miércoles, 19 de junio de 2013

Os Filhos da Puta (5) - Muda Brasil, a pau!

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Os empinantes do Botequim do Terguino Ferro hoje, enfim, curvaram-se aos argumentos do boêmio Bruno Contralouco. Explicamos: a turma de frequentadores do bar é responsável por duas colunas neste blog, A Charge do Dias (título em homenagem a Adolfo Dias, idealizador e seu primeiro coordenador) e Os Filhos da Puta. O Contra sempre defendeu que em certos dias as charges não fossem publicadas na primeira, e sim na segunda, a dos filhos da puta. Pois hoje a turma reconheceu que ele tem razão, excepcionalmente.

Durante o processo de votação das obras, foi o próprio Contralouco quem desabafou:

- Gente, não quero que ninguém pense que estou estimulando a violência, não mesmo, mas há muitos anos tenho um sonho, e estou certo de que a maioria dos brasileiros também: entrar no Congresso Nacional e quebrar tudo, tudo quero dizer a cara de todos, a começar pelos filhos da puta com mandato comprado, esses que dizem ser representantes do povo, mas que apenas representam os não representados, posto que compraram votos dos analfabetos funcionais. Queria esganar, ahm..., dar uns cascudos ao menos numa meia-dúzia. Agora, se uns cem mil entrassem junto... Oba!, o sonho ficaria melhor.

- Sim, pobrezinho, detesta violência, sou eu que vivo surrando pastores aiatogélicos e gerentes de banco, os infelizes agora cortam esquina para não passarem aqui no Beco do Oitavo -, ironizou Silvana Maresia.

- Não adianta muito se desviarem, outro dia ele pegou um bispo na Glória e um gerentalha no Menino Deus, né, Contra? -, disse Gustavo Moscão.

- Ô gente fofoqueira - defendeu-se o Contra - não se pode nem falar de um sonho, na verdade pesadelo.

- Me bota aí nesse pesadelo, o Renan deixa pra mim -, disse Gustavo Moscão.

- O Galinha Louca é meu -, falou Nicolau Gaiola.

E assim, com o número de obras aumentado pela coordenadora Leilinha Ferro, que liberou seis, se vieram com os ditos FDP, pela visão dos artistas do traço e do pensamento.

Amorim.



Mariano.



Paixão.



Zop.



Lute.



Nani.



E aqui encerrou. Não se deram por vencidos e novamente confabularam com Leilinha, tendo como emissária a professora Jezebel. O principal argumento foi a falsidade de Felipão e companhia, repetindo feito papagaios o que lhes mandaram dizer, que apóiam os protestos e tal. Esse Felipão, ganhando um milhão por mês limpinho, tem é muito peito, no dizer de Carlinhos Adeva. Lá dentro do estádio estarão os abonados e alienados de sempre, pelo que decidiram torcer pelo México. Com essa decisão, ficaram com duas alternativas: assistir ao jogo (sem áudio, obviamente, pois os narradores da Globo e da Band ainda estão no tempo do Brasil, Ame-o ou Deixei-o da ditadura, e com umas trolhas de comentaristas, Ronaldão Peido em Hospital ninguém merece...) ou não assistir. Optaram por não assistir, para evitar uma recaída, inevitável, caso assistissem.

Leila admitiu as ponderações, de modo que escolheram as seguintes obras.

André Abreu. Esta foi Leilinha quem escolheu, se valendo das prerrogativas de seu cargo.



Amorim, de novo.


Dum.



Novas conversações e sobrou para o pastor aiatogélico a quem apelidaram de Galinha Louca. Essa de "aiatogélico" é invenção do chargista Nani, supomos uma mistura de aiatolá, os fanáticos aqueles, com evangélico, mas pode ser coisa pior.

Aroeira.



Regi.



NE: Os boêmios possuem autorização do Sindicato das Trabalhadoras do Sexo para o uso do título da coluna, conforme explicado em Os Filhos da Puta (1).

martes, 18 de junio de 2013

Protestos pelo Brasil, n'A Charge do Dias

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Hoje cedinho a turma já estava de volta ao botequim. Trataram logo de escolher as obras do dia. Miss Leilinha Ferro, a coordenadora da coluna, liberou geral, entrou numa de que a situação é única e o blog precisa registrar o maior número possível de charges.

Registramos algumas observações dos companheiros, tudo gente que já viu quase tudo na vida. 

- Verdade é que os merdas dos governantes sujaram as calças, bem feito. Encagaçaram-se depois de dar porrada e vieram dar uma de bonzinhos. Há uma semana só tinha valentão pelo Brasil afora, chamando as pessoas de baderneiras. Agora, com cem mil na rua, começaram a ver o que é bom para a tosse, no grito não mesmo. Será que algum imbecil desses vai querer botar o exército na rua, para abater a população? Pago para ver e sou um que eles terão que matar -, disse Gustavo Moscão.

- Os molotovs do Hyde estão guardados na casa do irmão dele, tem uns cem - animou-se o Contralouco.

- Pera aí, gente, nada de confusão, eles vão entregar na boa, não são doidos, ditadura já era - lembrou Jussara do Moscão.

- O ruim é que sempre aparecem aqueles caras que já foram espancados covardemente pelos meganhas, outros que já se quebraram na vida por causa dos agiotas donos de bancos, estes bandidos sempre cercados de seguranças, aí já viu, agora aproveitam para se vingar -, falou Tigran Gdanski.

- Aparecem também os bandidos comuns, saqueadores, de noite todos os gatos são pardos -, tornou Jussara.

- Perceberam que, à exceção do Plínio de Arruda Sampaio, nenhum político deu as caras na manifestação de São Paulo? - disse Jezebel.

- Esse pode mostrar a cara. Os outros não são bobos, pra que aparecer, pra serem linchados? - disse Lorildo de Guajuviras.

E seguiram por aí, uns concordando, outros discordando em parte.

Às obras.

Flávio.



Aroeira.



Cazo.



Mariano.



Duke.



Miss Leilinha Ferro escolheu somente uma: Benett.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

Como baixar o preço da passagem

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Ontem à noite, após participarem da marcha pacífica em protesto pelas ruas de Porto Alegre, os boêmios voltaram para o botequim, onde ficaram até tarde, de olho na tevê. Os flagrantes de depredação de contêineres de lixo, de ônibus e de agências bancárias rendeu muito assunto.

Todos se posicionaram radicalmente contrários à depredação de contêineres e de ônibus, ora, isso não se faz, é patrimônio do povo. Bem, os ônibus de empresas privadas não são bem do povo, mas é o povo que paga por eles, como tudo. 

- Nota-se que os governos fizeram o oposto, tiraram completamente a criminosa repressão com que iniciaram o "diálogo", agora incentivando os vândalos: vandalismo e saques é só o que querem para desmoralizar o movimento, mas de novo erraram - disse Luciano Peregrino.

O Dr. Carlinhos insistiu que a turma que coordena, ou tenta coordenar, as manifestações, parece que não tem uma idéia exata do que exigir dos governos, daí que arrolou alguns itens como sugestão, para começar, quanto ao transporte municipal:

"1. A exigência de que as demonstrações contábeis das empresas sejam publicadas em jornal de grande circulação do município, igualmente com destaque nos sites das prefeituras. 
2. Que as planilhas de custos fabricadas para justificar os preços sejam também divulgadas, bem como verificadas in loco, isto é, pelos fatos registrados na contabilidade das empresas concessionárias, por órgão do governo, ou pelo Tribunal de Contas, bem como haja exame das planilhas e do conjunto das demonstrações contábeis por auditoria independente (externa), pois o furo é mais embaixo.
3. Que se leve em conta o quantum do lucro líquido apurado em cada ano pelas empresas, lucro este apurado antes da remuneração dos dirigentes (pro-labore) e participações no resultado, do mesmo modo a distribuição de lucros a sócios ou acionistas. Afinal, quem é essa gente e quanto está ganhando, não seria um exagero, seja com pro-labore ou com distribuição de lucros?
4. Quanto representa, em valores absolutos e relativos, as passagens vendidas que não são utilizadas pelos usuários (por exemplo, se o sujeito se muda de cidade, perde o cartão ou morre), e como tais valores recebidos sem a prestação do serviço, são contabilizados; embolsam sem mais nem menos? Só aqui há casos, nas grandes cidades, onde as autoridades cairão de costas: fortunas.
5. Que fim dão aos ônibus tidos como "velhos", de 3 a 5 anos de idade, na renovação da frota, são vendidos por quanto e para quem. Também aqui há casos em que as ditas autoridades terão um faniquito, e o povo mais que isso.
6. Em resumo, o furo da bala está, como sempre esteve, no lucro exorbitante das empresas concessionárias, que nada tem a ver com as planilhas de custos fabricadas para a fixação da tarifa. É aqui que a porca torce o rabo, não é por acaso que os políticos imediatamente mudam de assunto quando se fala nisso, é por demais penoso, só falam nas empresas quando é para desonerar, reduzindo seus impostos, ao fim e ao cabo tirando da teta inchada com o nosso, que deveria sustentar os serviços públicos, mas nunca mencionam o desmedido lucrão, jamais, por que será? Será que levam algum por fora?". 

Alguns dos itens já foram explicados outro dia pelo mesmo Carlinhos, em Passagem comprada.

Bruno Contralouco se manifestou resumindo o pensamento dos demais:

- Sobre o que disseste, para começar está bom. Mas o bom mesmo é a passagem grátis, como há séculos o Lúcio Gregório provou ser viável, mesmo com a terceirização do serviço. Os  concessionários receberiam do governo valores apurados com todos os cuidados, como esses que arrolaste. Simples assim.

- Vão resistir até começar a morrer gente, antes de aceitarem, pois isso acabaria com uma grande fonte de renda das quadrilhas -, falou Aristarco.

- Que quadrilhas? - perguntou Silvana.

- Ora, os partidos políticos. Não me representam, nem a ninguém, tudo voto comprado de analfabetos.

E seguiram nesse tranco. 

*


A ilustração é do Paixão.

sábado, 15 de junio de 2013

Nelson Coelho de Castro

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Neste belo sábado de Porto Alegre abrimos o blog com alegria e aquela abolerada doce amargura, hoje doce sem amargor algum. 

Lembramos do sensacional Nelson Coelho de Castro (Porto Alegre, 17 de abril de 1954). 

O pessoal que estudou no Julinho, que de lá viu e sentiu o pau comer em névoas de chumbo em manhãs e tardes e noites de um inverno que não terminava nunca, deve se emocionar mais do que eu, que vi de outro lugar. 

Somando, de um jeito ou de outro conseguimos: com aparelhos caindo, o Zé que sumiu, ainda achamos tempo, esquivos, de um jeito meio esquisito, para amar e viver. 

Ah, marcha-rancho, meu irmão. 

Vai para a morena Jane de Nova York, La Gran Manzana, pelo seu aniversário, de mulher não se diz, mas suponho 31. 

Tintim, nega Jane.




Aquele tempo do julinho, né?
Eu jamais vou me esquecer.
Eu pensei que era um filme, né?
Eu jamais irei me ver.
Eu tenho um picho pra cair.
Eu tava afim dum futebol.
Eu voltava a pé do centro.
Tu tá ficando é pirol.
Vamos lá na mesma boca.
Pra mim o tempo não passou.
Eu não me lembro mais de nada.
Mas foi aqui que começou.
Vamos armar uma jogada, neh?
Vamos virar o mundo então.
A saudade nos matou de vez.
E engordou meu coração.
Olha ai vou dar uma banda.
A gente espera por aqui.
Eu vou transar um lance agora.
De repente eu volto aí.
Mas a vida continua.
Eu não me lembro que sonhei.
De paixão eu morro sempre.
E eu sempre me enganei.
Já tamo até acostumados, né?
Com as linguas do país.
É muito trolha na jogada, né?
Ainda penso em ser feliz.


Mas como o Zé tá demorando.
Minha cabeça vai doer.
Olha ai tão escutando.
Tem um triller pra se ver.
Tá baixando o pau na esquina.
E são dez pra cacetiar.
Tão demulindo aquele cara.
Vamos assisir assassinar.


Olha lá que é o Zé meu deus.
E ele já nem grita mais.
E nós estamos aqui parados, neh?
E esse choro pelo gás.
E tá pintando aquele medo.
Vamos nós fazer o que?
Tá subindo aquela raiva.
Dá obriga por correr.
Adeus pavor, vamos brigar.
Até o fim, até se dar.
Adeus pavor, vamos brigar.
Até o fim, até se dar.
Vamos la, vamos nos,
o desespero ainda resta bonito, Ze,
Vamos brigar vazando fel.
Vamos brigar com a raiva toda Zé.
Fica olhando ai do ceu...
Aquele tempo do Julinho, ne?
Eu jamais vou me esquecer.
Eu pensei que era um filme, ne?
Eu jamais irei me ver.....

Os meganhas, n'A Charge do Dias

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Os amigos escolheram a obra do Jorge Braga, de Goiás.



E a do Nani, do Rio. 




E insistem com a Opus Dei. Que vida. Com o grande Xalberto.



Miss Leilinha segue encabulada, há dias anda triste. A tigrada anda desconfiada de que rompeu com o Z. do PSOL. Tudo passa, amigos, fiquemos frios. Mas a menina não hesitou em abraçar o Duke, de Minas Gerais.




A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

jueves, 13 de junio de 2013

Perfídia (18) - James Last

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Hoje quem se encarrega de interpretar o clássico de Alberto Dominguez é o alemão James Last, com a sua banda. 

Não é pouco. O cara vendeu mais de setenta milhões de discos. 


Passagem comprada, n'A Charge do Dias

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- Insisto: quero assembléia-geral para debatermos o assunto. Insisto em mudar o título da nossa coluna no blog Ainda Espantado. Nada de A Charge do Dias, o Adolfo até argentino já é. Precisamos mudar para Os Filhos da Puta.

Isso quem disse, pela vigésima vez neste ano, foi o boêmio Bruno Contralouco. E pela vigésima vez o filósofo Aristarco de Serraria explicou-lhe que isso já foi votado, na última deu 29 votos contra 1, este 1 do próprio Contralouco.

- Sossega, Contra -, pediu Gustavo Moscão, parceiro do Bruno nas agressões a leões de chácara e bispos aiatogélicos, alegam que é difícil distinguir uns dos outros, mal encarados e de preto.

Jezebel do Cpers trata de mudar de assunto. Diz, a doutora em sociologia e outros bichos, que ontem assistiu estarrecida a um membro do governo de São Paulo, Opus Dei em pessoa, ser entrevistado sobre a encrenca com o preço das passagens de ônibus:

- Na minha cara, o elemento limitou-se a criticar raivosamente aqueles a quem chama de baderneiros. Sobre o problema, o aumento, nem um pio.

- Bem feito pros paulistas, quem mandou eleger - disse Jucão da Maresia.

- Se eu pego um cara desses -, falou o Contralouco. 

Com essa, saiu a primeira charge. Thomate, de Ribeirão Preto (SP).



- Amigos, até as pedras da escadaria de Santa Teresa, como o pé de oliveira aqui do Beco do Oitavo, sabem que no Rio é igualzinho ao resto do País: quem elege prefeito e outros bichos são as empresas de ônibus. Será que desta vez o povo de algum estudo dará um fim nesse estado de coisas? - disse, perguntando como quem sabe a resposta, Tigran Gdanski.

Nisso entrou o causídico Carlinhos Adeva, terno azul, camisa branca, gravata também azul, Silvana Maresia soltou um assovio, fiufiu... Pediu um liso de dyabla verde e inteirou-se do assunto. Refletiu alguns instantes e saiu-se com esta:

- Amigos, pergunto-me porque algum dos nossos democráticos jornais, como a Folha e o Estadão (aqui Wilson Schu teve um ataque de tosse, parece que tentava rir), não fazem um levantamento dos últimos vinte anos, de cada empresa de ônibus. O faturamento, custos e o lucro líquido de cada ano, com os nomes dos sócios e o quanto foi distribuído, seja como pro-labore, como lucro/dividendo ou participação direta no resultado, e, se possível, para quem vendem, e por quanto, os ônibus "velhos", ou seja, já depreciados, coisa de 3 a 5 anos de idade. Se entre os sócios houver pessoa jurídica, vão atrás, até chegar nas pessoas físicas. Isso nos daria uma idéia do tamanho do buraco onde estamos metidos. Em se tratando de concessão, de serviço público, os governos deveriam saber dessas coisas, e divulgar, que não me venham com papo de livre iniciativa ou assunto particular, a teta é o nosso.

- Não entendi essa dos ônibus velhos -, falou Jussara do Moscão.

- Ora, para precaver eventual distribuição disfarçada de lucros. Funciona assim: na contabilidade o carro não vale nada, já foi deduzido como custo, custo é despesa, Ju, que reduz o lucro; aí vendem, ou podem vender, por um pila, mas vale duzentos mil, e os duzentos vão parar adivinhem nas mãos de quem? Numa empresa média, imagine cem velhos vendidos por ano, dá quanto? Vinte milhões. Em vinte anos, quanto? Quatrocentos milhões -, esclareceu Carlinhos.

- Pô, mas a Receita Federal não é cega, acho... - falou Chupim da Tristeza - andaram autuando até a minha avó por um erro na declaração, tá com 92 anos. A minha velhinha ganhou 40 mil contos no ano, na soma com uma grana do finado vô, e quis deduzir os 35 mil que gastou em remédios, tá doente de tudo, puta merda: os caras glosaram, não pode, e fincaram-lhe uma multa.

Carlinhos suspirou fundo e preferiu não responder. Acrescentou:

- Esqueci de dizer: os ônibus são adquiridos com financiamento subsidiado pelo governo federal, juros de nada, pelo Finame, enquanto o povão paga horrores para os bancos. E tem mais: aqui em Porto Alegre outro dia alguém, deles, falou em tirar a passagem grátis dos idosos para compensar o não-aumento. Mas esqueceu de explicar o que fazem com o dinheiro recebido, lá naquele passivo inexistente, de pessoas que mudaram de cidade, que perderam o cartão, que morreram... Milhões de reais.

Caiu o queixo da moçada.

Carlinhos ficou com cara de pedra e arrematou:

- O pior conto outro dia, as renovações das concessões nas estaduais e federais, todas vencidas, de há muito fora da lei, era para ter ocorrido há anos. Vocês nem sonham.... 

O bar silenciou.

Aqui da palafita tiramos o chapéu: quem sabe, sabe, conhece bem. Bravo, Dr. Carlos, pela coragem. 

Não é por acaso que Carlinhos é o diretor jurídico do Partido dos Boêmios (em constituição), pois atua no direito criminal, constitucional, societário e mais num monte, inclusive o tributário.

Lamentamos informar aos trilhões de leitores que todas as respostas à pergunta de Tigran foram negativas. A colocação de Tigran saiu a propósito da obra do mestre Nani, do Rio.



Por falar nisso, eis o que diz a Opus Dei, com Genildo.



Leilinha Ferro não perdeu uma palavra dos diálogos dos boêmios, dos quais aqui reproduzimos uns dois por cento, quietinha lá atrás do caixa. Na sua vez, elegeu a obra do guru Newton Silva, de Fortaleza, sem dizer um ai, pelo jeito passará o dia quieta. Também...



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

miércoles, 12 de junio de 2013

A celeste uruguaya

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Uruguay bate a Venezuela fora de casa e retorna à briga pela classificação à Copa do Mundo no Brasil.

Com um golaço de Cavani. 


Uma dúzia de rosas

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Dia dos Namorados, n'A Charge do Dias

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Com o botequim lotado, ontem à noite Carlinhos Adeva falou aos boêmios sobre o Dia dos Namorados. Dizer falou é pouco: derramou uma pequena parcela da sua erudição.

- Seguinte, pessoal. O Dia dos Namorados é comemorado mundo afora em 14 de fevereiro e tem a ver com um bispo romano chamado Valentim. O bicho era tinhoso, bebia vinho de tonel, tinha umas trinta mulheres e andava casando gente a torto e a direito, gostava da função, mesmo com o casamento tendo sido proibido pelo Claudião no ano de 214 da era cristã. O Cláudião, como as dançarinas das boates que ele contratava para as suas orgias o chamavam, era o Marcus Aurelius Claudius, o imperador da vez. Os romanos, como sabemos, eram os americanos de hoje em dia, só queriam saber de matar godos e suábios, era sempre assim, pelos seus imperadores, o esporte favorito consistia em submeter os bárbaros, invadindo suas terras, matando adoidado, estuprando mulheres, degolando crianças e destruindo tudo, imagine que o que não fariam se os coitados tivessem petróleo, pelo que bem imaginamos quem é que era bárbaro. Bueno, o tal de Claudião II proibiu os casórios porque achava que os soldados enfraqueceriam se tivessem mais alguém para os mandar, eles que se virassem com as ovelhas no campo. Pois o Valentim inventou de descumprir a ordem, pra quê, pá, foi condenado à morte. Antes de ser executado é que lhe caiu a ficha: deveria ter obedecido ao Claudião, como fui burro, meu Deus, sobraria mais mulheres pra mim. Ele lá preso, num atraso danado, deu de enviar bilhetinhos para a filha do carcereiro, vem aqui na cela fazer uma coisa boa comigo, querida, bem escondidinha, vem... Pá, a Astérias andava apavorada pela falta de homem e topou. Reza a história que ela era cega mas na hora do bem bom deu um grito ao tempo em que arregalava os olhos, recuperando a visão, um milagre. Foi a última, ã, namorada que ele deu, em seguida o Claudião o crucificou em praça pública. Assim, por ser casamenteiro, inventaram o Dia dos Namorados na data da sua morte.

- Tá, beleza, mas e no Brasil? -, perguntou Bruno Contralouco.

- No Brasil é picaretagem dos comerciantes paulistanos na década de 40 do século passado, para atochar inutilidades nos supostos apaixonados. Tomaram conhecimento do Dia de São Valentim dos estranjas e botaram a cachola a funcionar. Pensaram, pensaram, em que dia vamos botar o Dia dos Namorados? Na época junho era um mês fraco de vendas, diferentemente do fim do ano, onde o Natal já tinha sido inventado (AQUI). Pá, tá decidido, em junho. E o dia? Pá, no dia do santo casamenteiro dos portugas, Santo Antônio. Na hora de redigir o informativo aos cúmplices da imprensa, dando conta da invenção, o datilógrafo, que era um português dono de padaria, o Manoel Gato, se enganou e bateu 12 de junho, em vez de 13 de junho, e assim ficou sendo na véspera do dia da morte do santo português, que na verdade se chamava Fernando e é considerado padroeiro de um montão de gentes, inclusive dos estéreis, das grávidas, dos frascos e comprimidos, e dos burros. 


O bar foi abaixo com a bela explanação do diretor jurídico do Partido dos Boêmios (em constituição). Ele merece.

Hoje a primeira obra escolhida alude à invenção dos comerciantes. Com o Nani.



Em seguida vieram com temas... bem, também áridos. Com o Nicolielo.



E com o César. Olhaí os comerciantes.



Miss Leilinha Ferro ficou com a obra do Amâncio. Os beberantes resolveram que a sua escolha irá para a parede do bar, depois de emoldurada.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.