lunes, 12 de abril de 2021
BOM DIA, amizades
domingo, 11 de abril de 2021
CUIDADO COM O FELINO
Acompanhado de Pablo López, Clóvis Baixo, Cesário Martinez, Pato Martins, Juanito Díaz Matabanquero, este de passagem para pegar umas caixas que me pediu para guardar aqui no Convento, e mais trinta amigos, fiz uma incursão no Parcão da Bozália no Moinhos de Vento. Quando voltamos, depois de entregar a mercadoria do Juanito, dar abraços de despedida nele e nos demais, tirei as roupas ensanguentadas e botei na máquina de lavar.
No primeiro giro da máquina ouvi um miau. Olhei para os lados, ninguém, as
freiras andavam não sei onde. Outro miau e abri a máquina, quem vejo? Lucho
Gatico, 50 dias de idade, metido como só, vai que tenham deixado a porta
aberta.
Fiquem bem em casa, é sábado ainda, opa, já domingo. Se saírem, voltem ensanguentados e já pro
banho, eles tem vírus 17. Ah, e antes de ligar a máquina de lavar vejam onde
anda o gato.
SOCORRO EM RÉ MENOR
O Lucho Gatico está de correria com as freiras lá na sala. Lembrei do Gatolino quando era novinho. Foi assim:
Socorro em ré menor
Resolvi testar os reflexos do Gatolino e o atirei aqui da
sacada, sétimo andar. Caiu como bailarino, se agarrando no galho mais alto da
arvore lá debaixo, ela se dobrou, envergou fundo, e voltou, ele junto. Cinco
minutos pra se recuperar do susto e soltou um miau comprido. Como falo gatês,
não perfeitamente, mas melhor do que falo esperanto, entendi, ele dizia: Agora
tou por ti, desce pelo elevador e vem aqui me buscar, aí desço da árvore pro chão
e tu me leva pra casa, não vou ficar aqui pendurado feito passarinho. Melhor
não, teimei depois de dois copões de pinga mineira. Resolvi testar os meus
reflexos, gritei tou indo aí meu neguinho e me atirei de lá de cima. Passei a
mil por ele, quebrando tudo, me ferindo, mas os enroscos amorteceram a queda,
não morri.
Quando vi tava no HPS, sem conseguir mover a cabeça. Soltei
um miau engasgado, em gatês pedindo socorro pro Gatolino, e a enfermeira disse
pro médico esse cara é louco. Lá de longe ouviu-se o Gatolino, todos ouviram,
enfermeira, médico, o Pronto Socorro inteiro, com miau em ré-menor, som que
entrou pela noite, dizendo já estou indo, Sala, aguente firme.
sábado, 10 de abril de 2021
O MENINO AOS 8 ANOS
Ganha um doce quem chutar certo qual foi o primeiro presentinho que lhe dei
logo que nasceu. Eu cheio de dedos, naquela de é só uma lembrancinha... vai que
o seu papai fosse gremista.
jueves, 8 de abril de 2021
Aos mestres, com carinho
Do primário só lembro das brigas no pátio, não de todas as escaramuças, sim das graves que resultaram em ferimentos; alguns filhinhos de papai e outros brutamontes eram maus e eu bobinho tomava as dores dos mais fracos, mas era intolerável mesmo, para quem vinha de mãe boa. Do ginasial quase nada, salvo que eu era apaixonado por uma professora alemoa gostosinha de 18 anos, ela que era ou virou fascista; ah, e pela morena profa de música, gentil, amada. O seu marido também um gentleman. Tinha um advogado professor de português que não sabia o que ia fazer lá, de repente em péssimo momento na vida, o doutor; não me prejudicou, nunca estudei português de orações assindéticas e outras normas dos palhaços da ABL, se me expresso mais ou menos é por instinto, los libros viejos, noções de latim.
Depois tive
uns três ou quatro professores que me ajudaram a abrir a cuca, doendo. Um numa
pós em matemática, matéria elevada de rachar a compreensão do perdido na vida.
Outro na Filosofia, lógica e outros bichos, começando lá por baixo, que duas
asserções negativas nunca resultam em conclusão positiva e tal. Outro no
Direito, circunspecto, rigoroso ao falar, se expunha, não tinha travas na
língua do seu pensamento, este profe faleceu do coração nas sociais do Grêmio
durante um jogo, lamentei muito, muito.
Em qualquer circunstância, TODOS, mesmo os que não gostei, valiam mil vezes mais que esses filhos da puta que o povo da Globo elege.
(O quadrinho peguei no Facebook, postagem dos “Professores Sonhadores” de 20 de março de 2019.)
lunes, 5 de abril de 2021
A FILA ANDA
(...)
Momentos
tensos, fumamos e tomamos um café num bar da Rua da Praia. Logo um tanto
constrangida ela se foi. Mentiu-me problemas familiares, no outro dia viajaria
para tentar a felicidade em Paris. Não me levantei, desejei-lhe boa sorte com
um gesto.
Minutos
depois arrasado andei, desci a Av. Borges de Medeiros e entrei no Chalé da
Praça XV, precisava beber algo mais forte e pensar no que fazer da vida.
Sozinho numa
mesa lá fora vi quanto entrou uma morena muito linda vinda do Mercado Público,
uma pessoa comum como eu, aos meus olhos uma deusa, e ela me olhou com franca
simpatia, sorrindo e com ares de quem sabe que de perto ninguém é normal.
(...)
El último café (Héctor Stamponi - Cátulo Castillo)
domingo, 28 de marzo de 2021
LUCHO GATICO
(Fragmento de rascunhos do livro O CONVENTO)
O
próprio, o novo morador do Convento, que emocionado ouve La Puerta na voz de
Lucho, um dos reis dos boleros de antigamente. Pelo jeito ele também é
abolerado, então vou sugerir que a freiras, na Assembleia Geral onde escolherão
o nome do nenê, coloquem em votação o nome que indico: Lucho Gatico. Luchito,
para os de casa. Sete da
manhã e a noviça Ju Gemidinha me aparece à porta da sala do som, seminua.
Pensei "Lá vem incomodação", com ela é sempre assim. O verão foi um
inferno de desfiles das donas para lá e para cá com no máximo soutien e
calcinha, em geral só de calcinha, a Ju e outras calorentas abusadas sempre
peladas. Antes que dissesse algo eu lhe falei:- Anda botar
uma roupa, mulher, vai pegar uma gripe!
- Acordei
pra fazer xixi e no banheiro vi a tua postagem dizendo que quer que o gatinho
se chame Luchito. Eu quero "Abusado".
E se mandou
dormir de novo., a abusada Deu-me o que pensar: se a maioria escolher outro
nome vão sifu comigo. Ora, sou o "pai", eu que passei um trabalhão
para trazer o neném. Se decidirem algo diferente saio às escondidas, vou lá no
Cartório de Registro de Nascimentos de Gatos e boto o nome que eu quiser!
Mudando de saco para mala, conto outra. Eu era bem novinho, mui malito de vida. Mas esta foi boa, hoje todos riem da estória em que certa vez fui registrar uma filha, a sua mamãe queria o nome de Sofia, pois tinha visto um filme da história de Sofia, mas não me impôs, sugestão de moça como eu meio virgem no assunto. Sofia? Lindo nome. A nascitura tinha me dado um trabalhão, meninos e meninas, quase morri mas a salvei, nasceu viva e saudável. Fui lá, entrei na fila, peguei testemunhas ao acaso, negada que como eu com a boca nas orelhas ia registrar os seus, também assinei de testemunha de alguns que nunca tinha visto na vida, e voltei. Na certidão do cartório a minha filha se chamava Natividad, que em uma das acepções significa nascida viva.
martes, 9 de marzo de 2021
CAPRICHO CIGANO
Do projeto de livro com título
provisório de "Meninos e meninas, eu vi.” Fragmentos de rascunhos em
tempos de horror.
Ficciones, cualquier similitud con la
realidad es pura casualidad.
CAPRICHO CIGANO
Já fiz tudo pra te dar / Vida mais
feliz, até já quis te dar um lar / Teus carinhos não são meus / És volúvel,
anda, parte, adeus.
(...)
Um dia na cidade o seu Evódio tocou “Só
para Você” para uns velhos boêmios excomungados pela sanguinária ditadura. Um
menino enfiado entre os velhos se animou e cantou uma parte do dobrado, ao
final o rapazinho com lágrimas nos olhos: "E eu fiz esta canção / Quando
digo ninguém crê / Não importa, meu amor / Ela é só para você".
"Dobrado" é o que diziam de canções assim, uma mistura de bolero,
rancheiritas, caboclos sertanejos, paraguaios e não sei mais não o que. Que
tempos aqueles. Lembro de muitas coisas. Na terrinha de onde fugi alguns
rapazes mais velhos, hoje encanecidos fascistas, diziam que em tempos idos
frequentavam a zona do meretrício, situada num morro afastado, uma subida que
começava lá embaixo perto da matança de bois, no tempo em que o gado era
enfiado no brete, levado a vara ou levando choques em fila indiana e morto a
marretadas na cabeça do matador num patamar acima ao final do corredor. Antigamente,
hoje é igual ou pior. Isso antes de a zona se mudar, pois depois soube-se que
desceu, misturando-se à cidade que sempre foi sua, pois era na Vila Brasília
que despejavam os seus verdadeiros eus. Grave erro dos habitantes da zona, que
mal ou bem lá viviam, era um bairro imenso, mortes só para eliminar gente
podre, intoleráveis na comunidade. Desceram e o bairro mudou de nome, devem ter
sido forçados por alguma prefeitura, pois a Cidade lá embaixo, ela sim era zona
de perigoso meretrício, traições muito piores que punhaladas ou garrafadas de
ciúmes, garrafa cheia é quase como uma martelada vinda de cima para matar boi.
Bom, eles, os mais velhos, dizem que
frequentavam a velha zona mas não lembram do boteco do Zé Careca, do bar do
Titio, dos cabarés das senhoras D. Stanislava – a Polaca e de D. Bastiana,
entre muitos famosos. Dos cabarezinhos menores nem sonham. Muito menos sonham
de aos 14 anos dançarem com uma dama de vermelho, ela com vestido com corte de
um lado, na penumbra da pista sem mais ninguém, madrugada alta, o cabaré quase
vazio, os quartos nos fundos só com dois, um deles era o gigolô de uma das
mulheres, dormiria lá. Os de boa família ladra, rica, fazendeiros e muitos
outros, mentem, metem, pagam e vão embora. Perversão, dependendo dobra,
triplica, até quintuplica o preço, se alguma topar, algumas eles pagando bem
ensinaram, começando aos poucos, uma coisa de cada vez até que ficavam
pervertidas, gostavam de agressão, de sentir dor, mais dor, gemiam pedindo mais
com velas pingando nos seios já cheios de queimaduras, de cigarros apagados nas
costas, nas nádegas e coisa pior. Logo tinham aquelas calcinhas de couro com um
enorme pênis de borracha e plástico, e metiam neles dizendo o que eles queriam
ouvir: “Abre bem a bundinha, cadelinha, vou meter tudo, diz que quer, diz
putinha, meu viadinho...”. Os donos de tudo das famílias de bem da ditadura lá
na cidade berravam “Quero, mete tudo!”. Como dizia um político asqueroso deles:
“Mulher tem que pagar para não deixar rabo, se não pagar a infeliz vai querer
amorzinho; pagando é uma troca, comércio”.
A moça de vermelho que antes olhava para
o menino, este meio escondido numa mesinha escura do canto, ao voltar lá dos
fundos olhou de novo e o rapazinho num ímpeto levantou-se e com um gesto a
convidou para dançar. Ela foi para a mesinha com ar de dó, como quem diz tu nem
deveria estar aqui, o que ainda está fazendo aqui? Sentou-se à frente, educada,
pagando a cerveja, estava com grana, cobrou em dobro de um fascista pregador de
moral que tinha idade para ser seu avô. Diálogos, silêncios, lágrimas, um
brinde.
Logo a mulher de 27 e o jovem de 14 anos
dançariam, quando as luzes multicolores da pista foram apagadas, o cabaré logo
fecharia, restou uma luzinha azul por alguma consideração, era o aviso da dona
lá dentro. O seu Evódio da Gaita, último dos músicos no pequenino palco, que
ultimava o trabalho de se mandar, homem que já conhecia de vista o menino,
abriu o acordeão: Capricho Cigano. A mulher levou o moço para a pista, ele
muito sério. Ela bailou sorridente, gentil e amorosa, no fundo também uma pobre
menina. Nada aconteceria, mas quem sabe um dia. Um dia que não tardaria tanto.
(...)
https://www.youtube.com/watch?v=4egGgVGUn34
https://youtu.be/WnBjAID7EFs
sábado, 6 de febrero de 2021
A CERVEJA
1. A CERVEJA MATA?
Depende. Em geral não, mas às vezes sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias, se pegar mal, na fronte, o cara cai e bate com a nuca no meio fio, adeus. Anos atrás um rapaz, gente fina, ao passar pela rua foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão, levando-o à morte instantânea. Também há casos de infarto do miocárdio em idosos, associados às propagandas de cervejas com mulheres boazudas.
2. O USO CONTÍNUO PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. A BEBIDA ENVELHECE?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma ideia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em, aproximadamente, 15 minutos.
5. A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdades estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas da instituição, ou lá da esquina.
6. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas foram feitas por laboratórios de renome e todas indicaram, em primeiríssimo lugar, o garçom.
7. CERVEJA ENGORDA?
Não. Quem engorda é você.
8. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não.
sábado, 23 de enero de 2021
RONY
"yo
aprendí filosofía... dados... timba...
y
la poesía cruel
de
no pensar más en mí."
NAQUELE
TEMPO eu estava preso numa pequena cidade, sem ter como nem para onde correr,
mas ouvia falar sobre os conterrâneos mais velhos que tinham se mandado. Eu
queria me juntar a alguma célula de combate à ditadura, bobagem de menino mal
saído da infância, não tinha idade nem para viajar sem autorização dos velhos, que eram pobres - classe média baixa - mas não tão burros para deixar o menino sair ao Deus dará. Só aos 18 adquiriria a maioridade legal e com esta a sonhada autodeterminação.
Aos 18 estávamos no final de 1970, a ditadura ainda torturando e matando
desenfreadamente, com a cúmplice Globo estuprando o cérebro do povo: "90
milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração...". Sem dinheiro eu seguia
sem ter como nem para onde ir. Aos 20 não aguentei mais: fugi na raça para
Porto Alegre, dormir em praça se preciso, cedo ou tarde tudo se ajeitaria,
conseguiria um empreguinho que naquela cidade não me davam, era mal visto,
pelos donos da cidade, jamais pelo povo, e o velho pai tinha razão: futebol não
dá camisa para ninguém, lá não dava mesmo.
Não
deu outra, até o primeiro emprego aparecer: de dia a Biblioteca Pública, de
noite a praça. Não demorou muito achei uns caras e as coisas melhoraram um pouco,
acabei me acomodando numa república com maioria de conterrâneos, vieram
empreguinhos, hotel-pensão, até que um dia me vi de terno e gravata morando
sozinho num apartamento JK. Foi por essa época que conheci um intelectual de
quem ouvia falar na adolescência, irmão de um antigo colega de aula. Filósofo e
outros bichos, uns 14 anos mais velho do que eu, cada bate-boca que tínhamos...
Antes veio o Gilberto (Pato) Martins, meu querido amigo de infância que andava
perdido por Curitiba, vieram amigos deles, a maioria da ala humanista dos
funcionários do Banco do Brasil, de repente estávamos todos em mesas juntas no
Pampulha e em outros bares, noites e noites de conversas sobre o Brasil, a
maldita ditadura e o que veio depois. Ele no uísque e a maioria de nós no
chope.
Ontem
me fechei em copas, hoje despertei lembrando de cada conversa, de cada passagem
que tivemos, de cada rosto dos demais amigos, das passeatas, dos protestos.
Lembro que certa vez falei de alguns livros do Nietzsche e o Rony me presenteou
com um livro do Immanuel Kant, o Crítica da Razão Pura ou Crítica da Razão
Prática, um dos dois, depois comprei o outro. Acho que foi o Pura, pra mim
"crescer" quase me rachou a cabeça. Com dedicatória: "Ao
Salazar, com amor". Teria muito a dizer, mais uns dez ou vinte parágrafos,
o tema dá um livro, mas entendo que aqui o espaço não é apropriado para textos
muito longos, mormente quando o assunto neste momento interessa a poucos. Outro dia vai para livro.
Só
soube ontem à noite pelo Ivoran Piazzetta que disse ter ouvido notícia de que
RONY SILVEIRA teria falecido. Corri atrás. De fato, morreu anteontem, 20, de
morte natural. Seu corpo foi cremado no início da tarde de ontem. Pelos
desencontros desta vida não o via há muitos anos, a última vez que falamos foi
ali por 2018 ou 19, por telefone, uma alegria imensa, me chamava de louco
(quando queria detinha o poder de uma ironia cortante, finíssima, aí que o bobo
aqui se irritava mais) por uma pequena decepção que lhe causei quando estava em
marcha a luta pela construção do PT no RS (eu recém tinha me filiado ao antigo
PCB lá em Niterói, RJ, não poderia me filiar para ajudar a atingir o número
mínimo exigido pela lei). Estou meio longe e ainda bem que não tem uísque aqui,
de outro modo teria brindado ao velho companheiro com uma garrafa inteira do
seu trago então predileto.
É
como me disse de lá da região das Missões outro seu grande amigo, o
ex-governador Olívio de Oliveira Dutra: “São os sogaços que a vida nos dá: a
morte - mesmo que previsível - de um amigo”.
Forte
abraço a todos os familiares e amigos do Rony, fica o seu exemplo de dedicação
e amor.
In memoriam vai um dos tangos que ele gostava (Marianito Mores - Enrique Santos Discépolo).






