sábado, 15 de mayo de 2021

A VIDA PAROU

 

BOM DIA, amizades. 14 de maio de 2021, nublado na Grande Porto Alegre. Que noite passei...

Os bichos maus que andam à espreita lá fora, o 17 e o 19, vão acabar me matando no cansaço. Meninos e meninas, para um índio rueiro, callejero como eu, o isolamento não é mole. Dá vontade de chorar só de pensar em quantas mulheres deixei de conhecer neste tempo de prisão. Se fosse só o 17, com cuidado para não pegar o seu amigão 19, até cabe uma punhalada na goela, de onde só sai lixo e maldade, mas o 19 não dá nem com metralhadora, o infeliz não mostra a cara dizendo bobagens como os outros. Ontem saí do sério: enchi a cara e desacatei o 17 e o 19 até cansar, fodam-se aqueles zumbis psicopatas, e ainda não terminei o serviço.

Hummm... tem gente de aniversário aqui no esconderijo, e a mil Km para qualquer lado não tem sequer uma floricultura, se não estivesse de ressaca iria a Porto Alegre comprar umas florzinhas no Mercado Público. Mais tarde vou tentar roubar uma rosa ou outra bonita em algum jardim das proximidades, azar, depois aviso o dono que roubei e dou-lhe uma garrafa de vinho como indenização, ué, não sou ladrão de centavo nem de bilhão como os bárbaros da Bozália, né, Guedes? Seu cagalhão boy de Chicago, tu é bom com "republicanos", comigo já tava morto, seu filho da puta. Ufa.

Conforto-me com recordações de um tempo recente, ainda sem o Golpe, embora este corresse sórdido na escuridão de feias madrugadas, urdido por olhos vermelhos de mentes maléficas. Antes a vida ainda era boa, média de erros e acertos.

Num dia como este em 2015 conheci pessoalmente (já trocávamos mensagens profissas) o célebre Nani, de quebra outros bambas como Cláudia Barcellos, Renato Aroeira e Tiago Recchia, também vejo as nobres e elevadas almas de altos estudos Marlene Robin, Síndia, Anita e Maria Landi, para citar alguns que aparecem numa das fotos naquele bar musical de Copacabana. Meu Deus, precisamos urgentemente nos livrar do 17 e do 19, pois a vida agora parece que parou.

Há de passar, afinal já é segunda-feira e... o que foi, Ju? Ah, é sexta-feira. Boa sexta a todos! Autorizo uma caipirinha como esta que acabo de ganhar da Ju, toda atenciosa pro meu lado, quer alguma coisa, no mínimo permissão para sair.

Abraços!


LUCHA GATICA!

 Cartórios abrem no sábado pela manhã? Acho que não, então irei segunda-feira ao Cartório de Nascimentos de Gatos ali na Rua da Paineira, vou de barco pelo Rio Guaíba, ali mais fácil do que ir de trem e subir até o outro cartório da Rua Andrade Neves. Para mudar o nome: não é Lucho Gatico, e sim Lucha Gatica.

Deu-se que com dois meses e picos de idade - a felina completará três meses em diecinueve de mayo, desde que nasció el diecinueve de febrero, ontem entrei na Clínica do Gataréu, para vacinas e tal, passava da hora, as religiosas foram atrás. Rindo falei pro sujeito: "Abre as perninhas dela e olhe, as religiosas insistem que é macho, bobinhas, conheço china pelo cheiro". Não deu outra, o cara olhou e disse para as freiras: "Ele tem razão, é gata". Eu, hein? As loucas são doidinhas por macho, não sei bem o que se passa. Para confortá-las falei: “A Luchita é bi como vocês”, aí ficaram bem felizes.
Em 20 minutos o elemento me tomou quase trezentos contos. Fincou-lhe injeção e comprimidos goela abaixo, a gatinha saiu mole de lá, bêbada no meu ombro. Na saída com ela mal se equilibrando não aguentei e disse calmo, amistoso, pro veterineco: se ela morrer pelas drogas que deste, tu morre também. Ele sorriu amarelo, mas avisei, ora, comigo ninguém morre sem aviso, basta prestar atenção na vida. Lembrei do Ôniquis, aquele mengele dos gatos do Menino Deus que me deve não uma pedra: um penhasco, por causa do finado e saudoso Gatolino -I. Isto mesmo, Gatolino menos um era o seu nome. Soube que agora o nazi está em Brasília, junto com o putão "médico" Osmar da Gaiola das Loucas, para ajudar a matar os chamados seres humanos da ralé que votou na Bozália. Tem volta, ao matarem a escumalha podem me levar junto, tenho ciência disso, sei olhar em torno, e podem levar a ti, amizade que lê estas mal-traçadas, não seja bobo, seja belo, rebele-se.
Deu tudo certo, enfim. Na fotinho há pouco ao voltarmos da rua - andamos bastante, tomei duas cervejas no Bar Gato Molhado, ela firme em cima de mim... Um frio lá fora... - a amada Lucha Gatica já querendo descer após o passeio, viu uma aranha se mexendo lá perto do Julinho jabuti.


viernes, 14 de mayo de 2021

QUANTOS MORTOS TEREMOS AO FINAL DESTE 13 DE MAIO?

Esses moleques não sabem subir para a área deles no escanteio. Não conhecem a antiga frase que diz que a melhor defesa é o ataque, para quem sabe a hora. Passou da hora um ano, pelo menos um ano de horas perdidas. Amorfos como o PT & Cia. quando o Golpe já vinha adiantado. E que ninguém ouse dizer que no Brasil não temos homens de fibra, né, Dilminha querida de cardeais? Temos muitos, né, Lulalelé de paloffis? Republicanos... os inimigos do povo em guerra aberta e os molóides fazendo reunião para marcar a data de outra reunião... Com a caneta à mão!

Claro que sempre é tempo, mas também agora é cinza.

Agora sequer os miaus, digamos, comuns, estão suportando o louco genocida que quer matar a todos, até aqui só quase meio milhão de pessoas mortas, uma tragédia inédita que sangra todas as almas do Brasil (computadores do Gabinete do òdio e poucos louquinhos fakes não contam), e na cabeça de todos aquele peso de "Amanhã poderá ser o meu corpo, ou de irmão ou filha, queimado longe, sozinho, sem choro num velório decente das crenças de cada um. sem direito dos familiares terem lágrimas de purgação". Se chegarmos ao ponto do horror total, que morram primeiro os bandidos do Legislativo, depois os do Judiciário, o Executivo é lixo vulgar, pode ficar por último, não valem nem uma punhalada.

Vide o caso do fazendeiro-médico Mandetta, que tinha e ia cumprir a missão de destruir o SUS para o Guedes roubar com planos de saúde - tentáculos dos bancos, o que mataria os pobres que não teriam como pagar. Foi quando viu a dimensão do abismo e saltou fora, com o imaginário: "Eu, hein, assim também não, genocídio não, tenho família, amizades, talvez alguns cobiçativos e miaus mas sem eles não vivo, não quero ficar sozinho no mundo." Aliás, acho que ainda não caiu bem a ficha para esse Punhetto, se tivesse caído abriria um bocão incisivo, dizendo na cara, sem eufemismos nem enrolação.

Militares: já para o quartel! Os que vieram das catacumbas da ditadura, pijama em tiras sujas, já de volta para de onde nunca deveriam ter saído.

(Ilustração do Carlos Latuff)




domingo, 18 de abril de 2021

SILÊNCIO OBSEQUOSO

Tenho mantido silêncio obsequioso em relação a muitos, em consonância com os nossos dirigentes "republicanos". A expressão é conhecida. Silêncio todos sabem o que é, exceto os pervertidos e loucos da Bozália que dizem besteiras diariamente. Já o obsequioso não é tão simples para alguns que se diziam meus camaradas. Vejamos.

Obséquio pelos dicionários quer dizer favor, serviço, fineza, benefício. Os franceses dizem codecu, présent, service. Os ingleses algo como courtesy, present. Os alemães geselligkeit, geschenk. E por aí se vai mundo afora, em todas as línguas dá para compreender o que se diz em português. O obsequioso, naturalmente, é algo como afável, amável, benévolo. um favor. Obséquieux, kind, polite.
A gente faz silêncio obsequioso de dó dos infelizes, por um lado. Por outro para não descer. Salvo se ameaçarem com dedos de arminha, porque aí a linguagem muda para a única que entendem.


lunes, 12 de abril de 2021

BOM DIA, amizades

Estou bem arrumado, meio-dia, ora se isto são horas de acordar, e já conversando fiado. Que tempos... Quando rapaz dizia-se que o sujeito tomou um balaço quando se embebedava. Pois é, ontem o sujeito que me olha no espelho tomou um senhor balaço. Na verdade acordei às 8h para tomar água. No caminho para a bica encontrei o gatinho.
- Bom dia, papai, já comi a droga de ração, depois tu me dá um pouco de fígado cru picadinho? - Disse-me o Lucho Gatico.
- Ué, que papai? Não sou gato.
- Tu mesmo diz que pai e mãe é quem cria.
Com esta ele acabou com o meu argumento. Foi quando me toquei que o gato falou comigo, em bom português! Pelo que tomei a água e achei melhor voltar a dormir.
Agora sim, bem dormido, desejo uma boa semana aos amigos e amigas, neste momento já morto de medo de ver as notícias dos insensatos que nos desgovernam. Antes disso vou dar um pouquinho de fígado para o meu nenê. Carpe diem. 


domingo, 11 de abril de 2021

CUIDADO COM O FELINO

 Acompanhado de Pablo López, Clóvis Baixo, Cesário Martinez, Pato Martins, Juanito Díaz Matabanquero, este de passagem para pegar umas caixas que me pediu para guardar aqui no Convento, e mais trinta amigos, fiz uma incursão no Parcão da Bozália no Moinhos de Vento. Quando voltamos, depois de entregar a mercadoria do Juanito, dar abraços de despedida nele e nos demais, tirei as roupas ensanguentadas e botei na máquina de lavar.

No primeiro giro da máquina ouvi um miau. Olhei para os lados, ninguém, as freiras andavam não sei onde. Outro miau e abri a máquina, quem vejo? Lucho Gatico, 50 dias de idade, metido como só, vai que tenham deixado a porta aberta.
Fiquem bem em casa, é sábado ainda, opa, já domingo. Se saírem, voltem ensanguentados e já pro banho, eles tem vírus 17. Ah, e antes de ligar a máquina de lavar vejam onde anda o gato.



SOCORRO EM RÉ MENOR

 O Lucho Gatico está de correria com as freiras lá na sala. Lembrei do Gatolino quando era novinho. Foi assim:


Socorro em ré menor

Resolvi testar os reflexos do Gatolino e o atirei aqui da sacada, sétimo andar. Caiu como bailarino, se agarrando no galho mais alto da arvore lá debaixo, ela se dobrou, envergou fundo, e voltou, ele junto. Cinco minutos pra se recuperar do susto e soltou um miau comprido. Como falo gatês, não perfeitamente, mas melhor do que falo esperanto, entendi, ele dizia: Agora tou por ti, desce pelo elevador e vem aqui me buscar, aí desço da árvore pro chão e tu me leva pra casa, não vou ficar aqui pendurado feito passarinho. Melhor não, teimei depois de dois copões de pinga mineira. Resolvi testar os meus reflexos, gritei tou indo aí meu neguinho e me atirei de lá de cima. Passei a mil por ele, quebrando tudo, me ferindo, mas os enroscos amorteceram a queda, não morri.

Quando vi tava no HPS, sem conseguir mover a cabeça. Soltei um miau engasgado, em gatês pedindo socorro pro Gatolino, e a enfermeira disse pro médico esse cara é louco. Lá de longe ouviu-se o Gatolino, todos ouviram, enfermeira, médico, o Pronto Socorro inteiro, com miau em ré-menor, som que entrou pela noite, dizendo já estou indo, Sala, aguente firme.

sábado, 10 de abril de 2021

O MENINO AOS 8 ANOS



O menino atracado num chocolate vem a ser o meu mais jovem priminho. Boniteza é mal de família, tirando eu. Gente fina o guri, como nosotros retribui amor e carinho em dobro, como devolve agravos em triplo. Os bárbaros da Bozália que se cuidem, por enquanto comigo e os 198 bugres que por amizade e gratidão me cuidam as costas, mas não tarda será com ele mesmo.

Ganha um doce quem chutar certo qual foi o primeiro presentinho que lhe dei logo que nasceu. Eu cheio de dedos, naquela de é só uma lembrancinha... vai que o seu papai fosse gremista.

jueves, 8 de abril de 2021

Aos mestres, com carinho

Do primário só lembro das brigas no pátio, não de todas as escaramuças, sim das graves que resultaram em ferimentos; alguns filhinhos de papai e outros brutamontes eram maus e eu bobinho tomava as dores dos mais fracos, mas era intolerável mesmo, para quem vinha de mãe boa. Do ginasial quase nada, salvo que eu era apaixonado por uma professora alemoa gostosinha de 18 anos, ela que era ou virou fascista; ah, e pela morena profa de música, gentil, amada. O seu marido também um gentleman. Tinha um advogado professor de português que não sabia o que ia fazer lá, de repente em péssimo momento na vida, o doutor; não me prejudicou, nunca estudei português de orações assindéticas e outras normas dos palhaços da ABL, se me expresso mais ou menos é por instinto, los libros viejos, noções de latim.

Depois tive uns três ou quatro professores que me ajudaram a abrir a cuca, doendo. Um numa pós em matemática, matéria elevada de rachar a compreensão do perdido na vida. Outro na Filosofia, lógica e outros bichos, começando lá por baixo, que duas asserções negativas nunca resultam em conclusão positiva e tal. Outro no Direito, circunspecto, rigoroso ao falar, se expunha, não tinha travas na língua do seu pensamento, este profe faleceu do coração nas sociais do Grêmio durante um jogo, lamentei muito, muito.

Em qualquer circunstância, TODOS, mesmo os que não gostei, valiam mil vezes mais que esses filhos da puta que o povo da Globo elege.

(O quadrinho peguei no Facebook, postagem dos “Professores Sonhadores” de 20 de março de 2019.)


lunes, 5 de abril de 2021

 A FILA ANDA

(...)

Momentos tensos, fumamos e tomamos um café num bar da Rua da Praia. Logo um tanto constrangida ela se foi. Mentiu-me problemas familiares, no outro dia viajaria para tentar a felicidade em Paris. Não me levantei, desejei-lhe boa sorte com um gesto.

Minutos depois arrasado andei, desci a Av. Borges de Medeiros e entrei no Chalé da Praça XV, precisava beber algo mais forte e pensar no que fazer da vida.

Sozinho numa mesa lá fora vi quanto entrou uma morena muito linda vinda do Mercado Público, uma pessoa comum como eu, aos meus olhos uma deusa, e ela me olhou com franca simpatia, sorrindo e com ares de quem sabe que de perto ninguém é normal.

(...)

El último café (Héctor Stamponi - Cátulo Castillo)