martes, 18 de junio de 2013

Como baixar o preço da passagem

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Ontem à noite, após participarem da marcha pacífica em protesto pelas ruas de Porto Alegre, os boêmios voltaram para o botequim, onde ficaram até tarde, de olho na tevê. Os flagrantes de depredação de contêineres de lixo, de ônibus e de agências bancárias rendeu muito assunto.

Todos se posicionaram radicalmente contrários à depredação de contêineres e de ônibus, ora, isso não se faz, é patrimônio do povo. Bem, os ônibus de empresas privadas não são bem do povo, mas é o povo que paga por eles, como tudo. 

- Nota-se que os governos fizeram o oposto, tiraram completamente a criminosa repressão com que iniciaram o "diálogo", agora incentivando os vândalos: vandalismo e saques é só o que querem para desmoralizar o movimento, mas de novo erraram - disse Luciano Peregrino.

O Dr. Carlinhos insistiu que a turma que coordena, ou tenta coordenar, as manifestações, parece que não tem uma idéia exata do que exigir dos governos, daí que arrolou alguns itens como sugestão, para começar, quanto ao transporte municipal:

"1. A exigência de que as demonstrações contábeis das empresas sejam publicadas em jornal de grande circulação do município, igualmente com destaque nos sites das prefeituras. 
2. Que as planilhas de custos fabricadas para justificar os preços sejam também divulgadas, bem como verificadas in loco, isto é, pelos fatos registrados na contabilidade das empresas concessionárias, por órgão do governo, ou pelo Tribunal de Contas, bem como haja exame das planilhas e do conjunto das demonstrações contábeis por auditoria independente (externa), pois o furo é mais embaixo.
3. Que se leve em conta o quantum do lucro líquido apurado em cada ano pelas empresas, lucro este apurado antes da remuneração dos dirigentes (pro-labore) e participações no resultado, do mesmo modo a distribuição de lucros a sócios ou acionistas. Afinal, quem é essa gente e quanto está ganhando, não seria um exagero, seja com pro-labore ou com distribuição de lucros?
4. Quanto representa, em valores absolutos e relativos, as passagens vendidas que não são utilizadas pelos usuários (por exemplo, se o sujeito se muda de cidade, perde o cartão ou morre), e como tais valores recebidos sem a prestação do serviço, são contabilizados; embolsam sem mais nem menos? Só aqui há casos, nas grandes cidades, onde as autoridades cairão de costas: fortunas.
5. Que fim dão aos ônibus tidos como "velhos", de 3 a 5 anos de idade, na renovação da frota, são vendidos por quanto e para quem. Também aqui há casos em que as ditas autoridades terão um faniquito, e o povo mais que isso.
6. Em resumo, o furo da bala está, como sempre esteve, no lucro exorbitante das empresas concessionárias, que nada tem a ver com as planilhas de custos fabricadas para a fixação da tarifa. É aqui que a porca torce o rabo, não é por acaso que os políticos imediatamente mudam de assunto quando se fala nisso, é por demais penoso, só falam nas empresas quando é para desonerar, reduzindo seus impostos, ao fim e ao cabo tirando da teta inchada com o nosso, que deveria sustentar os serviços públicos, mas nunca mencionam o desmedido lucrão, jamais, por que será? Será que levam algum por fora?". 

Alguns dos itens já foram explicados outro dia pelo mesmo Carlinhos, em Passagem comprada.

Bruno Contralouco se manifestou resumindo o pensamento dos demais:

- Sobre o que disseste, para começar está bom. Mas o bom mesmo é a passagem grátis, como há séculos o Lúcio Gregório provou ser viável, mesmo com a terceirização do serviço. Os  concessionários receberiam do governo valores apurados com todos os cuidados, como esses que arrolaste. Simples assim.

- Vão resistir até começar a morrer gente, antes de aceitarem, pois isso acabaria com uma grande fonte de renda das quadrilhas -, falou Aristarco.

- Que quadrilhas? - perguntou Silvana.

- Ora, os partidos políticos. Não me representam, nem a ninguém, tudo voto comprado de analfabetos.

E seguiram nesse tranco. 

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A ilustração é do Paixão.

1 comentario:

  1. Muito bom esse comentário. Na realidade pouca gente sabe ou melhor entende que quando há vontade política é possível controlar e minimizar os gastos, no caso "passagens", obras da Copa etc. Parabéns Salito.

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