viernes, 5 de abril de 2013

Luz, com Gabriel da Muda e Moacyr, para iluminar o Brasil

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Como toda a Europa, África e América Central, América do Sul (exceto Brazil da globo, artificial, e isto não é reclamação, estamos acomodados num espaço bom demais), sabem, como sabem minhas negras, e as companheiras de vida dos amigos, hermanitos, desta palafita, este blog é fissurado nos grandes sambistas cariocas, gema pura. 

Boêmios de amor, sérios e risonhos, quem seriam hoje?

Ele, Moacyr Luz, que hoje fecha 55 aninhos. Moacyr, que ao cantar não se sabe se está cantando ou rezando.

Como vídeos são raros, ao ponto de a gente ficar impedido de fazer propaganda do artista, vai um do ano passado, que ainda não tiraram da rede. 

Com Gabriel da Muda, aqui acho que no show de lançamento de CD de Gabriel Cavalcante (da Muda), em 11 de agosto de 2010, no Rival, se bem me lembro, Perdi essa, mesmo estando em Santa Cruz de dia e de noite em Itaguaí. Um dia Mr. Febraban me paga.

Saúde, Moacyr. Saúde, Gabriel. Consultem o figueiredo e bebam bastante, amanhã não se sabe.

Viva!


Agora preciso ir

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Ufa, enfim cheguei ao destino. Abro o computador e acolho de Leilinha a curta narrativa, dela, pessoal, de ontem no bar, e a fita, bem como as charges escolhidas pelos boêmios do Botequim do Terguino.

Melhor não dizer nada. Salvo que Luciano Peregrino resolveu dar a volta por cima, isso de se matar não é bom, menos ainda por ingratidão de alguém. 

Ele disse isso cantando, numa boa, e o pessoal respirou feliz, aliviado, já na primeira frase, e pelo seu sorriso. Começou assim:

"Chorei, não procurei esconder, todos viram... fingiram, pena de mim não precisava..."

Quando chegou no ali onde eu chorei qualquer um chorava,  dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava, o Botequim inteiro o abraçava, aquele monte de homens e mulheres no meio do bar.

É o "velho" peregrinante de volta. E foi tanta felicidade que ele esqueceu das Notícias do Notibuc, o notibuc ficou num canto, perdido, o Portuga depois o guardou debaixo do caixa.

Nicolau Gaiola era o mais satisfeito, ele que odeia notícias dos criminosos da nação, os coisos.

Leilinha Ferro voltou da facul e o viu, outra cena de amor.

O Contralouco e o Gustavo seguem na sina de fazer espera para pastores, mas estes são gatos escaldados. Sem ofensa aos gatos, o gatil ali é outro, desalojante, ou aiatogélicos, na sacada do seu Nani. Não passa um no Beco do Oitavo, uma tristeza para ambos. O Gustavo, o ex-boxedor da turma, só quer dar um soquinho num. Agora que nunca mais passam na rua, o Contralouco pensa em duelo, carrega dois punhais: "Vou dar um pro bandidão, se defenda". Sonha com um imaginário pastor que persiga minorias, só louco.

- E depois eu é que sou tantã - diz João da Noite entrando no bar.

O bar se iluminou.

João sorrindo, mas todos conhecem aquele sorriso:

- Já cansei de dizer, Contra, Mosca... homem não briga de mão, punhal até passa, mas pra quê? Feito vagabundos brigando na rua, se agredindo, se cortando?

Jucão e Silvana Maresia pularam em João, em abraços. Logo todos. O Contralouco o abraçou apertado, e ainda com a mão apertada na do João, disse:

- Pera aí, Prefeito João, eu não falei em brigar, eu falei em atolar o punhal na goela, se o cara se viesse.

João, encaminhando-se para o seu lugar da mesa do Centro, com todos caminhando juntos, respondeu:

- Homem, vocês sabem bem, se tiver que brigar, longe de nós uma desgraça assim, mas se tiver mesmo, briga de tiro, a ferro, a matar ou morrer, isso de briga de mão não serve, periga perder para um anão bom de jiu-jitsu ou para um merda de UFC que nunca leu um livro, mas tiro só em último caso, se levantarem a voz ou jogarem pedra na casa da gente, então parem com isso, parecem meninos.

O prefeito disse isso com carinho, difícil explicar, com amor e autoridade, o pessoal o conhece e o ouve. Ele com aquele punhal branco nas costas da cintura, que vai de lado até embaixo do joelho.

Luciano ri sozinho, em seguida pede ao Portuga uma dyablita para o Prefeito de Porto Alegre, Juán de la Noche. Futuro prefeito, o Partido dos Boêmios ainda está em Constituição. 

O Contralouco sorve um copo de cerveja, pernas cruzadas, pés noutra cadeira, feliz. 

Jussara do Moscão olha para o Mosca com ar de eu te disse, chega de socos. Esquece esses pilantras evangélicos ladrões, nem todos são ruins.

Gustavo Moscão toma um golão da sua caipirinha, olha para o seu amor com ar de sim, ai Jussara, e pensa que ela tem razão, de cada cem tem um que pode prestar, se tanto, pobre Ju, não sabe, não quero deixá-la triste, e decide comprar uma arma, já que de mão não vale, falou certo, o João, tem cada moleque avião aí, se me pegam mal, mas só se largarem na frente e eu estiver bêbedo demais nesta vida... Uma arma, tá certo o João. Será que um silenciador está muito caro?

João afagado por Jezebel do Cpers, não quer vir no colo, Joãozinho?, vem, amado... Ele ri. Ela também.

Ninguém ousa perguntar pela mulher de pra lá do Espinilho.

João chegou sem camisa, sinal de que o seu coração está lá, no fundo da mata onde a deusa mora. Choveu muito aqui, sem raios, mas João teme raios por lá, pois aí ela sai, é irmã dos raios, atração, com seu punhal branco, doce rainha da selva correndo nua por entre as árvores até matar alguém, em substituição aos que a machucaram numa terrível noite de raios e chuva. João pensa em voltar amanhã.

Logo entoam a música que Luciano usou para dar o seu recado:

"Chorei, não procurei esconder, todos viram..."

E assim seguiram.

O final da carta eletrônica da Leilinha:

"Tio salito, tanta charge linda e inteligente, e os doidos escolheram de novo só aquelas falando do diabo dos direitos humanos, um moleque sujo, tio, compreendo, mas não suporto mais. Hoje foi bom aqui, a volta do tio Luciano, a surpresa do seu João da Noite que tanto amamos (o pai ligou para o Carlinhos, Chupim, Wilson, todo mundo, D. Zilá, seu Açafrão, Tigran, Clóvis, todos estão vindo), se tu puder não misture o animal com um dia tão bom. Choveu tanto, tanto, em Porto Alegre, tanto, que lavou tudo, o trânsito está horrível, parou a cidade, mas valeu a pena, agora preciso ir. Aos poucos tudo ficará bem, o tio Luciano realmente melhorou, agora é ele".



jueves, 4 de abril de 2013

A extrema-direita do século 21 no Brasil

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No aeroporto, aguardando o embarque, quase caí de costas. Aí está o PSDB e seus companheiros de hoje, nesta salada de acordos entre inimigos viscerais que tomou o Brasil. Mário Covas e outros que lutaram pela redemocratização devem estremecer no túmulo. 

No Brasil não tivemos julgamentos dos crimes da ditadura. Na Argentina os há, e a matéria da jornalista Marta Platía, de ontem no Página/12, dá uma boa idéia de como foram as coisas, AQUI.

O texto que segue, autoexplicativo, é do Ricardo Kotscho.

Causou alguma estranheza, e logo foi esquecida, a nomeação do advogado Ricardo Salles, em março, como novo secretário particular do governador Geraldo Alckmin.

Fundador de um movimento que tem o sugestivo nome de "Endireita Brasil", Salles é um dos expoentes dos "neocons" brasileiros, que vêm-se multiplicando e já criaram várias entidades _ entre elas, o Instituto Millenium, reduto dos grandes orgãos de imprensa contrariados com a presença do PT há 12 anos no poder central.

A presença de Ricardo Salles no governo estadual só seria descoberta esta semana quando acompanhou Alckmin justamente na cerimônia de entrega de parte dos arquivos do DOPS, em São Paulo, o que pareceu uma provocação, já que estavam presentes integrantes da Comissão da Verdade e vítimas da repressão.

Salles, que já foi candidato a deputado pelo PFL e pelo DEM, duas vezes derrotado, é radicalmente contrário a esta comissão, criada pelo governo de Dilma Rousseff para apurar os crimes da ditadura militar. E já chegou a afirmar num evento no Clube Militar, no ano passado: "Não vamos ver generais e coronéis, acima de 80 anos, presos por causa dos crimes de 64. Se é que esse crimes ocorreram...".

Tucanos que combateram o regime militar ficaram constrangidos com a presença do secretário particular no evento, para quem "felizmente, já tivemos uma ditadura de direita no Brasil".

"Discordo quando se tenta negar a existência de violações aos direitos humanos", declarou o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, segundo reportagem de Julia Duailibi e Bruno Lupion, publicada nesta quinta-feira no "Estadão".

Para Alberto Goldman, ex-comunista nos tempos da clandestinidade e ex-governador de São Paulo, "no mínimo, ele (Ricardo Salles) desconhece a história brasileira".

O primeiro a protestar contra a presença de Salles, que é responsável pela agenda do governador paulista, foi o escritor Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado Rubens Paiva, assassinado sob tortura pelo governo militar em 1971.

Marcelo exigiu uma retratação pública de Geraldo Alckmin pelas declarações feitas por Ricardo Salles, que é o responsável por sua agenda, mas o governo paulista já informou que não vai comentar as declarações do funcionário.

"Sou testemunha viva. Eu e minhas irmãs. Vimos nossa casa no Rio de Janeiro ser invadida por policiais militares com metralhadoras em 20 de janeiro de 1971. Vimos meu pai, minha mãe e irmã Eliana serem levados. Meu pai entrou no quartel do Exército e não saiu vivo de lá", escreveu Marcelo Paiva em seu blog no "Estadão".

O advogado Belisário dos Santos Júnior, que foi da Comissão de Justiça e Paz, nos tempos de D. Paulo Arns, e secretário da Justiça, no governo Mário Covas, vê nas manifestações de Ricardo Salles o objetivo de negar os crimes da ditadura, enquanto o da Comissão da Verdade é justamente apurar estes fatos.

"Respeito a opinião dele, mas sei aonde isso leva e tenho medo de aonde isso leva. As pessoas que negavam a tortura passam a admití-la e a justificá-la. Mas a tortura é injustificável".

Já em plena campanha para mais uma reeleição ao governo do Estado, Alckmin começa a enfrentar problemas dentro do seu próprio partido por conta de uma nomeação bastante polemica, digamos, que até hoje não justificou, mas pode dar uma pista do seu real pensamento político.




Cochichando

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Uma verdadeira seleção brasileira de música instrumental.

Constelação. 

Miremos o ambiente: aos pés da escadaria, noite entrando, chopinho à frente... E eles lá, "Cochichando" Pixinguinha (choro que tem letra de João de Barro e Alberto Ribeiro). 

Entre os astros, Zé da Velha (José Alberto Rodrigues Matos, 4/4/1942, Aracaju, SE), que hoje cumpre mais um aninho de vida. Esse moço que se vê abaixo, na "capa" do vídeo, com trombone de vara.



martes, 2 de abril de 2013

Paulo Pimenta reage

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1º Discurso do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) ontem, 1 de abril, às 14h21, na Câmara dos Deputados (notas taquigráficas sem revisão do orador)

O SR. PRESIDENTE (Onofre Santo Agostini) – Deputado Paulo Pimenta. Eu concedo a palavra a V.Exa., e depois ao Deputado Roberto de Lucena. V.Exa. dispõe do tempo regimental.Deputado Roberto de Lucena. V.Exa. dispõe do tempo regimental.

O SR. PAULO PIMENTA (PT-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, na realidade, Sr. Presidente, eu pretendia utilizar esse meu tempo de hoje para fazer um registro histórico sempre necessário nessa data, uma data que não pode jamais ser esquecida pelo povo brasileiro e que marca uma ruptura institucional, que na realidade os historiadores dizem que foi o 1º de abril, mas costumou-se conhecer como Golpe de 31 de Março de 1964.

No entanto, Sr. Presidente, eu quero fazer esse registro, mas registrando um fato que, do meu ponto de vista, tem muita relevância no processo democrático no País, e com a afirmação desses valores da liberdade de expressão, da independência jornalística e assim por diante. Na última sexta-feira, um dos mais importantes blogueiros progressistas do País, o jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo, anunciou que fechará o seu blog.

E por que isso, Sr. Presidente? Porque o Azenha, assim como outros blogueiros, como o Rodrigo Vianna, também ex-servidor da Rede Globo, o Marco Aurélio Melo, também ex-servidor da Rede Globo, os criadores do site Falha de S.Paulo, o Paulo Henrique Amorim, o Nassif e tantos outros blogueiros, foi condenado pela Justiça por ter feito matérias que, segundo a Justiça, constituíam uma verdadeira campanha contra a Rede Globo. Um blog organizando uma orquestrada campanha difamatória contra a Rede Globo foi condenado a pagar 30 mil reais.

Ora, Sr. Presidente, o que nós estamos a assistir no País hoje é a um processo muito semelhante ao que foi feito na época da ditadura militar, na época contra jornais como O Pasquim e o jornal Movimento. Qualquer órgão de comunicação alternativo que tinha coragem de questionar o status quo ou chamar a sociedade brasileira para refletir de maneira crítica sobre os anos de chumbo era calado pela baioneta ou era sufocado, asfixiado pela dificuldade de buscar qualquer tipo de apoio publicitário. Nem estou falando do Governo, mas eram perseguidos também os setores da iniciativa privada que, de alguma forma, dispusessem-se a apoiar essas iniciativas do jornalismo alternativo.

E hoje estamos a assistir, Sr. Presidente, infelizmente, a algo semelhante, a um processo crescente de judicialização coordenado pelos grandes meios de comunicação, com empenho e apoio do Judiciário conservador, diante de uma nova tecnologia que é a Internet, que possibilita uma multiplicação de protagonistas que podem fazer com que suas opiniões e ideias circulem na sociedade sem a dependência editorial dos grandes e tradicionais meios de comunicação e que vêm sendo perseguidos e condenados pelas suas ações.

E eu estou aqui, Sr. Presidente, para denunciar esse fato, para trazer a público esse episódio lamentável que atenta contra a democracia, contra a liberdade de expressão num País como o nosso, onde esses grandes barões da mídia são os mesmos que em 1964 estiveram ao lado dos militares para combater o regime democrático da época. E eles estão novamente mostrando sua determinação e sua força contra qualquer possibilidade de movimentação de qualquer setor da sociedade que atente contra os seus interesses.

E o que é pior, Sr. Presidente, o que observamos — quero levar para dentro da bancada do Partido dos Trabalhadores este debate e, num segundo momento, para esta Casa — ao que tudo indica, já estamos há mais de 10 anos com Governos populares neste País, com o Presidente Lula e agora com a Presidenta Dilma, mas em praticamente nada se alterou a concentração das verbas publicitárias do Governo Federal para os grandes meios de comunicação, em detrimento de uma política de afirmação de uma mídia regional e de formas alternativas de informação, ou seja, nós e o nosso Governo asfixiamos a possibilidade de acesso a informações a respeito da realidade do nosso País que não sejam aquelas influenciadas pelos grupos e famílias que dominam há tantos séculos a mídia neste País.

Então fica aqui o meu protesto pela ação judicial e pela asfixia econômica que tem levado a esse desserviço à democracia do nosso País.




2º discurso do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) nesta segunda-feira, 1 de abril (notas taquigráficas sem revisão do orador).

O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Concedo a palavra ao ilustre Deputado Paulo Pimenta, PT do Rio Grande do Sul, para fazer uma comunicação parlamentar.

O SR. PAULO PIMENTA (PT-RS. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, retorno a esta tribuna para aprofundar, aqui, meu posicionamento, no que diz respeito ao tema da liberdade de expressão e àquilo que classifico como um processo de asfixia, que hoje está sendo desenvolvido no Brasil, direcionado para os chamados blogueiros progressistas e espaços alternativos de informação.

Sr. Presidente, veja o fato recente, que é revelador disso que eu estou dizendo. Na última sexta-feira, um dos mais importantes blogueiros progressistas do País, Luiz Carlos Azenha, informou que estava fechando o seu blog Viomundo por conta da condenação da Justiça a pagar uma indenização de 30 mil reais por uma suposta campanha difamatória do blog Viomundo contra a Rede Globo e mais diretamente contra o seu Diretor Ali Kamel, que se revelou inconformado com aquilo que foi classificado como uma ação difamatória contra a Rede Globo, promovida pelo blog Viomundo.

Sr. Presidente, curiosamente, esse mesmo Ali Kamel processou Rodrigo Vianna, também jornalista, ex-servidor da Rede Globo, por uma piada. Processou Marco Aurélio Mello, também ex-jornalista da Rede Globo, devido a uma obra de ficção.

Isso faz com que esse processo crescente, da qual faz parte a ação da Folha de S.Paulo contra os criadores do blog Falha de S. Paulo, das ações judiciais contra Luís Nassif, contra Paulo Henrique Amorim e outros blogueiros progressistas, revele uma face dessa disputa, da judicialização como forma de calar, asfixiar a possibilidade de protagonismo desses espaços democráticos na sociedade. A outra, infelizmente, é a asfixia econômica. Observamos que a lógica da concentração das verbas publicitárias do Governo, nas mãos dos grandes veículos de comunicação, muito pouco se alterou ao longo desses 10 anos de governos populares no nosso País.

Pelo contrário, Sr. Presidente. Há sinais de que em alguns casos, inclusive, essa concentração tenha se acentuado.

Por isso que estou tomando a iniciativa de propor à bancada do Partido dos Trabalhadores que possamos realizar um seminário da nossa bancada para, num segundo momento, trazer esse debate para dentro da Casa, onde nós possamos, em primeiro lugar, trazer aqui representante da SECOM para que possa nos apresentar um balanço da distribuição de verbas orçamentárias da administração direta e indireta das empresas públicas, ao longo dos últimos 10 anos, e dos critérios utilizados.

E, num segundo momento, possamos ouvir os blogueiros progressistas, possamos ouvir as rádios comunitárias. Veja só, Sr. Presidente, que as rádios comunitárias, ferramentas tão importantes de democratização do acesso de informação, e em alguns casos temos processos tramitando há quase 10 anos no Ministério das Comunicações.

Queremos ouvir também a representação das mídias regionais: dos jornais, das rádios do interior que se ressentem, especialmente nesse período mais recente, de um recrudescimento da concentração das verbas publicitárias nas mãos dos grandes veículos de comunicação.

Então, nós temos, por um lado, uma perseguição que se utiliza de um conservadorismo crescente de um Poder Judiciário a serviço dos interesses dos grandes veículos de comunicação e, de outro lado, uma ação governamental que constrange a existência desses veículos e desses espaços com uma política onde não se altera essa relação conservadora, histórica e tradicional de financiamento público dos grandes veículos conservadores de comunicação deste País.

Ora, Sr. Presidente, um país que quer superar, do ponto de vista estrutural, alguns dos grandes gargalos que impedem os avanços democráticos, não pode abdicar de fazer esse debate e essa discussão.

Não é possível, Sr. Presidente, hoje, 1º de abril, a data que marca o Golpe de 64, que aqueles grandes setores da mídia nacional que estiveram ao lado dos militares no Golpe, que usufruíram das benesses de serem amigos da ditadura, durante todo o período ditatorial, sejam os mesmos que até hoje dominem e controlem e tenham o apoio direto dos recursos públicos para a sustentação das suas empresas, em detrimento de uma iniciativa mais ousada, que possa enfrentar essa concentração e possa democratizar de fato a possibilidade de acesso da população aos meios de comunicação alternativos.

Veja, Sr. Presidente, que a internet é uma ferramenta que hoje permite uma inovação que até há algumas décadas era impossível de ser pensada: a possibilidade de termos protagonistas fazendo com que as suas opiniões e ideias possam ser divulgadas, debatidas, independentemente da necessidade de haver uma concessão, de haver o controle de um grande canal de rádio e de televisão. Mas hoje é clara a ação no sentido de asfixiar a possibilidade de que esses espaços alternativos façam o debate e que possam apresentar, muitas vezes, uma versão diferenciada e alternativa dessa realidade que, tradicionalmente, os veículos de comunicação buscam vender ao povo brasileiro como verdade.

Eu quero dizer que estou muito incomodado, Sr. Presidente, com esse episódio. Eu me solidarizo ao Azenha. Espero que ele não feche o seu blog, hoje já havia uma notícia que anunciava que o blog permanecerá no ar, somente ele irá se retirar, porque não podemos abdicar de fazer essa disputa. Existe uma verdadeira rede hoje no Brasil de rádios comunitárias, de blogs, de sites progressistas, que têm sido fundamental para fazer com que a sociedade tenha a possibilidade de acesso a uma outra visão, a um outro olhar, a uma outra leitura a respeito, não só da política nacional, mas também da política no âmbito dos estados e dos municípios.

Ações como essa, do Poder Judiciário, ou ações como essa, em que através da dificuldade de acesso ao financiamento — e não estou falando aqui só do apoio público, mas também de empresas que muitas vezes acabam sendo constrangidas pelo fato de estarem apoiando um ou outro meio alternativo de informação — causam um desserviço à democracia e impedem a pluralidade necessária na divulgação da informação e da liberdade de expressão do nosso País.

Eu tenho convicção de que nós fomos eleitos — o Presidente Lula em duas oportunidades, e a Presidente Dilma em uma oportunidade — para ter a ousadia e a coragem de tratar desses temas estratégicos, estruturais para a consolidação de uma democracia verdadeira neste País.

E nós não vamos avançar nessa direção se abdicarmos de fazer com coragem e determinação esse debate e essa discussão.

É por isso que eu vou levar para a bancada do PT a proposta de realização desse seminário, para que nós possamos, a partir do nosso partido, abrir esses dados e essas informações e assumir de maneira corajosa uma discussão a respeito desse tema que, do meu ponto de vista, é fundamental e urgente para a consolidação da democracia do nosso País.

Receba a minha solidariedade o Azenha e, na pessoa dele, todos os blogueiros progressistas e aqueles que têm sites progressistas que têm sido vítimas da perseguição e desse tipo de ação que eu condeno e denuncio da tribuna desta Casa.

Muito obrigado pela atenção, Sr. Presidente, e pela tolerância de V.Exa.

O SR. PRESIDENTE (Luiz Couto) – Obrigado, Deputado Paulo Pimenta.

A censura da Globo



Um movimento nascido nas redes sociais neste momento (20 h do dia 2/abr/2013) está reunido na sede do Centro de Estudos de Mídias Alternativas Barão de Itararé, em São Paulo, para discutir a judicialização da censura, a partir do caso Rede Globo x blog VIOMUNDO. 

Miro Borges sugere:



1- Acionar os movimentos sociais, as forças democráticas e os parlamentares comprometidos com a liberdade de expressão para que se solidarizem de imediato com o jornalista Luiz Carlos Azenha e rechacem mais esta onda ditatorial, de judicialização da censura, da TV Globo. Vários deputados e senadores foram contatados por ocasião do processo contra Rodrigo Vianna. Agora é a hora de protestar;

2- Campanha de coleta de fundos, via internet, para ajudar os blogueiros processados. Não vamos deixar que os seus blogs sejam asfixiados financeiramente pelos monopólios midiáticos e os poderosos de plantão;

3- Realização de protestos em vários estados por ocasião do aniversário da TV Globo, em 26 de abril. Vamos denunciar a postura autoritária do império global. Vamos exigir a verdadeira liberdade de expressão!

4- Acionar o relator especial da ONU para a liberdade de expressão, Frank de La Rue, e outras instâncias internacionais para denunciar a onda de judicialização da censura no Brasil;

5- Reforçar a pressão sobre o governo Dilma, que continua alimentando cobras – com milhões de anúncios publicitários aos velhos impérios da comunicação – e sufocando a mídia alternativa. Esta postura covarde, “técnica”, castra a diversidade e a pluralidade informativas e coloca em risco a própria democracia.




Amanhã saberemos o que os camaradas proporão.



Em 13 de abril de 2013: os camaradas baixaram as calças, era só papo. Afinal os blogs que se dizem progressistas, só rindo, levam grana do governo.



Milonga abaixo de mau tempo

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Lucas da Azenha nos envia uma cantiga. Não há gaúcho que não se arrepie. Créditos no vídeo, mas não aguento e digo aqui os que reconheço, eu que me sumi do sul do mundo por tanto tempo: o espetacular compositor, cantor e instrumentista Mauro Moraes, único, e o loco de amor, o vídeo diz mais que palavras, José Cláudio Machado, que foi na frente. Este blog já se rendeu a ambos, em singelas homenagens. José Cláudio partiu recentemente, foi na frente de novo.

Que me desculpem os hermanos que acham que sou de ferro, mas encharquei o rosto e o peito de lágrimas queimando de quentes, sem dar um pio, tenho lá os meus motivos.

O modo de aparar sereno de Mauro Moraes e de José Cláudio, como amo o meu chapéu, diz de onde vieram, de plagas diferentes, e ao mesmo tempo é a prova cabal de que somos todos gaúchos, abraçados hasta morir.

São doidos, esses gaúchos.



Feliciânus aiatogélico, n'A Charge do Dias

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Detestamos isso, mas falaremos hoje de um... Nada a ver com a coitada que o pariu. Aliás, falaremos de muitos, os boêmios nos meteram numa de bico. Aí vai.

No Botequim do Terguino segue a boêmia cruzada contra a intolerância. Temerário é o proceder do Contralouco e do Gustavo Moscão, pelo risco de caírem na mesma armadilha, a intolerância, que só saem da mesa da calçada para ir ao banheiro, revezando-se, na esperança de que algum pastor passe pelo Beco do Oitavo. Não há cristo que os dissuada da espera, ou tocaia. Aristarco de Serraria procurou tranquilizar os demais companheiros, dizendo que relaxem, os caras já sabem que por aqui não dá para transitar, menos mal, o diabo será quando esses malucos decidirem sair à caça pela cidade toda, embora o Contralouco já tenha afirmado que isso nunca farão, querem apenas o seu quarteirão limpo, os outros que cuidem dos seus.

Na hora da escolha das charges, mesmo com tanto assunto bom pipocando no Brasil e no mundo, não querem nem saber, são unânimes em malhar o judas democraticamente.

Miss Leilinha hoje escolheu primeiro, fugindo de um diabo e caindo em outro, só que este de araque, nada perigoso. Com o Amorim.



Em seguida os boêmios se vieram, mesmo sabendo que o inexpressivo bola da vez está se tornando chato. No fundo miram no Congresso Nacional (chamam de Conúbio Nacional), como explicou Tigran Gdanski, com um olho no futuro, se deixar transformam o Brasil num velório.

Nani. Esta, após emoldurada, se juntará às demais obras-primas na parede do Botequim.



Lane.



Simanca.



Pelicano.



Como os boêmios carregaram nas tintas (quatro obras, em vez de duas), miss Leila também dobrou a sua participação, agora unindo-se ao espírito da maioria. Com o César.



 A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que no ano passado se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

Francisco Tenório Cerqueira Júnior

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A matéria abaixo, do jornalista Darío Pignotti, teve chamada de capa do jornal argentino Página/12 no sábado, 30/mar/2013.

Importante sob todos os aspectos, mas também como notícia sobre o Itamaraty.


El represor que habló sobre el pianista 



El secuestro y desaparición de Francisco Tenorio Cerqueira Júnior, el pianista que acompañaba a Vinicius de Moraes durante su gira porteña en los últimos días del verano del ’76 refuerza la tesis de que el Cóndor hablaba en portugués y posiblemente más de lo sospechado. Es lo que afirmó a Página/12 la abogada Rosa Maria Cardoso da Acunha, designada en la Comisión de la Verdad por la presidenta Dilma Rousseff, quien ha investigado el capítulo verdeamarillo del terrorismo sudamericano e interrogó largamente al argentino Claudio Vallejos, ex agente de la ESMA que el jueves aterrizó, deportado, en Argentina, custodiado por efectivos de Interpol.

La ley de amnistía vigente, promulgada por el dictador Joao Baptista Figueiredo para garantizar la impunidad de los militares, no permite que Brasil procese a sus propios “cóndores” ni a Vallejos por la desaparición del pianista, pero nada impide que lo haga la Justicia argentina, que ahora podrá indagarlo y, tal vez, reconstruir un caso plagado de indicios sobre la complicidad entre la Armada y antiguos miembros del Palacio Itamaraty, sede del Ministerio de Relaciones Exteriores, en Brasilia.

“Vallejos declaró durante horas y horas ante la Comisión de la Verdad. Lo escuchamos en Brasilia y viajamos a Florianópolis, donde estaba preso. Queríamos hacerlo porque es un personaje que estuvo envuelto, esto es lo que él dice, en el secuestro del pianista Francisco Tenorio Cerqueira Júnior, el 18 de marzo de 1976. El secuestro es uno de los once casos de brasileños víctimas del Cóndor en Argentina que nosotros estamos investigando con mucho interés en la comisión. Y habló bastante de la conexión represiva entre Brasil y Argentina durante los años del Plan Cóndor”, cuenta Cardoso da Acunha.

El Gordo Vallejos escapó a Brasil presumiblemente a comienzo de los años ’80, cuando maduraban las leyes de obediencia debida y punto final. Hizo una larga confesión de su pasado marinero a la revista brasileña Senhor, publicada en dos ediciones, en la que formuló varias afirmaciones que repitió a fines de 2012 ante la comisión creada por la presidenta Dilma Rousseff.

Embaucador y buscavidas, Vallejos dio varios golpes en el sur brasileño hasta que, a principios de 2012, cayó preso bajo cargos de estafador.

Cuando la embajada argentina tomó conocimiento del caso, a través de la noticia publicada por este diario, envió un diplomático hasta la cárcel de Xanxeré para constatar que se trataba del represor Vallejos y después de confirmar la identidad del detenido, presentó ante el gobierno brasileño el pedido de extradición ejecutado anteayer.

–¿Vallejos participó en el asesinato del pianista?

–El nos dijo que no torturó al prisionero y dijo claramente que ni siquiera asistió a su ejecución, que fue con un tiro después de ser sometido a varias sesiones de tortura –contestó Cardoso da Acunha, quien fue la defensora de la presidenta Rousseff cuando estuvo presa durante la dictadura.

Vallejos hizo un relato bastante detallado, aunque a veces volvía atrás y se desdecía, de la noche del 18 de marzo, cuando Tenorio, después de un recital con Vinicius, sale del hotel para ir a comprar algo a una farmacia, la policía lo ve con aspecto extraño –medio de “subversivo”, dijo Vallejos, por su barba y aspecto desaliñado– y lo apresa.

Vallejos contó que ese día él estaba participando en un operativo de la ESMA por el centro de Buenos Aires, cuando recibió la orden de recoger a un sospechoso preso en una comisaría. El se presenta como alguien de los servicios y la policía le entrega a Tenorio, que es trasladado por él a la ESMA, donde llega con vida y sin ser golpeado, según dice Vallejos.

–¿Massera fue informado?

–Vallejos dijo que Massera fue informado de todo lo que iba pasando con el pianista Tenorio, paso a paso hasta su muerte, que habría sido el 25 de marzo de 1976.

–¿La embajada brasileña lo supo?

–Según lo que nos dijo Vallejos, fue informada más de una vez y, sigo basándome en lo que dijo el argentino, personas de la embajada estuvieron en la ESMA.

–¿Cuando el pianista estaba con vida?

–Dijo Vallejos que sí, y que inclusive llegaron a entregarlos a los torturadores una minuta con preguntas sobre el movimiento de músicos contestatarios que había en Rio en esa época, donde estaba Chico Buarque y más gente contraria a la dictadura.

–¿Cree que hubo participación de diplomáticos?

–No lo sé con seguridad, para nosotros será de mucha utilidad lo que averigüe la Justicia argentina. Y si la Justicia nos lo pide, podemos enviar una copia de lo que habló Vallejos con nosotros.

–¿La Comisión de la Verdad está informada del CIEX (Centro de Informaciones en el Exterior de la Cancillería)?

–Hemos tenido conocimiento del CIEX.

La respuesta de Rosa Maria Cardoso da Acunha es telegráfica, tal vez para evitar hacer comentarios precipitados sobre el Centro de Informaciones en el Exterior, una red de espionaje internacional al servicio de la dictadura, surgido a fines de los años ’60 y al que se podría caracterizar como el brazo diplomático del Cóndor brasileño.

Si bien los dichos del Gordo Vallejos hay que tomarlos como de quien vienen, pueden contener alguna información verdadera, y esto es lo que parece haber entendido la Comisión de la Verdad brasileña al indagarlo dos veces. Parte de su testimonio relativo a la complicidad u omisión de la Embajada de Brasil encaja con informaciones obtenidas por periodistas serios y especializados en el Cóndor, como Stella Calloni.

Ella escribió hace trece años en el diario La Jornada de México que documentos encontrados en los archivos de la policía política brasileña, el DOPS (Dirección de Orden Política y Social), refieren a un mensaje dirigido por la ESMA a la embajada brasileña informándola sobre el fallecimiento del pianista Tenorio secuestrado y torturado desde el 18 de marzo.

La Comisión de la Verdad recibió recientemente un pedido para que se esclarezcan las causas de la muerte del ex presidente Joao Goulart, el 6 de diciembre de 1976, en Argentina. La ministra de Derechos Humanos, Maria do Rosario Nunes, admitió por primera vez que el ex mandatario derrocado por el golpe de 1964 pudo haber sido asesinado.

Hace dos años, su hijo, Joao Vicente Goulart, en una entrevista de este corresponsal, hizo una declaración que recobra interés ahora. “Nosotros, la familia Goulart, estamos seguros de que nuestro padre fue víctima de una conspiración del Cóndor urdida por Brasil, Argentina, Uruguay y Estados Unidos”, dijo Joao Vicente Goulart. Y remató: “En los meses previos a la muerte de mi padre había un número inaudito de agregados militares en la embajada, y la mayoría se desplazaba utilizando armas. Alguien tendrá que explicar alguna vez esa historia y averiguar a qué se dedicaban tantos agremil (agregados militares) en esos años del Cóndor”.


lunes, 1 de abril de 2013

VIOMUNDO condenado. E a sentença, cadê?

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Um dos melhores sites do Brasil, da esquerda dos ricos, nem ricos, jornalecos que se dizem independentes, isso quer dizer paus-mandados do José Dirceu e sua catrefa, o VIOMUNDO, está na iminência de ser silenciado, segundo seu dono. Sobre esse "um dos melhores", entre lá e constate, clique em cima. Agora mais calmos, recuperados do impacto inicial, diremos poucas palavras.

Eu estou no limite. Por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.


Assim se expressou o jornalista Luiz Carlos Azenha ao saber da decisão da juíza Juliana Benevides. Veja a postagem anterior neste blog. 

Não entendemos (eu e companheiros) nada. Não vimos os autos nem a sentença, e as notícias não deixam claro se foi pelo triunvirato da ditadura (calúnia-injúria-difamação), nem o papel do acusador (no caso do triunvirato seria querelante), um funcionário da Rede Globo, Ali Kamel, que o processou. Conta direito, cára-pálida, transcreva a sentença. Tem alguma razão para omitir? Sigo supondo que apenas esqueceu.

Azenha, na postagem anterior, fala somente em honorários, a ação ainda estaria tramitando?

Cadê os advogados do "bem"? O Eike Batista contratou a todos? Nenhunzinho restou no céu?

Nunca ouvi falar desse cidadão, o Sr. Kamel, a lembrança mais próxima que tenho é de uma marca de cigarros. Suponho que seja famoso, e em minha defesa me apresso a confessar que a culpa é minha, por não conhecer pessoas desse meio, é que jamais ligo aquela caixa de idiotices, peço desculpas pelo descaso, quiçá imprudência, nunca se sabe, pois pelo jeito o artista, se o é, é peça importante na engrenagem daquela máquina de mentiras, destroçadora de cérebros, belo complemento às ótimas escolas que dão aos miseráveis. Não estamos dizendo que esse artista seja conivente, pois, como dissemos, nada sabemos sobre essa joça, então não vale um processo, ó Ali, nem com 40 advogados.

Luiz Carlos Azenha foi condenado a pagar 30 dinheiros, um valor interessante, pensamos neste fim de semana. Mil.

A Globo venceu ao Azenha? Transcreva a sentença, meu chapa, quero ler.

A notícia diz somente que a condenação ocorreu porque Azenha teria "prejudicado" a imagem do cidadão. Como? Que imagem? Ignorantes, ainda não sabemos.

Quaisquer que sejam os argumentos, qualquer que seja o lado que o Viomundo defenda, certamente em oposição à plim-plim, aqui entendemos que as coisas não se resolvem assim. 

VIOMUNDO, o Azenha, vai recorrer, mas a simples condenação em primeiro grau, se houve, é apavorante em nossa incipiente democracia, pior ainda em se tratando de honorários. O advogado ajuizou para receber atrasados? Se foi isso, que droga de advogado era esse? Queremos saber o que houve de tão grave.

Mas foi na grana, é o que se tem de certo. Antigamente o triunvirato dava prisão. Prisão não silencia, o que pode silenciar o cidadão é a falta de comida em casa, pelo esquecimento, sei bem o que é isso. Silenciar... ou enlouquecer ao ver-se sem saída, aí, bem, aí o feitiço vira, por isso é aconselhável a moderação, que não se destrua o outro, quando é no mano a mano, homem por homem, ninguém gosta de ver um chefe de família destruído nem louco, em democracias, onde o ir e vir é pleno. Já império contra um... Loucos andam os sírios, como andaram recentemente outros povos, e sabemos como vai terminar, apesar da relutância e do prejuízo em vidas eles teimam, querem ser donos de tudo para sempre.

O que diz Luiz Carlos no seu desabafo? Feriram-me na grana.

Como? Segundo um jornal, a juíza antes citada condenou, mas insisto, não entendi, o que uma juíza, uma pessoa que passou num concurso sob juramento, com a grave tarefa de julgar semelhantes desiguais, tem a ver com advogados e seus honorários?

É conhecida a história do jornal . Talvez a mais infame intimidação da história do jornalismo do Sul, quiçá do Brasil, onde os tribunais, em ação movida pela mãe de um ex-governador (Germano Rigotto), que subscrevia as ações judiciais em nome da família, arrasaram com a vida de pessoas, no dinheiro, o jornalista Elmar Bones da Costa (o faz tudo do Já) passou horrores, talvez ainda passe. Algo me diz que o sacrifício do Elmar, e de seus companheiros, engrandeceu a causa, no jornalismo (em tese, porque de nada adianta, ainda estamos naquela de que manda quem pode e obedece quem precisa), mas sobretudo nas demais ciências humanas, nas usinas de sociologia, antropologia, psicologia, direito, em todas as correntes do pensamento, que hoje se debruçam sobre o tema. Uma beleza. Mas quem gostaria de estar no pelo do Elmar, na hora em que escasseava comida em casa, ou na hora de pagar condomínio, anuidade, eptu, luz, telefone, tanta coisa. Ou quando aqueles  outros "amigos" lhes deram as costas, a gente se fala...? Quando se viu sem dinheiro nem disposição para uma cervejinha com os amigos, os poucos que restaram, que não davam mão de cinco dedos? Onde estavam todos, na hora ruim em que, alma tão rica e nobre, se sentia um mulambo, escorraçado, no fundo, por aquela que defendia, a sociedade?

Há outros momentos, piores, citei alguns que passei, supondo que o Elmar também os tenha passado, não o conheço pessoalmente (desculpe, Sr. Elmar, se me equivoco).

É do jogo. Lembra Cristo? Por que o mataram? Deixa andar, aguentamos, hoje as coisas são diferentes. Se não são, hão de ficar, não é isso que nos move?

Aguardemos a sentença e os autos. Logo que for possível, aqui os transcreveremos. 

Iremos atualizando esta nota, esperando que o Viomundo, antes de sumir, se for sumir, publique sentença e autos.