miércoles, 23 de mayo de 2012

Noite de calma

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Na palafita imitamos os boêmios da tarde. Um uísque, boa música. Problemas ficam para amanhã.


A Charge do Dias - Uns folgam e outros não

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Os boêmios do Beco do Oitavo decidiram tirar uma folga de assuntos horríveis, estavam mesmo precisando, aquilo de assistir o circo da CPMI, ontem, foi muito desgastante. 

Mr. Hyde propôs: "Pessoal, que tal a gente hoje esquecer de bandidos comuns que se acham espertos? Essas coisas estão contaminando a gente, vulgar demais". 

Gustavo Moscão exultou: "Uai, e também esquecer advogados de mafiosos, oba, que trem!".

E assim foi, simplesmente apagaram de suas mentes o mundo ruim lá fora, ao som de Liebestraum. Bebericando, comentando futebol e jogando xadrez, os boêmios dizem ter passado uma tarde inesquecível.
Escolheram a obra do Amorim.




No Botequim do Terguino a infelicidade continuou, estão com muita sede de justiça, de vingança, daqui a pouco quererão sangue. Tornaram a falar de dois palhaços habituados a levar vantagem em tudo, sobre os simples e temerosos. Em certo momento rezaram para que a bruxa os pegue sem demora.
A obra escolhida foi a do Bira.



Leilinha Ferro fechou com o S. Salvador, do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG).



João da Noite, o enfiado, intrometeu-se com a sua escolha. Separou a obra do Nani.


martes, 22 de mayo de 2012

Armandinho

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Hoje a festa é com Armandinho (Armando Macedo, Salvador, BA, 22/5/1953).

Aqui com o choro Noites Cariocas (Jacob do Bandolim), de 1957, em espetáculo na Suíça em 1996.

Tintim!

CPMI do Cachoeira ao vivo, na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo os boêmios estão em contagem regressiva, ansiosos para acompanhar ao vivo o depoimento do bandoleiro Carlinhos Cachoeira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, às 14 horas.

Rolou até buquiméqui, três opções: (a) ele responde tudo o que for perguntado, (b) responde com evasivas e não sei, e (c) exerce o seu direito constitucional de se manter calado.

Com um quorum de 15 boêmios, a letra (c) teve 14 apostas. Apenas o Gustavo Moscão marcou a letra (b). 

Mr. Hyde comentou: "O advogado da máfia mandou o patife fechar a matraca, podem crer. Não é exatamente pelo destino do bandido, e sim pela carrada de políticos e empresários envolvidos".

Lúcio Peregrino: "O diabo é ter que assistir aos políticos de merda fazendo pose para a platéia, mais sujos que pau de galinheiro, se fazendo de sérios, até o Collor tá lá".

Esse o tom das conversas. No fundo, uma tênue esperança de que o marginal abra o bico. Isso me lembrou o meu amigo de infância Gilberto Martins, o Pato. 

Em julho de 1992, na mesa 1 do Bar Pampulha, ao lado da janela, eu lhe disse: "Patinho, aposto uma caixa de cervejas que o Collor cai até dezembro". O Pato me olhou, bebeu mais um gole da sua cuba libre e tornou a olhar a rua, anoitecia em Porto Alegre, hora do rush, o movimento se intensificava.  Insisti: "Ei, meu, não ouviu, está levando medo?". Então com um leve sorriso nos lábios, ar distante, respondeu: "Olha, compadre, deixa para lá a aposta, façamos o seguinte: se o Collor cair até dezembro, eu te pago cinco caixas de cerveja!". Caiu em dezembro, mas o Pato já havia partido. Partiu meu coração. 

Tomei as cinco caixas, mas não consegui no mesmo dia. Y desde aquel día sinto ganas de matar alguns filhos da puta, que proliferam pior que lésbicas, porque falta homem. 

Carlinhos Adeva disse ter lido que o gabinete do presidente da CPMI é mal-assombrado. Lotado de fantasmas, mãe deste, parente daquele, bisavô daquele outro. Fantasmas que não batem ponto, claro. Isso terminou de broxar os amigos.

Enfim, aguardemos. Não vai dar em nada.

Escolheram a obra do Renato, de A Cidade (Ribeirão Preto, SP).

Em tempo, às 15 h: deu letra (c). Veja AQUI.


No Botequim do Terguino os ânimos dos empinantes esquentaram demais. Os diálogos são impublicáveis, infelizmente. A escolha da charge do dia dá um indício, bem leve.

Ficaram com a obra do Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, MG).


A senhorita Leila Ferro, em seu nome, em nome dos boêmios, das mulheres dos boêmios de ambos os butecos, dos habitantes de todo o Beco do Oitavo, da Cidade Baixa, da cidade toda, do estado... torna a lembrar certos governadores. Eles não perdem por esperar, deixa estar...

Ficou com o Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS).






Cabo Anselmo: ao traidor, a lei

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Na nota abaixo (excerto), oportunamente o jornalista Guálter George, na edição de hoje do jornal O Povo (Fortaleza, CE), dá conta do aparente dilema em que se encontra a Comissão de Anistia, que nesta data se debruça sobre o pedido de indenização feito pelo Cabo Anselmo. Estaria a Comissão entre a cruz e a espada? 

Cabo Anselmo, o traidor da resistência à ditadura, foi muito mais que um Judas como o da estória bíblica, pois este, alucinado com o seu ato, teria se enforcado tão logo consumada a traição que levou seu mestre à tortura e à morte. Cabo Anselmo entregou aos animais sanguinários todos que pôde, sem remorso, continuamente, até sua mulher, grávida de 7 meses, Soledad Barret Viedma (fotos). 

Judas, na educativa passagem bíblica, por um só momento de fraqueza, cobrou de si mesmo com a própria vida, e foi pouco.

Contudo, não há outro caminho, a União tem o dever de indenizá-lo pelos danos sofridos, se os sofreu, nas mãos dos açougueiros da ditadura, por maior que seja a repugnância que esse homem nos cause.

A repulsa infinita, inominável, é e sempre será pelos macabros torturadores – e seus idealizadores - que o levaram ao limite mais sórdido da condição humana. Milicos e Passarinhos e Delfins, na execução.

Na execução, centenas de civis, os grandes empresários, todos estão ai, podres de ricos, donos de tudo, mentindo ao povo. Esses os criminosos maiores. Esses a quem desejo a morte, ao ouvir trovoadas acordo com febre.

Na omissão outras centenas de covardes, que davam dinheiro para a matança de pessoas de bem, bem diferentes deles.

O covarde torturado somente passou do limite. A que ponto foi a tortura? Tem que entregar. Mas teve oportunidade de se matar ao sair sozinho depois, para entregar.

Esse bicho nojento foi falar no Roda Viva. Não sei o que me deu mais nojo: se esse pobre homem, ou o José Dirceu querendo aparecer na posse da Dilma, "companheira de armas", mas que armas, palhaço mentiroso?


Como disse Urariano Mota, que como nós nunca o viu pessoalmente: "Conheço o Cabo Anselmo por seus cadáveres, que ele arrasta como uma cauda. Fui, sou amigo de quem ele perseguiu, traiu e matou”.

Que a terra o cubra antes que possa gastar o maldito dinheiro.


A recompensa do guerrilheiro que virou delator


Guálter George

Um caso emblemático vai hoje à análise da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, aquela que decide quem deve ser indenizado e com qual valor por eventos relacionados à época do Regime Militar. Pela primeira vez, um agente duplo está requisitando anistia e indenização ao Estado, alegando ter sido perseguido pelo governo antes de passar à condição de colaborador. Há quem calcule em 200 o número de adversários do regime que caíram a partir das revelações do Cabo Anselmo, um ex-marinheiro que transformou-se em radical de esquerda e posteriormente em agente infiltrado. Com todo esse histórico, ele pleiteia a contagem do tempo de perseguição para efeitos de aposentadoria e uma indenização de R$ 100 mil.

A análise do pedido de reparação do Cabo Anselmo recoloca em debate a tese de que qualquer discussão que se faça sobre o que aconteceu durante o governo militar precisa considerar os dois lados da história. Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, procurava tirar qualquer peso simbólico do que pode ser decidido no caso, justificando que ao governo, em qualquer circunstância, restará apenas cumprir a lei. É uma forma de tentar simplificar o debate, que é muito mais complexo do que ele tenta fazer crer, especialmente quando se está às portas de início efetivo de trabalho de uma Comissão da Verdade.

lunes, 21 de mayo de 2012

Anand x Gelfand: sangue em Moscou

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Por João da Noite

Como todos sabemos, por estes dias acontece em Moscou o duelo pelo título mundial de xadrez (World Chess Championship 2012) entre o indiano Viswanathan Anand, atual campeão (na foto com a esposa), e o bielorusso (naturalizado israelense) Boris Gelfand. 


Até ontem tínhamos seis empates sonolentos e uma sonolenta vitória do desafiante, esta na sétima ronda. Sim, o campeão mundial não vinha bem, quase irreconhecível. 




Parece que a derrota acordou Vishy Anand, pois, como os brasileiros devem ter sabido pelo Jornal Nacional da Globo, antes do noticiário do tênis, hoje o mundo se quedou eletrificado com o que aconteceu no tabuleiro.


Na primeira vacilada do desafiante, Vishy nem piscou, apenas calmamente abriu a caixa de ferramentas. Fuego en el tablero! Desde o começo viu-se que não estava para brincadeira: numa indiana forçou a variante anti-Grunfeld, para a alegria do povo, pois ninguém suportava mais as sólidas semi-eslavas do gambito de dama recusado. 


O comentarista da Globo, Galvão Buenacho, sutil e com a agudeza de espírito que o torna brilhante como seus patrões, matou em cima o erro de Gelfand no lance 14. Começou o berro: "Vai que é tua, Vishyzinho!". Só começou, parou no Vai..., eis que no céu ribombou enfurecido trovão, logo desceu o colérico raio vermelho em estranha forma - das letras PQP - que o calou para sempre. 


A 11.500 Km de distância, dentro de uma redoma de vidro à prova de som, o campeão nada ouviu, mas teve um leve sobressalto cerebral, que não foi o suficiente, graças ao raio salvador, para lhe tirar a concentração.


Mais três lances e Boris Gelfand pressentiu a carnificina que se avizinhava.

Como convém a um príncipe do jogo-ciência, abandonou o campo de batalha, poupando a vida dos combatentes que lhe restavam. Ao quedar o seu rei o israelense colocou a peleja no Guiness, como a mais curta na história dos embates mundiais pelo título, somente 17 lances, algo impensável até este 21 de maio de 2012.


O match está empatado, 4 a 4. Quarta-feira, 23, continua com a nona ronda (do total de doze). Muitos canais transmitem em direto, sugerimos o Chessdom - Live Arena, às 15 h de Moscou, 8 da manhã na hora legal do Brasil. Imperdível!


A foto (na redoma, na 5ª partida) é da bela Anastasiya Karlovich.








Frejat

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E Roberto Frejat (Rio de Janeiro, RJ, 21/5/1962) chega aos cinquentinha. Não pode passar batido, festeje, beba bastante, amigo.

Vida longa. Tintim!


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A Charge do Dias

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A senhorita Leila Ferro escolheu a obra do Benett, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).



Os boêmios do Beco do Oitavo ficaram com o Frank, de A Notícia (Joinville, SC).


Os chumbados do Botequim do Terguino fecharam com o Nani.


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domingo, 20 de mayo de 2012

Veta Tudo, Dilma. São Paulo, 20 de maio de 2012.

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Parque do Ibirapuera, dez da manhã. Os jornalões também perderam essa. Tudo bem, estão mesmo sendo esmagados pelas redes sociais.







Cachoeira em Copa. Rio de Janeiro, 20 de maio de 2012


Orla de Copacabana, dez da manhã. O pessoal quer que os governadores e mais quem quer que esteja envolvido com a máfia do Cachoeira sejam chamados a depor na CPMI.

Não deu no Globo  Online e noutros jornalões, por que será?