sábado, 18 de diciembre de 2010

A Desguampada (1)

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Hoje abrimos a série "A Desguampada".

Nada de risinhos, o título é para relaxar. O tema é delicado e importante, muito sério.

Trata das nossas vidas, das nossas lágrimas, daquela vez, lembra, em que éramos muito novinhos, ou muito bobos, ou quando nos juntamos ou casamos para poder (aprender a) transar em paz, sem a violenta culpa que os pederastas que se vestem de vermelho, em Roma, tentaram nos impingir enquanto estupravam crianças. Sim, havia culpa pelo belo num passado não muito distante, ontem. 

Um tempo em que sonhávamos todas as horas, todos os minutos, todos os segundos.

Como dizia aquele samba, “Hoje confesso, com dissabor, que eu não sabia, nem conhecia o amor” (“Maria Betânia”, Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, 28/10/1904 – 31/12/1997).

Aqui no bunker, que carinhosamente chamamos de palafita devido ao córrego que desfila fazendo curvas por dentro, todos já ensoparam travesseiro, sufocando soluços, noite alta. Deus nos livre se a mãe acordar... Alguns ainda ensopam, não é, João? Ou ainda todos choramos?

A idéia é reunir canções de todas as épocas, pérolas no quesito “desguampamento”, que resume tristeza, saudade, um não-sei-quê que dói lá dentro, revolta, até raiva. Tudo por indicação dos milhares de amigos do blog, e da gente aqui, claro.

O título da postagem hoje se ocupa do gênero feminino, mas vale também em voz de homem, aí será O Desguampado.

Chegará o dia em que votaremos a música e os intérpretes, individualmente, e A Desguampada e O Desguampado serão eleitos os reis do sofrimento sincero.

Os reis das nossas desilusões, do nosso despreparo, do nosso amor, da nossa coragem de viver.

Não é demais lembrar que dor-de-cotovelo atinge a todas as raças e classes sociais. Atire a primeira pedra, ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor, como compôs o seu Ataulfo.

Todos não. Os políticos, os banqueiros, os grandes “empresários”, os pastores eletrônicos, os onanistas da Católica, e mais uma lista que se vai, estão fora dessa. Não importa, infelizes não contam para o oceano que vislumbramos.

Rogamos que os amigos nos enviem suas predileções ou suas descobertas. A letra pode ser em qualquer idioma, desde que venha acompanhada da tradução (versão não) para português, russo, chinês ou espanhol.

Almejamos um mínimo de bom-gosto, então precisaremos de bons cantores e cantoras, com disco ou CD gravado mesmo. Como regra esqueçamos os sertanojos, esses estragam até Ary Barroso. Não conseguimos imaginar o blog invadido por uns tais de Brum e Marrom, ou Xotãozinho e Xiriri. Confiamos na sensibilidade dos amigos, então vale tudo o que não for baixaria. É que temos problemas com sertanojos, de ouvido. A propósito, os sertanojos de Brasil já foram mexicanejos, esculhambando os trumpetes dos espetaculares músicos de Guadalajara e de todo aquele grande País. Melhor deixar cada cultura sem desmanche.

A sugestão inicial vem de Juliana Betsabé, outra que é um tantinho desajeitada com blogs e por isso até hoje não conseguiu inserir seu nome entre os amigos que nos acompanham (Seguir). Carlito não esquece.

Ju Betsabé é aquela moça por quem Carlito Dulcemano Yanés é perdidamente apaixonado. Bem, na verdade perdidamente é pouco: ele é alucinado, doido varrido pela gata. Pudera: liiiiiinda, gostosa, alegre, doutora em filosofia, boa de copo, falsa magra... e, hummm, sabe-se lá o que mais. E Carlito já meio coroa, e do outro lado da moeda sorteando a cara e o chapéu... Não podemos falar muito sobre o hermano Carlos Yanés, acompanha Salito no problema com os banqueiros. Ele não existe de tão bom. O que ele não sabe é que ela é enferma por ele, de atar. Deixa assim, se o doido se toca periga sair engravidando todo o planeta.

A canção de abertura chama-se "Paloma Negra" (Rolando Alarcón Soto, 05/08/1920 - 04/02/1973, Santiago de Chile).

A cantante é Lila Dows (19/09/1968, Oaxaca, México), mais que cantante: antropóloga, mui dedicada a culturas mesoamericanas, como a mixteca, zapoteca, maia e nahua. Recentemente com linda aparição no filme do Pedro Almodóvar, junto a Chavella Vargas. Voltaremos a lembrá-las neste blog.

Valeu, Bet. Ainda vais contar onde ouviste a cantante, filha de pai inglês e mãe mexicana. Desguampada e amorosa pacas! (Quase cortei os pulsos!)

2 comentarios:

  1. hehehe, gostei! e essa lila downs aparece cantando naquele filme "frida", na cena em que a dita cuja dança um tango com uma outra e termina com uma beijoca, heheheh.

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