lunes, 16 de agosto de 2010

E ele provoca...

;
Odiado Salito

Perdeste uma boa, quem mandou se ausentar. É com prazer que dou a notícia. Está em todos os periódicos daqui: acionei o meu servo-mor, uma pessoa iluminada e desprovida de interesses econômicos, cujo filho trabalha de sol a sol como telefônico e agricultor, e anteontem ele disse..., você sabe o que ele disse? Sente-se. que essa é para te descadeirar.

Confrontado com os nossos lucrinhos, e sabendo que ainda queremos mais, disse:

- Graças a Deus que os bancos estão ganhando muito dinheiro.

Sem tirar nem pôr. Esse relutou, teve uma má criação, mas há uns 8 anos reconhece o meu valor, agora chama-me Deus.

Que presença de espírito! Foi aplaudido em pé pela massa ignara.

Está bem, vá lá, alguns servos menores, sim, reconheço que mereciam estar engaiolados, cometeram muitos desvios de conduta, quase estragam tudo. Mas estou recuperando o Paloti, aquele boquinha de chupar..., ahn, de chupar teta murcha, em quem muito investi, que seria o meu servo a substituir o iluminado, assim que dentro de pouco tempo estará com a reputação lavadinha, servirá novamente para alguma coisa, antes de ser descartado, talvez até para ministro, discreto como o Meireles.

Encomendei pesquisa e descobri que uns 2% dos meus servos políticos não são frígidos, então ensinei-os que não se deve misturar política com orgia sexual, quem nunca fez... você sabe bem como é, se lambusa, os abelhudos descobrem a mansão, acaba tendo que invadir extratos bancários de miseráveis.

Agora estão preparados, nunca mais repetirão tais obscenidades, os mais excitados voltarão a cultuar Onan, além da rapidinha com as patroas no aniversário de casamento. E avisei que mandarei ma, ahm,..., que farei desaparecer quem se comportar como punguista de feira.

Exijo concentração no trabalho, finesse nas negociatas, com as consultorias estrangeiras que lhes coloco à disposição.

Exulto, sei que com as boas novas te tiro uma bela noite de sono.

Volte para cá, volte para ver...

F. Febraban

martes, 10 de agosto de 2010

Recordando Tito


Há exatos 36 anos, prestes a completar 29 anos, morria o homem que foi o símbolo da luta pelos direitos humanos na ditadura militar: Tito de Alencar Lima, conhecido como frei Tito.

Enforcou-se na zona rural do convento de L’Arbresle, nos arredores de Lyon, França, já enlouquecido pelo trauma de ter passado 14 meses nos porões da ditadura militar.

A tragédia que tirou a vida do frei acontecera na noite do dia dez de agosto de 1974, quando a repressão da qual ele foi vítima ainda continuava a prender, torturar e assassinar no Brasil.

Pensei em iniciar este resumo com os nomes dos seus torturadores conhecidos, porém a náusea não me permitiu.

Desde muito novo Tito concluíra que só a vida religiosa daria sentido luminoso aos seus passos e que só na Igreja – consoante visões febris de Isaias – viria fazer justiça aos pobres da terra. Para ele, a Igreja não é templo dos ricos; ao contrário, é ainda a fraternidade subversiva das catacumbas romanas, sem profanações do dinheiro, e para sempre incumbida da construção de um futuro de justiça e liberdade, do futuro sem peias, quando Deus mesmo estará com seu povo.

Em 1969, Tito cursava Filosofia na Universidade de São Paulo e já tinha em seu currículo um histórico de militância: fora dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica, um dos movimentos de vanguarda da militância cristã da época.

Na madrugada do dia 3 para o dia 4 de novembro, Tito foi preso junto com outros dominicanos no convento em que morava pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador. Nesse dia, a sua igreja lhe faltou.

Entre os presos estava Frei Betto, suspeito de participar de um esquema comandado pelo líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella, grande vulto brasileiro que pregava a luta armada. Começava, assim, o martírio de frei Tito e dos seus irmãos. Como instrumento de intriga, os agentes da repressão espalharam a história que os dominicanos traíram os participantes da ALN, sendo este mal entendido esclarecido apenas em 1982, com a publicação do formidável Batismo de Sangue, livro do frei Betto.

Foram vários meses de horrores e vilanias. “Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”, disse-lhe um torturador. O frade dominicano passou pelo pau-de-arara, sentou na cadeira do dragão e recebeu choques elétricos na cabeça, nos ouvidos e nos tendões do pé. Deram-lhe pauladas nas costas, no peito e nas pernas, incharam suas mãos com palmatória, revestiram-no de paramentos e o fizeram abrir a boca "para receber a hóstia sagrada" - descargas elétricas na boca. Queimaram pontas de cigarro em seu corpo e fizeram-no passar pelo "corredor polonês". Apesar da intensa tortura que sofrera, frei Tito nunca falou. “É preferível morrer do que perder a vida”, anotou em sua Bíblia, depois que um de seus torturadores avisou que, se não falasse, seria quebrado por dentro.

Em janeiro de 1971, foi banido do país; voou para o Chile e, depois, para Roma, Paris e Lyon. Mas o sonho da morte o habitava. A tortura que sofrera no Brasil havia rebentado seu espírito e continuava atormentando-o sem parar. “Longe vem o retirante... vem dizer que nos esquecemos de amar”, ele disse nos poemas. Tito sentia “um silêncio de Deus”. Certa vez, escreveu: “Não busco o céu, mas talvez a terra, um paraíso perdido”. Mas, o paraíso na terra estava perdido para sempre: em agosto de 1974 Frei Tito livra-se da tortura e morre, na certeza de poder viver depois da morte.

Na cruz que lhe coube entre os bosques de L’Arbresle, está gravado: "Frei da Província do Brasil. Encarcerado, torturado, banido, atormentado até a morte, por ter proclamado o Evangelho, lutando pela libertação de seus irmãos. Tito descansa nesta terra estrangeira".
A inscrição termina com estas palavras cortantes de Lucas: “Digo-vos que, se os discípulos se calarem, as próprias pedras clamarão”.

Em 1970, sob custódia da “Operação Bandeirantes”, frei Tito escreveu sobre a sua tortura num documento que rodou o mundo, tornando-se um dos símbolos da luta pelos direitos humanos na ditadura. Quando foi solto, em dezembro do mesmo ano, pediu exílio no Chile, de onde seguiu para Itália e França.

As feridas de seu corpo cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas incuráveis em sua alma. Era constantemente atormentado pelos fantasmas do passado, via Fleury em todos os lugares, ouvia suas ameaças. Fez terapia, mas de nada adiantou: seus traumas eram demasiadamente profundos. Enlouquecido, sozinho, atormentado, Tito morreu sob a copa de um álamo. “Se minha alma está morta, quem a ressuscitará?”, escrevera ele pouco antes de morrer. Esse discípulo não se calou. Afirmou seus princípios no paraíso da meninice, nos longos dias de combate e no inferno que finalmente o consumiu.

Quando, só em 25 de março de 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil, foi realizada em São Paulo uma missa de corpo presente acompanhada por mais de 4 mil pessoas.

"...
E agora? E agora? E agora?
Onde estavam o guardião, o ecônomo, o porteiro,
a fraternidade onde estava quando saíste,
ó desgraçado moço da minha pátria,
ao encontro desta árvore?
..."
(Adélia Prado, in Terra de Santa Cruz, 1986)
Fontes: jornais e Grupo Tortura Nunca Mais.














domingo, 8 de agosto de 2010

Llorar

Papito mío

Estoy en Casablanca, poco; hoy, pasando, me voy a Madrid. Vuelando.
Ah, escrevo na tua língua, viste? Me ajyudou, yo aprendi. Mira:
Estive em Nueva York, quando recebi tu telefonema en Hong-Kong nao tive tempo de dizer.
Que bobo, mas me encontrou.
Sim. Un papito bobo. Nao me esqueço, no.
Un desfile en la parte francesa (antiqua) de Shangay antes. Fui muchissima aplaudida, uma roupa blanca, linda. Nao gosto deles, pero sou modelo. Si, sei, "aqui nao". E nao mesmo.

Espero que antes, ah, tolinha yo.
Ao pasar por Montevideo irei a Porto Alegre, necessito descansar. Necesito verte.
Ahora calmita. So-men-te (no poner la).
Calmamente te digo que amo, solamente a ti. Nunca tive envidia de tus tantas mujeres, sé que es mío.
Somente!
Besos, mi viejo, meu menino.
Sempre tua hijita.
Anahí.

viernes, 6 de agosto de 2010

A revolução inconclusa

Apesar dos insistentes golpes reacionários, no curso dos últimos 80 anos, muitas das reivindicações daquele tempo foram satisfeitas, com Getulio, em 51; Juscelino, em 56; e Jango, em 61. Mas o retorno aos ideais de 30 foi impedido pelo golpe militar de 1964: o poder financeiro ainda prevalece sobre o capital produtivo e os trabalhadores rurais – como os cortadores de cana e os nômades contratados pelas grandes empresas do agronegócio – são tratados como semiescravos. Ainda estamos à espera da reforma agrária, que foi a base da sociedade industrial no mundo desenvolvido.
A Constituição de 1988 restaurou os princípios fundamentais de 30, mas os governos neoliberais, submissos à globalização da economia, mais uma vez interromperam o processo, mediante emendas constitucionais absurdas. Os estados, ofendidos, de fato, pelos interventores do governo militar, perderam, depois de 1995, com o governo tucano, o resto de sua autonomia política e administrativa, impedidos de ter seus bancos oficiais e suas empresas estatais. Dependentes dos recursos tributários federais, ficaram submetidos à força política de Brasília e ao poder econômico de São Paulo.
Para a Aliança Liberal não havia partidos, nem programas. Continuamos sem partidos, sem programas – e sem federação.

Essas palavras, que parecem ter saído agora dos lábios do seu Plínio Sampaio, é a parte final, hoje, de matéria do jornalista, escritor e pensador Mauro Santayana, publicada no JB.
Mas o circo continua, e não vai se incendiar.

jueves, 5 de agosto de 2010

Juremir, Juremil, Universal

.;
Em 8/fev/2013: Este texto foi dedicado a um enlouquecido jornalista gaúcho, Juremir Machado da Silva. Um bosta ao cubo. Chamar de bosta ao cubo é pouco (há dois anos não vejo nem leio, mas não deve ter mudado), que notabilizou-se desde moleque, que ainda o é, salvo mudança, veja adiante, em bater nos outros como forma de se promover, enquanto dava a bunda para a Universal dos santos! O ponto de exclamação é duro, falo, para quem tem. Explico isto pelos muitos e-mails de gente que, por incrível que pareça, como ele, não entenderam picas desta vida.

Se o cidadão mudou, digam-me. Se deixou de ser a besta deslumbrada, apaixonada por si mesmo ao falar para pobres crianças, me avisem. Com homem o papo é outro. Confusos correios eletrônicos não entendo. Pelo que vi e ouvi, é um bosta, disposto a machucar quem aparecer na frente, feito Renan Calheiros percorrendo cidades do interior, num périplo de falsidade, e segue o mesmo, agora sem aquela mentira de novidade.

Tente comigo, Juremil. 

Certo, amigos que enviam correios?




Bem, depois de hoje vou repensar esse negócio de cartas. Entre uma de mais um padreco me insultando (deveria estar bêbedo, o Dá a Deus, pois falou uns palavrões que as meninas da Stanislava esqueceram de me ensinar naquelas saudosas tardes de inverno, enquanto a clientela arranjava dinheiro pra trazer à noite pra gente) e a que segue, optei por esta de um desconhecido. Sempre gostei de malucos.


EU

Alvíssaras! Eu estou muito apressado, mas, como eu supus que amanhã ou depois acabarias escrevendo sobre genialidade, eu me antecipo (eu marco de cima, eu pulo junto, eu sou o Inter sonhado, uau!).

Antes, Salito, uma correção: meu nome não é mais Juremir, eu mudei. Uau! Agora eu sou Juremil. O perfeito Juremil. O sagrado Juremil. Tá, bota aí também o humilde Juremil, o singelo Juremil, para não prejudicar os negócios. Huhu! Eu explico: eu fiz uma retrospectiva da minha ultragrandiosa obra e eu concluí que eu sou nota mil em tudo. Ninguém me supera. Juremil-mil-mil! Ai...

Deixa eu respirar. 

Eu engambelo aqueles franceses imbecis por uma questão de estratégia. Prestígio e grana (ui que ameaço de orgasmo), me entende, não é, ninguém é de ferro, e também para viajar semanalmente a Paris, aquela cidadezinha mais apagada que a minha Dodô Desasada, o extinto pombal fronteiriço onde brotei bem no instante em que houve aquela conjunção (ui) planetária. Comparando com Jesus, dez a zero para eu, uau! As velhinhas me atacam na rua para me abraçar, huhu!, e isso que não viram meu pintão.

Sabe, Salitre, eu li tudo o que os gauleses escreveram, aliás, eu li tudo o que foi escrito no mundo desde os escritos dos alienígenas, me prestei até a ler os contos do ceguinho Borges, mas eu vou reescrever cem por cento em hieróglifos hititas, com a simplicidade e leveza do sacerdote Juremil, eu vou champoliá-los (oba) em 2011, eu vou cobri-los de rubor, eu vou fazer um barulhão, eu vou romper as fronteiras do pensamento, uau, rumo ao espaço, eu só imagino a cara do velho Fiódor Dostô, uau, e tem mais: eles que esperem eu publicar a minha nova obra-prima (chama-se EU, JUREMIL, trioriginal, hein?) onde eu provo, pela mesma dialética transcedental assassinada pelo Emanuel (o babaca do Kant) que aquele lero de imperativo categórico está invertido, e que o François-Marie Arouet era ridente devido à idiotice, espirituoso nada, ironia fina ele vai ver. Eu, eu... bem, naquele tempo não tinha livro meu na praça, eia, eu vou compor sonatas em braile para causar felicidade e espanto ao rústico Beethoven! Viva le futur antérieur!

Eu sou especialista em tudo: física quântica, filosofia, futebol, mais umas cem mil coisas só na letra éfe, tudinho, tudinho. Eu falo e eu traduzo todas as línguas conhecidas e desconhecidas! Uau!

Eu morei em Adis Abeba, em morei em Atenas, eu morei em Amsterdã, eu morei em Belgrado, eu morei em Berlim, eu morei em Bucareste, eu em Budapeste também. Uau! Eu morei no Cairo, eu morei em Copenhague, eu morei em Dublin, Estocolmo, Lisboa e Londres, eu morei em Luxemburgo, eu morei em Madrid, eu morei em Moscou, eu morei em Roma, eu... acho que pulei algumas, maldita memória, preciso tomar meus comprimidos... tá, comece aí todo o Abc até Viena! Uau! Em Bujumbura não, ahahah, desculpe, Saltito, uau!

Bem, eu ia falar de quê mesmo, deixa eu ver... Tá bom, eu... ahm... eu... eu... Bem, eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... Hummm, eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu... Uau! Eu quebro a rotina e hoje eu falarei de mim, mas só um pouquinho, eu estou meio atrasado para meus milhares de compromissos. Viu a economia no título que eu, o lacônico Juremil, botei agora lá em cima? Eu. Huhu!

Ah, eu tive uma namorada em cada uma daquelas cidades! Uau! Estranho... não recordo os nomes, ah, nome não importa. Uau!

Tu já leu o meu último livro? Cara, não é pra eu me gabar, eu não sou disso, mas é um clássico como nunca houve, na terra como no céu, aquele Shakeaspeare deve estar se revolvendo no túmulo, mortinho de inveja. Já na segunda página eu ensino o pessoal a conjugar os verbos. Eu me arrependi-me (ops) de publicar, está além do alcance da massa encefálica dos não escolhidos. Agora já era. Tu já comprou? Se não, compre logo, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, vai esgotar, para ti eu faço um precinho camarada, eu sou o dono do pedaço no Reino dos livros, escribo en el periodico Letters of the People, huhu! Agora eu sou Universal. Lá no outro, o reino da judéia, a concorrência fica promovendo aquele canhestro da última página, ahahah. E eu faturando. Faturando a fama, claro. Eeeeeuuuuuuuuuuuuu!

Lembra daquele portuguesinho inexpressivo, o José Sarraceno ou Salamargo? Mais cheio que o Luiz Fernando. Pois é, morreu o crucífero (oba), iupi, iupi, iupi, dou pulinhos, morreu, morreu, morreeeu, se apressou a bater as botas pra não ter que ver o saco de nobél que eu vou abocanhar, viva, viva, vivaaaa, eu vou sarambecar lá nas Canárias, uau!

Bem, eu... eu... eu, uau!, eu preciso ir, até a próxima, eu estou atrasado para um show que eu vou dar à tarde lá na universidade dos caras de preto, como você diz, Eu vou-lhes (gostou? Vou-lhes) contar umas estórias básicas que eu inventei sobre as estorinhas sem graça daquele baiano, o Amado. As gurias vão delirar, ui uau! Depois eu tenho de dar uma palestra sobre nanorrobótica medicinal a partir da experiência com cágados, en passant eu ainda vou proferir outra, uma teleconferência d'échecs para os meus amigos Veselin Topalov, Magnus Carlsen e demais top-twenty (sobre as falhas das análises dos computadores na variante Leningrado da Ninzo-Índia), sem deixar de apresentar meus programas de rádio e TV, depois ainda uma aula de direito aeroespacial, e lá pelas dez, enfim, uma aparição no São Pedro, eu vou estrear um novo solo de oboé, eu, eu, eu, eu, uau, eu não dou conta, eu não dou conta, eu não dou conta...

Eu preciso ir, eu preciso ir... dê uma chegada aqui pela Rua da Praia, eu preciso te mostrar (en passant que o tempo voa) meu penteado atual. Rapaz, lindooooooooooooo, combina com o jeans que eu comprei no Marrocos. Uau! Ei, já comprou um livro meu?
Uau!, uau!, uau!
Juremil

PS.: E tu, Salatiel, ainda ingere bitter purinho? E aquela tua chinoca de Rivera, uuuuuuuui, conta, conta, conta.


miércoles, 4 de agosto de 2010

Velho amigo

Salito
Recebi os teus cumprimentos pelos meus 80 anos, pelo que agradeço de coração.
Sábias as tuas palavras sobre certas pessoas. Tente evita-las ao máximo, se me entende, podem fazer mal a tua saúde. Desconfio que és aquele meninote que andava pelos bares nas cercanias do prédio da ONU, no Chile, lá por 1969, bebendo pisco em companhia daquelas changas de Antofagasta. Só pode, mesmo jeitão de se expressar.
Como deves saber, estou metido na campanha presidencial, entrei nisso de cabeça, considero fundamental uma terceira via ao pensamento único. Até a Marina está no mesmo sistema deles. Avise aos amigos que eu sou arruda do bem, e não arruda do DEM, como falou o Chiquinho, mas não apareça aqui no Comitê, eles estão me vigiando dia e noite. Se estás no Burundi, não tem embaixada, vais ter que viajar a Nairobi para me emprestar teu voto. Ah, se por alguma razão (minha idade, por exemplo) não quiseres votar em mim, não esqueça do Zé Maria.
Ferro neles!
Teu
Plínio Soares de Arruda Sampaio

martes, 3 de agosto de 2010

Uma carta muito decente

.
Salito

Achei que tu tinha morrido, meu. Pelo menos eu tinha um fio de esperança, mesmo que os últimos vinte mercenários que enviei para te apagarem não tenham retornado da missão. Aqui no Banco Itaí também deu limpo um bilhão e picos por mês, mas de pesos, uma ninharia perto daquele outro. Também, só doze pesos de taxa por um saque eletrônico. Preciso de 2.500 saques pra poder tomar um Romanée-Conti baratinho.

Esse pessoal deixa o dinheiro aqui pra gente emprestar e não quer pagar por isso, vá entender. Não deu prejú por causa do nosso velho filão, esfolamos de novo a classe média no empréstimo online e no cartão, mas tu sabe que esses fodidos merecem.

Também andamos te caçando, mas entenda que são business, isso de querer te emparedar, nada pessoal. Estamos finalizando as negociações com a Camorra, neste mês vamos dobrar a recompensa pelo teu cadáver.

Cuide-se.
Robertinho

Outra carta desaforada

.
Sr. Salvador

Então, apareceu o fugitivo. Antes que me esqueça, começo dizendo que a sua inveja é deprimente. Estúpido, tão intrometido quanto medroso. Achou que eu não ia encontra-lo se ocultando atrás do ridículo nome de "Salito"? Que nível!

O seu canibalismo não me causa estranheza, afinal, um otário que deve andar pendurando a conta pelos butecos, que nunca sentiu o sabor de pratos de seis dígitos à direita do cardápio, que sequer ouviu falar de foie gras, trufas brancas ou barriga de hon-maguro... Ainda tem aquela conversa de crianças com fome, educação sem qualidade, essas bobagens de mocinhas? Não é por nada que está na minha lista negra aqui na instituição. Ainda vive matando cachorro a grito, seu pobre diabo?

Certo, o zé-ninguém me mandou ir para o inferno naquela vez, entre outros impropérios, prometendo que Asmodeu iria me fazer uma demorada intervenção cirúrgica antes de me encaminhar ao Lúcifer. Deu sorte, saiu-se bem porque havia muitas testemunhas. Mas esqueceu de contar que depois teve que se esconder na Costa Rica por dois anos, e que de lá escapou por um triz quando descobrimos. Onde anda agora? No Burundi mesmo? Pois é aí que aquele juizinho que me decretou a prisão, o tolinho, vai morar. Espera aí, estou clicando aqui... sim, sou muito amigo da Autoridade Monetária e da Polícia desse país, pessoas confiáveis como aqui. Vai, conta pra mim se for bem homem, onde anda?

Sim, roubei muito, roubo muito. E daí? Tudo legal, conforme os manos do supremo. Normal na minha hierarquia, padrão de vida. Tenho senadores, possuo deputados, ministros, etc, afinal o que o senhor está pensando? Que o povão não sabe quem paga a conta das eleições? Deixe de ser ingênuo, claro que sabe, mas é esperto, fica quieto na esperança de também levar algunzinho.

Quem lê as calúnias que o senhor me assaca, acha que estou acima do bem e do mal. Mas tenho problemas como qualquer vivente: trabalho demais, preciso me reunir com os meus servos toda primeira segunda-feira do mês, uma roub, digo, uma trabalheira danada. Acha que é fácil fazer cara de honesto na televisão dos outros gatunos?

Também tenho aborrecimentos com a criadagem, volta e meia publicam no diário oficial alguma lei ou portaria sem minha autorização. Desgostos ainda maiores tenho com os meus cúmplices e parceiros de negócios, sabe como é, essa gente que lida com tráfico de armas y otras cositas é um pouco complicada, tenho dificuldades em arrancar-lhes uns jurinhos figadais. E tem também a minha turma do golfe, os empreiteiros, reis do conluio, superfaturam até creches e acabam interferindo nas minhas operações, as hienas querem a minha parte, a do leão.

Tudo para no fim das contas ver que, limpinho, limpinho, só sobrou um bilhão de dólares por mês. E ainda tenho que ler as besteiras que o senhor escreve sobre a minha pessoa.

Para que o senhor..., senhor nada, chega, para que tu tenha logo uma síncope, seu fujão, também informo que, além dos serviçais, possuo outros brinquedinhos: três aviões (um deles é um Airbus A380 adaptado como residência, hihihi), cinco helicópteros, seis iates (o menorzinho tem três quadras de tênis, seis boates, doze piscinas e outros ambientes que ainda não dei conta de visitar), seis Koenigsegg Trevita, quatro Bugatti Veyron 16.4, cinco Pagani Zonda Cinque, fora os Lamborghinis que enjoei, milhares de propriedades, casas e apartamentos, trinta e duas fazendas produtivas com lindas plantações na Colômbia, uma lista de empresas que não cabe no teu computador, uma mansão na Côte D'Azur maior que o Maracanã, uma imensidão de terras improdutivas no Brasil, de cair o queixo do Sarney, e - agora morra de vez, eunuco miserável, com as tuas 19 coitadinhas aí: possuo um harém de oitocentas escravas.

E o uísque que eu bebo com os meus camaradinhas de Wall Street tu nunca viu nem em filme.

Ahahah... tente adivinhar a grana em papéis e em "minerais".

Ó pra ti!
DVD, o banqueiro

domingo, 1 de agosto de 2010

FAUSTO

.
Hoje falei no Faustin ao despachar o carnavalesco e pensei em escrever algo a seu respeito no dia 5 de setembro, nos 2 anos da sua morte, porém refleti que na minha idade, nem em idade alguma, não convém esperar para fazer as coisas.

O gaúcho Fausto Wolff, (Faustin von Wolffenbüttel, Santo Ângelo, 08/7/1940 - Rio de Janeiro, 5/9/2008). Um dos raros Meu tipo inesquecível, o conheci no Luna Bar, junto com uma cambada de boêmios.

Naquela noite estava o Poeta comunista, não digo o nome porque agora "endireitou" por dinheiro, envileceu, comuna de araque, amar uísque muito caro só dá nisso, e muitos outros que contarei se eu chegar a 5 de setembro. Antonio Maria, claro, já tinha morrido, tinha mesmo? ai... Bem, eu menino... Ah, estava lá um outro velho muito chato, sabido por velho, Armando, mas desse também nunca falarei, ainda hoje tenho certeza de que o Fausto lobo não lhe deu uma porrada de pura dó, pois só falava mal de gaúchos. E do meu Internacional de Porto Alegre. E do Grêmio.

Só me enturmei muito tarde, quando, depois de cantarem todas, as deles, as dos amigos, alguém gritou que o Aldir Blanc estava há uma semana comemorando algo, na purinha, e beberam e... caíram no amor, uma da manhã (desde as 3 da tarde daquele sábado, eles, eu cheguei às 7), e na terceira derrubadeira... faltou em suas memórias a letra do bolero logo na entrada, e naquelas alturas do uísque era muito importante aquele bolero.

Na melodia eles já estavam: larara-lararái... mas não saía o começo, deu branco, o merengue enturvou, muita birita.
Então eu, encolhido de tímido, solito, comecei de cá da mesinha à sombra, atrás da deles, tinha uma coluna nos separando, a letra do Alberto Dominguez, mas pelo certo, recitando antes: Nadie, comprende lo que sufro yo... Calaram-se todos, todos até o velho chiclé da Globo. Encorajei-me: Canto, para olvidar mi gran dolor... Solo, temblando de ansiedad estoy... Todos... me miran... y se van... Aí todos vieram juntos alterados, lindos, de alma, em uníssono: Mujer, si puedes tú con Diós hablar...

O garçom do Luna ficou tão vidrado que deve estar até hoje batendo firme e chacoalhando a caixa de fósforos, seus bongôs e maracas. Bolero filin.

O Lobo me mirando, braços abertos, derrubou cadeiras com estrépito. O Chico Anísio sorria enlevado, olhos brilhando, seu Chico sempre foi mulherengo, de ilusão, de doer, um grande cara.

O Fausto parece que encontrou amor de verdade, antes de se mandar. Tintim.

Partiu deste mundo chateadíssimo com o Ziraldo (a conta está em aberto, foi desentendimento ou ingratidão?).

Saiu do sul do mundo e tomou o mundo, tomou o Rio de Janeiro. Não tem no Rio quem não bebeu na fonte. A maioria para explorar, mas azar. Sobreviveu àquela bela pessoa que era o Roberto Marinho (que deve ter ido para o céu, o bandido, sim, claro, obviamente).

O Fausto Wolff, por ele mesmo: "Eu sou o sujeito que já foi corneado, já sofri perdas irrecuperáveis, já vi a morte frente a frente, tomei porres famosos, fui amado, já brochei, já estive na cadeia e, o que é mais importante, tenho uma firme posição político-ideológica".

Mas foi mais que isso. Muito mais. Procuro palavras para definir sua humanidade, e não acho.

Uma enciclopédia. Na hora certa, se "eles" apenas o incomodassem, tirassem o dinheiro, negando trabalho, enchia a cara, mas se o incomodassem demais, se concentrava! Sai da frente, tipo querem veneno, é? Vão levar a verve, é horrivelmente pior. Então, pelas costas, alguns queriam trucida-lo.

Tinha horror ao lixo hollywoodiano e dizia que somos um rapaz mulato desdentado com 16 anos em frente a uma loja de discos, cantando uma música americana que não sabe o que quer dizer. E não se cansava de repetir que esse pessoal, deputados, senadores, são todos office-boys das grandes transnacionais.

O advento do computador fez com que parasse de berrar pra sua Olivetti: "Cadê a porra do F?!". O Aldir Blanc que falou essa do éfe, mas era pra qualquer tecla desaparecida. Cadê a porra do Cedilha!


E pros amigos: "Vem cá! Cadê teu copo?! ". Diz não pra ele, diz...

Teve que ausentar-se do Brasil por muitos anos porque não queria aprender a voar, ao cair de um avião militar no meio do oceano.

Cada vez que leio jornais, uns carinhas estúpidos ditando regras, falando à exaustão dos seus próprios garranchos, puxando o saco do dono e do sistema, insultando a inteligência alheia, me dou conta da falta que ele faz. Já que lá embaixo fiz alusão a um larápio, pra recordar a sua verve segue um texto seu, escolhi especialmente esse publicado no JB de 30/9/2007, personagem de si mesmo, o velho lobão.

Esse texto, simples (crônica diária), à época me tocou profundamente, fui às lágrimas, uma vez que nutro um carinho muito especial por banqueiros, essas pessoas caridosas, honestas e dotadas de muita compaixão. Recomendo-as fritas em azeite de oliva, com bastante manjericão e cominho, que favorecem a difícil digestão. Depois é bom lavar a boca com chá de malva, para prevenir infecções.

Esqueçam essa bobajada de auto-ajuda, os plágios dos paulos coelhos, os americanos, corram à livraria e comprem todos os seus livros, ainda está em tempo.

E que Deus perdoe os animaizinhos editores do segundo caderno que vejo nos jornais.

Papo de velho, ladrão e intermediário

O sujeito já passava da meia-idade. Era um velho boa-pinta que descobrira isso há pouco tempo e tentava agir de conseqüência, mas algumas coisas traíam o tempo que carregava nas costas. Não que isso tivesse importância para ele nem que pudesse surpreendê-lo em atitude geriátrica. Esquecer de puxar o zíper das calças, por exemplo. Julgar que o último pingo havia desaparecido na privada, mas não... esperara pacientemente pra decolar nas calças e ainda convidara alguns primos e amigos.
De qualquer modo, não era um cara ranzinza. Quando queria uma informação, aproximava-se da pessoa e perguntava em voz clara, pois era meio surdo, e a pessoa: "Não precisa berrar que eu não sou surdo". Assim ia levando sua vidinha, sempre de short e camisa sem gola, pois trabalhava em casa e, pensava ele, sempre podia pedir a grana que lhe deviam pelos dez anos que passara no exterior, voltando com quase 40 para trabalhar na grande imprensa à época, O Pasquim.
Sua mulher lhe dissera que precisava fazer alguma coisa e ele respondia que faria esta coisa quando ficasse velho, embora soubesse que já estava velho. Era jornalista e escrevia uma crônica diária para seu jornal. Usava o computador como se ele fosse a Olivetti que o acompanhou por quase 50 anos. Não ousava mexer em qualquer tecla com a qual não tivesse muita intimidade, com medo de que o mundo explodisse ou o computador derretesse na sua cara.
Uma vez por semana seu neto de oito anos passava por lá e dava uma geral no dinossauro, como o chamava. Com exceção dos políticos, dos banqueiros, dos latifundiários, dos publicitários das novelas de TV, dos pastores eletrônicos, gostava de quase tudo, menos dos robôs que falam ao telefone.
Outro dia, esquecera-se do tempo conversando com o AP dos Santos e agora temia que não conseguiria mais falar com a bela coroa, secretária do banco.
- Quem fala? - perguntou.
Uma voz de homem respondeu:
- É o ladrão.
- Desculpe, mas eu não queria falar com o dono do banco. Dona Wilza, a gerenta, está aí?
- Deve estar com os outros reféns.
- Entendo - disse o velho. Ganham o mínimo para fazer o máximo. (Pausa) Será que não poderia dar uma palavrinha com um deles?
- Não vai dar. Estão todos amordaçados.
- Entendi. Gestão moderna. Fizeram alguma crítica e calaram a boca deles. Não tem nenhum chefe por aí?
- Claro que não! Quanta ignorância. O chefe está na sua cela, no presídio, que é o melhor lugar para se chefiar um assalto.
- O negócio é o seguinte, eu tenho uma conta aí...
- Não tem mais. Sinto muito, mas estamos levando tudo. O saldo da tua conta agora é zero.
- Não tinha muito mais do que isso. A informação que quero é sobre juros.
- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno, assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Para saber de juro é melhor tu ligar pra Brasília.
- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que estão cobrando por um voto hoje em dia... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa. Meu nome é Fausto Wolff... é.... com dois efes.
- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!
- Longe de mim. Que é um assalto, eu sei perfeitamente. Mas queria saber o número preciso. Seis por cento, sete por cento?
- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
- Ah, já estava esperando. Vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?
- Não... Eu... Peraí, bacana, que hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. (Um minuto depois) Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.
- Puxa, que incrível!
- Tu achava que era menos?
- Não, achava que era isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço, pelo telefone, em menos de meia hora e sem ouvir Pour Elise.
- Quer saber? Fui com a tua cara. Dei umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?
- Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?
- Não vai ter de comprar picles. Tá acertado.
- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
- Ih, sujou! (tiros, gritos) A polícia!
- Polícia? Que polícia? Alô? Alô? (sinal de ocupado).
- Alô?... Droga! Maldito Estado. Sempre se intrometendo nas relações entre homens de bem!

Esse o Fausto. Mal contado. O conheci em duas noites, li seus livros. O abracei. Trocamos alguns esparsos e-mails. Chorei quando morreu. Eu caminhava lá pelos Altos da Bronze a uma da manhã quando Mirta Hans me deu a notícia por telefone. Desatei a chorar na hora, ai que vida. Vida e obra estão em todas as bibliotecas sérias do mundo.


































Uma carta desaforada


;
Como nem tudo são crisântemos nesta vida, recebi uma longa carta de um arcebispo ecuatoriano, o Arregui (centro da foto), me descendo a soiteira no lombo. Doeu-se, o indivíduo, pelo modesto texto de abertura deste blog (AQUI).

Ora, ora, reverendíssima excelência, trate de se acalmar, o que eu penso da sua turma já deixei bem claro há uns 20 anos, no meu conto Vestidos de Preto, embora as suas vestes lembrem mais a carnaval. Pensei em baixar o nível do verbo, mandando-o tomar naquele lugar, mas desde que mandei pro inferno (só de boca, claro, sou um homem de paz) um dono de banco não quero saber mais de encrenca com "otoridades" de organizações criminosas, aquele agiota mandava mais que o presidente, este palhaço que de cada pila para o povo dá um milhão aos banqueiros.

Ser abstêmio é um direito seu, compreendo sua infelicidade, mas admita que essa estória de abster-se de alguns prazeres foi escolha sua. Se, como dizia o meu amigo Faustin von Wolffenbüttel, sem uma garrafa ao alcance da mão é difícil resistir à tentação de dar um tiro na têmpora, bem imagino como deve ser sem a garrafa, solteirão e com essa indumentária.

Só o senhor não pegou o espírito da coisa, então explico: nada, rigososamente nada, do que aqui se escreve é verdade. Incluídas essas estórias de que padres são experts em punheta só para o consumo externo, nas internas gostam mesmo é de crianças, se é que já falei isto. Entendeu agora? Tudo mentira. Sacou mesmo, ou preciso explicar de novo? Quanto aos boêmios, o senhor vai gostar mesmo é de quando eu chegar no grande Lúcio Cardim.

Sugiro que por ora o reverendíssimo coloque a rodar Flores Negras aí no seu toca-discos, maravilhoso bolero do cubano Sergio de Karlo, que partiu em janeiro mas que antes disso teve tempo, entre outras coisas, de trabalhar com a nossa Carmen Miranda lá na Broadway, esta que se vestia de modo discreto se comparada a certas eminências. Aposto que quando chegar na parte em que diz "Aunque viva prisionero, en mi soledad mia alma..." o amigo já vai estar levitando, para cair de joelhos ao final, no "pero el dia vendrá, en que tu seas para mi nomás, nomás".

Um abraço e lembranças a Nossa Senhora da Boa Esperança do Lupanar, que certa vez muito me ajudou.
Salito
.