martes, 25 de diciembre de 2018

CHUVAS DE VERÃO


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No Covil II eu morava sozinho, ainda que o apartamento estivesse sempre cheio de mulheres, iam para lá de ninhada, andavam em trajes menores ou nuas pelo ambiente, aquilo eu gostava de ver, não tem nada melhor que ver mulheres despreocupadas, sentindo-se bem, falando em escolher música, fofocando as novidades entre elas, vez em quando de frescuras ou contando histórias picantes. Um dia uma delas, remexendo nos meus discos, botou o Caetano. Eu estava na cozinha abrindo uma cerveja quando a voz dele inundou a moradia:

Podemos ser amigos simplesmente / Coisas do amor nunca mais / Amores do passado, no presente / Repetem velhos temas tão banais / Ressentimentos passam com o vento / São coisas de momento / São chuvas de verão...

Conhecia a letra de cor, assoviava a canção andando pelas ruas nas noites de Porto Alegre, mas só nesse dia descobri, dei-me conta, de que eu era vingativo, pois discordei do autor, o seu Fernando Lobo, pai do Edu Lobo, quando disse que ressentimentos passam com o vento, quis dizer o tempo, em mim não passava. Jamais passaria. Ninguém me faz aquilo e sai impune.

Jurei matar aquela mulher, sabendo que não o faria. Nunca me convidou para ir na sua casa. Talvez por pressão da sua mãe, que queria um bom partido para a filhinha, não um pobre coitado que tinha morado na rua e em cabaré, mas acho que não era a mãe, era ela a leviana, ela que queria aqueles bobalhões brutos e mimados que mal conheciam mulher. Caetano prosseguiu:

Trazer uma aflição dentro do peito / É dar vida a um defeito / Que se extingue com a razão / Estranha no meu peito / Estranha na minha alma ; Agora eu tenho calma / Não te desejo mais...

Mentira, eu a desejava ainda, por amor e de teimoso. Vingativo e teimoso. Queria que morresse e ao mesmo tempo que me amasse.

Podemos ser amigos simplesmente / Amigos, simplesmente / E nada mais.

Jamais seríamos amigos apenas, eu queria tudo dela, a vida dela. A moça não sabia o perigo que corria, lá bem feliz dando para os outros. 

Coloquei de volta a tampinha na cerveja, guardei na geladeira e me servi de um copão de uísque, fui pra sala e disse para as mulheres: quem ainda está de roupa, tire, vamos recomeçar a festa.

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lunes, 24 de diciembre de 2018

Feliz Natal com as mulheres


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Imagem relacionada- Me dá a chave do carro aqui, Helena de Santiago. - Sempre digo o nome e a cidade de onde elas vieram, para não esquecerem onde se deram mal, foram abusadas por riquinhos, e eu as salvei, acolhi com amor, hoje tem casa pra morar e dinheiro no banco.

- Está aqui, é tua, vai sair, Bruno?

- Não, a chave é para comer, o que tu acha?

- Peraí, Bruno, tu está desde manhã rançando com todo mundo, quase jogou a Aline de Ibirité pela sacada, o que está havendo, tu precisa contar pra gente, somos tuas mulheres. - Disse Mariana de Rosário do Sul, minha índia da Serra do Caverá, que amo de amor.

- Eu não tenho que contar nada pra vocês, não devo satisfação pra ninguém, vocês são putas e eu que mando aqui, está pensando o quê, Caverenta?

- Pelo amor de Deus, não brigue, a gente só está preocupada contigo. - Disse Luciana de Viamão caindo de joelhos.

- Tá bom, desculpe, Mariana de Rosário, todas me desculpem, só me irritei com uns troços que não é da conta de vocês, está tudo bem.

A Mariana de Rosário é incorrigível, me faz de gato e sapato, voltou à carga:

- Mas onde tu vai, e pra que sair armado?

- Sempre saio armado, esqueceu, querida? Quando foi para livrar a tua cara tu achou bom. Só vou ali levar uns caras e já volto, não demoro.

E saí, na escada já pisando feito gato...

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Demorei cinco horas, mas levei os quatro para o inferno, dois tiros em cada um, para pegar o último tive que recarregar. Esses fascistas não incomodam mais. Cheguei em casa sorridente, elas respiraram aliviadas. Sem saber elas perderam três clientes violentos que as ameaçaram, machucaram, no cabaré onde trabalham.

- Vão tirando os trapos, mulheres, abram cervejas, vamos comemorar, correu tudo bem, amo vocês, queridas, teremos um Natal Feliz!

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domingo, 23 de diciembre de 2018

COLEGAS SE ENTENDEM

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- Alô, quero falar com o dono.
- Não é possível agora, senhor.
- Como não é possível? Ele morreu?
- Não, é que nesta madrugada a nossa empresa foi assaltada e tá uma confusão.
- Nossa empresa? Tu também é dona?
- Não, sou telefonista, só trabalho aqui.
- Entendi, escrava. Aqui é o chefe dos assaltantes, me passe a porra do dono.
- Sim senhor.
- Alô, é o dono dessa fábrica de merda? Aqui é o Castilhos, chefe dos caras que te assaltaram o cofre.
- Pois não, seu Castilhos...
- Seguinte, malandro: peguei trezentos mil reais gelol, mais uns cinquenta mil dólares, mas vieram umas coisinhas do cofre que não me interessam.
- Sim, notei a falta...
- Te devolvo os documas e gravações se tu tirar os ratos da minha cola, ou tu vai pra cadeia, li tudo aquilo, ouvi, assisti... Eu pego cinco anos, tu trinta. E em dois dias tu morre na penitenciária, sabe como é, os caras lá são meus.
- Concordo com o senhor, Sr. Castilhos, um gesto muito elegante de sua parte me telefonar.
- Feito, vou fazer cópia de tudo e te devolvo os originais, em troca de uma modesta quantia mensal, não demora outro cara vai fazer contato.
- Muito obrigado, Sr. Castilhos.
- Para de me chamar de senhor, bundão. Ah, tem outra coisa, gostei de um fogão industrial aí na tua fábrica, mas não tinha como roubar, muito grande, pesado, só fui pegar o cofre, tu me entende, né?
- Claro que compreendo.
- Tu me dá um de presente?
- Com muito prazer lhe darei, Sr., ahn, amigo Castilhos.
- Tá, alguém vai passar aí pegar na semana que vem, deixe pronto, ou mando dizer o local de entrega, tu manda entregar. Ah, e diga aos ratos que o assalto foi coisa do mbl. Abraço.
- Abração.
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miércoles, 5 de diciembre de 2018

ABOLERADO NO INPS DE KOYZOS

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Tenho 66 anos. Há um ano poderia ter requerido aposentadoria por idade, mas, como sempre odiei o sistema estatal, passei em concursos e não assumi, só fiz pra testar, montes de ladrões e covardes nas situações que vi, essa raça conheço dos puteiros, não fui pedir.

Aí fiquei duro, vivendo, comprando cigarro e comendo pelo desprendimento de duas almas boas que me emprestaram algum, homem não seria, esses amigos cagados, deixa pra lá. Eu precisava de tempo, ainda preciso, para terminar alguns livros.

As mulheres, queridas e mais práticas do que eu, me encheram a cabeça: vai lá e peça a maldita aposentadoria por idade. Por idade porque trabalhei muito tempo sem carteira assinada, tenho só uns 25 anos de contribuições. Disseram que eles levam em conta o quanto o cara ganhava, e no meu último emprego por dentro era mais de 50 mil por mês. A Dora ganhava uns 80 no Estadão, mas tinha que apanhar do ministro, porrada e mijo na cara; eu, não, negos, comigo eles saiam num cortado para não morrerem, filhos da puta. 

Esta mania de ir mudando de assunto ainda vai dar morte. Continuando: de repente vão te pagar mais do que um salário mínimo, disseram elas.

Hoje obedeci as mulheres, elas diziam que eu iria buscar o meu, não é favor nenhum, vai lá. Fui no INPS, sei que aquela merda é INSS mas gosto de dizer INPS devido a letra de um bolero do poeta Aldir Blanc.

Avenida Bento Gonçalves, 867.  O expediente é só até às 13 horas. Na portaria dois guardas, A porta central fechada. Uma volta imensa com subida para entrar por trás, para mim fácil, para os aleijados uma penúria. Fui lá. Tirar a chave do bolso para passar na porta eletrônica, cinco guardas espalhados por ali.

Perguntei ao guarda da entrada onde é o setor de Informações. Ele indicou com o nariz  aquela imensa fila, que ia daqui até o Japão. Insisti, só o de Informações. Tudo é ali, ele respondeu de má vontade, como se me fizesse um favor.

Andei, andei, e entrei no fim da fila. Fiquei meia hora na fila, que não andava, e emputeci pelo que vi, estarrecido custei a crer. Gritei: Está faltando homem nesta merda aqui! Essa senhora ali requer atendimento especial, não numa fila fodida como esta. Muitas vozes se elevaram em apoio. Palavrões e palavrões, uma nega que se disse avó disse cada um... filhos da puta era elogio.

Eu estava vendo: velhas, velhos, amparados em muletas, umas de pau mesmo, outras dessas modernas, metálicas de encaixar nos braços. Mal se equilibrando uma senhora gritou: estou aqui há uma hora e meia, moço! Para me chamar de moço imaginem a idade dela. Outros saltaram: eu vim buscar o resultado da perícia, outra dizendo que desde março não liberam a sua aposentaria. O cara da minha frente mostrou os braços, roxos por dentro, derrame de veias horrível, também indo perguntar sobre a perícia, este me contou, e a todos, umas coisinhas sobre a Polícia Federal, a ala podre, o velho DOPS, se o coitado reclama, eles chamam os torturadores.

Oito guardas fardados, e somente dois funcionários para atender todo mundo. Falta diretor naquele cabaré, falta homem, falta-lhes vergonha na cara. Pensei nas malas do Geddel, do Aécio, enquanto covardes, levianos, falam mal do Lula, preso político.

Qualquer moleque sem estudo saberia que tem que botar um funcionário humilde, vai ganhar pouco, numa mesinha para Informações. Outro no setor de Perícias, outro no setor de Acompanhamento de velhuras, outros no de buceta, outros na puta que os pariu, mas aquilo que estão fazendo com todos, inclusive e principalmente com pessoas com deficiência, não parece apenas incompetência: parece maldade.

Dei um discurso para eles e caí fora. Os dois pobres funcionários, eu vi que faziam o que podiam, devem chegar em casa aos pedaços ao final do expediente. Eu perguntei quem era o diretor do cabaré. O guarda me olhou feio, devolvi um olhar mais feio ainda, o otário que tente pra ver o futuro de sete palmos.

Amanhã voltarei lá, armado e com vinte negos me cuidando as costas. Filhos da puta. O ministro dessa nojeira mal administrada tem nome, mora onde, é de que partido? Logo saberei.

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lunes, 19 de noviembre de 2018

LULA VAI SAIR NUM CAIXÃO

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Há inimigos, eles nos tiram para inimigos, uns cães raivosos cegos pela lavagem cerebral dos palacetes, como os partidários do monstrengo Bolsonaro, pobres homens manipulados em seus defeitos, há feras perigosas como congressistas, e há adversários políticos de bom convívio, tanto em nossas vidas como no parlamento, como deve ser. 

Política, ex-Maquiavel, é a arte ou ciência do progresso pelo confronto de ideias, os contendores melhoram uns aos outros e à sociedade nesse confronto. A oposição fiscaliza a situação, etc. Lula é o maior exemplo: político por excelência, emérito negociador, jamais incentivou a violência, ao contrário, desgostou a muitos dos seus companheiros por, sem deixar de ser firme, ser o Lulinha Paz e Amor antes e depois de chegar ao poder, em momentos em que eu mesmo achei que deveria engrossar um pouco. Lula ganhou o respeito e a admiração de toda a Terra.

Marcelo Reis Garcia, assessor do DEM e do PSDB, é meu adversário político e tem o meu respeito, quem sabe até poderíamos ser amigos. Assistente social e especialista em políticas sociais, prestou serviços em gestões de Antônio Anastasia (PSDB) e César Maia (DEM), é Conselheiro de Rodrigo Maia na Câmara. 

Marcelo vem de se somar aos que, sem nuvem de ódio lhe atrapalhando a visão - é um homem culto, ao seu modo humanista como se verá mais adiante -, abstraídas ideologias, enxergam que a prisão do ex-presidente é injusta e resultado de um julgamento sem provas. Manifestou-se em sua página no Facebook depois do interrogatório a que o ex-presidente foi submetido pela juíza substituta e amiga de Sérgio Moro, sim, é preciso que se diga, amiga e seguidora do inquisidor Sérgio Moro, futuro ministro do cachorro louco fascista, a Sra. Gabriela Hardt.

Acompanhem o texto:

O ex-presidente está preso há 7 meses. Preso sem provas concretas. Os delatores estão soltos e morando em suas mansões. Só votei em Lula uma única vez na vida (segundo turno de 1989). Mas separei quase 3 horas do meu dia e assisti ao depoimento de Lula para a nova Juíza do caso Lava Jato.

Em nenhum momento foi apresentada uma única prova de que o sítio de Atibaia era dele. Muito ao contrário, as provas mostravam que não era dele.

Eu repito: Assisti atentamente.

Não foi apresentada uma única prova. Nenhuma prova de que o sítio fosse dele. Ele frequentava o Sítio como eu já frequentei a casa de vários amigos. Ontem (quinta-feira) tive muito respeito por Lula: Ex-presidente da República que deixou o governo com 90% de aprovação, que teve um câncer 1 ano depois, 73 anos, viúvo há quase dois, preso há 7 meses sem uma única prova concreta do triplex do Guarujá e ele buscando por vida e justiça.

Poderia ter saído do país e estar exilado, mas foi se entregar na Polícia Federal do Paraná e cumpre uma pena de 10 anos sem que uma única prova seja real. Enquanto isso Temer é Presidente da República e Padilha e Moreira são ministros.

Podem me vaiar, bloquear ou me expor ao inferno, mas Lula é sim um Preso Político. O PT cometeu erros enormes, mas os demais partidos também, mas o troféu que queriam era Lula. Fiquei triste em ver o que a Justiça pode fazer com um brasileiro.

A Justiça pode matar, prender e calar uma voz.

Lula está preso e em silêncio. Está velho e frágil, mas manteve em todo depoimento argumentos sólidos sobre sua situação e sabe que o tempo será cruel com ele. Ontem, no final do depoimento, chorei pelo Brasil e vi que, quando a classe média e a elite minoritária desse país se sentem ameaçadas, elas usam da legalidade para reverter o jogo e voltar ao poder.

Tenho 49 anos e ontem tive a sensação de que veremos Lula sair no caixão da prisão e aí a história será de fato contada e compreendida. Aí virão monumentos, homenagens e tudo mais.

Lula quer a Vida dele de volta. Lula não quer ser um herói morto. Quer ser um Político vivo e com voz. Tenho quase certeza de que não vai conseguir. A Justiça ontem mostrou pra mim que esse país mata com a lei na mão e que a lei é uma interpretação.

No caso de Lula, uma interpretação de pena de morte.

Lula vai morrer na cadeia.

E o que mais me assusta é que é justamente isso que a minoria que comanda a desigualdade no Brasil quer.
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miércoles, 14 de noviembre de 2018

JAMAIS OS PERDOAREI

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CANALHAS os meus ex-amigos e todos os das minhas relações que de sã consciência, não o povinho simples arrastado pelas globos da vida, essa imprensa suja, podre, desde sempre golpista a serviço da meia dúzia de pessoas que são donas do Brasil, os de sã consciência mesmo, visto que supostamente instruídos, se dizem instruídos, que por ódio de classe, por um probleminha pessoal com algum vereadorzinho do interior, por algum minúsculo interesse ferido, para puxar o saco do patrão, por qualquer futilidade, ajudaram a construir essa descomunal farsa da prisão do Lula.

E festejaram entre si com perversa alegria, esbravejaram contra o leal oponente cuspindo um rancor imotivado. Se não for por alguma das medíocres razões que arrolei acima, então por quê? Lula tentou melhorar a vida de todos os brasileiros. Em governos sempre há erros, vivo dizendo, poucos criticaram tanto os governos Lula como eu, mas as diretrizes do governo, atos de governo, até pessoas que a meu ver não deveriam estar lá, jamais quis matar alguém, nem Collor, nem FHC e muito menos o Lula, pelo amor de Deus, durei um ano filiado, há vinte anos, e quando me desgostei muito pedi desfiliação e fui para casa. Os celerados são muitos dos bolsonaristas, zumbis que a globo despertou para derrubar a Dilma e depois não soube ou não quis enterrar novamente. Ora, numa prefeitura de cidade pequena de repente aparece um ladrão, imagine governar o país inteiro, continental como o nosso. Se sonhassem o quanto foi roubado na ditadura, no governo Collor, no FHC, teriam um ataque. Só no caso Banestado foram alguns bilhões no governo FHC, o Moro sabe, esteve nesse bolo, ele também deve saber a razão por que os grandes criminosos saíram de lombo liso. Então não se trata de corrupção, uma bobagem, a sociedade tem que melhorar, se organizar, pois não se acaba com a secular roubalheira de um dia para o outro, isso é conversa para derrubar governo, sempre foi assim, aqui e lá fora, técnica antiga demais.

Vocês ajudaram no crime para tirar o Lula das eleições que ganharia com um pé nas costas. Foram contra as gritantes evidências de um processo cheio de máculas, ora merreca por convicção, "não tenho prova mas vai preso igual"? E bota não ter prova nisso, Um escândalo. Foram contra a opinião de grandes brasileiros, contra Celso Amorim, contra o Frei Betto, contra a opinião dos maiores juristas do mundo, contra o presidente francês François Hollande, contra o presidente espanhol José Luiz Rodríguez Zapatero, contra o equatoriano Rafael Correa, contra o belga Elio Di Rupo, contra o italiano Romano Prodi, contra a chilena Michelle Bachelet, contra a Cristina Kirchner, contra Roberto Gualtieri do Parlamento Europeu, contra Bernie Sanders, contra os maiores humanistas do mundo, contra o Michael Moore, contra Eduardo Suplicy, contra a monja budista Coen Rōshi, contra o frei Sérgio Gorgen, contra Sharan Burrow, contra os grandes ativistas pela justiça no mundo, contra o monge Ademar Kyotoshi Sato, contra o Danny Glover, contra o bispo Naudal Alves Gomes, contra os nossos grandes artistas, contra Chico Buarque, contra Martinho da Vila, contra Lucélia Santos, contra Herson Capri, contra Chico César, contra as maiores personalidades do mundo, contra Pepe Mujica, contra o esloveno Slavoj Žižek, contra Massimo D’Alema, contra Cuauhtémoc Cárdenas, contra Adolfo Pérez Esquivel Nobel da Paz, contra o Papa, contra Deus seriam se Deus se metesse nas loucuras humanas.

Milhares se levantaram contra a injustiça, políticos, filósofos, pensadores e artistas de toda a Terra, se for citar todos os grandes advogados do Brasil e do mundo a lista vai daqui até a Lua. A maioria dos citados esteve em Curitiba, alguns conseguiram entrar no cárcere e falar com Lula, outros a juíza carcereira não permitiu, era “mordomia”, talvez equivalente ao auxílio-moradia do inventor de sentenças.

Voltaram-se contra mim, humilde amigo mas auditor de ponta no País, que sabe mais que muito palhaço que faz afirmações em jornais, cem mil vezes mais que esse ladrão Guedes do Bolsonaro, eu que na minha simplicidade nunca, jamais, lhes menti ou faltei com a palavra, nem com vocês nem com ninguém, eu que lhes garanti que era injustiça, eu que como tantos depois conheci o processo, o mesmo processo que o golpista TRF4 ainda não conhecia quando elaborou a sentença condenatória. Duvidaram da minha honestidade, da minha palavra.

E vocês? Ficam com aquele ser pequeno juiz sem provas, vulgar, arrogante de toguinha que serviu ao Golpe, tá bom. Mais quem, o Lobão, o Frota e a Janaína? Todos os grandes homens e mulheres do Brasil e do mundo estão errados e vocês estão certos?

Um homem como o Lula, referência em todo o planeta, se num pesadelo impossível tivesse que roubar, iria roubar uma reforminha, seus infelizes, acreditaram nisso? O condenaram sem provas por uma merreca, foi um gigantesco insulto, Moro condenou premeditadamente, e criminosos vazamentos, por essa reforminha em apartamento alheio, reforma que nem houve, depois de revirarem o mundo inteiro procurando alguma coisa, qualquer coisa, e não acharam nada, acharam quem não queriam achar. 

Tentaram pegá-lo até por um pedalinho de criança, fuxicaram no lixo da sua casa atrás de notas fiscais da mercearia onde comprava bóia. Moro foi sim, cobra mandada, até as pedras enxergam. E vocês felizes, contentes em ver o Lula ser arrancado de casa, um dos grandes homens do mundo sendo humilhado, a TV a postos, avisada antes por algum infame lá do tribunal  Por que essa raiva sem razão? A do Moro acho que sei, é gelada, prometeu e tinha que entregar a qualquer preço, mas e a de vocês? Está lá em cima a resposta, não é?

Vocês foram Collor, foram Aécio, foram todos os ladrões, sem dar um pio de arrependimento depois diante de roubalheira de bilhões, escancarando, esfregando na cara como foram errados, nunca reclamei, pensava estar numa democracia, tentando afirmá-la, aos poucos iríamos fortalecê-la. E tudo ia indo muito bem, a esquerda perdeu eleições, respeitou, uma a Globo roubou. Quando FHC perdeu para o Lula foi correto, foi lá e passou a faixa alegremente. Ia bem a coisa. 

Deu-se então que a Dilma empacou, descobriu que havia desvios numa estatal, há décadas, mais de cinco décadas, iria acabar com aquilo. Pronto, começou o filme de terror. Vocês ajudaram os bandidos a seguir roubando e escaparem da cadeia. Os donos de tudo fincaram uns patos amarelos no rabo de vocês, a globo martelou diariamente em lavagem cerebral e lá estavam, batendo panelinha sem saber por que, ainda não sabem que diabo era aquilo, que logo se viu armação, a presidente não era culpada de nada, foi absolvida de tudo, mas em Golpe com Supremo, com tudo, eles devolvem a cadeira? 

Derrubaram a presidente com propina aos congressistas e em seguida começou a entrega das riquezas, lá se foi o pré-sal, que o governo Dilma tinha destinado 75% dos royalties para educação e 25% para saúde, nos dez anos seguintes US$ 112 bilhões, isto é, 11,2 bilhões de dólares POR ANO para a educação e a saúde, estaríamos entrando no primeiro mundo, povo escolado, com saúde boa. Depois a ver, mas só o campo de Libra seguraria os 11 bilhões de dólares por ano durante 35 anos. Vocês vendo quietinhos os golpistas torrarem o nosso futuro, nem um pio. Quanto pensam que eles levarão ou já levaram “por fora”?

Não contentes, meus ex-amigos, vocês fizeram algo ainda pior. Agora, por ação ou omissão, foram pelo mais repulsivo fascismo, ao ponto de indignar a Alemanha e outros países que foram destruídos por essa semente do mal. Chocaram o ovo da serpente. Não por desconhecimento, todo mundo viu as ideias do Bolsonaro, tudo gravado, repelentes por qualquer ângulo que se olhe. Só por idolatrar o maior torturador da ditadura, dizer que é a favor da tortura, não precisava falar mais nada, vocês deveriam sentir náuseas. Se esse psicopata, que quer entregar para os EUA a maior riqueza da Terra, a nossa Amazônia, se ele faltar, teremos um maluco da velha ditadura assassina.

Alguns de vocês até recentemente estavam repassando nojeiras fakes de Kit-gay, mamadeira-pênis e outras monstruosidades flagrantemente inverídicas, sem checar, não precisavam checar, sabiam da falsidade do Goebbels atualizado, e gozando a desgraça alheia, pensando ser a desgraça de algumas pessoas enquanto era a desgraça do País, esquecendo que a desgraça não escolhe porta para bater. Os vândalos com suásticas tatuadas que estiveram a serviço do Bolsonaro na campanha não se preocupam com nada, mas nós nos preocupamos, não são eles as “pessoas de bem”. Os piores fakes foram disparados dos EUA, imaginem a conexão.

Que Deus os perdoe, eu jamais os perdoarei, era o Brasll que estava em jogo, vocês saíram pelo lado dos banqueiros e dessa elite sanguessuga, ladra, apátrida, essa "classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa, que não deixa o país ir pra frente!" como disse Darcy Ribeiro. Saíram pela tortura, pelo tacão, pela escravidão, pelo ódio às minorias. Em jogo estava a derrocada ou não do Brasil, das riquezas do Brasil, do povo do Brasil, dos trabalhadores do Brasil, algo muito além, infinitamente superior, do que os seus mesquinhos sentimentos. 
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martes, 13 de noviembre de 2018

BAILE NO ELITE

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(Fragmento)


Sexta-feira à noite vi pela janela do décimo andar duas mulheres, gostosas pacas, percebi apesar da distância, dançando seminuas num apartamento, também décimo andar, no outro lado da rua enviesada. Noite fresca, linda, e as beldades sozinhas dançando num apê que parecia minúsculo. 

Eu com algum no bolso, não muito mas dava para três pessoas passar uma noite sem perigo. Mesmo sem conhecer as ruas de Copacabana, só algumas, refleti: não era na Paula Freitas, mais certo a Barata Ribeiro. Fiquei alucinado, não ia sair sozinho pela noite, procurando sarna.

Depois de muitos acenos pela janela - eu dava pulos agitando os dois braços - elas me viram. Com gestos emocionados, pelo menos os meus, combinamos de sair, tomar um chope, conversar um pouco, encontro marcado na portaria do prédio onde elas estavam, dez da noite. Tomei banho, me perfumei, a melhor roupa esporte, chapéu de malandro que tinha comprado dos ambulantes da orla, e desci. No caminho tomei dois martelinhos, pinga forte, no cearense da esquina, para firmar a mão.

Uns chopes na Atlântica, soube que elas estavam num apartamento de aluguel, mineiras, ficariam uma semana, não conheciam nada. Confiança estabelecida, virei cicerone, guia de turismo. Decidimos encarar o famoso baile, eu a fim das duas, ui. Lá fomos nós.

Voltei para onde estava hospedado às onze da noite de domingo, precisava trabalhar no dia seguinte. Florete de trago e achando tudo engraçado, feliz da vida. Havia me instalado no apê das belas, era mesmo minúsculo, e no tempo em que lá fiquei tínhamos nos enfiado por toda Copa, comprei calção e tomamos banho de mar, vimos show erótico, conhecemos lojas enrustidas, bailarinas, garçonetes, leões, sambistas, o mundo de verdade da Princesinha do Mar, não o da tevê.

O baile? Um dia conto. O samba do João Nogueira e Nei Lopes dá uma ideia, só que tive mais sorte. O melhor é que ficamos amigos do peito, os três certos de que nos veríamos de novo, pois no anoitecer de segunda-feira eu fecharia a conta no hotel.

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A LEI ROUANET E OS FAKES NEWS

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Aí está, num jornal conservador, golpista, uma apreciação bem razoável. Falar com fanáticos que opinam sobre o que não sabem é fogo, mas falei outro dia para uns bobalhões que acreditaram em fake news, este fake dizendo que os artistas eram contra o psicopata Koyzo porque levavam grana do PT - este é apenas um em centenas de fakes que bombardearam as redes sociais, grotescas calúnias de kit-gay, etc, até chupeta de pênis e outras monstruosidades que não resistiriam a um olhar, exame superficial, mas que acharam gente predisposta a crer pela lavagem cerebral que a Globo e outros promoveram com vistas ao Golpe que tirou a presidente eleita.

Não, os artistas, em sua esmagadora maioria, foram contra o desvairado porque são humanistas, não queriam enfrentamento, quiçá até sangue, de pobres contra pobres, perseguições a negros, índios, a entrega do Brasil, etc, enquanto os mandantes riem em palacetes. Quem inundou a rede de fake news? Dá para imaginar, não?

Expliquei que a Lei 8.313, de 23/12/1991 tem o objetivo de promover, estimular, as diversas manifestações culturais e artísticas, teatro, música, cinema, etc, e leva o epíteto Rouanet porque foi aprovada quando o Ministro da Cultura era o intelectual de esplêndida biografia Sérgio Paulo Rouanet, então não é "culpa do PT", foi aprovada no governo Collor, em 1991.

E nem o Collor, o Itamar e o FHC tem "culpa", é lei, ainda que proposta pelo Poder Executivo quem vota é o Congresso Nacional, menos ainda Collor teria motivos para vetá-la, à época foi um grande avanço para a cultura nacional, ainda é, o que pode necessitar são alguns ajustes, por eventuais falhas originais e para ser atualizada, tem 27 anos.

Falo de cadeira cativa, pois jamais levei um centavo, nunca apresentei projeto, por bobo talvez, poderia ter publicado mais livros.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/11/rouanet-sem-mitos.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR0zgXtuMBJoZrJdMqQmHcpuKjV8RI0_qnYwhXmHqV-30zIhnEomowaY2m0

sábado, 13 de octubre de 2018

Cemitério de armas

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(Ficciones - Fragmento)

A proposta consistia apenas em torturar e matar negros, índios e homossexuais. Era pouco, então Herr Koyzo, numa noite de primavera em que seus devaneios provocados pela psicopatia chegaram ao paroxismo, teve um sonho grandioso, um plano que ordenaria o mundo. Saltou da cama com as ceroulas verdes caindo, aos berros de "Sou um gênio". Puxou as ceroulas, tinha vergonha do pênis pequenino, chegou à sala e deu andamento às fantasias.

Não haveria mais escolas, um custo altíssimo que seria evitado, aquele dinheiro seria usado em armas. As crianças arianas seriam alfabetizadas via internet. Os professores brancos ainda não seriam completamente extintos, pois por algum tempo, até que os robôs os substituíssem, alguns poucos lecionariam pela rede mundial. Nada de livros, cadernos e contato pessoal, este muito perigoso pelo homossexualismo. No início a transmissão será pela TV, tem uma pronta, não, agora duas, mas depois seriam banidas, pensou.

Milhões de lares sem acesso à rede mundial era um problema a ver depois, caso restasse algum após a limpeza racial. Ah, a limpeza, teria que ser rápida. O que fazer com a carne e o sangue dos eliminados, adubo? Não, que nojo, contaminariam a terra e logo as plantas. O mar? Não, contaminariam as águas e os peixes que comemos. O que fazer? Já sei, enviarei para o cosmos numa grande nave espacial! Exultou com a própria sabedoria, esfregando as mãos e rindo desbragadamente.

Os professores excedentes com suspeita de mestiçagem seriam enviados para cultivar as lavouras envenenadas da nação, até que houvesse a completa robotização. O mesmo com os auxiliares de escolas, todo o complexo estruturado seria desmanchado. Sendo assim, as escolas e os professores não mais existiriam, todos desde a infância até a idade adulta estudariam e se tornariam doutores sem sair de casa. Casas? As casas seriam construídas pelos escravos d'além perímetro, que seriam mantidos enquanto necessários.

O pensamento foi evoluindo, como seriam os doutores, os tribunais virtuais, as execuções... Como se formariam os carrascos? Haveria curso pela internet. Artistas? Seriam descartados, todos uns pervertidos E os cientistas, como se formariam? O seu cérebro prosseguia veloz, alegremente descobrindo métodos, fórmulas, paradigmas.

(segue)
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viernes, 5 de octubre de 2018

Boca de urna na Cidade Baixa

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Por Carlinhos Adeva

Com o moral que andam os institutos de pesquisas, bem, andam não, o povo talvez antes não soubesse, mas o que se diz é nunca tiveram moral, os chefões, não os escravos, atualmente se inventarem de perguntar pro cara em quem votou vai receber um "No teu cu", ou em algo envolvendo a mãe do elemento, ou, pior ainda, de sacanagem o cidadão diz que votou em A enquanto na verdade foi em B. Bem, como ia dizendo, com o moral que não tem os tais institutos, a turma do bar resolveu fazer por conta própria a pesquisa de boca de urna na Cidade Baixa.

Não há risco de serem insultados ou de apanharem dos entrevistados, esse perigo quem corre são os de sempre, pois dirão pertencer ao Contradata, e são rostos conhecidos no bairro, quem não conhece os famosos boêmios, lendas vivas, os moradores lembrarão do rei Bruno Contralouco, ficarão contentes em ser convidados para aparecer no boteco, uma grande distinção: valeu, amigo, nos vemos lá mais tarde e tal. Com as mulheres quererão tirar selfie, pedir o número do telefone e nome no facebook, quem sabe à noite dar uma escrutinada prévia, quiçá até botar o voto na urna, deixa pra lá. Não haverá nenhum problema.

Os pesquisadores tomando mate, claro, sem erva na cuia e com caipirinha na térmica, ou uísque, qualquer trago, até cerveja cai bem se fizer um dia quente. Seis endereços para cobrir: um na Rua da Olaria, dois na República, um na Venâncio, um na João Alfredo e mais um na José Honorato, no total 46 salas e 16.784 eleitores. Com 18 boêmios e/ou boêmias, 3 por endereço, será mole, nenhuma seção ficará fora da pesquisa, cem por cento. 

Para assegurar um resultado também cem por cento fidedigno o pessoal bolou uma técnica infalível: vão pedir a colinha das pessoas à saída das salas de votações. Não precisa dar o nome nem nada, só a colinha. Quando a tarde estiver morrendo, no encerramento dos trabalhos, já com a térmica vazia e de posse dos sacos de colinha, os exaustos pesquisadores, meio altos do chão, irão se encontrar no bar.

A apuração do resultado será como antigamente faziam os bicheiros da Vila Isabel, lá no Rio: vão juntar as mesas do bar, despejar tudo em cima e conferir os papeizinhos na frente de todo mundo, até de polícia se entrar. Lá pelas dez da noite teremos o Presidente, pelo menos pelos votos do famoso bairro boêmio de Porto Alegre.

Imagina-se que a soma de Haddad e Ciro beirará cem por cento, mas o Boulos poderá surpreender. É necessário uma movimentação forte nos últimos dias, com esperança, alegria, para compensar os fascistas do Parcão, dizem os boêmios entendidos. Entendidos em pesquisas e campanhas, bem entendido, não como aqueles que só entendem de armário.
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