sábado, 23 de junio de 2012

Véspera de batizado, na Charge do Dias

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Um belíssimo sábado de inverno na capital da América. Temperatura de outono, 20º, e um astro-rei que se derrama sobre a cidade, empurrando os viventes para as ruas e praças. A orla na altura do Gasômetro reúne 500 mil pessoas, sol e cerveja, que esperam a espetacular queda da bola vermelha, já então multicolor, ao entardecer.

Os colorados boêmios do Beco do Oitavo sentam-se em mesas na calçada, o único gremista fica lá dentro, é o portuga dono do buteco, azulão, Clube do Porto lá e Grêmio aqui. Lá dentro o berrador da tevê bandeirantes se esgoela gritando gol da Espanha. O sujeito é intolerável, há séculos naquele papinho de somos a melhor equipe e tal, ao lado um caipira analfabeto como comentarista, uma dupla de dar engulhos. Pior que isso, na opinião do Nicolau Gaiola, só o mentecapto da globo e seu ex-árbitro baba-ovo. Ninguém mais suporta ver tevês de paulistas e cariocas, a capital do mundo (epa, creio que acabo de promover Porto Alegre, bi-mundial de futebol, bem, de capital da América para capital do mundo é um pulinho) necessita de uma própria, a Tevê Gaudéria, que atinja em rede aberta daqui até o Cáucaso, o mulherio de todo o planeta vai querer emigrar, que vengan. Gustavo Moscão grita para o portuga desligar aquela joça.

Ufa, música no ar. Guilherme Arantes: "Quando eu fui ferido...". Tigran Gdansk pede mais meia-dúzia de cervejas, é a sua vez.

Coisa rara, o Antonio Portuga vai lá para a frente, pede a palavra, se empertiga e dispara no seu sotaque inconfundível: "Aviso aos prêzads amigos que o butiquim hoje vai somente até às 4 da matina, às 3 suspendo a música, pois amanhã às 8 tods dvemos comparecer ao batizado do bebé do Marquito Açafrão. Mais: não podem levar garrafas à solenidade e não quero ver nenhum borracho chamando o padreco de donzela de preto, gostosona, viadinho, acaba logo com isso putão, essas bubagens. Alguém avise ao padrinho, sinhoire João da Noite, sobre as regras, se ele não aparecer aqui hoje, posto que o gajo é fino em implicar com as saias dos religiosos, quem num lembra daquela outra vez, podre de bêbedo a gargalhar, garrafa de uísque na mão, a dizer 'joga aguinha em mim também, ó gostosa, cadê a tua saia vermelha, com salto alto ficas linda'. Após o batizado haverá churrasco no Botequim do Terguino".

Aplausos e vivas ao portuga. Gustavo Moscão argumenta que não vai ter nenhuma graça, se não tirarem a roupa do padreco. Combinam de convidar o sacerdote para o churrasco, aí depois...



Segue repercutindo na cidade e no mundo a feroz inquirição de João da Noite: "Quem vai assumir a criação do pelego sem controle que, por pelego, jamais ganharia eleição em São Bernardo do Campo? Quem vai embalar o monstrengo que pariram na esperança de subjugar mengeles com um aleijado?  Os intelectualóides de São Paulo? Jamais. Quietinhos, prostrados, ricos... Alô, Chauí, nem tu, mulher? Câncer requer acompanhamento psicológico, os covardes se entregam. Os com luzes de mentira, então... Vocês todos me devem horrores que vi e sofri, primeiro sufocado, depois exausto de gritar para surdos, e mal começo a cobrar a conta".

Os petistas, ou melhor, os ex-petistas, pois no Beco não restou nenhum, se calam, dói remexer em questões evidentes que não quiseram ver, mas Lúcio Peregrino insiste em cutucar a ferida que jamais cicatrizará.

Foram salvos das garras do Lúcio por Leilinha Ferro, que chegou para colher a obra escolhida para a Charge do Dias.

Os boêmios se dividiram, dez para cada lado. Sem condições de desempate, Leilinha aceitou as duas obras.

Sponholz, do Jornal da Manhã (Ponta Grossa, PR). Esta Lúcio Peregrino fez questão de dedicar "aos pseudos intelectuais, aos larápios e sindicalistas de São Paulo e aos seus empregados de Porto Alegre". Calma, Lúcio.






E a do Renato, de A Cidade (Ribeirão Preto). Seus defensores a batizaram de "A Fraude", referindo-se a vocês sabem quem.




No Botequim do Terguino o assunto provocado por João da Noite também ainda repercute. O Contralouco propôs o enforcamento coletivo dos partidários do Lulaluf domingo de manhã, na esquina da Rua da Praia com a Travessa do Poço (que os estúpidos mudaram para Av. Borges de Medeiros, este elemento um Caiado antigo que dominou pela força, como sói), a dita "Esquina Democrática". Os favoráveis à proposição perderam por dois votos: 10 contra e 8 a favor. Por pouco...

A estas horas falam sobre o churrasco de amanhã, a vez é do Botequim, os boêmios do Beco virão para cá. Na dúvida se vinho ou cerveja, optaram pelos dois. Costela de gado, algumas picanhas e salsichão, 50 Kg dá e sobra. Ou não. Melhor 60, para garantir. As saladas o Terguino Ferro vai providenciar. Pensando bem, melhor comprar alguns quilos de coração de penosa, a criançada gosta. Feito.

As mulheres estão encarregadas dos doces e da decoração da rua e do buteco, para a festa do batizado do neném do Açafrão. O fiscal corrupto que tentava extorquir pelo fechamento da rua não vai aparecer, Juanito Díaz Matabanquero disse que soube que ele sofreu um acidente de adaga (vá entender...) e agora se entende com o Capeta lá no quinto fosso do Oitavo Círculo do Inferno, a moradia de passagem dos políticos corruptos, ou dos fracos de alma, o que dá na mesma.

Copiaram os amigos do Beco e deram nome à obra do Aroeira, de O Dia (Rio de Janeiro, RJ). Vai para a parede com o título de "Vaiti à merda, Dilma!".





Entenderam perfeitamente factível a sugestão do Flávio, pena que o chefe da máfia ainda está enjaulado, o seu advogado é muito ruim. Por outro lado, apostaram em quanto tempo o mafioso duraria antes que os lulafistas lhe passassem para trás na hora de se avançar nas fichas.

O filósofo Aristarco de Serraria embolou-se numa discussão com o Clóvis Baixo, a respeito da influência dos astros na garganta de pessoas com a língua presa, e Leilinha tratou de pegar as obras e cair fora, direto para o nótibuc. Boa essa menina, tem coragem, mantém o respeito. Se os empinantes sem querer tentam envolvê-la sai de frente, gosta de todos mas é a líder da Charge do Dias, difícil encargo. Uma jóia, que orgulha Adolfo Dias Savchenko, o idealizador da coluna, de quem sentimos saudades que não dá para colocar em palavras.



Leilinha Ferro escolheu a obra do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG), aludindo ao modo como os reis da idade da pedra mantinham entretidos e submissos seus habitantes da escuridão, pela sua rede de tevê daquele tempo, enquanto se apoderavam das riquezas públicas e roubavam a não mais poder.



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2 comentarios:

  1. Cara. Essa porcaria num é esporte mesmo. Boa essa.
    Reclamam da violência, mas só sabem vende-la.
    Falows abrçs

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  2. Pior que é bem isso, amigo Quero.
    Há de ter jeito. Depende da gente.
    Grato.
    Salito.

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