miércoles, 24 de septiembre de 2014

Perfídia (22) - Manuel João Vieira

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Voltamos com a música mais tocada no mundo em todos os tempos, agora com gravação vinda de Portugal.  A versão do espanhol para o português é de Lamartine Babo, o Lalá (Lamartine de Azeredo Babo, Rio, 10/01/1904 - 16/06/1963)

"Corações de Atum" foi o terceiro projecto de estúdio de Manuel João Vieira, carismático líder dos Ena Pá 2000, Irmãos Catita, artista plástico, actor e eterno candidato à Presidência da República. Em 1999, o projecto desenvolveu-se em colaboração com o entretanto desaparecido Maestro Shegundo Galarza (falecido em 2003).

Assim que temos Manuel João Vieira (Manuel João Gonçalves Rodrigues Vieira, nascido em Lisboa, 1962), com grupo musical liderado pelo maestro Shegundo Galarza. O João Manuel, até onde sei, além de louco de bom, belo cantor e agitador cultural, segue sendo professor da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, até a próxima eleição presidencial, quando será o presidente de Portugal, oba!




domingo, 21 de septiembre de 2014

Aos madrugantes de Madre Teresa

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Por gentileza, eventual madrugador de noite perdida, ao voltar para casa de porre e desacompanhado pela manhã, avise a Sra. Ana Amélia e seus aspones, chefes, da judéia, se tiver a infelicidade de topar com um deles pedindo votos no Brique da Redenção, que não esperem uma cartinha aqui deste bloguinho. A propósito, se encontrar o Padilhão ou outro grandudo de malas do pmdb, fuja em disparada, segurando os bolsos para evitar que a carteira caia em alta velocidade, ainda que lhe prometam cargo em comissão, como o daquela, para não fazer nada. Vai por mim, um dia dá cadeia.

Recomendo umas derradeiras cervejinhas ao chegar ao lar, janelas abertas e disco do Waldir Azevedo no som. Na falta do Waldir, pode ser Elizeth e Jacob do Bandolim, outros chorinhos ou samba bom, e se também estes faltarem, então o amigo não tem discos em casa, tente ligar na Rádio Clube de Canela, FM 88.5, do meu camarada Pedro Dias, em música a melhor do mundo, isolada desde que os pastores destruíram a música da Guaíba, que empatava, abstraída a preponderância dos gêneros. Considere a nossa amizade abalada se colocar no prato pagodaços e sertanojos.

Depois dê uns telefonemas, combinando o churrasco mais tarde com a turma, não há nada melhor que vozes amigas em situações assim, de bebedeira, de volto para casa abatido, apartamento vazio, e de encontrar logo quem pelo caminho. Derruba qualquer um.

E relaxe, estique as pernas no sofá, beba, ouça a música, pense com esperanças, fervor, naquela mulher, a ideal, que nunca aparece mas que um dia vai aparecer, ah, vai, linda, com olhos só para ti.

Esse ritual muitas vezes já me salvou o dia, afinal é sábado, à noite tem mais, e há que se compensar o desgosto do encontro matinal, já experimentei em eleições passadas.

E nada de brigar! Vamos em paz.

Ainda criança aprendi com a minha bugra velha, sabedoria vinda da taba, que a gente só briga, consciente ou inconscientemente, e só de boca - arma é uma desgraça para defesa em último caso - com quem a gente gosta. A variável é se pouco ou muito, mas gosta. Como familiares e amigos, uns mais próximos, outros menos, cada um com seus defeitos, como todos nós filhos de Deus, mas com inegáveis pontos positivos. Gente que, ao nosso ver, sempre tem chances de recuperação por méritos próprios. Gente que não erra por querer errar.

Eu não gosto daquela outra gente, nunca gostei. Recalque, oba, que bom. Poesia a turma do bonfa inventou, felicidade de meia-dúzia de ricos, com professor de música e tal. Era um inferno. E atrapalhavam a gente, chamando a atenção da polícia, se injetando sei lá o que nas veias ou dando a bunda, bem na hora, a única hora, de poucos guardas, em que podiámos pescar um peixe do lago da Redenção, às 4 da matina para matar a fome.

Está certo, não fizeram por mal, mas pensando em seu bem estar fiquei mais dois dias com fome, ao ponto de desmaiar. Não fizeram por mal mas me controlei para não dar um facada na goela daqueles merdas eleitores do fogaço. Não dei porque não sou hijito de pápi como eles, eles me dariam, vindo de turma porque sozinhos são nada. Então não adianta escola boa, caríssinha, pura picaretagem, se a educação não vir de casa.


Aliás, sobre o assunto de não querer errar, creio que terei de conversar com certas pessoas que nem me conhecem. Sei não, mas tem gente em Brasília que não entende. Eu jurava, e a carioca Doramaria Tavares de Lima Kramer me ouviu naquele sábado em que bebemos todo o bar Carpe Diem em Brasília, que ele, sinistro desde menino (sinistro de canhoto, amigos da Patagônia, o contrário de destro, esquerda como eu, nada a ver com vampiro) ia ao menos centro-endireitar aqueles que chamo de nazis - que bobinho eu, como diz a modelito Anahí - mas temo que eles o estejam extrema-nazistando. Depois de deixar entrar a cabeça, bem, meu, azar é no teu.

Que pena, cantei, José Serra, em poucos anos serás um morto. Bem, estás podre de rico, e se assim deseja que seja, que seja, Saravá. Quatro anos se passaram?

Onde andará a Dorucha, escrevendo em jornal, certamente, é boa de pena. Que figuraça, outro dia contarei do suco de laranja que ela tomou com as amigas na Bahia, sem açúcar.

A gente briga sim, por vezes no calor da discussão diz coisas que não quer dizer, mas um dia passa, o mundo lá fora, o sofrimento, a condição humana, reduz a pó as nossas pobres vaidades. Disso entendo um pouco, muito brigaram e brigam comigo, pela extensa lista de mancadas. Sem querer. Eles guardam rancor, talvez pelo medo de que não tivéssemos dito tudo, o pior ainda por vir, é defesa prévia, e maldosa. Eu sempre disse tudo.

Pera...

(...)

O telefone. Gonzalo Matabanquero de lá do Ecuador, depois de me perguntar sobre uma cantante uruguaya, de passagem me disse que fedeu no Rio Grande, um negócio no banco estatal. Estranhei, anos atrás li sobre um estouro que levaria a todos para o xilindró. Creio que equivocou-se, ele entende mal o português, deve ser no Rio Grande do Norte, ou o rolo é nacional. Mas também já houve nacional. Ué. O quê, Gonzalo, a privataria? Tá louco, meu, quase me assustou, isso tem mais de dez anos, olhe a data do jornal que estás lendo na prisão. E ainda não deu nada.

Toda publicidade estatal é pilhagem explícita, divisão pelo sistema árabe rachid, palavra que todos sabem que significa honesto, bem aplicada no caso, uma divisão honesta do butim: meio a meio. Falei para o Lula em 1988, expliquei como funcionam os esquemas, até nomes dei. O que ele fez? Tornou-se fã dos caras.

No Brasil não é nada, não prendem os pilantras por que não querem, pior os que não são estelionatários declarados, como aquele colombiano, o Augusto Monteblanco, do Instituto Bol Pitón, el Ibopi, dá de mil a zero no baiano ladravaz que o elegeu Lulinha Paz e Amor.

Mas hoje não quero pensar nisso, Gonzalo fica na dele, aqui o sábado está lindo, faremos churrasco, vou tentar aprender com Juanito o assado à moda da terra.

Deixa ver... Ah, tem a convivência: a gente passa a amar até gatos, imagine pessoas com quem se dividiu pão seco em trincheira molhada, inverno gelado. Gatos, esclareço, refiro-me ao animalzinho doméstico, não ao Lula e seus amigos e aos caras do Itaú, hoje irmãos de sangue da Marina você se pintou.

Até a distância nos une, saudade da língua. Certa vez, fugindo de Mr. F. Febraban e seus mercenários, encontrei um morador de Horizontina no centro de Cracóvia (na Polônia, para evitar trabalho de pesquisa à rapaziada do Chaco). Nunca tinha visto o cara mais gordo, mas ficamos 15 minutos nos abraçando, depois nos encharcamos de wino proste e nos tornamos amigos para sempre. Grande cara, o Tigran Gdanski. Logo que chegar em Porto Alegre darei um jeito de tomar uma dúzia de pré-sal com ele e Walter Schumacher no antigo Pampulha, hoje boteco O Porto. Mesmo sem divulgar a data do encontro, meus seguranças de arremetida terão de fechar o Beco do Oitavo, a rua André da Rocha, mas o que fazer, com Febraban e Daniel Mendes, ou Dantas, não dá para descuidar. Pensando bem, melhor levar o bar inteiro para o bunker. A ver.

E tem aqueles de quem se gosta mesmo de longe. Podem ter um trapo de vida pessoal, traços de loucura, fobias, não importa. Possuem virtudes que justificam o fato de termos vindo ao mundo. Madre Teresa, Mandela, Muhammad Ali, para ficar só em três na letra eme, sem fobias e loucuras, que eu saiba. Coragem e despreendimento. Se formos lembrar dos admiráveis beberrões, faltará espaço.

Morro de medo de quem não bebe, não transa (lembram da pesquisa sobre os políticos e outros bichos? Pois é...), não isso, não aquilo, não mais aquilo, olhares repreensivos e orelhas de abano do bicho que mal sabe o que faz neste mundo. Interminável sequência de não. A Agnes Gonxha Bojaxhiu (agora entendi a mudança de nome, Madre Teresa) era uma dessas que não bebia e não transava, ao que tudo indica, mas parava por aí a negação, consciente de si mesma a ninguém repreendia, só auxiliava, linda, todos conhecem essa história.

Se os políticos lembrassem dela num sábado pela manhã, de coração, uma vez por ano, não teríamos essa mortandade em porta de hospital.

Ah, dizia que meus amigos e eu não somos de sair esbravejando com aquele paraguayo que vai passando no outro lado da rua, não conhecemos o sujeito. A gente não briga com quem não conhece.

E, principalmente, a gente nunca briga com quem sinceramente a gente não gosta, destes dicen que la distancia es el olvido.

Y así pasan los dias.

Me voy a la carnicería.

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viernes, 19 de septiembre de 2014

Boa noite e adeus, querido vizinho

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Ah, esta cervejinha sim, gelada, obrigado, Mariana.

Mariana hoje está de folga, passando umas camisas pra mim, sou bom de lavar, na máquina, mas passar...



De modo que, como ela está ocupada, eu mesmo vou comprar mais umas cervejinhas. 

- Leve a arma, ela diz.
- Ora, mulher, tenho amigos lá embaixo.
- Leve, ela insiste.

Sentei de novo. 

- Que medo é esse, guria? Não vou morrer por andar na rua.

- Nunca se sabe, Salito, na rua não, mas de repente no elevador, nas escadas, a gente nem conhece os vizinhos...

Acendeu o alarme.

Larga o ferro e vai pentear o Gatolino no sofá grande da sala, procurando pulga que ele não tem. E se tiver azar. As outras estão trabalhando no cabaré da Olavo Bilac. Se não quer que eu saia, não saio. Tudo bem, sei que se revezam agora pra mim não ficar sozinho depois que atirei o dono da boate, errei mas arranquei uma orelha do sem-vergonha, mas ainda não estou contente, tem uma coisa me incomodando.

- É isso que estou pensando, mulher?
- É, mas também não quero que tu faça bobagem.

Só olhei pra ela e envermelhou, ora fazer bobagem, a gente faz o que é preciso. Elas andam encucadas pelo tiro que dei no patrão. E o jurei, vai levar mais se demitir ou tratar mal as minhas mulheres. Ele levantou um monte de negão bandido, mas eu trouxe cinquenta ex-moradores do presídio central, tudo gente fina. Então as mulheres trabalham e ele não mexe com elas.

O gestor da empresa, como ele se diz, igualzinho às múltis que exploram o Brasil, diz que a firma é boa, lenocínio é melhor que investir na Bolsa, alega que ofendeu a Sibylle em briguinha caseira, não foi por mal, a haitiana foi pro salão com uma camiseta da Dilma, e se a Dilma perder ficarão mais ricos, e me pede desculpas, o sem-orelha, todo santo dia, perdão e mais perdão. Menti que perdoei, não se preocupe, orelha só, tá perdoado, esqueci aquele assunto. Ele morre antes da eleição. Como se eu não soubesse que estão me caçando, o brabo é passar pelos meus negos lá na frente do prédio.

- Marianita, não te ocorre nada melhor pra fazer do que ficar penteando esse gato de merda?

- Ai, o que houve, meu amor, só tou...
- Tá nada, me dá esse gato aqui, vou atirar na rua!

Aí foi aquele puxa, larga e pega o Gatolino. A abobada achou que eu ia atirar mesmo o Gatolino aqui de cima. Mais fácil atirar a ela, que Deus me livre. Mas nesse larga e puxa saiu um calor, terminamos em beijinhos, digamos assim, ela pedindo tapa na cara e na bunda, ai meu Deus.


Agora, toda molinha, está penteando o LF, o gatinho novo, batizado por uma amiga assim para minimizar o impacto do nome por extenso, Louco de Fome, o magricelo é um funil.


- Tu me mentiu, morena, no que eu estava pensando antes. Não era no dono do puteiro.

- Eu quis falar daquele aqui do prédio, achei que era isso que tu tava pensando, disse miudinho, olhos pregados no pentinho do gato.

Enjoei da cara da Mariana e dos gatos, vou descer, vai que de repente encontre o vizinho do 309, um andar abaixo, ando doido pra dar um tiro no todo metido a fortão, outro dia deu um tapa no moleque guardador de carros que mora na rua, já arrumei pouso e dentista pra ele. O bem-bom foi educado demais com Dolores Sierra, e pelo que sente Mariana de Rosário o filho da puta foi mais longe. Inventou de dizer que Mariana de Rosário, a minha índia da Serra do Caverá, vai mudar de dono.

- Hoje não, Salito, mas mate ele.

Adoro a Mariana, que além de ler pensamentos tem um bom coração. Ela pediu pra deixar pra outro dia e saiu para o quarto juntar suas coisas, a pequena me conhece.

Desço as escadas pedindo a Deus que ele saia também. Pensando melhor, vou tocar a campainha da casa dele e elogiar o bucho que tem como mulher, oi, gostosa, pra ele ver como é bom elogiar a mulher dos outros. Não, isso não, a sua senhora não tem nada a ver com isso. Que nada, duvido que um bosta desses tenha mulher.


Volto para o meu apê. Telefono para a moçada lá de frente: vai sujar, subam quatro. Já com eles em casa dou breves instruções: um acompanha a mulher e os gatos, os demais levarão os objetos pequenos e apagarão as digitais, o aluguel é com nome falso mesmo, é só sair, limpem direito, precisarão ser rápidos, não esqueçam de levar junto o lixo. Falei por falar, a turma conhece o ritual. 

Botei as luvinhas de cirurgião, acho ridículo isto, mas é preciso. Abro uma cervejinha e espero duas horas, até a operação terminar. Saem todos, o apartamento se transformou num esqueleto, só restaram os móveis. Espero mais meia hora.

Com a turma já longe, enrosco o silenciador na Magnum, desço pelas escadas e toco a campainha do indivíduo. Não se pode ter 22 mulheres que os caras ficam se escalando. Vou descarregar a arma na cara dele, sem papo. 

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O meu amor por Luciana Genro

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Confesso que eu era, ainda sou, apaixonado pela Luciana Genro. Certa vez desci do morro com carta na mão, em três vias, uma pro tribunal, outra pro partido e uma minha, a minha para voltar cheia de carimbos, pra me desfiliar, e no caminho ouvi no rádio do táxi que ela também ia sair... eu chorando por dentro, não acreditei, mas sim, eu não estava sozinho, ela ia sair e saiu. A guria tem o coração parecido com o meu, pensei.

Chovia a potes em Porto Alegre, comigo sempre é assim, abaixo de chuva quando é algo importante. Eu precisava entregar a carta de desfiliação. 

Mandei o táxi parar, desci, vou pegar uma cerveja, duas da tarde em Porto Alegre. Estava desde sábado sem dormir, era segunda, mas sem tomar trago, queria matar o josé dirceu e o lula e mais uns vinte. Eu com a semana que vinha de folga, claro, cheguei sexta meia-noite, depois de três meses no Rio, aguentando números de empresas do governo. Vou pegar a maldita cerveja, sob chuva, amo chuva, depois eles vão me pagar; E me fui e sobreveio o desastre... deixa pra lá.

Acidente. Ivens Biancón de Almeida me ajudou.

Soube quatro dias depois que ela realmente se desfiliou moralmente, eticamente, a mil, desafiadora, ladroagem não admito. Depois os canalhas a expulsaram, tava atrapalhando mensalões daquela gentalha de São Paulo e uns poucos de outros estados. Na minha carta sobrou pro Olívio ter que receber, ele que nunca se corrompeu com os canalhas dos paulistas. Mas na época achavam que eu era louco. Louco?, mas queria mesmo era encontrar a moça. Que nada, rei do peso, nunca encontrei porque nunca procurei, sonhava com ocasião, acontecer pelo destino. Vai atrás, bobinho. Enquanto eu pensava isso os carinhas que sabiam tudo de nada a beijavam e pá, anel.

Era casada, pra mal dos pecados, adeus para mim, por causa da apressadinha. Dias depois guardei uma cópia de volta, protocolada, do Tribunal, o PT nunca declarou minha saída, embora eu pedisse.

Sobrou para o Olívio, que depois daquela nunca mais gostou de mim, por essa ou por conversa mole do Roni. Não importa. Eu era "gurizinho". Só não sabiam que... deixa pra lá.

Com o perdão dos amigos, vai uma música, hoje a incomodação aqui foi de desasar o gaúcho. Então me relevem.

Gravação de 1947, seu Nelson, gaúcho amigo da minha infância, dizendo: Marina, morena Marina, você se pintou...

Lamento, moça itaú, a Dilma fala sério comigo, sozinhos, sentados em cadeiras sobre a grama, tomando mate, com calma olhando os bichos no pátio. A Luciana, se me visse, não pararia de me dar abraços.

E prefiro papear com mulher mais carnudinha, mulher com mundo, sem frases decoradas, dá ar de saúde mesmo tendo sofrido horrores, e que reze de outro jeito, por todos. A Lu é rápida, não é múmia, sua alma sente todas as dores do mundo, como muitos de nós. É o meu amor. 


Fanática seca não sabe nem chupar cana. Bah, me lembrei, certa vez inventei de me casar, mas na católica tinha que fazer curso de noivo, e um padre punheteiro, candidato a estuprador de crianças, seria o professor, meu professor, eu um agnóstico que tinha comido até a mãe do viado, imaginem se tolerei, deu um banzé na primeira reunião, uns dez tiveram que me segurar.

Não quero ter malafaia de ministro, nem um monte de pastor de mentira, muito menos rezas dentro de prédios públicos, patrimônio de todos os brasileiros, como a senhora fazia quando ministra do lula, se o cara não rezar se fodeu, ora vai à merda, dona, vai arrumar um pau para engordar. Os seus pastores são uns ladrões sujos, todos com palacetes e jatinhos.

Sou agnóstico com sérias tendências ao ateísmo, se me permite o seu fanatismo, dona Marina.

E a Dilma me respeita, como respeita a todos. Passa o vizinho, ele sorri e exclama: Saravá. Ela sorri de volta e vai: Saravá. O respeito aos seus iguais, ainda que possa não ser a sua religião. 

A Luciana é melhor ainda, como a Dilma não é atriz, é o que é, e Lu diz na cara, e melhor, não é presa ao câncer chamado pmdb, essa sujeira que macula a bandeira nacional, estão em todas. E, quando fora da briga, é doce e querida, ui, bem, assim imagino. Meio teimosinha, mas isso também sou, e bem pior, e ela é bonita, ã, mania de mudar de assunto, a seguir nesse passo daqui a pouco estaria transando com a candidata, o que é isso, ã, me perdi, onde estava...

Ah.

E assim o respeito com todas as crenças, Islã? O Corão é tão lindo quanto a Bíblia, pois têm a mesma origem, que vem de longe, milênios mais longe do que sugerem malfeitores que curam em nome de Jesus. Vi piadas, dona Marina, amargas para o meu gosto, que estive muitas vezes com a vida em risco, para mandar seus curandeiros para a África curar o ébola, vírus que está, junto com a Aids, devastando o continente africano; Se são tão bons esses escroques, por que não vão? Envie junto o canalha do seu curandeiro, vamos ver se esse covarde tem colhões.

A Dilma, como a Luciana, só não responde saudação de nazista. Que hoje alguns judeus teimam em supremacia racial, que mundo que gira, quem diria. Aqui no Sul não vão levar, com cobras-mandadas de Nazier e de uma velha empregada, ambos da ditadura, me esqueço o nome da louca, e se levarem será o horror.

E sigo pensando na certinha que era casada quando eu desci do morro, dizendo pras mulheres: não volto mais. Que acabei voltando para os altos da Cefer, levado pelo Ivens, todo enfaixado.

Daqui vai meu apoio à Luciana, pelo Brasil. E se alguém não gostou, meu nome é Bruno, fácil me achar, estou doido que me achem.

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NE: Apóio o Bruno, pra tocar nele terão que passar por mim, embora ele não precise de ajuda, esse sabe o que faz. 

jueves, 18 de septiembre de 2014

A "VEJA" QUE O HITLER VÊ E O POVO NÃO VÊ

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A "Veja", que quer sangue para levar vantagem lá dos seus palacetes. A Veja de mentirosos como o ex-mandalete da RBS, Augusto Nunes, que destila maldade, mas não por extraterrestre, ele quer é dinheiro para o seu partido, o partido dele é a sua conta bancária. 

(Com o perdão de palavras como putas, bundas, cus, etc, que nada tem a ver, é treino)

(Treino é treino)

Certo que para eleger ladrões cheios de grana - municipais, estaduais e federais - todos bem alimentados, filho do doutor e tal, todos não, andaram aparecendo uns PTs e outros iguais que atrapalharam os planos dos gatos gordos, depois que a ditadura caiu sozinha, aqueles assassinos, e alguns componentes destes novos se tornaram gatos também, os malditos petistas de São Paulo, mafiosos do Paraná, Rio... tantos, covardes que justificam que se use o número de canalhas, ricaços e tiriricas do Congresso como parâmetro para dar tempo aos candidatos na tevê e no rádio.

Outro jeito não parece ter, na democracia por que tanto lutamos. Que seja. 

Isto vi na infância, tive que fugir. Isso de os bons prosperarem é mentira, não é assim que funciona em cidades pequenas. Mediram meu quociente de inteligência mil vezes, anos depois em Porto Alegre, o mais baixo transformaria o Amaralzinho num símio de óculos escuros. Eles mentem. 

Ou chupa o pau de quem manda, ou te fode. Não chupei nem me fodi. Eu fugi, sozinho, quase morri de fome, mas não era hora, nunca tinha lhes feito nada, e era muito moço, mais uns aninhos e teria sido torturado, desaparecido, sem o corpo que até hoje a mãe andaria atrás, como tantas mães morreram sem achar os corpos dos seus meninos.

Se os vadios têm 200 parlamentares e tal, como racharão tempo com o PSTU, PSOL, PV, que tem poucos, o PSTU aliás nenhum, como? A cada vez que falam em reforma os animais querem calar as vozes minoritárias. Mas, vá lá. 

Briguei no Galeão com o famoso deputado do PCB, que depois se vendeu, virou PEPSI, iam me matar a pau os polícias quando eu disse a ele que não era justo. Não era ruim o Roberto Freire. Mal comecei a raiva e ele saltou botando o corpo em frente ao meu, o baixinho: ninguém toca nele. Sobrevivemos, antes de sair lhe cuspi no rosto. 

Então, o Câncer do PMDB, a quem Roberto também se aliou em busca de "puderr", como ele dizia com seu sotaque pernambucano, ele sabia bem: essa tropa de sujos, se tem 72 cadeiras no Congresso Nacional, é justo que, como "representantes" de grande parte do povinho desgraçado e ignorante do Brasil, comprado a quilo de arroz, tenham mais tempo na tevê, O PT hoje tem um pouco mais, solito, mas é nada diante da associação do Câncer com fascistas, filhos da puta, cadáveres, somados com a  turma de nazistas do bolsonaro, deste a maioria de eleitores jovens, das Escolas de milicadas do Rio, porque o governo democrático ainda não mexeu no currículo da escola, fábrica de nazistas e viados dos EUA, mas armados pelas armas que o povo paga.

Eu, nós, cidadãos, andamos desarmados, tendo família em casa.

Aí o governo se arrisca a se perder, não governar, salvo se comprar alguns filhos de uma puta. O doutor de Palmeira das Missões, um bosta, que por rico (ladrão? Ou me me explique alguém como as pessoas ficam ricas em cidade pequena? É pior, matando? Contem-me) e comprar voto na aldeia vira deputado, senador.

Ninguém tenta explicar isso ao povinho, à ralé, como eles dizem: que quem decide tudo é o Congresso Nacional. Não é o presidente ou a presidente. A culpa sempre cai na presidenta, uma mulher honrada. O PT, como os demais partidos, hoje é antro de canalhas, mas o PT muito menos, nem assim o perdôo, e me coloco no pelo da Dilma, que estou certo que pensa assim: por discordar de alguns larápios nossos, entregarei o poder aos que são vampiros desde que o mundo é mundo? JAMAIS.

Para ter um Bolsa Família, ela precisa agradar deputado ricaço eleito em Palmeira e em todos os lugares pelos chefões de sempre, em cidades pequenas são os donos. Uns canalhas, mas mandam. O povo os teme. Sei bem. Eu fugi mas não por os temer, e nunca me tocaram, teriam que me matar.

 Vá lá.

Outro jeito não há. Que se distribua o horário eleitoral de acordo com as bancadas  e vendas de bunda, coligações de roubo. Tudo bem, e não saiu Reforma Eleitoral porque adivinhem quem não quer?

Tudo bem. Tudo, tudo bem, a gente engole.

Agora, para PRESIDENTE, não tem justificatica. No horário de levar coitados no lero o mínimo de democracia que se poderia esperar eram tempos iguais. Que se aperte a lei, tirando pastor nojento, com o tempo, e outros. 

Mas tinha que ser tempos iguais, um limite de dez partidos, quem sabe, em rede nacional os debates, rádio e TV. Nada de uma rede nazi passar novela enquanto rola o debate na outra. A sujeira de comprar nanico criado para venda, para vender tempo, sumiria. As "otoridades" sabem demais disso. Não foi o Lula, que detesto, quem inventou isso. Não mesmo. Foram eles, e a sociedade, que,  mesmo com grandes homens lutando, não consegue mudar.

Lula somente se adaptou, cansado de perder. sob meus gritos de protesto.

Reforma política JÁ! 




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domingo, 14 de septiembre de 2014

No Congresso Nacional agora só mulher! Deputadas!

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No feicebuc

11 de setembro de 2014, sete da noite

Seguindo o périplo de sofrimentos, pois me encheram os tubos desde segunda, aqui, fui atrás e descobri a relação dos candidatos à putaria nacional, digo, bem, à depu... bem, federais. Os amigos que estão na sua nem leiam, excluam, esta postagem vai somente aos animados, sabe-se lá suas razões, para mim pegar alguma grana é que não, que querem me fazer a cabeça, os tolos.

Não vão acreditar, mas vi o Fogaça lá no meio, fiquei me perguntando se os bostas do Bonfa ainda não morreram todos? Ainda estão lá fumando sob as árvores da Redenção? Vi também um elemento amigaço das empresas destruidoras de matas, escravo de grandes fazendeiros, se dizendo de Deus e Goleiro, ainda por cima, quem vota nesse de Deus Goleiro seriam os mesmos que vão a estádio insultar negão? E um monte de costumeiros assalariados com o meu, com o nosso, desde sempre. Na série Planeta dos Macacos os caras ao menos eram elevados a legisladores pela sabedoria, valentia alguns. Aqui... por que mesmo?

E vi, pasmem, uma moça chamada Macaco Tião, mas aí em espiada que dei, porque hoje somente me fixei até a letra L.

E um monte de figurinhas carimbadas que há anos vivem do sangue do povo, que se eu falar vomito.

Selecionei as pessoas de quem gostei um pouco. Muié, claro, meu chapa, aqui homi não entra.

Carina Lemos (PSTU, por Porto Alegre), Clarice Araguaia (PT, por Porto Alegre), Cláudia Kohler (PT, por Bom Retiro do Sul), Cristiane Machado (PSOL, por Porto Alegre), Delci Benitez (PSOL, por Santana do Livramento), Edilza (PCdoB, por todos, já que lá não dizem o domicílio eleitoral), Eliane Carmanim Lima (PSOL, por Porto Alegre), Ester Ramos (PSOL, por Gravataí), Janice Nunes (PCdoB, por Alvorada), e Luci Mari Jorge (PT, por Livramento).

Deu-me uma tremura, todas valentes lutadoras, algumas mães, outras mocinhas, se até a letra L fiquei assim, imagine quando chegar na Zuleika, se é que tem. Foi rápido, de olho, então podem ter-me escapado outras pessoas que valham a pena. Amanhã sigo.

Ah, no link tem a relação completa. Gozem, certos amigos, com Goleiros e etc, merecem.

14 de setembro de 2014, 4 da manhã


Madrugada alta em Porto Alegre, prosseguimos exaltando a democracia, com os nomes de algumas mulheres candidatas à deputada federal. Outro dia paramos na letra L, pois hoje complementamos, com a ajuda da moçada do Beco do Oitavo. São poucas, infelizmente, mas para nós o bastante, a boemia em peso não vota mais em homi, tá provado cientificamente que mulher é melhor, não fingem tanto, quentinhas, ui. As exceções, como a filha do Sarney e a Katia Agropica, servem para confirmar a regra.

Gostei da frase e no intervalo da música falei alto isso do "tá provado cientificamente que mulher é melhor" e fui brindado com aplausos pelo bar inteiro, com direito a gritos de Bravo da mesa 6, a das lésbicas. Do pessoal da 8, dos viados, as manifestações foram mais tímidas, mas também aplaudiram, aqui todo mundo é amigo, não tem segredo. Os velhos boêmios enquanto batiam palmas me olhavam sorrindo ironicamente, os sacanas. Bem, quis dizer outra coisa, mas valeu.

Maria do Rosário (PT, por Porto Alegre), Paula Alves (PSOL, por Porto Alegre, gostei da guria), Sarita (PCdoB, por Porto Alegre) e Sonia Ciarlo (PSOL, por Santa Maria). Os amigos não vão acreditar, mas no rol vi uma múmia chamada Yeda, deixa pra lá, melhor não falar pra não despertar o monstro.

Não vi mulheres, pelo menos que nos interessassem, a mim e ao povo do Beco do Oitavo, em cidades como Bagé, Palmeira das Missões e Passo Fundo, entre outras. Acho que sei o motivo.

Mulheres, vocês são maioria, além de mães e namoradas, então façam como a gente: não elejam mais a voto comprado, por tabela ou não. E candidatem-se.

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sábado, 13 de septiembre de 2014

Quando matei o governador (1)

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Voltei ao mundo à uma da tarde de segunda-feira na pensão da Rua Coração de Maria, no Méier, trêmulo, pelo som do rádio que vinha de baixo, o João Nogueira a mil cantando que acordou num quarto sem forro, perto do Pronto Socorro... dei um pulo, quase descreve onde moro. Tonto, me localizei, estava em casa, no muquifo da dona Dina ou Orlinda, eu chamo de Véia. 

Vi no relógio que era segunda. Pensei em ir encontrar os camaradas lá no Samba do Trabalhador, como o combinado, mas tinha uma dorzinha estranha no braço esquerdo, na altura do cotovelo, bem no meio por dentro, olhei e vi uma picada feia, minha veia de doar sangue fodida, roxa, seja o inseto que for me pegou de mau jeito, apressado, deve ter mordido num nervo. 

Só recordo que andei bebendo pelo Amarelinho no sábado, com uma alemoa alta que peguei em Copa, depois dei uma passada na Lapa, naquela picaretagem da Rua do Lavradio, bebi lá dentro, ela toda feliz por ouvir samba e ter homem garantido, eu de chapéu pareço mais mole do que sou, tava comendo a branca em pé no banheiro, ela dizia, ai, assim, me foda, tarado, quero beber teu leite, me avise quando for acabar, e de repente tudo apagou. Do domingo nada lembro.

Tomei um chuveiro naquele antro de pensão, meu lar. Apalpei o galo no coco da cabeça. Fiz a barba, ao vestir a camisa notei que estava manchada de sangue, um pingão só, que parecia enorme na camisa azul, novinha, me deu um frio, mas azar, lavei na pia, saiu fácil, se estou sozinho tudo está bem, devo ter brigado e o sangue é dele. Estou saindo e a dona Nica, agora lembrei o nome, negra chamada Nicolina, eu mereço, me intima pelo aluguel, a mandei tomar no cu fazendo rodinha com os dedos, depois disse onde pensa que estou indo agora, velha vagaba, no banco, porra.

Há meses enfiei um envelope com um ano de aluguel no vasão que ela tem na sala, mas não conto porque gosto dela assim, brigando, a Véia não tem o que fazer. Amanhã pago, abaixo de xingamentos, eu rindo, ela me chamando disso e daquilo, no fundo me quer bem. Aquele ano pago fica lá, no vaso comprido, se eu desaparecer ela vai precisar. 

Andei em direção ao boteco de antes da esquina com a 24 de Agosto, pensando um dia vou dar um tiro nessa velha, nela e nos seus gatos, menos naquele magricelo que ela não dá atenção. E no gordo que é dono do bar. Desse não gosto e ele sabe disso, dia desses encho a sua boca de chumbo. No bar pedi um cafezinho e um conhaque, para firmar a mão, ele trouxe correndo, me deu vontade de apagar ele ali mesmo, mas deixei pra lá, preciso descobrir. Pra onde vai tão cedo, me perguntou o Tampinha do táxi, querendo agradar, todo sorridente. Vou pra cidade. Tou indo pra lá, te levo no mole, mermão, ele falou. 

No mole porque me deve, mas valeu, dei um tirambaço no conhaque, em cima o café, entrei e fomos. No caminho me explicou que vai me pagar em cem prestações aquela grana que livrou a sua mulher do cemitério, e a graninha pra meninada ir levando. Tá bom, não esquenta, eu disse, não estou te cobrando, fica tranquilo. Desconta as corridas daquela conta, mas anote pra mim conferir depois.


Pedi para me deixar na Senador Dantas, lá ainda tenho amigas num hotel, aquelas sabem tudo, vão me dizer o que aconteceu ontem à noite que me largaram em casa. Desci do táxi e voaram três mal encarados em cima do meu corpinho de 1,80m que mamãe tanto lutou para preservar, ali começaram os meus problemas. 

Neguei-me e meti a mão no ouvido do primeiro, que se esborrachou na lataria enquanto o Tampinha se mandava, esmagou a perna do elemento na saída, quando o segundo estava em cima levou um tiro na cara, peguei o bandido em cheio, na boca, com a direita a máquina e eu somos um. O terceiro amoleceu, ao ver um colega mal e o outro morto, eu com os olhos arregalados, é agora que mato mais um, a Magnum pronta, ele largou a arma devagarinho, abriu os braços, para cima, e disse: semos polícia... Eram meganhas à paisana. E agora?


O rato que caiu antes por trás me deu um tiro. Passou zunindo. Olhei, ele lá deitado na rua com a perna fodida, ia atirar de novo, então dei dois tecos nele, se acalmou para sempre. Quando me voltei o pacificador, que queria papo amigável, estava de arma na mão. Não tive alternativa, saltei para o lado e disparei duas vezes, tive sorte em uma, peguei na testa, mas antes ele me encravou um teco na perna.

Saí manquejando em direção à Presidente Vargas. Se teve testemunha, e teve dezenas, falarão em meu favor: fui agredido e me defendi. Doce ilusão, rato é rato, lembrei, vão inventar, e nem sei do que sou acusado. Uma maravilha, minutos antes das três da tarde e eu já com três mortes nas costas. Ali me lembrei do Capeta Manco, que dizia que em hora ruim o homem precisa manter a calma. Então tá, muito calmo que fiquei, não é no dele.


Na Vargas peguei um táxi, me leva pra Santa Cruz, malandro. Disfarçando a perna, doía pra caralho mas fui pisando firme, e saí pelo inesperado, pelo meu avô gaúcho: me esperavam no Méier, fui para Jacarepaguá.

E pelo caminho me perguntando, o que foi que eu fiz? Quando estava no sexto táxi, de lá pra cá, dali pra lá, até achar o Tampinha, com ele finalmente cheguei em Jacaré, já estava com raiva de alguém, mas não sabia de quem. Entrei firme no portão da casa da nega Zilda, para não assustar as crianças, o Tampinha queria me ajudar, eu disse te manda meu, e esperei o táxi desaparecer. 

Entrei, passei da porta da casinha e desabei, na queda os panos se soltaram e encheu a sala de sangue, perdi muito em duas horas para lá e para cá. A nega Zilda correu e apertou outro torniquete, depois voou a telefonar para o Marciano, enfermeiro que sabe tirar bala, venha logo, já, o bobo deu voltas demais pra não deixar rabo, enquanto eu tirava balas de açúcar do bolso pra dar pros neguinhos dela, eu viria aqui hoje, e vim, não como gostaria, mas as balas da moçada eu trouxe. Estendi a mão e desmaiei.




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martes, 9 de septiembre de 2014

Santa Cruz

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Certa vez, numa segunda triste, oito da manhã, me vi dentro da Casa da Moeda do Brasil, num mesão enorme, depois de quase me tirarem do sério. Até ali nunca tinha visto tantos homens armados na minha vida, em Santa Cruz, o bairro mais distante da cidade do Rio de Janeiro, bairro colado à querida cidade de Itaguaí, onde me hospedei por alguns dias. Alguns dias porque depois resolvi ir para Copacabana, já que é para esculhambar é comigo mesmo, pois jamais serei escravo. Itaguaí é linda, onde eu estava então, morros ao longe, a praia ali... ao longe um ladrão novo amigo do governo José Dirceu, esse animal psicopata, cara-cortada que não sabe que o mundo mudou desde que mudou o rosto, que antes era inimigo de um patife, virou amigo: agora construía um porto com o nosso dinheiro. O amigão: Eike, filho de um ladrão da ditadura. Não tem onde o cara-cortada não tenha metido a cara, com maus amigos, companhia de seguros no BB, se vacilo vendia a minha mãe. Acho que está preso o filho da puta, o amigo do JD, e o filho idem, este que atropelou um pobre homem, matou, o coração do sujeito foi parar dentro do carro, e o corpo da vítima se esmigalhou, mas em juízo deu tudo certo, andava a dez por hora. Mas deve estar preso por outra coisa, o Eike corno, tipo roubar do BNDEs com tráfico de influência do cara-cortada.

Foi isso que me enojou, o porto ao longe. Preferi viajar uma hora e meia, saindo de Copa às seis da manhã. Em Copa eu conhecia gentes. Já em Copa, pegou fogo lá em Santa Cruz, um acidente que jamais tinha ocorrido. NÃO FUI EU.

Eles se achando no primeiro dia. Não gosto de ver homens armados, embora entendesse que lá é necessário, fabricam dinheiro.

Não gostei na hora de entrar, chegamos às 7, mostramos documentos, estavam nos esperando, eu desarmado, y otras cositas... chá de banco, os mandões de merda não tinham chegado, respirei fundo. Revistaram até notibucs.

Eu por meio loco e mais velho era o chefe da equipe de elite de auditores, ali quem corria menos voava, e me lembrei de uma amada música que ouvi em Sampa no sábado anterior (fui ao Rio domingo à noite, de mala para um mês), numa homenagem ao seu Paulo Vanzolini. Ronda. De noite, eu rondo a cidade, a te procurar... ai  meu Deus.

Logo nesse primeiro dia, para mostrar que não gostei do tratamento que estavam nos dando, comecei a cantá-la na sala ao lado da de um diretor (me mentiram que não tinha uma sala só para nós, tinha que ser a do lado da dele), sabia que ele ouviria normal, fora as escutas na nossa sala, onde se deram mal, ali, como disse, quem corria menos voava, e sem precisar mentir, todos homens bons. De súbito improvisei, em perfeita melodia de Ronda: "Eu ando, mortinho de vontade, de comer um cu, logo vai ter... Por entre paredes espio, uns paus na bunda...". Era para os ouvintes.

O único companheiro carioca, sentado no mesão de reuniões à minha frente, arregalou os olhos. Nosso melhor auditor paulista, à minha direita, sorriu, ainda que espantado sem entender, e acabou rindo solto. O gaúcho logo à direita do carioca sorriu, meio sério, esse me conhecia de fama. E foi assim: controlei a vontade de chamar a todos de filhos da puta. Nunca aos meus colegas, e sim aos empregados "diretores" do Brasil que nos receberam mal. Comigo não, violão. Por muito menos eu chamei um presidente do BB de merdinha, e era. A política tem disso, merdas proliferam, e combatem homens de bem, que me acho e minha simples vida é prova gritante.

O fim da história, depois de dois meses lá dentro, está guardado em cinco cofres (dois no Brasil e três fora, em países diferentes), com gente séria cuidando, para o caso de uma filha minha ou eu morrermos atropelados. Fui eu que os peguei!

E armas que se vingam de maldades. É isso, moleques, enquanto vocês brincavam de bonecas, eu com a mesma idade de vocês já visitava casas de loucos e presidiários. A polícia federal, pelos seus homens de bem, estará ao meu lado. Isto vai aos políticos, caiu o presidente um dia antes de eu entrregar o parecer, e nada tem a ver com o quadro de funcionários da CMB, amados todos. Até acho que os ajudei, e os conscientes sabem disso.

Quando saí para o aeroporto, tudo terminado, o chefão já preocupado mandou auto oficial, bandeirinha do Brasil ao lado, me levar. É assim que eles andam com o nosso, desde sempre. Eu com nojo de tudo.

E me vem as revistas Vejas, que sabem disso, antes era pior, nazis especialistas em iludir esse povo desgraçado, dizer bobagens para engambelar otários. Eu mandei o cara parar, logo que avistei um ponto de táxi, e o mandei de volta, com recado ruim ao chefão. Eu fiz. Quem faz?

E nunca telefonei para a Dilma. Companheira de "armas" do cara-cortada que virou ladrão, sim, ele, nem a Casa da Moeda ele e seus amigos de São Paulo respeitaram. Aquele merda nunca pegou em arma. 

Achava que eu não era mais o mesmo? Perigava fingir que não lembrava meu nome, isto se eu passasse pelos viados que fazem a seleção, tem montes de lixos embaixo que fazem coisas sem ela saber. Presidente é o último a saber, FHC até hoje não sabe direito os gatos que nomeou por tabela até o quinto escalão. Fosse telefone direto, que eu já não tinha, ela atenderia. Atenderia?

Minha conversa com Dilma será outro dia, hoje não, até porque a acho muito melhor do que a imprensa nazi. E ainda a acho honesta. Meu voto irá para o Zé Maria, já abri. E que o PT de São Paulo, seus amigos, saibam que não sou o Celso Daniel, é mais embaixo, há anos os espero, me matar é fácil demais, quero ver aguentar a volta, vai até os netos, porque, mesmo que não sejam vocês, alguém foi pago para pensar que foram, paguei pouco, em dias e noites os visitando, o preço é o carinho que me dedicam, está feito. Covardes.


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domingo, 7 de septiembre de 2014

Causos do Santiago

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Acabo de chegar do Parque da Harmonia, em Porto Alegre, do "Acampamento Farroupilha", onde no Piquete dos Bancários finalmente obtive a já afamada obra, que ora atravessa continentes, de um homem daqui, nosso, os "Causos do Santiago". Fila pelo autógrafo do genial autor gaúcho, que com sua natural simplicidade atendia a todos sem pressa. De registrar a delicadeza daquele povo do Piquete dos Bancários, a mocinha atrás do balcão das bebidas (belíssima loirinha) não sabia o que fazer de tão gentil, ela é daquelas pessoas que chamamos de inesquecíveis pela bondade e alegria espontâneas.  

O artista, além da dedicatória (para mim: "Pro Salito, do blog Ainda Espantado, um abraço, desta vez não feicebuquiano"), abaixo dela fazia uma caricatura do fã, na própria obra, de modo que cada livro se tornasse uma relíquia que não tem preço, pessoal e intransferível, um ativo familiar para os que de nosotros descendem.

Na minha vez casualmente vagou um espaço na mesa de campanha e ele me convidou a sentar ao seu lado. A minha caricatura ficou trilegal. Não sou bobo, fui sóbrio, pois se vou merengueado nem Van Gogh me desenhava (bêbado ninguém pinta, como sabemos, pois não pára quieto).

Para maior felicidade, encontrei e cumprimentei efusivamente, na mesa ao lado, Judite e Olívio Dutra, camaradas de muitas antigas e novas peleias por nossos sonhos, que não via há séculos e que foram prestigiar o amigo Santiago (Neltair Rebés Abreu - Santiago do Boqueirão, 14/9/1950). Ao Olívio só disse que vamos levar essa para o Senado com um pé nas costas. A Judite estava no lado de lá, e na hora não tinha gaita, se não teria lhe convidado para dançar, amada lutadora, como há décadas dançávamos em humildes festas de arrecadação de fundos de campanha para o incipiente PT, com direito à carreteiro em panelões para a turma, na base de um pedaço de charque dá um grito e o outro não ouve.

Noite feliz. Na saída - precisava ir na abertura da Exposição da Carmen Medeiros, "Lugares Utópicos" - saí por um portão que não conhecia, pois o Parque da Harmonia atualmente é uma cidade, e quando vi estava numa escuridão, me perdi, uma utopia eu me perder em Porto Alegre, mas aconteceu, e logo veio o contratempo: levei um tiro, pelo estouro veio de perto, e de 38 longo - conheço o trovão, tenho um - quase me manda levar um papo com o Chefe lá do céu, foi por um triz, pois dei uma paradinha de repente, para medir onde pisava, ainda bem que estava de lado e apenas cortou minha gravata (azul, novinha, uma judiaria me estragarem). Eu desarmado. No escuro o preto do sobretudo me salvou, me enfiei numas árvores por dez minutos. Só pode ter sido por engano, pois nada fiz, quem anda comendo as senhoras de candidatos de direita é o Contralouco - temos grande semelhança física -, aquele quando bebe é um perigo, traça o que vier pela frente, até isso, as escravas direitosas, e rindo, o sem vergonha.

Enfim, a Carmencita há de me perdoar, eu não poderia comparecer a um fino ambiente com a gravata atorada e ar de quem escapou da morte, e temos muitos dias para apreciar a grande Exposição de suas obras, sin palabras as obras, maravilhosas, para não falar da moça, querida amiga e paixonite aguda que trago desde outras vidas, ahn, a exposição vai até o dia 21 de setembro, das 13 às 22 horas, no GNC, na Praia de Belas, 1181.

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Lotofácil

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Que sina, meu Deus do céu. Lembro do samba do seu Ary Barroso que terminava dizendo "Oh, Deus, como sou infeliz". Começou comigo andando abaixo de chuva, chapéu virado em calha, derramando rios, em direção ao xópin da João Pessoa, lá tem uma lotérica que fica aberta até às seis, as demais não abrem sábado à tarde, medo de assalto, como se os putos não tivessem seguro da mamãe Caixa. Uma pernada e tanto, saindo da Rua da República.

Chego lá e falta a porra da luz, um cabo sifu na esquina da Ipiranga com Getúlio Vargas, fiquei zanzando pelas lojas por uma hora, de lero com as vendedoras no escuro, conheci a Marta, cliente que andava por lá meio solta, comprando calcinhas, sugeri vermelha, combina com sua pele morena. Calcinha azul cai bem em alemoa.

Voltou a luz. Fui à lotérica e fiz uns joguinhos, não quero muito, nada de Mega Sena, finquei cinquenta paus na tal de Lotofácil, às brincas, sonhei com essa droga, deve pagar duzentos mil se pegar na pinha, vamos ver se é fácil mesmo, pra mim, pois para os larápios do governo com certeza.

Aí que eu digo, Oh Deus, Estamos voltando pra casa, eu e a Marta, ela topou tudinho, louca pra conhecer minhas gurias, a tarada, a cama de 40 metros quadrados e tal, e na esquina da Rua Olavo Bilac encontro a Márcia, de pronto saltou à mente a calcinha marrom, que vinha arrastando uma mala e outros badulaques. Não a via há quatro anos. A Márcia morava com a gente, mas apareceu um zé-bonito, boa conversa, carro do ano, era cliente do cabaré, ela ficou encantada com a promessa de casamento, de lua-de-mel numa praia de Porto Rico e nos abandonou. Eu deixo ir, por mim... Filha da mãe, marquei na paleta.

O cara usou e abusou, logo ela estava pendurada no pincel. Eu não dei guarida, nem me pediu. Desde que o mundo é mundo é assim, mas soque na cabeça das tantãs, nem Jesus consegue. Putinha é foda, meu.

Ela trabalhava numa boate ali adiante, mas por alguma razão se desentendeu com a testa-de-ferro do lugar, pois o dono é finório e nunca aparece, e saiu de mala e cuia, ela sempre foi brabinha. Bateu os olhos em mim e caiu de joelhos: "Me perdoe, Salito, como fui burra, me perdoe, deixe eu voltar pra nossa casa, meu amor". Cortei os choramingos: tá em boca de rua? Levante, mulher. Caiu de joelhos logo sobre uma poça dágua, a abobada.

Nossa casa um caralho, pensei, mas fiquei frio.

Não sei dizer não pra mulher chorando. Disse bora mulher, vem comigo, ora se rebaixando na rua, parece puta fingida, levante, machucou os joelhos. E seguimos, a Marta, a Márcia e eu. A chuva engrossou. Eu com os cartões da Lotofácil no bolso, a Marta ajudando a nova amiga a carregar seus trastes, ambas se esforçando para me acompanhar. A pedra que ela me deve vai pagar com juros, um milhão por cento.


Ontem postei no feicebuc que estava em um relacionamento sério com vinte mulheres, a amiga Silvana me ajudou com o cartaz com os dizeres (ela botou 20 "muié", pra me sacanear), mas arrisco: daria muito trabalho, Sil, mudar pra vinte e duas?

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sábado, 6 de septiembre de 2014

Fabiano Caruana

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No mais forte torneio de todos os tempos, reunião de seis gênios em jogos de ida e volta, blancas e negras, o jovem Grande Mestre (GM) italiano Fabiano Caruana deu um show, com duas rodadas de antecedência já era o campeão da Sinquefield Cup, em Saint Louis (USA).

Vai para a décima e última ronda, neste sábado, de negras contra o armênio Levon Aronian, novamente de coração doce, com 8/9, sete vitórias e dois empates, os empates quando já estava com a mão no cobiçado troféu e somente administrou os resultados.

Uma surra jamais vista em torneios de tal magnitude, sacudiu o planeta. O adversário mais próximo, o campeão do mundo Magnus Carlsen, tem 5/9. Magnus perdeu apenas uma (para Caruana), porém empatou seis, o que lhe deixou fora do páreo, com somente duas vitórias.

Na foto, Caruana pensa na sexta ronda, quando bateu ao búlgaro Veselin Topalov, ex-campeão do mundo (2005, em San Luís, Argentina). 

O eletrizante gênio da nossa espécie levará 100.000 dólares de prêmio, uma miséria diante do que ganham muitos brucutus, mas essa é a realidade do mundo em disputas onde não é o confronto corporal que vale.

Que bons ventos sigam impelindo o moço, para que esteja frente a frente com Magnus Carlsen quando este colocar o título mundial em jogo.