domingo, 26 de agosto de 2012

O suicídio de Vargas e a presença do Estado na economia brasileira

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Por Mauro Santayana


Em 24 de agosto de 1954, os homens de minha geração chegavam à maioridade. Naquele dia, pela manhã, cheguei ao Rio, enviado pelo Diário de Minas, de Belo Horizonte, a fim de cobrir o velório de Vargas e a reação do povo carioca ao suicídio do presidente. A presidente Dilma Rousseff era uma menina de seis anos. Não poderia saber o que significava aquele gesto de um homem que mal passara dos 70, e ocupara o centro da vida brasileira durante os últimos 24 anos.

As jornadas anteriores haviam sido enganosas, o que costuma ocorrer na História, desde o episódio famoso da frustrada queda de Richelieu. Os meios de comunicação haviam ampliado o suposto atentado contra Carlos Lacerda — obscuro até hoje — e atribuído a responsabilidade ao presidente, tentando fazer crer que o palácio do governo se transformara em valhacouto de ladrões e assassinos.

Houve quase unanimidade contra Getúlio. Quando passei pela Praça 7, em Belo Horizonte, a caminho do aeroporto da Pampulha, entre manifestantes de esquerda, um jovem sindicalista, meu amigo, pedia aos gritos, pelo megafone, a prisão do presidente. Desci do táxi e lhe dei a notícia, com os avisos de meu pressentimento: dissolvesse o grupo, antes que os trabalhadores, ao saber da morte do presidente, reagissem na defesa do líder desaparecido.

Durante a viagem ao Rio, que durava hora e meia, organizei minhas ideias. Entendi, em um instante, que a ação coordenada contra Vargas nada tinha a ver com o assassinato de um oficial da Força Aérea, transformado em guarda-costas do jornalista Carlos Lacerda — isso, sim, ato irregular e punível pelos regulamentos militares. Lacerda, ferido no peito do pé, não permitiu que o revólver que portava fosse periciado pela polícia. Açulada e acuada pela grande imprensa, a polícia nunca investigou o que realmente houve na Rua Tonelero.

Vargas fora acossado pelos interesses dos banqueiros e grandes empresários associados ao capital norte-americano. Ao ouvir, pelo rádio, a leitura de sua carta, não tive qualquer dúvida: Getúlio se matara como ato de denúncia, não de renúncia. Morrera em defesa do desenvolvimento soberano de nosso povo.

Sei que não basta a vontade política do governante para administrar bem o Estado. Mas uma coisa parece óbvia a quem estuda as relações históricas entre o Estado e a Nação: o Estado existe para buscar a justiça, defender os mais frágeis, promover a igualdade entre todos. Por isso, algumas medidas anunciadas pelo governo inquietam grande parcela dos brasileiros bem informados. É sempre suspeito que os grandes empresários aplaudam, com alegria, uma decisão do governo. Posso imaginar a euforia dos lobos junto a uma ninhada de cordeiros. Quando os ricos aplaudem, os pobres devem acautelar-se.

O regime de concessões vem desde o Império. As vantagens oferecidas aos investidores ingleses, no alvorecer da Independência, levaram à Revolução de 1842, chefiada pelo mineiro Teófilo Ottoni e pelos paulistas Feijó e Rafael Tobias de Aguiar, e conhecida como a Revolução do Serro, em Minas, e de Sorocaba, em São Paulo. O Manifesto Revolucionário, divulgado em São João del Rei por Teófilo Ottoni, e assinado por José Feliciano Pinto Coelho, presidente da província rebelde, é claro em seu nacionalismo, ao denunciar que os estrangeiros ditavam o que devíamos fazer “em nossa própria casa”.

A presidente deve conhecer bem, como estudiosa do tema, o que foi a política econômica de Campos Salles e seu ministro Joaquim Murtinho, em resposta à especulação financeira alucinante do “encilhamento”. O excessivo liberalismo do governo de Prudente de Moraes e de seu ministro Ruy Barbosa, afundou o Brasil, fazendo crescer absurdamente o serviço da dívida — já histórica — com a Praça de Londres, obrigando Campos Salles (que morreria anos depois, em relativa pobreza) a negociar, com notório constrangimento, o funding loan com a praça de Londres.

O resultado foi desastroso para o Brasil. Os bancos brasileiros quebraram, um banco inglês em sua sucursal brasileira superou o Banco do Brasil em recursos e operações e, ainda em 1999, a Light iniciava, no Brasil, o sistema de concessões como o conhecemos. O Brasil perdeu, nos dez anos que se seguiram, o caminho de desenvolvimento que vinha seguindo desde 1870.

Durante mais de 50 anos, a energia elétrica, a produção e distribuição de gás e o sistema de comunicações telefônicas no eixo Rio-SP-BH foram controlados pelos estrangeiros. Ao mesmo tempo, os combustíveis se encontravam sob o controle da Standard Oil. A iluminação dos pobres se fazia com o Kerosene Jacaré, vendido em litros, nas pequenas mercearias dos subúrbios, cujos moradores não podiam pagar pela energia elétrica, escassa e muito cara.

O caso das concessões da Light é exemplar: antes do fim do prazo, a empresa, sucateada, foi reestatizada, para, em seguida, ser recuperada pelo governo e “privatizada”. Como se sabe foi adquirida pela EDF, uma estatal francesa, durante o governo de Fernando Henrique. Novamente sucateada, foi preciso que uma estatal brasileira, a Cemig, associada a capitais privados nacionais, a assumisse, para as inversões necessárias à sua recuperação.

Vargas não tinha como se livrar, da noite para a manhã, dessa desgraça, mas iniciou o processo político necessário, ainda no Estado Novo, para conferir ao Estado o controle dos setores estratégicos da economia. Só conseguiu, antes de ser deposto em 1945, criar a CSN e a Vale do Rio Doce. Eleito, retomou o projeto, em 1951 e o confronto com Washington se tornou aberto.

O capital americano desembarcara com apetite durante o governo Dutra, na primeira onda de desnacionalização da jovem indústria brasileira. Getúlio, na defesa de nossos interesses, decidiu limitar a remessa de lucros. Embora os banqueiros e as corporações estrangeiras soubessem muito bem como esquivar-se da lei, a decisão foi um pretexto para a articulação do golpe que o levaria à morte.

O Estado pode, e deve, manter sob seu controle estrito os setores estratégicos da economia, como os dos transportes, da energia, do sistema financeiro. Concessões, principalmente abertas aos estrangeiros, em quase todas as situações, são um risco dispensável. O Brasil dispõe hoje de técnicos e de recursos, tanto é assim que o BNDES vai financiar, a juros de mãe, os empreendimentos previstos. Se há escassez de engenheiros especializados, podemos contratá-los no Exterior, assim como podemos comprar os processos tecnológicos fora do país. Uma solução seria a das empresas de economia mista, com controle e maioria de capitais do Estado e a minoria dos investidores nacionais, mediante ações preferenciais.

Por mais caro que custem, é melhor do que entregar as obras e a operação dos aeroportos, ferrovias e rodovias ao controle estrangeiro. O que nos tem faltado é cuidado e zelo na escolha dos administradores de algumas empresas públicas. Não há diferença entre uma empresa pública e uma empresa privada, a não ser a competência e a lisura de seus administradores. Entre os quadros de que dispomos, há engenheiros militares competentes e nacionalistas, como os que colaboraram com o projeto nacional de Vargas e com as realizações de Juscelino, na chefia e composição dos grupos de trabalho executivo, como o GEIA e o Geipot.

E por falar nisso, são numerosas e fortes as reações à anunciada nomeação do senhor Bernardo Figueiredo, para dirigir a nova estatal ferroviária. Seu nome já foi vetado pelo Senado para a direção da Agência Nacional dos Transportes Terrestres. E o bom senso é contrário à construção do trem-bala, que custará bilhões de reais.

O senso comum recomenda usar esses recursos na melhoria das linhas existentes e na abertura de novos trechos convencionais. Não podemos entrar em uma corrida desse tipo com os países mais ricos. Eles se podem dar esse luxo, porque já dispõem de armas atômicas e nós não temos como garantir nem mesmo as nossas fronteiras históricas.



sábado, 25 de agosto de 2012

Um canhão no cu

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Diante do exasperante quadro vivido por grande parte da população europeia, o consagrado escritor espanhol Juan José Millás tinha algo a dizer sobre o terrorismo financeiro que os levou, como aqui está nos levando, às portas do inferno. Ele queria ser ouvido e conseguiu: com esse título, Un cañón en el culo (veja AQUI), publicou matéria no dia 14 de agosto de 2012 no jornal El País (Espanha), libelo que repercutiu em todo o planeta. A grita contra os terroristas financeiros cresce a cada dia (no Brasil temos como combatente incansável o pensador, escritor e jornalista Mauro Santayana), é hora de os governos fazerem algo, para salvar a própria pele, pois um dia essa bomba vai explodir com o povo nas ruas, e aí, como Mussolini, os criminosos não terão onde se esconder.

Ao final vai o texto original. A seguir em tradução de influentes jornais portugueses, tradução bem razoável, perfeitamente compreensível no Brasil. Os irmãos d'além-mar intitularam assim:

Um canhão pelo cú

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.

E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.



Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.



Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.



Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.



Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.


Un cañón en el culo



Si lo hemos entendido bien, y no era fácil porque somos un poco bobos, la economía financiera es a la economía real lo que el señor feudal al siervo, lo que el amo al esclavo, lo que la metrópoli a la colonia, lo que el capitalista manchesteriano al obrero sobreexplotado. La economía financiera es el enemigo de clase de la economía real, con la que juega como un cerdo occidental con el cuerpo de un niño en un burdel asiático. Ese cerdo hijo de puta puede hacer, por ejemplo, que tu producción de trigo se aprecie o se deprecie dos años antes de que la hayas sembrado. En efecto, puede comprarte, y sin que tú te enteres de la operación, una cosecha inexistente y vendérsela a un tercero que se la venderá a un cuarto y este a un quinto y puede conseguir, según sus intereses, que a lo largo de ese proceso delirante el precio de ese trigo quimérico se dispare o se hunda sin que tú ganes más si sube, aunque te irás a la mierda si baja. Si baja demasiado, quizá no te compense sembrarlo, pero habrás quedado endeudado sin comerlo ni beberlo para el resto de tu vida, quizá vayas a la cárcel o a la horca por ello, depende de la zona geográfica en la que hayas caído, aunque no hay ninguna segura. De eso trata la economía financiera.
 
Estamos hablando, para ejemplificar, de la cosecha de un individuo, pero lo que el cerdo hijo de puta compra por lo general es un país entero y a precio de risa, un país con todos sus ciudadanos dentro, digamos que con gente real que se levanta realmente a las seis de mañana y se acuesta de verdad a las doce de la noche. Un país que desde la perspectiva del terrorista financiero no es más que un tablero de juegos reunidos en el que un conjunto de Clicks de Famóbil se mueve de un lado a otro como se mueven las fichas por el juego de la Oca.
 
La primera operación que efectúa el terrorista financiero sobre su víctima es la del terrorista convencional, el del tiro en la nuca. Es decir, la desprovee del carácter de persona, la cosifica. Una vez convertida en cosa, importa poco si tiene hijos o padres, si se ha levantado con unas décimas de fiebre, si se encuentra en un proceso de divorcio o si no ha dormido porque está preparando unas oposiciones. Nada de eso cuenta para la economía financiera ni para el terrorista económico que acaba de colocar su dedo en el mapa, sobre un país, este, da lo mismo, y dice “compro” o dice “vendo” con la impunidad con la que el que juega al Monopoly compra o vende propiedades inmobiliarias de mentira.
 
Cuando el terrorista financiero compra o vende, convierte en irreal el trabajo genuino de miles o millones de personas que antes de ir al tajo han dejado en una guardería estatal, donde todavía las haya, a sus hijos, productos de consumo también, los hijos, de ese ejército de cabrones protegidos por los gobiernos de medio mundo, pero sobreprotegidos desde luego por esa cosa que venimos llamando Europa o Unión Europea o, en términos más simples, Alemania, a cuyas arcas se desvían hoy, ahora, en el momento mismo en el que usted lee estas líneas, miles de millones de euros que estaban en las nuestras.
 
Y se desvían no en un movimiento racional ni justo ni legítimo, se desvían en un movimiento especulativo alentado por Merkel con la complicidad de todos los gobiernos de la llamada zona euro. Usted y yo, con nuestras décimas de fiebre, con nuestros hijos sin guardería o sin trabajo, con nuestro padre enfermo y sin ayudas para la dependencia, con nuestros sufrimientos morales o nuestros gozos sentimentales, usted y yo ya hemos sido cosificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, ya no poseemos las cualidades humanas que nos hacen dignos de la empatía de nuestros congéneres. Ya somos mera mercancía a la que se puede expulsar de la residencia de ancianos, del hospital, de la escuela pública, hemos devenido en algo despreciable, como ese pobre tipo al que el terrorista por antonomasia está a punto de dar un tiro en la nuca en nombre de Dios o de la patria.

A usted y a mí nos están colocando en los bajos del tren una bomba diaria llamada prima de riesgo, por ejemplo, o intereses a siete años, en el nombre de la economía financiera. Vamos a reventón diario, a masacre diaria y hay autores materiales de esa colocación y responsables intelectuales de esas acciones terroristas que quedan impunes entre otras cosas porque los terroristas se presentan a las elecciones y hasta las ganan y porque hay detrás de ellos importantes grupos mediáticos que dan legitimidad a los movimientos especulativos de los que somos víctimas.

La economía financiera, si vamos entendiéndolo, significa que el que te compró aquella cosecha inexistente era un cabrón con los papeles en regla. ¿Tenías tú libertad para no vendérsela? De ninguna manera. Se la habría comprado a tu vecino o al vecino de tu vecino. La actividad principal de la economía financiera consiste en alterar el precio de las cosas, delito prohibido cuando se da a pequeña escala, pero alentado por las autoridades cuando sus magnitudes se salen de los gráficos.

Aquí están alterando el precio de nuestras vidas cada día sin que nadie le ponga remedio, es más, enviando a las fuerzas del orden contra quienes tratan de hacerlo. Y vive Dios que las fuerzas del orden se emplean a fondo en la protección de ese hijo de puta que le vendió a usted, por medio de una estafa autorizada, un producto financiero, es decir, un objeto irreal en el que usted invirtió a lo mejor los ahorros reales de toda su vida. Le vendió humo el muy cerdo amparado por las leyes del Estado que son ya las leyes de la economía financiera, puesto que están a su servicio.

En la economía real, para que una lechuga nazca hay que sembrarla y cuidarla y darle el tiempo preciso para que se desarrolle. Luego hay que recolectarla, claro, y envasarla y distribuirla y facturarla a 30, 60 o 90 días. Una cantidad enorme de tiempo y de energías para obtener unos céntimos, que dividirás con el Estado, a través de los impuestos, para costear los servicios comunes que ahora nos están reduciendo porque la economía financiera ha dado un traspié y hay que sacarla del bache. La economía financiera no se conforma con la plusvalía del capitalismo clásico, necesita también de nuestra sangre y en ello está, por eso juega con nuestra sanidad pública y con nuestra enseñanza y con nuestra justicia al modo en que un terrorista enfermo, valga la redundancia, juega metiendo el cañón de su pistola por el culo de su secuestrado.

Llevan ya cuatro años metiéndonos por el culo ese cañón. Y con la complicidad de los nuestros.





viernes, 24 de agosto de 2012

Enquete Dataespanto para a Prefeitura de Porto Alegre

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Depois de muitas idas e vindas, os boêmios do Botequim do Terguino se resolveram a respeito dos nomes que deveriam ser incluídos na enquete que começa hoje, indo até o dia 15/9/2012, sobre a opção dos porto-alegrinos que visitam o blog quando querem se irritar.

Como se viu anteriormente (clique AQUI) os malucos pretendiam excluir alguns nomes, em franco menosprezo à liberdade dos trilhões de leitores.

Voltaram atrás, o senso democrático dos empinantes os pegou a todos no mesmo momento, unanimidade, e falou mais alto. Os humanistas estavam sóbrios há pouco, quando se decidiram, diferentemente da outra vez.

Aliás, dizem que os humanos só fazem grandes coisas quando estão bêbedos ou meio tantãs, o que é uma verdade, vejam os escritores, os compositores, os estadistas... num dia como hoje Getúlio se deu um tiro no coração. Divina loucura, essa dos boêmios, apenas bebem, nada mais entra no corpo. Talvez uma bala, mas não vamos falar disso. Este agosto é quente demais para tristezas.

De modo que todos os candidados estão ali em cima, com o maior respeito, data vênia, tenha a bondade, sintam-se em casa, vai uma água mineral?, etcetra e tal.

Os nomes a maioria colocou.  A ordem dos nomes foi na base do sorteio, com papeizinhos dentro de um copo, tirados pela mestra Jezebel do Cpers, que estava lá fora quando foram escritos e encopados. Acima de qualquer suspeita já seria, pela dignidade da velha e querida professora, mas para evitar a maldade alheia todos os cuidados foram tomados.

É por óbvio desnecessário, mas tendo em vista a maldição do politicamente correto que hoje campeia na capital dos gaúchos, onde não se vê uma chargezinha criticando ninguém (a reclamação é dos butequeiros, mas andamos olhando e não é que), advertimos aos eventuais passantes, notadamente aos russos e poloneses, que são frequentes, que a tal enquete não tem absolutamente nenhum valor científico, sociológico ou estatístico (só pra aumentar a frase, o científico já dizia tudo), neca pau, nadinha. Igualzinho aos Institutos oficiais de pesquisa, como o ibope, que... deixa pra lá.

Enfim, é mero passatempo dos boêmios, falta do que fazer, além de ficar tomando vinho e olhando a bunda de alguém (abraço, Nei), pelo que contamos com a compreensão dos seis leais candidatos e uma cândida ata, como das nobres otoridades.

A máquina do gugle não aceita repetição, então, mesmo com um universo diminuto, sairá a verdade ao final, ao menos a verdade dos boêmios, bem diferente da que sairá daquele objeto que ali em cima ilustra esta postagenzinha mucufa.

Por falar em ali em cima, agora olhamos para cima e constatamos que os nomes dos distintos e da distinta que querem tanto ajudar Porto Alegre saíram pequerruchinhos assim. Suando de preocupados, esclarecemos de pronto: não é insinuação ao caráter nem à honra dos ilustres gaúchos que anseiam por ajudar os necessitados, verdadeiros São Franciscos - vá lá, e uma Sã ou Santa Francisca - que aos pobres tudo darão.

Não, longe disso: as letrinhas miúdas já estavam lá, e significam apenas que o modesto escriba-come-milho não entende bulhufas de configurações de blog. Nos próximos dias tentaremos corrigir a falha, colocando os nomes com a pompa e o luxo que merecem os grandes salvadores.

Com permiso. Depois de chamar a essa gente de salvadores dos pobres, vou ali no banheiro cortar os pulsos e volto em duas horas, sem sangue nas veias.

Abraços.

O gato Felix

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Hoje dizem que seu apelido era Papel, por sua suposta magreza (nunca o achei magro demais, a julgar pelas fotos), mas na minha infância lá no fim do mundo a meninada  o chamava Felix, o Gato, pela agilidade, a qual imaginávamos em nossos devaneios juvenis, saltando e pegando  lá no cantinho, fechando o  gol do Flu ou salvando o Brasil diante do Uruguay, firmes na voz do locutor do rádio, já que TV era uma abstração de que somente tínhamos ouvido falar.




Hoje o Gato Felix (Félix Miéli Venerando, São Paulo, SP, 24/12/1937 - 24/8/2012) morreu. Estou certo de que os meninos daquela época, que ainda moram dentro da gente, também morrem um pouquinho, como ocorre a cada vez que parte um ídolo do nosso precioso álbum de figurinhas, nos quais por vezes a gente ficava meses pifado, morrendo de ansiedade, por uma que nunca vinha.





Dá um abraço no Garrincha e em tantos amados aí.

Até logo.

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Bea Palya

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Hoje faremos uma visitinha aos irmãos magiares, um povo fascinante, com a cantante Bea Palya (Makó, Hungria, 11/11/1976), aqui pedindo Add már, Uram, az esot, algo como Senhor, mande-nos chuva, o que vem a calhar nestes tempos de seca no Brasil.

A sugestão é de Tigran Gdansk, da Polákia, a quem agradecemos.

Fortunati, Manoela e suas fubicas, na Charge do Dias

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Porto Alegre, 33º graus no inverno, o  dia mais quente desta época nos últimos cem anos.  Deve ser mil anos, mas só se tem registro confiável dos últimos cem. Superando Fortaleza, no Ceará, a caliente e bela amada do Newton Silva. A turma desde cedo carregou  nas cervas com trigo velho, poucos ficaram nos lisos de absinto caseiro, este o trago predileto da maioria.

Mr. Hyde apareceu no Botequim todo pimpão: acertou em cheio nas suas previsões mensaleiras. Na verdade, como ele mesmo disse, tinha informações privilegiadas, pois havia consultado Mãe Dinádegas. Pediu uma losninha - mantendo-se fiel à Dyabla Verde, a bebida da casa - e explicou que a sacerdotisa porto-alegrense, famosa por ver o futuro no traseiro das pessoas, não havia lido a bunda do ministro:

"Na verdade Mãe Dinádegas não viu o rebolado do vossa excelência, desta vez baseou-se apenas no tarô e na numerologia, onde diz ter desvendado muito ciúme e agressividade".

Tigran Gdansk: "Bah, ontem teve uma hora em que me apavorei, tchê, o Ricardo Complicowski teve um acesso e começou absolvendo o Caim, passou para o Barrabás e o Judas, quando o pessoal se deu conta o Al Capone e o Pablo Escobar já estavam inocentados. Se não seguram o homem dali a pouco soltaria o Fernandinho Beira-Mar. Fiquei com medo, se o cara me vê aqui do outro lado da tela iria perceber minha discordância, aí já viu, me fritava em azeite e me fincava na cadeia".

Jezebel do Cpers, martini à frente e gato no colo: "Você ainda brinca com coisa séria, hein, Tigran... Até o Gatolino aqui sabia que o cara iria complicar. Nunca se viu uma coisa dessas no mundo, o sujeito, mero revisor, antecipadamente prometer contraponto ao relator do processo. Quando condenou o Pizaiolo do Bando do Brasil percebeu-se a moleza, nada de ênfase, não havia a ânsia que se viu ontem, ao absolver os marginais".

Carlinhos Adeva: "Conheço o Ricardão desde pequeninho, ele tem um bom coração, condenar lhe dói, absolver o realiza". E desata a rir.

Jezebel: "Não dá pra conversar com vocês, só dizem besteira".

O Contralouco leva um lero paralelo com o fisósofo Aristarco de Serraria, que o ouve atentamente. A turma presta atenção:

"... quando cheguei no local já era 3 da matina. A fubica tava estacionada nos fundos. Pulei a cerca e fui lá, pé ante pé, e coloquei os cinco molotovs na camionete, deixei um molotov na rua junto à cerca. Depois espiei de novo se não vinha ninguém, pulei a cerca de volta, devagarinho, naquele silêncio, por dentro o coração disparado tum-tum-tum, e abaixado lá na rua, com o isqueiro taquei fogo na mecha e joguei o bom para dentro. Foi um estrondo atrás do outro, a fubica virou uma bola em chamas, dando pulos, igual filme dos americanos putos, e...".

Mr. Hyde interrompe com o seu vozeirão: "Peraí, começa de novo, perdemos o começo...".

Aristarco: "Nada, o Contra apenas sonhou que tinha incendiado uma das camionetas sonoras dos candidatos a prefeito, que estão tirando a paz da Cidade Baixa, o dia inteiro, desde cedo, aos berros pelo bairro".

Lúcio Peregrino: "Mas tu não bate bem mesmo, Contra...".

Contralouco: "Ué, será que agora até sonhar é proibido? Eu  é que sou a vítima. Acordei ensopado, tremendo, nervoso, achando que tinha feito aquilo mesmo. Filhos da puta, não aguento mais...".

Jezebel: "É, deveriam proibir essa horrível poluição sonora, dói os tímpanos de qualquer vivente. Eu ando com tapa-ouvidos em casa".

Tigran Gdansk: "Ora, proibir... o prefeito é o primeiro a dar o mau exemplo".

Jezebel: "Deixa estar, no dia da eleição eles vão receber o troco...".

Clóvis Baixo, recém-chegado: "Eu tenho como gente boa o Miudinho Fortunati, antigo companheiro do PT, quando existia PT".

Mr. Hyde: "Pode até ser, mas as suas culigações, sai da frente...".

Leilinha Ferro se apresenta para receber as charges do dia.

Os boêmios ficaram com o Frank, de A Notícia (Joinville, SC),




e com o Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).




Leilinha Ferro abraçou a obra do Marco Aurélio, de Zero Hora (Porto Alegre, RS). Os empinantes se animaram: o Marco foi buscar um clássico do Roberto Cantoral, a turma seguiu cantarolando.





Em solidariedade ao sofrimento dos amigos, o pessoal aqui da palafita decidiu reproduzir uma obra de 20/7/2012, do Sinfrônio.






(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.)





jueves, 23 de agosto de 2012

Paula Toller: ?

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Hoje a festa é na casa da Paula Toller Amora (Rio de Janeiro, 23/8/1962).

No vídeo com "?" (O que é que eu sou), composta por Erasmo Carlos especialmente para a sua voz.

Tintim! Saúde, Paula!


A sessão extraordinária de Toffoli

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O  texto abaixo é do famoso jornalista Elio Gaspari, publicado ontem no Correio do Povo (RS). Por ele vê-se que a estranheza se estende para além dos botequins.


A sessão extraordinária de Toffoli

Sábado, 12 de agosto, duas e meia da madrugada: o repórter Ricardo Noblat deixa a casa onde se comemora o aniversário de Fernando Neves, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, passa pela sala, cumprimenta-o, despede-se também do ministro José Antonio Dias Toffoli e vai em busca de seu carro. Acidentalmente, ouve o que parecia ser uma discussão, talvez uma briga.

Descontando-se os palavrões (pelo menos seis) e as vulgaridades (pelo menos uma), ouve o seguinte:

- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.

Pelas regras da noite, podia ter dito o que quisesse, na presença da vítima. Se Toffoli não gostou de ter encontrado Noblat na festa, deveria ter saído da casa horas antes, quando ele cumprimentou-o pela primeira vez. Até aí, mostrou que é um mau convidado, mas, pelo adiantado da hora, pode-se relevar que tenha produzido um bate-boca sob a forma de monólogo. O ministro não comenta o episódio.

Pelas regras da magistratura, Toffoli não poderia ter revelado a amplitude da simpatia que concede a um réu de processo que está em curso no tribunal onde tem assento. Se o "canalha" não poderia ter criticado José Dirceu porque ele escreve no blog, um ex-advogado do PT pode condenar o ex-chefe?

O doutor Toffoli fez sua carreira na advocacia petista e nas campanhas de Nosso Guia, que nomeou-o advogado-geral da União e ministro do Supremo Tribunal Federal aos 42 anos. Entre 2003 e 2005, Toffoli ocupou a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil comandada por José Dirceu. Em voos solo, tentara por duas vezes chegar à magistratura de primeira instância, mas foi reprovado nos concursos públicos.

A presença de Toffoli no julgamento do mensalão é absolutamente legal. Não se pode dizer, como o comissário Luís Marinho, que "ele não tem o direito de não participar". Direito tem, e é dele a decisão. Também é seu direito de tomar as dores de José Dirceu às duas e meia da manhã numa festa onde confraternizava com advogados da bancada de defesa dos réus do processo do mensalão. Da mesma forma, estava no seu direito quando foi à boca-livre do casamento de um advogado amigo na ilha de Capri.

As sessões do STF mostraram momentos de tensão. Há ministros que se estranham, mas, no centro das divergências, sempre há argumentos que contribuem para o bom andamento do processo. São cenas que podem ser mostradas na televisão. O comportamento de Toffoli na festa de Fernando Neves não contribui para coisa alguma, senão para a crônica dos maus modos. Ele estava fora do tribunal, num evento privado, mas emitiu opiniões relacionadas com um réu do julgamento que está em curso.

O ministro contribuiu para uma edição da autobiografia do jurista Hans Kelsen (1881-1973). Logo dele, que teve uma vida social reclusa. Ao lançar o livro, disse: "Estamos muito acostumados no mundo jurídico a falar sobre a obra da pessoa, discutir sua teoria, suas teses e posicionamentos, mas nos omitimos em estudar a vida e as circunstâncias, ou seja, o que levou ela a desenvolver determinada teoria". Kelsen falava pouco e certamente dormia cedo.



Televisão nova no Botequim, na Charge do Dias

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O Botequim do Terguino foi sacudido logo cedo pela felicidade da Leilinha. A moçoila andava de mesa em mesa com um enorme sorriso, mostrando a postagem neste blog (veja AQUI) onde enviou um abraço ao Newton Silva, grande artista do traço e do pensamento. Ocorre que o Newton Silva respondeu, em Comentários à postagem. Os acessos se multiplicaram, vez que a Leilinha por e-mail comunicou a toda a universidade. Aqui na palafita também ficamos muito contentes, embora a nós não surpreenda o gesto do famoso chargista, que é conhecido também pelo seu despreendimento. Os boêmios saudaram o artista com uma bela salva de palmas.

Passados os festejos, os amigos decidiram proibir terminantemente ao Sr. Contralouco de assistir a propaganda eleitoral na TV. O aparelho que o destemperado boêmio destruiu na noite de terça-feira era velho, mas agora o Portuga comprou um moderno, novinho em folha. A estreia será hoje à tarde, "para ver o ministro Levandowski começar as absolvições dos mensaleiros, estou certo disso, consultei Mãe Dinádegas", como disse Mr. Hyde.

Os empinantes decidiram novamente unificar a escolha das obras. Duas, que corresponderiam aos extintos bares.

Uma das escolhidas foi a do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG). Como se sabe, a esmagadora maioria dos pinguços torce pelo Internacional de Porto Alegre, e ninguém esquece que, no apito, o Corinthians lhes afanou um título brasileiro.

Clóvis Baixo: "Quem não lembra, o Tinga sofreu penalti no fim do jogo, mais claro impossível, mas o juiz não marcou e ainda por cima expulsou o Tinga".

Chupim da Tristeza: "Depois a Polícia  Federal interceptou ligações telefônicas de um dirigente corintiano, e ele lá, dê-lhe a falar que havia comprado o  juiz".

Pois é, quem não lembra?





A outra obra escolhida gerou profundos debates.

Tigran Gdansk: "Poderosa não sei no quê. Só podia ser coisa dos americanos, estão querendo alguma coisa dela".

Contralouco: "Estão querendo é o (isto não pode, seu Contra, assim nos obriga a usar a tesoura). 

Carlinhos Adeva: "Isso é besteirol dessa revistinha, daqui a pouco mudam tudo, ora poderosa... Já o ministro Joaquim, por esta e outras, inscreveu seu nome na história".

É do Dálcio, do Correio Popular (São Paulo, SP).




Leilinha Ferro, que assistiu ao ataque de fúria de que foi acometido o Contralouco na noite de terça-feira, identificou-se com a obra do J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA).




(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.)




miércoles, 22 de agosto de 2012

Propaganda eleitoral em Porto Alegre, dia um, na Charge do Dias

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A capital gaúcha apresentou-se radiante ontem à noite. Atmosfera estival, os boêmios de chinelos-de-dedos, bermudas e camiseta, cervejando em mesas da calçada. Lá pelas dez da noite haveria música no Botequim. Às dez porque esse foi o horário determinado pela prefeitura para terminar a música. De teimosos resolveram iniciar nesse horário, ninguém gostou do tom de voz do barnabé na visita que fizeram ontem à secretaria de indústria e comércio de Porto Alegre. Ainda bem que os boêmios deixaram o Contralouco e o Gustavo cuidando do buteco, de outro modo não iria prestar.

A teimosia tem suas razões: os bares da Rua da Olaria ficam abertos até às duas da manhã. E o Clubinho de caça da Venâncio Aires, esquina com a rua da Olaria, vai até às quatro, com brigas em frente, garrafadas, palavrões, taxistas, gritos, na vizinhança ninguém dorme. Este pode tudo, por alguma razão desconhecida. 


Lá dentro do bar os próprios, Contralouco e Gustavo Moscão, com a coordenadora Leilinha Ferro, solitários, se preparavam para assistir na tevê o primeiro dia da propaganda eleitoral gratuita. Leilinha ansiosa para ver o desempenho do candidato do PSOL, o Robaina. O Gustavo queria ver o Érico do PSTU, candidato da sua mulher, a professora Jussara.

Volta e meia alguém da cambada lá de fora metia a cara na janela e gritava: "Mas vocês têm estômago, hein!". O Moscão respondia botando a língua e fazendo uma rodinha com os dedos.

Na mesa central da calçada o filósofo Aristarco de Serraria comentava sobre o pedido de impeachment do ministro Toffoli, o advogado do PT, no Supremo Tribunal Federal. A turma o ouvia atenta: "É uma vergonha esse rapaz não se dar por impedido, hoje em dia ninguém tem mais pudor, e...".

Lá de fora se ouviu o estrondo de cacos espatifados: o Contralouco havia jogado uma garrafa na televisão. Corre-corre e ele lá, sentado: "Não foi nada, pessoal, é que não aguento ver a cara do Miudinho Fortunati".

Gustavo Moscão se impacientou com os amigos: "Ora, é só uma televisão, fiquem na de vocês lá fora, deixem a gente em paz aqui, nem quebrou a porcaria". 

De fato, a televisão resistiu, seguiu pendurada na parede lá em cima. A turma retornou para fora e agora foi Carlinhos Adeva quem tomou a palavra: "O nobre Ministrowski Complicadowski vai acompanhar o relator nas condenações aos pés-de-chinelos, mas na hora do Dirceuzowski é que vai dizer a que veio... Como aqui a maioria é leigo, vou simplificar: segmentação ou fatiamento do julgamento quer dizer que primeiro farão o juízo de culpabilidade, depois a dosimetria da pena, isto é, quantos anos de cana cada um vai pegar, que ficará para a segunda parte. Os adevas reclamaram do não acesso ao memorial do poço escuro de Júpiter, que era um papel velho e apócrifo, carcomido pela poeira cósmica. Os rábulas deveriam ter recebido voz de prisão no ato, por litigância de má-fé, e..."

Marquito Açafrão: "Só entendi que primeiro vão julgar se os caras são ou não culpados, para no final começarem tudo de novo, agora pra dizerem quantos anos de xilindró para cada um dos condenados. Mas esse Complikowski é convencido, metido a macho, pensa que engana alguém... tá com o voto pronto".

Lucas da Azenha, o boêmio que não bebe: "Tchê, não é bem assim, todos estão sob pressão, não creio que o Levandowski seja parcial... Com o voto pronto todos estão. Essa de forçar o retardamento do julgamento também não entendi, talvez seja um acerto de contas interno, vocês não sabem como é a politicalha do sistema judiciário".

Tigran Gdansk: "Acompanho a opinião do Carlinhos. Até acho que o Ministrowski vai livrar a cara de mais alguns, além do Dirceu. Aquele Mendes não livrou os banqueiros, na maior cara de pau?"

Mr. Hyde: "O cara que merece uma cadeira elétrica vai sair de lombo liso, é isso que vocês estão falando? Não acredito".

Outro estrondo lá dentro. Desta vez correram somente Terguino e António Portuga. Na volta António disse: "Agora foi uma cadeira, quando apareceu o Villão do PT, o Contralouco tá impossível".

Carlinhos Adeva passa a explicar a dosimetria da pena, no julgamento fatiado, ou segmentado, como preferem os vossas excelências.

Clóvis Baixo: "Por falar em dosimetria, Portuga, me traz uma dose dupla de uísque com rodelas de kiwi".

Nicolau Gaiola, o ator e dramaturgo da turma, recém chegado, não perde a oportunidade e batiza o trago de "Julgamento duplo fatiado". No fim a maioria concordou que a pena do José Dirceu ficará entre 90 e 130 anos de prisão.

Nesse momento o Contralouco passa furioso com a TV erguida sobre a cabeça, vai até a lixeira italiana e a joga com toda a força, gritando: "Deu pra ti, mentirosa!".

Leilinha Ferro vem para fora e explica: "O tadinho do tio Contralouco não aguentou quando apareceu a Manoela Namorida. Bem que fez, essa TV tava muito velha mesmo".

Hoje pela manhã Leilinha Ferro liberou geral. Com a primeira obra, homenageou a Mr. Hyde, pelo que disse ontem sobre os suecos. Com o grande Zop.




Depois todos homenagearam o início da propaganda eleitoral gratuita, essa roubalheira oficializada.

Com o Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).





O Duke, de o Tempo (Belo Horizonte, MG).





O Paixão, de O Povo (Curitiba, PR).





O Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP). (Com esta o Pelicano se superou, pessoal: formidável, diz tudo)





E com o Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR).


(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.)