jueves, 7 de noviembre de 2013

Czardas

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Csárdás, também grafado czardas, é uma dança tradicional húngara, viva e alegre, normalmente acompanhada por um conjunto de violinos.

Também se pode designar por czardas apenas a música. O nome é derivado de csárda (termo húngaro que significa taberna).

Compositores clássicos que usaram temas csárdás em suas obras incluem Emmerich Kálmán, Franz Liszt, Johannes Brahms, Léo Delibes, Johann Strauss, Pablo de Sarasate, Pyotr Ilyich Tchaikovsky e outros.

Provavelmente a czardas mais conhecida é a composição do napolitano Vittorio Monti (1868-1922), escrita para violino e piano.

Aqui com a jovem violinista coreana Hyun-Su Shin, hoje com 26 anos.



Fonte dos fragmentos: Wikipédia

lunes, 4 de noviembre de 2013

Till, neste 4 de novembro

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A popular canção parece ter mais de uma letra. A melodia vem de uma canção francesa - Prière Espoir Sans - de 1956, de Charles Danvers. Foi gravada por inúmeros artistas, originalmente eternizada pela orquestra de Percy Faith, em 1957.



Aqui com Caterina Valente (Paris, 14/1/1931), que a gravou em 1960, com letra da italiana Carla Gaiano.

Há pouco Boa Noite, Amor, na lembrança de nanar meninas cantarolando clássicos, este era um, juntamente com Till, me trouxe um punhado de lágrimas (o que faz a idade: que bobagem, menino!), achei que com Till seria diferente. Para quê...

(Os magnatas das gravadoras retiraram do youtube uma gravação ao vivo, antiga, em preto e branco, emocionante, com a Caterina, vá entender essa gente, pelo que vai outra, de vinil)


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domingo, 3 de noviembre de 2013

A quem serve a grande imprensa?

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O texto abaixo é de Suzana Singer, ombudsman do diário Folha de S. Paulo, hoje, com suas críticas ao jornal. Suscita de pronto pelo menos duas perguntas, fora do alcance da jornalista: quem teria contribuído de modo decisivo para que a população rejeite os Black Blocs, sem que a brutalidade da repressão seja condenada, em repugnante mudança de foco? A quem serve a grande imprensa?


Um rosto

As cenas de um coronel da PM sendo surrado durante protesto em São Paulo contribuíram para aumentar a revolta contra os "black blocs", que já eram rejeitados por 95% dos paulistanos. A Folha, acertadamente, colocou na capa as fotografias da tentativa de linchamento e deu o assunto na manchete (26/10).

Vários manifestantes foram presos, mas apenas um rapaz, que não estava mascarado, foi acusado de tentativa de homicídio: Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22, aluno de relações internacionais da Faculdade Santa Marcelina.

Ele aparece nas imagens divulgadas até agora gritando na direção do policial. Segundo o testemunho do PM que salvou o coronel da turba, Paulo Henrique também bateu, o que ele nega.

Na quarta-feira, o assunto voltou à "Primeira Página", mas aí a Folha errou a mão. Sob a manchete "Facção criminosa é suspeita de atuar em protesto em SP", aparece uma foto do estudante, algemado, sendo levado para o Centro de Detenção Provisória 3 de Pinheiros.

A diagramação induz o leitor a relacionar o estudante com o PCC, tema da manchete. Tecnicamente, as duas notícias estavam separadas, já que a legenda tinha título próprio ("Detido") --no jargão jornalístico, era um "texto-legenda".

A associação entre os dois assuntos, porém, é automática. Paulo Henrique estava preso quando houve o quebra-quebra na zona norte, mas a capa da Folha passa a impressão de que ele fez parte da arruaça, que a polícia suspeita ter sido insuflada por criminosos.

Nem havia motivo para a fotografia do estudante estar na "Primeira Página" daquele dia. A transferência para a prisão não justificava tamanho destaque, tanto que a notícia, em "Cotidiano", ocupava apenas uma coluna.

"Fiquei horrorizado quando vi o jornal, fizeram parecer que meu filho é um assassino", critica o empresário Marco Aurélio Cunha dos Santos, 46, em entrevista à repórter Heloisa Brenha.

Ele nega que o rapaz seja "black bloc" e afirma que estão transformando-o em bode expiatório. "O Estado quer dar uma resposta à sociedade e apontaram 'é esse aí'."

Até sexta-feira, o estudante continuava preso e pouco se sabia a seu respeito, porque a família se fechou. Paulo nasceu na Ilha da Madeira, foi criado na Itália, fala três idiomas e, além de estudar, trabalha. "Mesmo sem antecedente criminal e tendo endereço fixo, negaram-lhe a liberdade provisória", protesta o pai.

Ex-jogador de futebol, Marco Aurélio jogou com Romário no Vasco, passou por vários clubes da Europa e hoje vive em Lins (interior de SP).

O jornal já tinha errado na dose quando, no início de outubro, a estudante de moda Luana Bernardo Lopes, 19, foi presa em um protesto violento em São Paulo. Segundo a polícia, ela tinha pichado prédios e ajudado a virar um carro.

O advogado de defesa dizia que ela tinha apenas fotografado a manifestação. A Folha fez um perfil da jovem e a chamou de "sra. Baderna", uma referência ao amigo, que também foi preso e que adotava o apelido de Humberto Baderna. Os dois foram soltos.

A polícia tem tido dificuldade de identificar os culpados e coibir a violência. A imprensa não conseguiu ainda explicar quem são essas pessoas, de onde vêm e o que querem. Os manifestantes mais irados não só se recusam a dar entrevista como agridem fisicamente repórteres da chamada "grande mídia".

Quando um rosto desponta no mar de mascarados, todos os flashes se concentram nele. É preciso tomar cuidado para não promover um outro tipo de linchamento, o da imagem desses jovens que ainda não foram julgados.
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sábado, 2 de noviembre de 2013

Julia Zenko: Quereme... tengo frio

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Trazemos novamente a sensacional cantante bonairense Julia Zenko, de origem polaca-letã, que outro dia apresentamos cantando o tango "Nada" em Berlim (AQUI). Julia vive no bairro de Coghlan, em Buenos Aires, com marido e duas filhas, quando não está em tourné pelo mundo. Ela fez aniversário em 30 de outubro, não pude comparecer à festa, estava na África, mas por aqui vai um afetuoso abraço deste seu fã.

Desta vez com um clássico de autoria, ao que tudo indica de letra e música, de Sandra Mihanovich, a célebre artista, também bonairense (origem croata), que muitos problemas teve na época da insana ditadura argentina, pela sua opção sexual (esse o disfarce, pois odiavam era os seus pensamentos e concepções de vida em comunidade), no que, aliás, não foi o único ser humano a sofrer, pois a perseguição, horrores de ignorância, atingia a muitas almas, a muitos anjos, e até hoje presenciamos espantados que prossegue na imensa maioria das localidades deste mundo.

Aí está a grande artista, em emocionante interpretação. Torceu o meu pobre coração.









miércoles, 30 de octubre de 2013

Zé Maria, emocionado

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José Maria de Almeida. (clique no nome)

Este homem já é parte da história do Brasil. As redes de comunicações (grandes jornais, revistas e televisões) fingem não saber que ele existe, mesmo porque essas redes, que hoje investem na alienação do povo, colaboraram ativamente ou foram parte da ditadura. 

Os livros de história já estão se encarregando de mostrar quem foi quem. No vídeo, Zé Maria fala na 77ª Caravana da Anistia do Ministério da Justiça.



domingo, 27 de octubre de 2013

Boêmios viajam, mas não para o Burundi, n'A Charge do Dias

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A turma do botequim há dez dias meteu-se numa van e saiu pelo mundo. A última notícia, da manhã de sexta-feira, dá conta de que saíam de Montevidéu em direção à Argentina, depois de acabarem com o estoque de bebidas dos bares da capital uruguaia, todos trajando a belíssima camisa do Peñarol. Silvana Maresia, que foi quem telefonou, disse que parecia a delegação do Peñarol, a de halterocopismo, pois até pelas ruas andavam de copo na mão. 

Quando retornarem teremos muitas histórias, se bem conheço os boêmios e boêmias, e com o Contralouco junto, aí já viu, este já teria aprontado ainda no Chuí, ao vislumbrar do outro lado da rua um bar cujo nome lhe agradou, pois atravessou a rua, pisando em terras uruguaias, agora Chuy, e enfiou-se no bar La Cueva, cheio às oito da noite. Pediu una cerveza no balcão e bateu os olhos num velho fazendo o bandoneón chorar, não teve dúvida: desafiou a los hermanos para um concurso de cantoria de tango, ele mesmo abrindo a competição com Esta noche me emborracho. Começou a chegar mais gente e o bar superlotou, a notícia correu pela rua que nos separa e nos une, brasileiros e uruguaios, e logo juntou uma multidão lá fora. Fizeram-no cantar três vezes. Consta que a cada vez que chegava ao final, Esta noche me emborracho bien, me mamo, ¡bien mamao!, pa' no pensar, era ouvido em Santa Vitória do Palmar. Resulta que ficou amigo de todo mundo, não o deixaram pagar nem o cigarro. O que faz a bebida.


O filósofo Aristarco de Serraria foi um dos que preferiram ficar em Porto Alegre, devido a compromissos outros. Ontem à noite, já tarde, com somente uns dez companheiros e companheiras às mesas, mais este que vos fala que estava de visita, o sábio, excelente contador de estórias, saiu-se com uma boa. 

Disse que o Burundi (a capital também começa com a letra "b", Bujumbura), país famoso pela interminável guerra civil - agora parece que estão sossegando o pito -, também o é pelas suas licitações, todas com cartas marcadas, pois ou os concorrentes acertam-se na calada da noite ou o edital é dirigido, neste caso corre grana por fora para ninguém abrir a boca, sua vez chegará, entre outros métodos de assaltar os cofres da União. O povo sobrevive com a agricultura de subsistência ou escravizado pelos ruraralhos (segundo o boêmio, o nome remete para uma mistura de ruralista com um primo do carpano) nas plantações de café e banana. Isso me soou familiar.

Em algumas situações sequer fingem concorrer e se associam para o saque, despudoradamente, evitando perda de tempo, com a parte do leão para os estrangeiros, aí aparecem com proposta única. Em alguns casos são financiados com o dinheiro do próprio povo, via empréstimos subsidiados pelo BB - Banco do Burundi, ou pela Caixa Federal do Burundi, ou ainda pelo Banco Nacional de Desenvolvimento do Burundi.

Os grandes meios de comunicação lá de vez em quando denunciam algum ladrãozinho com grande estardalhaço, por superfaturar a aquisição de papel higiênico ou pasta de dente, mas nas grandes negociatas nunca dão um pio, por incompetentes, quando não coniventes.

No comando das grandes empresas nacionais, atopetadas de políticos, quem não é ladrão é cúmplice. 

O povo, convenientemente desarmado em campanhas de desarmamento, vive em triste miséria, com escolas caindo aos pedaços, enquanto banqueiros, governantes, grandes empresários, lobistas e outros bichos horrendos enchem as burras em contas de paraísos fiscais. Professor é motivo de riso, ninguém mais deseja seguir essa profissão de fome. A massa ignara é distraída pela televisão, com novelas e jogos do Flamengo de Ngagara.

Se alguém ousar reclamar do preço da passagem do bonde, lá vem cassetete, infiltram ratos no movimento, para iniciarem as provocações, e saem batendo para matar, pois uma parcela dos miseráveis é armada para destruir a outra, infinitamente mais numerosa, porém, como vimos, desarmada e de cérebro contaminado pelas redes de entretenimento vulgar. Os escravagistas nunca entraram num bonde, andam de Ferrari ou de helicóptero, e cercados de seguranças mal-encarados, mas muitos tiram dos bondes grandes fortunas, arrancando a pele da plebe em conluio com os alcaides das subprovíncias.

No Senado e na Assembléia Nacional tomam assento os mandaletes dos grandes bandidos, quando não os próprios, eleitos pelos analfabetos funcionais, isto é, por aqueles a quem eles mesmos subtraíram uma boa escola.

Concluiu o pensador: "Acho que deve ser muito triste viver num lugar assim".



A doutora Jezebel do Cpers, que também não viajou dizendo estar muito velha para esses exageros, não se aguentou: "Então, meu caro amigo, fico um tempão lhe escutando enquanto o senhor ri da minha cara, com uma ironia grossa assim, esperava mais do seu talento, o amigo poderia ser menos óbvio".


Todos concluíram que para suportar esse tipo de assunto, em pleno sábado, só bebendo, e pediram ao Portuga a renovação das bebidas. Eu também.

Decidiram dar uma recuperada no tempo perdido, através do notibuc da Leilinha, pois faz tempo que não sai A Charge do Dias, pela ausência de muitos dos companheiros.

Ficaram com Newton Silva. Salve Caba da Peste. Salve, Fortaleza.



Mestre Nani, com Obama no divã. Aqui pedi licença para agradecer de público ao Nani Lucas pelo trabalho que teve em ilustrar meus contos, com capa e tudo, um trabalho maravilhoso. Todos aplaudiram, ao Nani, quanto aos contos eles não estão muito certos, não leram ainda, temem que novamente seja uma sangueira danada, mas em 2014 saberemos das suas reações.


Nicolielo.


Jotape.



Miss Leilinha Ferro, que escolhe a solas por ser a coordenadora da coluna, ficou com o Cazo.


Como visitante, fui contemplado com o direito a uma. Fiquei com o Samuca.


A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.
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El último café

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El último café (Héctor Stamponi/Cátulo Castillo), de 1964, belíssimo e sensível tango, na voz da cantante espanhola "mexicana" Rocío Dúrcal, nome artístico de María de los Ángeles de Las Heras Ortiz (Madrid, 4/10/1944 - Torrelodones, Madrid, 25/3/2006).


Llovía y te ofrecí, ¡el último café!




Zé Maria

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"Em 1977 era próximo ao grupo trotskista Liga Operária e foi convidado a distribuir o boletim “Faísca”, para o 1º de Maio. Foi preso, junto com outros ativistas, na sua primeira panfletagem. Ficou 30 dias na cadeia e a campanha pela sua libertação motivou as primeiras passeatas dos estudantes contra a ditadura após o AI-5.

É uma das lideranças da onda de greves no ABC paulista, no ano de 1978, e um dos principais dirigentes em Santo André. Operário da Cofap, torna-se um dos membros do comando de greve do ABC. Propõe no congresso dos metalúrgicos em Lins (SP) a fundação de um Partido dos Trabalhadores. Participa, depois, da fundação do PT e da CUT.

Em 1992 é expulso do PT por defender a campanha do Fora Collor, que, até então, a maioria da direção do PT era contra."

Fragmentos (Wikipédia) sobre JOSÉ MARIA DE ALMEIDA (Santa Albertina, SP, 2/out/1957), que nesta sexta-feira, 25, recebeu certificado em que o Estado reconhece a perseguição política a ex-militantes da Convergência Socialista, movimento que lutou contra a ditadura militar (1964-1985).

Na ocasião, disse: "Estamos aqui resgatando o passado, mas também construindo o futuro. Puxar pela memória, exigir punição aos torturadores, é uma tarefa de primeira magnitude".

Reconhecemos em Zé Maria e seus companheiros a qualidade de patriotas, que aspiram mudar o Brasil sem abdicar de seus ideais e sem acordos com os assaltantes.

Vida longa, Zé.
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jueves, 24 de octubre de 2013

Anand x Carlsen: o mundo vai parar em novembro

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Está chegando a hora: dia 9 de novembro, em Chennai, na Índia, às 15h (7:30h em Brasília), começará o embate mais esperado pelo mundo do xadrez na última década. 

O planeta vai parar para assistir ao indiano  Viswanathan Anand novamente colocar seu título de campeão do mundo em jogo, desta vez contra o prodígio norueguês Magnus Carlsen, o "Mozart" do jogo-ciência.




Anand, quando defendeu com sucesso o seu título em Moscou, diante de Boris Gelfand, em 2012.

No tabuleiro ao lado, veja a histórica oitava ronda de Moscou, quando Boris Gelfand caiu em 17 lances ao entrar numa roleta russa (ao tomar a torre, sairia pelo menos com a perda de um cavalo, em posição perdedora).















Carlsen, que venceu o torneio de candidatos deste ano, em Londres, suplantando outros grandes gênios. 

Aqui é de se recordar a sensacional última ronda do Candidatos 2013, em 1º de abril. Carlsen vinha da rodada anterior empatado com Vladimir Kramnik, ex-campeão mundial, uma pedreira, em 8,5 pontos, com os demais adversários já fora do páreo. 

O rapaz jogou de brancas com Peter Svidler e perdeu. O mundo se encolheu ao vivo: o menino tremeu diante de tamanha responsabilidade.

Em outro tabuleiro lutavam Vassily Ivanchuk e Kramnik, este agora precisando de um empate para vencer o certame, e Mr. Kramnik é famoso por saber empatar. 

Vassily Ivanchuk, que duas rodadas antes havia sido o verdugo do jovem norueguês, vinha muito mal no torneio, mas havia batido o "Mozart". 

A esperança estava no cérebro do "louco" Ivanchuk.

E o adorável "louco", que este blog não se cansa de exaltar, como AQUIAQUI, AQUI e AQUI (neste último "aqui" uma entrevista que nos concedeu, mas há muito mais),  jogando uma partida perfeita, sereno, nervos o fino, bateu a Vladimir Kramnik impiedosamente, recolocando Magnus Carlsen na guerra em mano a mano. 

Carlsen e Kramnik foram para o tiebreak. 

Que tremeu nada, perder é do jogo, e Carlsen venceu com relativa facilidade. 



Veja o site oficial, AQUI.



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sábado, 19 de octubre de 2013

Éramos assim

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Hoje falei ao Carlos Valle (Salve, Palmeira das Missões) de uma cena que presenciei quando menino. Mas esqueci de dizer algo muito importante, que me marcou para sempre.

Como sabe o País inteiro, GRENAL aqui é guerra, a tremura que dá, as mortes do coração, sai da frente, é de chorar. 

Falo de antes, agora não sei. 

Ouvi falar de gangues de bandidos sustentados por bandidos que dirigem os clubes, em São Paulo e outras localidades, mas não sei.

Em dia de grenal os institutos de cardiologia ficavam atentos, prontos, todos presentes, nada de folga, todo mundo dobrando serviço, os hospitais se reforçavam com voluntários...

Veterinários se escalavam, ajudando, advogados tiravam o pulso das pessoas, todo mundo virava atendente, só havia duas tribos: os que estavam no estádio e os "médicos". 

Eu entendia um tiquinho de galos de briga, daí que cuidei de muitos gremistas e colorados, bico torto, hein, meu? Essa pegou na orelha, de pua, mas dá nada. Babaca, cair na quina, andou bebendo, falta de laço. Além do pessoal lá dentro, os bares do entorno superlotavam. Porém coisinhas de bebedeira, poucos. 

Os que morriam mesmo era do coração. Cem por grenal, por baixo. Se não morriam na hora, morriam em casa, aí as estatísticas não registravam.

Na época a turma não ganhava 600 mil por mês nem saía se beijando com o adversário nas terríveis derrotas, na carinha do povo, os atletas não eram vagabundos, respeitavam o torcedor, tudo pelos ensinamentos dos dirigentes, que também não eram.

Mas nesse dia não fui voluntário de galos de briga, nesse grenal eu fui como torcedor. Como perceberão os amigos, eu tinha 20 anos e era solteiro, sonhador. Melhor 21.

Não somente em Porto Alegre os nervos ficavam à flor da pele, e sim no estado do Rio Grande do Sul inteiro, e repercutia nos gaúchos da Bahia, do Ceará (Salve Praia do Futuro), da Amazônia, do Paraná (saudades), de Montevideo, do Rio de Janeiro (salve Jacarepaguá, salve Leme), do topo do Himalaia e nos pirados que moravam em Vênus (estes todos colorados).

Se o espetacular Grêmio entrasse em campo com os reservas, uma desfaçatez, o medo aumentava mais nas hostes coloradas, imagine, perder para os reservas. Se o Inter fizesse essa besteira, tremia o pavilhão em preto, o azul sumia junto com a alegria.

Eu vi Bibiano Pontes, quarto-zagueiro do Inter, fazer um gol contra naquele Grenal, isto foi o que contei ao Carlos, numa atrasada na catega que encobriu o grande Gainete, que havia saído do gol para buscar.

Golaço, de chapa de pé direito, com perfeito destino aos braços do alemão (italiano? Amanhã vejo) que se vestia de preto. Como saiu, só viu ela passar por cima, estatelado...

Acontece. 

Era uma bela noite em Porto Alegre. O Beira-Rio congelou, "eles" gritavam, festa na casa do adversário. As torcidas eram meio a meio ou quase, um lado vermelho, outro azul.

(Será que era o Carlos Gainete?, tudo se mistura, acho que não, era 1973 ou 4 ou 5?, por aí)

No finzinho do jogo Bibiano Pontes, o maninho do grande Daison Pontes de Passo Fundo (Daison era o melhor zagueiro-central do Brasil, na catega e, se enfeiou a cena, é campeonato, bola para o mato, mas era meio brabo, daí que quando foi para o Flamengo meteu o braço num sem-vergonha, enfiou a cara dele na cerca... e, deixa para lá, parece que o sujeito era o técnico, disso os cariocas da plim-plim esquecem de falar, como aqui, em suas memórias de parcialidade), subiu para a área tricolor num escanteio, gesto desesperado, sonhando em recuperar o gol contra. Bateram, ele voou e fez de cabeça, pega!, adeus, empatando o jogo!

O estádio virou um inferno vermelho, o urro se ouviu lá no topo daquele Himalaia, mas...

No embalo correu a comemorar tentando abrir os braços, só tentou, não andou cinco passos e desmaiou na linha de fundo, de emoção. Meu Deus, morreu.

O que esqueci de falar ao Carlos, antes escrevi Sérgio (Xexéu, Padilha, Ronaldo, Tide, Zanchi, uma gremistaiada... até Fernando Conceição se listrou, puxa, não tem ninguém que ame o Peñarol aí?), é que naqueles segundos cruciais, horas, pois nesse momento um minuto são horas de pavor, entre os médicos correrem e chegarem até o moço para tentar reanimá-lo, um silêncio sepulcral se instalou em Porto Alegre. E se espalhou pelo mundo e além deste mundo.

Cabia cem mil pessoas no Beira-Rio, havia a "coréia", tempos em que os pobres que construíram o estádio podiam ir, a um pila por cabeça no intervalo, assistir em pé no fosso, com ardor.

O estádio inteiro congelou. Porém o que mais me chamou a atenção, eu de camisa vermelha atrás da goleira que um dia viria a ser a do relógio, coração aos saltos, não foi o silêncio em Vênus. 

Foi o silêncio na imensa torcida do co-irmão, Grêmio Futebol Porto Alegrense. Um silêncio ansioso, de respeito. 


Somente quando Bibiano ganhou éter no nariz, levantou-se indeciso, tentando se apoiar nos camaradas, e logo caminhou, meio cambaleando, estava bem, é que "eles", corações aliviados, voltaram ao normal.

Recomeçaram a nos chamar de filhos da puta.



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