sábado, 22 de enero de 2011

Engelbert Humperdinck

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Hoje falaremos um pouco do Reino Unido. Curiosidades também há por lá.

Arnold George Dorsey é um cantor nascido (02/05/1936) em Madras, na Índia, de pais britânicos.
Chegou à Inglaterra com dez anos, quando os invasores foram mandados para casa, vencidos pela resistência não-violenta de Mahatma Gandhi.

Logo aprendeu a tocar saxofone, depois os amigos a muito custo o convenceram a cantar. Depois de algumas chuvas e trovoadas na vida, com apenas um disquinho gravado em 1958 (que ninguém notou), de repente, aos 25 anos, quase morreu de tuberculose, da brava. Mais tarde, recuperado da doença, tentou recomeçar. Doce ilusão: se antes já era difícil, agora então parecia impossível.

Mas o índio não se entregou. Andou se dando bem na Bélgica e seguia lutando. Em 1965 o nosso Arnold, depois de algumas lágrimas, decide apagar o passado e começar tudo de novo. Bateu cabeça e acabou seguindo o conselho de um camarada, para arranjar um nome artístico, algo mais chamativo, o povo gosta. Assim foi feito: para a sua segunda carreira veio com um pseudônimo, adotando o nome do famoso compositor alemão Engelbert Humperdinck (01/09/1854 - 27/09/1921).

O verdadeiro Engelbert foi um premiadíssimo músico, estudante e professor nos Conservatórios de Barcelona, Colônia, Frankfurt, etc... Por ser amigo de Richard Wagner, acompanhou na íntegra a primeira produção de Parsifal. Inscreveu seu nome para sempre no cenário musical principalmente pela sua ópera Hänsel und Gretel, baseado na obra dos Irmãos Grimm. Enfim, o homem era mesmo famoso.

E a mudança deu certo para o Arnold, agora Engelbert Humperdinck.

Sem ser "cantor", e sim um intérprete estilizado, como se definiu, já em 1967 emplacou nos dois lados do Atlântico.


Começou quando ele foi convidado para substituir outro artista, adoentado, num programa de variedades na TV inglesa, o  Sunday Night at the London Palladium. Ali cantou a sua última gravação, a canção Release Me (Eddie Miller, Robert Yount e Dub Williams), de 1946, um antigo hit já gravado nos Estados Unidos por muitos artistas.


Essa regravação pôs fim à supremacia dos Beatles. Foi para o topo das paradas, lá ficando por 6 semanas, em detrimento dos lançamentos Penny Lane/Strawberry Fields Forever dos Reis da época. Permaneceu nas paradas de sucesso por 56 semanas consecutivas. No período em que era a primeira da lista de sucessos, "Release Me" vendia 85 mil cópias por dia.


Quem diria, desbancar os Beatles com uma velha balada country norte-americana. Por essa nem o seu Edward Monroe "Eddie" Miller (Camargo, Oklahoma,10 de dezembro de 1919, Nashville, Tennessee, 11 abril de 1977), esperava, pois depois da música pronta ele e os
parceiros não conseguiam quem a gravasse, o que ele mesmo teve que fazer nos idos de 40.




Os donos de gravadoras tiraram (não entendo esses caras). Mas alguém colocou outra.




Aí foi um abraço, Engelbert Humperdinck definitivamente era outro cara. Nesse mesmo ano relançou o disquinho frustrado de 1958, "I'll Never Fall in Love Again", e todos sabem no que deu. Que mundo.


Em seguida veio com outras duas baladas, "There Goes My Everything" e "The Last Waltz".

Em Las Vegas tornou-se amigão de Elvis Presley, quando Elvis copiou as suas costeletas.

A canção, esta caseira, de autores ingleses, "The Last Waltz" (John Barry Mason - Leslie David Reed) posteriormente foi grande sucesso na voz da espetacular francesa Mireille Mathieu: La Dernière Valse. Aqui para nós, A Última Valsa.


Antes da década de 60 acabar, teve sucesso com "Am I That Easy to Forget", "A Man Without Love," "From Here To Eternity," "Les Bicyclettes de Belsize", "The Way It Used To Be, "A Place in the Sun", "I'm A Better Man," e "Winter World of Love".

Depois as baladitas sairam um pouco de moda, e somente em 1976 voltou a brilhar, com a balada "After the Lovin", que lhe valeu uma indicação ao Grammy. Daí em diante, com o advento do rock demência e outros sons equivalentes, rotularam as suas canções como "xaropes", desinteressantes no que diz respeito à massa popular, o mercado mais cobiçado pelas gravadoras.

Seguiu a vida, gravou, regravou, realizou sem parar shows pelo mundo todo, e hoje é um cidadão feliz aos 74 anos, muito considerado pelos colegas, pois dizem que trouxe da Índia, ainda menino, a sinceridade e a paz de Mahatma dentro de si.

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Y así pasan los dias.

2 comentarios:

  1. OK, Salito, já tinhas enterrado Perfume de Mulher, Al Pacino e Hollywood. Realmente, aquilo é só um negócio besta, que almeja lucro e atende a interesses de dominação. Certo. Mas agora ao dar uma fincadinha nos Beatles te olvidaste de que a balada dos sertanejos americanos é muito linda, e sofreu transformações, nada de banjo nem voz de taquara rachada, etc...
    Abraços, garotão.

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  2. Puxa, Jac, não tinha visto este teu recado.
    Você está certa. Mas note que insisti no detalhe, como sempre: os autores.
    Não foi fácil descobrir, aqui do Sul do mundo, pela internet, a rede não tem tuuuudo, e se tem, leva horas e horas para encontrar.
    Besos, amada.
    Salito

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