sábado, 29 de marzo de 2014

Acertei no milhar!

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"O jogo do bicho é a mais rentável atividade criminosa no Rio Grande do Sul. Existe há 120 anos, tem ramificações em todas as regiões, corrompe investigadores da Polícia Civil, compra oficiais da Brigada Militar, financia políticos e se infiltra na vida social ao movimentar milhões de reais."

Isto aí em cima foi o que estampou um influente jornal da Judéia, para a seguir identificar as 18 famiglias que comandam a jogatina no RS. Que se saiba, seguem de vento em popa, a polícia só passa nas sedes dessas organizações para pegar a mesada, em dinheiro vivo, nada de depósito bancário para não deixar rabo, e não confiam em banqueiros, larápios se reconhecem uns aos outros.

No mais as otoridades estão muito ocupadas em espancar meninos nos protestos de estudantes contra um crime maior, a Copa da Ladroagem, cujo símbolo é um bicho muito perigoso (como é mesmo o nome do tatu, Puteco?), que o diga o Natálio Mão-Pelada, lá da velha Palmeira das Missões, que certa vez inventou de enfiar a mão numa toca e ganhou o apelido.

Pois não é que sonhei que tinha acertado, em jogo seco, na pinha, nada de primeiro ao quinto. Vi-me entrando na lotérica onde o gigolô é o governo e dizendo pro homem: "Crava cinquenta reais na cabeça", ao tempo em que lhe estendia um papelzinho com o milhar e a nota dos meus últimos cinquentão, arrematando: "Hoje eu quebro a banca desses putos". Se der zebra à noite terei que visitar algum amigo na hora do jantar, mas não quero nem saber, espero que não me virem as costas como muitos fizeram ultimamente.

Bem, quebrar a banca não quebrarei, que os caras são organizados como o são os outros ladrões, os agiotas donos do Itaú e outros bichos, possuem cosseguro e até resseguro, dividem o risco e o prêmio com os marginais de outros estados.

Foi pensando na dureza que ando que raciocinei dormindo: "Azar, por mim que se explodam, importa é que a grana caia no meu bolso", e então acordei com o Gatolino (foto) em cima do meu peito, me dizendo, digo, me miando: "Joga ni mim, Salito, quero te ajudar". Pronto, as dezenas já tenho, 53, 54, 55 e 56, vai dar Gato no primeiro prêmio da federal, só pode ser homenagem à Brasília, onde durante a semana vi muitos gatos na Esplanada dos Ministérios e na Câmara dos Deputados.

Tenho até às 18 h para escolher uma dezena dessas quatro, depois descobrir, através de alguma mágica, a centena e o milhar. Hummm, botando todo o gataréu... 5.555 até que é um número bonito. Cinquenta contos na pinha me renderá 150 mil, dará para pagar algumas contas e dar um chega para lá na Oficial de Justiça Avaliadora, a D. Graziela, que pretende levar os poucos móveis aqui do covil, a infeliz quer me deixar dormindo no chão, pois a única coisa que presta é a cama. Hummm... por falar em cama, tive uma idéia melhor com aquela senhora.

Enfim, é hoje!
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sábado, 22 de marzo de 2014

Terra em transe

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Por Sérgio Augusto (Estadão, 22/3/14)


Na noite de 30 de março de 1964, este escriba, então um mancebo de 22 anos, marombava na redação do Correio da Manhã à espera de duas coisas: a prova da primeira página do Segundo Caderno do dia seguinte e uma carona de carro para a zona sul da cidade. Queria lamber a cria de uma reportagem sobre a expansão, na música pop, da expressão "yeah, yeah". O País imerso na maior crise político-militar e eu, mais por fora do que Fabricio Del Dongo na batalha de Waterloo, plugado no sim, sim de Ray Charles, Beatles e Dionne Warwick, e nos prazeres que me aguardavam num bar do Posto 6.

Antes de deixar a redação, passei os olhos na prova da primeira página do primeiro caderno, a primeirona, "la une", como dizem os franceses, e deparei com um baita editorial, intitulado "Basta!". Com uma abertura ciceroniana ("Até que ponto o presidente da República abusará da paciência da Nação?") e um fecho veemente: "O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!". Pensei comigo, "isso vai dar merda", pressentimento robustecido quando li, na manhã de 1.º de abril, a segunda catilinária do jornal, cujo título dizia tudo: "Fora!". Àquela altura, os tanques já estavam nas ruas.

Embora fosse o jornal mais influente do País, junto com o Estadão, aqueles dois editoriais não serviram de senha à conspirata civil-militar. O Correio defendera a posse de Jango e o respeito à Constituição três anos antes, era visceralmente legalista, mas julgava, com razão, que ao governo João Goulart faltavam seriedade, autoridade e até base militar, opinião compartilhada por sua equipe de editorialistas, composta, entre outros, pelo trotskista Edmundo Moniz, Otto Maria Carpeaux, Newton Rodrigues, Oswaldo Peralva, Carlos Heitor Cony e José Lino Grünewald.

Atribuídos ao primeiro, de ascendência indiscutível sobre os demais editorialistas, até por ser parente da dona do jornal, Niomar Moniz Sodré, aqueles dois históricos editoriais sempre me pareceram uma obra coletiva. Chegaram a apontar Cony como seu autor, mas a despeito de seu apreço pela reprimenda de Cícero a Catilina (até hoje Cony me saúda assim: "Sergiusque tandem!", dispensando o "abutere patientia nostra"), ele não poderia sequer ter sugerido a abertura do "Basta!" por estar afastado da redação, convalescendo de uma apendicectomia.

Na época, além de integrar o time de editorialistas, Cony publicava crônicas na primeira página do Segundo Caderno, alternando por algum tempo com Carlos Drummond de Andrade e, na época do golpe, com outro romancista, Octávio de Faria. Naquele espaço, exercitava-se livremente na "arte de falar mal", na maledicência benigna, movida a ironia, ceticismo e sem parti-pris ideológico. Uma vez por semana dava suas cotações no Conselho de Cinema do jornal, cópia do Conseil des Dix da revista Cahiers du Cinéma, coordenado por este seu criado, obrigado, e do qual Zé Lino também fazia parte. Cony entende um bocado de cinema e até escreveu um livro sobre Chaplin. Antes de entrar na faca, publicou uma série de crônicas sobre outra de suas paixões, Ary Barroso, morto durante o carnaval de 1964.

Se Jango foi a primeira vítima do golpe e cabo Anselmo, seu primeiro vilão, Cony foi seu primeiro herói nacional; ali brigando pela pole position com Sérgio Porto. Na imprensa, sem sombra de dúvida. Livre do resguardo, fez sua rentrée em 7 de abril com uma crônica intitulada "Da salvação da pátria", em que relatava seu primeiro contato com a soldadesca revolucionária ao sair de casa para uma volta pós-operatória no quarteirão onde morava, em Copacabana. Reconfortante deboche da arrogância e das paranoicas patriotadas dos milicos, essa crônica assinalou o surgimento de um novo Cony, não mais o praticante folgazão da arte de falar mal, mas, a partir do primeiro ato institucional baixado pelo novo governo, em 9 de abril, o implacável ocupante de uma coluna rebatizada O Ato e o Fato.

"O que houve foi um simples golpe de direita para a manutenção de privilégios", sintetizou Cony. Três dias depois, uma bordoada no "patriotismo estéril" dos revolucionários. Na crônica seguinte lançou a expressão "revolução dos caranguejos" e recebeu sua primeira ameaça de morte. Fanáticos armados, sedentos por vingar o brio e a honra dos militares, cercaram o prédio em que ele morava e suas filhas, de 13 e 9 anos, atormentadas por sucessivos telefonemas obscenos, tiveram de ser levadas para a casa de um amigo.

À fascistoide truculência o Correio reagiu com um enérgico editorial e Cony com esta advertência: "Sou um homem desarmado, não tenho guarda-costas nem medo. Tenho, isso sim, uma obra literária que, bem ou mal, já me dá uma razoável sobrevivência. Esse o meu patrimônio, essa a minha arma. Qualquer violência que praticarem contra mim terá um responsável certo: general Costa e Silva, ministro da Guerra, Rio - e, infelizmente - Brasil".

A primeira leva das crônicas indignadas de Cony resultou num livro, O Ato e o Fato, lançado em junho pela Civilização Brasileira, com prefácio do editor Enio Silveira, orelhas de Hermano Alves e Mário da Silva Brito, mais apêndices de Carpeaux, Edmundo Moniz e Márcio Moreira Alves. Evaporou nas livrarias em menos de uma semana; e em 12 meses já contabilizava cinco reedições. Multidões superlotavam as noites de autógrafos do cronista, desconhecidos lhe agradeciam, comovidos, pela bravura de suas diatribes e pela ajuda que eventualmente prestara a algum parente preso ou desaparecido.

Cony acabaria preso pela primeira vez em novembro de 1965, por sua participação no episódio dos "Oito do Glória". Na abertura de uma conferência da Organização dos Estados Americanos no Hotel Glória, do Rio, ele e mais Glauber Rocha, Antonio Callado, Márcio Moreira Alves, o cineasta Joaquim Pedro de Andrade, o diretor de teatro Flávio Rangel, o diretor de fotografia Mário Carneiro e o embaixador Jaime Rodrigues abriram uma faixa denunciando a ditadura recém-instalada, deram uma vaia, e foram presos no ato, além de qualificados de "moleques" pelo jornal O Globo.

Glauber e Callado ficaram na mesma cela de Cony. Quatro dos oito "moleques" aproveitaram a clausura de quase um mês para tocar adiante quatro obras afins e fundamentais para a cultura brasileira: Glauber escrevendo o roteiro de Terra em Transe (em papel de embrulho); Callado terminando Quarup; Cony iniciando Pessach; e Joaquim Pedro tendo o lampejo de Os Inconfidentes. Esses eram os verdadeiros revolucionários. Os verdadeiros moleques estavam no poder.

jueves, 13 de marzo de 2014

Na meia-luz do tempo

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Para Lenzi e Donato, onde estiverem. Para Regina Clara, que não esqueço.

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Rodou e despencou de súbito. Mal compreendeu o giro e o mergulho, a mudança instantânea, e estava no quarto azul. O insólito do acontecimento não o perturbou, nada mais sentiu que um leve sobressalto. O passe foi tranquilo, imediatamente a sensação de perda que desde a infância inquietava o seu interior desapareceu. 

Conhecia muito bem o quarto azul, remontava à época dos primeiros sonhos incompreensíveis, vagos. Os sonhos continuaram, enigma cada vez maior, mas o local e os objetos adquiriram assustadora nitidez. Conhecia a sua intimidade, todos os seus segredos, desvelados um a um nas noites em que se quedava aprisionado pelas lembranças do impossível, do inocorrido, do que não pode ser. Agora estava ali. Permaneceu alguns momentos imóvel e logo desistiu de compreender, precisava esperar. Descontraiu os músculos do rosto, as mãos crispadas relaxaram. Mirou cauteloso as pequenas lâmpadas acesas no alto de cada canto da peça, sabia que eram pintadas de azul. Escorreu o olhar sobre a ampla penteadeira, reconhecendo esmaltes, escovas, cosméticos, perfumes e adereços, intocados, novos. Desceu o olhar para o tapete e parou, intuitivamente teve a certeza de que a seguir veria a cama circular.

Entre relutante e ansioso subiu os olhos, e lá estava, no meio do espaço azulado da penumbra do ambiente, envolta pela suave floresta de edredom. O contraste do verde-água, da penumbra e do anil mostraram os reflexos luminosos do leito. Um estremecimento. Andou alguns passos atraído pela visão cerebral da cama desarrumada, ao chegar perto deu-se conta de que estava alinhadíssima, correta em cada nuance. Olhou para o lado e o grande espelho do roupeiro declarou outra forma que esperava sem saber: um homem com o seu rosto vestido com terno claro, camisa branca, gravata xadrez de azul e marrom, bigode bem aparado e cabelos lustrosos penteados para trás. Então a primeira descoberta, o nome que irrompeu em seus pensamentos como um tiro: Malena! Junto ao nome, vieram-lhe a memória um aflito par de olhos castanhos e a cicatriz no seio. 

Um vontade irrestível arrastou-o para a pequena sala, saiu do quarto disposto a ligar a vitrola. Afastou as almofadas e na semi-obscuridade acionou o antigo instrumento, rodando o disco que jazia à espera. Em baixo volume ouviu o tango antigo romper o silêncio. Sentou-no divã e acendeu um cigarro negro, ficando a fumar e esperar. Na estante, o conjunto em porcelana: o jarro em forma de lua, a menina com a cesta de flores e o gato de expressão misteriosa. Acendeu a luz do abajur, desejou admirar o ar de cumplicidade e sentir o fascínio irradiado pelo gato de porcelana. Na parede, a máscara de carnaval, com o esgar de ironia desenhado nos lábios. Um porta-retratos vazio na mesinha. Sem aviso veio a pergunta: "Por que Malena está demorando?".

Imerso em divagações ouviu o telefone tocar. Não se mexeu. Chamou três vezes e parou. Aspirou com volúpia a tragada do cigarro, o telefone voltou a chamar mais três vezes e calou-se. Colocou o cigarro no cinzeiro. Tocou novamente, e na terceira chamada a senha completou-se, hora de atender. A amada voz: "Alô, meu amor, que bom que você está aí, eu sabia, não se vá, não demoro, não se vá, beba alguma coisa, não se vá, não se vá...". Nervoso abriu uma garrafa de vinho e outra de soda, misturou no copo e retornou ao quarto, deixando na vitrola o lamento de outro tango longínquo. Excitado estendeu-se na cama. As imagens começaram a surgir, logo a atropelar-se, um álbum de fotografias folheado em alta velocidade, todo o seu corpo sacudiu-se em frêmitos: o corpo de Malena dentro de um vestido negro, com os olhos vermelhos e o rosto lavado em lágrimas. 

Depois rindo e convidando com os braços, jogada na cama com os cabelos espalhados no travesseiro. No bar de uma rua incógnita, os amantes impossíveis levantando um mudo e fervoroso brinde ao incerto amanhã. Na segunda-feira, o discreto olhar à distância, protegida pela sombrinha, promessa e pedido de calma. Em outra segunda de tristeza inutilmente tentando divisar o vulto querido na avenida mais larga do planeta, povoada de gentes que vão e vêm. Cada um dos secretos e arriscados encontros.  A nudez, o amor febril na cama, nas almofadas, no tapete, no divã, amor repetido à exaustão. O abraço louco à porta, a dor de Malena em ir-se embora, a dor por deixá-la ir-se. O grito de "falso amigo!" e o calor do projétil perfurando-lhe as costas. Malena levando flores. Malena recusando-se a viver. Malena cortando os pulsos ajoelhada sobre um túmulo. A inconformidade, o fato negativo não aceito, o protesto pelos recantos do universo.

Ao ouvir o ruído do elevador parando no segundo piso saltou da cama, correu e sem raciocinar abriu violentamente a porta, no momento em que Malena jogou-se como se pretendesse atravessá-la, caindo em seus braços com o grito de "Tanguero, também voltaste!". Agarrados, bebendo um do outro o sal das lágrimas, internaram-se no apartamento. No caminho de confidências, da retomada de predestinação, ela sussurrou com voz entrecortada: "De que lugar e tempo vieste, Tanguerito?". "De Lisboa, 1988, meu amor, e tu?". "Desfaleci em Calcutá, em 1987". 

Dias depois, vestiram-se cuidadosamente para passear no entardecer portenho. Buenos Aires é linda quando as luzes começam a acender-se. É sábado, já não temem vingança, não se importam com o julgamento alheio. Ao saírem do prédio 348 da avenida Corrientes o fizeram de mãos dadas, abertos em sorrisos. E caminharam em direção à noite, como se ninguém os visse.


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domingo, 9 de marzo de 2014

O 8 de março

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E segue-se o Dia da Mulher, que suponho sejam todos os dias, como dos homens, como todos os dias são das mães e crianças, de velhos, de tanta gente.... de todos os humanos. Como dizia o outro, todo dia é dia de índio, de animais, de plantas.

As mulheres tem o 8 de março como dia de protesto, vigoroso, e vai crescer, visto que ainda estamos longe de um mundo melhor, mas nada pessoal nem localizado, é MACRO. E só assim o compreendo, ao 8. A luta é contra a ignorância. Ignorância é o que a palavra diz, não saber, ignorar. Por falta de escolas. E voltamos a bater na mesma tecla.

Quando as mulheres deixarem de ser escravas (macro) votarão em homens e mulheres, sem distinção, com propostas de políticas publicas igualitárias, e que as cumpram. Aqui no Sul ainda temos tristes problemas, que só a escola resolverá. Há lugares bem piores no Brasil, tanto que, quem abre a boca são mulheres das capitais. Igualzinho como no tempo das ditaduras: nos grandes centros urbanos a KKK dos bolsonaros, da católica que Francisco está colocando nos eixos, dos fanáticos outros, não conseguem identificar nem controlar, perseguir, machucar, o que já não ocorre em pequenas e médias cidades, nestas se abrir a boca acabou a sua vida.

Em certos países ainda extirpam o clitóris entre 12 e 14 anos, com faca suja, a família surpreendendo às onze da noite a criança dormindo numa casinhola da fronteira do Afeganistão, e sob a luz de vela a cortam para protegê-la de prazeres proibidos no futuro. Religião? Ora, se fosse só isso. Sim, a mãe junto, no mais das vezes é a mãe quem extirpa, repetindo o que com ela fizeram, crê naquilo, a coitada, com pais e irmãos segurando a criança à força. O diabo é a falta de livros, escolas, a incapacidade de raciocinar, de divisar o horizonte humanitário. As que se rebelam, antes queimavam, depois eram comunistas, hoje defendem aborto e muitos outros direitos naturais, se eles puderem as matam, para calar essa cadela, essa mulher, que nos botou no mundo!

Mulheres que matam, que insultam, gente vil, ora, delas o mundo está cheio. O que se reclama é equilíbrio, pois as leis, na imensa maioria dos países, fecham os olhos se o agressor for o homem.

Outro dia fui comprar dois tomates, pouco antes falei com uma amiga criança, mas amiga desde o tempo em que a peguei nenê no colo, eu com trinta. Tomamos umas cervejas, eu de bermuda e chinelo de dedos, esqueci os tomates, eu amo aquela guria. Era pertinho da mercearia onde eu iria. Na mesa de uma tropa onde ela estava fui maltratado por uma senhora, ela fria, malvada coroa, qualquer coisa que dissesse estaria errado, calei a boca.

Começou no Boa Noite. Boa pra ti, pra mim tu não sabe. Certo, ahn, bah, eu pensei em ir em Clube até, mas não vou, tocam sertanojos, eu gosto de marchinhas, de samba, mais marchinhas, sabe, carnaval à antiga. Foda-se, tem que respeitar os sertanejos, tu está discriminando os sertanejos. Não, dona, é que hoje é segunda de carnaval... Cada um faz seu carnaval, seu discriminador. Ahn, sim, concordo, só quis dizer do Carnaval que eu gosto! Posso ter gosto? E virei o rosto para o outro lado pensando que deve haver ainda...


Por mim que tu faça o que tu quiser, cara, ela ainda disse, como se eu fosse um assassino por não gostar de música sertanojas (nada e ver com sertaneja, que também pro meu gosto entrariam fora de hora). Eu me respondi em silêncio: eu não, sou um cara de paz, mas ainda hoje tu vai encontrar, quem procura...

Amanhã ou depois lerei no jornal que ela matou alguma criança, ou a algum boêmio na boa, no caso deste último no bar Rossi, porque em cama jamais me pegaria, não gosto de mulher agressiva, para não dizer outra coisa.

Tomei mais uns tragos em casa e não fui à Carnaval algum, temeroso de encontrar aquela senhora, eu desarmado, já viu... gente que joga nenê vivo no lixo, pela brutalidade que atinge a todos os humanos feridos de morte. Não, isso é caso isolado. A briga é MACRO, para um dia chegarmos no particular, um dia a bruta ignorância se esvairá.

Isso exemplo ruim, gente ruim. Se for falar dos espancadores, então, haja páginas.


Pelo que a turma briga é abrangente, as feministas e as mulheres em geral sabem disso. O desequilíbrio. Para cada assassina ou espancadora temos milhares de "homens" piores. Tem de tudo. Então as gurias aos poucos estão saindo do sério. Não como disse um militar da ditadura: "Às favas os escrúpulos", nunca, elas querem guerra, só que aqui pelo lado humano, e não dos assassinos que nunca tiveram escrúpulos.

O que reclamam é direitos iguais. E pedem pouco. Mas isso não se constrói assim tão fácil, entra a política, como forçá-los a legislar para todos? Começando por escolas para todos, boas escolas públicas, tão boas que acabem com as particulares. Como, se a maioria das mulheres, como seus maridos, ainda votam a cabresto, pela famigerada dívida de gratidão, quilo de arroz ou médico numa hora ruim? Como? 

E não adianta eu berrar, se adiantasse já teríamos. As mulheres berrando talvez mudemos para muito melhor, visto que a perfeição, na vida como em todas as artes, é mera ilusão que temos aqui neste pó do Universo.

Por isso voto nelas. Quanto mais bruxa, mais me fascina. Não andam por aí roubando, como esses coitadinhos.
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martes, 4 de marzo de 2014

Bêbado no Carnaval

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Acabo de contar a um amigo, César Tassi, hoje morador de Passo Fundo (RS), que não se surpreendeu nadinha, pois amou a pessoa e hoje reverencia a memória do Graúdo tanto quanto eu. 

Divido com os demais rapazes como advertência: cuidado com a bebida, os camaradas são finos em aprontar pra gente. Falo aos reis e valetes, mas poderá servir a alguma dama, no inverso.

Nestes tempos em que uma palavra sem nenhuma maldade pode nos levar à guilhotina, pelo fanatismo reinante, apanha safado, esclareço que nada tenho contra homos, é tal a discriminação que já senti vontade de ser viado só para pararem de me perseguir, mas sou hetero, pombas. Bandidos são outros, eu fora.

Eu era muito novinho, uns 21 anos, 74 Kg com músculos nos lugares certos (seco na barriga, agora com 77 estou bico e pena), tímido a dar com um pau. Até hoje não acredito no que me disse o meu querido uruguaio Hélio Oristín, o "Graúdo", ele já quarentão, que comigo alugava pelo sistema árabe "rachid" uma casinha antiquíssima caindo aos pedaços no Menino Deus. Casinha que remontava aos açorianos, de dois minúsculos andares, com uma escadinha perigosa no meio, eu dormia em cima. A gente num miserê danado.

Deu-se que num Carnaval ou 7 de Setembro, mais certo Carnaval, a névoa dos anos me traz incerteza quanto à data comemorativa, certa vez acordei no 666 (sei do número e não creio) da rua 17 de Junho com uma negona pelada ao lado, baixinha, careca e com uns 200Kg, eu espremido quase caindo da cama de solteiro.

Soltei um grito e saí correndo nu, desci a escadinha voando, mal senti suas tábuas soltas, muito puto da cara, botando a culpa no Hélio Graúdo, dizendo que ele a tinha colocado na minha cama pra me sacanear, e ele se defendendo: "Foi tu, Saladinha, tu tava bêbado, nem vi que hora tu chegou, mas já tava amanhecendo, só ouvi o barulhão, tu tava feio, no escuro depois ela deve ter tirado a peruca e a cincha...".

Fiz cara de dúvida, ainda furioso, e ele arrematou com um risinho no canto da boca: "Hoje cedo dei uma espiadela, olhei de longe só pra ver se tu tava respirando, fiquei tranquilo e fui comprar comida, tu sobreviveu, Saladinha querido. Ainda bem que acho que não é homem, embora o pé...". Subi a milhão, agora sem tocar nas tábuas, cheguei na cama e abri as pernas da dorminhoca, ufa, era mulher. Olhando para o pé 34 dela gritei lá de cima: "Seu filho da mãe!". Nesse momento achei-a linda. E aqui falo da senhora sem preconceito de gordura ou de cor da pele, imagine, tive tantas negas depois, ainda tenho, amadas. Eu era mesmo muito novo, me assustaria igual se fosse uma alemoazona careca.


Até hoje acho que ele me sacaneou, o que tinha de sincero tinha de tinhoso. Até virgem creio que eu era. Ele foi legal, já partiu e nunca o esqueço, a bondade em pessoa, me ajudou tanto... Para rir de mim poderia ter aproveitado que eu dormia e me esfregado clara de ovo crua na bunda, aí já viu, despertar com gosma escorrendo pelo ânus...

Tomei fogos homéricos na vida, talvez ainda tome alguns, dor-de-cotovelo, quem sabe o amanhã? Tomei, sim, de vomitar, de subir de bunda as escadas de casa, mas jamais esqueci algo, nada de no outro dia dizer que não me lembro. Lembrei sempre cada detalhe, cada palavra ouvida ou pronunciada, embora impossibilitado de reagir pelo tamanho da borracheira. Salvo por aquela vez, apagou tudo.

Então, pelo sim, pelo não, nunca se sabe, amigos, convém tomar cuidado com a bebida, vai que não tenham a sorte que tive.
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martes, 25 de febrero de 2014

Falando com Deus

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Caí de joelhos ao lado da cama, gritando:

- Eu queria tanto que existisse Deus! Onde está, onde está você que permite tanta maldade!?

Levei um susto ao ouvir uma voz, não era de homem nem de mulher, uma coisa estranha, metálica, mas que também lembrava notas tiradas de um saxofone, humana. Em bom português:

- Estou aqui, quer falar comigo?

Olhei para os lados, sacanagem a esta hora da manhã, eu, hein? Varri o quarto com os olhos, ansioso, ninguém. A voz veio de dentro da minha cabeça, ou do espaço, sei lá. Tímido, ainda pensei mais um pouco: vai que exista esse cara, vai que more em Plutão e sem querer acertei as palavras para invocá-lo, e raivoso atirei tudo para cima:

- Querer mesmo não queria, mas já que está aqui, quero sim, seu putão, quero muito falar com o senhor!

- O planetinha é Plutão, meu amigo.

- Putão ou Plutão, foda-se igual, seu irresponsável. Que inferno é este que inventaste? Que matança é esta, a fome grassando na África, dizimando milhares de crianças por dia, outros se matando por todo lado, aqui uns idiotas se rasgando pelo time do Corínthians para chupar o pau de falsos gladiadores, uns bichos tatuados levando homens supostamente sérios a cometerem tanta sandice, lá adiante meia-dúzia confabulando para ganhar mais um trilhão? Que merda é essa que tu fez?!

- Acalme-se, quanta revolta, expressões chulas, quanta falta de educação, para que isso? Passo aqui muito raramente, quando quero rir, na medição de vocês de mil em mil anos, como iria saber? Tenho muitos mundos para rodar, meu caro, isto é muito menos que grão de areia, é pó, porque o que vocês chamam de Via Láctea, onde esta bolinha não é um grão, pois essa Via Láctea dá meio grão num deserto imenso, e olha lá se der meio grão. Eu não tenho nada a ver com isso, vocês é que me inventaram para ter em quem derramar suas imperfeições. Aguente. Ou não agüente, mate-se, estou me lixando.

- Expressões chulas diz porque ainda não ligou o rádio para ouvir a Putazuda do Cu Piscando, senhor Deus, com todo o respeito, afinal a obra é sua. Mas então é assim, tá nem aí, na carinha?

- É, se não gostou, coma menos. Meu tempo está terminando, tenho que assistir a uns macumbeiros do futebol antes de pegar o buraco negro das onze, se der tempo rirei também na sessão das dez e meia da Universal, os larápios gritando meu nome, uma diversão. Fiquei de almoçar com o diabo lá... tu não entenderia, outro mundo. Olho de longe as mandingas e me divirto muito, rolo de rir, por mim que se fodam também. Que todo o mundo se foda, entendeu? Tiau.

- Peraí, não vá..., se tu pode andar de um lado pro outro assim na maior facilidade, se me deu a graça de levar um lero, não dava pra me fazer um favorzinho, só um?

- Depende. Qual?

- Bem... é pequeno, eu... eu quero que morram todos os que não acreditam em Deus. Tá, tá, sei que sou ateu, mas adoraria que tu existisse, é diferente, ou tu gosta dos caras que dizem acreditar e fazem tudo ao contrário do que ensinou Jesus? Pombas, um favorzinho de nada... sei que não vai fazer isso, os incréus são os que acreditam, dariam tudo para acreditar... Senhor, francamente, deixa outro, por favor...

- Diz logo, estou me atrasando.

Opa, parou pra me ouvir, deu certo chamar de senhor. Fui por aí.

- Queria que o senhor, por gentileza, só para começar, serviço fácil, pensou e deu, matasse os donos e altos funcionários e âncoras de televisão. Pera, tem a turma de apoio... melhor assim: mate todos lá. Se desse, o senhor também poderia afogar os ruraralhos em produtos químicos, empalar os banqueiros, desaparecer as armas atômicas, fuzilar os...

- Eheheh, estava pensando... não sei de qual Jesus tu falou, já mandei tantos, mas gostei de ti, pra burro não serve. Não precisa listar a todos, li teus pensamentos, logo diria os corruptos, os grandes empresários que cresceram mamando, sei, lista comprida, tu não pede pouco, hein, meio atrevido... 

- O senhor me fez assim...

- É, tinha esquecido. Vou pensar no assunto, tem grandes chances de sucesso, também já ando cheio dessa gentalha, acho que exagerei na dose. Mas não conte que eu acabe com o Congresso Nacional de vocês, pois isto significaria matar esse povinho, o que não vou fazer.

Oba. Animei-me:

- Ahn, amado senhor Deus, pera só mais um instantinho... - eu disse num encabulado murmúrio, não queria arriscar perder o que já poderia ter ganho.

- O que é agora?

Falei miudinho:

- Não terminei o pedido, seu Deus... Agora é favorzinho de nada: poderia desintegrar todos os estádios do mundo, ou transformá-los em centros esportivos de colégios? E matar a todos os que tem mais de um milhão? Veja, olhe, o senhor pode, é tudo roubado, mas ainda estou deixando um milhão de lambuja, quem roubou só isso será poupado, é muito mais que razoável...

- Hummm... já está abusando, um pedido se transformou num monte, mas vou pensar... no fundo também ando com vontade, principalmente da segunda parte. Tiau, até a próxima.

Entreguei-me, arrastei os joelhos no assoalho chorando, e bradei:

- Não vá, não vá... só mais uma coisinha, pelo amor de... do senhor.

- Tu já está me dando nos nervos, haja paciência, vai, diz logo, o que foi desta vez?

- Pensei melhor, meu Deus, esqueça tudo o que falei antes. O senhor poderia apenas explodir o mundo, acabando com este horror?

- Ah, ah, ah... Como és bobinho. Não se tocou ainda? Essa tarefa deleguei a vocês, que, aliás, estão se saindo muito bem!


Acordei urrando sozinho no quarto, ensopado de suor.
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Saudades de Lourdes Rodrigues, a Dama da Canção

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Essa mulher que vai, sobre quem quase nada tem no youtube (queria vê-la cantando tantas), deve ter uns 25 anos a mais do que eu, por baixo. Foi e é minha amiga, embora não a veja há tanto tempo (soube que morava ou mora em Imbé, litoral do RS), última vez que a vi, Ain junto, foi quando comemorou 50 anos de carreira no Se Acaso Você Chegasse, lindo bar do seu Lupinho que Porto Alegre, deixa pra lá. 

Falamos pouco, ela estava em noite de homenagens. Menti aos circunstantes que fui eu quem a ensinou a beber e a "namorar" e ela caiu na gargalhada de nojo do babaca, mas bem feliz, e caí fora também rindo pra não atrapalhar os festejos dos 50. Para mim, uma das senhoras mais doces que conheci, amiga sincera, que como eu era mordida de mentiras.

Como eu e quase todos, que são muitos os humanos de bem, tinha e ia pelo instinto: não pestanejava se o ambiente lhe surpreendesse, corrida de rainha, ignorava o ruim, sorria com reservas ao bom recente. Postura, meu caro. Mesmo em casa, ao lhe responder uma pergunta que me fez nem piscou quando lhe falei das fomes que havia passado, só me abraçou e acarinhou meus cabelos. Nunca saberei como ela adivinhou que o único jeito de me tranquilizar, e eu não era fácil, seriam dedos deslizando por dentro dos cabelos, de leve..., enquanto eu controlava os soluços. Eu andava apavorado, havia descoberto como o Delfim Netto e seus aspones operavam, auditor sofre. 

Mesmo diante de pessoas vulgares ela se mantinha deusa marrom, e o seu ar encolhia vagabundos, os ricos lalaus, nunca pobres, pois estes, os pobres de Porto Alegre, eram dos nossos, nunca incomodaram e se incomodassem o esforço era nada para trazê-los à luz. Dava-se com todo mundo, pois como sabemos 99% do povo é bom, nós que só vemos, votamos em, talvez nos relacionemos, com quem, deixa pra lá, só pergunto se os amigos conhecem algum político filho de pobre, a sério? Digo a sério porque em época de eleições todos os ricaços contam que foram engraxates, guardadores de carro, alarifes, chupadores de pi, picolé, o diabo. Tiririca não vale, animal que serve a eles. Pobre é corrupto por falta de instrução, levando algunzinho ama votar e fazer campanha de filho da puta? Ah, deixa pra lá.

A conheci quando moço... eu tinha 21 anos, no Chão de Estrelas da José do Patrô, era uma diferença e tanto, essas duas décadas e meia ou mais. Mas ali pelos meus 33 ficamos amigos para sempre, eu visitava a sua casa (apê na Rua General Canabarro, lá em cima, para quem sobe da Rua da Praia, na dobrada à direita, mais um pouquinho e estará no cerne do Alto da Negra Bronze, Centro, morro coração de Porto Alegre), ela com os netos no colo, contei no blog que nessas ocasiões eu acabava bebendo meu uísque todo, e todas as cervejas, acabou, aí batia na garrafa de campari que levava para ela, que era chegada num vermelhinho mas bebia pouco. Isso em dias de folga, dela e minha, alguma segunda-feira, na outra noite ia vê-la cantar, se pudesse (eu viajava muito a trabalho), em ambientes finos ou em bares mais simples, estes minha predileção, sem frescuras de donos ou clientes. Com regional! Bandolim ou cavaco, flauta, violões, pandeiro, batuques...


Quando inventei de "namorar" uma sobrinha dela, a mais novinha, queria dar em mim. Que eu me lembre, foi só um abraço meio apertado demais. Eu abaixo de pau verbal me defendia: "Mas eu tenho 34, Lourdes, a guriazinha tem 49 pra 50 e uma penca de filhos, pombas!", não adiantava, eu não prestava. Mas passou, em poucos meses já ria sobre o ocorrido, mas avisava as outras sobrinhas nem tão "novinhas" para me evitarem, é um cão sem dono. Gostei do sem dono.

Enfim, hoje achei uma postagem. Preciso deixar de ser loco e aprender a postar músicas no youtube, pois tenho pelo menos uma raridade em CD: ela, como outros artistas de Porto Alegre, cantando em Buenos Ayres, cosa de cinema. 
Botou a platéia abaixo cantando um tango emblemático, "Sin Palabras". Arrematou com "El Último Café", só se via corações argentinos arrebentados.

Rubens Santos, antigo parceiro de Lupicínio, também estava nessa, entre outros grandes artistas. Seu Rube, que é outro esquecido, nessa ocasião quase matou os hermanos, cantando "Uno" duas vezes, em espanhol e em português, só gritavam El Negro, el Negro! Bravo!, pedindo que voltasse ao palco.


Abaixo, minha velha mulata, a DAMA DA CANÇÃO de Porto Alegre, com orquestra (prefiro com regional e tal, mas ficou bem assim), interpreta a relíquia de Foquinha e Paulo Coelho (é outro cara, pelo amor de Deus, este Paulo Coelho era pianista), Alto da Bronze, canção que por alguma razão de carinho é lembrada no conto-título do meu livro "Um amor em Porto Alegre", ainda no prelo.


Guardo a eterna lembrança
do tempo feliz em que eu era criança,
do tempo em que a vida era
da minha infância a grande quimera


Hoje eu pobre profano
me lembro de ti e dos meus desenganos
Oh! meu Alto da Bronze dos meus oito anos

Rascunho apressado de Nervos de Aço, com Paulinho

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"Roberto Jefferson está preso, finalmente.
Ex-deputado, que delatou o mensalão, deve cumprir no Rio de Janeiro pena de sete anos e 14 dias de prisão".
(Manchete do jornal O Povo, de Fortaleza, Ceará).

Esqueçamos o jornal, só foi uma idéia da maioria, pois o mesmo jornal, no golpe militar de assassinos civis e militares, já disse assim em primeira página:

"A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”

(Editorial de O Povo - Fortaleza - 3 de Abril de 1964);

Em frente, queremos mesmo é falar de um samba.

O criminoso, criminoso há décadas, mas só um e nunca o maior, amigão de gatunos que estiveram no poder desde sempre, não me surpreendeu. Admito que ele e seus maus sentimentos ajudaram a democracia, ao desandar o horror dos bastidores.

Entendo. E vi mais, então só queria que ele, como o esquema gigantesco de proteção mútua (e ainda há, protegem-se, os que ainda não foram presos e seguem ativos... aí se alguém entregar os que vinham de antes.... ai meu Dem, digo, Diós), esse sujo de malas em hotel e seus cupinchas morressem. Fim. Só queria que morressem. Sei dos sacos de grana, das imensas fazendas que compraram, sei da grana depositada no exterior, no total 600 bilhões ou mais. O “pemedemismo”. Vejo nos aeroportos suas putas analfas e ricas nas intermináveis filas para Orlando, em Guarulhos dá vontade de chorar, ou matar, para darem a bunda para o Mickey com dinheiro roubado, mas Mickey é só um brinquedo, alguém explique a essas damas sem cérebro que isso não existe, pois nesse passo seus filhos serão uns bostas ladrões, insossos como os pais, e casarão com insossas... Não vai adiantar, ninguém diga.

Aceito que sejam assim, mas com o nosso roubado, chega, enjoei, e as crianças que morrem silenciosas, já contei que a fome no fim tira a voz, né? Pretendo pegar em armas, e não só pegar, insuflar a turma. Já sei: serei terrorista procurado, só por dizer isto, sem nunca ter pego num punhal para matar um sujinho desses. Certo, entendo.

Por isso o Jeff está tão tranquilo, cadeia será hotel de luxo, telefonará, receberá mulheres, bem, mulheres não, por... deixa pra lá, mas terá tevê de gelatina enorme na parede, assistirá as mentiras de jogos de inverno nas Sochis, aquele horror de mentiras que custa a vida de tantos, pela CNN, os de verão na Tonga da mironga, rirá aquele riso gutural de felicidade, encherá a pança até comitar com comida trazida dos melhores restaurantes. Lá será protegido, não haverá rebelião que lhe corte a cabeça. Ele e os canalhas que denunciou comprarão também o PCC, será amigo dos guardas, como os outros detentos especiais, pagará por proteção, sai no mijo, com os outros, corrupção é com eles, ah, o dinheiro... 

Mandam matar desafetos na hora em que quiserem.

Enfim, será feliz, porque sua vida era uma prisão, otário broxa mentindo diariamente. Como a um outro louco que mudou o rosto. Agora estará solto, lá dentro, enquanto os vagabundos lá fora comerão as suas supostas mulheres, elas escondidinhas para não perderem a grana, essa a parte ruim, mas faz parte, já que não comia mesmo, de repente respirará aliviado porque pararam de incomodar com aquele papo de estou com tesão, vem meu amor, me coma pelo amor de Deus.

Pausa. Preciso relaxar, dois dedos de canha. Bem... quatro.

Perdôo o brutal desgraçado, desde que morra na cadeia, do coração ou do que quiser. De preferência no mesmo instante em que os canalhas de cara cortada que denunciou, também presos. Mais os outros que ainda o serão. Eu vi criança morrer de fome, e quando cheguei não dava tempo de salvar, seus... seus...

Perdôo por tudo, torno a dizer, seus maus sentimentos ajudaram a democracia que recém nos aparece, só o vulto da dama, não ainda plena, longe disso. Graças a ti, Jeff, o povinho viu o vulto dela, em vermelho, azul, verde, branca... multicolor em transe dançando na penumbra deste túnel sem fim.

Tudo perdôo, mas nunca ao mal às crianças, e à miséria que paga toda essa riqueza mal havida, ah, isso não perdôo. A nenhum de vocês. E os pegarei um dia, ou os que ficarem depois de mim pegarão, senão vocês, seus mortos-vivos, aos zumbis que vocês pariram e serão iguais.

Haja nervos.

E não o perdoô, Jeff, por sair pelas noites de Brasília com o meu, e pelos inferninhos de vagabundos se dizendo cantor e assassinando Lupicínio, muitas vezes acompanhado por artistas que de artistas só tem a mentira, não são, artista cuida do seu povo. Isso não perdôo. Lupicínio Rodrigues não merecia. Nem eu. Tu é um bicho, Jeff, canta mal, sem melodia, erra na letra, um fiasco, mas, pagando, certos bares finos, aqueles, o toleravam. Finos para animais, como são a maioria, de restos humanos como tu e de donos de bares, uns criminosos, salve boate Kiss, é assim em todo lugar, uns lixos bem vestidos, e impiedosos quando estão por cima de um povinho que freqüenta esses lupanares de luzes e alegria fingida, se soubessem passavam direto pela frente, firmando a mão da namorada sem olhar para dentro.

Um dia contarei sobre os bares da Cidade Baixa de Porto Alegre, hoje em dia. Vai faltar fígado pra moçada ler até o fim. Sem querer o cara entra no boteco onde, por trás dos panos o dono é o Maluf, ou um nazista do agronegócio do veneno químico das múltis, um do RS. Outro dia conto.

Esqueçamos isso. Voltemos ao título. Nervos de Aço. Haja, mas relaxo.

Um marceneiro chamado Paulinho pode cantar o samba-canção, só nos engrandece, lindo. 

Com o perdão que já vou pedindo, não é bem assim, seu Paulinho, pelo menos no meu tempo (posterior a esse senhor querido de que falas? Não creio). No meu tempo recente o regional já entrava matando, coisa que só aparece, pouco quase nada, no finzinho do teu show. Um dia lhe explico, mas adianto que era como gravaste na primeira, só que sem as paradinhas, e outros músicos, faltou o regional, as paradinhas do tam-tam~tam-tã até entravam, não a paradinha somente, ela e o preparo que a antecedeu, mas com regional. Bom é regional pegado, Paulinho, sem invenção, tu sabe, ao menos em abolerado gaúcho.

Bem, agora o papo é outro, Paulinho da Viola: um brasileiro como poucos em honestidade e bravura, profissão, músico. Em casa, é ou foi marceneiro.

Glória nacional e exemplo de humildade, para citar o principal atributo de um homem de bem. Salve, seu Paulo!


lunes, 24 de febrero de 2014

Manga e os tubarões

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Deu-se que o famoso goleiro Manga era chegadinho numa jogatina, amanhecia em carteados, e numas pinguitas de vez em quando, e as más línguas dizem, no que não creio, que não podia ver mulher que saía fazendo loucuras inomináveis. Moramos na mesma rua, na Francisco Ferrer, próxima ao Hospital de Clínicas, em certo tempo, eu menino ainda, e sempre nos víamos, ao anoitecer, numa pequena mercearia daquela ruazinha. Chamou-me a atenção os vincos no seu rosto (pareciam furos), como sua altura, claro, e o tamanho da mão... dedos retorcidos, umas mãozonas pavorosas!

Ele vinha de treino no Inter, já tinha amizade com o dono, que, honrado com a presença daquele gigante atencioso, guarda-metas idolatrado, também já era seu botequeiro, e ali entornava suas pingas sem ninguém ver, só a gente que era de casa, por assim dizer. Enrustia o liso atrás da balança, e, quando a mercearia estava livre de estranhos, pegava e taiaiau de uma só vez, e lá ia o copo pra trás da balança, onde o dono tornava a encher. Tomava umas quantas purinhas e saía inteiraço. Tentei imitá-lo em certa noite e quase me afoguei, olhos em lágrimas. De outra feita comprei mais tomates que o dinheiro dava, e ia devolver dois para acertar e ele não deixou, completou a grana, dizendo em portunhol (sim, voltou de cinco anos no Uruguay, onde foi campeão de tudo pelo Nacional de Montevidéo, incluindo um Copa Intercontinental e uma Libertadores, falando espanhol, tinha esquecido o português, que foi recuperando aos poucos): aceite, não leve a mal, outro dia tu me paga, guri. Enfim, era dos nossos.

Conto a história com minhas palavras, foi mais ou menos assim, antes, no Rio de Janeiro:

Com esse amado estilo de vida, natural que andasse sempre apertado de grana, o que ganhava como goleiro do grande Botafogo não dava pra nada. Começou a se recusar a entrar em campo, isso a poucos minutos de enfrentar um Vasco, Flu ou Mengão, jogos importantes (os dirigentes do grande Inter dos anos 70 devem recordar dessa sua mania), alegando nervosismo com as dívidas, que andava sem nenhum no bolso, que não tinha cabeça pra nada, uma pouca vergonha viver assim... Os dirigentes descolavam algum, aí imediatamente passava o abatimento, ele entrava lá e fechava o gol.

Daí que um dia alguém lhe sugeriu fazer um empréstimo bancário, iria pagar em módicas prestações e tal. O Chico Anysio, grande botafoguense, e um velho jornalista esportivo da Globo que não recordo o nome lhe serviram de avalistas. Pá, foram lá, assinaram, ele pegou o dinheiro e saiu bem feliz.

Se pegou 12.000,00, em doze vezes, pensou que ia pagar prestações de 1.000,00 por mês.

No mês seguinte foi pagar a primeira e lhe fincaram 1.050,00 ou 1.100,00, na época a extorsão já corria solta. Emputeceu, queria matar o gerentalha do banco, este que, mero empregado do tubarão, trêmulo, alegava que estava no contrato, o senhor não leu?

Chico Anysio custou a acalmá-lo. Ficou uma noite inteira tentando lhe botar na cabeça o significado de "juro", e não conseguiu. É ladroagem, Chico, botem o nome que botarem, a gente precisa é chamar a polícia, dizia. Mas, instado pelo amigo, que teria que responder por ele, deixou pra lá e pagou até o fim.

Porém, todos os santos dias, na ida para o treino do Botafogo, abria a porta da agência bancária e gritava para o gerente, chamando a atenção de toda a clientela: Ladrão! Ladrão! Ladrão! Ainda te meto a mão na cara!

Fechava a porta com estrondo (na época era porta comum) e seguia seu caminho para o velho estádio de General Severiano.


Lembram do tamanho da mãozinha do Manga? Consta que o gerentalha agüentou duas semanas e foi transferido para outra agência, bem para longe dali, depois de Jacarepaguá.
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domingo, 23 de febrero de 2014

Minha viola foi pro fundo do balaio

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Três e picos da manhã, já domingo. Chove na capital, chuvinha fina. Eu muito feliz, ao amanhecer chegarão Carlito Dulcemano Yanés e Juanito Díaz Matabanquero, há meses não nos vemos, embora nos falemos por telefone quase todos os dias. Ah, lembro de avisar aos centenares de amigos, alguns do feicebuc, preocupados com o destino da cozinha depois que a invadi para fritar os peixes y hacer otras cositas más nesta linda noite de sábado em Porto Alegre, que correu tudo às mil maravilhas. Ao final ficou parecendo um campo de guerra, após a guerra, mas pelo menos não explodi o prédio. Dolores Sierra riria muito ao apreciar a bagunça, se estivesse aqui e não em Barcelona.

Antes fiz feijão, bem, não fiz, pois deixei o produto com temperos e couro de porco fervendo na panela de pressão - esses feijões que nos vendem são duros pacas, umas porcarias que só na pressão mesmo - e fui tomar uma cerveja ali no bar do Janjão, o José João Alfinete, velho amigo. Deus é de fato um cara muito gozador, pois o Janjão, com um metro e sessenta abriga cento e quarenta quilos no corpinho, com o sobrenome de Alfinete. Depois de dois tiros de branca com losna, tomei só quatro ou cinco cervejas, ou seis, sete, vá lá, também sou filho de Deus, cantei poucas músicas junto aos boêmios e boêmias da Praça Garibaldi, ai-ai-ai, uma morena que eu não conhecia, gostosa, cantou Linda Flor me olhando zombeteira: “Aioiô, eu nasci pra sofrer, foi oiar pra ocê meu zoinho fechou...”, eu casaria com a fresca hoje mesmo não fosse o armário de doze portas que a acompanhava, e logo voltei pra casa, muito contra a vontade, mas sabe como é, precaução, sou um cara precavido, pois ainda era cedo. Cheguei bem a tempo de impedir os bombeiros de arrombarem a porta, perem aí, camaradas, tenho a chave, perderam alguma coisa na minha moradia?

Pensei em dar voz de prisão aos elementos, mas eram uns dez, e com ferramentas nas mãos, e eu desarmado, aí já viu. Torrou tudo, acho que botei pouca água na panela, mas dava nada, só fumaceira que os cagados dos vizinhos pensaram que era incêndio. Fiquei abalado de ver os bombeiros me enchendo o saco com recomendações, deixando planfletinhos, ora vão sifuder, exclamei de repente, furioso, e eles se mandaram, pelo que servi um triplo de uísque depois que os de verde e vermelho foram embora, o que os salvou foi o vermelho, pois milico só verde me dá alergia, teria feito uma bobagem. Em meia hora eu era outro cara, sorri, botei um disco do Trio Cristal no prato, brindei à vida e encarei os peixes, sou fino nisso.

Houve o incidente com o meu amado Gatolino, que aproveitou uma distração que tive ao namorar o copo com demasiada paixão e me surripiou uma posta inteira de viola, pelo que o persegui por meia hora no apartamento até encontrá-lo dentro do balaio, hoje vazio, de roupas sujas. Com a viola no fundo do balaio, hein, malandro? Parece samba do Paulinho, falei a ele com cara de vai me pagar, eu numa raiva de ter batido perna por todo o apartamento sem o encontrar, o filho da mãe arranja cada buraco impensável para se esconder. 

Recuperei parte da viola e decidi, enfim, tirar-lhe o couro. Para quem sabe do que estou falando, ainda dava tempo de esticar, secar e tal, de modo que o tamborim saísse ainda neste carnaval, a Academia de Samba Praiana teria um som muito melhor daqui a uma semana, mas o indivíduo novamente evadiu-se ao me ver de adaga na mão. Soube que anda lá pelos lados da Tristeza a esta hora, pedindo pouso ao meu compadre Walter Schumacher até que eu me acalme. Abobado, acredita em tudo, não iria lhe tirar o couro coisa nenhuma, só lhe cortar a garganta. 

Pensando bem... acho que na hora desistiria, ao pensar que Vanda Turco, Haidee Branco, Regina Baumgart e Letícia Fagundes, em represália, cometeriam um salitocídio com requintes de crueldade. E com tristeza confesso: maldade não está em mim, e logo meu Gatolino, mas haveria de dar-lhe um castiguinho, tipo forçá-lo a ler um livro do Paulo Coelho. Andei bebendo, esqueçamos isso também, pois teria que traduzir para o gatês, aí eu também seria punido ao ler e de quebra traduzir antigos escritores da humanidade. Sim, se sei a língua de nenês imagine se não saberia gatês, ora, só o miau tem 879 significados e/ou acepções, a depender do tom de voz, digo, do miado. Só dos choros de gato registrei 195 variações, que vão desde tango a rock demência, como denominei. O chorinho mais lindo, pro meu gosto, é o foxtrot gateado, é quando está com vergonha de contar alguma arte que fez. Abolerado é quando está apaixonado e com tesão. Com ciúmes de corno sai da frente, lá vem com choro sertanojo de Goiás, é mortal. E aquele que sai do fundo da garganta, hummmiiióóó é situação nova, ainda não tenho certeza, mas creio que está dizendo que não sabia dessa mas acho que estou gostando, ou, e isso é de doer, é saudade da gata mãe. Bah, uma infinidade, e recém comecei os estudos, suspeito que há mais cinco mil significados, sem contar as variantes de cada tema.

O disco do Trio Cristal tava terminado há tempos, arranhando no fim sem levantar e clic pro seu lugar, toca-discos antigo é foda, fica lá, empacado. Tirei e botei o Moacyr Luz em cd, ai, Saudades da Guanabara. Servi mais um triplo e esvoacei leve para a cozinha, lembrando da doce baiana da rua Tonelero que se alucinava e gritava isso, me beija, me esporreia seu loco. Ui.

Quando rodou Pra que pedir Perdão o espectro físico de Dolores invadiu o covil, algodão brilhando, quase desabei, não me vi bem na parada, derramei por engano meu copo na frigideira e tomei um talagaço do vidro de azeite de oliva. Cruzes, cheguei a tontear, mais do que já estava, mas lembrei que pior foi quando os antigos, como chamávamos pais e tios e tias, me deram goela abaixo um colheirão de óleo de fígado de bacalhau, que curaria sei lá o quê. Suportei, segui mais firme que palanque em banhado. 

Ainda tava temperando os aquáticos quando deu outro probleminha: eu tinha ligado a boca mais forte do fogão, mas esqueci de apertar no tzzz, e ela ficou apagada soltando gás, a pequeninha do lado acesa, dali a pouco Bum, voou tudo o que tinha em cima, eu caí pra trás. 

O estouro novamente deixou as pessoas do prédio apreensivas, ô gente assustada, ouvi exclamações pouco elogiosas a meu respeito. Fui até a sacada dos fundos e gritei não foi nada, seus babacas, não se pode mais nem estourar um balão na própria casa?! Depois me sentei um pouco e ri muito. Tive leves escoriações no rosto por uma tampa que me pegou em cheio, nem tão leves, minha camiseta regata branca do Inter ficou vermelha de sangue, pelo menos combinou as cores, mas ruim mesmo foi o cheiro da parte dos meus cabelos que pegou fogo, fedor de osso, guampa queimada, melhor não lembrar daquela ingrata da Rua Vasco Alves, tomara que ela morra.

Com os imprevistos contornados abri uma cervejinha Coruja de litro e resolvi dar mais uma pulverizadinha de sal nos peixes, que já estavam ardidos de tanto, mas nunca é demais, e caiu a porra da tampa do saleiro, tapando a peixaiada de branco. Rei do peso. Fiquei puto e atirei os ovos batidos e a farinha de rosca para dentro da vasilha dos peixes que tava no buraco embaixo da torneira, joguei em cima o monte de pimenta-do-reino que havia esmagado com meu copo, sim, troquei de copo em seguida, tinha uns cinco copos, misturando tudo, na confusão se foi a dupla de uísque do copo novo para dentro também, a Coruja esquecida caiu de lado e ficou derramando dentro da vasilha. Salvei meio litro da cerveja, o resto já era. 

Se a ex-sogra velha que virá amanhã não pode com pimenta por problemas anais, uísque e cerveja por causa da pressão, azar o dela, que diabos, se é pra esculhambar é comigo mesmo.

Enfim, a cozinha pode estar um campo de guerra, feijão só quando Dolores voltar, mas as violinhas ficaram uma delícia, comi três pedaços dos trinta. Amanhã se elas, que nunca me visitam graças a Deus, fizerem arroz branco e saladas, fecha todas, o prato principal eu fiz, sou o cara. E não dou a receita.

Algo me diz que ando diferente, nervos meio à flor, e sei que é de saudades dela. Boto a Valsa Rosa, com a Camila Costa, que ela tanto gostava. Vai voltar.

Penso em abrir a vodka, única que restou, mas resisto, chega. Ela vai voltar, sim.



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