sábado, 15 de junio de 2013

Nelson Coelho de Castro

.
Neste belo sábado de Porto Alegre abrimos o blog com alegria e aquela abolerada doce amargura, hoje doce sem amargor algum. 

Lembramos do sensacional Nelson Coelho de Castro (Porto Alegre, 17 de abril de 1954). 

O pessoal que estudou no Julinho, que de lá viu e sentiu o pau comer em névoas de chumbo em manhãs e tardes e noites de um inverno que não terminava nunca, deve se emocionar mais do que eu, que vi de outro lugar. 

Somando, de um jeito ou de outro conseguimos: com aparelhos caindo, o Zé que sumiu, ainda achamos tempo, esquivos, de um jeito meio esquisito, para amar e viver. 

Ah, marcha-rancho, meu irmão. 

Vai para a morena Jane de Nova York, La Gran Manzana, pelo seu aniversário, de mulher não se diz, mas suponho 31. 

Tintim, nega Jane.




Aquele tempo do julinho, né?
Eu jamais vou me esquecer.
Eu pensei que era um filme, né?
Eu jamais irei me ver.
Eu tenho um picho pra cair.
Eu tava afim dum futebol.
Eu voltava a pé do centro.
Tu tá ficando é pirol.
Vamos lá na mesma boca.
Pra mim o tempo não passou.
Eu não me lembro mais de nada.
Mas foi aqui que começou.
Vamos armar uma jogada, neh?
Vamos virar o mundo então.
A saudade nos matou de vez.
E engordou meu coração.
Olha ai vou dar uma banda.
A gente espera por aqui.
Eu vou transar um lance agora.
De repente eu volto aí.
Mas a vida continua.
Eu não me lembro que sonhei.
De paixão eu morro sempre.
E eu sempre me enganei.
Já tamo até acostumados, né?
Com as linguas do país.
É muito trolha na jogada, né?
Ainda penso em ser feliz.


Mas como o Zé tá demorando.
Minha cabeça vai doer.
Olha ai tão escutando.
Tem um triller pra se ver.
Tá baixando o pau na esquina.
E são dez pra cacetiar.
Tão demulindo aquele cara.
Vamos assisir assassinar.


Olha lá que é o Zé meu deus.
E ele já nem grita mais.
E nós estamos aqui parados, neh?
E esse choro pelo gás.
E tá pintando aquele medo.
Vamos nós fazer o que?
Tá subindo aquela raiva.
Dá obriga por correr.
Adeus pavor, vamos brigar.
Até o fim, até se dar.
Adeus pavor, vamos brigar.
Até o fim, até se dar.
Vamos la, vamos nos,
o desespero ainda resta bonito, Ze,
Vamos brigar vazando fel.
Vamos brigar com a raiva toda Zé.
Fica olhando ai do ceu...
Aquele tempo do Julinho, ne?
Eu jamais vou me esquecer.
Eu pensei que era um filme, ne?
Eu jamais irei me ver.....

1 comentario: