viernes, 20 de septiembre de 2013

São Vicente di Longe

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Cesária Évora, a modesta deusa descalça.









Quem q'oiá
São Vicente di longe
Ca ta imaginá
Qui tromente nô ta passá
Oi tonte corrê pa riba
Oi tonte corrÊ pra bôxe
Sem rume sem direcção
Oi tonte subi furtim
Oi tonte subi tribunal
Sem esperança sem ventura
Nossa Senhora da Luz ta
companhóne
Senhor São Vicente ta
guióne
Quê nô tem fê d'sal
vá um dia

jueves, 19 de septiembre de 2013

Perfídia (19) - Trio Irakitan

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O bolero, um clássico mundial, é de Alberto Dominguez (Alberto Dominguez Borrás, San Cristobal de las Casas, Chiapas, México, 21/4/1911 - 2/9/1975), que o compôs em 1939.

Hoje vai com o Trio Irakitan, que o gravou em 1962, com versão de Lamartine Babo.







domingo, 15 de septiembre de 2013

A calma do mongol, n'A Charge do Dias

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Há tempos não acontecia. Hoje Marquito Açafrão entrou no botequim ainda durante o horário do chimarrão dominical, que vai das 8 às 9 h, e gritou: 

- Salta um rabinho, Portuga!

Pronto, adeus chimarrão, os demais pediram a famosa caipirinha que só o Portuga sabe fazer, com vodka, limão siciliano e uma folhinha de hortelã. Bruno Contralouco foi o único a seguir o Marquito, indo também de rabo-de-galo. O lusitano olhou preocupado para o lado de ambos, murmurando "Ai-ai-ai, cachaça com vermute, hoje loguinho teremos dois gajos bêbados".

A turma segue chegando, cada um largando na mesa do Wilson Schu o seu meio quilo de carne. Schu é doido pela lida, se alguém se escalar de assador ele fica beiçudo o resto do dia. O Clóvis Baixo, que assa tão bem quanto o Schu, é um dos poucos que se habilita, mas contorna os sentimentos do amigo se escalando como seu auxiliar.

Jezebel do Cpers chega, larga sua maminha, depois aperta uma cadeira na mesa principal, pede seu martini seco e passa a seguir a história que Aristarco de Serraria conta:

- ... ao amanhecer a sua predileta havia feito beicinho por uma bobagem de ciúmes, furiosa quase derrubou a enorme tenda de campanha, em seguida a carne que lhe serviram de desjejum estava sem sal. Ainda assim o mongol aparentemente manteve a serenidade. Não iria mudar seu proceder por causa da chinoca, os homens conheciam seus hábitos de guerra, qualquer mudança seria mostra de fraqueza. Parou de chofre em frente à fortaleza sitiada. Ergueu-se no cavalo e olhou atrás de si, aos 200.000 cavaleiros que se estendiam pelas coxilhas, ansiosos pelo saque e pelas mulheres do inimigo. Depois de vencer ao exército adversário no dia anterior, agora estava a 200 metros dos portões da cidade persa. Ríspido disse ao seu segundo: "Mande homens avisar que seu exército neste momento é comida de abutres e hienas. Se entregarem a cidade sem reação, levarei somente um de cada dez homens como escravo, destruirei suas imagens e trocarei seus cânticos, matarei somente os chefes e suas famílias, pela fome dos campônios que vi pelo caminho. Levarei duas de cada dez mulheres jovens, as princesas que não quiserem morrer irão para meus guerreiros mais modestos. Nada mais, viveremos em paz, logo partiremos. Que a mensagem seja levada pelos 50 prisioneiros, libertem-os, que entrem na cidade e gritem ao povo para que a nobreza não esconda a minha intenção de paz. Se reagirem, morrerão todos e suas crianças queimarão ao sol com os corpos cobertos de sal. Aqui ninguém apeia, compañeros, eles têm uma hora para decidir!". Seu último grito foi respondido por um urro que ecoou a cinco léguas. Cada chefe de horda foi gritando aos comandados a mensagem enviada pelo Temujin, concatenados, sem se mexerem a não ser por dar voltas com o cavalo e passar adiante, até que o último soubesse. O tempo foi passando, sumiram os flecheiros, nas muralhas surgiram algumas mulheres de branco, algodão, por dentro nuas, erguendo nenês lá em cima, aumentou, outras vieram, agora nuas sem crianças... A horda inteira esperava que saísse o rei, para ajoelhar diante do conquistador, e aí...

Luciano Peregrino vem chegando com jeitão de estar de noite atravessada, ouve a última frase, já conhece a história e exclama:

- Aí o mongol mandou o seu bruxo se enganar com o relógio de areia e passados cinquenta minutos invadiu e matou todo mundo. Estupraram, jogaram criancinhas no fogo, espetaram. Pra verem o que faz uma mulher, raça maldita...

- Pronto, aí chegou um borracho a quem já contei e me estragou a história, piorando irremediavelmente, disse o filósofo Aristarco. - Não mandou nada, o bruxo que se enganou, e nem era bruxo. Vamos falar de futebol.

- Tá bom, mas se não foi o mongol foi a mulher, vingativa como todas, que corrompeu o bruxo do relógio, mulher é bicho ruim, insiste Luciano.

Aristarco não perde a calma:

- De onde está vindo bêbado assim, meu amigo?

Luciano olha as bebidas dos amigos, pára na do Contralouco e diz:

- Bêbado nada, tava com uma tianga que me tirou do sério, não pude dormir e tomei uns tragos de leve. Ahahah de leve. Ei, Contra: Gengis Khan, além de ter muitas mulheres, era chegado num rabinho como esse que tu tá tomando, bebeu cinco depois que a princesa lhe encheu o saco, essa mistura enlouquece qualquer um.

- Vai ver se estou lá na esquina, Luciano, diz o Contralouco.

- Vai à merda, Lú, disse Jussara do Moscão, ainda indignada com a tirada de que as mulheres são vingativas.

- Bah, bom seria um mongol parar o cavalo na frente do Congresso Nacional, ansioso por sal, depois de um dia de luta horrível atrás de um salário mínimo, depois de uma noite que deveria ser para descanso e que foi de recriminações e que acabou em estranhamento com uma putianga, disse Chupim da Tristeza, no que foi aplaudido efusivamente pelos boêmios.


Assim começou o domingo no Beco do Oitavo.


Leilinha Ferro propõe que as obras do dia sejam escolhidas logo, depois ficarão livres para o que quiserem. Essa é uma tarefa que todos gostam, mãos à obra.

Ficaram com as seguintes.

S. Salvador.



Marco Aurélio.



Gustavo Moscão diz que encheu o saco de política e convenceu os amigos a votarem no futebol. Por alguma razão todos são torcedores do Galo neste domingo, aniversário do Grêmio. Jussara (do Moscão) disse, bem-humorada, que desconfiava que não é bem de futebol que o Gustavo gosta. Com o Duke.



Durou pouco a recaída. Vieram com o Nani.



J. Lima.



Miss Leilinha Ferro, a gatinha do PSOL, ficou com o Sinfrônio.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.
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Laura - Altemar Dutra

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Novamente a belíssima composição de Alcyr Pires Vermelho e Braguinha, de 1957, hoje com Altemar Dutra.


viernes, 13 de septiembre de 2013

Tu és o maior amor da minha vida

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Hoje trazemos novamente Silvinho (Sílvio Lima, Petrópolis, Rio de Janeiro, 5/dez/1931) aos ouvintes da Rádio Espantado. 

Lá por entre 1961 e 1964, ano em que o Brasil caiu na escuridão incentivada pelas conservadoras de Bagé, botou abaixo corações com sinceridade e amor. Depois desapareceu, parece que andou dando um tiro em alguém, no que não vamos nos estender, fica a esperança de que tenha sido num general.

Enfim...

Salve, Silvinho!


jueves, 12 de septiembre de 2013

Ódio de impotência, n'A Charge do Dias

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Desde o botequim do Beco do Oitavo, alimento o blog pela tábua de Leilinha Ferro, não sem a sua ajuda. Cheguei de chinelos de dedo, bermuda e camisa regata do Peñarol. Uma festa, a recepção, a turma é carinhosa. 

Essa do amado Peñarol, que adoro, depois de longos, demasiados, anos sem interlocução consegui contar à moçada, apareceram Alex, Bruna/o, Carlo/s, Juans, Jus, Luciano, Lori, Maga, Mareu, Natividad,... Zuz, sempre em ordem alfabética porque coração não tem ordem, a não ser a da precisão, outros ficam para outro dia porque agora bem não lhes faria. Vai um abraço ao pessoal do Armênia, em San Pablo.

O Peñarol é o único clube do mundo que dispensa títulos, dispensa dinheiro, a idéia é ajudar meninas e meninos. Quanto aos meninos, ah, milhares de meninos, por causa do futebol, paixão das massas. O Peñarol é o oposto de gentalhas como Ronaldão Traveco da CBF e da Globo, de Corinthians, Flamengos, Inter ou Grêmio, drogas onde assaltantes se fartam. Brutal oposto, que não contamina o nosso doce carvão de pedra. A história é muito mais longa, mas está explicado, para quem estranha, se alguma vez estranhou, afinal nasci em trânsito e fui registrado em Carazinho, RS, que não conheço. Poderia ter sido em Montevideo, foi lá, em um local que só eu sei.

Não sou santo, andei transando com mulheres, uuui, coisa que santos de asas não fazem, segundo a lenda, mas sou Peñarol até morrer. 

Dale, Carbonero! Olho para as minhas costas, asas que é bom... Gostei do jeito de caminhar daquela alemoa que vai passando no outro lado da rua.




Um completo desânimo no botequim. Assistiram pela tevê aos debates do Supremo Tribunal Federal, 6 a 5 a favor dos mensaleiros.

- Hoje o Barrosão vai tomar champanhe de dez mil contos com o José Dirceu, disse Carlinhos Adeva, o diretor jurídico do Partido dos Boêmios. 

- Animais de vaselina na cara!, exclamou Clóvis Baixo.

- Quem é esse Barrosão?, perguntou Jezebel do Cpers, recém chegada.

- Um dos ministros que a Dilma botou lá de encomenda para reforçar o time do Complikowski. E veio com um papinho de que ele é que é honesto, um pedante rico do papai por advogar pelos ricos, só ele é homem, nós aqui somos tudo povinho, restos sombrios da sociedade, a sociedadezinha dele, qualquer neguinho de rua, tivesse a oportunidade que ele teve, não teria aquela cara de... Ele que vá tomar bem dentro, o abobado da punheta, que se viu um prostíbulo foi pagando, se viu miséria foi pela CBS americana, não tem um por cento do mundo do Negrote que vive debaixo da ponte, ora, homem honesto..., respondeu Carlinhos, ressentido.

- O cara é isso tudo, Salito?, me pergunta o Portuga.

- Pergunta besta, meu mano, respondo. Abstraídos os exageros, o desabafo, concordo com as manifestações de desagrado, não é para menos. Vou adiantar uma coisa: esse tal de Barrosão não conheço, mas o cenário onde somos atores que ninguém vê, eu vi, e é muito pior.

Um estranho, que depois eu soube ser o Renato de São Gabriel, em pé no balcão, não se aguentou e disse "Me desculpem a intromissão, amigos, desde que o mundo é mundo é assim, ainda bem que a ditadura dos criminosos se foi".

Clóvis levantou a cabeça, olhou com seus olhos vermelhos para o Renato, e disse alto no silêncio do bar:

- Presidente Salvador Allende!

O bar inteiro respondeu: "Presente!".

- Gente, vamos esquecer isso, hoje até eu estou com vontade de cortar os pulsos, não adianta a gente se iludir, ninguém nunca irá preso, salvo algum merdinha do baixo clero que roubou miséria de dez milhões, disse Nicolau Gaiola, O Desencantado, que tem ojeriza aos papos sobre dominação de brutos sobre cordeiros.

- É, só dez, mas que seja cinco, amanhã ou depois os filhos deles vão esfregar na cara do meu guri o carro estrangeiro, o meu  guri que tenta ser direito como eu, vão rir dos meus no colégio, vão tentar comer a minha menina só para se divertir, zombando da sua roupa simples. Acham que são deuses. Com dinheiro roubado... eu também quero matar esses caras, desabafou Freddy Lorpa.

- Hoje fez 40 graus em Porto Alegre, falou Tigran Gdanski, tentando mudar de assunto.

Boa tentativa, ainda está um calor dos infernos, mas frustrada porque nesse momento o Contralouco, outro ausente à sessão da tarde, entrou a mil no bar, aos gritos:

- Vocês viram!? Eu vou matar aqueles filhos da puta! 

Silêncio no bar. Alguém liga a televisão (sem som, ninguém suporta os narradores e comentaristas), o Inter enfrenta ao glorioso Vitória da Bahia em Novo Hamburgo.

- Quem, os ministros do Supremo? - ouve-se a voz de Jussara do Moscão.

- Todo mundo! Ministros, mensaleiros, políticos, aspones, o caralho! Se esse povo de merda não sair às ruas amanhã e quebrar tudo tem que se fuder mesmo! São tudo cuzão esses ministros, vaidade, estudam, estudam, os merdas ricos, e não lhes entra na cabeça que estão mortos! Vamos todos morrer! Não existe Deus! Ninguém vai ler seus garranchos mentindo que sem compromisso! Filhos da puta, são compromissados sim. Ninguém vai ler! O povinho nem sabe quem foi Alvares de Azevedo, que ontem morreu aos 20 anos! Malditos que subtraem escola e tudo, para roubar... Por dinheiro! Covardes!

- Então tem que matar a todos, desde 198..., perguntava Jezebel quando foi cortada abruptamente.

- Calma!, tu é um cara gentil, singelo, Contra, o que é isso, falou Ain Cruz Alta.

- Mas é isso que estou dizendo, Ain, Jêze, a todos! A turma do Sarney, do Collor, do Fernando Henrique, do Lula, todos! Estão mortos e não se flagram! Ninguém no futuro vai ler esses animais! É tudo ladrão!, exasperou-se Bruno Contralouco, com o rosto cortado de amargura e ódio de impotência, olhos brilhando de água que teimava em não cair. Todos viram, ninguém deu um pio, até porque alguns seguravam as suas.

- A Dilma também?, pergunta Aristarco de Serraria, com um sorriso cínico.

- Bem, a Dilma ainda não -, responde o Contralouco, recuperando-se depois de pensar um instante com as mãos na cabeça, cotovelos fincados na mesa, quando aproveitou para secar as lágrimas na manga escondido para ninguém ver.

- Foi ela quem botou o Barrosão e o outro, aquele advogadinho do PT, no Supremo, ela é mandalete do Lulaluf..., insiste Aristarco, implacável, sem tirar a máscara de asco do sorriso triste, pensando longe.

- Ela que escolheu o Palocci e outros ladrões..., diz Chupim da Tristeza, entrando no jogo do Aristarco.

Aristarco subitamente se mexe nervoso, põe o corpo ereto, passa a mão nos cabelos arrumando, concentra-se e prossegue, voz forte, revigorado pelos pensamentos, agora sem o sorriso que lhe doía, encerrando o assunto: 

- Desculpem-me. Gente, vamos deixar para lá. Vamos esquecer essas pessoas, Bruno querido, são pobres almas, entendam, pobres. Vivamos! Que tal churrasco hoje?

(Esse é o Aristarco que conheço e amo)

- É, são todos uns broxas desalmados mesmo, acham que dinheiro substitui..., disse Jezebel.

- Alguém trouxe carne?, pergunta vivamente Wilson Schu.

- Não, mas é cedo ainda, diz Aristarco.

Clóvis Baixo, Wilson Schu e Chupim da Tristeza marcham com destino à Mercearia Zaffurtari da Rua do Arvoredo. Param na porta e Chupim pergunta ao Terguino se tem carvão. Tem, sal também, basta que tragam carne. Gustavo Moscão pega o tonel cortado e o leva para o canteiro do meio da rua. Jussara vai lavar os espetos, tirar o pó.

O Inter toma o primeiro gol da noite, Cáceres para eles. Cícero do Pinho sai para buscar o violão, Contralouco murmura "timinho de merda" e vai para o salão da sinuca ver se tem alguma parada boa.

As professoras Jezebel, Silvana, Ain Cruz Alta, Zilá e Jussara discutem os problemas da classe. O governador é chamado de viado para cima, a maioria preferindo chamá-lo de Russo Cego.

- Posso dizer uma coisa, Salito, soube que tu andou falando disto, deixa eu dizer, tu bota no blog?, pede Clóvis Baixo, agitado.

- Claro que sim, imagine, diz aí.

- Seguinte: o buracão é na meia-cancha, o 5, o Dunga deve ser dono do passe do tal de Willian, ou Uílian, sei lá, esses infelizes tem cada nome, porque esse negão não jogaria nem do Arranca Toco. Ou o dono é algum dirigente, sabe que tem isso, né, outro dia prenderam um do Inter por outras ladroagens, mas se forem ver... mas quem escala é o Dunga. Esse bosta, se levantasse a voz comigo, como fez com estardalhaço com o Romário, morria.

- Eram amigos, dormiam no mesmo quarto, pára, Clóvis - diz Marquito.

- Não interessa. Macho para as negras dele, aquele anão pau no cu. Um bostão que nunca viu homem, hoje manda em meninos, crianças, que é o que são os "gladiadores" do preparo físico a 500 mil por mês, é merda como aquele Felipão. MERDAS!

O Inter vira o jogo em dois minutos, dois gols do capitão argentino D'Alessandro. 2 a 1. 

Bruno retorna da sinuca, senta-se e diz: - Esse Dunga tem que sifu, é outro general de hospício que pensa que tem três ovos, só  pode ser filho de milico. Queria que olhasse para mim daquele jeito de rico que tomou dos alemães... morria.

Gustavo Moscão sorri e se abraça com o Clóvis, este com o rosto fremindo, levantam, dão pulos agarrados, ares de se somos loucos não estamos sozinhos.

Assistem ao jogo.

Chega a carne, Schu espeta. Começa o segundo tempo, vão todos para as mesas da calçada, o Inter fica lá dentro, se defendendo em casa azul, a cor do "inimigo".

Lorildo de Guajuviras e Luciano Peregrino apontam no pé da escadaria da 24. Lori de terno branco e camisa azul, Luciano de terno azul e camisa branca. Riem de algo. Talvez tenham conseguido arranjar uma maneira de acabar com os banqueiros, gerentes cansaram de espancar, como o Contra. Ou casaram. Logo saberemos.

Eu, quietinho, fico torcendo pela primeira opção. Espero que seja outra alternativa, não a que sei e tento evitar. Miquirina Segundo me telefona, tenho meia hora. Penso no Brasil. Não é o Dunga que é merda. Se é, não importa, porque merda mesmo somos nós, o povinho que sustentamos toda essa gente despreparada.

As obras estavam escolhidas desde o meio-dia. Os boêmios ficaram com as seguintes:

Elvis.




Sponholz. Que, como tantos chargistas, gente curtida, cantou a pedra antes.



Newton Silva.




Nani.




Sinovaldo.




Eu, como visita, tive direito a uma, escolhida agora. Referi-me a um punheteiro rico, que meus concidadãos definem como intelectual. Um merda ao cubo, como o Lula e todos que o apoiam. Sou louco ou não sou hipócrita? Alô, Marco Aurélio, que papelão, meu, era isso que tu queria?! Escolham. E esse escolham vai aos escravos dos jornais, aos ladrões outros. O povo nem sonha.

Vasqs.





Leilinha Ferro ficou com o Zop. Eta guria porreta.





E com o Erasmo. Aqui a menina soltou um palavraozinho, referindo-se à senhora Dilma.




A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

Leci Brandão faz 69!

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Hoje uma das nossas glórias do samba, Leci Brandão da Silva, completa 69 aninhos (Rio de Janeiro, 12/set/1944).

No vídeo com uma música de sua autoria que lembra algo que poucas vozes lembram (não dá dinheiro?), que é a mãe de todas as chagas do Brasil.

Salve, Leci!


miércoles, 11 de septiembre de 2013

O Brasil e a TV a cabo

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Por Mauro Santayana



Não satisfeito em tolerar, placidamente, que o Brasil conviva com uma situação na qual os serviços de telecomunicações são campeões de reclamações e ostentem, ao mesmo tempo, as mais altas tarifas do mundo para países do porte do nosso, o governo federal, por meio do ministro Paulo Bernardo, prepara-se agora para tirar as castanhas do fogo para empresas estrangeiras também na televisão a cabo.

A pedido do setor, o governo pretende, em nome da “isonomia”, passar a taxar empresas que distribuem filmes pela internet (o que configura um tipo de serviço totalmente diferente), aumentando o preço para o consumidor, ou inviabilizando seu acesso a sites que lhe permitem pagar uma pequena taxa mensal e escolher quando e que filme, programa, ou documentário ver, em nosso idioma.

Quer dizer que — em uma espécie de censura econômica — o mesmo governo que não teve peito para investigar o esquartejamento da Telebrás e a desnacionalização das telecomunicações (que expôs o país à espionagem de empresas estrangeiras), responsável pela sangria de bilhões de reais, todos os anos, em remessa de lucros para o exterior, vira bicho na hora de defender os interesses de multinacionais em detrimento do cidadão brasileiro, apesar de já ter derramado, durante anos, bilhões de dólares em empréstimos a custo subsidiado do BNDES, e outros bilhões de dólares em isenção de impostos para multinacionais estrangeiras que operam nessa área no Brasil.

Ora, quem não tem competência não se estabelece. Qualquer uma das empresas que operam com TV a cabo no Brasil pode distribuir filmes e vídeos pela internet a qualquer momento, já que dispõe de tecnologia e capital para isso, operando de terceiros países, sem pagar, como fazem outras empresas, impostos no Brasil.   

O problema não é oferecer o mesmo serviço — mais barato e melhor estruturado — para o consumidor brasileiro mas, sim, manter a autêntica reserva de mercado em que se configurou o mercado nacional de TV a cabo, com a mesma programação e os mesmos repetitivos pacotes, oferecidos por todas as operadoras, a um preço muitíssimo superior ao que pagam usuários de outros países.

No lugar de estar preocupado com a situação das empresas de TV a cabo no Brasil, altamente lucrativas, o governo federal e o ministro Paulo Bernardo deveriam (o que inclui o governo Lula) estar trabalhando há anos para rever a criminosa Lei Geral de Telecomunicações (alguém sabia que hoje nem todo orelhão precisa completar ligações interurbanas, e que não existe prazo mínimo definido para o corte de serviço de internet em caso de atraso de pagamento da conta?); para exigir das empresas que cumpram seus compromissos quanto à qualidade e universalização; para verificar a situação dos Sistemas 3G e 4G no país, que estão uma vergonha, e quanto à TV a cabo, assegurar que o conteúdo “nacional” previsto seja mesmo nacional, do ponto de vista cultural, e não apenas uma mera reprodução, feita aqui dentro de programas e conceitos estabelecidos lá fora; incentivar a criação de novos canais brasileiros voltados para a valorização do país, como nas áreas de defesa, tecnologia e história, por exemplo; e monitorar o farto material que, sob o disfarce de documentários, tem sido exibido por canais norte-americanos, fazendo proselitismo e defesa da doutrina externa e de segurança dos EUA, principalmente quanto a temas como o 11 de Setembro, o "combate ao terrorismo” ou o envolvimento daquele país no Iraque e no Afeganistão, por exemplo. É preciso dar um tempo nessa desabalada defesa de interesses privados e multinacionais, e pensar um pouco em nosso próprio país e no consumidor brasileiro.

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(A ilustração não consta no original)
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viernes, 6 de septiembre de 2013

O aroma do voto, n'A Charge do Dias

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Chego no Beco do Oitavo e a música já vai começar. Leilinha se preparava para enviar as obras e os diálogos captados e me viu entrando, veio correndo no abraço mais doce do mundo. Hoje pedi à Kafil e Miquirina que entrassem também. Kafil M'Oba está de aniversário. O restante dos amigos ficaram lá fora, nas mesas da calçada, estamos em vinte homens apenas. Não por causa do F. Febraban, foi para sair mesmo e... deixa pra lá. Na hora de assoprar a vela todos virão, de cinco em cinco.


Aí acabou as histórias, ficam para amanhã. Vão as charges escolhidas pelos malucos, desde a tábua aqui do botequim. 

Ah, o Contralouco ao me ver voou em abraço e caímos juntos lá fora, eu em cima de Juanito Diaz Matabanquero que me aparou. Tu tá pesado, hein, meu? Quase me mata, eu falei. Nem me ouviu e disse "Esta fui eu que propus, vai primeiro, olhe...". Vi a obra do Salvador.

Aqui dentro a coordenadora Leilinha botou ordem nas obras eleitas por maioria. Antes me encabularam: disseram que o gênio Nani Lucas é fora de concurso, como se antes não fosse: todas vão para a parede, só porque falei uma besteira outro dia... Depois conversamos.

Vão em desordem.

S. Salvador. - É a minha!, gritou o Contra. 



Santiago. Puxa, o Santiago... A vaia que se ouviu aos médicos filhos da puta, daqui, ouviu-se em Saturno. Aristarco de Serraria corrigiu uma parte: as vacas putas. Não fosse quem compra, não haveria quem vende. Assunto complicado, fiquei frio, fui abraçar o Massaretti e a Gracinha que entravam, Urrú, saudades! Ainda ouvi a voz do Gustavo Moscão: vai aplicar botox na buce...

Falava do senador romano, certamente, Bucéfalo.



Amâncio.



Leilinha Ferro saiu do sério: "Hoje vou botar duas! São estas, tio Salito", desafiando os boêmios, e voltou corada mexer em algo na sua bolsa lá atrás do caixa. Não esperei, manda quem pode.

Jarbas.



e Newton Silva. A pequena tem um fraco pelo Newton, pelo Cazo e pelo... Nada, Leila, estou postando. (Todos temos)




Eu ganhei uma, por motivos de amor. Não sem dificuldade, uma melhor que a outra, escolhi o João Bosco.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

jueves, 5 de septiembre de 2013

Ó querido Santo Onofre, n'A Charge do Dias

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"Ó meu querido Santo Onofre, filho de Osíris, ó rapariga virgem, confessor das verdades, consolador dos aflitos, pai dos solteiros, rei dos bêbados, protegei-nos e ajudai-nos!".

Clóvis Baixo, ajoelhado, de braços abertos para o alto e mirando o teto, interrompeu a reza no canto do bar e derramou uma garrafa de marafa no chão, dizendo compungido: "Pro amado Santo!". O Portuga só olhava a lambança de cana derramada que já saía na porta, ar irônico, de lá detrás do balcão. 

Clóvis Baixo seguiu, novamente a postos de joelhos, braços erguidos:

"Protetor dos descornados, arrimo dos desesperados, alegria dos ébrios, borrachos e chumbados, terror dos abstêmios, ó, meu Santo Onofre, olhai por nós!".

Carlinhos Adeva entrou no botequim e sentou-se ao lado de Tigran Gdanski e Gustavo Moscão nas mesas centrais, perguntando:

- O que é aquilo, o Baixo pirou ou está fazendo concorrência ao Contralouco?

- Disse que ia fazer uma oração pra pegar na loteria, encasquetou com isso, agora tá suplicando ao santo dos bêbados -, respondeu Tigran.

- Pirou -, disse Cícero do Pinho, abismado com o que via.

Silvana Maresia, na mesa central com os demais, só sacudia a cabeça, inconformada: "Vocês não entendem, se artista tem santo, camioneiro tem santo, puta tem santo, professor tem santo, porque bêbado não poderia, mas tem, é Santo Onofre. Zombem, vão zombando...".

O Contralouco havia se chegado para uma mesa perto de onde estava o rezador, para acompanhar de perto a função, que seguia firme:

"Príncipe dos atarantados, enviai o anjo Pafúntio, seu predileto, para embebedar-se conosco neste sagrado recinto, dando-nos os números que necessitamos, o recompensaremos com muito trago e mulher...".

De novo interrompeu e lá foi outra de marafa para o chão: 

"Convoco ao singelo anjo cachaceiro, venha, Pafúntio, incorpore, agora!".

Ouviu-se uma barulheira na cozinha e o Clóvis parou, em suspense. 

- Foi só o Rodrigues que derrubou algumas panelas, meu chapa, se o cara viesse teria caído aqui no trago derramado -, disse o Contralouco, que estava doido para se meter na ladainha.

O médico Freddy Garcia Lorpa, escondido atrás de uma folha da porta de vaivém da sinuca, exclama com seu vozeirão, fino teatro de monstro:

"Enviarei, ó meu filho, em 15 dias Pafúncio chegará soberano, levará 14 dos 15 números, guarde a ele uma garrafa por dia, da boa".

- Vai à merda, Freddy, é Pafúntio e o sorteio é sábado, ora 15 dias, faltam só dois -, disse o Contralouco.

Clóvis Baixo encerra as suas preces e volta reclamando:

- Puta que pariu, a gente tenta fazer uma coisa séria e os caras ficam se arriando...

O Contralouco foi até onde o Clóvis estava, ajoelhou-se, ergueu os braços aos céus e retomou a invocação: "Venha você mesmo, ó Santo punheteiro do deserto, ó machorrão pau d'água, pago cinco anos de pinga pra ti e pro tal de Pafúntio no puteiro da Condessa Carmem da Olavo Bilac, mas venha até sábado! Se você quiser te dou uma tianga aqui do bar mesmo, que vive criticando a gente".

Silvana Maresia se faz de desentendida.

O Portuga se aproxima com vassoura, balde com água e pano para limpar o palco de invocar santidades, espantando o Contralouco. Este vai para as mesas junto à turma, dizendo:

- Doce ilusão, esses caras vão baixar só no dia em que o Sargento Garcia prender o Tarzan...

Feitas as orações, e com a chegada da Leilinha, a turma começa a escolha das obras do dia. O Clóvis segue preenchendo cartões da Loto Fácil, sôfrego, com uns quinhentos volantes em sua frente.

Carlinhos hesita. Pensa em dizer que não adianta, Clóvis, tu vai jogar 15 números secos, R$ 1,25 cada um, vai jogar cem cartões, não adianta. Vai perder 125 pilas, 60 quilos de arroz. Os caras que roubam em Brasília e em São Paulo e aqui jogarão mil cartões com 18 números, a R$ 1.020,00 cada um. Ganharão, como sempre.

Mas olha a gana do Clóvis preenchendo os cartões, perguntando repentinamente o dia, mês e ano do aniversário das mulheres, dos amigos, para juntar os números da Ain, do Marquito, do Wilson, da Zilá, Cícero, Tigran, Bruno, de todos, "alguém lembra dos do Aristarco e do Lori que não vieram? Já combinei eu de 19 de outubro com vocês, faltam eles, pode ser aí"... e resolve se calar. 

Olha com carinho ao pobre amigo que ainda crê em sorte. Dói-lhe mas pensa positivo: "Vai que pegue. Ah, Santo Onofre querido, apareça pelo amor de Deus".


Ficaram com os seguintes artistas de alma aqui em vida, vão em desordem.

Jorge Braga.


Nani.



Simanca.



A menina mostrou aos bôemios umas tirinhas da série Desmentidos, do Nani. Viram um copão, aí é de lei, vai de inhapa. O Contralouco prometeu levar uma jarra à noite, misturando frutas com gin e vodka, aprendeu a receita com a mestra Jezebel do Cpers. É hoje.



A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que.., bem..., se fundiram  no ano passado (veja AQUI), face a dívidas com o sistema agiotário. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.

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