jueves, 28 de octubre de 2010

O anjo das pernas tortas

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Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha (Manoel Francisco dos Santos, Pau Grande, RJ, 28 de outubro de 1933 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1983), se vivo hoje completaria 77 anos.




O "Alegria do povo", um dos maiores jogadores de todos os tempos, marcou de forma indelével a história do futebol brasileiro. Representante do futebol-arte em sua plenitude, com seu dribles abusados e desconcertantes, na Copa de 1962 carregou o país nas costas e trouxe o caneco. Com Garrincha e Pelé jogando juntos, a seleção jamais perdeu uma partida.



Vinícius de Moraes homenageou-o com o poema "O anjo de pernas tortas":



A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.



Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!



Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.



Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um l. É pura dança!



No dia seguinte a sua morte, Carlos Drummond de Andrade, numa crônica publicada no Jornal do Brasil, escreveu:



"Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.".



Devido a seu rumoroso caso com a cantora Elza Soares, seu grande amor, foi perseguido por uma sociedade eivada de preconceitos.



Vinte anos depois da sua morte, a própria Elza Soares, em comovente aparição, encerra o imperdível filme de Milton Alencar "Garrincha, A Estrela Solitária", cantando a tocante Bambino (letra de José Miguel Wisnik e música de Ernesto Nazareth).

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Posfácio (epa!)

Aqui tenho a mania, instintiva, de achar que tudo é óbvio, todos entendem tudo. Mas não, hoje um amigo me alertou: tem a moçadinha, ansiosa mas nem sempre com os professores certos, a depender da alma que ouve a outra, porque "certo" ninguém é. Mais um doido a chorar? Melhorou. Bem por aí, desprezamos os caras certos, que ainda por cima exploram os bugres com a sua "sabedoria" adquirida mal e porcamente pela cultura de mentira, do sistema horroroso, que o dinheiro pagou e foi assimilada a seus modos. Alma não tem preço. Quase falo mal de dois baianos, deixa pra lá, seria injustiça, só dois brasileiros entre tantos.

Então vejam, meninos e meninas, a história dessa mulher, Elza Soares: hoje, 21/9/2012, ainda é a maior cantora em atividade do mundo. Maior em tudo. Aquele coração... Sempre foi uma das maiores do mundo, desde menina, apesar dos percalços por ser negra e teimosa num Brasil de acéfalos dirigentes que premiam uns aos outros com Juca Patos da vida. Honrosas exceções não contam, confirmam.

Da canção Bambino, ali em cima temos os autores. O Ernesto Nazareth nasceu no Rio em 1863, e ali morreu em 1934. Um colosso reconhecido pelo mundo todo.

O letrista, que também é músico, múltiplo artista, fantástico artista e ser humano, José Miguel Wisnik, nasceu em São Vicente, SP, em 1948, e está vivíssimo, para a alegria dos sentimentais e loucos que não se entregam. Já dediquei páginas a ambos neste blog de mal escritas palavras, eles que me perdoem, disse muito pouco.

Tem muito mais sobre essa nossa gente, basta a gente ir fuçando com o coração, mente arejada, esta que, confesso, ainda tenho muito pouco, vi escolas muito tarde, do lado de fora, salvei-me um pouquinho pelo supletivo de inúteis panfletos no conjunto, ora decorar fórmulas, mas tinha um de literatura que não dizia nada mas me incentivou a tomar a biblioteca pública como moradia.

E tem aquela coisa incompreensível de sentir a vida, a boemia, os sonhos acordado, a razão sem razão de viver, parece impossível colocar em palavras, mas isto vocês já sabem.



2 comentarios:

  1. E se for pra chorar
    E se for ou não for
    Vou contigo dançar
    E sempre te amar amor

    E se o mundo cair
    E se o céu despencar
    Se rolar vendaval
    Temporal carnaval
    E se as águas correrem
    Pro bem e pro mal

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  2. Salito
    Aconteceu algo estranho comigo nesta madrugada. Te conto por e-mail. Se quiser pode postar.
    Abração
    Joaquim

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