viernes, 22 de junio de 2012

O senador Eduardo Suplicy na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo os boêmios tardaram a escolher a obra para a Charge do Dias. Bebericaram a tarde inteira, preocupados com Carlinhos Adeva, que vinha de uma importante missão em São Paulo. Deveria ter chegado no meio da tarde. Apareceu às dez da noite, morto de cansado, cara de poucos amigos, quando todos já estavam apavorados procurando queda de avião no noticiário da internet (obviamente que ali no Beco nem em caso de morte ligam no jornal da globo, que de nacional nunca teve nada).

Sobre os  percalços da viagem falaremos amanhã, o bolero é longo.

Pois Carlos Adeva, o nobre causídico da turma, o melhor advogado que vimos em ação, e vemos muitos pelo canal do STF, rios de pedantismo e hipocrisia tolerados num código de espertos (espertos a considerar a massa ignara), sempre retorna quieto, mas calmo. Hoje não. Alguma coisa ocorreu que não caiu dançando.

Carlos não, Carlos é odiado pela inveja dos falsos profetas do dinheiro, Carlos é um oceano de talento, diz a verdade na cara, trabalha de graça para quem precisa, odeia dinheiro, cobra o mínimo para sobreviver, de quem pode pagar, não é como moleques ricaços que assaltam mafiosos e trabalham para mensaleiros, periga até virarem ministros no país do lixo, ah, nenhum deles dá um dedo do Carlos.

Carlos saiu preso certa vez, de um tribunal de São Paulo, por chamar um juiz, presidente de tribunal superior, cheio de comparsas, outros juízes e advogados, ricos, de ladrão. Muitos anos depois prenderam um tal de Lalau. Durante esses anos, Carlos passou fome e quase foi banido da Ordem, por falta de pagamento da anuidade dos burocratinos perversos.

Carlinhos Adeva não leva papéis coloridos, todo afrescurado, para preparar os reis de merdas douradas, com aqui estão os nossos argumentos, excelência, em vídeo, 3D, milésima geração. Nada, é homem e seus argumentos são irrefutáveis mesmo datilografados em papel de pão.

Se mamasse ovo e defendesse mensaleiros seria o ministro mais jovem do Supremo. Mas não, Carlos não é um merdinha a subir empurrado por políticos corruptos. Nada de apresentar textos com citações em inglês de MacGraxas de luz amarela num país de escravos pela injustiça, nada de em grego defender pelegos sem alma, papinho de camaradas, com o artigo quinto tiram da cadeia assassinos mafiosos, mas jamais homens simples presos por engano. Carlos vai no osso, uma única lei consigo: a Constituição e o direito natural na cabeça.

Putz, me estendi, falei um pouquinho do Carlos, advogado (adeva, cá entre nós) número tal. Se aqui declinasse o número, as coisas se complicariam na semana que vem. No começo para nós, depois eles iriam ver.

Sempre recusou o sistema viciado, do levar vantagem sobre o povinho que não tem como se defender, recusou-se a ser mais um covarde, sabendo que morreria de fome. E foi aí que o tiramos para amigo querido.

E agora no bar quieto como só, amuado.

Na metade da primeira cerveja examinou as obras expostas sobre a mesa. Sabia que Leila Ferro precisava enviar com urgência o resultado da votação a este detestado blog. E foi breve. Mesmo com uma ponta de tristeza, seus olhos num átimo se iluminaram ao passar pela obra do Cláudio, do Agora S. Paulo (São Paulo, SP). Depois tornou a se fechar no escuro.

Disse algumas palavras, iniciou de cabeça baixa, mirando o copo: "Muitos e muitos anos depois que tivermos partido para outra, meus amigos, quando o  futuro recordar a tentativa que fizemos de mudar o Brasil nos últimos 50 anos, só um nome será reverenciado, pois é o símbolo do militante honesto e sincero, de uma gente que não pensa só em si, pela qual suplicava Taiguara, um homem igual a imensa maioria que foi traída pelos que serão esquecidos..."

(Parou, pensou a eternidade de um minuto, sorveu a cerveja)

Levantou a cabeça, músculos do rosto endurecidos, agora olhando um a um os parceiros de vida: "Esquecidos não, os estúpidos também serão lembrados, mas por outras razões. Hoje riem da 'ingenuidade' do senador, há trinta anos riem, usaram, tornaram a usar, subestimaram, pois gentes fracas como eles só pensam em dinheiro, despreparo total, os larápios gananciosos, gentalhas que imitam pastores eletrônicos usando o povo da escuridão, ao ponto de confundir os sentimentos e a luta de uma alma  superior com seus rasteiros instintos. Mas o porvir fará justiça a Eduardo Suplicy".

O misto de tristeza, desencanto e ódio da sua voz, com a citação do nome do homem que desde sempre oferece a vida em troca de um novo país, sem os eikes batistas nem malufs, caiados, que quer escolas para diminuir gente bruta assim, que vem se matando, que está presente onde quer que a justiça falhe... calou o ambiente.

Silêncio. Gustavo Moscão fez um enorme esforço mas não conseguiu segurar as grossas lágrimas que  lhe desceram pela face contraída. Uns tossiram, visivelmente emocionados, outros se socorreram indo ao banheiro.

Todos o acompanharam no voto. O Ainda Espantado, por este que redige às pressas o cotidiano dos boêmios e por todo o povo da palafita que o acompanha, estrangeiros perfilados em pé - à frente o haitiano Aristide Neptune, pede licença aos desesperançados para subscrever na íntegra todas as lágrimas derramadas, à vista ou às escondidas.

Tintim, companheiro Suplicy. Mas chega de tolerar, senador, o motivo do bem maior, para suportar essa escória, já não existe. Acharemos para onde correr em defesa do Brasil e de nossas vidas, uma nova trincheira, trazendo, pela escola, todas as crianças injustiçadas, um dia com voz, um dia no mano a mano. O Brasil que sonhamos.

Não se entregue! O senhor jamais estará sozinho, estamos juntos, ombro a ombro, o País dos homens de bem acompanha emocionado a sua trajetória, o senhor sim, um ídolo de aço pela têmpera, claro como o dia, lejos dos ídolos de barro de uma funesta fábrica que os produz no vão da escada.

Salud!

  


Os empinantes do Botequim do Terguino, alheios à angústia que rondava o buteco-irmão - os de lá não quiseram incomodar, essa de atrasar avião ou perder o ônibus não é a primeira que Carlinhos Adeva apronta -, antes do meio-dia já tinham feito a sua escolha. Trataram de almas rudes. Como este blog é lido por crianças, não podemos declinar os substantivos, adjetivos, pejorativos e muitos alhas, ujos, elos, ões e utas proferidos. 

Ficaram com o Amâncio, de o Jornal de Hoje (Natal, RN).




Leilinha Ferro, a filha do Terguino e coordenadora da coluna (chefinha dos boêmios, nesse quesito), que a mucho tiempo deu de mudar de assunto se alguém fala em Rio mais vinte, silenciosamente optou pela obra do Dum. Ninguém deu um pio, salvo o Contralouco, sempre ele: "Ei, é a cara do Ronaldo Caiado!".




jueves, 21 de junio de 2012

Palhaçadas, na Charge do Dias

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Os boêmios do Beco do Oitavo cedo estavam de alaúza no buteco. O assunto é Boca Juniors x La U, a turma está dividida na torcida pelo futuro campeão da América. Que gente, ninguém cogita torcer pelo Corinthians.

Ficaram com a obra do Marco Aurélio, de Zero Hora (Porto Alegre, RS). Bem isso, seu Marco.


A tigrada do Botequim do Terguino escolheu o Amarildo, da Gazeta Online (Vitória, ES).





Miss Leila Ferro sorriu amargamente, murmurou "palhaçada mundial" e fechou com o Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).



miércoles, 20 de junio de 2012

La Copa Rota

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Alci Acosta (Don Alcibiades Alfonso Acosta Cervantes - Soledad, Atlántico, Colombia, 5/11/1938), uma glória do bolero cantinero do país irmão.

Aqui interpretando o clássico La Copa Rota (Benito de Jesús Negrón - Barceloneta, Puerto Rico, 15/10/1912 - Hato Rei, P. R., 24/6/2010), de cortar os pulsos, homenagem a un bohemio ya sin fe que há três dias se estabeleceu numa mesa do Beco do Oitavo e segue tomando todas.

Pedimos que o amigo veja, depois de sangrar gota a gota e passar o desguampamento, o número de acessos que o bolero teve no youtube, prova inequívoca de que não estamos sozinhos.






Mensaleiros se unem a ladrões ou dá na mesma?, n'A Charge do Dias

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Em assembléia (sem o agudo fica reunião fechada, sem brilho, como idéia, que sem o agudo apaga) ontem à noite, os boêmios do Beco do Oitavo e do Botequim do Terguino decidiram convidar a Luiza Erundina para a solenidade de fundação do Partido dos Boêmios, quando esta ocorrer, na Luiza representados os partidos que ainda têm alguma vergonha na cara. Raríssimos. E estes por alguma razão ruins de voto. Lúcio Peregrino afirmou que o povo da escuridão gosta de ser enganado, prefere os falsos com seus candidatos falsificados. Pode ser. A palafita acha que é escuridão mesmo, a mesmíssima escuridão que enriquece tantos pastores eletrônicos.

Por proposição do Contralouco, do Botequim, foi votado o  envio de uma mensagem para o Lulaluf: "Vai tomar bem dentro daquele lugarzinho, seu palhaço, com toda a força". Aqui alteramos a redação, este blog é decente, não pode se  vulgarizar escrevendo o nome correto do tal lugarzinho. Bem, o recado está dado.

Hoje cedinho, por enquanto apenas bebendo chimarrão, escolheram as obras do dia, quatro, por nova liberalidade de Miss Leila Ferro.

O grande Zop:




Simanca, de A Tarde (Salvador, BA).





Rico, do Vale Paraibano (São José dos Campos, SP).





Mestre Aroeira:





Leilinha Ferro escolheu a obra do Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).


martes, 19 de junio de 2012

A verdadeira face, na Charge do Dias

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O Brasil inteiro, estarrecido, custa a crer no que foi capaz  o PT de São Paulo, unindo-se ao expoente da ditadura militar que, por desonesto, é caçado pela Interpol em todo o mundo. De Norte a Sul, a frase mais amena que se ouve é "Aquele bando de sem-vergonhas, todos, o Lula é só mais um".

Para os boêmios do Beco do Oitavo é muito estranha a reação em cadeia, como sintetizou Lúcio Peregrino: "Ué, quem não sabe que são uma tropa de vagabos, tudo pelo poder? Desde a Carta aos Brasileiros, passando pelo mensalão, para não falar em ladroagens menores, corrupção em todos os níveis, não duvido que tenha assassinato no meio".

Como o registro do Partido dos Boêmios - ainda estão debatendo o estatuto - não permitirá que concorram este ano, em outubro todos fecharão com o PSOL. "Salvo também passarem a dar a bunda aos inimigos de morte", ressalvou Marquito Açafrão.

Conseguiram autorização com Leila Ferro para duas obras.

Uma a do Amarildo, da Gazeta Online (Vitória, ES).




A outra do Jota A, de O Dia (Teresina, PI).





No Botequim do Terguino ninguém deixou por menos que "Filhos-da-puta". Escolheram a obra do Simanca, de A Tarde (Salvador, BA).




E também a do Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR).





Leilinha Ferro, ao ver as obras escolhidas pelos boêmios, sentiu-se mal e vomitou. Não é de surpreender, se homens velhos sentem vontade de castrar esses "analfas novos ricos de merda", como gritou o filósofo  Aristarco de Serraria, já sentindo o mundo reencetar o volteio em torno de si.

Decidiu mudar de assunto e abraçou o Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).



lunes, 18 de junio de 2012

O fundo do poço, na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo os boêmios concluíram que, a depender de certa gentalha, tudo está perdido, definitivamente. Debruçaram-se sobre os rascunhos do estatuto do futuro Partido dos Boêmios, crentes de que "Só nós podemos salvar a nós mesmos", como disse Tigran Gdanski.

Ficaram com o Cláudio, do Agora S. Paulo (São Paulo, SP).




Já os empinantes do Botequim do Terguino escolheram a obra do Clayton, de O Povo (Fortaleza, CE).



A falta de pudor, o insulto atirado aos rostos dos que  um dia tentaram construir algo de bom, foram percebidos por Leilinha Ferro. Ela abraçou o Zé Dassilva, do Diário Catarinense (Floripa, SC).





domingo, 17 de junio de 2012

Um cenário assustador

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A cada vez que lemos sobre o destino do planeta chega a dar um frio na espinha. E os chamados países desenvolvidos sempre avessos a providências decisivas, como se vê na Rio+20. Esta agora, de que o mundo perde 12 milhões de hectares por ano, devido à degradação e à desertificação, é de nos deixar de cabelos em pé. Vale a pena ler a matéria.

Há planos contra desertificação. Faltam decisões

Por Karina Boeckmann, da Agência IPS, tradução de Daniela Frabasile. Pescado do Outras Palavras.


“Não deveríamos esgotar o futuro que queremos”, disse o secretário executivo da Convenção contra a Desertificação, Luc Gnacadja, em uma coletiva de imprensa em Berlim, fazendo uma alusão a um tema central da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável: “O futuro que queremos”. Segundo ele, obter um acordo sobre o uso sustentável da terra na Rio+20 é um requisito para garantir a futura segurança hídrica, alimentar e energética.

Ao se dirigir aos jornalistas reunidos na capital alemã, o ex-ministro do Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Urbano de Benín apresentou um informe da Convenção. Ele pede que a Rio+20 adote “um objetivo independente sobre o uso sustentável da terra e da água para todos e por todos (na agricultura, manejo florestal, energia e urbanização) frente a um compromisso com um mundo neutro em assuntos da degradação da terra”.

“Precisamos nos centrar em duas dimensões de terra: nas áreas degradadas e nas não degradadas”, afirma o documento. Nas áreas que ainda não foram afetadas, deve-se evitar a degradação, e “nas já degradadas, deveríamos restabelecer a fertilidade e a produtividade do solo. Em outras palavras, a degradação líquida zero pode ser obtida quando, em um dado período, a degradação da terra ou é evitada ou é compensada pela restauração de outras áreas”, acrescenta. “Devemos devolver a terra produtiva à vida. A terra é nossa aliada natural, mas sua paciência não é eterna”, conclui.

Causas e consequências

“Os seres humanos têm múltiplas demandas sobre a terra, e elas vão aumentando”, observou Gnacadja. “Há necessidade de alimentos, pastagens e combustíveis. Usa-se terra para assentamentos humanos e infraestrutura, para serviços ambientais, sequestro de carbono pelo solo e pela vegetação, assim como para extrair metais e minerais”.

Mas atualmente, perde-se 12 milhões de hectares por ano, devido à degradação e à desertificação. Segundo especialistas, a produção de alimentos é o fator individual decisivo na perda de terra. De fato, é provável que sejam necessários 3 planetas Terra para satisfazer as demandas do consumo humano para 2050. Até 2030, 9 m=bilhões de pessoas precisariam de 120 milhões de hectares a mais de terra para produzir 50% mais alimentos, segundo Gnacadja. A demanda de energia e de água para uso agrícolas aumentará 40% e 30%, respectivamente. Alguns dos fatores que prejudicam os sistemas de terras, águas e nutrientes são o crescimento demográfico, a degradação e a desertificação, as mudanças climáticas e o maior padrão de vida, a mudança na dieta, a urbanização, o desperdício e as perdas na cadeia de fornecimento e um comércio globalizado, segundo o informe.

A cada minuto, a população humana aumenta em 150 pessoas. Perdem-se 10 hectares por causa do desmatamento tropical e da degradação dos solos, respectivamente, enquanto a urbanização engolfa 5,5 hectares por minuto. Em todo o mundo, 25% da terra já está altamente degradada, o que afeta 1,5 bilhão de pessoas. Essa degradação contribui com a insegurança alimentar, a fome, as migrações, o desmatamento, a instabilidade política e os conflitos civis. Também leva ao fenômeno de investir em terras de outros países para produzir alimentos e biocombustíveis, diz Gnacadja.

Considerando que em 2050 os países asiáticos constituirão 60% da população mundial, não surpreende que a Índia e a China estejam investindo em terras africanas, alerta o documento da Convenção contra a Desertificação. Segundo o relatório da Convenção, chegou o momento de a comunidade internacional comprometer-se com um mundo neutro, quando se trata de degradação da terra. O mundo deveria caminhar para um nível de degradação líquida zero em 2030, e implementar políticas de emergência para secas em todos os países propensos a este tipo de evento extremo para 2020. “É possível alcançar esse objetivo, e nós sabemos como fazer isso”, disse Gnacadja.

O documento da Convenção apresenta cifras concretas: mais de 2 bilhões de hectares (20 milhões de km², ou 2,5 vezes a superfície do Brasil) no mundo são adequados para a reabilitação. Desses, 1,5 bilhões são propícios à “restauração em mosaico”, o que significa que as florestas teriam outros usos, como a agricultura florestal e a pequena agricultura. Gnacadja também enfatizou a necessidade de criar um Painel Intergovernamental sobre Terras e Solos como uma autoridade mundial com conhecimentos científicos e técnicos neste tipo de degradação.

Un enfoque integral

Caso adotados, esforços mundiais pelo combate à degradação de terras produzirão frutos em várias frentes, disse Gnacadja, apontando um estudo realizado pelo Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares. Intitulado Economics of Land Degradation (“Economia da Degradação da Terra”), o documento analisa os custos dos métodos de prevenção deste fenômeno, em comparação aos que teria a falta de ação em muitos países. Em antigo provérbio de indígenas estadunidenses diz “não herdamos a terra de nossos ancestrais, mas a pedimos emprestada a nossos filhos”. É com esta verdade em mente que a Convenção tenta atuar imediatamente para combater a degradação.

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Reflete, amor

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Neste 17 de junho lembramos de uma rua com esse nome, 17 de junho, onde lá por 1974 moramos no número 600 (esse número...), uma casinha de barro que de tão velha parecia ser do tempo da chegada dos açorianos. Lá morremos pela terceira vez.

Ao lembrá-la, junto veio um bolero do sagrado ano de 1952, do acordeonista português Antonio Mestre, que aqui vai com a extraordinária cantora Ester de Abreu (Ester de Abreu Pereira - Lisboa, PT, 25/10/1921 - Rio de Janeiro, RJ, 24/2/1997).



Não te lembras dos carinhos
Das venturas e anseios
Quando para nós dois sozinhos
Era a vida devaneios.

Esqueceste até dos beijos
Que trocamos à sonhar
Todo o amor que desejamos
Destruístes sem pensar.

Reflete amor
Se o que desejas
É rumo certo
Reflete amor
Para que não sigas
Caminho incerto
Pois num minuto só, vais destruir
O que levei a vida a construir.

De todo amor, que me juravas
Está terminado
Eu com fervor, te digo amor
Segue o teu fado
Eu ficarei a contemplar
Tua ventura
E sofrerei a resignar
Minha amargura.


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Eu na cadeia, na Charge do Dias

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Como falamos na sexta-feira, dentro de um ano ou mais os desavisados passantes lerão neste blog a explicação abaixo. Até lá esperamos que nossos advogados já tenham nos tirado da cadeia. É quase certo que o Sr. Cachoeira estará fora, posto que sequer será condenado, mas conosco é diferente, pois dificilmente poderemos pagar honorários para um ex-ministro da justiça nos defender, este o respeitável Sr. Márcio Thomaz Bastos, famoso pagou, levou. 

Ainda que pudéssemos não pagaríamos, não simpatizamos com pessoas assim, para não falar de uma ponta de repulsa, seríamos indelicados com tão nobre alma, tão festejada por ídolos de esquerda. E dizemos isso pelo simples fato de que não simpatizar não é crime nem contravenção, se bem entendemos o artigo 5º da Carta Magna. Além disso, os nossos causídicos podem não ter influências, mas são tecnicamente muito melhores, ao nosso ver. Não são amigos de juízes, e isto é salutar ao bom desenvolvimento do processo.

Ocorre que ontem, sábado, demos um pulo até o Uruguay para encontrar a salmantina Dolores, deixando o Sr. João da Noite como responsável pelas postagens neste blog, música e charges. Se papai fosse vivo, pediríamos para ter uma conversa com João, anda impossível. Se passa por um vereador ou deputado, diz na maior: "E aí, falcatrua, roubando muito?". E outros elogios, mas baixinho, sem testemunhas. Quando encontra aspones, então...

No livro "As Aventuras de João da Noite", tratando das encrencas do famoso boêmio, essa e outras peripécias serão contadas em detalhes. O livro ainda será escrito, estamos decidindo se por nós ou pelo João Ubaldo Ribeiro, algo nos diz que se pelo imortal itaparicano haverá mais saída. No livro, teremos a estória completa do célebre encontro entre o notívago e a deputada Manoela Namorida, ambos de porre. 

Calminha aí, deputada, claro que tal encontro nunca houve, mas o debate sim, o boêmio ficou uma noite inteirinha trocando impressões com a imaginária dama - o que faz a bebida, como se estivesse em sua frente, separados por garrafas de uísque e cerveja. Vez em quando, ao trocar Mozart pelo Wando no prato, o que faz a bebida, ele acendia um cigarro diante da fantasmagórica beleza, seus olhos castanhos se tingiam e se saía com sugestões de aproximação, digamos, pouco parlamentares, prontamente repelidas, mas nada de grosserias.

O diabo, caros amigos, é que ontem o afamado boêmio tomou um foguetaço daqueles, danificando de modo irremediável o estoque de bebidas da palafita. Nesta madrugada, ainda aqui no Uruguay, ao verificarmos os e-mails topamos com uma enxurrada de cem alertas, feitos pelos amigos mais chegados, muitos deles advogados, sobre o que encontraram no blog. Imediatamente excluímos as postagens e o Sr. João foi suspenso por tempo indeterminado. O irresponsável simplesmente esqueceu música e charges, mas atolou o blog de referências desairosas aos grandes homens da república. Dando nomes aos bois. João: só uma palavra define o ato de insultar juiz: suicídio. São os caras que vão nos julgar, pombas.

Aqui não podemos reproduzir a íntegra, obviamente, mas chamar juiz de sem-vergonha, ministros de canalhas, governadores de mentirosos, deputados de filhos-da-puta,  francamente... Se por acidente alguém tropeçou no blog antes de passado um ano, como referimos anteontem, estamos fritos, serão dúzias de processos criminais, até o fim do mês chegaremos ao centésimo, somando aos que adquirimos por vontade própria. Daqui a pouco alcançamos o mestre Aroeira em número de pendengas. Que o Sr. João entenda, de uma vez por todas, que uma coisa é o cidadão ir para a cadeia pelo que escreveu, e outra bem diferente pelo que outros escreveram embriagados.

De lembrar ao sábio que não basta provar as afirmações cometidas, isso elude apenas o crime de calúnia, restando ainda os de injúria e difamação. Em outras palavras, o senhor não pode sair chamando uma prostituta de prostituta, mesmo que prove isso, pois estará difamando a decente profissional, afinal seus familiares e vizinhos poderão não saber de suas atividades no outro lado da cidade. Não seria bem o caso aqui, mas dá na mesma: no primeiro processo vem a condenação e a prestação de serviços comunitários como pena, mas no segundo já não haverá o atenuante da primariedade, resultado: cana para Salito.

De modo que hoje somos forçados a agradecer a Mr. Gugle, ou a Mr. Gmail, parece que são casados, ou a quem quer que seja o dono desta joça, por fingir que não existimos no seu buscador pelo prazo mínimo de um ano.

Bem, isto posto, vamos ao que interessa. 

Ontem comemorou-se o aniversário de Mr. Hyde nas dependências do Beco do Oitavo. Segundo narrativas de alguns presentes, uma festa para ninguém botar defeito, que prossegue neste momento com churrasco na rua. Sim, fecharam a rua e instalaram barris de chope na calçada. Estranhamente não se viu nenhuma camiseta do Internacional, salvo a puída do velho Negrote, o morador de rua que habita o Viaduto dos Açorianos, que sempre comparece às festas como convidado especial, bóia e pinga de graça. O sábio João da Noite emendou o fogo e consta que agora dorme num canto do buteco, o Portuga juntou três cadeiras que lhe servem de cama, com o poncho de Aristarco de Serraria por cima.

As obras dos artistas do traço e do pensamento que seguem, pelos motivos acima expostos, se referem ao fim-de-semana, vez que o sábado aqui passou em branco.

Os boêmios do Beco do Oitavo escolheram a obra do Dálcio, do Correio Popular (São Paulo), onde, sem juízo de valor, parece que vemos uma pessoa soltando e outra trancando a água de um dique, esta última evitando que uma cachoeira inunde alguma cidade ou país, ou simplesmente campos e vales. Dizem que os argentinos detestam Itaipu por uma besteirinha dessas: se a barragem se romper submerge Buenos Aires com a violenta carga d'água que se precipitará sobre a capital dos hermanos. Deus nos livre, deixa trancado.





Os companheiros do Beco também escolheram a obra do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG). Isso nos lembra o aniversariante de ontem, Mr. Hyde, que antigamente dizia que a cada vez que o narrador de futebol berrava "ai, vai, Robinho, ui...", simulando grande emoção, como se estivéssemos num país de débeis mentais, ele sentia vontade de cortar os pulsos, ou de dar um tiro na tevê. Grande figura, o Hyde, não o Galvão.





A turma do Botequim do Terguino ficou com o Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP). Aqui achamos que dá para reproduzir uma das asneiras do João da Noite, para rirmos um pouco. Dizia o infamante bebedor que o PT de São Paulo estava prometendo, em troca do apoio do homem que é caçado pela Interpol em todo o planeta, fora o Brasil, aquele lugarzinho que os bichos possuem abaixo da cola. Só rindo, mesmo, esse João, até que sai com alguma piada boa...




Os empinantes do Botequim também ficaram com o Humberto, do vovô Jornal do Commercio (Recife, PE). No hay comentarios.




Por fim, a jovem deusa dos boêmios, filha do Terguino e coordenadora da coluna, Srta. Leila Ferro. Está engasgada com o inútil blá-blá-blá que segue vindo do Rio de Janeiro. Ficou com o Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, BH). Só dá Duke.




E com o Lute, do Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG).




E hoje tornamos a agradecer aos espetaculares artistas do traço e do pensamento, o que fazemos de tempos em tempos, bem como ao fantástico site A Charge Online, por permitirem a reprodução das obras e pela facilidade de coleta, sem que ainda nos tenham processado pela divulgação das escolhas dos amigos. Como vimos lá em cima, de processos estamos cheios, e grana para pagar indenizações, que é bom, neca.

Y así pasan los dias.
Salito.