viernes, 23 de febrero de 2018

A ditadura do Facebook

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.Fui bloqueado sumariamente pelo Facebook, sem direito a defesa. Sem direito a defesa, insisto, sem sequer um e-mail ou telefone para que a pessoa possa ponderar algum equívoco da parte do aparelho tecnológico.

O serviço é grátis, por isso podem fazer e acontecer? Não mesmo, cobram bilhões em propaganda, e não ganhariam um centavo se não houvesse usuários na outra ponta.  Usuário não senhor: cliente, que paga por tabela, esta a questão que cedo ou tarde será levada aos tribunais, um tal de direito coletivo. Não ficou clara a acusação, mas suponho por uma foto que peguei no Google Imagens.

Aconteceu o seguinte: em 21 de fevereiro a musa Norma Benguell estaria completando 83 anos de idade, se viva fosse, faleceu em 2013. Junto ao carinho em breve comentário, lembrando da grande artista brasileira, postei esta foto, repito, do Google Imagens, que suponho do mesmo grupo empresarial do Facebook, Gmail e outras ramificações.


Na foto da década de 60 aparece o seu pequeno seio esquerdo. Se tivesse um confete em cima do mamilo não seria "pornografia" no entender dos funcionários do Facebook, uma máquina, possivelmente.

Bloquearam-me, enquanto pululam enormes tetas em fotos de carnaval, entre outras coisas. Certo dia vi até um animal pregando um gatinho vivo numa tábua, horror puro, entre coisas piores, repito.

Parece que a empresa se chama Facebook Online do Brasil Ltda., com sede no Itaim Bibi, em São Paulo. A pergunta é: qual é o órgão brasileiro que aprecia essa ditadura? A Justiça, o cara que mora nuns cafundós vai gastar com advogados enquanto está bloqueado? Não, não é isso que falo, pergunto é quem é que fiscaliza a tomada do nosso espaço virtual com tamanha brutalidade, como se os clientes fossem seus escravos?

Abri outra conta no Facebook, e mal tinha começado a recuperar nomes, convidar pessoas, postar saudações aos amigos que viram o convite, e fui novamente bloqueado, agora nem sonho a razão. 

Obviamente que se sabe, ou se imagina, os problemas para monitorar milhões de pessoas, até bandidos e qualquer um que queira participar da rede social, não deve ser nada fácil. O que parece inaceitável é não haver um canal de contato para reclamações.

E agora? Se não tenho telefone e o meio que uso para me comunicar com o mundo é o Facebook?
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jueves, 22 de febrero de 2018

GATO DE RUA PELA VIDA

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De tão puto da cara fiz coisas na vida das quais me arrependo. Arrependo-me de algumas, bem entendido, na maioria acertei na pinha. Desta não me arrependo, peguei leve.

Chutei a lata de moedas que o mendigo sentado na calçada ao lado da porta de entrada me estendeu. Puxei a aba do chapéu e subi as escadas. Entrei no cabaré disposto a matar as putiangas e quem mais se atravessasse, ora vão contrariar a puta que as pariu, comigo não.

Elas se chavearam lá dentro do quarto grande, mortas de medo. Os únicos seis clientes do puteiro saíram correndo espavoridos ao verem o 38 de bico para baixo. Não atirei neles, não era com eles que eu estava bravo.

Os dois leões de chácara se mijaram, eu disse corram pro banheiro seus vagabundos, e fiquem lá. Por pouco não queimei um que me olhou descontente de rabo de olho.

Os gatos, ao me verem entrar, esticaram os rabos para cima, ficaram feitos a querida planta Espada de São Jorge, o jeito dos queridos felinos de demonstrar alegria e apreço quando reconhecem um irmão que só lhes fez bem.

Desarmaram-me o espírito, alguém gosta de mim e festeja a minha chegada. Eu tinha resolvido castrar o canalha do veterinário que os castrou mal, bêbado no cabaré, deixando sequelas graves. Para ele ver como é bom. Olho por olho, dente por dente.

Castrar eu sei que é necessário, mas assim não, me aleijou os gatos, andam meio de lado, eu tinha recebido os exames da clínica de gatos onde os levei. O bandido não estava no bordel, teve sorte, sorte que não duraria para sempre. O infeliz errou de homem, não perguntou quem era o dono e irmão dos gatos.

Voltei lá fora, me desculpei com o velho pedinte, por favor o senhor me perdoe, eu tava nervoso, não quis lhe desrespeitar, e lhe alcancei dez contos.

Fiquei sozinho no cabaré, luz negra, numa mesa do meio bebendo vinho e ouvindo uns discos do Nelson Gonçalves. Duas horas depois as mulheres timidamente começaram a sair do quarto grande. Fiz que não vi. Caíram de joelhos na pista de dança pedindo perdão, chorando lágrimas de crocodilo.

Demorei, fingindo que não as via nem ouvia, até Nelson terminar a canção, mas depois as desculpei por um gesto: guardei a arma. Vão lá no banheiro e digam pros leões de araque que os mandei ir embora.

Porém as marquei na paleta, barato não sairia. Vou repetir, putas: ninguém, nem hospital, corta familiar meu, não corta nem vocês, sem que eu esteja presente e autorize.

Levei dois anos procurando, ele tinha dado nome falso, mas era mesmo formado. Um dia achei o veterinário criminoso. Os meus bugres de Eldorado do Sul o trouxeram amarrado para o cabaré, eu queria que elas vissem.

O bandido não gostou nada de ser castrado com faca semi-cega, a mesma faca que ele havia usado com os meus parentes.

Quando ele sentiu o drama pediu aos berros pelo amor de Deus, eu estava bêbado. Eu também estou bêbado, respondi, enquanto me abaixava. Pensei em cortar-lhe a garganta, para amenizar o sofrimento, mas me controlei, morreu se esvaindo pelos testículos extirpados.

Mesmo eu cuidando das suas sete vidas meus gatos agora só tem quatro. Eu perdi cinco, tenho duas ainda, e vou vendê-las muito caro.

Cuidado comigo, governador dos puteiros, elas erraram, mas aconteceu em seus domínios.
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DE TERNO MARROM (1)

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Mandei o dono da fábrica de facas a puta que o pariu, peguei o saldo da rescisão de contrato e saí de Cachoeirinha num ônibus de linha. Naquele dia eu completava 22 anos.

Em menos de uma hora, a tarde morrendo, já estava em Porto Alegre. Fui na loja Huddersfield – Comércio de Tecidos da Rua da Praia e comprei alguns metros de alpaca marrom, saí com um saco na mão em direção a logo ali, na Rua Dr. Flores, onde o alfaiate Laudir tinha o seu negócio num sexto andar.

Seu Laudir, preciso que o senhor me faça um terno bacana, agora vai ou racha, vou arrumar um emprego melhor, se Deus quiser, um que também exija cuca em vez de só as mãos. Ele saiu medindo tudo, o pano que levei e eu, bem contente, perguntando como ia indo a minha vidinha e tal, sorrindo.

Não sei a razão mas o Laudir me queria bem, pra mim fazia camisas simples, de mangas curtas, no baratilho, quase de graça, ele sabia que eu era um menino duro de grana. Aliás, o Laudir era atencioso, generoso, com todo mundo.

Uma semana depois saí de lá o fino, o terno combinando com o chapéu bogart marrom, as mulheres adoraram. Ainda tinha dinheiro, pensei em comprar uma arma lá na Galeria do Rosário, mas o anjo de dentro disse agora não.
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sábado, 20 de enero de 2018

O IRRETOCÁVEL E A HISTÓRIA

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Disse o desembargador do TRF4, a respeito da sentença do perseguidor e inimigo declarado do Lula, inimizade gratuita, por razões que ele deve saber, ao que me consta o Lula nunca fez mal ao Sr. Moro, o mesmo que mandou um batalhão de policiais invadir a sua casa, tentar arrastá-lo à força para Curitiba, profanar o seu lar, e não acharam nada. Aliás, que eu saiba o Lula nunca fez mal a ninguém, não apenas a esse sujeito.
A Justiça, todos aprendemos desde cedo, não precisa ser doutor, aprende-se em casa, não se trata de esta gostar ou desgostar de alguém, embora desde tempos imemoriais, passando por Jesus, se preste a fatídicas injustiças, sempre subjacente o substrato material.
Bem, disse o desembargador amigo do Moro sobre a risível sentença:
- É tecnicamente irrepreensível, fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos e vai entrar para a história do Brasil.
Manifestou-se pela imprensa (vi no Estadão, jornal de extrema-direita), prejulgando algo que o seu tribunal teria que apreciar. Já aqui o cidadão juiz teria que perder a habilitação para o caso.
O chocante detalhe é que os autos do processo não haviam chegado ainda no TRF4, isto é, não tinha lido o processo, mais de cem mil páginas de estultices.
Se o seu amigo Moro lhe forneceu cópia no decorrer do processo, todas as regras de independência foram violadas. Só por isto ambos teriam que ser afastados imediatamente. Depois é o que se sabe, os senhores juízes leram numa velocidade que nem o Superman conseguiria.
Em qualquer país civilizado haveria a pronta intervenção do órgão corregedor, no Brasil parece que é, ou deveria ser, o Conselho Nacional de Justiça - CNJ, que até hoje mantém um cúmplice e sepulcral silêncio.
A ser confirmado, o desembargo entrará mesmo para a história do Brasil e do mundo, como um dos mais vergonhosos atos de arbítrio em tempos de suposta paz.
Bem, até aqui a minha visão dos fatos. Repito: fatos. Visão de um autodidata, ou leigo se preferirem, talvez mal informado. Peço aos amigos versados em juridiquês que me corrijam, se esqueci algo, se errei em algo neste breviário onde, deliberadamente, evitei a política, o móvel que subjaz, que num átimo farei a devida correção, o mea culpa.

miércoles, 18 de octubre de 2017

OS RECIBOS DE ALUGUEL

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Ao terminar o ciclo FHC estimava-se que os fascistas, essa "elite" ladra e criminosa que agora torna a vender o Brasil, tinha um trilhão de dólares roubados do povo em contas no exterior.

"Fascista" é modo de dizer, nem todos o são: são é assaltantes mesmo. Tornam-se parte da população fascista, manipulando mentes pela cadela Globo e outros meios, como modo de se perpetuarem na gatunagem.

Talvez um pouco mais de um trilhão, pelo medo do Lula nas eleições que viriam. Medo sem razão, viu-se depois.

Jamais vou entender para que roubar tanto, se nada levarão para o túmulo. Deve ser alguma compulsão para compensar alguma impotência, sexual talvez.

Eu vou ganhar R$ 937,00 por mês e seguirei me virando, felizmente tenho moradia quitada. Bem, tem os cobradores de problemas antigos, agiotas oficiais a juros assassinos, quando tive que segurar as pontas em problemas de saúde familiar dez anos atrás, mas esses pretendo matá-los. Esta mania de ir mudando de assunto ainda vai causar problemas aos inimigos, antes do tempo. Seguindo.

Agora, quando estão torrando tudo, mas tudo mesmo, Petrobrás, Eletrobrás, Correios, Casa da Moeda, BB, CEF, terras indígenas, instalações aeroportuárias, minerais, pré-sal... é longa a lista, mais fácil, ou mais difícil, citar alguma coisa que restará. Algo que os seus chefes do exterior não queiram... o povo pensante talvez.

Instituirão a pena de morte para calar as vozes dissonantes? Ou simplesmente assassinarão, como alguns vem fazendo vez que outra?

Bem, os recursos retirados do Brasil chegarão a quanto, pela entrega e pela propina? Cem trilhões? Quinhentos trilhões? Ou um número inacreditável? Quanto vale um continente como o Brasil?

Mas isso não importa muito. Eu gostaria mesmo de saber das altas autoridades investigativas e julgadoras se os recibinhos de aluguel do Lula estão em ordem.


Estão?

viernes, 22 de septiembre de 2017

ONDE ESTÃO OS BRASILEIROS?

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(Rascunhos - Reflexões da madrugada)

CADÊ OS PANELEIROS? CADÊ A CHAMADA SOCIEDADE CIVIL, CADÊ AS INSTITUIÇÕES?

Alguns desses ou dessas sabem qual foi o "crime" da presidente eleita, a legítima presidente? Sonham por que, as verdadeiras razões, ela foi afastada? 

Sabem quem pagou a conta do crime da deposição? A Globo martelando dia e noite, os ditos grandes jornais, que estão indo à falência. Além dos seus próprios nocivos interesses de elite retrógrada, quem pagou os patos amarelos gigantes, camisetas da seleção de segunda ou terceira categoria distribuídas graciosamente, sites, metrô liberado, PM a favor, o despertar dos nazifascistas, etc.?

Quem pagou? Quem agora se beneficia, enquanto o País afunda?

Muitos sabem, não os paneleiros, a estes "Perdoai-os, não sabem o que fazem", como disse o Outro lá com as suas palavras em aramaico.

Dos demais os que sabem foram cúmplices. Por ação ou omissão, mas igualmente cúmplices em crime de lesa-pátria. O pior dos crimes, até não muito tempo atrás com pena de morte, que persiste em alguns países.

Não entro no mérito de simpatias ou antipatias pela presidente Dilma, andei um tanto ressentido com ela e com o PT, isto é, com o governo, por alguns rumos tomados, até pelo pecado de alguma esperança pessoal, eu achava que poderia ajudar em Brasília, e nunca me telefonaram.

Bobagem minha, momento em que andava mal depois de ter-me queimado no mercado, as portas se fecharam, eu era "PT" na cabecinha dos inimigos da sigla, não queriam saber se profissionalmente nunca levei ninguém livre, um presidente da CRT me ameaçou até de morte, e levou o dele. Sobrevivi, a Dilma e o PT tinham pessoas mais preparadas, azar. De tão sortudo com a situação ganhei um câncer, familiares me salvaram, de letra.

Sobre a ameaça, às vezes consigo rir, embora na época tenha ficado muito preocupado. Devolvi a bola, nessas alturas já armado até os dentes. O cara ia saindo do prédio com seus aspones e seguranças, um morador de rua, esfarrapado, enfiou-se no meio deles, não representava perigo, e jogou um bilhete com letra e papel de presídio no peito do ameaçador presidente, me mandaram te entregar:

"Se uma filha minha se descuidar e atravessar a rua com o sinal fechado, for atropelada, erro dela, eu vou pensar que foi você. Morrem todos, tu e a tua família. Isso serve para outros afetos meus, a meu critério, seu canalha. S.".

Não deu nada. Dali alguns anos a Polícia Federal o prendeu por alguma coisa de negociatas. Deve estar solto, a Brasil Telecom era muito rica. Tomara que apareça por Porto Alegre. Sem acidentes.

A crítica quanto aos rumos é do jogo: nenhum governo acerta todas, muito menos agrada a todo mundo. Entretanto, mesmo "de mal" jamais deixei de reconhecer e propagar a inabalável honestidade da Dilma, sei porque convivi com ela em momentos cruciais onde a pessoa mostra a que veio. Vimos coisas de arrepiar, haja nervos e sobriedade para conduzir as coisas. Eles são maus.

Noites de trabalho, além dos dias, sempre com a distância devida entre um profissional contratado e uma Secretária de Estado (RS): "Secretária Dilma", "Dr. Fagundes".

Jamais contei a ela sobre ameaças que recebi. Cada um na sua, e eu sabia me virar, agora sei mais ainda, com esses dejetos humanos. Eles que se cuidem, saí da defesa e estou dentro da área deles, pronto a cabecear. Vamos ver quem vai para o cemitério antes, se bandido ou um sujeito como eu.

Não sei de onde ela tirou essa de doutor, se me recusei a fazer doutorado ao ver que na universidade lecionava um, um só, os outros tudo bem, alguns bons amigos, cara que não servia para carregar a minha pasta. Paciência limitada com gente fútil. No país dos diplomas nunca precisei mais do que um bacharelato em qualquer coisa para sobreviver.

Não somente honesta e corajosa - corajosa os torturadores, cruéis assassinos, da ditadura sabem há décadas: de aguda inteligência. E nenhuma paciência com ladrões, em geral gente muito fútil, como o covarde, espectro de homem, dos 51 milhões, o que se sabe até aqui, fora o resto em tantos anos, que desatou a chorar ao ir para a prisão pelo roubo que causou mortes de crianças, infortúnio de famílias paupérrimas. E como outros...

Em certas situações, com minha consciência, fiz o contrário do que desejavam certos órgãos do governo. De antemão ou no andamento nunca me perguntou nada, nunca disse nada, jamais tentou interferir, o que seria uma grande bobagem que nos tornaria inimigos: apenas recebeu o parecer/resultado, leu tudo, foi lá e subscreveu. 

Poderia me pagar o contrato e depois rasgar o parecer. Não, foi lá na frente de todo mundo e engrossou o caldo para o lado deles. Vergonha na cara não se compra, nem Brasília ou o Inferno mudam isso.

Porém o grande desagrado não foi de gente como eu, um cidadão como qualquer outro, que critiquei uma coisa ou outra como admite e ordena a democracia, nem dos partidos realmente de esquerda que como eu desejavam aprofundamento nas reformas sociais.

O monstruoso desagrado veio do capital financeiro de papel, da indústria de sonegadores, da elite, dos eternos ladrões do dinheiro público, do suado dinheirinho do povo. Dos ambiciosos grandes ruralistas e proprietários de terras. Dos escravagistas que odeiam pobres, e mais ainda se os percebem melhorando de vida.

Até aqui, em alguns aspectos, componentes da luta de classes, a lei da selva, ali com o poder de centro-esquerda acovardado há anos, desde a primeira posse do Lula, que implorei que no primeiro dia do seu governo chamasse o povo à TV, em horário nobre, para denunciar a Globo, cobra venenosa dentro de casa se mata, de outro modo ela volta a picar. 

Nada, os sabidos da Executiva de Sampa eram homens "vividos". Consta que o primeiro ato no Diário Oficial, além da posse de presidente e ministros, foi uma Portaria do José Dirceu nomeando a esposa para presidente de alguma coisa.

Se os admiradores do JD teimarem, tenho mais a dizer, que vocês não vão suportar. Também o admiro, de certo modo, não é moleque covarde e muito menos delator de mentiras. De repente foi algo simbólico, uma promessa, foi apenas um erro político, se é que houve, corrijam-me que amanhã mesmo corrijo este rascunho. Isso é nada perto das besteiras que cometeu. Condenado sem provas por um mandalete dos bandidos.

Nada de novo. Para mim importa, acima de tudo, é que os chacais rasgaram a Constituição!

Minha formação moral, se é que se pode falar nisso, e intelectual se rebela desde o íntimo com o que eles fizeram. Lutemos a boa luta, como diz um valioso companheiro, mas não: eles rasgaram a sagrada Constituição com evasivas, mas rasgaram-na toda.

Jogaram o País no caos, desde o momento em que das urnas surgiu o nome que eles não queriam.

O podre, acusado de ser um grande ladrão, do Aécio Neves, de tão leviano, bobo sem mundo real, viciado em droga branca, disse isso naquele dia. Suponho que os seus chefes tenham lhe chamado a atenção por entregar o plano quando deveria ser ainda segredo, mas entregou num momento em que o filhinho de papai ficou magoadinho por não ganhar o brinquedo de presidente que os chefões lhe prometeram.

Se eu ou o amigo aí que me lê, pobres e anônimos mortais, tivéssemos um amigão com quem andávamos sempre junto, ambos já enrolados em muitas denúncias, e de repente descobrissem um milhão mal havido (roubado) no apê dele, a vizinhança e os camaradas de leve passariam a nos dar as costas.

Mesmo aqueles que se diziam bons amigos, não nos perdoariam. Ninguém é trouxa, os caras sabendo que a gente tem mundo não acreditariam que entramos numa fria de bobinhos, já com montes de denúncias anteriores nas costas.

Teríamos que procurar amigos em antros de criminosos, na podridão humana. Estes nos receberiam bem.

Isso não é problema para o Temer. Os seus amigos são todos delinquentes. Sei, ele é um incompetente, claro que sei, mas de negociatas no vão da escada entende, sim, e como.

E o golpista, putrefato, tido como presidente da República... o vendilhão da Pátria ao estrangeiro, um canalha que todos sabem ser um canalha... aí, gastando o dinheiro da saúde, etc., para comprar o apoio da base de bandidos no Congresso.

Sei, o PT errou ao se associar com essa gentalha - não por falta de aviso -, o PMDB é sinônimo de Larápio, pelos seus dirigentes, nada a ver com filiados inocentes, e as exceções servem para confirmar a regra, se o PT errou, e nenhuma peneira vai tapar o sol, considere-se que o sujeito não apitava nada, e ninguém imaginaria que chegariam, por medo da cadeia, ao ponto em que chegaram, de rasgar a Constituição e assumir um projeto de governo ao extremo contrário, muito pior do que o programa perdedor nas urnas.

Os canalhas do Congresso, enganadores, traidores, eleitos por aqueles por quem Jesus em outros tempos pediu perdão, que por impedirem o prosseguimento da denúncia, proibirem a mera investigação de tão gritantes crimes, hão de pagar muito caro nas urnas. Sem prejuízo de mofarem numa cela amanhã ou depois. E suas gangues que chamam de partidos hão de se esboroar.

Estão destruindo o Brasil. Cadê as instituições, cadê a sociedade civil?

Num pequeno texto, quiçá pecando por personalismo, não cabe tudo, isso dará muitos e muitos livros, escritos por muitas mãos, mas isto é, sim, um libelo, que em lágrimas quentes cometo.
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(A foto é do psdb, o ninho, tirada do google)




O FIM DO MUNDO NO SÁBADO

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Se o mundo acabar pelo menos acabará na Primavera, que entrará hoje às 17:02h segundo os entendidos. Entendidos em estações do ano, bem entendido.

A propósito, um amigo disse que tem algo curioso no Google Sky, que estaria censurando um trecho da Constelação de Virgem (faz anos que não vejo uma), e que um site da NASA mostra um choque de dois corpos celestes não identificados até agora, pelo que uns crentes ou malucos, se é quem tem diferença, meteram o versículo 12 do Apocalipse no meio e pá: o mundo vai acabar neste sábado, dia 23 de setembro de 2017.

Por mi parte eu disse a ele, que, como ele, estou de boa. Que venga el cuerpo. Tou tranquilo. E feliz pela ideia do pavor dos donos do mundo, precupados que não levarão as suas riquezas para o inferno.

Ah, os nossos ladrões: políticos e empresários, chorem, filhos da puta, ahahah.

Eu espero acordar noutro mundo, um que não tenha bancos, cobradores nem oficiais de justiça. Só umas capetas em trajes menores. Nada de juízes patifes também: daria um dedo para ver a cara do Gilmar e de outros sarnentos no momento da explosão, teria um ataque de riso.

Bah, gostaria de ver a cara de tanta gente numa hora dessas. Conseguem imaginar a cara dos banqueiros? Imaginem também o Vampiro Temer todo cagado. E o Trump então? A do Feliciânus, desesperado atrás do Frota para um último encontro? O Bolsonaro numa tremedeira danada? Pensem aí, cada situação...

Por ora vou tomar um uísque e pensar numa mulher, ou melhor:

Alô, mulheres desnamoradas, corram pra cá enquanto é tempo, venham de bando, não sejam bobas! Temos até amanhã para treinar choques de corpos! Se não der nada ao menos a gente fica se conhecendo, e aproveita para marcar outra festa de vale-tudo para a semana que vem.
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viernes, 15 de septiembre de 2017

DE CARTEIRA BATIDA

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Andando pela Cidade Baixa entrei num supermercado caro, resolvi que ia fazer Bacalhau à Gomes de Sá para as mulheres nesta madrugada, tinha tudo em casa, oliva, batatas. Temperos, tudo, faltava apenas comprar o bacalhau. Ninguém neste mundo faz um à Gomes de Sá melhor do que eu, exceto a Mariza Banda, lá do Porto do Beco do Oitavo.

Bem, eu "ia" fazer bacalhau à Gomes de Sá, desisti. A cem contos o quilo nem morto, malandro. Mercado caro nada: ladrão. Fiquei meia hora cheirando - amo o cheiro, ui, me lembra de outra coisa - e não comprei, elas vão ter que se contentar com sopa de letrinhas com um osso buco para dar gosto.

Comprei algumas coisinhas: o buco, um pacote de massa, queijo ralado, pão e mortadela, temperos verdes e poucas latonas de cerveja, umas trinta. Foi quando passei no caixa que me bateram a carteira. Está tudo pela hora da morte, mesmo sem o quilo de bacalhau.

O guarda noturno Jerivá da Louca era quem dizia que as coisas não são caras, a gente é que ganha pouco. Inocente.

Pode ser em parte mas há sérias controvérsias quanto ao "não são caras", pois vi muitas grandes empresas botarem propina paga a políticos no custo do produto vendido. Quem paga a propina, no fim das contas, é o otário aqui que compra os seus produtos no supermercado ou em qualquer loja de qualquer coisa.

Quanto ao ganhar pouco é pura verdade, que o digam os professores eleitores da quadrilha, que no RS, além de ganhar pouco, recebem em migalhas parceladas.

Na volta pra casa, que dista meio quilômetro da mercearia, recebi exatos trinta achaques dos irmãos pedintes, de me empresta um trocado chefe, sai um cigarrinho aí doutor, o senhor tem uma moeda pra me dar...

Para não dizer que não dei abri a sacola e dei quatro dos dezenove pães para a mulher com nenê no colo. Boboca ela, se falasse antes teria trazido um saco de leite. Foi o meu pão, mas três das putiangas lá de casa tomarão sopa sem pão, ando marcando algumas que se fazem de loucas. Vou tirar nas cartas quem além de mim ficará sem pão, em baralho tiro a carta que quiser, disso elas não sabem.

Parava e explicava calmamente aos caras, um por um: não seja bobo, camarada, me morda antes de entrar na mercearia, depois não adianta, aí eles já me tomaram tudo.

De fato, a economia vai bem, como dizem os golpistas enquanto entregam tudo para os alienígenas.

Já em casa ouvi um samba, enquanto esperava as minhas putas chegarem do cabaré.

viernes, 25 de agosto de 2017

CANCHA RETA NA RUA

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Certa vez, menino de uns oito ou nove anos, aprontei uma.

O querido Pico, primo do Pato e filho do seu Borges, também menino, andava num cavalo maravilhoso, enorme, ficava lá em cima, com arreios de atleta de corrida.

Eu vinha da casa do tio João, fui lá e o primo Edilson não estava, não tinha ninguém, só a tia lá dentro, e o encontrei ali pela altura onde morava o seu Nelinho, no lado de lá do estádio do Palmeirense.

Uma discussão boba qualquer, de moleques, que eu não tinha cavalo ou sei lá, e eu disse então esperaí.

Voltei na casa do tio, fui no galpão e pé ante pé roubei uma égua super ligeira que ele tinha. Saí com ela devagar para não acordar os gansos.

Lá fora montei em pelo, sem freio, apenas enrolei uma corda na cara da égua, e fui disputar a corrida com o cavalão do Pico.

Da esquina onde morava o tio, para onde voltamos para dar a partida depois de combinar as regras lá na frente da casa do seu Nelinho, até o clube União Operária, era um retão daqueles.

Um perigo aquilo: rua com pedras, irregular, com buracos, nunca foi pista de corrida, se o cavalo ou égua pisassem mal ficariam aleijados, o sacrifício seria inevitável.

Largamos. Lá pela metade em alta velocidade perdi o controle da égua desenfreada, a corda que servia de bridão não adiantava e larguei, quase voei de cima dela, "louco pra se matar".

Perdi por una cabeza, o Pico era ginete, e teimava que foi por meio corpo, a minha montaria foi parar uma quadra depois do União. Pouca prática eu, larguei atrás, quando vi ele estava uns dez metros à frente. Como diz o Edilson, que conhecia a égua, que era um espanto de veloz, ele puto da cara comigo: "Aquela até maneada ganhava do pangaré do Pico".

Anos depois o Pico ficou meu camarada para sempre, afinal tínhamos feito arte juntos. Eu agradeço aos céus por não ter morrido, em pelo e sem estribo, me segurando nas crinas da égua.

E o inocente aqui achando que o tio não ficaria sabendo. A rua inteira vendo a corrida, com um piá de juiz para dar o sinal de partida, outro juiz para julgar a chegada na esquina do União, um bando de piás na torcida, ora se alguém não iria contar para os mais velhos.


Não sei por que, mas não apanhei em casa depois, o tio e o pai no fundo estavam mais brabos porque perdi, mas o que ouvi de recriminações... melhor se tivesse apanhado.
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miércoles, 23 de agosto de 2017

DO FUNDO DO POÇO

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Bati no fundo do profundo poço abandonado que eles pensavam seco, onde me atiraram depois de me espancarem pelas costas. Uns trinta metros de fundura.

Tinha um metro d'água lá embaixo, o poço não era tão seco. Caí em cima de um pneu velho sem revestimento, apenas a borracha lá boiando. Por milagre só quebrei uma perna, além de ganhar escoriações generalizadas pelo corpo, desmaiei por instantes com o impacto.

Eles ouviram um barulhinho de água e deram uns dez tiros para baixo, no escuro, não enxergavam o fundo do poço, quando recuperei os sentidos. Os tiros passaram assoviando, um me riscou uma orelha, levando metade dela, outro arranhou um braço, os outros tium na água.

Com o cinto e a camisa amarrei a perna, uma dor lancinante. Imaginei a alegria deles pela maldade, por terem me assassinado, me atacando de bando. Fiquei lá umas seis horas, em dez minutos tinham me dado por morto, mas esperei mais.

Olhava para cima, a pequena claridade bem lá em cima, inatingível. 

Não tinha jeito, salvo um.

Foi quando um bicho de raiva se mexeu dentro de mim e comecei a escalar o poço com as unhas.

(...)
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