sábado, 9 de abril de 2011

Venezuela llanera

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Apesar da invasão dos terroristas, sinto que os irmãos venezuelanos não descuidam das crianças.

Se restar uma, é semente para a libertação. Muitas, então...

Alma llanera

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Em 19 de setembro de 1914, no Teatro Municipal de Caracas, o mundo mudou ao ouvir parte da peça que era apresentada. Uma zarzuela.

Com letra de Rafael Coronado Bolívar (Villa de Cura, Venezuela, 06/jun/1884 - Barcelona, Espanha, 31/jan/1924)
e música de Pedro Elías Gutiérrez (Venezuela: La Guaira, 14/mar/1870 - Macuto, 31/mai/1954), as almas se colocaram a descoberto.

Todo este mesmo mundo já gravou (Caetano, perdeu essa, ô zé do retrato?).




Mais que linda, um hino. Vai com o cantor Juan Carlos.
Primo é primo.

Yo nací en esta ribera
del Arauca vibrador,
soy hermano de la espuma,
de las garzas, de las rosas,
soy hermano de la espuma,
de las garzas, de las rosas
y del sol, y del sol.


Me arrulló la viva Diana
de la brisa en el palmar,
y por eso tengo el alma
como el alma primorosa,

y por eso tengo el alma
como el alma primorosa
del cristal, del cristal.


Amo, lloro, canto, sueño,
con claveles de pasión,
con claveles de pasión.
Para ornar las rubias crines
del potro de mi amador,

yo nací en esta ribera
del Arauca vibrador,
soy hermano de la espuma,
de las garzas, de las rosas
y del sol.



Hino popular, de despreendimento, quase como o hino nacional de Venezuela, amor desse povo alegre, sofrido e corajoso.



Llanera: nesta acepção, é planitude, limpa, imensa...

Libertad Lamarque

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Por motivos de saudades (de ti, que estavas longe; de mim, que já fui outro, como diria Martin Fierro), a maior, melhor, única, cantora deste mundo.



Libertad Lamarque de Bouza  (Rosario, 24/11/1908 - Mexico, capital, 12/12/2000) foi e é... a maior cantora do mundo conhecido.

jueves, 7 de abril de 2011

María la O

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O clássico mundial do compositor e pianista cubano Ernesto Lecuona y Casado (Havana, 6/8/1895 - Santa Cruz de Tenerife, Canárias, Espanha, 29/11/1963), na voz da notável soprano puertoriqueña Ana María Martínez



E agora... com a maior cantora do mundo.

domingo, 3 de abril de 2011

No fundo

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Quando eu era criança (e isso foi ontem, creiam), a gente só tinha rádio para ouvir. Claro que já havia televisão, mas na minha cidade no interior do Rio Grande do Sul nunca vi, embora hoje imagine que alguns devessem ter. Os políticos, por exemplo. Nós, os pobres de paris, mal sabíamos da existência dessa que logo seria a mais nova arma, com múltiplas utilidades. Nessa época, já fazia tempo que o Brasil tinha se vendido aos terroristas.

Uma beleza, à noite eu ficava horas ouvindo a El Mundo de Buenos Ayres, a Belgrano, a Tupy do Rio, a Rádio Mulher de São Paulo, a Guaíba de Porto Alegre, a que quisesse, até a BBC de Londres.

Era um rádio do tempo do Ariri de Gancho, de válvula, sei lá se não era herança da minha avó. Pelo rádio eu me transportava, ouvindo em baixo volume para não acordar os velhos e as meninas, até duas, três da manhã.

Por alguma inconfessável razão - tendo como fachada a mesma desculpa que não permite rádios comunitárias nas vilas das grandes cidades, impedindo o povo de se organizar para defender-se dos assaltos dos múmios, sejam estes os bancos, supermercados ou mesmo o estado - agora isso é impossível.

Com toda a inovação tecnológica, que certamente permite que se ouça as emissoras de Vênus, os belos aparelhos só pegam a rádio do município, que normalmente pertence a algum chefete político da região.

Obviamente,  esses chefetes, pessoas conscienciosas e obedientes à Constituição brasileira, não usam tal arma em seu benefício, os pobrezinhos se reelegem porque são amados pelo povo... Qualquer dia destes dou um tiro num.

Mas, remexendo o fundo da memória, me vejo lá sentado, inverno frio, enrolado num cobertor, ouvido colado no rádio, e o castelhano anunciando... Libertad Lamarque. Na Rádio Mulher, que era operada somente por mulheres, a linda voz da brasileira, ao anunciar um chileno de sucesso: "Y ahora, señores, Lucho - de los boleros - Gatica".

Para mim era tudo. Esquecia os problemas da casa, não me importava de ser discriminado pela roupa, até de não ter namorada, afinal que culpa tinha eu se as gurias não me convidavam para namorar? A minha vez ia chegar, e quando chegasse, seria alguém como eu... Agora eu queria mesmo era fazer um gol no Grêmio.

Hoje, mexendo na rede, achei um rádio. Muito mais moderno que o meu, mas serve. Preciso fugir daqui, amanhã penso nisso, em como contar pra mãe.
Trêmulo, ligo na El Mundo.







Recuerdos da 28

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Meu irmão Juanito Diaz Matabanquero, obviamente também torcedor do Peñarol, criador de chivos y ex-propietario de comedor, que de momento anda pelas bandas de Pontaporã, telefona ansiado para me avisar que Mr. F. Febraban soltou os seus cães assassinos com pagamento dobrado, e colocou Carlos Dulcemano Yanés como primeiro – junto com outro cara que é melhor não citar - na sua lista de procurados. Os buldogues andam alucinados pela América do Sul à cata daquele maluco.

Tudo por causa de um “pequeño fuego” que Carlito teria provocado, depois de infiltrar-se e ler o que não devia.

É, o prédio da Av. Paulista não era tão grande assim, mas era de estimação dos mafiosos, ali é que se combinam de roubar o povinho há décadas.

Pero esquece Carlos Yanés, meu irmão. Para pegar nosso mano caçula, Juanito, seria nas primeiras 24 horas, agora não pegam mais, eu respondi. Agora eles que se cuidem de novo. Eles mandam  os mercenários para cá e periga o doido seguir por lá, onde não o procuram, e de brabo acabar incendiando a avenida Paulista inteira. Mas não fará isso, por enquanto, o que fará aqui não posso declinar.

Bueno, mania de desviar de assunto, melhor esquecer os bandidos da avenida paulista, que matam o povo pela falta de instrução y otras cositas más.

Lá pelas tantas, comentando as possíveis rotas que Dulcemano usará para chegar a Porto Alegre quando ninguém mais esperar, Juanito lembrou de uma passagem sua por Uruguaiana, quando era muito novinho e muito atrevido.

Em Uruguaiana, diz Juanito, os colas-finas – do tipo de um graúdo e honestíssimo (ahahah...) empresário mineiro, que virou político para aumentar a renda do clã de conluio com mensaleiros, recentemente falecido – freqüentavam os cabarés da Dona Margô, do Seu Ramon, da Dona Marina, o Coqueiros e até do Dom Ivo.

(Isso me transportou para a Av. João Pessoa, em Porto Alegre, onde morei de favor: para chegar ao meu quartinho lá no pátio, eu tinha que passar pelo meio da casa. Uma nojeira, aqueles velhos balofos sentados nos sofás, ou transitando entre os cômodos inundados de cortinaredo carmim, com os olhos ávidos escolhendo meninotas. Ou os filhos dos velhos balofos, à vontade como donos do campinho, chave do carango na mão. Sofri muito, mano, eta carta bem interrompida esta).

Já os pobres se contentavam com os puteiros da 28 de Outubro (parece que era perto, ou agora se chama, Dr. Maia, próximo à Benjamin, quem souber que me diga, nunca fui à Uruguaiana, só conheço a fama), perto da linha do trem, que eram habitados, além de tristes putas, também por cafetões, bandidos, beberrões, fuzileiros navais, por aí. Mais os ratos, claro, máfia que cobra pedágio é essencial onde os tiroteios e punhaladas são comuns. Sem os ratos, os gaúchos se acertam, numa boa, de um jeito ou de outro, mas eles tem que se mostrar.

A vizinhança vivia em polvorosa, ninguém conseguia dormir com a música alta, brigas, gritos. Tiros.

Fui lá só pra beber, me disse Juanito. Ainda bem, pois só come salsicha e “emici” Donald quem não sabe o que tem dentro.

Só para beber mas fui obrigado a quebrar tudo, por causa de um marinheiro metido a sebo. Foi lá que sem querer meu punhal furou um rato que se atravessou de mau jeito, achei que era um deles, o punhal-adaga entrou num ouvido e saiu no outro. Quase me estragam a vida, conclui. Quase porque me bandeei depois de cortar mais cinco.

Aí, agora, eu que narro este recuerdo, lembrei da antiga música, de uma Califórnia da Canção, um clássico do Rio Grande  do  Sul, uma prova cabal de que a memória do povo resiste através dos seus artistas.


Sossegue, Juan, Carlito está em segurança.

Pra ti, "Recuerdos da 28", de Francisco Alves e Knelmo Amado Alves, seu pai. Parece que esta indiada é de Itaqui.

No disco com o grande cantor Juarez Brasil e o grupo Os Gaudérios.

Oigalê! Que vengan! Con amistad!

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Vê se gosta

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sábado, 2 de abril de 2011

É o meu querido amor

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Bueno... chego no hotel em Campo Grande ainda com as palavras de Carlito Dulcemano ressoando na cabeça. O que é isso, hermano?, estamos na mesma canoa. Volte mesmo, chegaremos juntos.

Além de Carlito, inculcadas em mim as figuras de Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues.

Então vamos fazer o seguinte: apaguemos a interpretação da Zélia ontem, digamos que os ventos do sul lhe fizeram mal naquele dia. Sempre gripada essa guria.

A linha melódica de "Quem há de dizer" é inconfundível, como todos sabemos. Hoje vamos procurar acertar.

Primeiro com o cantor Eduardo Canto, saindo mais mpb, ritmo estilizado:


Agora com o intérprete Sinval Fonseca, com o instrumental original:


Não sei quem disse melhor. Ambos lindos. Sei do meu gosto. Sei de mim.
Eu pegaria a voz do primeiro com o Regional do segundo.

Mas sei que mesmo assim nunca sairia igual como cantavam aqueles velhos, Lupicínio junto.
Infelizmente não recordo de ter visto Alcides, eu tinha apenas 20 anos, recém chegado do mato, ainda sem ter onde morar, e nunca fui de ficar perguntando que é este e quem é aquele, nem de puxar papo ou pedir autógrafo, nem de olhar as roupas das pessoas, ora. Mesmo na miséria, ia de roupa limpa, é de lei, para as mulheres - nada de "gatinhas" - mirava sério uma vez só e virava o rosto rapidamente. Abobado? É, mas não queiram saber... O próprio temperamento e a necessidade ensinam, como sabem os meus irmãos de covil.
Cantavam no Adelaide's Bar, na Rua Marechal Floriano, ao lado um hotelzinho onde todas as camas tinham meu nome, depois, escritos a canivete. E de mais um milhão de pessoas, só eu mesmo para encontrar a minha.

Ah, eu lá no bar noturno, apertado numa mesinha de uma só cadeira de tão pequena, que o garçom usava como apoio.

Aqueles negros tamanhos de armário de 6 portas, ébanos da boemia, meu Deus, os violões naquele bar diminuto para tantos doidos, o pandeiro, o cavaquinho, a flauta assoviando para desvanecer a alma, no céu... aquele enorme alemão vermelho de voz forte, lágrimas rolando ao cantar... 
Todos me tratavam tão bem, tão bem... sem aproximação, sem peninha por ver-me enrolando com um chope a noite inteira, e sim porque eu amava música e eles viam isso, para eles estava na cara, conheciam pelo caminhar. Na primeira vez Pato me levou e pagou a conta, depois tive que me virar pra pagar aquele chope. Depois eu era de casa. Confiança no menino. Uma festa.

Dali foi um pulo para morar no Chão de Estrelas, na Zé do Patrô, lembro de todos lá, um por um, uma por uma, e vou dizer aqui ainda, a cada dia que acordar enluarado. Ali aprendi a fazer hora esperando o trabalho de alguém terminar para irmos para "casa" juntos, porém o expediente era em local menos nobre, até às 4.
Até às 4, olhava para a Terezinha.

Não, nunca será igual. Salvo se Salito resolver virar produtor, eheheh.

Alô, dona Lourdes Rodrigues, será que você ainda encara um palco, minha grande cantora, minha velha que tanto aplaudi naquelas noites, minha amiga depois,  minha inesquecível Dama? Não sei o que mais me tocou, se vê-la cantar "Dona Divergência" ou "Zaíra".

Sabra Diós. Hoje acho que o que mais me tocou foi ter aprendido... não muito, "até ali" pelo temperamento, não sou o melhor nisso, a conviver com a inveja nos olhos das almas pesadas, a suportar quieto a pecha de louco. Não vale a pena se incomodar.
Tintim.




Peñarol de mi corazón!

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Pablito Gata López liga das terras de Espanha, a propósito do Peñarol de Montevideo, time do coração de Salito e Carlito Dulcemano.
Gata viu a menção feita por Carlito Dulcemano Yanés ontem, em texto publicado aqui no blog. E referiu a um vídeo que viu recentemente.

Então, para quem não sabe o que é estar lá no meio da massa e do foguetório, vai uma minúscula idéia...