viernes, 5 de octubre de 2012

Me vuelves loco

.
Com o próprio autor, Armando Manzanero Canché (Ticul, Yukatán, México, 7/12/1935), o mais famoso compositor da América, com mais de 400 canções, sendo que algo em torno de 50 como grandes sucessos internacionais. É o caso deste bolero, que varreu o mundo, no Brasil gravado pela Elis (Me deixas louca), entre outros artistas.


jueves, 4 de octubre de 2012

3 a 1 para a Justiça, n'A Charge do Dias

;
No botequim os boêmios esperaram o Levandowski terminar a sua óbvia cantilena, até as pedras sabiam que iria absolver o Zé, nesse ínterim trataram de outros assuntos. Em Porto Alegre domingo o povo vai eleger mais uma tropa de opressores, disse Mr. Hyde. Nicolau Gaiola estrilou: se vamos falar dessas máfias eu vou embora. Assim foram levando, longe do patético Levandowski, alheios às gangues de Porto Alegre, com cervejinha e papo furado.

No momento certo conectaram o notibuc na tevê, para que todos pudessem acompanhar os votos dos demais ministros do Supremo, silêncio somente rompido por breves comentários em voz baixa. Isso foi possível pela ausência do Contralouco, que costuma colocar o bar em polvorosa.

No fim, à noitinha, felizes bebemoraram o escore parcial de 3 a 1 pela condenação. Carlinhos Adeva começou a dizer: "A justiça parece se inclinar a dar um basta às práticas desses...". Nicolau Gaiola, que se deixou contaminar pela sede de justiça dos companheiros, concluiu sôfrego: "... desses criminosos filhos da puta!". Clóvis Baixo protestou: "Pôxa, não adianta... quantas vezes será preciso dizer: prometemos às prostitutas que não iríamos mais ofendê-las, chamando esses caras de filhos delas, dá um tempo, Nicolau...".

Não perderão por nada deste mundo o restante do julgamento, à exceção do voto do Toffoli, este é pedra mais que cantada, já votou ao não se dar por impedido: vai absolver seu ex-patrão.

Na hora da escolha das charges, ficaram com o Ykenga.

  


E com o Miguel, do Jornal do Commercio (Recife, PE).




Leilinha Ferro escolheu a obra do Zope.


Madrugada com Libertad Lamarque

,
A espetacular argentina Libertad Lamarque de Bouza (Rosário, 24/11/1908 - Cidade do México, 12/12/2000), no vídeo com sua emocionante interpretação de No es igual (Irma Rodriguez), em 1995, na tevê mexicana.



A hora da saideira

.
Por João Ubaldo Ribeiro, no Estadão de 30/9/2012.


Na semana passada, li um artigo do professor Marco Antonio Villa, que não conheço pessoalmente, mostrando, em última análise, como a era Lula está passando, ou até já passou quase inteiramente, o que talvez venha a ser sublinhado pelos resultados das eleições. Achei-o muito oportuno e necessário, porque mostra algo que muita gente, inclusive os políticos não comprometidos diretamente com o ex-presidente, já está observando há algum tempo, mas ainda não juntou todos os indícios, nem traçou o panorama completo.

O PT que nós conhecíamos, de princípios bem definidos e inabaláveis e de uma postura ética quase santimonial, constituindo uma identidade clara, acabou de desaparecer depois da primeira posse do ex-presidente. Hoje sua identidade é a mesma de qualquer dos outros partidos brasileiros, todos peças da mesma máquina pervertida, sem perfil ideológico ou programático, declamando objetivos vagos e fáceis, tais como "vamos cuidar da população carente", "investiremos em saneamento básico e saúde", "levaremos educação a todos os brasileiros" e outras banalidades genéricas, com as quais todo mundo concorda sem nem pensar. No terreno prático, a luta não é pelo bem público, nem para efetivamente mudar coisa alguma, mas para chegar ao poder pelo poder, não importando se com isso se incorre em traição a ideais antes apregoados com fervor e se celebram acordos interesseiros e indecentes.

A famosa governabilidade levou o PT, capitaneado por seu líder, a alianças, acordos e práticas veementemente condenadas e denunciadas por ele, antes de chegar ao poder. O "todo mundo faz" passou a ser explicação e justificativa para atos ilegítimos, ilegais ou indecorosos. O presidente, à testa de uma votação consagradora, não trouxe consigo a vontade de verdadeiramente realizar as reformas de que todos sabemos que o Brasil precisa - e o PT ostentava saber mais do que ninguém. No entanto, cadê reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, cadê as antigas reformas de base, enfim? O ex-presidente não foi levado ao poder por uma revolução, mas num contexto democrático e teria de vencer sérios obstáculos para a consecução dessas reformas. Mas tais obstáculos sempre existem para quem pretende mudanças e, afinal, foi para isso que muitos de seus eleitores votaram nele.

O resultado logo se fez ver. Extinguiu-se a chama inovadora do PT, sobrou o lulismo. Mas que é o lulismo? A que corpo de ideias aderem aqueles que abraçam o lulismo? Que valores prezam, que pretendem para o País, que programa ou filosofia de governo abraçam, que bandeiras desfraldam além do bolsa família (de cujo crescimento em número de beneficiados os governantes petistas se gabam, quando o lógico seria que se envergonhassem, pois esse número devia diminuir e não aumentar, se bolsa família realmente resolvesse alguma coisa) e de outras ações pontuais e quase de improviso? É forçoso concluir que o lulismo não tem conteúdo, não é nada além do permanente empenho em manter o ex-presidente numa posição de poder e influência. O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir.

Isso não se sustenta, a não ser num regime totalitário ou de culto à personalidade semirreligioso. No momento em que o ex-presidente não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais. Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal "visão pragmática", que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder e que ele levou a extremos, principalmente considerando as longínquas raízes éticas do PT. Para não falar nas consequências do mensalão, cujo desenrolar ainda pode revelar muitas surpresas.

O lulismo, não o hoje desfigurado petismo, tem reagido, é natural. Os muitos que ainda se beneficiam dele obviamente não querem abdicar do que conquistaram. Mas encontram dificuldades em admitir que sua motivação é essa, fica meio chato. E não vêm obtendo muito êxito em seus esforços, porque apoiar o lulismo significa não apoiar nada, a não ser o próprio Lula e seu projeto pessoal de continuar mandando e, juntamente com seu círculo de acólitos, fazendo o que estiver de acordo com esse projeto. Chegam mesmo à esquisita alegação de que há um golpe em andamento, como se alguém estivesse sugerindo a deposição da presidente Dilma. Que golpe? Um processo legítimo, conduzido dentro dos limites institucionais? Então foi golpe o impeachment de Collor e haverá golpe sempre que um governante for legitimamente cassado? Os alarmes de golpe, parecendo tirados de um jornal de 30 ou 40 anos atrás, são um pseudoargumento patético e até suspeito, mesmo porque o ex-presidente não está ocupando nenhum cargo público.

É triste sair do poder, como se infere da resistência renhida, obstinada e muitas vezes melancólica que seus ocupantes opõem a deixar de exercê-lo. O poder político não é conferido por resultados de pesquisas de popularidade; deve-se, em nosso caso presente, aos resultados de eleições. O lulismo talvez acredite possuir alguma substância, mas os acontecimentos terminarão por evidenciar o oposto dessa presunção voluntarista. Trata-se apenas de um homem - e de um homem cujas prioridades parecem encerrar-se nele mesmo. Mas sua saída de cena não deverá ser levada a cabo com resignação. Ele insistirá e talvez ainda o vejamos perder outra eleição em São Paulo. Não a do Haddad, que aparentemente já perdeu. Mas a dele mesmo, depois que o mundo der mais algumas voltas e ele quiser iniciar uma jornada de volta ao topo, com esse fito candidatando-se à Prefeitura de São Paulo.



miércoles, 3 de octubre de 2012

Zé Ramalho

.
José Ramalho Neto (Brejo da Cruz, PB, 3/10/1949). No vídeo com a sua Admirável gado novo, de 1979.







O pai da criança, n'A Charge do Dias

.
Repassando as notícias no notibuc, Lúcio Peregrino começou com a suspeita de uso da máquina pública nas eleições de Porto Alegre. Ele mesmo comentou:

- O jornal fala em "suspeita", mas tem até gravação dos caras da Prefeitura oferecendo o asfaltamento de uma rua em troca de votos.

- Grande novidade, é assim em todo lugar, e não vai dar em nada, pode pular pra outra, falou o Contralouco.

- Nisso de suspeita essas drogas de jornais são todos assim, os otários rezam pela cartilha do politicamente corretíssimo: o suposto assassino, supostamente diante de supostas 40 testemunhas e sendo supostamente captado por supostas câmeras de vigilância, deu vinte supostas facadas no suposto deputado que supostamente havia roubado suas supostas ilusões. Ora, suposto, suposto um caralho!, reclamou Clóvis Baixo.

- Esse teu suposto assassino aí merece um busto em praça pública, disse Tigran Gdanski.

- Pra gente aqui não muda nada mesmo, se derrubarem o Fortunati. Sai o roto pra entrar o esfarrapado, ou esfarrapada - disse Jezebel, desesperançada com o seu PSTU -, vamos ver se ao menos elegemos um vereador pra sentar a pua nos bandidos.

- Tou na dúvida entre o Júlio Flores e a Vera Guasso, gostaria de poder votar nos dois, disse Jussara do Moscão.

- Bem, gente, essa da prefa é a principal notícia, o resto é o de sempre: os bancos assaltando o povo numa boa, a polícia atirando nos caras que tentam assaltar os bancos, as pesquisas torcendo para o lado que lhes paga, acidentes... Mas pera aí, neste momento o ministro Joaquim Barbosa começa a fincar na cadeia o José Dirceu, tá ao vivo na TV Justiça.

- Tomara que pegue cem anos, disse Chupim da Tristeza.

- Vai pegar nada. Podem até condenar, mas cadeia que é bom, "jamé, never, nunquinhas", disse o Clóvis Baixo.

E partiram para o buquiméqui dos votos dos juízes do Supremo, com as duas opções: condena ou absolve. Quem fizer mais pontos leva o bolo. Nos votos do Complikowski e do Toffoli todo mundo cravou absolve, até o Gustavo Moscão, que riu e exclamou:

- Posso ser Moscão, mas nem tanto...

Em seguida escolheram as obras do dia. Ficaram com o Nani. Ultimamente só da Nani.



E com o Clayton, de O Povo (Fortaleza, CE).




A senhorita Leila Ferro escolheu a obra do Boopo, da Tribuna de Amparo (Amparo, SP).




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)

martes, 2 de octubre de 2012

A roupa nova do José Dirceu, n'A Charge do Dias

.
Ao entardecer clareou no Botequim do Terguino. Ontem fechou o tempo, todos se emborracharam a milhão, inclusive este que vos fala, digo, escreve, que inventou de visitar o buteco, rever os amigos que um dia.

Quando o assunto descambou para os melhores tangos, para a alma dos brasileiros, aí é que ninguém se entendia mais, recordaram até Plegaria, que llega en mi alma. O clássico Mi Buenos Aires Querido foi tirado do repertório, ora quem quer saber de outra cidade, amantes que são de Porto Alegre.

Chupim da Tristeza, aquele vasto negão, implicou que o bolero Perfume de Gardênia fica melhor em ritmo de tango. E fica mesmo. Bem, esse fica até em ritmo de valsa, milonga, samba.

Veruschka, no auge de ríspidas discussões, ela que um dia ajudou a criar o PT, suou sangue mas hoje silencia a respeito, aparteou os boêmios e cantou Uno, à capela. Oigalê Verinha!

As belas Piqui e Roxinha saíram antes da meia-noite, trabalham na construção do blog que fazem ao compositor João Palmeiro, precisavam ir. Eta sorte: foram poupadas por Nosso Senhor.

Não dissemos ontem, aqui, da nossa visita ao bar, por causa dos mercenários de Mr. F. Febrabran, não perdem uma, sempre traiçoeiros como seus chefes. Emboscadas mal-sucedidas, claro, mas ora, para quê? Evitamos incomodação, eles que vão torrar a paciência de outro, temos outras prioridades que não atirar em zumbis.

Acreditamos que o nervosismo dos boêmios se deve a proximidade das eleições, dinheiro não é - sempre têm pouco, É o assédio dos infelizes que imploram votos, os berros dos carros de som, a dissonância da má política, os urubus alucinados por carnes moles das vilas de miséria, passam isso ao pessoal, essa tensão, mal-estar, a consciência de estarmos a caminho do patíbulo. Peru em véspera de Natal.

Um dia teremos candidatos que mereçam rasgados elogios, sem que fiquem se achando o cara, aqui não violão, é mais embaixo, me respeite. Nos últimos trinta anos tivemos quatro presidentes: uns cacacas, tipo aquele que acerta na loteria e fica se julgando um iluminado, ungido por Deus ou Jesus. Eram só números, seus palhaços, e as negociatas com os bandidos que querem levar o Brasil assim... vocês todos, um imenso nada e uns médios que vocês enrabam pelas redes.

Serão repelidos um dia.

A meninada rirá quando lembrarmos que antigamente era um pequeno bando de crápulas que mandava em milhões de pessoas.

Mania de ir mudando de assunto.

Hoje o Botequim está dividido, metade com o PSTU e a outra metade com o Psol. É o que têm, é o que tenho, para manter um mínimo de vergonha na cara.

A turma pega leve com bebidinhas neste momento, só chope com colarinho de três dedos, à moda gaúcha. Recuperam as energias desperdiçadas na madrugada. Ei, Portuga, mais um frango à passarinho aqui na 1, carrega no alho!

Atenciosos uns com os outros, com aquela de desculpe se discuti contigo ontem, ao que o outro replica me desculpa tu, eu que sou um abobado.

Isso, amigos, o temporal há de passar.

Leilinha Ferro pegou cedo as obras do dia. Começaram com o grande Nani.




E arremataram com o grande Aroeira.




Leilinha parou na obra do grande Duke, para variar. Do Super Notícia (Belô, MG).




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)













lunes, 1 de octubre de 2012

Manuela, Fortunati e Villa: não temos para onde correr, n'A Charge do Dias

.
O Contralouco ainda não descobriu quem o sacaneou, com aquela do cartaz na frente do bar (para saber, cliquem aqui, pura maldade, em Contralouco se apavora, o pessoal já sabe quem foi, mas não contam ao Contra), então segue endoidecido. Hoje, quando entrou no botequim às seis da tarde, todos os amigos perceberam que estava para lá de Bagdad.

Com o rosto fechado, encarou os boêmios. Tirou um cartaz que trazia às costas, mostrando. Nele se lia, em letras vermelhas:

"A Manuela é babaca, direitosa, ..., ... Vou de PSTU. Ass. Contralouco". (os pontinhos são palavras suprimidas, assim não dá, seu Contra)

A turma conhece bem o Contralouco. Quando está contrariado, esperam passar, ninguém diz nada.

Ele mostrou aquela bobice (esta de bobice vai por conta da casa, aqui da palafita, que não influímos no bar, e desde já alertando ao amigo Bruno, vulgo Contralouco, que estamos na nossa, com respeito e admiração) e soltou um riso grande demais, querendo ser enigmático, mas que só mostrava o seu nervosismo.

Jezebel percebeu que a coisa era séria, ele não estava nada bem.

- Vem aqui, meu amor, sente aqui.

O bar se fez silente. O Contra olhou com olhos levantados, ferinos, para todos os lados. Jezebel insistiu, senta...

Contra sentou ao seu lado, olhos abaixados. Jezebel lhe deu beijo no rosto, passou a mão nos cabelos, o Contra tentou sorrir. Ó Terguino, traz uma cerveja aqui pra mim e pro meu amor de Cruz Alta, eu amo este cara, e seguiu passando as mãos nos cabelos dele, achou que já podia e falou:

-   Contrinha, tu mostrou esse cartaz para outras pessoas?

- Este não, Jeze, é a matriz da minha gráfica. Não sabia que vivo de ter uma gráfica, uma maldita gráfica, que imprime santinhos?

Jezebel respirou aliviada. Sei, sim, e tu é um cara responsável.

- Mas espalhei umas 500 cópias pelos bares da Cidade Baixa e do Menino Deus, antes umas 100 no Centro, e dei umas para uns caras que me pediram...

O bar silenciou. Mr. Hyde olhou para os amigos com aquele olhar de vamos levá-lo para o hospital.

Contralouco repentinamente se voltou para o Hyde:

- Qual é, meu doutor, vai me ajudar? Está a serviço desses que imprimo? Louco é tu. Quem foi que te tirou do hospital outro dia, antes que te fudessem com remédios? Quem te levou uma garrafa de uísque e quebrou dois guardas que queriam te fuder, quem foi? Um dia hei de te contar!... e a todos vocês!... como ganhei o apelido de Contralouco.

Gustavo Moscão, lá da mesa do fundo, de onde, como os demais espalhados pelo bar, não perdia uma palavra sequer, não se aguentou:

- Um velho tio de Cruz Alta, tio da Jussara, já me disse, eu sei, nunca contei pra ninguém porque sei que tu não quer, mas devia contar. Mas chega por hoje, Contra, tá tudo bem, agora pára, tu não fala mais. São tudo igual, soube hoje que o Fortunati, além de destruir a cidade com aquele Fogaça, agora também é rico, deu cem mil reais para si mesmo, de onde tirou não sei, era um pobretão.

Mr. Hyde se levanta, eleva um brinde: Ao Contralouco, nosso irmão consciente!

De novo tudo aquilo, arrastar de cadeiras e o grito emocionado: Ao Contra.

Tintim!

Jezebel sai sem notar levando a matriz do cartaz. Pensa que chega de processarem o blog, que tenta reproduzir cenas do cotidiano crente de que estamos numa democracia onde a verdade impera - disse muito depois.

Vai atrás, Jezebel, disse Lúcio Peregrino no retorno da doutora em ciências sociais, e concluiu:

- Deveríamos ter enviado, Leilinha sabe fazer isso, tem um negócio que esfrega ao lado do computador e manda até foto, e ela não demora a chegar. Se ficarmos para depois, um dia destes esses babacas acabam matando o Contralouco do coração.

Leilinha chegou bem depois, na hora certa, recolhendo as charges do dia.

Pela primeira vez em muitos anos, a paz no botequim não era a mesma.


Por votos de maioria, ficaram com a obra do Mariosan., de O Popular (Goiânia, GO).





E com a do Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ).





Leilinha Ferro quedou seu coração pela obra do Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).






Pergunte aos meus tamancos

.
Pergunte aos meus tamancos, de 1936,  há muito reclama por uma regravação, com todo o aparato instrumental e tecnológico de que os sambistas atualmente dispõem. Parece que só o Zeca Pagodinho grava clássicos da turma da antiga, e ao gravar, aliás, põe abaixo o coração da moçada. Chega junto, Malandro Histórico, tantos. Zeca é a maior expressão popular desde Noel Rosa, não por acaso.

Quase que conto um incidente com o Tom Zé. Deixa pra lá. 

Conto! Por que não?

Há muitos anos trocamos duas ou seis mensagens por correio eletrônico. Na minha penúltima sugeri que ele, metido a doido que nunca foi, gravasse uma música do Lúcio Cardim, chamada Ressaca.

Um clássico. Lúcio tem muitos, que nunca tocaram no Brasil porque ele mandou os robertos marinhos e seus escravos, pedros bials e todos, tomarem bem dentro. Eles mataram Lúcio Cardim do melhor modo que sabem fazer. Tiraram-lhe o grande palco, afinal eram e são donos de tudo... e só quem passou por isso sabe o que é ser bom e ignorado, morto em vida, vendo as nulidades na telinha e em grandes shows. A massa aplaude feliz. Claro, ao Lúcio restou se apresentar em bares, defendia o pão de cada dia, mas merecia muito mais.

Outro dia choravam a morte de uma artista, uma das que, quando a ditadura trucidava e ria, ela ria junto e comia churrasco com os Malufs e Delfins. Não sabia. Eu, aos 8 anos, morando na costa do Uruguay, analfabeto, sabia o que se passava.

Voltando... Passaram-se dois meses e ele, o Tom, me disse que ia cantá-la no Circo Voador (Rio de Janeiro). Ressaca, pra ti, meu amigo, apareça lá!

Eu respondi que bom, uma música que ele nunca tinha ouvido, mas pegou a ideia de surpreender a moçada. Falei que eu estaria voltando de viagem para Porto Alegre, mas que pararia no Rio para lhe dar um abraço.

O coitado achou que eu ia dar uma de beijoqueiro, ou sei lá, andou cheirando, e se saiu assim: "Vai pra platéia e fica na tua que ninguém se machuca...".

Não acreditei. Achou que eu iria ao camarim? Ora, ora. Ele que, se quisesse, que tratasse de me achar lá atrás, depois do povão da fumagem.

Doeu, a precariedade das almas sempre dói. Uma pena, mas azar, cada um com a sua grandeza. Culpei a mim depois, deveria ter visto a sua ansiedade em ser o cara. Igualzinho aos outros, caetanos, gis. Acham-se príncipes do céu, sem ver que quem os aplaude é o povo lá debaixo do mosteiro do Nome da Rosa. Vão lá tomar os trocos desse povinho.

Qual é a graça que há em tomar de cegos, que prazer é esse, nunca entenderei.

Onde andávamos neste papo...?

Ah, o Zeca...

Até onde sei,  rachava a grana com os familiares dos velhos, uma parte, e também botava escola para um montão de meninos e meninas, começou com 150, depois os politícos atrapalharam, mas seguiu, aulas e bóia, bóia antes de música e de tudo, parari parará.

Isto é para falar em outro dia, com jeito, os jornais não gostam do bem, homens de bem se constrangem, uma coisa que era para ser normal...

A manchete do jornal é que o policial atirou no rosto do menino desarmado, para se defender das mãos franzinas. A Judéia com mil ogivas nucleares planeja atacar o Irão a pretexto de que eles fabricarão uminha, o Irão merece. Professores prejudicam o ano letivo com uma greve sem sentido.

Faz sentido, se olharmos os nomes dos donos dos jornais, que, como certos artistas, adoram iludir colégios sem giz.

Bah, misturei, o assunto era mesmo que,

Vai, pergunte aos meus tamancos / Quantas vezes no meu tranco  / Eu passei lá no seu portão / E o placo, placo-placo do meu salto / Chegou a fazer buraco / No asfalto lá do chão / (Se tu não acredita...)

Não por acaso recordamos esse e outros clássicos neste 1º de outubro, de autoria de Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues.

Pela lei do Brasil já deve ser domínio público, os horríveis 75 anos se passaram. Talvez agora apareçam amantes de bons sambas, queridos, ansiosos por preservar a memória nacional, agora que não precisam pagar nada de direito autoral, é "tudo meu". Salvo se houver outros artigos e parágrafos contratuais com as gravadoras norte-americanas, as donas das armas, as donas da voz. Filhos da...

Ao amor:

Alcides Gonçalves (clicando no nome leva a um antológico depoimento de Aguinaldo Loyo Bechelli) hoje estaria de aniversário, com muito samba e trago, se vivo fosse. No Ao Chiado Brasileiro há uma excelente matéria sobre este nosso grande artista, escrita por gente sensível e que sabe das coisas, pesquisa com coração de amor.

Na rede encontramos apenas esta antiquíssima gravação, na interpretação do próprio Alcides, que também era um excepcional cantor. É ainda, como se comprova pelos vinis.

A alma de amor que conseguiu, sabe-se lá como, colocar o samba em vídeo na rede se chama Antonio Bocaiúva. Um abraço, Antonio! Gracias.







Vai, pergunte aos meus tamancos
Quantas vezes no meu tranco
Eu passei lá no teu portão
E o placo , placo-placo do meu salto
Chegou a fazer buraco
No asfalto lá do chão 

E compreenderás então
Como tinhas te enganado
Eu não faltei o encontro
Que você tinha marcado...
Se marcasse pras dez horas
Eu às nove estava lá
Meia-noite fui embora
Porque cansei de esperar
(Se tu não acredita...)

O meu lenço de chitão
Ficou todo amarrotado
De eu tanto torcer na mão
Por me sentir ansiado...
Via-te todo momento
Sonhava estar te abraçando
Veio a hora e não vieste
Fiz a trouxa e fui andando

 

Tu cabeza en mi hombro

.
A leitora María Espinoza Peña, desde a cidade do México, pede que rodemos uma música que ela mesma indica no youtube. Não nos fazemos de rogados, ai meu Deus, a gente que tenta aqui sair pelo mundo, sair das trevas.

Feliz niver ao Carlos, María, grato pelas visitas, elogios bondade de vocês, corações de amor.

Trata-se de uma antiga canção do sírio canadense Paul Anka, hoje cidadão estadunidense. Foi gravada nos idos de 60 pelo célebre cantor mexicano (nascido em Caracas, Venezuela, em 1/2/1943) Henrique Guzmán, e vem a calhar, pois são muitas as reclamações por não tocarmos música americana aqui.

O amor do casal. Carlito y María...

Don Henrique Guzmán é mesmo único, voz, respeito e doçura. Ou melhor: sin palabras.

Tintim, Carlos! Tintim, María!
.



Tu cabeza en mi hombro,
quiero yo tener, siempre,
acariciame, cielo,
si me quieres tú.

Quiero tener tus labios,
demuestra que me quieres,
un beso tuyo, nena,
de dudas me sacará.

Quiero ver,
si es verdad,
que amor nunca existió,
quiero saber,
si no es verdad,
que atí yo te interesé.

Tu cabeza en mi hombro,
me dirá ahora, nena,
lo que siempre, he dudado,
que me quieres de verdad.

Tu cabeza en mi hombro,
me dirá ahora, nena,
lo que siempre, he dudado,
tu cabeza en mi hombroooo.