domingo, 17 de febrero de 2013

Concha Buika em Oslo

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Sobre Concha Buika este blog está lleno de referências. Pudera, me pediu em casamento certa vez, e o burro aqui, empernado com uma berlinense, disse eu te amo, mas tu é muito novinha.

No ano seguinte, para que... fui visitá-la antes de uma apresentação na Noruega. Jogou-se nos meus braços no camarim, antes de entrar em cena, pela surpresa em me ver. Eu, de terno branco, camiseta azul clarinha, chapéu no meio dos meus olhos castanhos, rosas vermelhas na mão, cara de quem nunca mais dormiu pensando naquele dia, disse: Buikinha, se tu me quiser ainda, eu topo, sempre te amei, te disse no ano passado, é que lá estava complicado, a Ingrid pensava em se matar...

Eu lembro, disse ela, tu estava encafifado com uma alemã com cabelos pintados de ruiva que dava duas de mim. Até hoje não entendo, para transar com aquele mulherão deve ter pedido auxílio aos vizinhos... O que houve, brigou com a grandona? Ela parecia ser uma pessoa muito tri, Salito.

Não gostei do rumo da conversa, fui de leve: - Não, Maria Concepción, na verdade nunca tive nada sério com ela...

Aí ela subiu nos tamancos: Como ousas me mentir, homem, se sabes que te quero bem, como sei que me amas, como puedes mentir? Ahora no, agora vai te catar, casei com alguém que eu amo e que não me deixa pendurada no pincel.

Mal terminou de falar e me entra um cigano de uns três metros de altura, ela batia na barriga dele. De largura, dava três de mim. Imaginei o pincel.

Enfim, a negra mais amada deste mundo, novamente se apresenta neste blog, mediante um cachê altíssimo. Naquele dia em Oslo, em que fiquei bebendo sozinho na mesa lá do fundo, no escuro, tomei o maior fogo da minha vida, todo mundo já tinha ido embora, inclusive ela e o cigano gigante, e acabei arranjando encrenca na saída. Um cara me confundiu com outra pessoa e me meteu o braço, mesmo bêbado me esquivei no instinto, e passou zunindo, se me pega me mata. Revidei também no instinto aceso, peguei no queixo em gancho, foi direto para a UTI de lá, soube depois, ficou no morre-não-morre por um mês, se salvou, e os seus amigos me quebraram a pau, contra seis só se o gigante me ajudasse. 

Dois dentes perdidos, duas costelas quebradas, fora os traumas musculares. Levei três dias para abrir os olhos, tanto o inchume.

Mas o mundo gira, deixa girar. Sei que ela me ama. O sangue da Nova Guiné, misturado à criação em Palma de Mallorca queria era vingança. O grandalhão é casado com uma sua prima, se prestou.

Besos, amada.




O texto é ficção, obviamente, mas que poderia não ser, e tentou ser uma forma divertida de exaltar a vida e a especial artista Concha Buika, com todo o respeito e carinho.

sábado, 16 de febrero de 2013

Quando a gira girou

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O samba é de Claudinho Guimarães (Cláudio André Guimarães, 17/ago/1970), o menino nascido em Marechal Hermes, parceria com o grande Serginho Meriti (Sérgio Roberto Serafim - São João de Meriti, 8/out/1958, a confirmar o dia). Figuraços, eternos.

Falei em girar na postagem sobre a mulher espanhola, Beatriz Talegón (AQUI), sobre o cadáver ambulante que hoje é o PT, que eu criei gastando o que não tinha, hoje fedendo igual aos inimigos, igual nada, pior, porquanto mentiram se fazendo, os inimigos não, são declarados, não mentiram; aliás, sempre mentiram, mas não para quem leu qualquer coisa, com capacidade de sentir na alma o horror do assalto, que sabe de onde saiu a bijuja para iates. 

E lembrei desta maravilha de samba popular, nada a ver... ou tudo a ver com o que passa na minha cabeça hoje. Só para relaxar, espantar os infernos, com o Zeca meio tocadinho..., vá lá, meio bem tocado de merengues. Ainda bem, ufa. Zeca Tocadinho, gostei. Merengue é colarinho, Zeca, que fica "mais bom" com steinhager quase congelado, em copito de um tiro. Depois o líquido doirado, mas gelado de doer a garganta. Vai por mim, é que um pedacinho de jasmim, caindo dentro daquele minúsculo copito de um tiro só, menino... sai da frente, pedacinho do céu.

O Zeca, já falamos aqui, talvez seja a maior expressão popular desde Noel. Junto com Chico, Pixinga e muitos outros, cada um na sua, da história do Brasil, na junção homem-artista. Tivemos muitos, como o próprio Noel Rosa, sei, não ajudou crianças como Zeca sempre fez? 

Não sei. Mas era outro tempo, cachês diferentes, mentalidades diferentes, perseguições diferentes, não havia o horror da droga, os pobres mal ou bem comiam, estuprador era raro, penso no Brasil em geral, só faltavam boas escolas para todos, neste aspecto os escravagistas sempre se esmeram, não querem acabar na ponta de uma corda. 

Não dá para comparar Messi com Leônidas, Pelé no meio disso, outro mundo... Qualquer zagueirinho, apelador e burro, mas obediente e com bom preparo físico, hoje ganha 50 vezes mais do que Elias Figueroa ganhava. Uma coisa é certa: em qualquer mundo, Zeca daria o melhor de si, como talvez alguns loucos tenham dado, e, daquele mundo do rádio começando, ou antes, sem rádio, a notícia não chegou aqui. 

Pelo que eu soube de Noel, em suas passagens por Porto Alegre, creio que tinha muito a ver com o Zeca, quanto à bondade, coração, salvo por certa particularidade de Noel, que era meio, digamos, putanheirinho, coisa que o Zeca passou ao casar. Deixa assim. Noel foi embora ainda menino. 

Bem, voltando para algum lugar... Como tantos, sou prova viva do gato, das sete, custei a crer um pouco. Agora posso falar, queimei seis vidas, estou mesmo pela sete. Porém as seis, cada uma, foi filme de terror. Mas nunca fui melhor que ninguém, ora, deslumbrado são os fãs do Lula tonto pela vida, querendo sucessos (?), grana antes, eles, não o Lula, para preencher uma eterna ignorância de tudo. Andei me incomodando demais ultimamente, aguardem-nos. 

Quem avisa amigo é, mas como não sou amigo de gente que mente, não tinha a obrigação de avisar, ainda assim aviso. Meu defeito de não ser ladrão, de não fazer conchavos, papinhos no ouvidinho... , como se os semelhantes fossem inimigos da panelinha, fere? Então tá. Firo, mas a culpa não é minha, senhores. Quase morri de fome mil vezes, e na volta segui desprezando dinheiro. QI de 190? Exagero da inveja, para a seguir apelarem para a "loucura", isso fere mais que tudo. O meu deve ser uns 30 ou 50, esses testes não são confiáveis, modismos como carne de porco ora faz mal, ora faz bem para o coração ou aumentar o pau, conforme o ladrão do frigorífico que paga cientistas famosos para testemunhar. Até ovos de penosa são diferentes, desato a rir. O princípio básico da má economia para fincar no povinho do sopé do morro do Nome da Rosa, diferenciar o produto, aumentando o preço na ilusão da massa ignara. Ovos... Águas fortificantes... Façam-me o favor, eu vi o composição dos custos e ingredientes.

Sim, amigos, dinheiro compra cientistas "famosos". Mudando para a mesma mala, de cor diferente: Já viram o profeta Valdomiro e o JR Soares em ação, entre outros? Tomam a grana de quem? Olhem o público que os aplaude... Serão penalizados um dia?

Não por mim, 171 é responsa policial, eu tenho compromissos maiores.


Tentem explicar ao povo, inclusos gente com diplomas supostamente altos, para, uma vez na vida, uminha, em vez de entregar os pilas para o circo, praia ou o caralho; tentem explicar às professoras, para não entregarem o salário baixo para o Coberto Ralos, que todo ano vem buscar a sua parte, aquele caridoso espécime humano, que Deus me perdoe. Alô, Dra. Jezebel do Cpers, está isolada mesmo aí?

Tentem levar a família ao Asilo Padre Cacique. Mulher e crianças, se for homem. Ela sozinha. De qualquer jeito. Casal homo? Vai, tentem. A experiência é inesquecível. Tentem explicar para essa gente, digam não vá no Clubinho das putas, aquilo vai incendiar um dia, fora o perigo de pegar uma Aids pela boca, e não vá entregar os cem para a Universal... tente... chamar de gente, deixa pra lá. Falo em asilo, mas poderia ser presídio, mas aqui é muito mais complicado, filme de terror, mas outro dia conto como se faz, para o caso de alguém se interessar. Fiz história lá dentro. Lá pode fumar, é mais embaixo, diferente de coagir velhinhos na marra.

Se o querido leitor mora na cidade de Kiev, não precisa vir aqui. Ali, na sua cara, existem os asilos. Como existem colônias, como no Rio Grande do Sul, de leprosos, do que os governos não falam e a imprensa cala. O cidadão não tem o direito de saber, uns filhinhos da puta decidem o que a "massa" pode ou não saber, e, sabendo, se educar. 

É falar em governos e me salta à memória a polícia, civil ou militar: uns pobres homens brutos, armados, mal treinados, ganhando uma miséria, dirigidos a espancar outros miseráveis, imensa maioria, mas estes desarmados, para proteger banqueiros e políticos da nomenklatura, de quebra os "reis" da noite, os traficantes, drogas e escravas brancas, etc, ou seja, os criminosos. Mal pagos por quem? De quem é a grana da Prefa ou do Gov? Tua, cara-pálida, a maior parte vai para os amigos deles.

Que droga, mania de virar o assunto.

Na primeira visita levem comidinhas e tal, leves, mas não precisa, isso não é importante. Roupas? Pode, mas também não é importante, mesmo que as velhas e os velhos estejam mal de roupas, em frangalhos, como os vi na primeira vez. Só não esqueçam batom, espelhinho novo, blush (rouge). Velhinhas se transformam em menininhas. Se transformam não: são menininhas. De cara, na tua chegada, dez gritam: meu filho!, veio me visitar, e correm feito doidas em tua direção. Aí contorne, seja filho de todas, responda Sim, minha mãe, eu venho sempre. Aí umas cinquenta se lembram, umas com o cérebro abatido, como aquela lá encostada no arame do pátio, semblante de morta, e com o alarido se lembram, um brilho, uma fagulha: meu filho veio! Eu vim, minha mãe, deixa eu te abraçar, trouxe presentinho para a senhora, e dê-lhe batom, tiara, espelhinho, brincos, pó, talco, mil coisinhas. Se alguma ficar ciumenta, o que quase nunca ocorre, seja duro: pára aí, mãe, ela também é minha mãe, mas com abraços e beijos. Bijuterias compra-se a quilo no camelódromo, se contar para os caras o destino. Se contar, te vendem pela metade do preço, sem lucro. Periga pedirem para ir junto, ou sozinhos na semana seguinte, aquele povo tem alma, por trás da aparência de espertos ou mordidos.

Em alma e amor, os camelôs do povo estão a anos-luz de Eikes Maravilhas e outros broxas desgraçados que assombram o Brasil, que tiram a comida das mesas dos simples.

Com os homens é mais embaixo, tem proibições ao fumo, bebida, uma desgraça total, só não proíbem os velhos de morrer, mas tudo tem jeito, pode levar um chapéu, qualquer um, não precisa ser de malandro da Lapa, que custa vintão, outro, mais baratinho, mesma coisa, leva aos quilos dos lutadores camelôs, se contar direito idem, periga irem juntos e assumirem a conta. 


Meu pai, trouxe para o senhor este chapéu cubano. Este é espanhol, pai nego. No outro dia desfilarão pelo pátio, com chapéus iguais, cores diferentes, mas um dizendo o meu é cubano, meu filho me deu; o outro o meu é espanhol, meu guri também veio; o meu é de Portugal, meu filho está lindo, macho, saiu ao pai; o meu é novaiorquino...

Os velhos abandonados contam coisas... Quando meu outro pai lá adiante me disse que foi espancado pelo guarda, aí apertei o abraço, no ouvido dizendo: fala sério, paizinho. Eu juro, guri. Eu vendo a expressão do rosto, os olhos. Dei-lhe um canivete de abrir, de 10 cm, esconde aí no casaco. Ah, paletó velho, adoram, comprei ontem pra ti, pai, novinho. Depois tu diz no ouvido de novo: se ele tentar te bater, atole nele, paizinho, mas na goela, enterre com toda a força que o senhor puder, só vai ter uma oportunidade pela surpresa, se der no corpo ele lhe mata. Sei, meu fiinho.

Se acontecer algo assim, nobre professora que irá num domingo de manhã com os duzentos que era para a lágrima falsa do coletor anual, tente pegar nome do guarda. Meu pai andava meio esquecido, não consegui o nome naquela vez. Com nome ou sem nome, depois tu vai procurar o diretor da espelunca, avisar que se aquele velhinho me aparecer com roxo no corpo, ele, o diretorzeco, vai se incomodar muito comigo, mas a gente diz isso baixinho, sem testemunhas. Ele explica que nada, moço, olho rápido e ele retifica: senhor; ele que se bate na parede gritando cadê meu filho, minha filha, e sonha que bateram nele. Acredito no indivíduo, depois vou descobrir como ele acabou ali, se é política, concurso ou sei lá. O canivete fica, ele não me pareceu louco não, e volto na semana que vem. 

Na semana que vem deixo para falar com ele por último, ele lá no outro lado, pois à distância me pareceu sereno. Quando fui, quase quatro da tarde, antes que feche, nada reclamou. Levei somente um litro de suco de uva, ele gosta, pensa que é vinho, mas só dei uma batizadinha, um copito daqueles que falei ao Zeca Tocadinho, depois o convido a passear pelo pátio, o que fazemos enganchados, falo no seu ouvido: não demonstre, pai, mas me mostre o guarda violento, com cancha, e ele responde ahahah, nada, foi um milagre, acho que saiu no mesmo dia em que te contei, meu fio, nunca mais vi. Sem que eu peça, dá as costas para os fiscais não notarem e me devolve o canivete. 

E depois ele é que é tantã pela idade, enquanto o Lula e o Serra, idem, mais uns cinco mil da mesma laia, passam o ano inteiro dizendo merda. 

Mania de mudar de assunto, e para falar de merdas. Eu que nada tenho de santo, cometi erros graves quando menino, mas só com uma pessoa, minha namorada de amor, muito marcada, teimosa, coisas de família. Claro, nada de roubar. Ela está viva, jamais a feri de canivete ou na carne, salvo um maldito tapa, que deus me perdoe, e pretendemos nos casar.

O quadro de pessoal do Asilo Padre Cacique é formidável. Falta é recurso, grana, meu chapa, para dar uma melhoradinha. Porém as prioridades nacionais são outras, precisamos construir estádios com dinheiro público, dando o fiote para a máfia da Fifa, "culigada" com dignos deputados e senadores brasileiros, empreiteiras mafiosas e com lesmas gatunas instaladas em cargos do governo, a pretexto de base "aliada", levando o deles, digo, o nosso, sem licitação.

Inclusive a Dilminha (alô, dona, esqueceu de mim? Pena, mas que surpresa, hein, sobrevivi, enquanto você me esqueceu e se conchavou), juro que dou na praça sábado pela manhã para um jumento, na rua José Bonifácio, Redença lotada, se ela alguma vez botou os pés em lugares assim. A lepra dos vampiros é outra, não come a carne, bebem o sangue do cérebro.

Tentem. Nobres professoras que reclamam do salário de fome, salário pelo qual este blog sempre esteve na linha de frente em defesa, quem sabe vocês cortam logo os pulsos, o falso do Coberto Ralos iria adorar. Sem a lágrima falsa, esse, esse... poderia vender o sangue de vocês, em sociedade com... deixa pra lá. Saudades do seu Walter D'Ávila: a inguinorância é que astravanca o progréssio. Não, seu Walter, não é somente a ignorância, é coisa pior, o senhor sabia disso. Mania de mudar de assunto.

Não fui mais lá ao cabo de cinco anos, dei um tempo. Matei as velhas e velhos do coração? Não, eles aguentam, já aguentaram coisa pior. 

Resolvi matar os culpados. Economizei para adquirir armas de precisão, caras pra caralho. Mira telescópica, a um quilômetro deu pra ele, para alguns seria com bala dundum. Aí fui fazer a lista dos bandidos. Pensava em 15. Informei-me e quando vi estava em 500 nomes, e aumentando... Companheiros para isso, nem em sonhos. Desisti. Não estava em mim mesmo, além de ilegal,

Se o amigo ou amiga do Burundi não gosta dessas adoráveis personalidades, de todas as cidades, de vereador a prefeito, governador, presidente, deputado, senador, ou do seu vizinho, artistas, todos eles que pensam só em si, tamanho o medo da vida; se tem, como eu, ânsia de vômito ao vê-los, com aqueles olhinhos de raposa, interesseiros em voto, em se sentir O Cara, vai tranquilo ao Asilo, como nos presídios e antros onde encarceram meninos e adolescentes esfaimados, revoltados, brutalizados pela falta de tudo, nesses lugares o nobre leitor/ora não terá o azar de topar com malfeitores. Lá esses valentes não vão. 

Mania de... Voltando.


Fica apenas, a meu favor, a memória fotográfica, visual e auditiva: lembro de cada nome, de cada rosto, de cada gesto, de cada palavra proferida.


Ofereço o samba dos artistas lá em cima nominados para Maria de Lourdes, do Rio de Janeiro, que largou tudo, gastou economias, se incomodou, para salvar a minha vida, trancada noite e dia num hospital de Porto Alegre por muito tempo. Não precisava.


Ela também não ouviu, como eu, o meu telefone chamar. Alô, é a Dilma..., Alô, é o Fulano, teu sócio... Ô, cara, é o Sicrano, teu amigo, ei, sou aquele da praia. Nada. Eu que ao pressentir um amigo mal das pernas dava a chave de casa, do escritório, ou levava rancho ou mil contos enrustidos para a mulher dele não ver (alô, Paulinho Copersucar, escolha como vai ser: tiro ou punhalada), notei quem eram os amigos. Amigos... uns covardes, movidos pela ânsia de mais dinheiro, que pela falta de livros não sonham por que diabos estão neste mundo, vale o levar vantagem. Vantagem? 

Tontos, sentindo o cheiro de sangue, mostram o que são, lobos traiçoeiros, se você morrer, já no expiro comparecem, ai eu não sabia, e assediam a tua mulher ainda no velório, com aquele papinho doce de sincerinho do Badú (pesquisei e escrevi um conto, mas não sem vomitar muito), pensam que a mulher da gente é igual à putinha dele, ou a vadia que nunca teve. Mas dissimulam. Não para mim, que pelo jeito de me olhar ou andar já vi. Como dizia o seu Brizola, não me canso de repetir, "Venho de longe". 

Enquanto brincavam de bonecas, eu morava de favor no fundo de um bordel, e não me corrompi. O Patinho já tinha partido, infelizmente. A falta que tu me faz, Pato do céu... Odiei que Maria de Lourdes testemunhasse a covardia do mundo, ela não merecia. 

Ao sair de lá, um belo dia, atravessei a rua e contrariando os médicos entrei no bar em frente da Santa Casa, depois da curva. Boteco de tamborete, odeio isso, coisa de viado portoalegrense, bar tem que ter mesa comum, onde eu iria botar meu chapéu?, mantive-o na cabeça, vai que chovesse lá dentro, e sentei num banco de americano daqueles, o idiota ficou me olhando, nunca viu homem de chapéu, outro dia vou mostrar um buraco negro comprido e silencioso pra ele, mas relaxei, tava nervoso, o pobre do rapaz nada tinha a ver, só era imbecil, e eu numa sede de meses... ela veio e sentou noutra coisa daquelas, ao meu lado. Pedi uma cerveja e um maço de cigarros mucufa. Depois suspirei duas vezes, profunda, bebi meia cerveja, e lhe disse devagar:

- Vai demorar um pouco, mas volto ao mundo dos vivos, morena, muito "vivos", eu sobrevivente, não foi a primeira vez que encarei esse muquifo de enfermeiras, antes embarquei por pneumonia dupla por morar na rua no inverno gaúcho, pés encharcados, roupas ensopadas, sapatos furados, por semanas, depois por tiros que me pegaram mal, se pegam bem eu não estaria aqui, a morte nunca me assustou, mas nunca tinha pensado num maldito câncer como esse. Desculpe pela trabalheira que te dei.

Câncer do qual esperei cinco anos, fechados em agosto de 2012, sem remédios de quimioterapia porque o médico "alta sociedade" esqueceu - de tão burro não notou quem morava naquele quartinho do hospital, subestimou, o hábito faz o monge - para me sentir mais ou menos limpo. Ele, o punheteiro do médico, todo encantado, ui, teve a sorte que não merecia, do que não reclamo, pois sobrevivi e estou limpo, mas nunca se sabe o amanhã. Se eu for pro céu, por causa daquilo, no dia seguinte não vai prestar. Saravá, saudades, Jacarepaguá. 

Aí ela começou com um Tá certo, mas tu tem que... Pedi outra cerveja, e me voltei para ouvir. Olhou-me e disse Nada, ora, tu sabe, as seis eram tuas, quem sou eu agora para... Mudamos de assunto. Estava gelada a cerveja, mas meia quente para o meu gosto, mas, mesmo assim, maravilhosa. 

Sim, eu sobrevivi. Sem amigos, não seria fácil recomeçar, com o nome mais sujo que pau de galinheiro, por gentileza dos bancos que sem querer financiaram em parte a salvação. Cada vez que pego numa adaga lembro desses caras, não sei por que. Recentemente Carlito Dulcemano Yanés, que é fascinado por esse tipo de pensamentinho, me disse que eu deveria ter incendiado todas as suas agências. Respondi que cheguei a pensar nisso, seria muito fácil, mas que de nada adiantaria, eles têm seguro, e os dados estão nas nuvens dos computadores. O jeito é outro, Carlito, bem mais radical. Pensar não é crime, pois não? Só não entendo como esses agiotas pensam em receber o deles, com juro assassino sobre juro assassino, e ainda por cima, principalmente, queimando o nome da pessoa na praça. Mas tudo há de se ajeitar, eu disse, por bem ou por mal.

Eles são "vivos" noutro sentido, Maria de Lourdes - continuei - de medo de morrer dos larápios, não lhes entra na cachola que morrer faz parte do processo vital, o medo da vida os impele a cometer horrores, um egoísmo terrível. Pois me tiraram do sério. Acendi outro cigarro e concluí:

- O mundo gira, moça. E como. Vou seguir o mesmo, cuspindo em dinheiros, homem sem preço, mas vou te pagar tudo o que gastaste. O gesto jamais pagarei, só poderia em situação análoga, o que rezo que nunca ocorra. Pagarei somente o dinheiro, o nada, mas que custou teu suor. "Eles", se atravessarem, parei de ser compreensivo, entender seus medos, vou dar um tiro na cara, tiau, covarde filho da puta. E tu fique bem quieta, por favor. 

Quando nervoso, a gente promete coisas que nem sempre pretende cumprir. Olho para as mal-traçadas acima e vejo manchas brancas, não sei como foram parar ali. Puto da cara, moço? Relaxa, tudo passa. 

Mas, sem ti, Maria de Lourdes, acho que desta vez eu não teria conseguido. Pela presença, por sentir que alguém me amava de verdade, acima das mentiras e dinheiros comuns.

Tintim. Sempre fui e sempre serei teu.


viernes, 15 de febrero de 2013

Renan Calheiros capa o gato, Zop arrasa e a Conjunção metálica, n'A Charge do Dias

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Lúcio Peregrino chegou no botequim ao entardecer desta sexta-feira, direto do aeroporto Salgado Filho (Pra que dizer o nome, se só tem esse em Porto Alegre? Os leitores de Kiev e das cidades vizinhas ao Cairo não saberiam). Pela cara, não muito feliz. Viajou à Brasília - não à zona do meretrício de Palmeira dos Ervais, pior: à capital do Brasil mesmo - na quinta pela manhã, para buscar uma grana que uma deputada, ou aspona de deputado, ou esposa de deputado, vá saber, lhe devia. 

Como todos conhecem a sua fama de terror das "políticas", imaginaram o resto. Consta que naquela cidade o boêmio só não passou o pau em quem ele não quis. Essa vulgaridade de "só não passou o pau em quem ele não quis" quem cometeu, naquele seu modo inocente de dizer verdades, foi o Contralouco, pois este blog, lido por doutores e alguns intelectuais bundas-moles, jamais se expressaria dessa maneira. O Contra naquele momento não lembrou das jornalistas e... deixa pra lá.

Chegou, pediu uma cerveja estúpida e uma dose de dyabla verde e ficou bebendo, silencioso. 

- Ei, tchê, tou vendo que não tá no teu dinheiro, não recebeu o teu? - falou de novo o Contralouco, um dos poucos que, pela alma pura, tem liberdade para indiscrições.

- Recebi, sim, Contra, é outra coisa.

- Então, já que vens da capital dos gigolôs e das meretrizes da nação, diz aí as notícias do notibuc, somadas ao que soube no travesseiro -, emendou Tigran Gdanski.

- Tem razão, Polaco, já faz tempo que não temos atualização do noticiário, vou tentar -, responde Lúcio, abrindo o nóti.

Leila Ferro aproveita e os intima a escolherem as obras do dia. Em apenas uma hora de debates escolhem, com direito a falas em defesa desta ou daquela. 

Escolhas feitas, Leilinha lá no seu notinho as enviando para o blog, e Lúcio anuncia: Atenção, tigrada, Notícias do Notibuc!

- Lucinho das Putiangas, este locutor que vos fala, torna a clarear as mentes dos portoalegrenses. De cara propondo que esta nobre confraria conceda, com atraso, o troféu "Me rouba que eu gosto" de 2012 à rede de mercearias Zaffurtari, de Porto Alegre.

- Ué - diz Jussara do Moscão - não ia falar da putaria de Brasília?

- Primeiro as notícias locais, minha senhora. Amanhã este humilde varão, agora com a carteira cheia de 20 mil de um capim verde que não sabe exatamente de onde veio, de qual licitação fraudulenta, terá que pagar as contas atrasadas e encher as latas lá de casa, cerveja, vinhos, queijo, massa, tomate, feijão, arroz, mostarda, cebola, falta tudo, daí recordar o assalto promovido por essa rede de mercearias foi um pulo.

E segue:

- Renan do Encalhe passa o carnaval descansando as suas famosas habilidades na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Quando o povo de Gramado descobriu, e preparava grande e ruidosa manifestação para homenageá-lo, com banda, faixas e gritos de ladrão, para dizer o menos, o elemento capou o gato. De jatinho particular, que não sabemos a quem pertence nem de onde saiu a grana, ou emenda, para pagar tão elevada conta. Acompanhado de duas mulheres, que não se sabe se eram familiares, asponas ou marias-políticalhas. Se parentes ou marias, desde já este locutor esclarece que jamais as viu na vida, antes que alguém pense. 

- Se eu pego um cara desses -, rosna o Contralouco, ao que o bar inteiro exclamou belos adjetivos que aqui não podemos declinar, todo mundo chama o elemento de tudo, mas vai que resolva processar logo o Salito. Queremos deixar os ferros quietos, sem balas no cão.

- Eu queria era bater nos seus leões-de-chácara, eu sozinho contra todos, só dez minutinhos com eles, sem gongo pra atrapalhar, odeio zécu que se vende para meliantes - disse o ex-boxeador da turma, Gustavo Moscão.

- Gustavo, tu me prometeu... e nada de surrar bispos da universal também, já quebrou uns trinta, chega, não quero marido preso -, cobrou Jussara, esposa com quem Gustavo se reconciliou no carnaval.

- Não é bem assim, Ju, só três ficaram mais de duas semanas no hospital -, diz o Contralouco, defendendo o amigo.

- Olha quem falando - replica Jussara - tu ajudou ele a quebrar uns quantos bispos, fora os gerentes de banco.

- Banco não, banco quem tem é o judeu ali da esquina, uns  jurinhos legais, esses oficiais são casas de agiotagem -, diz Wilson Schu, botando os pingos nos is.

- Se os amigos seguirem me interrompendo, paro com as notícias, ora, comentem depois -, disse Lúcio. Repensou e soltou:

- Na verdade, já enchi o saco de notícias, nada a ver com os amigos. Mais uma gelada aqui, Portuga, e outra dyabla. 

Pára para dar um abraço no Carlinhos Adeva, que acabara de entrar, barulhento como sempre, beijando todo mundo. Depois diz: - A última, então, aproveitando que chegou o cara que sabe dessas coisas, uma que me estourou o saquinho.

- Lúcio das Putiangas sofreu muito em aeroportos e aviões, uma pouca vergonha, tratam-nos como seus empregados, enquanto esses filhos da puta, os donos, é que dependem da gente. São máfias organizadas, com redes de transportes terrestres também. Só a Dilma e as otoridades não sabem. Após a fornicação das duas grandes-merdas nacionais acabando com as pequenas, agora nos Estados Unidos as maiores também se fodem, digo, se fundem. Não se sabe exatamente como, mas vão botar no do povo. Se o nobre advogado Carlinhos quiser, a palavra é sua, eu vou é tomar todas para relaxar do stress de ontem e de hoje.

Todos os olhos do bar, naquelas alturas quase lotado, se voltaram para Carlinhos "Adeva".

Carlinhos sorri e diz alegremente, mas com ar cansado:

- Puta que pariu, sobrou pra mim. De fato, é um horror, muito pior do que a gente imagina, mas vamos relaxar, tive um dia de cão também, amanhã prometo dar uma idéia. Tudo é conjunção, jamais carnal, são todos broxas (com x fica melhor, só de teimoso), esta eu diria metálica. Amanhã virei preparado.

Protestos generalizados, ah, só uma ideiazinha, diz um; pra gente ir pensando, diz outro, e assim por diante.

- Tá, mas deixem eu terminar esta e tomar mais uma, para molhar a palavra.

(Fica o espaço aqui, pela demora já tomou seis)

Enquanto o boêmio se molha, o blog vai adiantando as charges do dia, escolhidas antes, sem o voto do Carlinhos, que demorou a pintar.

Pelo pouco que Lúcio falou, ficaram com Aroeira, do Jornal do Sul (o blog está em dívida com o jornal, cremos que é de SC, logo traremos direitinho). 



Com o Zop, que pegou forte. Os boêmios discutiram muito a escolha, se o blog colocaria, temos muitos leitores que são crédulos nessa gente. Ora se não. Esse tema precisa ser aberto, difundido, discutido a sério, acabar com a hipocrisia, para que sejam apuradas as responsabilidades. Milhares, talvez centenas de milhares, ou mais ainda?, de casos, notadamente nos seus seminários e orfanatos. Quem encobriu, senão os chefões de Roma? E por que encobriram? Culpa no cartório?

E isso nada tem a ver com a necessidade, ou não, de nosotros humanos termos ou não fé. O assunto tem a ver com o Código Penal.

Por decisão soberana dos empinantes, a obra vai emoldurada para a Antologia (as paredes do botequim agora se chamam Antologia). Desnecessário narrar a repugnância aos padrecos e os comentários dos boêmios, a maioria com filhos na escola.



Nesse passo, também ficaram com o Ykenga.



E terminaram com Zop, de novo. Só dá Zop! Bem isso, meu caro Zop, bem isso.




A coordenadora da coluna, miss Leilinha Ferro, feliz da vida, esperando o Z do Psol passar para pegá-la (hoje têm churrasco de niver de amigos), ficou com o Marco Aurélio, de Zero Hora (Porto Alegre, RS).




E com o Dum, do Hoje em Dia (Belô, MG). Essa menina tem personalidade.



Carlinhos Adeva armou um escarcéu, escolheram antes da sua chegada, "só por que tu tem que sair, amadinha, dá uma colher, vai, deixa eu mandar uminha...". Leilinha foi sensível. Então, uma a solas do Dr. Carlos, que escolheu a obra do... Aroeira (de hoje, a anterior foi de ontem, quando os malandros não enviaram). De novo Aroeira. Essa turma é foda.



 A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos meses se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.





miércoles, 13 de febrero de 2013

O bloco dos desmoralizados, n'A Charge do Dias

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Os boêmios estão de volta ao batente, isto é, ao botequim. Ninguém quis saber de papo de carnaval, detestam os simulacros da televisão, são todos fãs de blocos de rua, mas em Porto Alegre isso é raridade.

- Outro dia dei uma espiada na tevê, aguentei dois minutos: nunca vi coisa mais horrorosa, umas artistas de merda nadando em silicone, cara, peito e bunda -, disse Clóvis Baixo.

- E alegria de cocaína... -, lembrou Tigran Gdanski.

- O povo só serve para empurrar os carros alegóricos que levam os "famosos" -, ironizou Jussara do Moscão.

- Ora, famosos, baitas duns paus no cu, "famosos" pra massa ignara -, disse Chupim da Tristeza.

- Eta povinho bem desgraçado -, encerrou o Contralouco.

Lúcio Peregrino, nada a fim de apresentar o seu resumo de novidades, com o "Notícias do Notibuc", saiu-se com as principais, já de conhecimento geral:

- Gente, o Papa da Inquisição vai tirar o time de campo, e o pedido de impeachment daquele elemento, o Renan Calheiros, está pertinho de um milhão e meio de assinaturas. 

(Se o amigo/a ainda não assinou, clique AQUI).

- Vou sentir uma falta desse Papa... -, zomba o filósofo Aristarco. 

Deixamos de reproduzir os comentários sobre o Sr. Ratzinger, bem como os elogios ao horrendo Sr. Renan Calheiros, vez que as charges selecionadas pelos empinantes dão uma idéia do que se falou.

Miss Leilinha liberou a turma, para compensar a ausência de domingo para cá.

Os boêmios ficaram com:

Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ). Tratando dele, o próprio desmoralizado.



Dum, do Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG).



Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR). Os artistas não esquecem do eterno deslumbrado, e os boêmios também não.


Novamente Aroeira, de O Dia.



E... Aroeira! Só da Aroeira. Aqui o bar foi abaixo.



Leilinha Ferro ficou com o Paixão, da Gazeta do Povo (Curitiba, PR).



E com o Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG).



 A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há alguns meses se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro. 

Fortunati, a Raposa do Guaíba

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O título da crônica/denúncia é Fortunati, a Raposa do Guaíba.

Esse elemento nem sabe o que é o Rio Guaíba, Rogério, mas, tá, deixa assim. Ele entende de camisetas roxinhas, para as otárias pink, do PT, ou de qualquer. Lúcio Peregrino guarda lembranças, deixa assim.

Aí está:

Por Rogério Maestri*, no blog Porto Imagem, hoje.


O título deste artigo não é nada desmerecedor ao nosso prefeito, estou simplesmente comparando-o ao grande general alemão Erwin Rommel que devido a sua capacidade estratégica foi denominado pelos próprios inimigos em guerra como a Raposa do Deserto.


O que define um grande general não é somente a capacidade de montar estratégias de derrotar seus inimigos nas grandes batalhas, mas também em aplicar táticas diversionistas contra seus inimigos e escolher a hora certa da batalha.

Pois bem, imaginando que o nosso prefeito tenha a capacidade e a inteligência do General Rommel, vamos montar o cenário da batalha que o mesmo poderia ter montado (algo fictício, que pode simplesmente ter sido produto do mero acaso) para vencer uma das batalhas mais importantes que deveria se travar em Porto Alegre, a construção do Metrô.

O metrô é de longe a obra mais importante no município e também a obra mais cara e com mais repercussões em longo prazo. Para esta obra a nossa pobre oposição (pobre de espírito) PSOL e PT estão deixando tudo correr sem o mínimo interesse, principalmente porque o assunto exige trabalho e pessoal técnico para analisar, e me parece que este não é o forte desta oposição.

Então, entramos numa fase decisiva do assunto, primeiro foi à modelagem financeira que como o governo federal participou, os cordeirinhos acharam tudo correto, temos uma PPP, parceria Público Privada, que constitui o seguinte, uma empresa de grande porte ganha a concorrência pública para ingresso nesta PPP, pega dinheiro no mercado, principalmente de Bancos de Investimento (no caso o maior banco deste tipo é Estatal) e constrói o empreendimento. Se este empreendimento dá frutos mais proveitosos a parceira Privada se vê recompensada, se por outro lado os frutos são meio podres o Estado cobre os prejuízos através de dinheiro da receita dos impostos. Ou seja, se considerássemos um casamento uma PPP, o Estado seria uma Amélia (aquela do samba, a mulher de verdade que fazia todo o serviço e ainda era carinhosa com o marido) e o esposo sentado na frente da TV vendo o jogo seria o parceiro privado. Logo esta tal de PPP é uma beleza para as empresas a medida que elas não erram no orçamento da construção.

Definida a PPP, se passa a fase da licitação, porém como se faz no Brasil em todos os níveis (municipal, estadual e federal), nunca os projetos estão prontos, logo para se lançar a PPP precisa-se dos projetos. Como tudo é feito de um dia para o outro, num projeto de R$ 2,4, bilhões de Reais, é necessário à existência de um projeto básico para lançar a concorrência. Como de novo a prefeitura não tem nenhum estudo consistente que se possa parecer um projeto básico, ela lança um fantástico edital que em três meses empresas interessadas devem apresentar uma proposta de estudo de projeto básico para depois executá-lo em mais três meses.

Beleza; se define o “partido geral ou partido arquitetônico” em três meses (o partido arquitetônico ou partido geral são aqueles elementos básicos para se começar qualquer projeto, é a definição, por exemplo, do tamanho da casa, o estilo arquitetônico e alguns esboços e plantas gerais), pois nem isto a prefeitura fez. Depois de definido a empresa que ganhou o projeto faz o anteprojeto, que por uma licenciosidade verdadeiramente indecorosa da legislação brasileira permite o lançamento de concorrências sem a definição precisa do que se quer construir.

Quem ganha esta concorrência inicial, pode definir o empreendimento de tal forma que se a mesma empresa ou uma subsidiária da mesma queira participar da PPP, ela terá imensas vantagens em relação às demais concorrentes.

Agora aos fatos mais recentes. Para a surpresa das autoridades municipais (oooohhhh) para esta importante fase da obra mais importante dos últimos e dos próximos 50 anos da cidade, aparecem somente duas empresas interessadas, a Odebrecht e uma desconhecida BUSTREN P. M. (?!?!?!), daqui por diante denominada “a outra”. A Odebrecht é uma das maiores empreiteiras (se não for a maior) do Brasil e possui ramificações por vários setores da economia. A empresa mãe foi fundada em 1944 na Bahia e teve o seu despertar como grande empresa exatamente na época do chamado Brasil Grande (década de 70) recebendo centenas de contratos dos governos militares da época e atualmente é a empresa que mais recebe dinheiro do orçamento geral da União, vide (http://bit.ly/VTCQqN).

A Odebrecht tem capacitação técnica para fazer o projeto do Metrô, porém dezenas de outras empresas do exterior também poderiam competir de igual para igual com esta grande empresa brasileira se tivessem prazo hábil para realizar o projeto. No início o prazo era de 60 dias para a apresentação da primeira proposta, prazo este completamente incompatível até para a primeira fase, que após algum tempo foi prorrogado e depois foi prorrogado mais ainda. Se por exemplo, uma mera e idiota suposição de minha parte, somente a Odebrecht soubesse que o prazo seria prorrogado, algo que não imagino ter acontecido devido a lisura da PMPA, ela começaria o projeto contando já com a prorrogação, enquanto as outras não começariam nada por não saberem desta. Mas isto é uma suposição idiota que faço, pois todos sabem da honestidade dos nossos gestores públicos.

Mesmo sabendo da exiguidade do prazo esta grande empresa se lançou nesta tarefa hercúlea não se intimidando diante das adversidades. Com a presença dessas duas empresas, a Odebrecht e a outra, tiveram a coragem de se lançar nesta empreitada.

Como a combativa e eficiente oposição municipal, preocupada com fatos relevantes, como modificar o nome de ruas, poderia na ausência de um outro assunto debruçar os olhos sobre o processo de licitação deste pequeno empreendimento da cidade de Porto Alegre, talvez (uma hipótese que pode ser produto de mentes perturbadas como a minha que veem teoria da conspiração em tudo) a nossa Raposa do Guaíba (lembro que é uma referência ao maior estrategista militar de toda a segunda guerra mundial) tenha utilizado dois princípios básicos da estratégia militar, escolher o dia e a hora da batalha e montar uma tática diversionista.

Qual a época melhor para se fazer alguma coisa e esta coisa passar despercebida, nas vésperas do carnaval! Porém, um dos nossos edis, enfastiados de grandes projetos como a modificação do nome de ruas (até parece brincadeira, ruas com Ruas), poderia pensar dar uma pequena olhada num assunto pouco relevante, um projeto de 2,4 bilhões de reais e uma PPP que vai durar 35 anos. Aí viria a segunda ação de um hipotético prefeito general, mandar cortar algumas árvores!

Tcham, como a nossa cidade é sensível ao corte de árvores, justificado ou não, haveria protestos que se repetem a mais de 40 anos, subidas em árvores, faixas e passeatas, e para fortalecer o ânimo beligerante dos exércitos comandados pelos sargentos da oposição, basta mais uma frase infeliz para prorrogar ainda mais a discussão sobre o assunto.

Se esta teoria conspirativa de uma mente delirante como a minha for verdadeira, ela funcionou como uma das estratégias do General Rommel, levando a discussão para depois do Carnaval, quando todos considerarem os fatos como consumados e começarem a discutir quais serão os nomes das estações do metrô e a cor básica de cada uma.

Rogério Maestri – Engenheiro, Mestre em Recursos Hídricos e Especialista em Mecânica da Turbulência

martes, 12 de febrero de 2013

Socialismo de hotel 5 estrelas e carros de luxo

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No Brasil ainda não vimos repercussão. Beatriz Talegón caiu de pau nos dirigentes socialistas do mundo. A reportagem é da TVI portuguesa. Uma parte da fala, a que mais nos marcou, os jornais ignoraram: a de que o povo hoje vai às ruas por egoísmo, doeu no bolso, não por solidariedade. Um povo covarde. E responsabiliza esses "socialistas" de hotéis de luxo e carrões. Como os dejetos humanos que eu criei gastando o que não tinha, e tenho muito menos agora, ladravazes, do PT. O mundo gira. Aqui na solidão da tapera, espero a hora. Quando girar, vou pegá-los, seus animais.

Oh, quanta raiva. Raiva nada, palhaços de merda. Desejo somente que vocês morram, por burros, covardes, mentirosos e egoístas (o medo os torna, igualzinho aos antes tidos como "inimigos").

O vídeo é do youtube.


Uma lição de política para políticos. A secretária-geral da União Internacional de Jovens Socialistas, Beatriz Talegón, teve um discurso marcante na semana passada na Internacional Socialista, realizada em Cascais. O vídeo, com as suas palavras, tornou-se viral.



Criticou o facto de os jovens socialistas terem de «pedir de joelhos» para serem ouvidos em reuniões como essa e questionou como é que «podemos entender o que estamos a pedir ao mundo a partir de um hotel de cinco estrelas», e com «carros de luxo». 





«O que nos deveria doer é que eles estão a pedir democracia... e nós não estamos aí», disse Talegón, 29 anos, referindo-se à falta de apoio das lideranças para os jovens que protestam nas ruas.



«Nós jovens não estamos de acordo convosco quando tomam estas decisões. Não vamos apoiar-vos nesta linha. Estamos aqui para trabalhar. E aproveito para dizer-vos que é muito triste ter de pedir-vos de joelhos para poder falar aqui neste fórum, é muito triste ter de pedir-vos de joelhos para nos escutarem em cada uma das organizações políticas, porque não nos querem escutar». «A esquerda está agora ao serviço das elites, dança com o capitalismo, é burocrática», criticou.



Mais: «Tem perdido completamente o norte, a ideologia, a conexão com as bases. E isso é algo que a esquerda não se pode permitir». 



Foram muitas as perguntas, com sentido de alerta, que deixou ali expressas: «Pergunto se certeza podemos dar aos cidadãos uma resposta, quando vocês, líderes políticos, dizem que os entendem, que sofrem, porque somos socialistas. De certeza que sentimos essa dor aqui dentro? De certeza que podemos entender o que estamos a pedir ao mundo a partir de um hotel de cinco estrelas? De certeza que estamos preparados para dar essa imagem ao mundo?». 

Beatriz Talegón insistiu que os jovens têm uma palavra a dizer. «Estamos aqui para apoiar-vos, trabalhar convosco e dar a cara por vocês na rua». E lembrou que «não temos emprego, não podemos emancipar-nos, não podemos ficar grávidas aos 30 anos porque não temos um trabalho, apesar de sermos a geração mais bem formada em todo o mundo». 

O vídeo está a tornar-se viral em Espanha e já mereceu destaque na imprensa, nos sites de jornais como o «El País» ou o «Huffington Post». 

A jovem está surpreendida pela reação que as suas declarações estão a causar. Ao «Huffington Post» afirmou que o que ela disse «é o que dizem os jovens nos bares, nas praças, em qualquer reunião de amigos».