miércoles, 7 de noviembre de 2012

Cruzeiro de Belo Horizonte, n'A Charge do Dias

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O grande Cruzeiro de Belo Horizonte é o único clube que os boêmios respeitam, além do co-irmão Grêmio, claro, este briga caseira, insuperável, nossos vizinhos, amigos, mas que em dia de jogo... Pois passaram a manhã lamentando a sorte do rival mineiro. Rival é modo de dizer. Companheiros.
 
Ah, ia esquecendo de dizer: os boêmios são todos colorados, pelo menos os das mesas da "diretoria". Diretoria que não tem a ver com grana. E os mais vellhos recordam o goleiro Raul, Nelinho, Piazza... Dirceu Lopes, o "louco" do Palhinha.
 
E aquele zagueiro central, pai, o Perfumo, que tu diz que passeava, matava no peito, toma ali, o passe na catega -, diz o moleque do Janjão. Janjão só viu em filme e no papo do pai dele, mas isso marca, a gente passa para os filhos as emoções do pai da gente.
 
Mr. Hyde, o Cético, não perdoa: quem mandou os associados botarem políticos, lobos sarnentos, na direção?
 
Ninguém quis responder ao Hyde, não adianta chorar leite derramado, mas o Hyde ficou lá insistindo, botaram ladrão, é bom pra aprender e tal... Ninguém quis saber.

Uma pausa. Pedem para colocar vídeo, prometendo que, na semana que vem, irá o outro, a favor do Cruzeiro. Este é do tempo em que o Beira Rio não era só para ricos, cabia cem mil pessoas. Obedecemos:

http://www.youtube.com/watch?v=hyodkLQgMWo

(Só clicando, não quis entrar o vídeo, mas é um clique por outro)


Acabou o compacto. O que resta? Aquela tropa de homens com os olhos ensopados, rostos transfigurados de emoção.

Janjão prometeu um dia levar o menino conhecer a Toca da Raposa. Lúcio Peregrino fica sério e diz: eu era menininho, mas aquele ponta-esquerda deles, o Joãozinho, sai da frente...

O Contralouco pergunta alto: "Piazedo, e quem era o goleiro do Inter? Aquela falta com efeito do Nelinho, paulada, pra pegar só o melhor do mundo, quem era o melhor goleiro do mundo?".

Um maluco que passava do outro lado da rua fez coro com a meninada: Manga!

Quem viu, sabe: Manga foi crucial.

As crianças sentem saudades do que não viram, somos nós, vivemos neles. A elevação de Figueroa com o sol no rosto. O sensacional jogo, que matou gente do coração aqui no Sul, os 5 a 4 lá, vitória do grande Cruzeiro, aquilo não foi derrota, foi luta.
 
Os boêmios escolheram uma triste obra do Dum, do Hoje em Dia. E mandam recado para a torcida do Cruzeiro: pra frente, indiada, coragem, peito nágua, amigos, vamos virar esse jogo!, 2013 é amanhã, sem vocês a gente não existe! Clóvis Baixo grita, emocionado: a final do Brasileiro de 2013 vai ser Inter x Cruzeiro, cinco a zero pra nós! O que faz a bebida.
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E, já pedindo uns pré-sal (tá, vai, pré-sais), ficaram também com o Frank, de A Notícia (Joinville, SC).
 
 
 
 
Leila Ferro ficou com o Ikenga, tal o gritedo que fez a velha Jezebel, sobre um Paespalhão e cabrais sujos de lula. Aqui o Contralouco se meteu, que professora e tal... mas um olhar da Leila o fez baixar a bola.
 
 
 

martes, 6 de noviembre de 2012

Promessas, n'A Charge do Dias

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A turma hoje tratou das promessas eleitorais. Clóvis Baixo e Contralouco (só de imaginar esse doido estrevistando as pessoas...) ficaram duas horas interrogando aos passantes do botequim, se fazendo de pesquisadores. Passado um mês da eleição em Porto Alegre, todos os pesquisados ainda recordam em quem votaram para vereador. Segundo Aristarco, a lembrança deve durar até o Natal.

Mas ninguém soube explicar as razões do voto, isto é, não recordam - se é que as viram antes - as promessas de campanha de cada um. Exceto duas pessoas - das 50 abordadas - que votaram em partidos de esquerda autênticos, as outras 48 foram de centro-direita para cima, PT, PCdoB, PDT, PSDB e piorando. Estas outras lembraram, naturalmente, aquele vago papo epiléptico de educação, segurança, etc., sem objetividade alguma. Os que venderam o voto lembram das promessas de alguma facilidade, para si ou para um parente, como nunca esquecerão os nomes dos seus compradores.

Depois os boêmios comentaram a gatunagem das quadrilhas da cidade de Triunfo. Lúcio acionou o nóti e procurou informações atualizadas na rede, mas nada conseguiu além do que já se sabe.

Bem, ao menos passaram o tempo.

Escolheram a obra do Boopo, de A Tribuna (Amparo, SP).



E a do Newton Silva.



Leilinha Ferro surpreendeu a confraria com a sua escolha. Acostumada com os boêmios - que só bebem em suas folgas, ainda comentou: "Tá certo o Adriano, está rico, de repente no ano que vem ele capricha nos exercícios e volta numa boa, ou manda todo mundo longe. Se descumpriu alguma promessa, não era como a dos políticos, não era dívida, ele pode". Com o Mário, da Tribuna de Minas (Belô, MG).




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)


lunes, 5 de noviembre de 2012

Bailando "Poema"

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Poema (Mario Melfi – Eduardo Bianco), 1935
Orquestra de Francisco Canaro
Canta: Roberto Maida


domingo, 4 de noviembre de 2012

Feliz aniversário, Carolina

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Há dias venho pensando em uma música, uma que não sei, para oferecer de aniversário para minha primeira filha.

A fiz, a filha - músicas são tantas -. a ganhei, pouco antes dos meus 24 anos. Sim, tive uma "ajudinha" de uma linda moça; ora, sozinho ninguém faz nada de bom neste mundo.

Briga a gente arruma sozinho, e sabemos como termina.

Bem, procurando música.

Vasculhei a discoteca da mente, meu Deus, é maior do que eu pensava, na minha modéstia, não tem fim. Andei, cantarolando, por aqueles corredores. Labirintos. No mais longo de todos, parei na ida no Tango Azul, na volta, pelo outro lado, no Blue Tango. Mas não era essa, era, não sei, não é.

Bobo, agora me dou conta, agora que passa das onze, o dia 4 vai terminar, eu daqui de tão longe, quando já tinha perdido a esperança. Venho tocando há dias, inconscientemente, mesmo aqui no blog, a música escolhida. 

É de coração. Não sei ainda por que essa música, mas estou certo de que pela mesma razão que demorei tanto a me tocar. Assoviava, talvez, para um berço, uma música antiga? Não lembro. Não importa. Importa é o coração, o nosso, que nada quer, só precisa de uma ilusão, nada mais.

Feliz aniversário, Carolina.

Tintim.









A fuga do Clóvis Baixo, n'A Charge do Dias

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Um dia maravilhoso em Porto Alegre, 26º às 11 da manhã. Os boêmios como sempre espalhados pelas mesas na calçada do bar, aperitivando e jogando conversa fora. Hoje não haverá churrasco, o Terguino cumpre uma promessa antiga: meteu-se na cozinha e encaminha o seu famoso Pintado à Ferrão. Ao chegar, Nicolau Gaiola disse que o cheiro de peixe é sentido lá em cima, na ponta da escadaria do Beco da Fonte. Os gatos de rua da Cidade Baixa fazem plantão no canteiro do Beco do Oitavo, na sombra da oliveira. Mal-acostumados com carne crua dos churrascos, imagine peixe. O Contralouco vai lá dentro e volta corrrendo com um peixe inteiro, Terguino correndo atrás enxugando as mãos no avental, com não, não, palhaço, dá aqui, não..., não adianta, ele joga no chão do canteiro, pra sujar, depois corta em pedacinhos e dá aos gatos, para o branco na boquinha. Todo lambusado, lambusa a boca, ao comer ele mesmo  um pedaço semicru, desafiando ao gaúcho perseguidor, que ficou na calçada admirando.

Não temos a menor idéia de como é esse famoso prato, salvo que o "à Ferrão" tem a ver com ele próprio, Terguino Ferro, mas deve ser importante. Ao retornar da perseguição ao ladrão de "seres aquáticos" - como o Contra se refere aos peixes - o Terguino diz, com um sorriso conformado, depois de avisar ao Contralouco de que, se tornar a entrar na cozinha, morre: "Com essa, acho que vou tomar um merengue duplo, segurem esse maluco aqui fora". De lá do canteiro o Contra canta desaforado: "O aquático é pro fundo da rede, segredo é pra quatro paredes, primeiro é preciso julgar, pra depois condenar...".

Hoje é a folga da Leilinha, vai namorar, passear no Gasômetro e tal, então não houve revezamento entre os donos do botequim, o Portuga está presente. Ele fica uns instantes de papo com a tigrada lá na frente, quando diz, não sem uma pontinha de ciúme pelo Terguino ter-se aventurado em pratos que só ele acha que entende: "O gajo está a enfrascar-se lá na cozinha, mergulhado em peixe e pimenta, não quero dizeire nada...". A turma ri, havendo pimenta e sal já está bom. O Portuga deve saber o que fala, pois faz a melhor bacalhoada que já comemos, de cinema.

O Contralouco reconhece que está de noite atravessada e vai para casa, mora pertinho, tomar um banho e trocar de roupa. Vira as costas, às 11:30 h, e bate o Clóvis Baixo, sorridente, cabelos em desalinho. Baixo é apelido, mede um e setenta e quatro, é que o resto da turma é maior; é, quando não têm o que fazer ficam se medindo, cada ideia... Wilson Schu pergunta:

- O que houve, paisano, dormiu nas palhas?

O Clóvis puxa uma cadeira, pede uma cerveja e vai contando.

- Bah, tou vindo de longe. Escapei por pouco. Ontem à noite me meti no Buteco Blues, a uma da manhã tava quase vazio. Tinha duas quarentonas numa mesa lá do fundo, que olhavam pra cá, eu olhava pra lá, sabem como é, no segundo uísque me mudei pra mesa delas. Em uma hora fomos embora engalfinhados numa naice, eu e as duas.

- Pouca vergonha..., diz Jezebel do Cpers.

- Vocês não vão acreditar: elas têm um fuca 78. Isso mesmo, um fusca cor-de-vinho, incrivelmente inteiraço. De madrugada, me acomodando numa das tiangas enquanto a outra dirigia, nem vi pra onde estávamos indo, só percebi que não chegava nunca. Acabei num apezinho de um pombal na Tristeza.

Chupim da Tristeza ri e exclama: Epa, jogando pedra nas minhas pombas, malandro!?

Clóvis aproveita para um fundo-branco no copo. Segue.

- Pra encurtar a história, que tem mulheres e crianças aqui, as donas são enfermeiras, uma médica e uma enfermeira, ou uma enfermeira e outra médica, não interessa, os nomes não vão levar. Não são as mesmas do Contralouco!, já vou avisando, pra não me arranjarem encrenca. (As do Contra, AQUI). Uma é polaca e a outra morena. Saíram pro batente às 7 da manhã, me deixando lá trancado, dormindo. Terceiro andar. Acordei às 9, com uma cantoria de Parabéns a você, tinha aniversário de criança, depois vi que o salão de festas do pombal fica de frente pro quarto delas. Parou a cantoria. Eu lá na imensa camona. Um silêncio..., falei "Cadê as minhas gostosas" e nada. Levantei e topei com um bilhete na mesa da sala, olhem aqui, ó (estende o bilhete para o Aristarco), diz que de noite voltam pra continuar a festa, que a geladeira tá cheia, que tem bebida à vontade, televisão, computador, tudo, a casa é tua.

- A vida que pediu a Deus!, diz Tigran Gdanski.

- Menos, meu. Mas não deixaram o número do telefone, as frescas. Eu, hein, ficar o dia inteiro preso? A porta com três fechaduras, uma delas das brabas, daquele cachorrão. Me fuderam. E agora, fazer o quê? Olhei pela janela da sala, a única viável, lá embaixo um monte de pedras, não tinha como. Tomei uma cerveja para pensar. Depois vasculhei o apê atrás de uma conta de telefone, nada, mas descobri que moram juntas há cinco anos e sonham em arranjar um cara só pra elas, morar a três. Tomei outra cerveja, agora com uma pinga que achei atrás do botijão de gás extra, firmei a alma. Ficar lá o dia todo no domingo, com vocês aqui numa boa?, nem fudendo. Abri outra cerveja e comecei a emendar os lençóis, nó de marinheiro, molhei e apertei até ficarem cegos. Já com a corda pronta, escrevi um bilhete amoroso - entendi o gesto delas, gostaram de verdade de mim -, dizendo que também as adorei, nunca ninguém pegou assim em mim, queridas, de noite eu apareço, amores meus, assinado: Clóvis. Abaixo do meu nome fiz um rudimentar - não sou bom nisso - desenho de coração, com duas setas cravadas. Na hora pensei onde acharia flor pra comprar e trazer pra elas lá pelas dez da noite, rodoviária, aeroporto?, não tem. Ah, lembrei, tem no cemitério, na subida da Oscar Pereira, ui, fiquei feliz.

Atirei os sapatos na frente, de pé-no-chão é mais seguro, tou terminando de botar o corpo pra fora da janela, cuidando pra não cair, lençol enrolado no punho da canhota, quando ouço uma voz, vinda do segundo andar do bloco em frente à janela: "Peraí, meu camarada, volta pra dentro, te jogo uma corda de verdade, os lençóis podem arrebentar, guentaí, já tou indo!". O cara mal terminou de falar e ouvi um "réc", o puto do lençol desandou réeeec, me segurei na janela, custei a me livrar mas larguei o pano da mão esquerda e me segurei com as duas, lá pendurado pro lado de fora. Voltei, se voltar é subir arrastando pra cima, pra dentro, coração aos pulos. Lençóis lindos, coloridos, mas macios demais, eu deveria ter desconfiado.

Depois convidei o cara - o Maurício - pra aparecer aqui, gente fina. Com a corda foi um abraço. Já lá embaixo ele falou pra não me preocupar, depois ele pede de volta pra elas. Abraço o cara, apertado, devo uma, mano querido e tal e vou saindo, sabe aquele dia, finalmente me dei bem.

Dobrei a ruela do bloco, foi quando parei, ouvi a mulher dele rosnando lá de cima: "Que droga, toda semana é a mesma coisa, Maurício, pelo menos esse não ficou gritando socorro feito viado lá dentro, tu devia trocar de profissão, ser bombeiro!".

A turma vai ao delírio. Gustavo Moscão diz:

- Bah, tchê, ao menos tu ficou sabendo do lance das minas, dá pra sumir numa boa...

Jussara do Moscão, mulher dele, o interrompe:

- Mas como tu é babaca, Gustavo, parece que não conhece a figura: agora é que ele vai querer morar lá, não se lembra?, o sonho dele é esse, vive dizendo...

- Dez a zero pra Moscona! - exclama o Clóvis -, pensei em dálias, mas acho que vou levar mesmo rosas vermelhas.

Lúcio Peregrino diz: - Acho bom a gente escolher já as obras do dia, esta conversa vai longe.

A turma se pintou para a guerra e por maioria escolheu o Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).




Pintaram-se de novo e se vieram com o Quinho, do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG). Aqui Mr. Hyde, o Cético, comentou: "Viram como as 'otoridades', ministro da Justiça, aquele bundão, a Maria do Rosário, políticos, agora se movimentaram? Com meio milhão de assinaturas de protesto na goela eles ficam espertos". Pois é.



Na ausência da coordenadora da coluna, senhorita Leila Ferro, Lúcio Peregrino, redator e dono do nótibuc, fez um achego com o seu pai - Terguino, que liberou duas obras por conta da casa, disse que depois se acerta com ela. Os empinantes exultaram, com direito a cantar e então como é que é, é big, é big, para o Terguino. Hummm, vai dar encrenca com a menina.

Ficaram com o Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS).




E com o inefável Nani.




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)

sábado, 3 de noviembre de 2012

O Poder Universal e Juremil

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A pedido republicamos, insistência grave, um bilhão, uma singela postagem de 2010, que alude, respeitosamente, a julgar como alguns tratam seus semelhantes a um jornalista não tão imaginário assim. Um roedor inteligente, que isso ninguém lhe tire. Falta-nos tempo agora, e vontade, e saco, para buscar comparações na história, mas voltaremos, se necessário, aqui se escreve às pressas, direto, e, seguindo, Deus será, daqui a três ou cinco anos, o chefe universal ainda pensa no assunto, esses padrecos, de todas as seitas, não confiam em ninguém, uma cachorrada, anos os servindo de quatro e se recebe isso em troca, desconfiança.

Eu ia ficar frio, mas inventei de ler uma bobageira.

O senhor precisava de emprego, certo. Os outros não precisam, ó malandro?

Os inimigos dirão que as pessoas que pediram - muitas, a rejeição é grande, mas em ínfimo número diante dos seus cultos fãs, em São Paulo tem alguém assim - querem é aparecer nas suas costas. Isso pode ser verdade, mas não nos soa estranho, parece que já vimos esse filme, e... deixa pra lá, neste mundo se vê de tudo, ainda ontem na Malásia. Deve ser isso. Pior, pode ser a inveja corroendo seus corações, pensamos, mas depois lembramos, filme antigo de novo, e ainda veio a fatal interrogação, inveja de quê?

Dos outros não sabemos. Por nossa parte é para não chorar. A rebelião quanto aos meios, agora todo mundo descobriu que Maquiavel não disse bem aquilo, como se não soubessem. Desvirtuam tudo. E por quê?

Os meios utilizados condenam. Lula chegaria à Presidência mais tarde, a luta se intensificaria, iríamos sofrer mais, mas se vendeu, acabou ali. Os meios. Mas se o referido jornalista quiser mandar alguma grana do bispo Edir Macedo, o Incriticável Supremo, seu patrão (Vai que não. Não?), que imaginamos obtida, pelo magnânimo religioso, que Deus me perdoe, terçando armas - ideias - com gente da sua nenhuma estatura moral, trabalhando com afinco, oba, manda pra gente, estamos numa dureza aqui que só o capeta sabe, sopa de cupim com pano de prato engraxado, e se mandar será uma maneira de confirmar a fé, do pó ao pó, no caso do povo ao povo. O povo da palafita a trocará, a grana, por arroz e feijão, promovendo distribuição em certos bairros, se podemos chamá-los assim. Devolverá ao povo, vez que podemos arranjar jeito de subsistir sem mentir. Ganharemos com a publicidade, as ONG do Lula periga passarem a nos mandar, somadas, dois mil reais por mês, em vez dos milhões que estão no exterior, onde, aliás, está a fortuna dos aspones do anterior. Mais um pouco e começamos a falar em fábricas de açucenas, redes de mercearias... Ahm, se puder mande logo o dinheiro, antes que o mundo gire até viradas e monções estranhas, ou enquanto esse filho de uma puta não morre no papado dos indigentes (essa frase, a partir do esse filho da puta, vai a pedido, a colocamos porque nela não vimos nada de mal, embora não pareça, à primeira vista, lá muito elogiosa).

Ou criticamos todos, ou ninguém. Ou assumimos que estamos a serviço de um lado. As razões é o que menos importa, todas são compreensíveis. Mas assume-se.

Mentir é feio. E aquele por que solto lá cima? Por quê? Medo da vida, menino, falta de coragem. O destino de algumas palavras exageradas nunca foi um ser humano, um banco de praça, nem um Juremil, que até se sai bem, à exceção do espelho e do Incriticável. É à praça toda, ela é feia demais de tanta hipocrisia.

Bem, trocando o verbo, eu nunca vi tanto rodeio para apresentar uma coisica de nada, não dá duas páginas, mas é que tocou o telefone, um preto à moda antiga, e pelas vozes lembrei que tenho filhos matriculados por aí, então peço aos nobres professores de preto ou de vermelho para fazerem o certo, aqui ninguém deseja enlouquecer de tristeza.

Aí está, ele, o máximo impiedoso, inculto e malvado. Isto é, um sucesso.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Juremir

Bem, depois de hoje vou repensar esse negócio de cartas. Entre uma de mais um padreco me insultando (deveria estar bêbedo, o Dá a Deus, pois falou uns palavrões que as meninas da Stanislava esqueceram de me ensinar naquelas saudosas tardes de inverno, enquanto a clientela arranjava dinheiro pra trazer à noite pra gente) e a que segue, optei por esta de um desconhecido. Sempre gostei de malucos.

EU

Alvíssaras! Eu estou muito apressado, mas, como eu supus que amanhã ou depois acabarias escrevendo sobre genialidade, eu me antecipo (eu marco de cima, eu pulo junto, eu sou o Inter sonhado, uau!).

Antes, Salito, uma correção: meu nome não é mais Juremir, eu mudei. Uau! Agora eu sou Juremil. O perfeito Juremil. O sagrado Juremil. Tá, bota aí também o humilde Juremil, o singelo Juremil, para não prejudicar os negócios. Huhu! Eu explico: eu fiz uma retrospectiva da minha ultragrandiosa obra e eu concluí que eu sou nota mil em tudo. Ninguém me supera. Juremil-mil-mil! Eu engambelo aqueles franceses imbecis por uma questão de estratégia. Prestígio e grana (ui que ameaço de orgasmo), me entende, não é, ninguém é de ferro, e também para viajar semanalmente a Paris, aquela cidadezinha mais apagada que a minha Dodô Desasada, o extinto pombal fronteiriço onde brotei bem no instante em que houve aquela conjunção (ui) planetária. Comparando com Jesus, dez a zero para eu, uau! As velhinhas me atacam na rua para me abraçar, huhu!, e isso que não viram meu pintão.

Sabe, Salitre, eu li tudo o que os gauleses escreveram, aliás, eu li tudo o que foi escrito no mundo desde os escritos dos alienígenas, me prestei até a ler os contos do ceguinho Borges, mas eu vou reescrever cem por cento em hieróglifos hititas, com a simplicidade e leveza do sacerdote Juremil, eu vou champoliá-los (oba) em 2011, eu vou cobri-los de rubor, eu vou fazer um barulhão, eu vou romper as fronteiras do pensamento, uau, rumo ao espaço, eu só imagino a cara do velho Fiódor Dostô, uau, e tem mais: eles que esperem eu publicar a minha nova obra-prima (chama-se EU, JUREMIL, trioriginal, hein?) onde eu provo, pela mesma dialética transcedental assassinada pelo Emanuel (o babaca do Kant) que aquele lero de imperativo categórico está invertido, e que o François-Marie Arouet era ridente devido à idiotice, espirituoso nada, ironia fina ele vai ver. Eu, eu... bem, naquele tempo não tinha livro meu na praça, eia, eu vou compor sonatas em braile para causar felicidade e espanto ao rústico Beethoven! Viva le futur antérieur!

Eu sou especialista em tudo: física quântica, filosofia, futebol, mais umas cem mil coisas só na letra éfe, tudinho, tudinho. Eu falo e eu traduzo todas as línguas conhecidas e desconhecidas! Uau!

Eu morei em Adis Abeba, em morei em Atenas, eu morei em Amsterdã, eu morei em Belgrado, eu morei em Berlim, eu morei em Bucareste, eu em Budapeste também. Uau! Eu morei no Cairo, eu morei em Copenhague, eu morei em Dublin, Estocolmo, Lisboa e Londres, eu morei em Luxemburgo, eu morei em Madrid, eu morei em Moscou, eu morei em Roma, eu... acho que pulei algumas, maldita memória, preciso tomar meus comprimidos... tá, comece aí todo o Abc até Viena! Uau! Em Bujumbura não, ahahah, desculpe, Saltito, uau!

Bem, eu ia falar de quê mesmo, deixa eu ver... Tá bom, eu... ahm... eu... eu... Bem, eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... Hummm, eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... Uau! Eu quebro a rotina e hoje eu falarei de mim, mas só um pouquinho, eu estou meio atrasado para meus milhares de compromissos. Viu a economia no título que eu, o lacônico Juremil, botei agora lá em cima? Eu. Huhu!

Ah, eu tive uma namorada em cada uma daquelas cidades! Uau! Estranho... não recordo os nomes, ah, nome não importa. Uau!

Tu já leu o meu último livro? Cara, não é pra eu me gabar, eu não sou disso, mas é um clássico como nunca houve, na terra como no céu, aquele Shakeaspeare deve estar se revolvendo no túmulo, mortinho de inveja. Já na segunda página eu ensino o pessoal a conjugar os verbos. Eu me arrependi-me (ops) de publicar, está além do alcance da massa encefálica dos não escolhidos. Agora já era. Tu já comprou? Se não, compre logo, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, vai esgotar, para ti eu faço um precinho camarada, eu sou o dono do pedaço no Reino dos livros, escribo en el periodico Letters of the People, huhu! Agora eu sou Universal. Lá no outro, o reino da judéia, a concorrência fica promovendo aquele canhestro da última página, ahahah. E eu faturando. Faturando a fama, claro. Eeeeeuuuuuuuuuuuuu!

Lembra daquele portuguesinho inexpressivo, o José Sarraceno ou Salamargo? Mais cheio que o Luiz Fernando. Pois é, morreu o crucífero (oba), iupi, iupi, iupi, dou pulinhos, morreu, morreu, morreeeu, se apressou a bater as botas pra não ter que ver o saco de nobél que eu vou abocanhar, viva, viva, vivaaaa, eu vou sarambecar lá nas Canárias, uau!

Bem, eu... eu... eu, uau!, eu preciso ir, até a próxima, eu estou atrasado para um show que eu vou dar à tarde lá na universidade dos caras de preto, como você diz, Eu vou-lhes (gostou? Vou-lhes) contar umas estórias básicas que eu inventei sobre as estorinhas sem graça daquele baiano, o Amado. As gurias vão delirar, ui uau! Depois eu tenho de dar uma palestra sobre nanorrobótica medicinal a partir da experiência com cágados, en passant eu ainda vou proferir outra, uma teleconferência d'échecs para os meus amigos Veselin Topalov, Magnus Carlsen e demais top-twenty (sobre as falhas das análises dos computadores na variante Leningrado da Ninzo-Índia), sem deixar de apresentar meus programas de rádio e TV, depois ainda uma aula de direito aeroespacial, e lá pelas dez, enfim, uma aparição no São Pedro, eu vou estrear um novo solo de oboé, eu, eu, eu, eu, uau, eu não dou conta, eu não dou conta, eu não dou conta...

Eu preciso ir, eu preciso ir... dê uma chegada aqui pela Rua da Praia, eu preciso te mostrar (en passant que o tempo voa) meu penteado atual. Rapaz, lindooooooooooooo, combina com o jeans que eu comprei no Marrocos. Uau! Ei, já comprou um livro meu?

Uau!, uau!, uau!

Juremil

PS.: E tu, Salatiel, ainda ingere bitter purinho? E aquela tua chinoca de Rivera, uuuuuuuui, conta, conta, conta.






 

viernes, 2 de noviembre de 2012

Jota no Bistrô

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Noite fechada em Porto Alegre. Chego em casa devagar, um som de jazz especial rodando na cabeça, marcante, único. Acendo as luzes do covil. Abro uma garrafa de vinho antes de molhar as plantas, sequei hoje.

Amores?... Ufa, sobrevivi a mais um finados neste mundinho, ela fez declaracão de amor em público, só para ferir, dizendo o contrário, sem necessidade alguma... Deixa assim por hoje. Morreu num finados. Nada além, nada além de uma ilusão... Mas o som do jazz segue rondando, lindo. Já sem paletó sento no sofá, afrouxo a gravata, abro a camisa, tiro os sapatos, ah... Agora sim, de pé-no-chão sou outro, em casa. Encho a taça com o cabernet e coloco a música de novo. Desde que saí não me sai do teto.

De autor brasileiro, não me surpreendi quando soube, pois felizmente música não tem nacionalidade, nela repousa o sonhado mundo, o paraíso, onde todos somos irmãos, E o Brasil, sem ufanismos, produz muitos dos melhores do mundo.

É jazz, um amor.

Jota (João Pedro Germano Pagliosa – Bagé, RS, 23/6/1990), músico e compositor, espetacular flautista.

A canção se chama Wanessa, dele, que no vídeo dá um show, acompanhado do pianista Nílton Vargas Rodrigues, outro show. Em 20/10/2012, canja no Bistrô IC.

É tudo isso aí embaixo.
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Nada Além


Nada Além, fox, 1937 (Mário Lago - Custódio Mesquita).



A CPI dos mortos-vivos da Madame Mim, n'A Charge do Dias

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Bem, a coluna "A Charge do Dias", que pelo normal encerra três obras dos artistas do traço e do pensamento do Brasil, escolhidas pelos empinantes do Botequim do Terguino, saiu somente agora. Beberam muito, os desocupados. Desocupados nem tanto quanto o Maluf e o Lulalelé e seus respectivos bandos de criminosos.

Estavam os singelos boêmios a entornar repolhudas geladérrimas, e ocupados em... brindar. Brindar a sei lá o quê, à bunda da piranha que passou, às curvas da certinha filha do bandido dono do cartório, ao escândalo de boazuda que é a noiva que passa pelo outro lado da rua sem olhar (espia de leve quando o Contralouco está presente).

Tudo é motivo pra brindes, uns silenciosos, outros nem tanto.

Leilinha Ferro precisou usar de toda a sua autoridade para conseguir uma pausa para a escolha das obras, se não só as receberíamos à noite. Todo santo dia eles têm um motivo, ontem foi o Dia de Todos os Santos, aí choveu aquela "pro santo". Hoje, em Finados, não seria diferente, foi pior.

Segundo Leilinha, discutiram muito sobre as obras, reclamaram dos artistas, que dificultaram demais: vieram a milhão, tanto que ela liberou quatro, em vez das duas convencionais (a terceira é  dela, chefia escolhe a solas). Eles queriam dez. Diferença de um votinho para não liberar mais. Os anarquistas, alma de Bakunin, possuem cada argumento.

Ficaram com o Newton Silva, direto de Fortaleza (CE).




Com o Bruno, do Vale Paraibano (São José dos Campos, SP).





Com o Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS). Sobre esta, votaram uma proposição para levá-la à parede do bar. Negada por 36 votos a 1, o do propositor, embora a excelência da obra do artista: é que ninguém suporta mais o zumbi de vermelho, vá mentir assim na... exclamou Tigran Gdansk.





E com o J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA).




Miss Leilinha ficou com o Fausto, do Jornal Olho Vivo (Guarulhos, SP). Eta menina porreta! Sabe tudo. Ainda falou aos boêmios: depois de tudo o que viu, eles escondendo, protegendo os bandidos, as unhonas da Madame Mim aguçadas, tios, agora encerram a CPI sem querer ouvir 600 depoimentos de acusação...



(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)






jueves, 1 de noviembre de 2012

Senadores ladrões, n'A Charge do Dias

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Os empinantes escolheram a obra do Duke, do Super Notícia (Belô, MG).




O pessoal riu muito dessa história de um senador encher a boca e dizer que muitos dos seus colegas parlamentares são ladrões, podres de rico com o dinheiro roubado do povo. Mas a graça foi pelos protestos de alguns, como se eles não soubessem. Com o Sid, do Metro1.



Leilinha Ferro divertiu-se muito, dizendo que há louco pra tudo. E como. Parou na obra do Ikenga.




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro)