martes, 11 de junio de 2013

O aborígene da ditadura, n'A Charge do Dias

.
Estamos em Bujumbura, no amado Burundi. Esperando um avião para Santa Maria. Pelos nossos cálculos no Natal estaremos lá, espera mãe, eu vou.

Recebemos as charges e os diálogos principais dos boêmios, mas andamos bebendo, então nada de papo. Juanito Diaz Matabanquero e Carlito Dulcemano Yanés estão muito putos.

Vão as obras, amanhã a gente arruma. Um nojo, mas vão e não tem nada e nem que tenha.

Aroeira, com o coceira ardente.




Zop matou, em cima. Coitado, suspira Frida. Coitado nada, madame, coitados são os que foram atirados ao mar, reclamar para quem.



Tem mais cinco, mas chamaram para o embarque.


Perfídia (17) - Ikira Barú

.
Hoje a responsabilidade de embalar o clássico de Alberto Dominguez recai no corpo, alma e voz da jovem cantante colombiana Ikira Barú, linda, fascinante a solas e com arranjo de piano de arrasar.

Y tu... 

Vai para a minha namorada que não tenho, de véspera.



lunes, 10 de junio de 2013

O Dreyfus digital

.
Por Sérgio Augusto, na Folha.

Em julho de 2007, um helicóptero Apache trucidou uma dúzia de civis e dois jornalistas da Reuters em Bagdá. Ao ver em vídeo a razia e a chocante euforia dos agressores, o soldado Bradley Manning, analista do serviço de inteligência do Exército americano lotado na capital do Iraque, decidiu pôr a boca no trombone. Ou melhor, soprar o apito, pois é isso que um whistleblower faz. Aqui, soprador de apito designa o mau árbitro de futebol; nos países de língua inglesa, o denunciante de injustiças e malfeitorias.

Com acesso livre a documentos diplomáticos e militares, Manning copiou digitalmente milhares de telegramas que deixavam muito mal a política externa americana e tentou entregá-los, em janeiro de 2010, ao Washington Post, que não o levou a sério, e ao New York Times, que tampouco lhe deu atenção. Em 3 de fevereiro, sem melhor alternativa, repassou o papelório, anonimamente, para o site WikiLeaks e seu whistleblower mor, Julian Assange, que negociou sua divulgação pelos jornais mais importantes da América e Europa.

Deu no que deu. Em 29 de maio daquele ano Manning foi preso por espionagem, hackerismo e traição à pátria.

Enquadrado no Espionage Act de 1917, relíquia da 1ª Guerra Mundial a que o governo Obama não se vexa de recorrer até contra meros dissidentes, Manning passou os dez primeiros meses de confinamento numa solitária, sem direito a banho de sol e exercício físico, às vezes nu - tratamento que o relator especial da ONU para assuntos relacionados a tortura, Juan Méndez, considerou "cruel e desumano".

A punição em si foi "uma ilegalidade", e a própria juíza à frente da corte marcial encarregada do processo, a coronel do Exército Denise Lind, assim a entendeu, tendo já prometido um abatimento de 112 dias na pena a ser cumprida por Manning, caso ele seja condenado. Se o condenarem à prisão perpétua, como pleiteia a Casa Branca, como será feito esse abatimento?

Enquanto mofava atrás das grades, Manning foi acusado de buscar notoriedade, ser instável, suicida, indeciso e... homossexual. Gay ele é, desdouro nenhum, e de uma coragem impressionante. Sabia o que o esperava e levou até o fim seu intento de expor as mazelas da política externa americana, não a Bin Laden ou qualquer outro inimigo dos Estados Unidos, mas ao povo americano. "Eu só queria provocar um debate doméstico sobre o papel dos militares e de nossa diplomacia em geral", declarou Manning aos seus inquisidores. Não traiu a pátria, só os seus superiores hierárquicos, de resto, sustentados pelos impostos pagos pelo principal beneficiário das denúncias.

Espião e traidor para o governo, herói até para alguns militares que não se identificam com as atrocidades cometidas por seus pares no Iraque e Afeganistão, nem com as intrigas, mentiras e casos de corrupção da política externa americana comprovados pelos documentos vazados, Bradley Manning ressuscita na era digital o caso Dreyfus.

Acusado de traição ao Exército francês, num processo fraudulento detonado por uma carta, em 1894, e com forte ingrediente antissemítico, o coronel Alfred Dreyfus acabou condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo. Defendido publicamente pelo escritor Émile Zola, saiu inocentado de um segundo julgamento. Há vários pontos em comum entre os dois casos (a substituição do antissemitismo pela homofobia é um deles), mas, além de não se declarar totalmente inocente, como o militar francês, Manning não contou com um defensor tão poderoso quanto Zola, longe disso.

A grande imprensa, mordida com a subalternidade a que o Wikileaks a relegou e receosa de ser eventualmente atingida pela paranoica política de segurança de Barack Big Brother Obama, pisou em ovos o tempo todo. Os templários da Primeira Emenda do Partido Republicano, com o cinismo que lhes é peculiar, guardaram suas lanças para outras cruzadas. Os habituais bastiões europeus das liberdades civis pouco se mexeram. A Anistia Internacional também ficou em cima do muro. Nem a comunidade gay prestou a solidariedade esperada.

E no entanto, Manning não ficou órfão nessa luta contra, acima de tudo, a ideia de que delatar crimes é muito pior do que cometê-los. Razão pela qual ele está preso e ameaçado de apodrecer atrás das grades, ao contrário de criminosos de alto escalão como Lewis Scooter Libby (artífice dos falsos documentos que levaram à invasão do Iraque, que só pegou 30 meses de cadeia), o ex-diretor da CIA Leon Panetta (que passou informações top secret à produção de A Hora mais Escura e ainda não foi convocado a prestar declarações) ou o ex-chefe da equipe de Obama na Casa Branca Jim Messima (que nem sob suspeita de traficar segredos com lobistas da indústria farmacêutica perdeu a chefia da campanha política do presidente).

Um punhado de gente séria, lúcida, combativa e influente, inclusive no quarto poder, como o colunista Glenn Greenwald, do Guardian, cerrou fileiras com o hacker do bem de Oklahoma. ONGs foram criadas para mobilizar apoio popular e ajudá-lo a pagar as custas da defesa. Membros do Parlamento islandês indicaram Manning ao Nobel da Paz por creditarem o desmascaramento de alguns ditadores do Oriente Médio e até mesmo a Primavera Árabe ao vazamento de correspondência diplomática patrocinado por ele. Pelos mesmos motivos, três laureados com o Nobel da Paz pediram a Obama que lhe assegurasse um julgamento isento, justo. Difícil. O presidente já o considerava culpado antes de ouvir o veredito da corte marcial, previsto só para daqui a três meses.

Mais do que lembrar o caso Dreyfus, o Cablegate bastante se assemelha ao vazamento dos Documentos do Pentágono, em 1971, quando Daniel Ellsberg também foi acusado de trair a pátria, colaborar com o inimigo e ameaçado com a prisão perpétua. No final das contas, os verdadeiros culpados, entre os quais o presidente Nixon, perderam a parada. 

Assim como o processo contra Dreyfus ajudou a desmantelar o movimento monarquista na França, a "traição" de Ellsberg foi fundamental para apressar o fim da guerra no Vietnã. Que o Cablegate também tenha um final feliz. Para Manning, para a reputação de Obama e para o futuro da verdade e da justiça.
.
(A imagem da metralhadora do Apache enquadrando civis não consta na matéria original)

domingo, 9 de junio de 2013

Inferno em Cuba

.
Por Mauro Santayana, no JB


Há, na ilha de Cuba, um campo de concentração que lembra os montados pelos nazistas na Europa de Hitler. Mais de uma centena de prisioneiros sem julgamento — já que não há nas leis nada que dê suporte legal para tal ato — se encontram confinados desde 2002, em instalações precárias e provisórias, submetidos desde então a maus-tratos e tortura, física e psicológica. Quase todos eles se encontram há meses em greve de fome. Depois da morte de nove deles, passaram a alimentá-los à força, prática condenada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.

É bom explicar que não é um presídio do governo de Cuba mas, sim, estadunidense. Trata-se de parte da base naval de Guantánamo, ali instalada pelo governo dos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa contra a Espanha, em 1901. A partir de então, Cuba deixou de ser colônia de Madri para tornar-se dependência política de Washington.

A instalação formal da base e a assinatura de um tratado para a sua manutenção ocorreram em consequência da Emenda Platt, em 1903, pela qual Cuba perdia toda a sua soberania — imposta pela força. Ainda que Roosevelt, em 1934, tenha formalmente abolido a Emenda, o Tratado de cessão da base foi mantido. Pelo documento, a ocupação militar de Guantánamo durará enquanto isso for do interesse de Washington.

Logo depois da Revolução Cubana, quando se iniciaram os desentendimentos com as empresas de petróleo americanas, mas ainda em 1959, Havana denunciou formalmente o Tratado: os Estados Unidos deviam retirar-se da base. No entanto, eles, além de não tomarem conhecimento da decisão de Fidel, intensificaram sua ação diplomática contra Cuba, e a clandestina, a cargo da CIA e contrarrevolucionários cubanos — que levou à frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos.

“Mais de 160 homens, que nunca foram acusados de nenhum crime, e menos ainda condenados por crimes de guerra, permanecem em Guantánamo, sem um fim à vista” — argumenta o coronel Morris Davis, que foi o chefe dos promotores das comissões militares que julgaram (ilegalmente) os prisioneiros de Guantánamo, entre 2005 e 2007, durante o governo de Bush II.

Davis lidera um movimento nos Estados Unidos que recolheu 190 mil assinaturas de seus concidadãos, em uma petição para fechar a base e libertar os prisioneiros, e a encaminhou ao Congresso. Há mais de três anos que 86 prisioneiros de Guantánamo receberam — por falta absoluta de evidências de sua participação em atos de terrorismo — autorização para regressarem a seus países. Têm medo de soltá-los: onde quer que estejam, os prisioneiros de Guantánamo contarão ao mundo sua história e, tendo sido tão vilipendiados, estarão disponíveis contra os EUA.

Sequestrados, enjaulados, torturados, humilhados, estão moralmente autorizados a dar o troco.
.

sábado, 8 de junio de 2013

Por la vuelta, Dolores Sierra

.
O tango é de 1937, letra de Enrique Cadícamo e música de Jose Tinelli. Um dos mais lindos entre tantos, esquecido pelos brasileiros do Sul do mundo, únicos a saber, e, em parte, pelos hermanos de acá.

A orquestra é de Jose Basso e o valente cantor é Floreal Ruiz, gran cantante emocionao.


Vai para Dolores Sierra, a branca que nem parece espanhola mas tem sangue. E para mim. 

O sol há de te doirar, mulher, afinal na origem és daqueles loucos queimados de frio, correndo com o solzinho nas costas para matar os que vinham de lá, eles cegos de sol nos olhos, tu de lança em riste, alemoa escabelada, que vengan!

Algo me diz que o tango já rodou neste blog desorganizado en una noche triste, con otros interpretes. Azar.

A volta não será triste, Dolores Sierra. Será luminosa, em bela manhã de bodas, sol forte de encanto às nove da manhã, nós de roupas brancas, pés descalços, flores de todas as cores e tonalidades espalhadas em nosso caminho de areia, um túnel de amigos de verdade nos jogando as brancas na cabeça, as vermelhas no corpo, ao passarmos (amigos de verdade existem mesmo, Dolores?), sorrisos, onde?, en la playa de Masachapa. Já pensou, Dolores, nós dois...

Luciano.




¡Afuera es noche y llueve tanto!...
Ven a mi lado, me dijiste,
hoy tu palabra es como un manto...
un manto grato de amistad...
Tu copa es ésta, y la llenaste.
Bebamos juntos, viejo amigo,
dijiste mientras levantabas
tu fina copa de champán...

La historia vuelve a repetirse,
mi muñequita dulce y rubia,
el mismo amor... la misma lluvia...
el mismo, el mismo loco afán...
¿Te acuerdas? Hace justo un año
nos separamos sin un llanto...
Ninguna escena, ningún daño...
Simplemente fue un "Adiós"
inteligente de los dos...

Tu copa es ésta, y nuevamente
los dos brindamos "por la vuelta".
Tu boca roja y oferente
bebió en el fino bacarát...
Después, quizá mordiendo un llanto,
quedate siempre, me dijiste...
Afuera es noche y llueve tanto,
... y comenzaste a llorar...

viernes, 7 de junio de 2013

Barry White

.
Por falar nos raros sons populares que não envelhecem, temos You're the first, the last, my everything (Anthony Sepe, Peter Sterling Radcliffe e Barry White), que estourou em 1974 e passados quase 40 anos ainda muito roda nas emissoras de rádio do mundo.

O número de acessos só deste vídeo dá uma idéia, levando-se em conta que o youtube é muito jovem. Barry White morreu em 2003, mas sua voz segue ecoando, e como.


A parte de baixo, a Copa dos desalmados e o Homem de Java, n'A Charge do Dias

.
No botequim, conturbado ambiente de sexta-feira. A companheirada, ops, esta palavra tomou contornos sinistros nos últimos anos, então, hummm... a tigrada na base de cafezinho e água mineral. Guardam-se para a noite, quando haverá grandes comemorações, além do show da cantante uruguaia Nina Moreno. 

Para os que não conhecem o Botequim do Terguino, aproveitamos uma observação do alemão Walter Schiru (sim, é Schmidt ou Schneider, adaptado aos pagos): é similar ao famoso bar "Já Comi", do centro de Pelotas, com a diferença de que este, o Botequim, possui três mesas oficiais de sinuca no salão dos fundos. Se o nobre leitor não conhece o Já Comi, bem, fazer o quê, jeito é dar um pulo em Pelotas numa festa do doce. O nome do belo covil dos lobos pelotenses deve-se, obviamente, ao costume dos gajos que o frequentam: a cada dama que passa na rua, sempre tem um a pronunciar o nome do bar.

Café e água exceto para Bruno Contralouco, que tornou a acertar-se com a gostosa do bairro, a ex-noivinha do gerentalha de banco, e comemora pegando leve num liso de dyabla verde, já falando abertamente naquilo que chama de Copa da Putaria.

- O Brasil indo costa abaixo e os filhos da puta quietinhos, metendo a mão nas tais obras da Copa, um escárnio, com as pessoas morrendo em corredor de hospital. Se eu pego um cara desses...

A professora Jezebel do Cpers, educadamente, como é de seu jaez, ralha com o admirado boêmio:

- Contrinha querido, que tal a gente maneirar no vernáculo: Copa da Ladroagem não soa melhor? E a Copa não visa apenas a roubalheira, não que não roubem a não mais poder, é que os patifes são covardes, têm medo de não dar o circo, temem que a massa ignara passe a exigir o básico, saúde, segurança, cultura...

Todos concordam com a mestra, exceto quanto à parte inicial da sua fala. - Putaria é muito pouco, pois em puteiro não se vê tamanha depravação, na Copa a gatunagem é de bilhão - diz Tigran Gdanski.

- Não é só na saúde e na insegurança pública, é... em tudo, as escolas... - diz a também professora Jussara do Moscão num fio de voz.

- E o governo meta a gastar em propaganda desse escárnio, nisto abraçado com a Grobo e o honesto empresariado e seus publicitários venais, meta a atolar Neymar cueca, Ronaldão patife e outros merdas no rabo do povão, este povão que para assistir a um jogo desses só assaltando um banco - diz raivoso Lorildo de Guajuviras.

- Bilhões para o bolso dos que constroem, bilhões para o bolso dos que aprovaram a suruba, para meia-dúzia de classe média alta pagar caro para assistir nos estádios que logo estarão às moscas... Ora, para ver pela tevê não interessa se a Copa se realize em Marte ou no Iraque - acrescenta Chupim da Tristeza.

Clóvis Baixo entra no bar, desanuviando o ambiente, e Wilson Schu exclama: - Há quanto tempo, nobre amigo, por onde andava?

Clóvis responde, dando mostras de sua perspicácia, como que adivinhando o teor das conversas até ali:

- Sempre estive pelas redondezas, talvez o desencontro se dê porque não entro em igreja e o amigo não pise em bordel.

Foi falar em bordel e a turma lembrou do pastor Galinha Louca, que os empinantes chamam de o Homem de Java, o elo perdido, isto é, de quando o macaco se pôs em pé. Saiu a primeira obra do dia: Aroeira, do Rio de Janeiro. 

Feriu-se longa discussão, quando Carlinhos Adeva disse que o Homem de Java não sabe o que faz, por isso não seria desalmado. Opuseram-se muitas vozes, argumentando o contrário, que este sabe, sim, muito bem o que faz, e o faz para ganhar dinheiro às custas dos verdadeiros Javas das vilas de miséria. Enfim, todos compreenderam o alcance pretendido pelo artista: Galinha Louca Desalmado de Java.



Num upa saltou a obra do Marco Aurélio (RS).



Silvana Maresia, que não perde passeata, defende a obra do Fausto (SP): 

- Ontem fedeu em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Enfim, a moçada está acordando, estão passando por cima dos pelegos da UNE, aquele antro de comprados do governo. Daqui a pouco o povão entenderá e também estará na rua, primeiro pela passagem, depois por segurança, depois... aí quero ver... Em Porto Alegre, como sabemos, a pau e tambores voltaram atrás no preço da passagem, que ainda é muito caro, e se movimentam para subir novamente. Vão ver o que é bom...



O filósofo Aristarco de Serraria, visivelmente contrariado, deu uma escorregada para o mensalão, defendendo a obra do "direitista" Sponholz (PR) artista que é centro de furiosos debates em tempos de guerra, digo, de eleições. Guerra sempre vencida pela esquerda, obviamente:

- Pois não é que a Dilma conseguiu livrar o José Dirceu da cadeia. Levou um século procurando, até encontrar: botou no Supremo um todo lustroso sem mundo, aliás, com muito do mundinho de brinquedo deles, com resposta para tudo, bem ao gosto desses pedantes do Congresso e do próprio governo de pedantes. Por essas e outras é que por vezes me dá vontade de tomar dyabla verde com cicuta.

Luciano Peregrino, até então quieto, se manifesta:

- Que nada, amado filósofo, não nos entreguemos. Uns dizem que o sujeito é grego, outros que é troiano. Seja o que for, no pasarán!



Leilinha Ferro apresentou a sua obra e se mandou sem palavras, tarefas da faculdade. Sinfrônio, do Ceará.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

jueves, 6 de junio de 2013

Ladrões dos infernos, n'A Charge do Dias

.
Para compensar os últimos dias, os empinantes do botequim vieram em dose dupla.

Abriu a remessa das obras a coordenadora da coluna, Miss Leilinha Ferro, com suas escolhas. Com o Zedassilva, de Santa Catarina. Os boêmios aplaudiram em pé a sua escolha, mas o Contralouco foi além, exclamou "Ladrões dos infernos!", seja lá o que isto signifique.



Leilinha também abraçou ao Newton Silva, do Ceará, para fechar o raciocínio do Contralouco.



Os beberantes, após exaustivos debates, votaram nas seguintes obras:

Nani, do RJ. Aqui o bar inteiro fez coro ao "Ladrões dos infernos!" emitido pelo Contralouco. Vá entender, talvez se refira à lei do cão.


Aroeira, também do RJ. Idem.



Com o Mário Alberto foi a Jussara do Moscão quem saiu do sério. "Puta que me pariu, esse idiota já foi desodorante, cueca e não sei mais o quê, agora chegou ao que merece". O Contralouco replicou: "Idiota é quem compra essas merdas, os estádios estão cheios de australopithecus assim". Por alguma razão lembramos das escolhas anteriores.



Por fim, ficaram com o Brum, do Rio Grande do Norte. Dizer o quê? Todos correram a vomitar.


A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

miércoles, 5 de junio de 2013

martes, 4 de junio de 2013

O julgamento de Manning, o Google e Assange

.
Por Mauro Santayana, no JB.
Como o julgamento — iniciado ontem — contra o soldado Bradley Manning,  é por traição à pátria, o ex-presidente Bush é quem deveria estar sentado no banco dos réus. Provavelmente não tenha havido, na história dos Estados Unidos, crime maior contra a segurança nacional do que a  decisão de intensificar a guerra contra o Iraque, como resposta ao atentado que destruiu as Torres Gêmeas. O ataque ao país começou bem antes, em 1990, por Bush pai, e continuou durante Clinton, sem interrupção, até que Bush filho lhe deu as dimensões infernais, com a cumplicidade europeia.
Excluindo-se a possibilidade, por mais fantástica pareça, de que a destruição do World Trade Center tenha sido  operação interna, de acordo com a denúncia de várias autoridades técnicas e de fortes evidências políticas, ficou absolutamente provado que Saddam Hussein nada tinha a ver com o assunto nem com armas de destruição em massa.
Bush, por sua decisão solitária, desde que a ele coube a palavra final, é o responsável direto pela morte de todos os que pereceram em decorrência dessa aventura criminosa — soldados e civis, norte-americanos e estrangeiros. Entre os mortos, grande número de velhos e de crianças, totalmente indefesos.
O que fez Bradley, um quase adolescente assustado com a violência das forças a que servia, foi revelar ao mundo, e aos seus próprios compatriotas, a brutalidade da guerra. Às vítimas de Bush — e de sua quadrilha reunida na Casa Branca — devem somar-se os milhares de suicidas em decorrência do conflito. E a multiplicação dos casos de abuso sexual nas fileiras.
Os exércitos norte-americanos do passado, com todos os seus defeitos, eram recrutados na sociedade inteira, e os combates uniam, na solidariedade do perigo, os cidadãos fardados, fossem ricos ou pobres. E ainda que não com tanta freqüência, brancos e negros costumavam criar laços de amizade sob o perigo. Depois do Vietnã,  só o alto oficialato é de carreira; a linha de fogo é constituída de “voluntários pagos”, ou seja, de mercenários.
O  Pentágono esforça-se para criar um exército de robôs, dos quais os drones são os precursores programados para matar. Trata-se da extensão tecnológica dos operadores frios e protegidos, que apertam botões à distância e encaminham suas bombas e mísseis, sem qualquer emoção.
Sexta-feira passada, o New York Times publicou  artigo de Julian Assange sobre o livro The new digital age, de Eric Schmidt e Jared Cohen.  Schmidt é o diretor-executivo do Google, e Cohen, ex-assessor de Condoleeza Rice e Hillary Clinton, é diretor de sua Divisão de Ideias.
Ambos, segundo Assange, criaram um novo idioma para o poder global dos Estados Unidos no século 21. De forma clara, anunciam que a sua empresa terá uma posição chave na consolidação do imperialismo tecnocrático norte-americano no mundo. “O texto é conciso, o estilo, coloquial — e o conteúdo, banal”, resume Assange.
O que preocupa Assange é outra coisa: a íntima associação entre o Google — nascido da ideia visionária e libertária de jovens do Vale do Silício — e o Departamento de Estado. Como registra o criador do WikiLeaks, os maiores elogios ao livro partiram dos falcões imperialistas, como Henry Kissinger, Tony Blair e Michael Hayden, ex-diretor da CIA.
Assange aponta que o livro dos dirigentes do Google repete os tabus e interesses do Departamento de Estado. Seus autores, conforme o criador do WikiLeaks, desdenham o avanço democrático na América Latina — obtido com o fim das oligarquias e a queda de alguns dirigentes submissos aos Estados Unidos — e se referem a seus líderes como “envelhecidos”.
É curioso que dirigentes da organização que pretende administrar toda a informação sobre o mundo sejam tão cegos diante de uma realidade em mutação.