sábado, 16 de febrero de 2013

Quando a gira girou

.

O samba é de Claudinho Guimarães (Cláudio André Guimarães, 17/ago/1970), o menino nascido em Marechal Hermes, parceria com o grande Serginho Meriti (Sérgio Roberto Serafim - São João de Meriti, 8/out/1958, a confirmar o dia). Figuraços, eternos.

Falei em girar na postagem sobre a mulher espanhola, Beatriz Talegón (AQUI), sobre o cadáver ambulante que hoje é o PT, que eu criei gastando o que não tinha, hoje fedendo igual aos inimigos, igual nada, pior, porquanto mentiram se fazendo, os inimigos não, são declarados, não mentiram; aliás, sempre mentiram, mas não para quem leu qualquer coisa, com capacidade de sentir na alma o horror do assalto, que sabe de onde saiu a bijuja para iates. 

E lembrei desta maravilha de samba popular, nada a ver... ou tudo a ver com o que passa na minha cabeça hoje. Só para relaxar, espantar os infernos, com o Zeca meio tocadinho..., vá lá, meio bem tocado de merengues. Ainda bem, ufa. Zeca Tocadinho, gostei. Merengue é colarinho, Zeca, que fica "mais bom" com steinhager quase congelado, em copito de um tiro. Depois o líquido doirado, mas gelado de doer a garganta. Vai por mim, é que um pedacinho de jasmim, caindo dentro daquele minúsculo copito de um tiro só, menino... sai da frente, pedacinho do céu.

O Zeca, já falamos aqui, talvez seja a maior expressão popular desde Noel. Junto com Noel, Pixinga e muitos outros, cada um na sua, da história do Brasil, na junção homem-artista. Tivemos muitos, como o próprio Noel Rosa, sei, não ajudou crianças como Zeca sempre fez? Não sei. Mas era outro tempo, cachês diferentes, mentalidades diferentes, perseguições diferentes, não havia o horror da droga, os pobres mal ou bem comiam, estuprador era raro, penso no Brasil em geral, só faltavam boas escolas para todos, neste aspecto os escravagistas sempre se esmeram, não querem acabar na ponta de uma corda. Não dá para comparar Messi com Leônidas, Pelé no meio disso, outro mundo... Qualquer zagueirinho, apelador e burro, mas obediente e com bom preparo físico, hoje ganha 50 vezes mais do que Elias Figueroa ganhava. Uma coisa é certa: em qualquer mundo, Zeca daria o melhor de si, como talvez alguns loucos tenham dado, e, daquele mundo do rádio começando, ou antes, sem rádio, a notícia não chegou aqui. Pelo que eu soube de Noel, em suas passagens por Porto Alegre, creio que tinha muito a ver com o Zeca, quanto à bondade, coração, salvo por certa particularidade de Noel, que era meio, digamos, putanheirinho, coisa que o Zeca passou ao casar. Deixa assim. Noel foi embora ainda menino. 

Bem, voltando para algum lugar... Como tantos, sou prova viva do gato, das sete, custei a crer um pouco. Agora posso falar, queimei seis vidas, estou mesmo pela sete. Porém as seis, cada uma, foi filme de terror. Mas nunca fui melhor que ninguém, ora, deslumbrado é o Lula tonto pela vida, querendo sucessos (?), grana antes, para preencher uma eterna ignorância de tudo. Andei me incomodando demais ultimamente, aguardem-nos. Quem avisa amigo é, mas como não sou amigo de gente que mente, não tinha a obrigação de avisar, ainda assim aviso. Meu defeito de não ser ladrão, de não fazer conchavos, papinhos no ouvidinho... , como se os semelhantes fossem inimigos da panelinha, fere? Então tá. Firo, mas a culpa não é minha, senhores. Quase morri de fome mil vezes, e na volta segui desprezando dinheiro. QI de 190? Exagero da inveja, para a seguir apelarem para a "loucura", isso fere mais que tudo. O meu deve ser uns 30 ou 50, esses testes não são confiáveis, modismos como carne de porco ora faz mal, ora faz bem para o coração ou aumentar o pau, conforme o ladrão do frigorífico que paga cientistas famosos para testemunhar. Até ovos de penosa são diferentes, desato a rir. O princípio básico da má economia para fincar no povinho do sopé do morro do Nome da Rosa, diferenciar o produto, aumentando o preço na ilusão da massa ignara. Ovos... Águas fortificantes... Façam-me o favor, eu vi o composição dos custos e ingredientes.

Sim, amigos, dinheiro compra cientistas "famosos". Mudando para a mesma mala, de cor diferente: Já viram o profeta Valdomiro e o JR Soares em ação, entre outros? Tomam a grana de quem? Olhem o público que os aplaude... Serão penalizados um dia?

Não por mim, 171 é responsa policial, eu tenho compromissos maiores.


Tentem explicar ao povo, inclusos gente com diplomas supostamente altos, para, uma vez na vida, uminha, em vez de entregar os pilas para o circo, praia ou o caralho; tentem explicar às professoras, para não entregarem o salário baixo para o Coberto Ralos, que todo ano vem buscar a sua parte, aquele caridoso espécime humano, que Deus me perdoe. Alô, Dra. Jezebel do Cpers, está isolada mesmo aí?

Tentem levar a família ao Asilo Padre Cacique. Mulher e crianças, se for homem. Ela sozinha. De qualquer jeito. Casal homo? Vai, tentem. A experiência é inesquecível. Tentem explicar para essa gente, digam não vá no Clubinho das putas, aquilo vai incendiar um dia, fora o perigo de pegar uma Aids pela boca, e não vá entregar os cem para a Universal... tente... chamar de gente, deixa pra lá. Falo em asilo, mas poderia ser presídio, mas aqui é muito mais complicado, filme de terror, mas outro dia conto como se faz, para o caso de alguém se interessar. Fiz história lá dentro. Lá pode fumar, é mais embaixo, diferente de coagir velhinhos na marra.

Se o querido leitor mora na cidade de Kiev, não precisa vir aqui. Ali, na sua cara, existem os asilos. Como existem colônias, como no Rio Grande do Sul, de leprosos, do que os governos não falam e a imprensa cala. O cidadão não tem o direito de saber, uns filhinhos da puta decidem o que a "massa" pode ou não saber, e, sabendo, se educar. É falar em governos e me salta à memória a polícia, civil ou militar: uns pobres homens brutos, armados, mal treinados, ganhando uma miséria, dirigidos a espancar outros miseráveis, imensa maioria, mas estes desarmados, para proteger banqueiros e políticos da nomenklatura, de quebra os "reis" da noite, os traficantes, drogas e escravas brancas, etc, ou seja, os criminosos. Mal pagos por quem? De quem é a grana da Prefa ou do Gov? Tua, cara-pálida, a maior parte vai para os amigos deles.

Que droga, mania de virar o assunto.

Na primeira visita levem comidinhas e tal, leves, mas não precisa, isso não é importante. Roupas? Pode, mas também não é importante, mesmo que as velhas e os velhos estejam mal de roupas, em frangalhos, como os vi na primeira vez. Só não esqueçam batom, espelhinho novo, blush (rouge). Velhinhas se transformam em menininhas. Se transformam não: são menininhas. De cara, na tua chegada, dez gritam: meu filho!, veio me visitar, e correm feito doidas em tua direção. Aí contorne, seja filho de todas, responda Sim, minha mãe, eu venho sempre. Aí umas cinquenta se lembram, umas com o cérebro abatido, como aquela lá encostada no arame do pátio, semblante de morta, e com o alarido se lembram, um brilho, uma fagulha: meu filho veio! Eu vim, minha mãe, deixa eu te abraçar, trouxe presentinho para a senhora, e dê-lhe batom, tiara, espelhinho, brincos, pó, talco, mil coisinhas. Se alguma ficar ciumenta, o que quase nunca ocorre, seja duro: pára aí, mãe, ela também é minha mãe, mas com abraços e beijos. Bijuterias compra-se a quilo no camelódromo, se contar para os caras o destino. Se contar, te vendem pela metade do preço, sem lucro. Periga pedirem para ir junto, ou sozinhos na semana seguinte, aquele povo tem alma, por trás da aparência de espertos ou mordidos.

Em alma e amor, os camelôs do povo estão a anos-luz de Eikes Maravilhas e outros broxas desgraçados que assombram o Brasil, que tiram a comida das mesas dos simples.

Com os homens é mais embaixo, tem proibições ao fumo, bebida, uma desgraça total, só não proíbem os velhos de morrer, mas tudo tem jeito, pode levar um chapéu, qualquer um, não precisa ser de malandro da Lapa, que custa vintão, outro, mais baratinho, mesma coisa, leva aos quilos dos lutadores camelôs, se contar direito idem, periga irem juntos e assumirem a conta. Meu pai, trouxe para o senhor este chapéu cubano. Este é espanhol, pai nego. No outro dia desfilarão pelo pátio, com chapéus iguais, cores diferentes, mas um dizendo o meu é cubano, meu filho me deu; o outro o meu é espanhol, meu guri também veio; o meu é de Portugal, meu filho está lindo, macho, saiu ao pai; o meu é novaiorquino...


Os velhos abandonados contam coisas... Quando meu outro pai lá adiante me disse que foi espancado pelo guarda, aí apertei o abraço, no ouvido dizendo: fala sério, paizinho. Eu juro, guri. Eu vendo a expressão do rosto, os olhos. Dei-lhe um canivete de abrir, de 10 cm, esconde aí no casaco. Ah, paletó velho, adoram, comprei ontem pra ti, pai, novinho. Depois tu diz no ouvido de novo: se ele tentar te bater, atole nele, paizinho, mas na goela, enterre com toda a força que o senhor puder, só vai ter uma oportunidade pela surpresa, se der no corpo ele lhe mata. Sei, meu fiinho.

Se acontecer algo assim, nobre professora que irá num domingo de manhã com os duzentos que era para a lágrima falsa do coletor anual, tente pegar nome do guarda. Meu pai andava meio esquecido, não consegui o nome naquela vez. Com nome ou sem nome, depois tu vai procurar o diretor da espelunca, avisar que se aquele velhinho me aparecer com roxo no corpo, ele, o diretorzeco, vai se incomodar muito comigo, mas a gente diz isso baixinho, sem testemunhas. Ele explica que nada, moço, olho rápido e ele retifica: senhor; ele que se bate na parede gritando cadê meu filho, minha filha, e sonha que bateram nele. Acredito no indivíduo, depois vou descobrir como ele acabou ali, se é política, concurso ou sei lá. O canivete fica, ele não me pareceu louco não, e volto na semana que vem. 

Na semana que vem deixo para falar com ele por último, ele lá no outro lado, pois à distância me pareceu sereno. Quando fui, quase quatro da tarde, antes que feche, nada reclamou. Levei somente um litro de suco de uva, ele gosta, pensa que é vinho, mas só dei uma batizadinha, um copito daqueles que falei ao Zeca Tocadinho, depois o convido a passear pelo pátio, o que fazemos enganchados, falo no seu ouvido: não demonstre, pai, mas me mostre o guarda violento, com cancha, e ele responde ahahah, nada, foi um milagre, acho que saiu no mesmo dia em que te contei, meu fio, nunca mais vi. Sem que eu peça, dá as costas para os fiscais não notarem e me devolve o canivete. 

E depois ele é que é tantã pela idade, enquanto o Lula e o Serra, idem, mais uns cinco mil da mesma laia, passam o ano inteiro dizendo merda. 

Mania de mudar de assunto, e para falar de merdas. Eu que nada tenho de santo, cometi erros graves quando menino, mas só com uma pessoa, minha namorada de amor, muito marcada, teimosa, coisas de família. Claro, nada de roubar. Ela está viva, jamais a feri de canivete ou na carne, salvo um maldito tapa, que deus me perdoe, e pretendemos nos casar.

O quadro de pessoal do Asilo Padre Cacique é formidável. Falta é recurso, grana, meu chapa, para dar uma melhoradinha. Porém as prioridades nacionais são outras, precisamos construir estádios com dinheiro público, dando o fiote para a máfia da Fifa, "culigada" com dignos deputados e senadores brasileiros, empreiteiras mafiosas e com lesmas gatunas instaladas em cargos do governo, a pretexto de base "aliada", levando o deles, digo, o nosso, sem licitação.

Inclusive a Dilminha (alô, dona, esqueceu de mim? Pena, mas que surpresa, hein, sobrevivi, enquanto você me esqueceu e se conchavou), juro que dou na praça sábado pela manhã para um jumento, na rua José Bonifácio, Redença lotada, se ela alguma vez botou os pés em lugares assim. A lepra dos vampiros é outra, não come a carne, bebem o sangue do cérebro.

Tentem. Nobres professoras que reclamam do salário de fome, salário pelo qual este blog sempre esteve na linha de frente em defesa, quem sabe vocês cortam logo os pulsos, o falso do Coberto Ralos iria adorar. Sem a lágrima falsa, esse, esse... poderia vender o sangue de vocês, em sociedade com... deixa pra lá. Saudades do seu Walter D'Ávila: a inguinorância é que astravanca o progréssio. Não, seu Walter, não é somente a ignorância, é coisa pior, o senhor sabia disso. Mania de mudar de assunto.

Não fui mais lá ao cabo de cinco anos, dei um tempo. Matei as velhas e velhos do coração? Não, eles aguentam, já aguentaram coisa pior. 

Resolvi matar os culpados. Economizei para adquirir armas de precisão, caras pra caralho. Mira telescópica, a um quilômetro deu pra ele, para alguns seria com bala dundum. Aí fui fazer a lista dos bandidos. Pensava em 15. Informei-me e quando vi estava em 500 nomes, e aumentando... Companheiros para isso, nem em sonhos. Desisti. Não estava em mim mesmo, além de ilegal,

Se o amigo ou amiga do Burundi não gosta dessas adoráveis personalidades, de todas as cidades, de vereador a prefeito, governador, presidente, deputado, senador, ou do seu vizinho, artistas, todos eles que pensam só em si, tamanho o medo da vida; se tem, como eu, ânsia de vômito ao vê-los, com aqueles olhinhos de raposa, interesseiros em voto, em se sentir O Cara, vai tranquilo ao Asilo, como nos presídios e antros onde encarceram meninos e adolescentes esfaimados, revoltados, brutalizados pela falta de tudo, nesses lugares o nobre leitor/ora não terá o azar de topar com malfeitores. Lá esses valentes não vão. 

Mania de... Voltando.


Fica apenas, a meu favor, a memória fotográfica, visual e auditiva: lembro de cada nome, de cada rosto, de cada gesto, de cada palavra proferida.


Ofereço o samba dos artistas lá em cima nominados para Maria de Lourdes, do Rio de Janeiro, que largou tudo, gastou economias, se incomodou, para salvar a minha vida, trancada noite e dia num hospital de Porto Alegre por muito tempo. Não precisava.


Ela também não ouviu, como eu, o meu telefone chamar. Alô, é a Dilma..., Alô, é o Fulano, teu sócio... Ô, cara, é o Sicrano, teu amigo, ei, sou aquele da praia. Nada. Eu que ao pressentir um amigo mal das pernas dava a chave de casa, do escritório, ou levava rancho ou mil contos enrustidos para a mulher dele não ver (alô, Paulinho Copersucar, escolha como vai ser: tiro ou punhalada), notei quem eram os amigos. Amigos... uns covardes, movidos pela ânsia de mais dinheiro, que pela falta de livros não sonham por que diabos estão neste mundo, vale o levar vantagem. Vantagem? 

Tontos, sentindo o cheiro de sangue, mostram o que são, lobos traiçoeiros, se você morrer, já no expiro comparecem, ai eu não sabia, e assediam a tua mulher ainda no velório, com aquele papinho doce de sincerinho do Badú (pesquisei e escrevi um conto, mas não sem vomitar muito), pensam que a mulher da gente é igual à putinha dele, ou a vadia que nunca teve. Mas dissimulam. Não para mim, que pelo jeito de me olhar ou andar já vi. Como dizia o seu Brizola, não me canso de repetir, "Venho de longe". Enquanto brincavam de bonecas, eu morava de favor no fundo de um bordel, e não me corrompi. O Patinho já tinha partido, infelizmente. A falta que tu me faz, Pato do céu... Odiei que Maria de Lourdes testemunhasse a covardia do mundo, ela não merecia. 

Ao sair de lá, um belo dia, atravessei a rua e contrariando os médicos entrei no bar em frente da Santa Casa, depois da curva. Boteco de tamborete, odeio isso, coisa de viado portoalegrense, bar tem que ter mesa comum, onde eu iria botar meu chapéu?, mantive-o na cabeça, vai que chovesse lá dentro, e sentei num banco de americano daqueles, o idiota ficou me olhando, nunca viu homem de chapéu, outro dia vou mostrar um buraco negro comprido e silencioso pra ele, mas relaxei, tava nervoso, o pobre do rapaz nada tinha a ver, só era imbecil, e eu numa sede de meses... ela veio e sentou noutra coisa daquelas, ao meu lado. Pedi uma cerveja e um maço de cigarros mucufa. Depois suspirei duas vezes, profunda, bebi meia cerveja, e lhe disse devagar:

- Vai demorar um pouco, mas volto ao mundo dos vivos, morena, muito "vivos", eu sobrevivente, não foi a primeira vez que encarei esse muquifo de enfermeiras, antes embarquei por pneumonia dupla por morar na rua no inverno gaúcho, pés encharcados, roupas ensopadas, sapatos furados, por semanas, depois por tiros que me pegaram mal, se pegam bem eu não estaria aqui, a morte nunca me assustou, mas nunca tinha pensado num maldito câncer como esse. Desculpe pela trabalheira que te dei.

Câncer do qual esperei cinco anos, fechados em agosto de 2012, sem remédios de quimioterapia porque o médico "alta sociedade" esqueceu - de tão burro não notou quem morava naquele quartinho do hospital, subestimou, o hábito faz o monge - para me sentir mais ou menos limpo. Ele, o punheteiro do médico, todo encantado, ui, teve a sorte que não merecia, do que não reclamo, pois sobrevivi e estou limpo, mas nunca se sabe o amanhã. Se eu for pro céu, por causa daquilo, no dia seguinte não vai prestar. Saravá, saudades, Jacarepaguá. 

Aí ela começou com um Tá certo, mas tu tem que... Pedi outra cerveja, e me voltei para ouvir. Olhou-me e disse Nada, ora, tu sabe, as seis eram tuas, quem sou eu agora para... Mudamos de assunto. Estava gelada a cerveja, mas meia quente para o meu gosto, mas, mesmo assim, maravilhosa. 

Sim, eu sobrevivi. Sem amigos, não seria fácil recomeçar, com o nome mais sujo que pau de galinheiro, por gentileza dos bancos que sem querer financiaram em parte a salvação. Cada vez que pego numa adaga lembro desses caras, não sei por que. Recentemente Carlito Dulcemano Yanés, que é fascinado por esse tipo de pensamentinho, me disse que eu deveria ter incendiado todas as suas agências. Respondi que cheguei a pensar nisso, seria muito fácil, mas que de nada adiantaria, eles têm seguro, e os dados estão nas nuvens dos computadores. O jeito é outro, Carlito, bem mais radical. Pensar não é crime, pois não? Só não entendo como esses agiotas pensam em receber o deles, com juro assassino sobre juro assassino, e ainda por cima, principalmente, queimando o nome da pessoa na praça. Mas tudo há de se ajeitar, eu disse, por bem ou por mal.

Eles são "vivos" noutro sentido, Maria de Lourdes - continuei - de medo de morrer dos larápios, não lhes entra na cachola que morrer faz parte do processo vital, o medo da vida os impele a cometer horrores, um egoísmo terrível. Pois me tiraram do sério. Acendi outro cigarro e concluí:

- O mundo gira, moça. E como. Vou seguir o mesmo, cuspindo em dinheiros, homem sem preço, mas vou te pagar tudo o que gastaste. O gesto jamais pagarei, só poderia em situação análoga, o que rezo que nunca ocorra. Pagarei somente o dinheiro, o nada, mas que custou teu suor. "Eles", se atravessarem, parei de ser compreensivo, entender seus medos, vou dar um tiro na cara, tiau, covarde filho da puta. E tu fique bem quieta, por favor. 

Quando nervoso, a gente promete coisas que nem sempre pretende cumprir. Olho para as mal-traçadas acima e vejo manchas brancas, não sei como foram parar ali. Puto da cara, moço? Relaxa, tudo passa. 

Mas, sem ti, Maria de Lourdes, acho que desta vez eu não teria conseguido. Pela presença, por sentir que alguém me amava de verdade, acima das mentiras e dinheiros comuns.

Tintim. Sempre fui e sempre serei teu.


2 comentarios:

  1. Reli várias vezes o texto acima. Você mora no meu coração! Entendeu. Só quero te ver feliz. Obrigada pelo samba,gostei,o Zeca é único. Bjus

    ResponderEliminar
  2. Você é um excelente escritor, te peço aproveite esse dom, escreva mais livros, 3,4,5,20,50,100 etc .Poucas pessoas tem inteligência intelectual assim, tá certo que inteligência emocional e social precisa melhorar...sem ódios e revoltas, o que passou, passou, dá para relembrar sem raivas.
    Obrigada pelo carinho, és meu irmão de coração e de sangue e sempre poderás contar comigo. Alerto! Tu precisa se cuidar, saúde é a grande riqueza de cada um de nós. Li novamente hoje e me emocionei com o texto.

    ResponderEliminar