aos membros da Suprema Corte, subscrevendo as palavras do Procurador-Geral no restante, que se possível lhe dêem o tratamento digno que não têm os internos do hospício de Porto Alegre, sucursal do inferno de inocentes, isso nem bandido merece, mas que, por mais luxuosa a mansão em que o trancarão, não se olvidem, pelo menos, de jogar a chave fora.

Haveremos de pegar os piores, os do lado de lá, no seguimento. E a pena que pediremos será outra, muito diferente.

Por ora... o samba. Vai para a moçada do Botequim do Terguino.




viernes, 3 de agosto de 2012

Joaquim Barbosa e o teatro do mensalão, n'A Charge do Dias

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Sexta-feira é sexta-feira, os empinantes chegam a milhão no Botequim do Terguino, com muita sede. Às 9:00 h já se mexiam pedindo losninhas e lisos para rebater o chimarrão.

Clóvis Baixo chegou elétrico, já dizendo: "E aê, tigrada, viram o brasileiro massa-bruta hoje cedo?".

Ninguém viu.

Clóvis sentou-se, pediu uma losna para "molhar a palavra" e seguiu: "Bah, um vasto negão do judô, na catega de mais de 300 Kg, calculo, ele e o russo pareciam duas tartarugas gigantes brigando. Aí o russo meteu-lhe um kung-fu e o negão fudeu-se, tremeu o ginásio com a queda".

Papo bem antipático. A turma havia começado a falar do Mensalão antes da chegada do Clóvis, de modo que soltaram uns "Ah, é, que tri" e retomaram a conversa.

Contralouco: "Traição! Mas vai dar Joaquim na pedra, aquele Levandoviski não vai levar".

Mr. Hyde: "Grande ministro Joaquim, com esse não adianta a tal de elite aparecer com malas de dinheiro, aí que ele finca na cadeia. Já inseriu o seu nome na história do Brasil, como um dos grandes pavilhões da Justiça. Esse negócio não tem a ver somente com conhecimentos jurídicos, isso qualquer um pode ter, é um conjunto de atributos, como a coragem, a lisura, que fazem um homem de fato um Homem. É um bastião de ébano!".

O bar inteiro aplaude, Eia, Viva!

Mr. Hyde não se dá por achado, sorri, levanta-se, ergue o copinho de losna e propõe o brinde: "Ao Ministro de todos!".

Arrastação de cadeiras e a resposta forte: "Ao Ministro de todos!".

Tintim.

Tigran Gdansk tosse, mas todos veem seus olhos molhados, disfarça: "O Aristarco não veio mas mandou representante", referindo-se ao filósofo do botequim que sempre ergue o copo aos céus ao mencionar o ministro Joaquim (Joaquim Benedito Barbosa Gomes - Paracatu, MG, 7 de outubro de 1954).

Walter Schiru: "O João da Noite disse que ele foi nomeado pelo Lula, taí mais uma coisa boa que o Lulalelé fez".

Contralouco: "Deve estar arrependido...".

Carlinhos Adeva: "Sabem como os adevas próximos do Márcio Thomaz Bastos o chamam, a ele, esse Márcio? 'God'. Nunca entendi isso. Deus só se for pras negras deles, aqui é mais embaixo, tanto que o cara vive me consultando e...".

Tigran Gdansk: "Tem dó, Adeva, hoje não vem com invencionice, o papo é sério. Isso de God deve ser porque o sujeito tem uma banca grande, seiscentos empregados, e defende o Deus do Trovão e o Deus da Máfia, e os outros, vocês sabem, o Jason, o Al Capone, o Maníaco do Parque, o Barrabás, o Judas, etc".

Carlinhos Adeva: "E depois sou eu..."

Nicolau Gaiola: "Lembram aquela da faixa de espaço entre o céu e o inferno?"

Carlinhos Adeva: "Putz, piada velha...".

Gustavo Moscão: "Não sei, conta, conta..."

Nicolau: "Pois é, o Céu e o Inferno vinham brigando por uma faixa de terra desabitada na fronteira de ambos. Deus empacou que era dele, e o Diabo não mesmo, sai que é minha. Após séculos de discussões que davam em nada, um dia Deus encheu o saco, telefonou pro Diabo e disse: "Tá bom, meu chapa, minha paciência se esgotou, cansei de conversa, agora tu vai ver o que é bom: vou entrar na Justiça pra reclamar o que é meu!". O Diabo deu uma risadinha e respondeu, irônico: "É? E com que advogado?".

Mesmo os que já conheciam a piada riem muito. Gustavo Moscão fica boiando, "Ã?". Lúcio Peregrino, que sempre dá uma ajudinha ao Gustavo na compreensão das charges, esclarece: "Mosca, no Céu não tem advogado...". Aí o Gustavo entendeu e explodiu numa gargalhada,  logo pegou o celular e ligou para contar para a Jussara.

Os boêmios lamentam as ausências do sábio João da Noite e do filósofo Aristarco de Serraria, seria bom ouvi-los sobre estes assuntos. João da Noite, aliás, está sumido há dias.

Mr. Hyde troveja: "Alguém viu o debate ontem?", referindo-se aos candidatos a prefeito de Porto Alegre.

Jezebel, de chegada: "Eu vi, foi uma surra".

Marquito Açafrão: "Se viste o mesmo programa que eu, foi uma surra que o Roberto Robaina e o Érico Corrêa deram, né, Jêze?".

Jezebel assente com a cabeça, enquanto com as mãos sinaliza ao Terguino Ferro que quer um martini com uma azeitona espetada dentro.

Lúcio Peregrino: "A Manoela Meia Entrada está até agora desasada, tentando responder o Érico, que disse pra ela, na maior categoria:  'Teu discurso e teus atos são duas linhas paralelas: andam juntas, mas nunca se encontram'. A Meia Entrada quase entrou chão adentro. Isso tem a ver com as culigações do partido da Namorida".

Jezebel: "Coligações, Lúcio. E te decide, é Manoela Namorida ou Manoela Meia Entrada?".

Lúcio Peregrino: "Coligações nada, pra mim agora o que esses partidos estão fazendo é culigações. E é Meia Entrada na Namorida, huahuahua".

Carlinhos Adeva: "Ouvi que a Manuela Namorida até agora arrecadou só 450 mil de investimentos em sua campanha. Dois anos e meio do salário que ela ganharia se vencesse".

Clóvis Baixo: "Do por dentro. O diabo é que a grana vem do Diretório Nacional e a gente não fica sabendo quem foi o benfeitor. Quem a elegeu pra deputada foi um multimilionário do centro do País".

Jezebel: "O Robaina conseguiu 15 paus e o Érico 5, provavelmente as economias deles mesmos".

Contralouco: "Peguei aquela parte em que o Robaina fudeu com o Villão do PT. Tomei nota, olhem o que respondeu o Villão, sobre o Mensalão: 'Ninguém mais do que nós está interessado em apurar toda e qualquer denúncia de corrupção e desvio de conduta neste País', na maior cara de pau, com aqueles zoião de já te pego". 

O bar vai abaixo em gargalhadas.

Chupim da Tristeza, que chegou vindo de mesa lá fora: "O que me irritou mesmo foi o Miudinho Fortunati, ...".

Leilinha Ferro interrompe: o horário para a remessa das charges estourou, Salito precisa viajar.

A turma do antigo Beco fica com o Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).



Os oriundos do velho Botequim escolheram a obra do Erasmo, do Jornal de Piracicaba (Piracicaba, SP).



 A coordenadora Leilinha Ferro atendeu aos reclamos de Nicolau Gaiola, que não se conformou em ser voto vencido na turma do Beco. Nicolau é homem de teatro, adorou a obra do Nani. Leilinha: "Chega a dar nojo, né, tio Gaiola?".















jueves, 2 de agosto de 2012

Tropa de sem-vergonhas

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Lucas da Azenha envia o texto abaixo. Deu no UOL:

Bancos "escondem" pacotes gratuitos de seus clientes, diz Idec; empresas negam


Os bancos ainda dificultam a contratação de pacotes de serviços grátis pelos seus clientes. A conclusão é de um levantamento feito pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) com os seis maiores bancos que atuam no país. Os bancos negam.

Desde 2008 os bancos precisam, obrigatoriamente, oferecer o pacote gratuito. Esse pacote foi estabelecido pelo Banco Central e inclui os seguintes serviços gratuitos mensais: quatro saques (no caixa do banco ou nos caixas eletrônicos), duas transferências entre contas do mesmo banco, dois extratos do mês anterior, um extrato anual e dez folhas de cheque.

O Idec fez a pesquisa em agências do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander.

Os pesquisadores pediram que suas contas correntes fossem alteradas para contas de serviços essenciais. Alguns funcionários, segundo o instituto, não tinham conhecimento desse direito e outros se negaram a fazer a conversão.

Os bancos creditam o resultado do teste a "falhas pontuais".

Segundo o Idec, no HSBC, o atendente negou que a conta gratuita existisse. Ele confundiu os serviços essenciais com o pacote padronizado (que reúne uma quantidade maior de serviços e deve ser oferecido também por todos os bancos, mas é cobrado). Por fim, alterou a conta do pesquisador para o pacote padronizado, que custa R$ 13,50 no HSBC.

O Banco do Brasil também não realizou a mudança. Embora tenha admitido a existência do pacote de serviços essenciais, alegou que o tipo de conta do pesquisador impedia que o "sistema" realizasse a conversão.

Bradesco e Santander fizeram a conversão da conta. Antes, porém, tentaram persuadir o pesquisador a continuar com o pacote de serviços contratado.

Apenas nas agências da Caixa Econômica Federal e do Itaú os pesquisadores não encontraram empecilhos para fazer a mudança.

Em nota, o HSBC informa que "orienta seus gerentes a apresentarem ao cliente a relação de pacotes de serviços disponíveis, inclusive a opção pelos serviços essenciais livres de tarifação". Segundo o banco, informações prestadas incorretamente são resultado de falhas pontuais.

Também por meio de nota, o Bradesco diz que cumpre as regras do Banco Central, "tentando sempre oferecer o produto ou serviço mais adequado ao perfil de cada cliente".

Já o Santander diz que "o funcionário apresentou ao cliente opções de acordo com seu perfil, e por fim, atendeu ao pedido" dele. O Banco do Brasil não se pronunciou sobre o teste até a publicação desta reportagem.

Caixa e Itaú dizem que oferecem aos consumidores pacotes que mais se adequam ao seu perfil de relacionamento com o banco.

  Visite a página do Idec, informe-se, clique AQUI.
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O esporte olímpico dos boêmios, n'A Charge do Dias

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Os boêmios estão indóceis: o Botequim do Terguino ainda não recebeu as mesas de sinuca, novinhas em folha, que serão instaladas na parte dos fundos do bar. Não perdem por esperar. Por enquanto seguem na rotina de sempre.

Aristarco de Serraria, o lúcido filósofo para quem o bar e o mundo nunca param de girar em torno do seu corpo, está naqueles dias em que os copos voam, um humor de cão. Todos respeitosamente ouvem as suas razões, tal a consideração pelo seu intelecto.

"Viram aquele Luís Nassif, que tem um blog que dizem ser sustentado com o nosso sem licitação? Pois é, agora vem usar a obviedade, que há séculos repetimos, de que o financiamento de candidatos por grandes empresas, empreiteiras, bancos e ricaços em geral não tem cabimento, nunca foi doação, é um crime, investimentos que depois eles cobram, mandam e desmandam nos governichos, basta olhar o rol de 'doadores' da Dilma... bem, sabem para quê ele agora aborda o tema? Para desqualificar o processo do mensalão!"

Gustavo Moscão: "Calma, Ari. Quem é esse Luís Nassif? Parente da Maria Betânia?"

Contralouco: "É, quem é?".

Aristarco: "Ora, um cupincha pago do Lula".

Tigran Gdansk: "Sei quem é, dizem que o blog dele tem 171 redatores-empregados. E tu ainda perde tempo lendo um sujeito desses, ó nobre pensador?".

Aristarco: "É, deixa pra lá, só rindo mesmo, é que li noutro lugar, claro que não entrei no blog do indivíduo. Hoje até o televisor deu de fazer volteios em torno de mim".

Lúcio Peregrino: "Amigos, lembrem-se do que falou a vidente Mãe Dinádegas, ao ler o futuro na bunda dos ministros do Supremo: não vai dar em nada, salvo umas peninhas leves, coisa de ladrão-de-galinha".

Carlinhos Adeva, o ilustre advogado, entra no bar com ar de novidades, olhos brilhando. Senta-se à mesa do meio e logo os companheiros arrastam mesas e cadeiras para perto da sua.  Carlinhos olha para os lados, baixa a voz e confidencia:

"Ontem à noite conversei com o Zé Tunico por telefone. O malandrinho disse que aqui ó que vai se dar por impedido de julgar o mensalão. Já está com o voto pronto para inocentar o José Dirceu e outros escroques, até reclamou: 'pombas, queriam o quê, os caras são meus amigos, sempre me ajudaram, de  adeva de porta de cadeia acabei no Supremo'. Ele diz que os outros também são nomeados pelos políticos: 'ninguém chegou naquele tribunal por eleição ou concurso", e que o Gilmar Dantas é do FHC. Meninos, esse Toffoli não muda, veio com um rosário de argumentos".

Com essa Tigran Gdansk se levanta furioso, exclamando: "Ah, e eu ainda paro para ouvir isso. Deixa de inventar besteiras, Adeva, tu nem conhece o cara, olha que numa dessas alguém acredita", e sai para uma das mesas lá na calçada. Hoje faz um belo sol na capital.

Gustavo Moscão: "Quem é esse Zé Tunico, não conheço".

Os demais se divertem. Clóvis Baixo - outro que é campeão em invencionices, diz: "E aí, só isso?".

"Não. O meu véio consulente Márcio Thomaz também me ligou. Me disse em off que o Cachoeira tem uma bomba para soltar: filmou o Maluf e o Lula fazendo 69 em 2010, imaginem a cena. Aconselhei-o a sair fora, deve ser montagem".

Com essa o buteco vira uma balbúrdia de gargalhadas. Carlinhos Adeva espera a turma se acalmar e diz: "Mas a melhor mesmo quem me contou foi o Marco Maia, sabe como é, devido a profissão às vezes sou forçado a falar com os coisos, me repugna mas falo. Olhem só o que o patrunfo me disse: para o carnaval de 2013 o Congresso vai sair com o bloco Mete a Mão, adivinhem quem será a rainha?"

Clóvis Baixo: "A Andressa Cachoeira!".

"Na pinha, como tu sabia? Quem te contou?!".

Depois de algumas considerações sobre as curvas, honestidade e cultura dessa senhora, o assunto naturalmente se volta para os jogos olímpicos.

Nicolau Gaiola implica com os atletas: "Puta que pariu, a imensa maioria é tudo filhinho-de-papai mesmo, dá para ver pelos sobrenomes, olhem a natação: Suzuki, Honda, Vagino, Citroen, Santander, Gerdau, Elke Batisto Maravilha, Bin Laden, Watanabe, Ford, Bush, Coca-Cola, Fanta, Itaú, Brahma...".

Tigran Gdansk, que havia retornado: "Pera, vá lá que são mesmo tudo filhinho de lalau, mas não podia arranjar uns nomes verossímeis?".

Gustavo Moscão: "O que é verossímeis?".

Contralouco: "Não entendo porque colocam nomes americanos na natação. Vá saber o que é Meadle. Tinha outra modalidade com um nome feio que ia daqui até a esquina, e as gatas tavam só nadando cachorrinho".

A explosão de risos veio em seguida, os boêmios rolavam no chão em regozijo. Lúcio Peregrino, mexendo no nóti: 

"Ei, corram aqui, vejam esta, do Delúbio Põe No Meu: 'A denúncia não prova que houve mensalão, estou com a consciência tranquila', huahuahua...".

Leila Ferro cortou a festa, precisava das obras do dia.

O bando do antigo Botequim ficou com o S. Salvador, do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG).




A turma do extinto Beco escolheu a obra do Cláudio, do Agora S. Paulo (São Paulo, SP).




A coordenadora Leila Ferro resolveu homenagear a clientela em seu esporte predileto. Com o Ikenga. Vai para a parede do botequim.













Botequim do Terguino: Salve!



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O povo da palafita saúda o novo Botequim do Terguino (Beco do Oitavo, s/nº, Centro, Porto Alegre), seus proprietários e habitués. Desejamos vida longa ao recanto de paz, amizade e fuzarca.

Oferecemos música. Uma dobradinha que temos certeza de que todos hão de gostar.

Saúde! Tintim!

miércoles, 1 de agosto de 2012

Mensalão com Mahatma Gandhi n'A Charge do Dias

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O novo Botequim do Terguino, sucessor dos extintos Beco do Oitavo e Botequim do Terguino velho, tem a inauguração oficial prevista para sábado, porém hoje à tarde já abriu as portas para a moçada.

Entre mesas desarrumadas, poeira e pancadas de martelo, os boêmios beberam e festejaram o novo e aconchegante segundo lar. Pouco puderam assistir dos jogos de Londres. Comentaram o pouco que viram.

Mr. Hyde: "São lindas as mulheres da natação, tirando a parte que vai do umbigo ao pescoço, ali para ser o Hulk só falta ser verde". Disse isso e soltou a sua risada de filme de terror.

Gustavo Moscão: "Nicolau, tente achar um canal com o pólo aquático das mulheres, tem câmeras embaixo d'água, dá pra ver a movimentação tática". De moscão ele não tem nada.

Contralouco: "Lúcio, ei, Lúcio!..."

Nada, Lúcio Peregrino está absorto no notibuc. Clóvis Baixo esclarece: "Ele se apaixonou perdidamente por uma loirona do time de basquete da Austrália, a número 15, agora tá procurando informações, diz que vai casar com a cangurua".

Marquito Açafrão: "Gostei da luta entre Kelsey e Jung".

Aristarco de Serraria, que estava distraído: "Ã, o que, ah, Kelsen e Jung? Um filósofo do Direito e um sábio da Psicologia, muito bom... o que tem eles?"

Marquito: "Não, Ari, é uma lutinha de espadas fininhas entre um americano e um coreano. O americano é um alemaozão massa bruta de uns cinco metros de altura, contra o coreano miudinho. O ianque sifu!".

Gustavo Moscão, contente: "Os americanos só se fuderam nas espadinhas".

Aristarco: "Esgrima, gente, esgrima".

O que torcem contra os "soldados do mal do McGraxas", como diz o Wilson Schu, é um abuso. Gritam, vaiam.

Leila Ferro colhe as obras do dia. Combinaram de continuar com três, por enquanto, embora agora todos estejam no mesmo buteco.

A turma do antigo Beco ficou com a obra do Nani. Antológica, segundo os boêmios. Vai para a parede.





Os empinantes do velho Botequim com o... Nani. Também antológica! Parede nela. Só dá Nani.




A senhorita Leila Ferro ficou com o Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG).





(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, dono do botequim velho, agora sócio do novo, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo.)

Os butecos se fundem

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O nobre causídico Carlinhos Adeva, que tem ojeriza ao juridiquês (expressa-se como um homem normal), este que o pessoal afirma dar de dez a zero, em conhecimentos jurídicos, no Márcio Thomaz Bastos e seus seiscentos empregados, como procurador dos bares Beco do Oitavo e Botequim do Terguino, ontem à noite emitiu o seguinte comunicado.

COMUNICADO AOS BOÊMIOS

Considerando: (a) a monstruosa dívida do Beco do Oitavo junto ao Banco Itaú, derivada de juros escorchantes cobrados pelos agiotas, (b) o horripilante saldo devedor do Botequim do Terguino, produzido pelos juros assassinos da Caixa Federal, (c) que o BNDEs, alegando que não somos estrangeiros, negou-se a realizar capitalização para salvar da falência as tabernas onde encontro o meu abrigo e (d) que os representantes legais dos referidos estabelecimentos culturais e empinativos assinaram, em 15 de julho de 2012, o Protocolo de Intenções de Fusão Indireta e Outras Avenças, que hoje é levado a termo, os signatários decidiram:

1. Não honrar as malditas dívidas, firmes na máxima popular de que "ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão".

2. Fechar as portas das citadas instituições recreativas e embebedativas.

3. Abrir outro bar, associando seus esforços, que será localizado a meio caminho de encontro dos extintos Beco e Botequim, em ambiente mais amplo, com três mesas oficiais de sinuca na parte dos fundos.

4. Que o novo bar, para todos os efeitos legais, terá como sócias testas-de-ferro as senhoritas Leila Ferro e Gislaine Portuga, filhas dos proprietários, vez que os usurários já sujaram os nomes dos dignos comerciantes, fincando-os no Serasa. 

5. Que hoje, desde já, e amanhã será feita a mudança dos bens físicos dos extintos para o novo endereço. Os ex-habitués de ambos os extintos estão convocados a dar uma mãozinha.

6. Que o novo buteco teve o nome escolhido por sorteio, entre Beco do Oitavo e Botequim do Terguino. Prevaleceu este último. A sorte foi sábia: um buteco chamado Beco do Oitavo, na rua, logradouro, também chamado Beco do Oitavo, dava margem a confusão. Já Botequim do Terguino, vinculado ao nome do sócio Terguino Ferro (a moçadinha, as gurias se deitam de rir, ao separar as sílabas do prenome, pensa exatamente o mesmo que vocês pensaram agora) é uma festa.

7. Que o novo Botequim do Terguino disporá de graça, só hoje e amanhã, aos habitués, 50 litros de vodka polonesa, tradição desde mil oitocentos e quarenta e muitos picos, ou cinquenta e picos, vá saber, este humilde escriba é apenas um espanhol que não pode ver uma polaca que, ui, o modo de olhar, de falar, as pernas, a boca, e..., deixa pra lá. O cobiçado produto sem selo, disputado a tapas por apreciadores de todo o planeta (os russos fazem fila, pagando horrores) - estamos falando da vodka, não das polacas, façam-me o favor - é fabricado na famosa destilaria secreta do contraprimo do Sr. Tigran Gdansk, da antiga Colônia do Conde D'Eu (hoje cercanias e centro de Garibaldi). Brincadeiras vulgares, tipo se o Conde deu, todos podemos dar, não serão admitidas.

(Por esses milagres da tecnologia, vimos de saber, pelo citado querido amigo Tigran Gdansk, muitos dias depois, lá em 11 de agosto de 2012, um lindo sábado de Porto Alegre, que na verdade a aparição inicial daquelas polacas maravilhosas, trabalhadeiras, doces, singelas, fascinantes, gostosas, tesudas de fogaréu, taradas..., ahm, já estou me passando, ai as comidas que fazem, estudiosas, frescor de juventude, quarentonas depois com fogo que para amenizar só com amor todos os santos dias, ui, cantantes, ai quando riem, amigas de alma sofrida a quem merece, sensuais, queridas, modestas, videntes que torcem pelo peão no xadrez, sem desprezar nenhuma peça no bailado da vida, raivosas de morrer para defender os filhinhos, inteligentes, ousadas naquela vez, recatadas na hora certa, lindas, eu as amo, amo, amo e... rã, bem, meu Deus, onde eu estava mesmo..., ah, a primeira vez em que as deusas surgiram no Rio Grande do Sul foi no sagrado ano de 1.875, na Linha Sétima de Castro, hoje município de Carlos Barbosa).

8. Que amanhã a última saideira de cerveja, por cabeça, também será por conta da casa. Estas, lamentamos, são meras repolhudas, as mesmas que consomem bilhões em propaganda na tevê e são umas bostas, digo, repolhos, fazer o quê.

9. Que os signatários não responderão pelos seus atos caso algum banqueiro ou escravo de banqueiro invente de passar defronte ao novel reduto da boemia. O mesmo para os assaltantes do ECAD e fiscais do que quer que seja.

Porto Alegre, 31 de julho de 2012.



Terguino Ferro                                   Antonio Portuga

Visto do adeva:

Marina Silva e os deslumbrados

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Esse nosso pessoal do governo a cada dia se assemelha mais ao pessoal dos governos anteriores. Aliás, isso é comum em qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal. Sentam em cadeiras de ouro, moram em palacetes, nomeiam seus cupinchas, grande parte raposa em galinheiro, e acham que são donos de uma casa que é de todos. Agem como patrão, quando não como divindades.

Esquecem, os deslumbrados e endinheirados, e já é tempo de meterem isso na cabeça, que são nossos empregados.

A Marina Silva, como qualquer brasileiro, salvo a citada cupincharia, nada deve a um bando que, como qualquer outro, tem os dias contados no poder.

O meu assunto, as obrigações que tenho, é com a minha Pátria. O que dizer da Marina?

Repercute a baixaria de Londres, de que já falamos neste blog. E não se diga que a moça do texto abaixo é colunista da Globo, etc., neste caso não tem nada a ver, sabem bem.


Muito mais que descortês

Por Míriam Leitão

As declarações do ministro Aldo Rebelo sobre o fato de a ex-ministra Marina Silva ter carregado a bandeira olímpica poderiam ser apenas mais uma exibição dos maus modos do ministro, ou de suas esquisitices.

Mas foi pior do que isso. Sua fala pública e a de outros nos bastidores mostram que eles confundem país com governo, o que é comum apenas em regimes autoritários.

O mal estar gerado por algo que deveria ser visto como um motivo de orgulho foi mais significativo do que pode parecer. É autoritarismo o que está implícito na ideia de que só governistas podem representar o país, suas causas, suas lutas.

Era comum no regime militar essa mistura entre o permanente e o transitório, essa apropriação do simbolismo da pátria pelos governantes.

É também falta de compreensão do que é o espírito olímpico: a boa vontade que prevalece sobre as diferenças. Foi por isso que os escolhidos representavam o combate à pobreza, a luta por justiça, os pacificadores, o esforço de convivência entre povos, a preservação da Terra.

Quem o ministro gostaria que fosse o símbolo da proteção da floresta?

Ele e seu projeto de Código Florestal que permitia mais desmatamento?

Marina dedicou a vida a essa causa, desde o início de sua militância com Chico Mendes. Esse é um fato da vida.

“A Marina sempre teve boas relações com a aristocracia europeia. Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, disse o ministro dos Esportes.

Nisso revelou que desconhecia os fatos, as regras de etiqueta, a lógica da festa, o simbolismo da bandeira olímpica, o que o governo inglês pretendia com a abertura e até quem é responsável por organizar a festa. Obviamente, não é a Casa Real.

Isso é mais espantoso, porque o Brasil é o próximo país a receber uma Olimpíada e a preparação já está em andamento. Se essa pequenez exibida na declaração do ministro tiver seguidores, o Brasil fará uma festa governamental.

Outro integrante do governo comparou a escolha de Marina ao desfile de um trabalhista na frente de um governo conservador. A espantosa confusão não é exclusividade do ministro, é feita por outros graduados funcionários. Outros concordaram com essa canhestra interpretação.

A demonstração de desagrado do governo brasileiro foi tão evidente que o representante inglês se sentiu obrigado a lembrar aos jornalistas o óbvio: a escolha não foi política, porque este não é o momento.

O governo poderia interpretar os fatos como os fatos são. O Brasil é detentor da maior fatia da floresta com maior biodiversidade do planeta. É o segundo país em cobertura florestal do mundo. O primeiro é a Rússia, que não tem a mesma riqueza de espécies. Nem de longe. A escolha de uma brasileira demonstra esse reconhecimento de que, numa causa estratégica para o século XXI, o Brasil tem destaque.

Marina mostrou que tinha entendido exatamente o que tudo aquilo representou. Fez declarações delicadas e com noção da grandeza do momento. O incidente não é apenas uma descortesia à Marina, mas uma demonstração de falta de capacidade de compreensão do espírito olímpico por parte dos governantes do país que organizará a próxima Olimpíada.

Autoridades que falaram aos jornalistas, com o compromisso de não divulgação de seus nomes, explicaram por que estavam amuadas: não foram avisadas. Como a ex-ministra disse, os organizadores pediram que não divulgasse a informação. Ela fez isso.

Até a presidente Dilma deu uma nota fora do tom ao dizer que “o Brasil fará melhor" na festa de abertura. “Vai levar uma escola de samba e abafar”. A hora era de elogiar a festa de Londres e entender a complexidade da preparação da abertura de uma Olimpíada. Não basta chamar uma escola de samba.