Um ano e meio depois da estréia nos cinemas, enfim assistimos ao premiado documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, resultado de 15 anos de pesquisa.
Chaim é um cineasta carioca nascido em 1954, há 20 anos funcionário da ONU, atualmente chefe do departamento de TV em Nova Yorque.
Trata do envolvimento da classe empresarial na Operação Bandeirantes (OBAN), o ovo da serpente da ditadura imposta ao país pela chamada "classe dominante", isto é, os larápios de sempre: banqueiros, empreiteiros, donos das comunicações et caterva. Os mesmos a quem Palocci e muitos outros se venderam.
Da OBAN resultaram os DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) em todo o Brasil, isto é, os centros de tortura.
Pelo documentário é fácil perceber a quem Sarney e Collor representam atualmente, na defesa de sigilo eterno de certos documentos oficiais. Cara-de-pau não lhes falta.
Já os militares dizem temer repercussão negativa pelos documentos da guerra do Paraguai. Insultam a inteligência da sociedade, pois o vizinho sempre soube - sofreu na carne -, como de resto o mundo inteiro, que não foi guerra, foi genocídio. Até as aves do Sul sabem que os problemas são outros, a começar pela Operação Condor.
O filme está na internet, em 10 partes, desde 7/8/2010, pelo que se supõe que Chaim autoriza a reprodução.
A Sinfonia Concertante K 297-B. A obra para flauta, oboé, trompa e fagote, de 1778, cujo manuscrito foi perdido. Mozart, sempre sem dinheiro, julgou que o extravio foi pura maldade dos parisienses.
Estranhamente, a maravilhosa peça reapareceu quase cem anos depois. Até os dias de hoje especialistas discutem se a composição é mesmo a original, pois muitos defendem que sofreu alterações ou que foi concluída por outro compositor.
Numa coisa parece que há unanimidade: toda a peça é bela, e a parte orquestral é sublime.
Aqui, o segundo movimento. Bem, uma parte dele, infelizmente no youtube a tesoura não pára, judiaria.
O maestro Daniel Barenboim nasceu em Buenos Aires, em 15/9/1942. Descendente de judeus russos, possui as nacionalidades argentina, israelense, palestina e espanhola. Doutor em Música pelas Universidades de Bruxelas, Oxford e Londres, e em Filosofia pela de Jerusalém. Por tudo que representa, é detentor de uma extensa lista de premiações e honrarias.
A orquestra que o acompanha é a West-Eastern Divan, uma orquestra de jovens a que se dedicou, baseada em Sevilha, Espanha, com músicos de países do Oriente Médio, Egito, Irã, Israel, Jordânia, Líbano, Palestina e Síria.
Hoje Francisco Buarque de Holanda completa 67 anos.
Filho de intelectuais, desde menino conviveu com diversos artistas, amigos de seus pais e da irmã Heloísa, entre os quais João Gilberto, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Tom Jobim, Alaíde Costa e Oscar Castro Neves.
Chico é o que se pode chamar de unanimidade nacional.
Outro dia, lendo as insultuosas manifestações de governantes e da imprensa italiana, ambos propriedade do peripatético, um perigoso irresponsável, o fascista Silvio Berlusconi, sobre uma decisão soberana do presidente do Brasil num caso controverso, acabamos lembrando da Etiópia, antiga Abissínia.
Ainda: lendo sobre a posição do Itamarati, a favor do sigilo eterno de documentos, ficamos muito curiosos a respeito do voto brasileiro no infame incidente de 1936, bem como sobre a atuação da diplomacia brasileira nessa e em outras ocasiões.
A Etiópia - significado de "terra de paz superior", segundo especialistas - é o sítio que possui os traços mais antigos da humanidade, bem como um dos países mais velhos do mundo. Sua dinastia remonta a dez séculos antes de Cristo. A Igreja Ortodoxa Etíope - nada tem a ver com a Católica, é independente, mas reconhece a ascendência da Igreja Ortodoxa Copta, estabelecida por São Marcos no Egito, cujo chefe é o Papa de Alexandria, sucessor de São Marcos - afirma que na igreja Nossa Senhora Maria de Zion, em Aksum, repousa a Arca da Aliança mencionada na Bíblia, dentro da qual estariam as Tábuas da Lei onde estão inscritos os Dez Mandamentos. Segundo descobertas e estudos recentes, é o berço do homo sapiens. Até 1935 nunca fora dominada por uma potência externa. Todos os seus vizinhos de fronteira já haviam se transformado, a ferro e fogo, em colônias inglesas, francesas e italianas.
Tendo como pretexto um mero tiroteio na divisa com uma colônia italiana (Eritréia), em 3 de outubro de 1935 os exércitos de Mussolini iniciaram a invasão. Houve tenaz resistência dos etíopes, enfrentando as armas modernas do invasor. Um morticínio terrível, para os africanos: pedras e lanças contra metralhadoras, tanques, canhões e gás venenoso.
A Etiópia valeu-se da Liga das Nações, que decretou sanções ao invasor. Sanções de mentira: em 5 de maio de 1936 houve a ocupação de Adis Abeba. O fracasso da Liga em impedir a agressão foi um sinal do que viria em 1939: a pior guerra de todos os tempos, a segunda mundial.
Em 30 de junho de 1936 o imperador Hailé Sélassie (nascido com o nome de Tafari Makonnen, em 23/7/1892, morto em 27/8/1975), novamente recorreu à Liga das Nações, se fazendo presente na reunião em Genebra, onde proferiu o seu mais famoso discurso.
Os livros de história contam sobre a fala do etíope:
"Certamente que aquela sessão de 30 de junho de 1936 foi a mais constrangedora que a Sociedade da Liga das Nações assistiu na sua curta existência. De pé, no púlpito frente ao microfone, o Négus (Rei dos Reis), o imperador da Etiópia Hailé Sélassie, um homem pequeno, barbudo, com uma capa preta sobre os ombros, de enorme dignidade, protestava contra a invasão do seu reino africano pelas tropas da Itália fascista. Viera invocar o principio da Segurança Coletiva, segundo o qual um ataque a uma nação integrante da Liga significava uma agressão a todos os seus membros. Nas laterais, tentando impedir o seu discurso indignado, lido em aramaico, jornalistas italianos apupavam e vaiavam o estadista. Pior ainda foi o resultado da votação em que ele pedia que os delegados não reconhecessem a conquista do seu país feita pelo agressor, que naquelas alturas já havia ocupado a Etiópia."
Os italianos sairam da Etiópia em 1941, empurrados pelos ingleses na segunda guerra mundial. A partir de então, deu-se a presença inglesa, com sua costumeira "ajuda".
Hoje a Etiópia, terra de petróleo e diamantes, de governantes carniceiros e de uma nomenklatura de nababos, é um dos países mais pobres do mundo (atrás somente da vizinha Somália, esta faminta também com a "ajuda" inglesa), onde o flagelo da fome é uma vergonha para a humanidade.
Hailé Sélassie, também conhecido como Ras (príncipe) Tafari, é tido por muitos como uma divindade, a encarnação de Jah (Deus) na Terra. Négus (Rei dos Reis), Conquistador de Judá, Senhor dos Senhores. A dinastia do trono que ocupou remontaria, tradicionalmente, ao Rei Salomão e à Rainha de Sabá. Inspirou o movimento, ideologia ou religião Rastafari, que se espalhou pelo mundo graças ao jamaicano Bob Marley.
Tudo o que se disser sobre Hailé Sélassie será pouco. Certo é que foi um grande homem e um grande pensador. Se o tivessem ouvido em suas preocupações com o multilateralismo e a segurança coletiva, certamente o mundo seria outro.
Abaixo, fragmentos do seu discurso na vergonhosa sessão da Liga das Nações em 1936.
Eu, Hailé Sélassie, Imperador da Etiópia, estou aqui para reclamar justiça para com meu povo, bem como a assistência que há oito meses passados prometeram a ele, quando, na ocasião, 50 nações concordaram que uma agressão, violando os tratados internacionais, havia sido cometida contra ele.
Não há precedente de um chefe de estado ter vindo falar nessa assembléia, como não há precedente de um povo ser vítima de tal injustiça, estando no presente abandonado e colocado em risco de vida por seu agressor. Igualmente nunca se viu o exemplo de um governo proceder o sistemático extermínio de uma nação por meios bárbaros, violando as mais solenes promessas feitas pelas nações da terra de não usar contra seres humanos inocentes as injúrias do gás venenoso. É para defender um povo que luta pela sua antiga independência que o chefe do Império Etíope veio até Genebra para cumprir com o seu dever, depois dele mesmo ter lutado no comando dos seus exércitos.
Além disso, nunca se viu tão gritante exemplo de um país que tenha se posto a extinguir metodicamente, por meios cruéis, toda a raça de um outro povo, em transgressão a normas de um acordo ao qual aderiu honrada e publicamente, na forma de um tratado concluído com as nações do mundo, que determina que nenhum governo poderia tirar do outro sua própria nação por meio da guerra e que não poderia exterminar inocentes com gás toxico.
Este assunto que trago perante a Assembléia Geral da Liga das Nações Unidas não visa apenas resolver o que a Itália fez, por meio de agressão. Eu diria que isto toca a todos os governos do mundo. Esta é uma questão que envolve o dever de governos de assistir uns aos outros para estabelecer a segurança mundial, coletiva, envolve a própria sobrevivência da Liga das Nações, envolve a confiança que as nações podem depositar nos tratados que firmaram, envolve os valores depositados em promessas que os países pequenos receberam em relação à inviolabilidade de seus territórios e independência, o respeito a esses valores, envolve analisar se o princípio da igualdade entre as nações se confirma ou se os pequenos deverão se submeter ao subjugo dos poderosos.
Em suma, não se trata apenas da Etiópia em questão, mas sim da forma decente de vida dos povos do mundo, que foi afetada e prejudicada.
Além do Reino de Deus, não há governo humano que tenha mais mérito do que o outro. Mas, nesta Terra, quando um governo poderoso acredita que está certo eliminar outra nação, contra a qual nenhuma ofensa tenha sido provada, então chegou a hora do prejudicado trazer os males que vem sofrendo perante à Liga das Nações. Deus e a História estarão observando, como testemunhas, o julgamento que será dado aqui. Peço a Deus Todo-Poderoso que ele poupe as nações do terrível sofrimento que recentemente infligiram ao meu povo, sofrimento que os que me acompanham aqui foram as testemunhas horrorizadas. É meu dever informar aos governos reunidos em Genebra da responsabilidade que eles têm sobre as vidas de milhões de homens, mulheres e crianças, do perigo mortal a que eles estão submetidos, descrevendo aqui o destino que sofre a Etiópia. O governo italiano não faz a guerra somente contra os guerreiros, mas contra toda a população, ainda que afastada das hostilidades, com a intenção de aterrorizá-los e exterminá-los.
Vocês os grandes poderes, que prometeram dar garantias de segurança coletiva, para evitar que nações pequenas sejam extintas e que o destino que está tendo a Etiópia também venha a ser o seu, consideram vocês que tipo de assistência oferecer, de tal forma que a liberdade do povo etíope não seja destruída e sua integridade territorial seja respeitada? Vocês, os representantes do mundo, se reúnem aqui! Eu vim até vocês, aqui em Genebra, para cumprir o mais triste dever de um Imperador. Que resposta devo levar de volta ao meu povo?
Vocês jogaram um fósforo aceso na Etiópia, mas ele vai queimar a Europa!"
Enquanto 25 membros da Liga das Nações se abstiveram, 23 votaram contra a proposta de Sélassie. A favor, somente o voto etíope. Os representantes do mundo, capitulando, aceitaram o fato consumado: Mussolini havia se apropriado do reino de Négus. Três anos depois a Europa ardeu em chamas, o horror em sua forma mais vil. Mussolini foi fuzilado em 1945 pela resistência italiana, e o seu corpo foi exposto pendurado de cabeça para baixo num posto de gasolina de Milão.
Sélassie foi assassinado pelos milicos do seu país, quando a milicagem era moda. Como se sabe, a ONU sucedeu a Liga. E nada mudou.
Sonia Priego (21/1/1980, Écija, província de Sevilla, Andaluzia, España).
Vivia na localidade de Écija, onde montou sua academia de flamenco. Certa noite do mês de abril de 2000, em Sevilla, cantando em um karaoke, alguém a viu e tudo começou.
Surgiu LA HÚNGARA (nome dado por uma das suas alunas de flamenco).
Pop-flamenco! Muita gente torce o nariz, mas está longe de ser uma Xuxa (putz, de novo, citando bichos aqui). Também não diria que equivale a sambão-rock-sertanojo, mas tem algo..., e ..., deixa para lá.
Aí está. O estilo de cantar dos mouros da Andaluzia é evidente.
Não conseguimos descobrir o nome do artista. O título, em hebraico, diz algo como "incrível poder de equilíbrio".
João da Noite não se impressiona: discorre sobre as leis da física, equilíbrio estático, conhaque para firmar a mão, etc., para concluir que faz isso na hora que quiser, de bombacha, chapéu de barbicacho e bêbedo. Acreditamos.
E faz diante do nariz de todo aquele público, câmeras, luzes, música, num teatro que, se não for o próprio, é igual ao Le Plus Grand Cabaret Du Monde, famoso programa da tevê pública francesa, contumaz em bater as globos de lá nos índices de audiência.
Yo-yo Ma (Paris, 7/10/1955) e seu cello. Um prodígio, aos 8 anos de idade já se apresentava sob a condução de Leonard Bernstein. Eclético, não ficou na música erudita, vai do jazz ao tango.
Aqui vem com Piazzolla. Alguns puristas, com razão, não gostaram do vídeo, pela edição, dê-lhe tesoura, deixaram a peça pela metade. Enfim...
No bandoneón um dos melhores do mundo, nada menos que Eudes Néstor Marconi (Rosario, Argentina, 7/6/1942), maestro, compositor e arranjador.
No vídeo, ainda: Leonardo Marconi ao piano, parece Antonio Agri ao violino, os demais não reconhecemos. A formação é idêntica ao Quinteto Nuevo Tango, do Piazzolla. Aqui, sexteto.
Somos gratos ao pessoal que coloca no youtube, ao alcance de todos, essas maravilhas da música. Mas não custaria nominar a todos os artistas, honra ao mérito.
Milhares de reclamações... Este bloguinho não toca música do colonizador, o chefão das redes de televisões, dos políticos, das rádios, das músicas norte-americanas que encantam incessantemente o dia-a-dia dos brasileiros, uma atrás da outra, do manda-chuva herói... Lavagem gostosa. Jamais esquecerei a genialidade de Philadelfo Menezes: "Clichets, goma de mascarar, sabor mental", junto a uma caixinha de chiclé Adams. Eu era criança mas vi.
Os heróis das músicas, dos filmes, desprezados por um bloguinho lido somente por 50 mil pessoas, ah, é demais. O Tio Sam das bombas mortais, do Rambo valentão.
Cá entre nós, amigos de Bagé, de Mendoza, de Santa Maria, de Cachoeiro do Itapemirim, de Maringá, de Livramento, de Belém, da Palmeira, de Ijuí, Santiago e Récife, de... de todos os lugares, o americano especialista em cortar gente em Guantánamo é bambizinho, nada contra ser homo, tudo a favor da liberdade, mas detesto isso de fortão, machão, roupa preta, malvadão, para depois... É o horror!
Salito e toda a sua catrefa não prestam, disseram algumas mensagens, são maus e recalcados.
É um orgulho ser chamado de recalcado, desde menino. Quem vê a judiaria, promovida por incompetentes, sobre gente de valor cuja única culpa é ter tido boa mãe, gente que não sabe roubar, nem conseguiria se tentasse, gente que ao se ver sem nada, sem dinheiro, anda de cabeça erguida... e grita, é chamado de recalcado. Mas, quem os chama assim?
Ah, é uma honra ser recalcado. Tenho muito medo de quem não é, ou diz que não. "Neste mundo de mortes, de fome, crianças em esqueleto, o sujeito, para não ser recalcado, deve ser muito insensível, muito ruim ou muito burro" (João da Noite).
É pior, João.
Pois isso acabou. Curvo-me.
Submeto-me a Síndrome de Estocolmo. Amados.
Começo a pedir perdão, com música. Hei de conseguir ser como a maioria, hei de vender meu país. Serei político impotente. Terei dinheiros, muitos, mal havidos, falarei bem em discursos, emocionarei gentes em vilas, serei vereador, deputado. Ficarei tonto ao receber elogios de seres como serei. Serei rico.
Serei admirado pelos pobres escravos de má escola, judiarei professores, e na conversa os manterei assim, inertes, desarmados, como eles, os "ricos" do Brasil sempre fizeram e farão. Comerei todas as lindas mulheres, com o carro de um milhão, com o papo adoçante, sincero... Serei um deles. Hei de me redimir. Serei melhor que os humanos com fome, os que me sustentam e a todos os meus iguais quando serei.
Música norte-americana, hábitos, roupas, sons, que sempre amei e passo a adorar. Morte aos muçulmanos, do outro lado do mundo, onde invadimos para buscar petróleo. Morte às bananas da América Central. Morte a... todos que tenham recursos naturais.
Assumi, curvo-me. Minha vida, única, é deles. E passo a tocar músicas dos Estados Unidos.
Então, em 1931, no mesmo ano em que Ira e George Gershwin compunham Somebody from Somewhere, Blá blá blá e mais uns três sucessos, para revigorar com amor La Gran Manzana, e Seymour Simons e Gerald Marks se saíam com All of Me, e Herman Hupfeld com As Time Goes By, enquanto Isahm Jones também explodia nas paradas com Stardust, enquanto os Estados Unidos tentavam sair do atoleiro dos seus partidos corruptos, mafiosos, como o nosso Brazil de agora, 80 anos depois, enquanto isso...
No mesmo ano de 1931, o espanhol Enric Madriguera (Rodon, Barcelona, Cataluña, España, 17/2/1904 - Danbury, Connecticut, EUA, 7/9/1973), compôs um mambo com um letrista chamado Eddie Woods (não achamos referência na rede mundial, aliás, achamos muitos Eddies Woods, mas não ele, a quem souber rogamos que nos envie). Ia passando nas nuvens, na cabeça a música com o singelo e direto título: Adiós.
Um mambo, pode?
Que naquele ano bateu a tudo e a todos em todas as paradas dos Estados Unidos.
Não precisava, mas é mais uma prova cabal que de música até bandido gosta, quando é boa.
Meninos... gurias.
Como falamos sobre o bolero argentino Vete de Mi em relação a Cuba, onde até os recém-nascidos sabem cantarolar e assoviar, a composição de Madriguera e Woods, Adiós... não há em todo o mundo quem nunca tenha ouvido. Most Famous Song na terra do Tio Sam.
Adiós já foi gravada como fox-trot, rumba, bolero, cha-cha-cha, salsa, rancheira, tango... rock pauleira duvido, é coisa que jamais vi alguém assoviando.
Mas é mambo en su origen.
Madriguera aos 20 anos, em 1924, era o principal violinista da Sinfônica de Boston. Logo, logo, grande maestro. Soltou-se. Em 1946 liderou a Sinfônica de Cuba, viajou pelo mundo, fez o diabo, sendo o Embaixador da Música para as Américas. É dele a melodia de Adiós.
Não há músico, que mereça esse nome, em Nova Iorque que não chore em fim de noite, bebendo com os amigos, ao lembrar Enric Madriguera, por ver, ouvir ou ouvir falar. Amigo e confidente da "doida" Anaís Nin, por toda a vida.
Cumpre-me informa-los, queridos amigos do blog, da má notícia: Caetano não gravou (que eu saiba), milagre.
O mundo não o esquece. E à sua orquestra, onde sua mulher Patricia Gilmore era uma das cantantes. Olhem só a composição: Nilo Menéndez (pianista), Carmen Cavallaro (pianista), Helen Ward (1933, cantante), Tito Rodríguez (cantó y tocó los bongos en 1941), Jane Greer (1943, cantó en una temporada que la Orquesta estuvo en el Club del Río de Washington), Joe Loco (pianista, este dos nossos), René Touzet (1945-1946, pianista). René é o autor de Me Contaran de ti e de La noche de Anoche. E muitos mais, tantos...um melhor que o outro.
Com a sua Enric Madriguera and his Orchestra, naqueles anos somente competiam a Orquestra Siboney e a de Xavier Cugat. Competiam, bem entendido, pois Xavier Cugat era seu grande amigo, se não o melhor dos poucos que tinha.
Lalia Madriguera, sua filha, anda ainda pelo mundo, centelha impagável de amor, saiu ao pai.
A melodia embalou muitos filmes, etc, e tal, e fim.
Mas fico com a consciência pesada, e o letrista (letra ao final), cadê Woods?
Letra curtinha, simples, mas que Madriguera aceitou porque tinha o espírito do que o impeliu ao elaborar a música.
Onde quer que esteja, saiba que diria de ti igual que falei de Enric. Eterno.
Preferiria colocar como mambo mui caliente, mas, neste Dia dos Namorados, vai com a famosa pianista, única, Carmen Cavallaro (Nova Iorque, 06 de maio de 1913 - 12 de outubro de 1989), que abrilhantou, como todos os demais músicos, a orquestra de Madriguera em certo momento de sua vida.
Adiós. Dá o que pensar. Pensemos muito, mas muito, pesemos nossos atos, antes de dizer essa palavra, ela no Brasil tem ares de nunca mais.
Na letra do Woods, é um Até já, meu amor, me vou, aos pedaços de saudade, e temeroso.
Adiós.
Me voy linda morena lejos de ti, el alma hecha una pena porque al partir temo que tú olvides nuestro amor; hermosa flor, mi alma cautivaste con la fragancia de tu candor. Tú eres toda mi ilusión tú eres mi dulce canción. Adiós, me voy linda morena lejos de aquí, a llorar mi tristeza lejos de ti.
Em desabalada fuga dos faustões da vida (não acredito que eu disse o nome do bicho aqui), andamos pela europa central.
Na tevê polonesa encontramos Waldemar Malicki (Lublin, 3/10/58) e Filarmônica Dowcipu. Uma festa.
Malicki, além de notável pianista, é um grande humorista.
A Dowcipu é de outro mundo, maravilha.
E depois, kabaret na Cracóvia.
Fantastyczny kawałek genialnego polskiego kompozytora z Argentyny, w "porażającej" aranżacji. Por lá também andam afirmando, graças a informações precisas de um conterrâneo que veio para o Brasil no início do século XX, o Sr. Tigran Ordakowski, do Alto Uruguai, que Piazzolla na verdade era polaco. Hein?
Carlito Yanés caiu pela morena da viola, lembrou-lhe Ju Betsabé, e ele não gosta de loiras.