martes, 9 de julio de 2013

As grandes lambanças

.
Por Mauro Santayana, hoje no JB


O caminho encontrado pelos Estados Unidos para ampliar a sua espionagem no mundo pode ser definido com um vocábulo bem brasileiro: tratou-se e se trata de uma grande lambança. Dominada a República pelo fundamentalismo mercantil (a expressão é de Celso Furtado), o governo de Washington, já a partir de Bush, terceirizou a mais grave obrigação dos estados nacionais — a segurança de suas fronteiras e de seus povos. Depois de contratar mercenários para os combates, passou a contratá-los para definir a estratégia internacional do país.

Espionar os eventuais inimigos é uma prática universal, desde que se desenharam as fronteiras políticas. Os espiões têm que ser recrutados com extremo cuidado a fim de que se garanta a sua lealdade. Ainda assim, os riscos são imensos, porque não há só a espionagem; existe também a contraespionagem. Por isso mesmo, o mais famoso agente-duplo do mundo, o britânico Harold Russel Kim Philby, que chefiava uma das seções mais poderosas do M-16, era também o chefe da espionagem soviética no Reino Unido. Philby deu um sério conselho aos jovens que sonham com o romantismo e as emoções da espionagem: trabalhassem sempre por dinheiro, porque nunca saberiam a que país estariam  servindo realmente.

Contratar empresas privadas para cuidar da segurança nacional pode ter sido a principal lambança de Washington, mas não foi a única. E contratar exatamente a Booz Allen pode ter contribuído para que a lambança fosse ainda maior, já que, seguramente a veracidade e a qualidade das informações recolhidas, e dos serviços prestados, certamente não devem ter sido de muita ajuda à Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.

Por falar nisso: há alguns anos, essa mesma Booz Allen, que levou 25 milhões de dólares do governo Fernando Henrique, para identificar “os gargalos” regionais que impediam o desenvolvimento do país, foi encarregada de planejar a reforma do Serviço de Promoção Comercial do Itamaraty. A empresa apresentou o seu projeto, seguido à risca pelo governo: reduzir ao máximo os funcionários contratados e as atividades do setor, de forma a eliminá-lo, na prática. Seguramente essa conclusão interessava aos Estados Unidos. As embaixadas e os consulados americanos, pelo mundo afora, têm duas tarefas primordiais: espionar e exercer o seu papel de braço avançado do comercio exterior. E de ponta de lança de suas multinacionais.

"Sabemos, agora, que somos um dos países mais vigiados pelos norte-americanos"

A obsessão norte-americana pelo controle do mundo, mediante seus agentes, e da corrupção de servidores dos países periféricos, torna seus serviços de inteligência altamente vulneráveis. É impossível fiar-se na fidelidade 35 mil pessoas, entre servidores de carreira e pessoal contratado, no caso, pela Booz Allen, para colher informações e propor providências ao Poder Executivo.

Sabemos, agora, que somos um dos países mais vigiados pelos norte-americanos. Aos nossos protestos, eles respondem com a mesma cantilena: irão  entender-se com os “parceiros e aliados” mediante os canais diplomáticos usuais.

Diante dos fatos, cabe-nos agir com lucidez e urgência... Se é impossível blindar as comunicações eletrônicas, vulneráveis aos hackers, oficiais ou não, e a satélites espiões, devemos, pelo menos, criar um sistema autônomo para as comunicações oficiais brasileiras. Não podemos continuar usando satélites alugados para o tráfego de nossas comunicações, entre elas, as telefônicas. Devemos fortalecer com rapidez a nossa Telebrás. Devemos adquirir, de fornecedor confiável (melhor seria se fosse de um dos Brics), sistema de satélites próprios, para que sejam operados por oficiais brasileiros.

Temos que desenvolver, com parceiros confiáveis, até mesmo no âmbito dos Brics, sistemas satelitais, de rádio  e cabo,  próprios. Em momentos como estes vê-se a falta que faz uma empresa estatal de telecomunicações própria. Essa companhia existe, e se chama Telebrás. Havia uma companhia que cuidava de nossos próprios satélites, a Embratel, que foi entregue ao mexicano Slim. A Telebrás foi esquartejada e seu mercado entregue aos estrangeiros.

Há outro fato, da mesma ou de maior gravidade: os Estados Unidos mantiveram (ou ainda mantêm?) um sistema de rastreamento das comunicações de satélites em Brasília, ao que se informa sem o conhecimento das autoridades brasileiras.

De passo em passo, de desastre em desastre, a credibilidade dos Estados Unidos despenca. Eles continuam a ser temidos. Mas deixaram de ser confiáveis.

.        

domingo, 7 de julio de 2013

Os inimigos de sua gente

.
Hoje vi um vídeo, que vai lá no fim, através do feicebuc da amiga carioca Síndia (clique para conhecê-la), escritora de desmaiar nossas almas ao expor sua alma e sua visão de amor, mostrando bandidos, ela não, o vídeo. Vai lá embaixo. 

Lembrei de outras coisas.

Tinha um cabaré pertinho de onde eu morava, onde eu morava às vezes, coisas dos desastres de amor, em que os de preto agiam assim. Falemos no presente, voltei a viver aqueles momentos, parece que foi ontem, viajo na memória e estou lá, livro na mão, bebida de dose só com um gelinho para não aguar, ouço a música que colocava para tentar abafar a violência vulgar, podre. Quando eu comprei o apartamento eles não existiam, se não eu não teria comprado. Foram expulsos da rua João Alfredo ou outra e se instalaram ao lado. Os donos dessas pocilgas, que o diga a Kiss, têm muita grana, e armas. Um casarão de esquina.

O cabaré é puteirinho, só não alugam cama, você tem que ir para Metel depois de pegar a dama, ou ser pego por ela. Entram mulheres de 21 a 89, dá de tudo, bonitas e nem tanto, a rua se inunda em perfumes de poções curitibanas de oitava catega, e isso de beleza é segundo concepções que nos empurraram e com as quais não compactuo, mas preciso me fazer entender ao escrever estas mal traçadas. Ah, as mulheres e os homens vão para caçar, mas por tesão e amor, não cobram. Pessoas normais, como eu, você e o paraguaio que vai passando lá do outro lado da rua.

A turma do desmanche (não recomendo, mas se quiser saber clique em desmanche) comparece em peso, pau que é uma estaca, sorrisos de mentira, chave do auto na mão para mostrar que é caro, e ao fim se acertam, ah, esta vida gaviona, precisamos desopilar, elas molhadas, mentem primeiro que venho aqui pela primeira vez, uma amiga me convidou, enquanto pensa hoje pegarei um bom, aquele da semana passada não era de nada, deu uma e se apagou, saudades daquele baiano que me dava tapa e gritava bebe meu leite cadela, como esse nunca mais, ui. 

No fundo, bem no fundo, pessoas como eu, como você, como aquele paraguaio que torna a passar pelo outro lado da rua, agora de mão com uma alemoa, sonham com amor de verdade, estamos aqui neste mato caçando só por causa desta droga de corpo que reclama, estamos expiando os nossos erros de falta de paciência com aquela ou aquele que amávamos, esta droga de tesão que nos queima a pele e sobe para a cabeça, não quero enlouquecer, a vida passa, que vergonha meu Deus. Vergonha nada, guria, vergonha é roubar e não poder carregar.

Nunca entrei nesse antro e em nenhum semelhante. Disso entendo um pouco, um pouco que é muito mais do que eu gostaria, se tivesse tido escolha. Entrei em piores, muito piores. Para resumir, que não sou louco de narrar coisas que é melhor que fiquem mortas, embora gritem para sair do túmulo, essas coisas que não quero falar, bem... o conjunto se resume assim: é como salsicha em lata: se você souber como fabricam, não come. 

Nunca entrei mas não por causa de homens sedentos e mulheres famintas, levados por amor ou, vá lá, sinceridade, por tesão. Não mesmo, são humanos, são bons, estão se procurando honestamente. Sonham com a princesa ou o príncipe, mesmo enquanto nadam em lodo. A esperança. A vida que só tem sentido com as cabeçadas que damos, com o gozo, o riso, azar, hoje vou meter o pé na jaca. São todos amados.

É o ambiente que me apavora.

Os de preto agem assim. Se algum boboca bebe demais, pagando horrores em bebidas que não sabemos a descendência - a partir da quarta dose de uísque nem Jesus discerne se da Escócia ou do Paraguai - e faz alguma besteira, eles batem, e batem para quebrar. Na saída, para fazer de conta de que foi na rua, facilitando aos seus milicos comprados quando atenderem a ocorrência, isto é, prender o boboca. Aí os palavrões gritados acordam o quarteirão. 

Toda noite era assim, agora baixaram um pouco a bola, talvez pelo incidente da Kiss. Tinham PMs comprados, para levar o dono para casa às cinco, como batedores em carro oficial, proteger a grana da qual levavam uma ponta. E a cidade desprotegida, os brigadianos estavam ocupados. Alguns, senhor governador, como em todas as atividades existem os bons e os maus. Alguns somente, os maus. 

Os bons dormiam em sono esplêndido (uma vozinha me diz que aquele bolero falava em berço esplêndido), como o seu general chefe desses covardes armados e a corregedoria que parece se trocada por merda dá lucro. Mude o nome, Senhor Governador desobedecido, para Secretaria da Repressão Pública, vez que Segurança só fazem para a RBS, vá se saber a que preço. Reprimir a pau é só o que os ensinam, desde os tempos daquele animal da gilete em escorregador que hoje teria filha deputada. Mas numa hora destas... ao derramar do copo que está pela beira há décadas, não haverá medida, seremos obrigados a nos juntar à horda, armados posto que velhos demais para tolerar quietos espancamentos ou para sufocar sem mais nem menos, e decididamente isso não convém a nosotros que ansiamos por paz e segurança.


Um dia cheguei de pé esquerdo, vindo do aeroporto pelas três da manhã, malinha na mão. Foi subir e entrar no apartamento e começou a lenga. Pé esquerdo é foda, os caras da Repressão adoram, adquirem suposto motivo para te matar, pé esquerdo é pedir para morrer. Todos os dias eles pegam os pés esquerdos das vilas e espancam e matam. Porém sou precavido, não é bem assim, né, João, e agora quase acordo aqueles caixões, deixa quieto. 

Fui à sacada e gritei: podem parar de bater no homem, seus filhos de uma puta, se não vou descer aí. Olharam para cima, loucos para revidarem o filho da puta, mas o jeitão dos motoristas de táxi que ficam também gritando a noite inteira os desaconselhou. Pararam de bater no infeliz que sangrava na boca e segurava a barriga de tanta dor. Os paleolíticos de preto ficaram quietos, mas com o olhar ferino como se dissessem agora sabemos onde tu mora. Eu iria descer atirando no umbigo para pegar no coração ou na cara, não sem antes telefonar pelo caminho para chamar meus bugres, ora eu, hein. Pé esquerdo é mais do que foda. Eu iria trazer metade do presídio e acabar incendiando aquela baiúca, essas coisas não convém começar, vem a febre e se perde a cabeça.

Hoje, quando estou nesse lugar de às vezes, passo pela frente ao sair em lindos sábados dar uma passada no Botequim, longe dali, para ver como vai a tigrada da boemia, abraçar os queridos, e eles olham para o outro lado. Por dentro imploro que cometam um deslize, que me façam uma desfeita. Não demonstro, páro na frente, me volto e abano lá para a sacada, onde uma mulher que me via andando me abana também.

Odeio leões-de-chácara, de farda ou não. A burrice prepotente dos miseráveis, ganhando uma miséria e chupando o pau do dono, como fazem alguns polícias militares, e este alguns é mera proteção boba para não generalizarmos raras exceções, cães amestrados como esses ridículos grandalhões de porta de cabaré, massacrando seus irmãos. Seus milicos, alguns, senhor governador, são é bons para achacar prostitutas na Farrapos, para espancar pobres travecos depois de fazerem "programa" dentro do auto verde ou bico branco. Para derrubar porta de casebre com doze engatilhada sem ordem judicial. Seus milicos, alguns, senhor governador, são piores que a escória que vocês tentam prender e que no fundo são os injustiçados de ontem. 

O sistema, você sabia sim, e entrou porque quis, a ânsia de passar à história, ai fui governador, como se alguém fosse lembrar daqui a 30 anos, mas o sistema, como dizia, o sistema é horrível, então agora seja homem e diga a que veio. Comece demitindo toda a cúpula, eu falei toda, uns trezentos ou mais, de tenente para cima, o restante vamos analisar, claro que sairão muitos debaixo, ali tem alguns que deus nos livre, nem na Alta Segurança de Charqueadas encontrará igual, e isso servirá para enaltecer os bons, que estão aguentando firmes, honestidade com salário de pedinte. Esquece, eu não tenho de dar nomes, de provar nada, é só abrir os jornais, a que ponto chegamos, hein. A responsabilidade é sua! Não creio que tenhas feito campanha para desarmar homens de bem, quando ministro da justiça daquele falastrão que hoje está mais quieto que moleque cagado, agora que eu, cansado de chorar, de gritar ao vê-lo fazendo filminho com o meu sobre aquela vidinha de merda, agora que os idiotas do mundo começam a pedir de volta os diplomas que dão a qualquer vagabundo que esteja em evidência, dizia que não creio que a sua campanha ao lado dos inúteis de Viva Rio tenha sido prevendo o que hoje acontece. Não, eu o tenho por um homem sério, um homem de bem. Mas acorda alice, livre-se daqueles gringos, se sobrou algum, que quase botaram o Olívio na cadeia.

Se eu tivesse perdido uma criança na boate Kiss, aqueles estariam noutra. Dos malditos leões ao dono do lupanar. Julgados e condenados sumariamente, em atitude antidemocrática os leões viriam com papo de eu estava cumprindo ordens, então tá, isso não serve nem para os merdas do Lula, gente da pior qualidade, como o eram os do FHC. Idem para os assassinos do Hitler. Tenho uma sobrinha em Santa Maria, ainda bem que ela não foi naquele antro naquele dia, poderia ter ido, era festa da estudantada, apesar da música ser lixo puro, coisa de sertanojos ou algo assim, e é nojo mesmo, seu, uivos que imortalizam o mau gosto e as tevês do Brasil, as escolas do Brasil. Tivesse acontecido o dono iria entrar na Justiça para ficar na cadeia, de medo de sair, ao contrário do que fez pelos seus advogados, e me facilitaria a vida, é na cadeia que tenho meus esquifes que de tão longos vão daqui a Manaus. É duro lidar com morte nas costas, acaba com a vida do gaúcho, porém mais duro é lidar com a impunidade diante do nosso sangue queimado e daqui a pouco ver o bundinha de 40 anos passar todo colorido em carrão com menininhas felizes sem cabaço e sem escola desde os 11. Se é que isto serve de justificativa, é duro fazer uma bobagem conscientemente, a frio sangue. Ora justificativa, que se danem.

Quanto ao puteiro ao lado daquela humilde moradia, mesmo já não mais havendo lá crianças acordando sobressaltadas com os gritos e o cruel espancamento, no me olvido de ellos, mas resolvi esquecer os infelizes mal-encarados de preto da porta do inferninho. No dia em que der uma merda, que Deus me livre uma vó adoentada, eu vou pegar é o dono e na casa dele, para ver como é bom confusão em nosso lar. E não "semos", como dizia a turma de mortos, levianos de cometer ameacinhas, sei bem o custo de uma bobagem. É promessa, seu, e de onde venho o sujeito que não cumpre promessa não vale nada, faça isso não, seu moço, mas se fizer me chame que eu ajudo.

Sinceridade: vontade de pegar a todos os canalhas eu sempre tive, de longa data e que piorou com aquele túmulo que é melhor não mexer, uma coisa medonha que me ferve nas veias. Mas pára aí, seu, a gente não é louco, não é bandido, a gente é decente, estudioso, bobo de chorar convulsivamente feito menino que perde a mãe ao ver o Mercado Público em chamas, e sabemos o custo se a moda pega, não, não pensem errado. É que o copo vai derramar por motivos aparentemente particulares.

Motivo geral o povo está demonstrando pelas ruas do Brasil, enfim. E vai piorar, digo, melhorar, agora que descobrimos que somos iguais e não estamos sozinhos.

Na Portugália, ao que tudo indica, num jogo do amado Benfica (amado por vermelho, né, como meu pobre coração...) jogando fora - não me parece o Estádio da Luz em que nunca fui mas sonhei -, aconteceu assim:


sábado, 6 de julio de 2013

Maldade programada

,
Newton Silva, amigo deste blog e dos boêmios do Botequim do Terguino, que muito o admiram, desde Fortaleza (CE) hoje tornou a um tema recorrente para muitos de nosotros aqui do Sul do mundo. Batemos nessa tecla há décadas, antes de nós batiam outros que morreram sem ver sequer o início do processo. Como nós - e este nós quer dizer os aqui de baixo e milhares de brasileiros de todos os recantos do País - ainda não vimos.

Vira e mexe, procurando soluções, e caímos no ponto crucial.  Tudo vira nada, só temos um lugar para onde correr. Para a armadilha que sustenta os barões.

Os bandidos, isto é, a tal "classe dominante" que ninguém ousa nominar, bem representada por aquele prédio de 16 andares da Av. Paulista da dona FIESP mas não apenas lá, os agiotas também tem muito a ver com isso, com suas garras à mostra pela Rede Globo e pelos criminosos que eles colocam no Congresso Nacional a voto comprado, sabem melhor que ninguém como mudar o nosso País a médio, até curto, prazo. Sempre souberam. Pausa: Ocorreu-me agora que aquele prédio bem merece uma visitinha de alguns manifestantes, digamos uns trinta mil, pelos cálculos da PM, mas nada de molotov, gente, ora onde já se viu incêndio de grandes proporções, e cuidado com a sedição, só uns carinhos neles, numa boa, pacíficos de portugália que somos, nem sangue temos, chuparam tudo. Seguindo...

Matam-se para impedir a mudança, que significaria reduzir a  pó a horrível dominação que impingem ao povo, já não poderiam roubar nem nomear nem mandar na Caixa Federal, BNDES e ministérios nem em nada desse gigante monstrengo estatal. Impedem o avanço, ao custo de miséria, humilhação e vidas, e ao atraso do Brasil como nação.

Escolas de excelência, é só do que o Brasil precisa, com comida, etc, para a meninadinha nos primeiros onze ou doze anos de colégio. Depois teremos tempo para seguir discutindo o ensino superior. Notem: para toda a meninadinha, filho de ladrão rico, de pobre que é gari, de alemão ou índio, nego ou japa. Se os bandidos não gostarem, que botem seus filhos onde quiserem, mas não fariam isso, a escola de lá seria pior para a formação dos seus thors, tecnica e humanamente, este humanamente eles não entenderiam, que a proximidade com o filho do Chupim da Tristeza daria ao moleque uma melhor dimensão da vida, mas ficariam pela excelência de normas e conteúdos, enfiariam no próprio rabo as suas escolas particulares, para economizar o dinheiro roubado e não ficarem para trás, que logo ficariam. 

As crianças deles, sim, seriam outras, outra luz, por aprender a conviver com meninos de roupas surradas e olhos tímidos no começo, e essas crianças deles importam muito ao Brasil, como todas as outras, são elas que tocarão o barco. Aprenderiam tantas coisas, os pobrezinhos hoje fadados a arrancar a alma dos seus semelhantes, a botar fogo em indigente, a atropelar bêbedos em bicicletas que estavam a 130 por hora, coisas que não existem no sistema maldoso que os ladrões lhes legam, desde brincadeiras de esconde a jogar bola de pé no chão, meninos "pobres" são ricos em brincadeiras saudáveis, o brinquedo é feito de um pedacinho de madeira, vira caminhão, um buraquinho na terra é túnel, a imaginação voa, nos sentimos dirigindo o caminhão por dentro daquele imenso túnel para salvar a mocinha, a criatividade, avião é uma pena de galinha, rabo de galo ainda não, pinga com vermute faz mal, o pai bebia e ficava brabo, e umas briguinhas e tal para aprender o limite entre o meu direito e o do outro, que levar vantagem com mão de gato é feio, um desastre, ao mentirmos ao outro nos destruímos. Não seriam iguais a essa canalha do pós-ditadura, que ainda estão dentro dela, bichos sem escrúpulos porque o papai assim os fez. Se não num primeiro momento, na segunda rodada a meninada já mudaria. Os outros que perderam esse esquema, como os insensíveis que hoje riem nos altos do Morumbi, um dia a bruxa os pega, e como pega. Não tem Sírio Libanês que os livre, tomara que a bruxa venha saquear, antes do câncer.

Chegamos ao ponto de, na virada de duas ou três gerações, termos até professores semi-analfabetos. De excelência nos referimos ao conteúdo, mas também seria bom, ora bom, é imperativo, investimentos na estrutura física, hoje vemos taperas caindo aos pedaços, prova cabal da maldade dos feitores. Sim, o Bolsa Família, ao ser condicionado à vacinas e boletim, foi um belo passo que os malfeitores permitiram, ao tenebroso preço que sabemos, mas insignificante se considerarmos os mecanismos dos múmios para perpetuar a escravidão, arrancando ovos no limite de não matar a penosa. 

Ah, escolas. Muito melhor que dar dinheiro para empreiteiros ladrões construírem elefantes brancos, viscosas e deslumbrantes arenas para distrair o incauto, incauto nada, idiota egoísta, feito por eles e suas televisões, enquanto lhe batem a carteira no escurinho do Congresso e nas salas de licitações nas coxas, com tanto por cento para o "partido" que ao fim e ao cabo significa contas numeradas de pessoas físicas em paraísos. O paraíso é aqui, seus monstros, malgrado a sua luta para transformá-lo em inferno.

Por que não se candidata a síndico de prostíbulo? Isolou-se numa ilha? Espero que tenha tido bom gosto, pois há uma ilha linda, a meio caminho pelo mar entre a bota de Europa - a Sicília de máfia em que se espelham - e a África.

Também não entendi o parágrafo anterior, alhos com bugalhos, o que faz a bebida, ultimamente ando batendo prego sem estopa, mas ouço a flauta do menino da casa ao lado, agora acertou em Pedacinho do Céu, ai meu Deus, lindo, esse choro me dá uma coisa, e eu falava em educação voltada não apenas ao aperfeiçoamento técnico, ah, não, e sim mais pelas almas dos meninos, honestidade e firmeza de caráter, imperativo categórico sem deixarem de tomar seus chopes em dias de festa com filosofia, dar uma desopilada, ah, esta vida gaviona, acho que ela não gosta de mim. Desde 1995 não escrevo sobre esta "vida gaviona", lindo, tornei a pegar gosto.

Pelo Brasil, pela meninada, não para mim e outros milhões a quem já não poderão pagar o sofrimento vivido. Sobrevivemos, é verdade, e passou. Mas a gente não esquece. 

Comece a citar nomes, senador Cristóvão, o senhor que é uma das poucas vozes a se bater pelo sonho, um sonho que está ali, ao nosso alcance, e eles impedem.  Comece a citar os nomes dos grandes larápios e seus lacaios, se não nós vamos tirá-lo daí. Não ousarão mandar matar um senador, se o fizerem será uma boa morte, pois aí eles vão ver o que é o inferno. Isto serve a outros homens de bem. Boa noite, Sr. Pedro Simon, prazer em revê-lo, como vão indo as coisas?

Hoje os grandes comunicadores de mentiras não tentariam acabar com o Pelé como vergonhosamente tentaram, se esse modesto brasileiro (noves fora o dinheiro, pouco para o melhor do planeta que só fez o bem, ele lá e seus erros que deve ter cometido, tem um oceano de amor que o separa de ronaldões e ronaldinhos) repetisse que brasileiro não sabe votar. Quase o matam por dizer a verdade: a ignorância e a fome - que são quem elege seus mandaletes - não sabem votar, seus hipócritas de sangue gelado.

E não me venham com ti-ti-ti de dificuldades técnicas ou de orçamento, nem tentem, aqui poderão ir alguns numerozinhos das empresas dos senhores. Os nomes dos brasileiros que têm 600 bilhões em paraísos fiscais em breve serão divulgados pelo WikiLeaks, não contavam com essa, né, mas creiam em mim.

Aí, com os 600 bi y otras cositas más rolando na rede, pelos jornais, aqui não mas os jornais do exterior publicarão com estardalhaço, quero ver encontrarem meganhas que os protejam, quero ver em que buraco poderão se esconder. Vocês são uns covardes antipatriotas, nada mais, e fim. Mortos-vivos que por dinheiro, sinal vivo de insegurança e medo de viver, causam tanto infortúnio, tantos caixõezinhos de anjos. Bem feito que o Luciano comeu as suas mulheres, as passáveis, isto é, as que tem três neurônios. Poucas, a maioria são bandidas também, por ignorantes que como vocês nem sabem da cicuta de Sócrates, sem tesão na cabeça e meio das pernas, sai, epa, esta mania de ir mudando de assunto.

Enfim, como diz a boêmia de luzes Verinha Abreu, o bom cabrito berra, sim. 

Berrei.

Em cima, Newton!





.

viernes, 5 de julio de 2013

Que se foda o Eike Batista, n'A Charge do Dias

.
Carlinhos Adeva dá um tirambaço na sua dyabla verde, daqueles "fundo branco" de marejar os olhos, e diz para a turma do botequim:

- Gente... o João da Noite anda louco para dar uma punhalada num banqueiro ou em qualquer um, olhem só o seu pensamento: começamos o pé na bunda nos políticos e no sistema viciado exigindo transporte a preço justo, logo saúde que não nos mate na porta ou no corredor do hospital, boas escolas... enfim, o básico que interessa a todos os brasileiros sem exceção. Nem chegamos a questionar a propriedade de certas capitanias hereditárias e... a merda se instalou. Olhem no que se transformaram os protestos... Maldito povo egoísta. 

Cada um está indo para a rua para defender o seu, o vizinho que se dane. Assim vão estragar tudo, se já não estragaram. Caminhoneiros, médicos, policiais, batedores de carteira... se fosse para reclamar o bem comum tudo bem, mas não, é isenção de imposto de renda para professor, direito de atirar o pau no gato, IPTU zero para prostíbulos, daqui a pouco os caras do formol com leite saem com cartazes. Ou voltamos à pauta dos pontos em comum, interesse de todos!, pombas, ou já era. É só o que eles querem. 

Os boêmios se puseram a refletir. 

Pulamos para um parágrafo lá adiante, já que vimos o que virá. O que faz a bebida, essa turma... Conhecemos João da Noite, não usaria seu punhal de osso para uma baixaria dessas, como acusou Marcos Açafrão, o João não, meteria o osso diferente. Assim que criticamos o boêmio exagerado, respeitosamente.

Os copos, o bar, o mundo começa a girar em torno de si e Aristarco de Serraria se despreende:

Ninguém perguntou quem são "eles". Todo mundo sabe: os nazistas da veja, os porcos da globo, os artistas capados, os egoístas que os seguem, os jumentos o Ronaldão Traveca Hospital o gerdau a máfia dos banqueiros do sangue popular em primeiro lugar os donos dos ônibus em conluio com prefeitos e velhacadores, meu Deus, os falsos inocentes úteis, são muitos os que pensam só em si por temer esta vida gaviona, Luciano se enquadrou porque come as mulheres deles o gaúcho não pára. E Carlito começou a falar nervoso e os nomes foram saindo embolados, todos falando ao mesmo tempo, no bar e na palafita, neste momento aterrou o teco-teco que traz Juanito Diaz Matabanquero, Kafil já está lá para pegá-lo, difícil discernir quem disse e o que disse, vai só o que pegamos na gravação, mas são os gatos brasileiros que têm 600 bilhoes em paraísos fiscais roubados do povo sofrido. 

Sugerimos aos leitores de passagem, antes de começarem a matar essa peste que anda de carro estranja e cuspindo na pobreza dos seus irmãos averiguarem as maiores fortunas do Brasil, por amostragem, e como foram obtidas, creiam que a explicação virá em forma de longos gemidos de dor, gritos de tortura, séculos de desespero, não dói enquanto é no dos outros, mas chegará a tua vez, ó frequentador de estádios com 30 anos de vida frouxos e bandeiras e faixas e tudo ao custo de um salário mínimo os lindos mimos para ambiente de insensíveis dando o cu para preparadores físicos que futebol não mais existe e o povo lá fora e a Globo conformando tudo está bem paz sob os céus do Brasil 

Ai meu Deus

somos felizes pra frente Brasil dá-lhe Neymar Desodorante, já que o salário do Neymar é curto para engrossar a féria e poder comprar uma costelinha no fim de semana ele faz propaganda na tevê até de merda enrolada - na verdade é tudo merda e o público comprador quem seria senão os incultos a massa mais pobre além dos imbecis de São Paulo de Porto Alegre e da puta que pariu, isso é que é assessoria de patriotas ou ricardo teixeira que se fodam ambos e o pai do primeiro já que o do segundo deixa assim, não tenha medo mãe vou arranjar uma cama e remédios no hospital e  Carlito já chegou tocado implora deixem os arrogantes galvão e william para mim quero vê-los valentes de punhal no mano a mano em rua escura não sentados em granas das mortes dos coitados franzinos desdentados e alguém disse que o vacca já tinha dono pegue outro menos o faustão e o datena que já são do Juanito nos donos mesmo ninguém toca aí a conversa será outra com filmagem, que confusão.

Lábios em sangue, os meus molharam e logo secaram, sangue seco.

Aí veio uma surpresa. O Contralouco se fez sério demais, um perigo, e disse que nessas horas eu me lembro do João da Noite, nosso futuro prefeito de Porto Alegre, quando ele dava uma pro santo e dizia: o Brasil não precisa de heróis, o Brasil precisa de homens, que estamos "tão" em falta neste tosco cenário. Precisamos de um homem velho, culto, muito culto, digno, humanista, perceptivo, humilde, nunca um bosta deslumbrado que mande fazer filminho sobre a sua vida de mentira, precisamos de um velho honesto!, e brabo quando tiver que ser. Um simbólico e atuante Pai da Pátria. Onde anda o seu Plínio Sampaio, alguém sabe?

Disse isso e assoviou fininho. O Gatolino entrou voando no bar e pulou no seu ombro, com a patinha direita mexendo nos seus cabelos. E o Contralouco se aquietou, sabendo da inutilidade do que disse, esperanças vãs, ai deus que não existe, seu Plínio, ainda murmurou. E no seu rosto rolaram grossas lágrimas sem um ai.

Silêncio. Jezebel assoou o nariz. 

Quando o silêncio foi se tornando pesado, Gustavo Moscão falou devagar: - Eu fora, já fiz o meu cartaz pro dia 11, só vou reclamar o meu direito de quebrar a cara dos políticos, lá dentro do Congresso. Novo silêncio. Ele volta à carga: - Mas quebrar mesmo, de não sobrar nada. Aí o Contralouco comoveu-se e emendou: - Depois eu enforco. 

Aí a turma se soltou.

Marquito Açafrão, olhando para o Contralouco: - Que ninguém me encoste a mão no dono do Banco Itaú, esse é meu, vou-lhe fazer uma operação sem anestesia, arrancar o cu seria sonhar muito alto, é a sugestão do João da Noite. Jezebel sibilou, emocionada: - Menos, mas será que esse merda tem cu? 

Jucão da Maresia, voz engrolada: - Eu vou castrar o broxa do Renan só pra assistir se esvair sem atendimento médico como milhares que matou por tabela, enquanto se esvai vou dizer que o Luciano era o comedor da vagaba que ele pensa ter comprado, ela tomava o dinheiro do vadio e o Luciano não deixou ela botar o nome do menino de Luciano. 

Terguino Ferro, coisa rara se manifestar, até ele, ouviu e gritou de lá detrás do balcão: - Eu vou dar uma gravata vermelha pro Sarney, esse deixem comigo. - e rindo levantou o facão.

Antes que mais um vingativo dissesse besteira, Clóvis Baixo irrompe no bar, alheio a tudo, sorriso aberto, contagiante:

- Vocês viram o Eike Batista, tá se fudendo! Eu tenho uma boquinha santa....

Referia-se, o boêmio que é o gozador da turma, à peça que pregou nos amigos em junho de 2012 e que contamos no blog em A falência do Eike Batista. Quem não lembraria? Ficaram todos com a boca nas orelhas. 

Bruno Contralouco ergueu o copo de cerveja: - Isto merece um brinde! - e todos o imitaram, foram ao ar vidros de caipirinha, dyabla, cerveja, até de refrigerante, o Gatolino voou tal o ímpeto do valente ao levantar-se, mas o Contra o pegou pelo rabo.

- Que se foda! - gritou o Contralouco com os olhos mais brilhantes que o normal, felicidade pura. - Que se foda! - responderam em uníssono os boêmios, urro a que se somaram as vozes de uma turma de desconhecidos que ia passando na calçada.

Tintim.

Um dos desconhecidos voltou e gritou na janela do bar: - Tomara que o corno-rei se dane futebol clube! Um absurdo total, onde já se viu, mas os boêmios correram à janela para lhe dar um abraço.

Chupim da Tristeza ficou na mesa, já falando de mulher: - Puta que pariu, consta que a negra deu para um bombeiro, não duvido, depois que o Luciano cansou, um dia me disse bêbedo que ela é muito chiclé.

O mundo rodopiou de novo e Aristarco deitou falação. - Lembramos humildemente às otoridades sustentadas pelo povo, que o caminho é a reflexão, pelo menos aos governadores e oficiais que os desobedecem, alguns, vez que de resto a tropa é composta de bandidos, alguns, e muitos analfabetos funcionais carcomidos pela "lei antiga" e por salário de morte, pelo povo que lhes paga a comida e tudo. 

A este blog repugna tais festividades de revolta, os boêmios ficam parecendo os múmios quando mandam matar gente como Jango, como Bezerra de Menezes, como o amado homem e poeta Carlos Marighella, homens que juntando todos os bandidos jamais dariam a unha dos seus mindinhos do pé; mas aos boêmios para igualar-se aos múmios só faltou o champagne em palacetes, igualzinho ao filme Chove em Santiago, porém, como parece que no Brasil resta mais do que claro que não desejamos ditadura alguma, de jeito nenhum, que podemos sonhar com um socialismo que nunca existiu na prática em lugar algum do mundo, pois desgraçados os há em todo lugar, comunista que nunca houve, a palavra vem de comunidade, mais antiga que andar para a frente e sempre violentada pelos que tomaram a força os seus recursos, que já que pelas leis não existe crime de opinião no Brasil, muito menos o de sedição, damos voz à turma, retirando as piores partes tendo em vista que este espaço é lido também por crianças, crianças estas que "eles" não respeitaram ao afogá-las em latrinas cheias de merda para arrancar confissões dos pais que nem sabiam do que estavam sendo acusados.

Agora, seguiu Aristarco, se desejarmos que a grobo daquela latrina, afogando crianças na merda, e todos seus iguais em audiências de horror com seus fantasmas de baixaria que submetem o povo à servidão de ladrões que usurparam do povo as redes mal havidas, se rogarmos a deus em que não creio, ajoelhados, pedir que a grobo e suas iguais se desmanchem no ar, torradas pelo ódio dos maltratados, se isso é sedição, pelos códigos militares, então nos prendam. Não somos como eles, nós cumprimos as leis, mesmo que feitas por aleijados que o povo sem escola escolheu à boca de arma ou nota de dez reais, mais a latrina.


Assim começou a sexta-feira dos habitués do botequim, hesitante entre o papo triste do Carlinhos e a explosão de alegria pelo que disse Clóvis Baixo. Logo só pensarão em alegrias, hoje vão longe, mais tarde haverá música ao vivo no bar.

Leilinha se aproximou e disse, marota: - Bem, pessoal, vamos parar um pouco de fu... fusfugar a vidinha alheia e tratar de enviar as charges de hoje para o blog.

Ficaram com as seguintes obras:

Zop.



Paixão. Nesta escolha os boêmios recordaram de pronto a conversa inicial de Carlinhos. Aristarco de Serraria, recuperado, resumiu: - Olhem no que dá sair dos pontos comuns a todos...



S. Salvador. Esta o Sr. Bruno Contralouco queria guardar para a série "Os Filhos da Puta". A turma o convenceu do contrário, teriam que guardar todas.


A coordenadora Leila Ferro abraçou ao Cazo.



Hoje quem descolou uma a solas junto à Leilinha foi o ex-canoense Lorildo de Guajuviras, pelo seu aniversário. Parabéns, Lorildo! Ele, fechado com a idéia do Carlinhos, ficou com o Enio.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

miércoles, 3 de julio de 2013

Fala, Lula!, ou O silêncio dos culpados, n'A Charge do Dias

.
O título da coluna segue sendo dado pelo boêmio Bruno Contralouco. Hoje mandou dois, sendo que o segundo alterou de covardes para culpados. Tudo bem, enviou a tempo e dá na mesma, nobre empinante.


*


Leilinha Ferro não se aguenta: sai de lá detrás do balcão e mostra seu notibuc aberto, dizendo: - Olhaqui, profa Jezebel, tem site dizendo que o "Lula assume papel decisivo na organização das manifestações em todo o País", e pagam o Google para dar destaque no link "Notícias". Nunca vi gente assim tão sem-vergonha.

- Ora, Leila, isso é pseudo jornal, subsidiado com o nosso, olhe por dentro... - responde Jezebel.

Leilinha vê o resto e conta:

- Diz que os jovens do MST e uns tais de União da Juventude Socialista - UJS, Levante Popular da Juventude e Conselho Nacional da Juventude - Conjuve se reuniram com ele...

- Taí, quem está nas ruas nem sabe direito quem são... tudo carta fora do baralho. Essa UJS é o PCdoB, que liquidou com a UNE, todos instalados em cargos no governo - disse Silvana Maresia.

- Esse Levante Popular parece que é do MST... - disse Mateus do Pinho.

- E essa porra de Conjuve é orgão vinculado à Presidência da República - disse Jussara do Moscão, como sempre desbocada.

- Doce ilusão se pensam em se apoderar do movimento. Todos estes anos quietinhos, pendurados nos cabides, ganhando bem, que vão à puta que os pariu -  falou a Ain Cruz Alta, entrando do clima da Ju.

- Noto que hoje as amadas professoras estão com pouca paciência - disse Tigran Gdanski da mesa ao lado -, que tal acharam as propostas do Luiz Eduardo Soares para a reforma do sistema eleitoral?

- Não vi... Que propostas? - perguntou Jezebel.

- De os deputados ganharem o mesmo que os professores, entre outras...

Os olhos das professoras se iluminaram. Daí que ficaram uma hora discutindo as possibilidades dessa e de outras propostas se materializarem. Chance zero, salvo se a massa fosse em peso, e pedaços de paus, para a rua com essas bandeiras.

Marquito Açafrão entra no bar e toma ciência dos assuntos tratados. Questiona: - Então, o Lulalelé resolveu abrir a boca?

- Que nada, continua caladinho, só mandou esses babacas fazerem a frente, pra sentir a repercussão - disse Carlinhos Adeva.

- Ele que vá tomar bem dentro! - exclamou o Contralouco.

- Reper... cutiu - disse rindo o Clóvis Baixo.

Nicolau Gaiola empurra a porta do botequim e adeus política, os médicos o proibiram de tais assuntos. Leilinha trata de pegar as obras do dia com os boêmios. Escolheram as seguintes:

J. Lima.



Paixão.



Aroeira. Neste momento das escolhas Aristarco de Serraria pediu a palavra: - Gente, estou convicto de que o plebiscito seria o melhor, apesar da confusão, o tema é muito complicado para analfabetos funcionais, mas a toque de caixa assim vai sair apenas um me-engana-que-eu-gosto para os canalhas continuarem fazendo o que bem entendem.



Clóvis Baixo tanto pediu que a coordenadora Leila lhe permitiu escolher uma obra a solas. Mário Alberto.



E a Leilinha, desencantada que anda - a turma segue suspeitando de que rompeu o namoro com o Z do Psol, ficou com o Sinfrônio.



O blog tem boa memória e algo a dizer, com a permissão dos botequeiros: essa história que agora tentam empurrar goela abaixo, de que foi o povo quem quis porque quis a Copa no Brasil é uma descarada mentira. O que aconteceu foi que os analfabetos funcionais quiseram, empurrados pelas redes de comunicações, estas de mão molhada pelos verdadeiros interessados na chuva de dinheiro público sem licitação onde poderiam se banhar.


A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.


martes, 2 de julio de 2013

O dia em que a presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros

.
(Aí vai o outro lado da medicina, para reflexão. Sou leigo, não entro no mérito de com cubanos ou sem cubanos, os especialistas que falem. Mas sei que só quem viveu o drama entende perfeitamente do que a médica fala, o friozinho na espinha ditado pela impotência, os sete palmos se abrindo inexoravelmente, a palidez que nos toma. Em 2007 se fosse depender do SUS eu teria ido para o beleléu com um câncer no estômago e um bicho na válvula do coração. Sem plano de saúde - tragicamente a vigarice que detona o SUS - quietinho aligeirei-me: tomei empréstimos em todas as casas de agiotagem (os bancos) que pude, concediam diretamente, pela internet, sem sequer se precisar ir até a agência. Juntei o montão de grana, mais algum obtido com familiares, e encarei tudo - exames, médicos e bisturi - no particular, ainda que não no Sírio Libanês. Claro que não pude pagar os agiotas, fase ruim em tudo, e logo queimaram meu nome na praça, bloqueando a sua vida é o modo como eles tentam receber... Mas salvei a pele, por enquanto. E sigo torcendo pela Dilma - obviamente que não foi ela quem inventou esta terrível situação dos hospitais, os inventores todos sabemos quem são, os agiotas oficiais são alguns, a nomenklatura tanto congressista como estatal são outros - e por um governo de esquerda honesto e não associado aos múmios.)


Por Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso, em 24/6/2013 no portal do Conselho Federal de Medicina.



Há alguns meses eu fiz um plantão em que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, ‘do trauma’, médica ‘chatinha’, preceptora ‘bruxa’, que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei.

Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse “não é para mim, é para o meu pai, uma maca”. Como eu faria. Como você. Como nós.

Pensei ‘meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu… Nãoooo….. Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui’.

E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.

Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse ‘por que não me falou, levava no privado, Juliana!’ Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.

Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: ‘e você confia?’.

‘Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim.’

Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.

Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.

Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.

Não tenho palavras para descrever o que penso da ‘Presidenta’ Dilma. (Uma figura que se proclama ‘a presidenta’ já não merece minha atenção).

Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.

A ouvi dizendo que escutou ‘o povo democrático brasileiro’. Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. ‘Qualidade’… Ela disse.

E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil….

Para melhorar a qualidade…?

Sra ‘presidenta’, eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.

Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.

O dia em que a Sra ‘presidenta’ abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.

Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.

Somos quase 400 mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não.

Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.

Hoje, eu chorei de novo.

.

Não caiu a ficha dos babacas, n'A Charge do Dias

.
Aristarco de Serraria apareceu no botequim com uma matéria de um jornal paulista:

- Taqui, ó. O sociológo espanhol andou me copiando, disse que não há jeito de se reformar o Congresso Nacional, propõe a sua extinção, dando lugar a uma assembleia constituinte, exatamente como eu disse na semana passada: é mais fácil fazer um novo do que tentar consertar o que não tem conserto.

- Não é mais Congresso, agora é Conúbio -, disse Clóvis Baixo. 

- Congresso, Conúbio, de onde, do Brasil? Aqui a gente resolve, esse filho da puta que vá dar opinião lá no paiseco dele, que levou 3 a 0 na bunda - irritou-se Tigran Gdanski.

- Certo, amigo Aristarco, você pregou a extinção, mas radicalizou, propôs o enforcamento dos nobres parlamentares, o Contralouco se escalou de carrasco, ele ainda anda às voltas com cordas e mais cordas, treinando para estar pronto quando chegar a hora - disse Carlinhos Adeva.

- Tem razão, Carlos, mas convenhamos que não importa a forma, se enforcamento ou fuzilamento, o que importa é que se bote abaixo aquele ninho de ratos -, respondeu Aristarco.

Nisso parece que todos estão conformes. Lorildo comenta a movimentação do Planalto:

- A Dilma hoje enviou mensagem ao Congresso...

- Não é Dilma, é Madame Min; e  não é Congresso, é Conúbio... - diz Clóvis Baixo.

- ... que seja, a Madame Min enviou mensagem ao Conúbio Nacional, propondo os itens a serem decididos em plebiscito. Agora olhem esta aqui: os valentões do PMDB, aquela catrefa do Renan Calheiros, dizem que não aceitam de jeito nenhum discutir a reforma do sistema eleitoral através de plebiscito. Vão calçar pé e fim de papo. Ai que medo...

E desatou a rir, no que o bar o inteiro o acompanhou.

- Ainda não caiu a ficha desses otários. Será que vai ser preciso alguém morrer pra se tocarem que não mandam mais porra nenhuma. Vão fazer o que o povo quiser e fim, se não acaba dando enforcamento mesmo - disse chateado Wilson Schu.

- Tou louco pra quebrar a pau esses filhos da puta - disse Gustavo Moscão.

- A Madame Min tá propondo que no plebiscito se resolva acabar com as coligações partidárias, mas só para vereadores e deputados. Quer dizer, a galinhagem tipo o conúbio entre o Lula e o Maluf vai continuar, até que não mais tenhamos oposição, os 50 partidos inimigos se juntam e roubam tranquilamente, o pote é fundo, dá pra todos -, acrescentou Lorildo -, ali em Canoas parece que só o PSOL e o PSTU não entraram na culigação, com a ressalva de que ali não é como em outros lugares, em Canoas só tem gente honesta...

Lorildo de Guajuviras terminou de falar e Chupim da Tristeza revira os olhos e finge desmaiar, caindo estendido ao lado da mesa. Jezebel se apressa a lhe encostar o copo de dyabla verde no nariz, depois nos lábios, acorda negão, e ele volta a si.

Marquito Açafrão pega um imaginário telefone e fala: "Alô, e aí, língua de trapo, por que é que anda com a matraca fechada, se até há pouco tempo tinha opinião até sobre a cor das ceroulas do Sargento Garcia? O quê, tá viajando? Não... tou falando sobre a base de ladrões que você e os mensaleiros compraram e jogaram no colo da pobre da Madame Min... sim, aqueles bandidos..."

- Não  deu, gente, o Lula desligou reclamando que a ligação tava ruim, nem deu tempo de perguntar se os idiotas das universidades do mundo já começaram a pedir de volta os honoris causa, aliás, isso preciso perguntar também ao FHC.

Nesse momento Nicolau Gaiola entra no bar e a turma silencia. O boêmio agora tem ordens médicas para não ouvir falar de política, o pessoal respeita, não querem perdê-lo por causa de meia dúzia de vagabundos. 

Passam para o futebol. Alguém diz o nome do novo técnico do Grêmio e a gargalhada que explode no botequim é ouvida em Marte. Antro de colorados é assim, pelo jeito vão acabar antecipando os festejos do fim de semana.

Logo passaram à escolha das obras do dia. Ficaram com o Lane. O bar foi abaixo com a obra, anda, mulher, rápido, se não já era.





Com o Nani




E com o Vasqs. Sobre aquele dinheirinho que os boêmios vêm falando, que os patriotas da Plim-Plim teriam sonegado. Autuados pela Receita Federal, só de multa se foi 274 milhões, e no total, com principal e juros, 615. Pagaram na bucha, a riqueza é coisa bela.





Miss Leilinha ficou com o S. Salvador. Eta guria que anda bem descrente. Pudera.




A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

Quando eu me chamar saudade

.
Uma raridade. 

Jorge Goulart (o Boca de Caçapa), sensacional cantor brasileiro que partiu em 2012, e a sua Nora Ney, que havia partido em 2003 e a quem este blog vive de joelhos a exaltar, com o clássico de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Britto.

A apresentação foi simples, em um dia qualquer de 1973. 

O ouvido não lhe engana, não, nobre passante: o homem do acordeon é ele mesmo, Caçulinha, então com 33 anos, um dos maiores de todos os tempos, que em 2008 mandou um tal de Faustão tomar naquele lugar pelo mau gosto e foi demitido da rede "Grobo", mais conhecida como o templo da maldade e da ignorância, a própria ditadura militar que sobreviveu enquanto ainda buscamos muitos desaparecidos.