domingo, 5 de febrero de 2012

Carnaval da Sofia Veloso na Charge do Dias (2)

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João da Noite, o nosso correspondente para o Carnaval, sumiu do mapa. A última vez que foi visto estava no colo de uma enorme mulata,  na calçada da Rua João Alfredo, a meia-noite, chapéu de malandro, camiseta azul e branco listrada em horizontal, com uma garrafa de Amansa Corno na mão, fantasiado de mandioca. A fantasia era simples: pendurou uma bruta mandioca na frente, entre as pernas,  presa pela cintura. Então, devido a irresponsabilidade do boêmio-repórter, estamos com poucas informações dos desdobramentos do Carnaval de rua da Sofia Veloso.

Sim, não pudemos comparecer, entretidos que estávamos em dar um sustinho nos mercenários de Mr. F. Febraban, que ousaram, novamente, aproximar-se a menos de 10 Km da palafita. Neste momento Carlito Dulcemano Yanés já está em São Paulo, encarregado que foi de devolver a gentileza ao Febrabo. Entre os cinco que o acompanharam seguiu o haitiano Aristide, ansioso por mostrar agradecimento pela nossa hospitalidade.

Ontem choveu em Porto Alegre, o que só aumentou a farra na Cidade Baixa. Recebemos e-mail da Srta. Leila Ferro, com as obras do dia, que acabou de colher junto aos sobreviventes da festa. Ela também enviou algumas fotinhos que bateu (ao lado Rafael Dulcemano Yanés e Frida Von Allerborn, que deram uma passadinha por lá representando a palafita), mas só dos malucos da João Alfredo, o filme acabou quando chegaram na Sofia Veloso, nesta só deu para tirar uma, abaixo, da esquina da Rua da Olaria, de longe, o fedor estava lá dentro, ao fundo da foto.


Pedimos aos nossos milhões de leitores que nos enviem fotos da festa maior, na Sofia. Dizem que a Banda de Ipanema botou 40 mil na rua, ontem, no Rio. Fichinha, perto da Sofia.

Leiloca conta que saiu de joaninha, biquini vermelho com bolinhas pretas, com uma capinha de mesmas cores sobre as costas, tiara com anteninhas. Disse: "Tio Salito, recebi 59 pedidos em casamento, e incontáveis propostas impublicáveis". Entendo, ninguém notou as anteninhas.

Os doidos do Botequim do Terguino, alguns de noite atravessada, escolheram a charge do genial Waldez, do Amazônia Jornal (Belém, PA). Ei, Waldez, saudades de Belém no carnaval, da chuvinha das 4 da tarde e dos fogos que inundam a cidade ao amanhecer, cenas e sentimentos inesquecíveis. Aqui, como todo o Brasil, também estamos torcendo pelo Wando.

  


No Beco do Oitavo apareceram poucos boêmios, uns 15, segundo Leiloca. Conta que encontrou Mr. Hyde, hoje instalado no Beco em mesa lá fora, bebendo trigo-velho com cerveja, com um humor de cão, pois durante a festança na chuva, enquanto ele girava de braços aos céus cantando "... e a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva, a girar, que maravilha!", um gaiato puxou a ponta das bandagens da sua fantasia de múmia, e foi desenrolando... em pouco estava de cueca samba-canção, de bolinhas azuis, no meio da rua.

E a turma não deu refresco, vindo de Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ). 



A Leiloca veio de Mário Alberto, do Lancenet! Eta menina eclética, traquinagem não perde uma.




sábado, 4 de febrero de 2012

Carnaval da Sofia Veloso na Charge do Dias


No Beco do Oitavo a animação é grande, os malucos desde cedo às voltas com as fantasias improvisadas para a 6ª edição do Carnaval de rua na Sofia Veloso, na Cidade Baixa.

Lúcio Peregrino e Gustavo Moscão vão fantasiados de odalisca, os peludões. Marquito Açafrão e Wilson Schu de marinheiro: só quepe, camisa regata listrada e calção. A maioria vai de Ébrio, a la Vicente Celestino, por alguma misteriosa razão. Muitos farão surpresa. Nicolau Gaiola disse que vai de pavão, mas não se sabe se vai aparecer com uma peninha no chapéu ou com um mundão de penas coloridas, com este calor...

O Bloco Maria do Bairro vai comandar a festa, com muitas atrações. Artistas e intelectuais da terra, os que são "dos nossos", estarão todos lá (dizem que até o Nei Lisboa, eterno príncipe, não perderá essa por nada), brincando e tomando seu chopinho. O Juremir (compre meus livros, compre, compre, compre, uau, uau, uau) vai fantasiado de chiclé.

Em peso as crianças do bairro, que levarão os pais pela mão. O enredo deste ano é "Linguiça de Gente Alegre".  O bloco propõe a antropofágica questão: "Tupy or not tupy". A iniciativa é independente, já que a Prefa é boa mesmo para expulsar a Banda da Saldanha para o Rio de Janeiro, então será sem essa de cordão de isolamento.

É hoje, pessoal, todo mundo lá, a partir das 17 h na Rua Sofia Veloso, na Cidade Baixa, em Porto Alegre, sem hora para terminar!

Muitos dos boêmios irão de político corrupto (sei do cacófato, que tem a ver com os referidos, mas notem a redundância), e não vai faltar um espertinho para chegar fantasiado de juiz. E o Beco do Oitavo escolheu a charge do Bessinha.



No Botequim do Terguino não é diferente. Mr. Hyde, o médico da turma, promete vestir-se de... múmia. Olhe lá o que vai fazer, Mr. Hyde, não vá acabar assustando as crianças, o que já ocorre sem fantasia. O nego Janjão vai de urubu malandro.

O Contralouco promete arrebentar fantasiado de Dilma, e mais não disse. Clóvis Baixo vai de Carlitos. João da Noite, hoje prestigiando o Botequim, advertiu: se alguém me aparecer com máscara do Lula, apanha. João vai de... boêmio, naturalmente. O Jucão, separado recente da Silvana Maresia, vai de Waldick Soriano, carregando uma placa com os dizeres Eu não sou cachorro não, falou que "para dar uma letra pra ela". Isso, Jucão, mexe com quem está quieta... Walter Schiru sairá de barrica de vinho, levando seu cãozinho maltês caracterizado de Pedro Bial. Não me ofende o cachorrinho, Walter!

Aqui também muitos optaram por sair de político (agora evitamos a redundância, não complementamos com ladrão, ou corrupto), aquele negócio de charutão na boca, às costas um saco com cifrão, pança estourando os botões da camisa, gravata de gigolô italiano, por aí, igual aos empresários seus amigos. A Jezebel vai de Justiça.

Ficaram com a charge do Pelicano, do Bom Dia (São Paulo, SP).



A senhorita Leila Ferro, a moçoila que coordena a coluna, sem ela os pinguços deixariam a peteca cair, fechou-se em copas. Apenas comunicou aos boêmios que havia encaminhado o convite, na verdade uma intimação subscrita pela pinguçada, para que Adolfo Dias Savchenko, o idealizador da Charge do Dias, atualmente residindo em Córdoba (AR) com a sua loira de parar o trânsito, compareça aos festejos na Sofia Veloso. Algo nos diz que ele virá, um gigante alemão fantasiado de... Maradona. Também é esperada a Mareu, nossa consultora de lunfardo, direto da praia uruguaia de Quintino de los Infiernos, caracterizada de Carlos Gardel, essa queremos ver. Com ela o Infernando, de Maluco Beleza.

O pessoal não desistiu facilmente com a Leiloca, queriam porque queriam saber qual será a fantasia da jovem rainha, imploraram. "Ah, dá só uma pistinha", disse um. "Vai de sereia, Leiloquinha?", provocou Tigran Gdanski. Nada, só resta esperar para ver.

E a Leiloca ficou com a obra do Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, MG).




Zeca Pagodinho

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Então, de aniversário... Beleza, meu, quanta beleza tens espalhado por esta vida.

Dizer o que do Zeca?

O que todos sabem: um dos maiores sambistas na história do Brasil, um rapaz que teremos entre nós por muitas décadas.

Festejamos a isso!

Aqui com um samba que reviveu, do seu Alcides Malandro Histórico.

Tintim! Salud, Jessé!


O "teremos entre nós" ali em cima é referindo ao Brasil como um todo, bem entendido, nosotros desembarcaremos umas paradinhas antes, eheheh.

viernes, 3 de febrero de 2012

Dalmo Castello

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A palafita é fascinada por Dalmo Martins Castello (3/2/1943, Rio de Janeiro, RJ). Entre muitos clássicos, tem um samba, de 1973, que arrepia e põe toda a nossa tribo a dançar, independentemente de nacionalidade. Precisam ver o novo habitante da palafita, o haitiano Aristide Neptune Salazar, dançando com as suas menininhas. Miquirina Segundo dança lá adiante, conhaque com cerveja, ora veja.

Puxa, o Dalmo está ficando moço, hoje completa... 69! Viva!

Sobre o grande artista, vai o que diz o magnífico Dicionário Cravo Albin

Cantor e compositor. Nasceu no bairro do Rio Comprido. Começou tocando surdo e tarol aos dez anos e três anos depois começou a tocar violão. Logo depois, compôs a sua primeira música, "Eu e você".

Herdou a inclinação musical de sua mãe, bandolinista, que recebia em sua casa artistas como Jacob do Bandolim e Lúcio Alves. Cresceu estudando e jogando bola.

Entre seus vizinhos estava Jorge Ben, com quem sempre conversava sobre música e futebol. Participou das rodas de samba promovidas por Tereza Aragão no Teatro Opinião, ao lado de Nelson Cavaquinho, Padeirinho, Paulinho da Viola e Baianinho. Aos 15 anos foi convidado por Ataulfo Alves a participar de seu programa de rádio. Seu primeiro parceiro foi Toneca em "Menina Leblon" e em "Última mensagem", ainda inéditas.

Conheceu Johnny Alf, com quem compôs "Amanheceu", gravada por Sonia Maria Bianchi, com arranjos de Eumir Deodato, também interpretada por Agnaldo Rayol.

Em 1964, gravou o seu primeiro compacto simples "Pare e pense". No ano seguinte, lançou outro compacto simples, "Fora de hora". Ainda na década de 1960, classificou a marcha "Quando dois se gostam" no "1º Festival Internacional da Canção". Classificou também, neste mesmo ano, "Quem parte, parte" no "Festival de Música de Carnaval", organizado por Ricardo Cravo Albin para o Museu da Imagem e do Som.

Musicou várias peças infantis, dentre elas "Luisinho vai a Marte" e "Os bons tempos voltaram".

No ano de 1970, foi contratado pela Rádio Televisão Mexicana. Durante um ano no México, representou este país, juntamente com Armando Manzareno, no "Festival Onda Nueva de Caracas", destacando-se como finalista com a música "O herói".

Em 1973, numa feijoada preparada por Dona Zica, conheceu Cartola. Nesta mesma tarde, nasceu a primeira parceria da dupla, "Corra e olha o céu", gravada, mais tarde, por Leny Andrade, Os Cariocas, Cláudia Telles, Beth Carvalho, Vânia Bastos, Cartola e o próprio Dalmo Castello em seu primeiro LP. A parceria com Cartola, segundo Dalmo, "Já era etílica".

O primeiro elo de aproximação entre os dois foi o gosto pela mesma bebida: conhaque, alternado com cerveja. Passaram a se encontrar freqüentemente e a compor, nascendo outras composições como "Disfarça e chora", gravada por Leila Pinheiro, "Verde que te quero Rosa", que anos mais tarde seria usada como tema para o enredo da Mangueira, "Motivação" gravada por Beth Carvalho e "Musquitim", esta em parceria com Cartola e Xico Chaves. Com o poeta e letrista Xico Chaves compôs várias canções.

No ano de 1983, João Nogueira lançou pela RCA o disco "Bem transado". No LP foi gravada a música "Se segura, segurança" parceria com Edil Pacheco e João Nogueira. Ao todo, foram três LPs gravados; "Meu retrato", "Com que prazer" e "Vide verso", este lançado pela Coomusa (Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro), do qual a música "Rio, cidade mulher" foi usada pela TV Globo em um programa do "Globo Repórter" especial sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Com Monarco compôs "Mestre coração", gravada por Beth Carvalho. Através do Projeto Pixinguinha conheceu Dona Ivone Lara, com quem compôs "Em pedaços", que deu nome ao seu disco lançado em 1999. Neste trabalho, foram incluídas as participações especiais de Dona Ivone Lara e Cristina Buarque, e ainda de Paulo Moura.

No ano de 2003, ao lado de Nelson Sargento, Xangô da Mangueira, Beth Carvalho, Diogo Nogueira, Eliane Faria, Wilson Moreira, Délcio Carvalho, Nei Lopes e Áurea Martins, foi um dos convidados de Vó Maria para o show de lançamento do disco "Maxixe não é samba", de Vó Maria, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

Em 2004 lançou o CD/DVD/CD-ROM "Passeador de palavras", com entrevista cedida ao historiador Luis Fernando Vieira e um clipe com a particiação de Nelson Sargento. Dentre as composições incluídas destacam-se "Disfarça e chora", "Motivação" e "Corra e olha o céu", todas com Cartola, "Chorando no choro" (c/ Abel Ferreira), "De pilotis à palafitas" (c/ João Nogueira), "Se segura segurança" (c/ João Nogueira e Edil Pacheco), "Velhas lagartas, novas borboletas" (c/ Monarco), "Mais que um" (c/ Carlinhos Vergueiro), "Passarela da vida" (c/ Ederaldo Gentil) e "Na boca do vento" (c/ Cláudio Jorge).


Já rodamos neste blog essa sua fantástica composição, parceria com Cartola, em 1973.

Vai de novo, oba, que noite linda neste 3 de fevereiro, a palafita se ilumina.

Com Lúcio Mariano e o Samba Carioca, rara conjugação de talento e amor.

Tintim, Dalmo, Salud!

Os criminosos de toga, n'A Charge do Dias

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Hoje, ao  se depararem com as notícias, os boêmios do Beco do Oitavo saíram do sério. Lá estava, cara lisa, serragem tirada, com palavras escolhidas, o presidente da Associação dos Magistrados, lamentando as decisões do Supremo Tribunal Federal (decisão apertada! Traremos os nomes amanhã).

É que pacificou-se algo terrível para os juízes, pobrezinhos, no entender desse senhor (tem a cara dos Irmãos Metralha, ou é impressão do blog?): se o Vossa Excelência cometer um "desvio de conduta", isto é, algum crimezinho de vender sentença para bandidos declarados (para banqueiro e grande "empresário" com ajuda do bnde's pode, únicas exceções de declarados), por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça pode mandá-lo para casa, aposentado, onde continuará recebendo seu polpudo salário, sem trabalhar, com mordomias, assistência médica de primeira, até morrer.

Aí a "injustiça": o tadinho do criminoso nunca mais vai poder "trabalhar", isto é, vender sentenças, soltando colas-finas assassinos e ladrões do dinheiro público, enquanto confina infelizes ladrões de galinhas - não raro inocentes, ou meninos drogaditos no nariz, traquéia e pulmões deste sistema viciado de que se alimentam todas as espécias de corvos, em fétidos cárceres na Ilha do Diabo. Para mal dos pecados - argumenta o sensível presidente da Associação - as pessoas ficarão falando mal, pelas costas, dos aposentados.

Respirando fundo, deu falta de ar.

De fato, terrível... A sociedade ficar falando mal do herói, que um dia passou num concursinho pra juizeco, sabe-se lá como, que foi aposentado nessas circunstâncias...

"Mas tinha era que arrancar a capa preta do corvo e fincá-lo na cadeia!", rugiu Mr. Hyde, dando um bruto soco na mesa. Gustavo Moscão levantou, olhou para os lados, atarantado, sentou de novo, e disse nervoso: "Eu mato com as mãos um bicho desses, se condenarem sem razão um parente meu". O Contralouco, com os olhos sanguíneos: "Quero ver eles soltarem um filho de ministro ladrão ou de um empresarião ladraozão por, bêbedo, atropelar um coitado de madrugada, se o atropelado for dos meus!".

Xiii..., pesteou o ambiente. "Calma, gente, confiemos na Justiça, um que outro mau elemento existe em todas as classes", falou a voz da sabedoria, Terguino Ferro, que estava de passagem, foi pedir uma caixa de cervejas emprestada ao Portuga.   

Pois é, isso estragou momentaneamente o início de sexta-feira no Beco. Mais tarde tudo clareia, haverá festa, a sexta é sagrada, corno algum há de lhe tirar o brilho.

Escolheram a obra do dia com a maior facilidade. Deu J. Bosco, de O Liberal (Belém, PA).



O Botequim do Terguino há meses vem esperando a queda do falso chorão, acreditaram no blog, era esse o horror, o Bezerrão poderia esperar mais um dia, embora seja um lalau, mas este é pior. Ninguém entenderá, jamais, como o colocaram lá - hijito de pápi com dois neurônios e nota dez em negociatas, e como custaram tanto para dar-lhe um pontapé na bunda.

Dilma, Dilma... Ainda há muitos casos assim. Dá uma náusea pensar nas gangues..., bem, hoje é sexta-feira, deixemos para lá grandes encucações.

Os pinguços escolheram o Elvis, do Correio Amazonense (Manaus, AM).




E a senhorita Leila Ferro, que herdou de Adolfo Dias Savchenko a coordenação da coluna, fechou com o Frank, de A Notícia (Joinville, SC).



E assim passam os dias.
João.

jueves, 2 de febrero de 2012

Luiz Peixoto - Linda Flor

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A pedido de meio mundo, trazemos ao palco do blog também o outro clássico, citado na postagem anterior, este que Luiz Peixoto (letra) compôs em parceria com Henrique Vogeler (música): Linda Flor (Ai-Ioiô).

Com a Gal, estupenda como sempre, num show em 2004, no Rio Grande do Norte.


Luiz Peixoto

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Luiz Carlos Peixoto de Castro (2/2/1889 Niterói, RJ - 14/11/1973 Rio de Janeiro, RJ). Letrista, teatrólogo, poeta, pintor, caricaturista e escultor. Só não fez chover. Uma glória nacional.

Tem uma lista infindável de obras e muitas histórias. O Dicionário Cravo Albin nos conta um pouco.

Muito bem humorado, envolveu-se em inúmeros episódios hilariantes. Segundo o jornalista Brício de Abreu, um desses episódios hilariantes se deu em 1922, quando Luiz Peixoto trabalhava na revista "Para todos": chegou na redação uma batina, vinda por engano de uma tinturaria, e ele não sossegou enquanto não a vestiu. Resolveu então fazer uma blague com o diretor da revista, Pimenta de Melo. Foi ao seu gabinete, junto com Álvaro Moreira. Lá, para seu azar, encontraram o recém-eleito Presidente Artur Bernardes, reunido com Pimenta de Melo. O compositor não se intimidou. Dirigiu-se ao Presidente e em tom sério disse: "A igreja, meu filho, sente-se satisfeita com a sua eleição!". O presidente, comovido, beijou-lhe a mão, para desespero do diretor da revista.

Como letrista é autor de grandes clássicos da MPB. Como Linda Flor (Ai-Ioiô), de 1928 (parceria com Henrique Vogeler) e Na batucada da vida, de 1934 (com Ary Barroso), este que aqui vai com a sensacional copacabanense Mariana Baltar.

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Os mentirosos, n'A charge do Dias

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Ainda em roda de chimarrão, a turma do Beco do Oitavo, segundo notícias quentinhas, envolve-se em profundas discussões sobre figuras proeminentes do bairro. Lúcio Peregrino afirmou que há dois tipos de sujeitos: os que dizem bobagens apenas para ter o que dizer, sem ter a menor idéia do que se trata, e os que acreditam nas asneiras que dizem.

Nicolau Gaiola contestou: há também aqueles que sabem exatamente que ninguém vai acreditar nas tolices que dizem, mas que, protegidos pelo canetaço, pelo dono do jornal e pelas classes armadas (os escravos que trabalham pela comida), pagam para ver quem terá o peito de contestá-los.

Hummm... muito complicado, são inúmeros os tipos. Tem também aqueles que vivem no mundo da Lua, jamais entraram numa favela ou num presídio. Quando começar a rolar caipirinha (a aperitivação vai das dez à uma da tarde), só imagino o que os boêmios dirão dos Vossas Proeminências, no mínimo que são todos adoradores de Onan.

Nos dois primeiros tipos  tavam falando do Lula, depois passaram para o Collor, para no fim chegar no povão - diz Marquito Açafrão irritado -, quem  sabe vocês falam mais claro, o Moscão não entendeu nada.

A coordenadora da coluna dá uma passada no bar e trata de apressar a votação, hoje Salito tem mais o que fazer além de esperar pelos pinguços.

Escolheram a obra do Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, MG).




No Botequim do Terguino 80% dos frequentadores apareceram com a camiseta do Internacional, campeão de Tudo, para judiar da minoria. Entretanto, caso raro de 16 a 2, votaram juntos na charge de mais um mineiro, o S. Salvador, do Estado de Minas (Belo Horizonte, MG).




E a coordenadora, Srta. Leila Ferro, que tem direito a uma escolha a solas, fechou novamente com o Cazo, do Comércio do Jahu (Jaú, SP).


miércoles, 1 de febrero de 2012

Pedro Caetano

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O Brasil todinho sabe quem é Pedro Walde Caetano (1/2/1911, Bananal, SP -  27/7/1992, Rio de Janeiro, RJ). Pode acontecer que parte da moçada não saiba quem é, como em centenas de casos, vez que as nossas redes de comunicações (concessão estatal, nunca enjoamos de lembrar) preferem destacar os grandes vultos do invasor a quem se venderam.

Então, para o caso de alguém não o reconhecer, mesmo com os festejos do seu centenário no ano passado, diremos algumas palavras.

Aos nove anos se fez carioca. Dentre inúmeras grandes composições (este blog é fascinado por muitas), aqui viremos com duas.  A primeira, a maravilhosa valsa A Dama de Vermelho, composta em parceria com Alcyr Pires Vermelho, em 1943, que já tocamos neste blog, com a cantante santista Nadja Soares.



A segunda, de 1946, chama-se Onde é que estão os tamborins?

Desta, sucesso no carnaval de 1947, O Dicionário Cravo Albin nos conta que "... reclama da apatia e da ausência dos sambas de Cartola, ausente dos carnavais daquela escola na época com versos que dizem: "Mangueira/onde é que estão os tamborins, ó nêga?/Viver somente do cartaz não chega/põe as pastoras na Avenida/Mangueira querida!". Segundo o autor, o samba nasceu quando voltava do teatro com a mulher, em época próxima do carnaval e estranhou o silêncio na Mangueira: "Como estávamos perto do carnaval,  estranhei o silêncio e comentei: - Você não acha que já seria hora de a Mangueira estar fervilhando nos ensaios? Dizendo isto fui fazendo a minha crítica mentalmente e esta foi saindo em ritmo de samba de carnaval. O negócio foi tão espontâneo que quando meti a chave na porta, já estava cantando".

Com a grande paulistana Célia. 



A charge do Dias

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O Beco do Oitavo veio de Aroeira.




A Srta. Leila ficou com Frank, de A Notícia (Joinville, SC).



O Botequim do Terguino fechou com o Marco Aurélio, da Zero Hora (Porto Alegre, RS).