lunes, 24 de septiembre de 2018

Trocando em quase miúdos

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Anteriormente Lula, num discurso histórico na ONU, havia enquadrado George Bush, o criminoso de muito má lembrança, pelo menos para o cargo de presidente dos EUA um ser inexpressivo com dificuldade de caminhar e mascar chicletes ao mesmo tempo, mas com a estrutura do país mais poderoso do planeta, pelas armas e gente bélica por trás, ao clamar enfaticamente, com palavras duras, pelo livre comércio e autodeterminação dos povos. 

O Brasil iria negociar com todos, com os EUA mas também com quem bem entendesse na Ásia, na África e na Europa, para o bem da nossa e de outras nações, reciprocidade. Implícito estava a ampliação de negócios com a China, o gigante asiático que faz tremer o Império diante da iminência da desdolarização da economia mundial. O rosto do belicoso indivíduo, de ódio mal contido, declarou que iria cobrar caro a "ousadia", mas naquele episódio nada poderia fazer contra o Brasil, o momento político e o conceito do governo brasileiro no cenário internacional inviabilizavam qualquer retaliação. Os EUA é um país falido, vive de saques, rapina.

Precisavam esperar o momento "certo", o Departamento de Estado iniciou o planejamento de ataque ao Brasil. Veio Obama. No seu discurso de abertura da 68ª Assémbleia Geral da ONU, em sua frente Dilma disse coisas como: "Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos fundamentais dos cidadãos de outro país. Não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo”. O mundo sabia a que ela se referia, os EUA invadiam dados até dos próprios aliados europeus, algo que estarreceu o mundo.

Obama não era um Trump, não tentou retaliar violentamente. Os EUA podem não ter parado, nunca pararam, de espionar aliados - inimigos eles espionam e se necessário matam, mas havia diplomacia. Talvez Obama, junto com Carter, tenha sido o seu melhor presidente desde muitas décadas. Ou menos pior, como queiram.

Veio o Trump, o cachorro louco que muitos americanos conscientes pensam em destituir do cargo, e com ele a diplomacia dos mísseis e dos golpes, o terror sobre o Brasil e outras nações. No caso da América Latina minando por dentro, pois como disse, com calma, voz tranqüila, certa vez Tancredo diante de uma ameaça velada de invasão: "O Brasil não é o Vietnã, senhor embaixador", casualmente uma guerra que eles perderam, isto é: tentem, entrar é fácil, quero ver sair. Fidel diria de outro modo: "Invadir a Nicarágua é fácil, quero ver invadir o Brasil de Tancredo". Aliás, estão novamente ensaiando invasão da Nicarágua, por razões geopolíticas, além da Venezuela pelo petróleo.

Tancredo, aliás, que deve se mexer no túmulo ao ver o verme, vendilhão da Pátria, que um sobrinho seu se tornou, sabe-se lá se devido às drogas ou à índole, ou ambas. De fato, o estadista também calçou pé na ONU contra a invasão da Nicarágua e fechou base militar americana no Brasil, daí que tem gente que acha que aquela doença que trouxe dos EUA não foi por acaso. Bem... voltando ao Trump: o Golpe viria dos seus capachos nacionais, como haviam feito no Brasil no pré-64. E veio, todos lembramos da Globo martelando sem parar, e da FIESP e outros colocando desinformados nas ruas, os tristemente famosos patos amarelos.

O que virá agora depende destas eleições, que já fraudaram com a prisão de Lula, mas que ainda assim não tem certeza de que a fraude funcione. Por que a prisão do Lula e o amordaçamento automático? O sujeito fala em Lula e um bobo repetidor da Globo pensa no retirante que fala nóis, mal sonha que por trás de Lula sempre esteve a nata da intelectualidade brasileira, a parte boa, humanista, nacionalista que deseja um país livre, rico, jamais escravo de quem quer que seja. O Lula, escolhido a dedo em manifestações sindicais, foi moldado à imagem dos bons para conduzir as massas, para tirar da escuridão brasileiros semi-alfabetizados, algo impossível para os pensadores, a sua inteligência e humanidade ajudaram muito, claro, ele é quase um milagre. Os erros? Ah, os erros, são nada diante do conjunto. Absolutamente nada.

O idiota, absolutamente incapaz, Bolsonaro interessa aos americanos, afinal sabemos de onde veio o dinheiro para milhares de computadores, estratégias e mão de obra para fakes 24 horas por dia, campanha caríssima de um partidinho ridículo feito de trogloditas e rufiões, pois o monstrengo até já declarou o desejo de lhes entregar a Amazônia, sob a alegação de que não temos condições de mantê-la, algo inimaginável, mas fez, dirá tomem, é de vocês.

Aí teríamos outro país dentro do nosso, se quis dizer entregar toda então perderíamos 65% do nosso território, a Amazônia dos EUA seria maior que o Brasil. Casualmente é onde se situam as nossas maiores riquezas, que aliás vem sendo assaltadas desde o Golpe. Ora, uma loucura dessas não passa no Congresso, diria alguém de bom senso. Que Congresso, o mesmo que rasgou a Constituição? Com campanha maciça da Globo passa qualquer coisa.

Alguém sabe o que disse Temer na abertura da Assembleia deste ano?

(segue)
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miércoles, 12 de septiembre de 2018

Heróis não matam, General, eles morrem

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Por Henrique Mann

Mais uma vez o truculento e ignorante General Mourão despeja estupidez e ódio sobre os brasileiros. Em defesa de torturadores disse que “heróis matam”. Não. Quem mata são pessoas em legítima defesa, no estrito cumprimento do dever ou assassinos e bandidos, heróis jamais. A menos que o General esteja a falar do Rambo e dos maníacos de Hollywood.

Eu poderia citar vários heróis benfeitores da humanidade que não mataram ninguém, claro que Gandhi ou Cristo seria demasiado para alguém tão mundano quanto o General e os torturadores a quem ele se refere. Então vou citar apenas um outro militar, um seu colega de farda, seu superior, um Marechal.

Chamava-se Cândido Rondon. Seu lema era “morrer se preciso for, matar nunca”. Ele não era um covarde, nem torturava gente algemada, mulheres e crianças. Era um Marechal. Deve ter uma vergonha imensa de ver sua farda manchada por bandidos assassinos.

Definitivamente, heróis não matam e também não golpeiam o próprio povo com desculpas esfarrapadas de combater o “comunismo”. Tem um outro colega seu de farda, General, outro Marechal, homem honrado e de grande valor. Chamava-se Marechal Lott. Também deve envergonhar-se do que fizeram os senhores usando o nome das Forças Armadas. 


E quando mais não fossem Marechais, não esqueça, General, que um simples Alferes chamado Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Patrono das Polícias Militares e Patrono Cívico do Brasil, forças a que o senhor serve, disse que se “mil vidas tivesse, mil vidas daria”, e ao que se saiba, não torturou nem assassinou ninguém. 

Os seus heróis não morreram de overdose (talvez... é possível), mas assassinaram gente inocente como Zuzu Angel, Vladimir Herzog ou Rubens Paiva. E o General sabe a origem da palavra “assassino”? Uma das versões mais aceitas é de que derivaria de “haxixe” ("haxixin”, fumador de haxixe) e estaria ligada à seita ismaelita em que os assassinos consumiam esta droga para perpetrarem seus crimes. 

É uma história controvertida, é verdade, mas combina bem com os heróis do General. Assassinos e bandidos como os que botaram as bombas no Rio Centro em 1981, como os que mataram covardemente Herzog e Zuzu.

Então, General, não desonre a farda das Forças Armadas Brasileiras. Este manto que já esteve sobre os ombros de homens honrados, heróis de verdade como Rondon e Lott, não merece a vergonha de um farsante como o seu candidato ou de assassino covarde como o seu “herói”.
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jueves, 23 de agosto de 2018

Vacina contra a maldade

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Agressão irresponsável do jornal O Globo ao programa de vacinação

Em seu afã de procurar culpados pelo atual surto de sarampo que afeta alguns estados, o jornal O Globo em seu editorial de 22 de agosto sob o título “ Ativismo e má gestão prejudicam vacinação no país”, ataca a credibilidade de um dos pilares da saúde pública brasileira, o Programa Nacional de Imunizações. Causa espécie neste momento em que o grupo Globo faz uma campanha contra fake news o jornal faça exatamente o contrário, produzindo de modo irresponsável uma grande Fake News que ofende os milhares de profissionais que ao longo de décadas construíram esse patrimônio da saúde brasileira.

Em seus 45 anos, o programa vem acumulando êxitos, reconhecimento nacional e internacional continuamente. Não se trata de obra de um governo, mas conquista histórica da população brasileira, cuja gestão tem sido de continuidade até os dias de hoje. Os autores do editorial desconhecem a complexidade de um programa dessa natureza, a multiplicidade de investimentos e de processos de trabalho envolvidos.

As vacinas e a vigilância em saúde pública permitiram a erradicação da varíola e a interrupção da transmissão da poliomielite. Há nove anos o País está livre de casos de rubéola e, há dois, teve reconhecida a eliminação do sarampo, que hoje volta a nos ameaçar.

O sucesso de um programa de vacinação pode ser medido pela população alcançada e pelas doenças prevenidas. Nessas duas dimensões, o período de maior crescimento do PNI foi justamente aquele em que Lula e Dilma estiveram na Presidência do Brasil, com incorporação de novas vacinas e ampliação das parcelas da população beneficiadas.

As vacinas oferecidas na rede de atenção básica, que eram 14, em 2002, passaram a 20, nas gestões Lula e Dilma. Foram incorporadas, entre outras, aquelas que protegem contra a meningite C, contra a diarreia causada pelo Rotavírus que evitou a morte de 1.800 crianças por ano no país, contra o pneumococos e a do papilomavírus, que previne o câncer de colo de útero, produzida pelo Instituto Butantan, do Governo do Estado de São Paulo, e sobre cujo processo de aquisição não paira qualquer tipo de suspeita. E em 2010 foi realizada a vacinação contra a gripe H1N1 com 88 milhões de pessoas protegidas.

No período, inúmeras iniciativas aprimoraram a capacidade de gestão do programa, como o Projeto Inovacina, iniciado em 2006, a implantação do monitoramento rápido de coberturas vacinais, do “vacinômetro” e do novo sistema de informações, que permitirá conhecer a situação vacinal das pessoas, e não somente o número de doses aplicadas, como sempre se fez.

Nesses governos, começou a construção da nova fábrica de vacinas de Bio-Manguinhos, inaugurada então na gestão Temer, e investiu-se, por meio de parcerias entre laboratórios privados e produtores públicos, na nacionalização de diversos produtos que eram importados, propiciando economia, desenvolvimento tecnológico e assegurando estabilidade no suprimento para o programa público nacional.

O programa, no entanto, passa por ameaças. Em situações como a inclusão da vacina contra do dengue no Estado do Paraná, estado do então Ministro da Saúde, em 2016, o governo agiu sem suficiente respaldo técnico e hoje tal vacina só é recomendada pela Organização Mundial de Saúde - OMS para quem já teve infecção por dengue. Os cortes orçamentários causados pela emenda constitucional 95 comprometem a sustentabilidade da atenção básica e o trabalho das equipes de saúde da família. Por mais que os sistemas de aquisição, suprimento e armazenamento de imunobiológicos funcionem bem, são os profissionais desses serviços que acompanham a situação vacinal das pessoas de suas áreas, convocam, visitam as casas e efetivamente administram as vacinas, trabalho que está prejudicado.

O Programa Nacional de Imunizações brasileiro é uma obra coletiva, que envolve milhares de serviços e profissionais das três esferas de governo, o apoio dos mais reconhecidos especialistas do país, presentes no Comitê Técnico Assessor, o reconhecimento das sociedades profissionais, dos Conselhos de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde e da Organização Mundial de Saúde.

A política de vacinação é orgulho da saúde pública brasileira a ser preservada e aperfeiçoada e não merece ser atacada de modo leviano e sem base em qualquer evidência científica.

Assinam: José Gomes Temporão, ex-ministro da saúde e Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e José Agenor Alvares da Silva, ex-ministro da saúde.
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viernes, 17 de agosto de 2018

Papo de bar insurgente


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Em Assembleia Geral Extraordinária, os sócios da IBEBO - Irmandade dos Boêmios Encantados do Beco do Oitavo, hoje à noite decidiram lançar um manifesto para toda a Cidade Baixa, extensivo à cidade de Porto Alegre, ao Rio Grande do Sul e ao Brasil.

É uma lenga-lenga de três páginas, na prática oficializou o que já vem ocorrendo, a novidade são os atos de rebelião propostos. Aqui vai o que é possível levar a público.

"MANIFESTO CONTRA O FASCISMO

Irmãos proletários, a hora é de união, esqueçamos eventuais atritos. Após as eleições a gente se dá umas arranhadas, mas a partir de hoje estão suspensas quaisquer ameaços de irritação entre os membros da confraria, ainda que fraquinhos. Todos os humanistas se darão de corpo e alma ao bom combate.

Um por todos e todos por um contra os golpistas. Por enquanto todos por três: Lula, Haddad e Boulos. Oportunamente, ainda antes do primeiro turno, fecharemos questão em nova assembleia.

Aprovado um voto de desconfiança absoluta ao Poder Judiciário, transformado num antro de traidores da Pátria, com as exceções de praxe.

Conclama-se as tribos boêmias, beberativas ou não, de todas as localidades, etc., etc., etc., etc., etc., etc., para:

a) Etc.
   b) Etc.
   c) Etc.
   d) Etc.
   e) Etc.

(Os “etc.” são segredos, não podem ser revelados, visto que contém atos e datas, somente as entidades participantes saberão.)

Nomeados redatores das propagandas e manifestos à população os boêmios Luciano Peregrino, Nicolau Gaiola e Salito. Como comandante do ativismo de rua o Rei Bruno Contralouco, assessorado pelo boêmio Gustavo Moscão. Etc, etc, etc (uns dez cargos). Secretariando os trabalhos a Srta. Leila Ferro."

O Bruno reclamou que fizeram assembleia pra não decidir porra nenhuma, ora três por três, e quer saber quem vai supervisionar a impressão do material de campanha na sua gráfica, se ele vai estar na rua. Nada que não tenha solução, disse o mestre Aristarco, o filósofo decano que presidiu a reunião. A sessão foi encerrada com o Hino Nacional e com o da Internacional.

Saímos do salão da sinuca, que ficou fechado durante a convenção sob a guarda do Sr. Negrote, que ficou à porta para coibir enxeridos ou espiões do Parcão querendo ouvir as graves tratativas. 

Todos com sede para as mesas do salão da entrada do botequim. Juntaram-se as mesas e desceram dúzias de cerveja, a temperatura está feito Primavera na capital. Não existe homem assíduo e pontual como as mulheres, em se tratando de reunião política, estavam todas lá. Falavam das suas atividades futuras, cuidando a língua para que estranhos não sacassem, quando chegou o Cirrose de Gato, o nome do cara é Júlio, mas pouco sabem disso.

O Cirrose é membro, digamos, intermitente da IBEBO, de modo que não tem direito a voto nem participa das reuniões. É eleitor do Ciro, o que todos respeitam, embora alguns tenham passado a chamá-lo de Cirro, em vez de Cirrose. Pois num momento em que as mulheres pararam para respirar ele pegou a palavra: gente, aqui todo mundo já ouviu alguém dizer "Fulano está com o cu na estaca", né? Pois então: pensem na situação dos golpistas, imaginem que o Lula morra preso injustamente dentro daquela cela de merda. Alguém vai acreditar que ele faleceu de morte natural?

A fala do Cirro deu muito assunto, um mais pessimista que o outro, que Deus nos ajude. Passaram-se duas horas e rolou outro papo gozado. 

Tem um malandro de uns lances de assalto, coisa pesada, nada de pegar transeunte, gente boa mas se nota que anda sempre ferrado... hummm, ferrado é com uma bruta pistola por dentro da roupa, que às vezes pinta no bar rapidamente, em geral pra comprar cigarros, vez que outra acaba ficando para uma cerveja ou duas em pé no balcão, até tocar o celular.

Bem relacionado com o Contra, que certa vez esclareceu as coisas: desde que não assalte aqui na zona tu e os teus serão sempre bem vindos. Os teus porque o cara entra e ficam dois mal-encarados na porta e outros tantos lá na rua. 

Hoje de lá do balcão disse ao nosso Rei, toda a mesa ouviu, que se fosse ele, na boa, imprimiria na oficina carteiras falsas de filiação ao partido do Aecinho. Ficaria rico vendendo como salvo-conduto pro caso do cara ser apanhado pela justa. O Contra disse pois é, interessante, e desconversou, foi dar um abraço numa alemoa que chegou em outra mesa.

Antes de sair voltou ao assunto: se tu topar eu me encarrego das vendas pra moçada dos morros e dos mocós mais longe, quem sabe até a gente consiga exportar pra Sampa e pro Rio. O Contra disse que ia pensar.

Depois que o camarada saiu o Rei nos disse que não achou uma boa ideia: a clientela vai se tocar que é mais fácil ir lá no partido e conseguir uma carteira verdadeira. Com a folha-corrida que tem serão aceitos na hora. Acrescentou que seguiria pensando no caso, outras possibilidades, lembrou que o sujeito do balcão tem uns cinqüenta homens, vamos precisar de gente na campanha, nada de armas, sei que aqui todos detestam isso, mas poderão ajudar de alguma maneira, disse.

Fiquei quieto para não contrariar o Rei em público, mas depois vou demovê-lo dessa ideia esdrúxula, não iria acabar bem.

(...)
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jueves, 16 de agosto de 2018

PARA ONDE VAMOS - Rascunhos, fragmentos

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Neste dia 16 tem um senhor importante, que entende de eleições, dizendo que se os que rasgaram a Constituição e as leis "cassarem" o ex-presidente Lula, em menos de seis horas os seus votos serão transferidos para o Sr. Fernando Haddad, candidato a vice-presidente.

Não tenho dúvida de que vão impedir o Lula de participar do pleito, tanto que além de prendê-lo o mantiveram amordaçado. A jovem que assassinou os pais sai da cadeia no dia dos pais, dá entrevistas, grandes criminosos deram entrevistas desde sempre, mas amordaçaram o estadista sem crime já no período da pré-candidatura.

Isso ficou patente no desespero de agentes da justiça, no episódio transformados em foras da lei, quando do habeas-corpus concedido por um desembargador de plantão, os agentes passando por cima de normas legais, como se a pessoa a ser libertada fosse um monstro que iria destruir o planeta. Agora a Procuradora-Geral contestando a inscrição do nome no mesmo dia em que foi realizada, quando o prazo para tanto sequer tinha sido aberto. Perderam todas as estribeiras, junto o senso de ridículo. São tão canalhas que não se envergonham da exposição da própria baixeza, tão vis que não se abalam diante do riso de escárnio dos cidadãos da nação e do resto do mundo.

Tudo isto que estamos vendo há muito tempo foi armado para barrar a sua participação, afinal ele é o personagem com maior aprovação popular da História, pois inventou de abrir escolas, universidades, tentou e conseguiu em parte dar casa, comida e saúde aos mais pobres. Eu critiquei muito o governo Lula, queria que fizesse mais, que errasse menos, mas críticas de construção, nem em sonhos, pesadelos, querendo voltar à desgraça anterior de vender a Pátria e espalhar desemprego e miséria, com todos os males que vem junto.

A elite, no Brasil um grave erro esta denominação, assim chamada pela acumulação de capital, é muito burra e muito má, meros mercadores incultos, apátrida a quem pouco importa o sofrimento alheio, não se sente parte, não tem o sentimento de pátria, não aceita o progresso da população, creio seguindo ordens dos EUA, mesmo que tenha ganho horrores.

Basta ver o que já fizeram em curto espaço de tempo com o fantoche e seu grupo de assaltantes no poder subtraído, a começar pela implantação de um "programa" não discutido nas urnas, nenhum candidato seria louco de apresentar um programa tão danoso, infinitamente pior que o derrotado nas urnas, que por nocivo ao povo foi derrotado. Ainda hoje alguém relacionou o número de processos contra os mandaletes do Congresso, que a estuprada justiça mandou arquivar por decurso de prazo.

Onde está o candidato derrotado nas urnas, um dos grandes espoliadores nacionais que foi o porta-voz inicial do Golpe, mal as urnas tinham sido contadas? Não fui eu quem falou em conluio da Justiça com o golpe, não ousaria colocar tão alta instituição sob suspeita sem conhecimento de causa, foi um senador golpista - outro com processos contra si arquivados por prescrição, se outros não houver, e o que está acontecendo senão isto?

Por que num tema tão grave, de interesse da nação, o caso da prisão após o julgamento em segunda instância não foi à Plenário, enquanto até o bárbaro assassino da freira Dorothy Stang foi recentemente libertado pela prerrogativa legal? Não temos mais Supremo, o que temos são cinco bandidos contra seis ministros, sob a presidência dos primeiros?

Tem o fato novo, novo apenas pela ferocidade, pois sempre existiu, da ameaça dos EUA na América do Sul, estão sendo corridos do Oriente ou exauriram os recursos das zonas sob seu domínio - a rigor contam apenas com os carniceiros sauditas, e querem as riquezas daqui.

Os golpistas, vilões, entraram num caminho sem volta, e vão perder. Entretanto, eu não acredito que o Lula transfira todos os seus votos em seis horas. Em uma semana, talvez mais, pois no Brasil há certos locais onde as notícias demoram a chegar, e outros onde a única fonte de informação é a Globo, filial e posto avançado do império que tanto mal há décadas causa ao Brasil e aos brasileiros. O povo esquece, mas a hiena ajudou a matar Getúlio Vargas e depois promover a sanguinária ditadura.

Outro dia falei aqui, e depois vi que outras pessoas raciocinaram igual. O lado ruim, trapaceando, pode vencer esta batalha, mas a guerra está perdida.
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(Imagem: Bandeira rasgada, apresentada na rede por Rosana Ritta)

sábado, 11 de agosto de 2018

OLHA EU, MÃE, NA ACADEMIA!

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A URSAL - União das Repúblicas Socialistas da América Latina, isto é, das Américas com exceção de EUA, Canadá e outras miudezas, falará portunhol, uma língua nova, me dizem. Bem, nova em registros gráficos oficiais.

A exemplo de alguns amigos, como eu desempregados na selva, desde já me candidato a professor de portunhol, pois se falo e escrevo mal português e espanhol, individualmente, misturando sou um gênio.

Pensando bem, é melhor montar uma empresa com os tovariches, digo, com os camaradas, para ganharmos a corrida na picaretagem editorial, desde já traçando as regras gramaticais, compondo dicionários, promovendo a tradução e reimpressão de todos os livros existentes no mundo, escolares, científicos, religiosos, romances, etc., uma imensidão, só de pensar na substituição de todos os livros de todas as bibliotecas da URSAL me dá uma tontura. Já sei até quem será o Diretor Geral das milhares de gráficas.

Além de gerar milhões de empregos isso renderá bilhões de pesos reais - a nova moeda, entraremos com selvageria para o seleto grupo do 1% que detém 90% da riqueza mundial. Por que acham que bolaram o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa? Bilhões para arrumar os livros e republicar tudo, mesmo que de um universo bem menor.

E as honrarias então, acabaremos na AUL - Academia Ursalina de Letras, sem sermos um Mário Quintana nem um Ziraldo, entre outros que não entraram.

Ou ganharemos muito bem por simplesmente fazermos o nosso trabalho, e a riqueza reverterá para todos os habitantes das tribos, a ver. Os interessados se escalem meio para já, cartas aqui pelas internas (aindaespantado@gmail.com), antes que os grandões larguem na frente.


domingo, 5 de agosto de 2018

Milhões de oficiais de D. Sebastião

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Quando criança na aula de História só se falava na Batalha de Alcácer-Quibir, que se feriu em 4 de agosto de 1578. O combate se deu nas proximidades de uma cidade com esse nome. Eu não entendia absolutamente nada do que a professora dizia, culpa minha certamente, mas sabia que era um acontecimento muito importante, pelo que tratava de decorar nomes e datas. Na prova vinham perguntinhas tipo: Como era o nome do Rei de Portugal na batalha de Alcácer-Quibir? Qual a data em que ocorreu a batalha de Alcácer-Quibir? Na época as questões não eram ainda as chamadas objetivas, de marcar com um “x” a alternativa correta, tinha que escrever. Abaixo ia os garranchinhos em resposta.

Só muitos anos depois fui saber um pouco mais sobre o célebre evento, a começar pelo que levou o nobre D. Sebastião I, filho do Príncipe João Manoel e da arquiduquesa Joana de Áustria, Rei de Portugal e Algarves, ao Marrocos guerrear com os caras. Certo que é pertinho, o Estreito de Gibraltar dá para atravessar a nado, para quem veio ao Brasil um nada, mas só uma boa razão para movimentar um grande exército, 17.000 homens, nestes 5.000 mercenários. Alguns falam em fervor religioso, o que pode ter sido o pretexto e, bom, vamos ao que interessa.

O exército português afastou-se da costa e da proteção dos canhões dos seus navios por teimosia do Rei, contra a vontade dos seus oficiais - alguns queriam prender o rei - penetrando nos domínios muçulmanos, até que no 4 de agosto viu-se diante de 80.000 mouros numa zona quente e quase deserta onde o inimigo conhecia o terreno. Foi esmagado pelas tropas marroquinas sob o comando do sultão Abu Marwan Abd al-Malik, fragorosa derrota, metade do efetivo português morreu e a outra metade foi feita prisioneira. 


D. Sebastião, então com 24 anos, teria morrido, como os demais nobres portugueses que o acompanhavam, aliás, a nata da nobreza pereceu. Não foi um confronto isolado entre muitos de uma demorada guerra: foi a grande batalha inicial e final, decisiva, a guerra acabou ali, uma tragédia que traria severas conseqüências para os nossos colonizadores.

O detalhe é que o corpo de D. Sebastião jamais foi encontrado, nunca se soube se por algum milagre sobreviveu incógnito ou se al-Malik guardou o cadáver como troféu, e o imaginário popular começou a funcionar, acreditava-se que o rei voltaria para salvar o Reino de Portugal de todos os problemas desencadeados após o seu desaparecimento. Surgia o sebastianismo.

O sebastianismo chegou ao Brasil. Antônio Conselheiro, furioso com a elite republicana recém instalada, na Bahia propagava a volta do Rei. Também em Pernambuco esteve presente, citações na Tragédia do Rodeador e na Tragédia de Pedra Bonita, esta última inspirou José Lins do Rego em seu romance Pedra Bonita. Estes os fatos marcantes, mas o sebastianismo esteve presente em todo o Brasil de uma ou outra forma.

A julgar pela entrega das riquezas nacionais acredito que estamos entrando no que virá a ser o mais amargo momento da História do Brasil república. Talvez um curto momento quando visto pelos brasileiros de daqui a 440 anos, mas que será de décadas de sofrimento. Eu não quero um rei de volta, nenhum tolo se passando por salvador da pátria, até porque a colônia sofreu o ônus da aventura, para não falar que um descendente da Coroa outro dia considerava a hipótese de ser vice de um ignorante servil a interesses externos.

Eu clamo por homens que pensem no Brasil, no povo brasileiro, para nas eleições botar a correr os vendilhões que tomaram o poder rasgando a Carta Magna, e que querem levar o país à desgraça ainda maior.
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sábado, 4 de agosto de 2018

Transtóxicos, agrogênicos e transrrepolhudas

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Tempos atrás os boêmios da mesa 1, onde quem corre menos voa, do Botequim do Terguino Ferro, no Beco do Oitavo, capitaneados pelo vegano Nicolau Gaiola, o ator da turma, e pelo expert em vinhos Wilson Schu, foram unânimes ao prever que o plano dos vagabundos, como chamam os políticos golpistas do Congresso e do governo comprados pelas multinacionais da transgenia, de desobrigar as empresas de botar o "T" amarelão em produtos transgênicos, seria tiro no pé.

Logo os pequenos que não tem rabo preso, ou que tem interesse em tomar uma fatia do mercado, passarão a fabricar e estampar nos rótulos, em letras garrafais: "NÃO-TRANSGÊNICO", por tabela dizendo que os sem esse aviso são venenos, explicaram na época. O pessoal diz que tem visto muito, eu não vi. Sou cético com essas coisas, pois nos cigarros os caras escrevem que todo mundo vai morrer da forma mais terrível e o povo segue comprando. Enfim, tudo tem um começo, com o tempo há de vingar, as novas gerações estão vindo com outra cabeça.

O tiroteio mesmo foi deflagrado contra os agrotóxicos, a bancada dos agrojestes – outra expressão dos beberantes do bar, inventada pelo Chinês: agrojeste ou rurajeste, usam ambas, é fruto de uma transgenia onde o cafajeste é introduzido em certo orifício do poderoso agricultor rural – no Congresso Nacional deve estar apavorada. Para desespero dos safados – o safados é novamente expressão usada pelos amigos, eu fora – muitos fabricantes estão colocando "ORGÂNICO" nos rótulos. Pronto, estão identificados: os que não tem essa indicação fazem mal à saúde, carregam a invisível advertência: "Não compre, isto mata".

Falta ainda o Sem Transgênico e Sem Agrotóxico, situações cumulativas, pois a combinação de transgênicos com agrotóxicos, que dizem ser comum em muitos produtos, segundo os entendidos é letal. A Beatriz do Bichinho..., bem, não é que os defenda, mas pondera que os produtores usam transgênicos e agrotóxicos – em ambos evita a palavra veneno – com base em autorização do governo, que possui cientistas que atestam que não são nocivos, para aumentar a produção, reduzindo os custos, de modo que o produto chegue mais barato às prateleiras das grandes mercearias.

Jucão da Maresia diz que esses cientistas tem mais que tomar no cu, uns dizem que banha ou ovo faz mal, outros que faz bem, dependendo que quem os contratou, por dinheiro falam qualquer merda. A turma ri da ideia de baratear os preços, preferem compreender de outro modo, como diz o Chupim: aumentar o lucro fodendo com a saúde dos infelizes. Dizem que um tio do Bichinho, que é padrinho de casamento, possui uma plantação de mamão na Grande Porto Alegre, cada mamaozão...

Não sei a exata razão, mas de fato os produtos com o chamarisco de ORGÂNICOS que tenho encontrado são um pouco mais caros que os envenenados. Enquanto o bolso aguentar só compro orgânico, assim tem sido com arroz, feijão, fubá e tudo o que é hortaliça e raiz, até erva-mate orgânica encontrei. A cada dia que passa aumentam os produtos com o aviso de orgânico.

O diabo são os tais transgênicos, sabe Deus até que ponto esses bichos vem se incorporando à natureza. Em tudo. Na carne então é melhor não pensar, para escapar da transgênese só tendo uma criação de boi, galinha ou pato amarelo no fundo de casa, como diz o Luciano.

Por proposta do mestre Aristarco decidimos todos estudarmos mais o assunto. Até que saibamos exatamente como funciona, desde quem produz  nomes aos bois, e as quantidades produzidas de uma ou outra maneira, sobre o efetivo benefício no combate à fome, sobre os lucros, doenças e mortes, o botequim não emitirá Nota de Aviso ao bairro, nem o Rei da Cidade Baixa proibirá a comercialização.

Enquanto estudamos, para desgosto do Terguino e do Portuga, o Rei Bruno Contralouco decidiu rebatizar temporariamente alguns tragos, até que os dignos proprietários do estabelecimento esclareçam a procedência do centeio, da cana-de-açúcar, do arroz, do milho e de outros cereais utilizados na fabricação da cerveja, da cachaça, da vodka e de tudo, bem como dos limões e outras adições às bebidas.

A cerveja, até então chamada de Repolhuda pelos empinantes, passou a se denominar "Transrrepolhuda". A caipirinha de cachaça agora é "Agrogênica", e a de vodka "Transtóxica". Uma beleza, até a Jezebel entrou nessa: "Portuga, me faz uma Transtóxica, por gentileza, com limão siciliano, querido".
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lunes, 30 de julio de 2018

A mulher do tribunal

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Chamei os amigos Juanito Diaz Matabanquero e Carlito Dulcemano Yanés. Vieram de longe em meu socorro. Carlito entrou clandestinamente no País, os banqueiros do bicho da Av. Paulista querem lhe fazer a pele. Contei-lhes a história, ouviram-me em silêncio, as perguntas viriam depois.

Amigos, fui acusado. Vou tentar explicar, é meio surreal. A Carmélia da Olavo não fez uma reforma na casa que foi da Marli da Padre e que agora é da Keila da José. Cada nome que essas cafetinas arranjam... Bem, um belo dia eu estava bem feliz aqui na Vila, quando fui surpreendido por uma notícia da rádio Corredor: que o muquifo que foi da Marli, que agora é da Keila, que foi comprado com parte do dinheiro de oitenta e tantas malas achadas no apartamento de um assaltante, era meu, e que por via de consequência a reforma não realizada pela Carmélia também era minha. Nesse bolo tem um delator condenado a cento e tantos anos de prisão, mas depois chego lá, para não embolar o meio de campo.

Dei risada, não sabia do que estavam falando, nem conheço pessoalmente a Carmélia e a Marli, só de nome como todo mundo, muito menos a Keila, esta nem de nome conhecia. O gordo das malas eu conheço de vista, é meu inimigo. Deve ser gozação da turma, pensei, pois brinquei com os camaradas outro dia, quando um falou que gostaria de comprar o Moulin Rouge, que é um cabaré bem diferente destes, pois tem a letra "t" no final.

Também estou acostumado com a maldade alheia, já me atribuíram a propriedade de palacetes, frigoríficos, aviões, bancos e não sei mais o que de Porto Alegre. Em certo momento eu era dono até do Beira Rio, da Praça da Alfândega e da Igreja da Matriz, como chamamos a Catedral Metropolitana. Mais uma bobagem, concluí, e esqueci o assunto.

Quando chegou a intimação ainda ri, deve ter sido o Bruno, o sacana acumpliciado com o oficial de justiça, para rirem da minha cara quando eu fosse ao tribunal. Com a mesa do bar cheia joguei em cima a papelada, e aí, malandros, querendo me fazer de bobo? O pessoal leu e todos ficaram sérios. Isto é de verdade, disse Carlinhos Adeva. O Bruno jurou de pés juntos que nada tinha a ver com o assunto.

Eu não sabia, mas os meus problemas estavam recém começando. Eram os caras da MPL - Máfia Preta do Lenocínio - fazendo a sua parte, não contentes com os seus puteiros queriam entrar no meu negócio, deslocaram até o meu domicílio.

(segue)
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A DIREITA EM ZUGZWANG

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(Fragmento)

Certos jogos são para homens e mulheres de alma nobre, de palavra, fibra e respeito. Assim é o xadrez, como também é o por extensão chamado de “xadrez da vida”.

Na imagem a posição após o lance 83 das brancas, na célebre partida entre José de Jesús Nogueiras Santiago e Maikel Gongora Reyes, jogada em 4 de abril de 2001 em Las Tunas, Cuba, no torneio de onde sairia o campeão nacional. O tabuleiro é visto pelo ângulo de visão das brancas de Santiago, como é praxe nas imagens de livros sobre o jogo-ciência.


As negras estão em zugzwang, que no xadrez diz-se da posição em que qualquer movimento feito pelo bando a quem cabe jogar é perdedor. No caso é mortal, pois as peças negras tem apenas um lance possível, perdedor: leva o xeque, mais um lance e a resposta é fatal, xeque-mate.

Como no Brasil em muitas ocasiões e principalmente agora. Esquerda x Direita. A Direita atual (Fiesp, Fascistas, Judiciário, Banqueiros, Agronegócio, Mídia, Entreguistas, etc., EUA como pano de fundo), ciente de que com Lula levaria um histórico xeque-mate dos humanistas e nacionalistas, gritou “Não jogo mais com essas regras!” e derrubou o tabuleiro violentamente, impedindo o final da partida de modo legal, com a plateia do mundo todo estupefata.

Fugiu da batalha com as calças caindo, rasgando o contrato social, apelando para um “xadrez” infame, abjeto, torpe, lance desesperado pensado também num 4 de abril, executado dia 5. É muito difícil, mas talvez perca igual com qualquer regra que imponha, o tempo não para, a ferida não sara e os ludibriados à força aglutinam energias.

Naquele ano de reis em Las Tunas Maikel Gongora Reyes foi homem, não um covarde traiçoeiro: deitou o seu Rei, admitindo a derrota: “Abandono. Gens una sumus”, e apressou-se a apertar a mão do adversário.

No xadrez da vida, quando não há perfídia, traição nem maldade, os erros não são tão grandes que não possam ser corrigidos. Reyes iria procurar melhorar o seu desempenho, errar menos, com honra, para no futuro... quem sabe?
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