miércoles, 29 de agosto de 2012

Cachoeira de Donativos, na Charge do Dias

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Pela manhã, a um canto do Botequim, afastado dos companheiros, Lúcio Peregrino pilotava o nótibuc e fazia anotações.

Na mesa do centro a turma folheava os jornais. Clóvis Baixo pega a palavra, empolgado: "Bah, tiraram fotos e filmaram o príncipe da Inglaterra, o Éurri, cheirando cocaína e dando a bunda numa festinha de ricos, e...".

Lúcio grita lá do seu canto: "Putz, meu, fala mais baixo, tou trabalhando. E quem se importa se existe príncipe, isso é babaquice pro povinho deles, você só fala abobrinha".

Clóvis: "Tamos só vendo as notícias, meu chapa".

Jucão da Maresia: "Olhem esta: um juiz absolveu os milicos das Forças Armadas de Israel do assassinato da americana Rachel Corrie, ativista que protestava contra a demolição de casas palestinas. A guria tinha só 24 aninhos. Os caras passaram por cima com um escavadeira militar. O juiz aceitou que o milico que operava o monstro não viu a moça, ninguém viu. Ela estava gritando num megafone, com roupa cor-de-laranja fosforescente, olhem aqui a foto dela minutos antes de morrer, lá parada com o megafone na mão... Lá juiz e milicos são todos cegos e surdos...".

Leilinha Ferro, mortificada: "Eu vi na internet, vou mandar as fotos pro blog".

Jezebel do Cpers: "Puxa... mas esta aqui é mais alegre: o sucesso da menina de 13 anos que botou no Facebook a situação da sua escola em Santa Catarina. Caindo aos pedaços. Agora correram a tocar as obras de reformas. Se a moda pega...".

Gustavo Moscão: "Pra'lguma coisa esse facebosta serve, mas é raro, a Jussara encerrou a conta, só abobrinha".

Aristarco de Serraria: "Vi o filme sobre o puto que é ou foi dono desse negócio, um tal de Mark Putenberg, um nojo, roubou a idéia dos outros, que era botar um badú com cara de certinho".

Jezebel: "Queridos, mesmo quando acho uma coisa boa, vocês tratam de esculhambar. Que droga!".

Lúcio Peregrino grita: "Achei!". Vem para a mesa do meio e explica:

"Ontem o Pagot disse na CPI que o documento apócrifo, chamado Cachoeira de Donativos, é o caminho das pedras pra pegar corruptos dentro e fora do governo. O único jornal que noticiou - muito estranho isso - disse que não podia dar os nomes dos acusados, uma vez que era só suspeita. Se sou eu o suspeito eles fincam na primeira página. Fiquei uma hora tentando achar algo na internet e nada. Agora botei aspas em "Cachoeira de Donativos" e pimba. Tá lá, inteirinho, em PDF, no que parece ser uma página de uma comissão do senado, olhem, AQUI, o ofício da Procuradoria e as 11 páginas do documento. Já salvei no computador, antes que tirem".

Jucão da Maresia, exasperado: "Mas ainda não caiu a ficha em vocês? Os caras NÃO QUEREM pegar ninguém, porra".

Os boêmios estavam assombrados, lendo a barbaridade, quando adentraram no recinto o Contralouco e Mr. Hyde.

Contralouco, garrafa na mão, com um enorme sorriso: "Ajudei o Hyde a fugir do hospital! Os caras vieram implicar da gente estar bebendo uísque e fumando no quarto".

Mr. Hyde:  "Saí com meu jaleco de médico!".

Quase meio-dia. Leilinha Ferro pede licença e diz: "Depois vocês contam, tio Contra, mas preciso mandar as charges agora, de tarde não estarei aqui".

Enquanto riam e davam tapinhas nas costas do Hyde escolheram as obras. Aristarco de Serraria não se cansava de olhar para o Contralouco e repetir: "Eu não acredito...".

Ficaram com a obra do Newton Silva.


E com a do Nani.




Leilinha Ferro mandou a sua, do Duke, do Super Notícia (Belo Horizonte, MG): "Se for possível a publicação, além das fotos da Rachel".




As fotos da Rachel. A segunda minutos antes de ser morta.




 


(A coluna A Charge do Dias leva esse título pelo seu idealizador, o mestre Adolfo Dias Savchenko, que um belo dia se mandou para a Argentina, onde vive muito bem. Sucedeu-o na coordenação a jovem Leila Ferro, filha do Terguino, quando os boêmios amarelaram na hora de assumir o encargo. Antes eram dois butecos, o Beco do Oitavo e o Botequim do Terguino, que há poucos dias se..., bem..., se fundiram (veja AQUI), devido a dívidas com o sistema bancário, ou agiotário, como eles dizem. O novo bar manteve o nome de um dos butecos: por sorteio ficou Botequim do Terguino, agora propriedade dos ex-endividados António Portuga e Terguino Ferro.)



  








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