martes, 22 de mayo de 2012

CPMI do Cachoeira ao vivo, na Charge do Dias

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No Beco do Oitavo os boêmios estão em contagem regressiva, ansiosos para acompanhar ao vivo o depoimento do bandoleiro Carlinhos Cachoeira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, às 14 horas.

Rolou até buquiméqui, três opções: (a) ele responde tudo o que for perguntado, (b) responde com evasivas e não sei, e (c) exerce o seu direito constitucional de se manter calado.

Com um quorum de 15 boêmios, a letra (c) teve 14 apostas. Apenas o Gustavo Moscão marcou a letra (b). 

Mr. Hyde comentou: "O advogado da máfia mandou o patife fechar a matraca, podem crer. Não é exatamente pelo destino do bandido, e sim pela carrada de políticos e empresários envolvidos".

Lúcio Peregrino: "O diabo é ter que assistir aos políticos de merda fazendo pose para a platéia, mais sujos que pau de galinheiro, se fazendo de sérios, até o Collor tá lá".

Esse o tom das conversas. No fundo, uma tênue esperança de que o marginal abra o bico. Isso me lembrou o meu amigo de infância Gilberto Martins, o Pato. 

Em julho de 1992, na mesa 1 do Bar Pampulha, ao lado da janela, eu lhe disse: "Patinho, aposto uma caixa de cervejas que o Collor cai até dezembro". O Pato me olhou, bebeu mais um gole da sua cuba libre e tornou a olhar a rua, anoitecia em Porto Alegre, hora do rush, o movimento se intensificava.  Insisti: "Ei, meu, não ouviu, está levando medo?". Então com um leve sorriso nos lábios, ar distante, respondeu: "Olha, compadre, deixa para lá a aposta, façamos o seguinte: se o Collor cair até dezembro, eu te pago cinco caixas de cerveja!". Caiu em dezembro, mas o Pato já havia partido. Partiu meu coração. 

Tomei as cinco caixas, mas não consegui no mesmo dia. Y desde aquel día sinto ganas de matar alguns filhos da puta, que proliferam pior que lésbicas, porque falta homem. 

Carlinhos Adeva disse ter lido que o gabinete do presidente da CPMI é mal-assombrado. Lotado de fantasmas, mãe deste, parente daquele, bisavô daquele outro. Fantasmas que não batem ponto, claro. Isso terminou de broxar os amigos.

Enfim, aguardemos. Não vai dar em nada.

Escolheram a obra do Renato, de A Cidade (Ribeirão Preto, SP).

Em tempo, às 15 h: deu letra (c). Veja AQUI.


No Botequim do Terguino os ânimos dos empinantes esquentaram demais. Os diálogos são impublicáveis, infelizmente. A escolha da charge do dia dá um indício, bem leve.

Ficaram com a obra do Duke, de O Tempo (Belo Horizonte, MG).


A senhorita Leila Ferro, em seu nome, em nome dos boêmios, das mulheres dos boêmios de ambos os butecos, dos habitantes de todo o Beco do Oitavo, da Cidade Baixa, da cidade toda, do estado... torna a lembrar certos governadores. Eles não perdem por esperar, deixa estar...

Ficou com o Amorim, do Correio do Povo (Porto Alegre, RS).






2 comentarios:

  1. Como pode o povo brasileiro ficar vendo tudo isso que está acontecendo e ficar na inércia? Meu Deus, temos milhões morrendo em hospitais por falta de verba para a saúde, milhões no trânsito por falta de estradas dignas e seguras, milhões sem habitação e o dinheiro de nossos impostos está em Brasilia, mas é desviado para o bolso desses bandidos. Como pode? Imprensa, pelo amor de Deus, façam estardalhaços como o PT fazia qdo era oposição, mobilizem o Brasil, os trabalhadores, os Sindicatos, Associações, etc para que alguma coisa seja feita, fechamento do Congresso, sei lá. Vá agora em qualquer Pronto Socorro ou Postos de Saúde e Hospitais que atendem a população, e veja a situação (gente morrendo a cada segundo ou sofrendo por falta de recursos)e sabendo que temos esses recursos. SOS
    Luiz Ornelas
    Bauru-SP

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  2. Pois é, Luiz, ninguém aguenta mais. A Rede Globo deu flashes da entrada do malfeitor na sala da CPI, mas voltou à sua programação normal quando os trabalhos iam começar. A sua programação normal, importantíssima, era... desenho animado. Isso explica em parte a alienação do nosso povo.
    Abraço, grato pelo recado.
    Salito.

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