miércoles, 2 de noviembre de 2011

O arcebispo. Cria Cuervos

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O arcebispo de Porto Alegre, de uma certa ala ultraconservadora da Igreja Católica, vem de lançar furioso ataque ao Judiciário brasileiro. O indivíduo foi condenado a pagar R$ 940 mil (que foi 30 mil um dia, mas ele recorreu, passaram-se os anos..., e os juros o comeram vivo) como indenização por danos morais. Ele não ataca os juízes que o condenaram, e sim a todo o Judiciário: O problema da corrupção no Brasil tem sua base exatamente ali, no Judiciário.

Finalizando as muito mal traçadas linhas, escreve o nobre pastor: Diante da gravidade do assunto escreverei nova cartilha para apontar as mazelas do Judiciário e assim colaborar na sua urgente reforma. Ou o Brasil muda o Judiciário ou o Judiciário acaba corrompendo o Brasil.

Vamos perder o sono aqui na palafita, aguardando a imprescindível cartilha.

Em meio a vitupérios contra a Justiça do Brasil, conta a sua versão da história (algo nos diz que inadvertidamente pulou alguns detalhes), dizendo que a condenação é injusta, que nada fez de mal, etc. Aqui ficamos a supor que, de fato, os juízes de todas as instâncias é que são uns malvados e doidos varridos. Pela porta em arco vislumbramos João da Noite servindo-se de uísque na sala contígua, em voz alta lhe damos conta desse importante aspecto, implícito no libelo do padre. João diz que está de acordo, lembrando que O Alienista já tratou dessa tema, e arremata declarando que a sociedade precisa urgentemente internar todos os juízes em um grande sanatório. 

Prosseguindo, o ilustre missionário diz que o valor da condenação foi dez vezes acima do real. Ah, tinha uma realidade então, o valor de 94 mil seria devido?

Lúcio Peregrino (peregrina pelos bares), primo do João, nos interrompe para alertar que esse sujeito é o mesmo que disse o seguinte, tempos atrás:

Antigamente não se falava em homossexual. Quando se começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente... daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos.

Ah, bom.

Disse mais: que a sociedade atual é pedófila. Não estamos certos do motivo da afirmação. Bem, a julgar pelos padres católicos, o homem está coberto de razão, embora seu colega (progressista!) de Blumenau o tenha corrigido, este sem deixar de acentuar que pedofilia é muito diferente de efebofilia. Agora sim, ah, está claro, infância é muito diferente de puberdade, como aprendemos coisas interessantes com essa gente. A sua erudição na etimologia das palavras nos leva a crer que talvez morram de amores pela vida privada dos gregos antigos. Conversa mole, o negócio tem mesmo a ver é com o artigo 217-A do Código Penal.

Aliás, João da Noite aproveita para recordar e recomendar, aos adoradores de Onan, a famosa técnica da banana: corta-se a ponta de uma banana com casca, retira-se o conteúdo, depois coloca-se o buraco no bico de uma chaleira fervente, de modo a aquecer e umedecer o interior. É o suficiente, João, não queremos ferir eclesiásticas suscetibilidades.

Quem sabe a reverendíssima excelência vai se queixar ao Papa, como inutilmente vêm fazendo milhares de meninos estuprados mundo afora? Se for, no caminho dê uma paradinha no Ecuador e diz àquele otário do Arregui, seu colega, que mandamos dizer que... vamos exercer o nosso sagrado direito de calar a boca.


João Pernambuco

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João Pernambuco (João Teixeira Guimarães) nasceu num 2 de novembro, lá em 1883, em Jatobá (PE). Criador de expressivo número de lindas melodias, também é o autor do maxixe que se tornou um clássico mundial: Sons de Carrilhões.


Música Jovem

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Bem, vamos falar um pouco de música produzida em Goiás. Calma, gente, não desliguem, não é nenhuma dupla sertanoja.

Trata-se da Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, que segue encantando o velho mundo, botando abaixo platéias espanholas na turnê que vai até 04 de novembro.

Fundada em 2001 para desenvolver habilidades artísticas e dar formação profissional a alunos de escolas públicas e particulares de Goiânia, a OSJG atualmente é responsável pela formação de 170 músicos, entre crianças, adolescentes e jovens. Eles recebem instrução prática, teórica e são beneficiados pelo Programa Bolsa Orquestra, uma contribuição mensal para cobrir os custos do estudo da música. O perfil socioeconômico dos músicos é aquele que se convencionou chamar de "Classe C".

Na Espanha, apresenta-se em Granada, Barcelona, Vila-Seca, Lleida e Girona. Os concertos acontecem em importantes espaços como o Auditório Enric Granados em Lleida, o Auditório Josep Carreras em Vila-Seca e o célebre Palau de la Musica Catalana em Barcelona (Inaugurat el 9 de febrer de 1908, el Palau de la Música Catalana és una de les sales de concerts més singulars del món), uma das salas de concertos mais importantes da Europa.

Os agiotas

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Como os amigos devem ter percebido, sempre que possível tecemos elogios aos bancos e aos facínoras que os dirigem. Talvez por isso em nada tenha nos surpreendido a matéria do pensador Mauro Santayana, de 26/10/2011.

A QUEBRA DA ESPANHA E O RISCO SANTANDER
Por Mauro Santayana



A imprensa internacional informa que o Banco Santander, do Sr. Emílio Botin - acusado, entre outros processos, com a cumplicidade de alguns familiares, de evasão de divisas e de manter, desde o franquismo, contas secretas na Suiça - está sob investigação das autoridades inglesas por ter efetuado empréstimos, não divulgados, de sua filial britânica à matriz espanhola.

Como o país de Cervantes está em crise profunda, a suspeita dos ingleses é a de que Botín esteja transferindo dinheiro de suas filiais do resto do mundo para a Espanha, mediante “empréstimos” intergrupo. Uma eventual quebra da matriz provocará a falência de suas filiais externas.

Embora Botin negue que isso ocorra e que “cada filial é responsável por sua capitalização e suas necessidades de financiamento”, descobriu-se que, nos últimos anos, milhões de euros foram transferidos do Santander da Grã Bretanha para a matriz espanhola, por meio de uma “divisão” pouco conhecida da filial inglesa, a Abbey National Treasury Services.

Os documentos mostram que a filial do Reino Unido “emprestou” mais de dois bilhões de libras esterlinas, o equivalente a dois bilhões e trezentos milhões de euros, à matriz espanhola, e que existem acordos de “financiamento” entre o Santander da Espanha e as filiais do grupo no Brasil e nos Estados Unidos.

Esse quadro é descrito por um analista do UBS AG, Alastair Ryan. Em entrevista ao Wall Street Journal, ele afirma ter havido significativo volume de livre movimento de capitais no interior do Santander recentemente.

Maiores informações sobre esse aspecto da atuação do Banco do Sr. Emilio Botín podem ser obtidas pela área de fiscalização do Banco Central do Brasil, junto à FSA (Financial Services Authority) inglesa.

Foi esse tipo de gente que deixaram entrar no Brasil na época do PROER.



martes, 1 de noviembre de 2011

Onde a dor não tem razão

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Esta jóia é resultado da parceria Paulinho da Viola - Elton Medeiros. Aqui interpretada por Vanessa da Mata e Monarco, mais ela, a eterna Velha Guarda da Portela. Fora das câmeras, o maestro Rildo Hora coordenando tudo.




Em 18/12/2012: Ainda bem que encontramos outro vídeo.
O original aqui postado foi bloqueado pelos carniceiros... Já estamos achando que nossos artistas não têm agentes: têm merdas os representando, a graninha do momento faz com que não leiam o contrato de letras pequeninhas. Ora, um videozinho... Para esconderem para sempre. Animais sem tripas.

Dói.

Cadê a UNE? Onde estão os estudantes?

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Houve um dia em que perguntamos aqui neste blog: "Onde estão os malditos estudantes?". Em outro, "Onde estão os patifes da UNE?". Quando Dinho Ouro Preto falou do Sarney no Rock In Rio, chegamos a propor o seu nome (do Dinho, claro), AQUI, para presidente da UNE.

E os vagabundos lá, bem quietinhos, como se a conversa não fosse com eles.

Pois agora a revista VEJA trata de mostrar o que andam fazendo, além de chupar o, digamos, dedão do pé dos governantes. A matéria começa assim:

Fundada em 1937, a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi protagonista de inúmeros episódios de luta por ideais republicanos. Na década de 40, combateu a influência do fascismo europeu no Brasil. Durante os anos mais trevosos do regime militar, seus principais líderes empunharam armas para reivindicar democracia. Essa gloriosa história pertence ao passado. A moçada agora quer sombra, uísque, gelo e água fresca grátis em troca de servidão automática ao governo. Contestação é coisa de otário. Os líderes da principal entidade estudantil brasileira dissipam sua náusea burguesa com garrafas de vodca, uísque, gelo e caixas de cerveja pagos com nosso dinheiro. Compram tênis e bolsas Puma, Nike ou Adidas, símbolos do “imperialismo”, e mandam a conta para os proletários brasileiros que trabalham e pagam impostos.

A atuação pelega da UNE de hoje envergonha seus heróis do passado. Dominada por parasitas do PCdoB desde os primórdios, a entidade perdeu a força, a voz — e o pudor. Desde 2003, recebeu 42 milhões de reais de dinheiro tomado pelo governo dos proletários brasileiros e entregue aos pequeno-burgueses que fingem estudar. O Tribunal de Contas da União (TCU) resolveu esmiuçar a aplicação desses recursos e deparou com gravíssimos indícios de irregularidades.

Despesas injustificáveis, descritas em notas fiscais suspeitas, amontoam-se nas prestações de contas investigadas.

E segue (veja clicando AQUI).

E agora, vão dizer que a revista, também nisso, está a serviço da extrema-direita? Que é direitosa até as pedras da Rua André da Rocha sabem, mas neste caso não estaria coberta de razões, e de provas?

Patifezinhos.



A Charge do Dias

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O Botequim do Terguino veio de Marco Aurélio, da ZH (RS).



O Beco do Oitavo com o Amâncio, do Tribuna do Norte (RN).


Porque me mató tan mal

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Maria Elena Walsh e Roberto Goyeneche. Ah, el gran "Polaco".

Encapetei-me. 

Para Camilai, Carola, Brumi, Jume, Jumi, Kati, Libertad, Mareu, Nati, Piqui, as crianças todas, nunca vi tanto i.

Para Ada, Adivi, Carla, Elieti, Furi, Leila, Lori, Ludalvi, Lunera, Maleizu, Márcia, Marta-Sem, Mauvi, Mi, Naná, Sari, Tati, Veri. Tá, mais umas cem que não me lembro, mas que dedico igual.

Para Carmen Salazar. 

Para a Maria, Mariza e Marilia, antes era alfabética, aqui mudei para idades. Para mim sempre menininhas manas de um guri brabinho, apavorado que via coisas e tendo que manter a serenidade, que talvez tenha atrapalhado, mas tentando ajudar quando chamado. 

E novamente para Alex Moraes.


Letra e música da Maria Elena. Roberto "Polaco" Goyeneche interpreta uma beleza imensa que chegará aos nossos tetranetos, se os tivermos (quem não tem filhos agora, mãos à obra, mãos é eufemismo), de tão linda, isso sim, joga a gente para a frente, posto que vem com amor.

À e A todas as mulheres que entendem loucos, são poucas, porque loucas são. De queridas. Mulheres que não mentem, não para contrariar os covardes que dizem que mulher não vive sem mentir, mas porque assim são. Longe de um coitado, famoso de época, que disse que todo homem tem um preço, só porque ele talvez o tivesse naquele contexto, foi um lance infeliz distorcido, nada de vil metal, e os predadores o usam para justificar o lixo que são, desalmados de carro importado com grana roubada.

Não, não temos preço. 

Nenhum.

Aos doidos e doidas que restaram, a ferro.


El Polaco Goyeneche en el bar: Ya nunca me veras como me vieras

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Por la vuelta, que voltamos.

O melhor tanguero, cantante deste mundo.
Mareado, bem mareado.

Vai para Alex Martins Morales.




Madrugada estranha, vento pelas costas

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Oi, amigo, ou... oi amiga, que vai passando. O que te traz aqui? Se perdeu ou perdeu o sono?

Benvinda. Benvindo.

Interrompo divagações sem aparente sentido, ainda bem que não devo explicações a ninguém, porque tocou um telefone. Em seguida o outro, este poucos sabem o número. Duas e vinte da manhã.

No primeiro, um aviso de morte, então tá. No segundo, Betsabé fazendo duas perguntas: por que ainda fumo e qual o endereço atual de Carlito Dulcemano Yanés. Não sei ambos, respondo.

Dentro de alguns minutos vou me deslocar até o Crematório de Porto Alegre. O irmão mais velho do Ivoran partiu. O Ivar, um grande cara. Certa vez um companheiro de vida, meio enfoguetado como todos nós estávamos, se desequilibrou ao levantar da mesa do bar e se apoiou com a mão dentro do seu jantar, que o garçom recém havia trazido.

Um gesto simples, mas dá uma idéia da grandeza do cara: quando todos fizeram Oh!, como quem diz que azarão, o Ivar ajeitou o prato e seguiu jantando, sem perder o fio da conversa.

Venta muito forte aqui no morro, parece dia ruim de outono, pelas costas, já imagino o silêncio e a bruma da rua, invernou de repente.

Vou lá, deixo um som do Luiz Bonfá, para os muitos que gostaram do grave da Nora.
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